Consultora alerta para o risco de bancarrota da Europa
Relatório da Ernst & Young aconselha acção concertada para evitar o pior e prevê que acesso ao crédito vai continuar a ser difícil. Presidente de um país que caiu na bancarrota, Ólafur Grímsson da Islândia, diz que foi um erro ter confiado nas agências de “rating”.
A Europa continua a viver sob o risco de bancarrota. É o que conclui a análise feita pela consultora Ernst & Young. No primeiro de uma série de relatórios sobre o impacto da crise económica, a consultora considera que governos, bancos centrais e todas as instituições financeiras precisam de encontrar estratégias comuns para evitar a tragédia. A Ernst & Young diz que a crise da dívida soberana na Grécia, Irlanda e Portugal lança uma sombra sobre o sector bancário e lembra as dificuldades que a banca tem sentido nos três países para se conseguir financiar. A consultora lembra que vão ser divulgados esta sexta-feira os mais recentes testes de stress a que a banca europeia foi sujeita e afirma que é preciso que os relatos sejam credíveis, para restaurar a confiança dos mercados. O relatório prevê que a desaceleração do crédito na zona euro esteja para durar por mais cinco anos e que se continue a assistir a um crescimento lento dos empréstimos, particularmente ao nível do crédito à habitação. A consultora lembra também que uma atitude excessivamente cautelosa para empréstimos no rescaldo da crise vai atrasar a recuperação económica na zona euro, onde se prevê uma evolução assimétrica, com países como a Alemanha e a França a terem um incremento médio na sua taxa de crescimento de 2,2% e as economias periféricas, como Portugal, Irlanda, Espanha e Grécia, a crescerem, na melhor das hipóteses, 1,2%.
Zona Euro não exclui incumprimento parcial da Grécia
“A opção não está excluída”, adianta o ministro das Finanças da Holanda. A Zona Euro não exclui o incumprimento da Grécia, no quadro do segundo plano de ajuda ao país, que a UE está a tentar organizar, disse hoje o ministro holandês das Finanças. “Essa opção não está excluída” pelo grupo de trabalho encarregado de encontrar uma solução para salvar as finanças públicas gregas e o país da bancarrota, implicando no plano os credores privados, disse Jan Kees de Jager, em Bruxelas, no início de um encontro com os homólogos da UE. O ministro holandês disse mesmo que foi o próprio chefe do grupo dos ministros das Finanças europeus, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, quem o afirmou na segunda-feira. “Manifestamente, o Banco Central Europeu (BCE) defende as suas posições, mas os 17 ministros da Zona Euro não excluem essa opção [do incumprimento parcial], mas temos numerosas opções adicionais para estudar”, acrescentou. Os responsáveis europeus continuam sem conseguir chegar a acordo sobre a necessidade – ou não – de envolver os privados (banca, companhias de seguros, fundos de pensões) num plano que evite que a Grécia entre em bancarrota. O BCE recusa esta opção, porque receia que criem uma situação de contágio e ameaçou que poderá não aceitar a dívida soberana grega como colateral para emprestas dinheiro à banca grega.
Ministro das Finanças tem “toda a confiança” nos bancos portugueses
Vítor Gaspar falou à saída da sua estreia em reunião com os ministros das Finanças da Zona Euro. Vítor Gaspar realçou que tem “toda a confiança” na capacidade de gestão dos bancos portugueses e que estes têm tido um comportamento “muito positivo” desde o início da crise global em 2007. Para mais, Vítor Gaspar salientou que tem também "toda a confiança na qualidade da supervisão do Banco de Portugal". Em declarações à agência Lusa, o responsável pelas Finanças portuguesas recusou fazer qualquer comentário ao anúncio que vai ser feito na sexta-feira sobre os testes de resistência aos principais bancos europeus e nacionais porque se trata de “uma questão sensível para o mercado”. O novo ministro das Finanças fez hoje em Bruxelas uma intervenção de três minutos onde apresentou as mais recentes medidas implementadas pelo Governo português para cumprir o programa de ajustamento financeiro negociado com a União Europeia e o FMI. Vítor Gaspar aproveitou a reunião para reiterar a intenção do Governo de cumprir o programa mas também em ir mais longe na prossecução dos objectivos, dando o exemplo do imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal. Em relação às agências de “rating” Vítor Gaspar não comentou o recente “downgrade” da Moody’s a Portugal por não ter constado da agenda da reunião, mas mostrou-se favorável à criação de uma agência de “rating” europeia. No final da reunião dos ministros das Finanças dos 27 saiu um sinal de abertura à flexibilização na utilização de alguns dos instrumentos criados nos últimos meses, nomeadamente a diminuição das taxas de juro pagas pelos países que, como Portugal, negociaram programas de apoio financeiro. Quanto ao cenário ventilado em Bruxelas sobre a possibilidade de haver uma cimeira europeia extraordinária para debater a situação na Grécia, Vítor Gaspar não comentou e não existe ainda confirmação oficial por parte das instituições europeias. No entanto, fonte diplomática garante à agência Reuters o assunto está em cima da mesa e o presidente da União Europeia também não coloca a hipótese de parte. Herman Van Rompuy vai reunir esta tarde Cavaco Silva e Passos Coelho em Lisboa, na primeira visita desde a tomada de posse do novo Governo.
O futuro de Portugal também depende da Grécia, diz Fitch
Em Atenas prossegue a votação do pacote de austeridade, medida a medida. O futuro da economia portuguesa está dependente do sucesso do resgate financeiro da Grécia, diz a agência Fitch. Num relatório publicado hoje sobre as perspectivas das dívidas soberanas, a agência diz ser real o risco de contágio aos Estados mais vulneráveis da zona euro e dos seus sistemas financeiros em caso de bancarrota da Grécia. Já esta tarde o ministro alemão das finanças anunciou que as instituições financeiras do seu país vão contribuir com cerca de 3200 milhões de euros para o resgate da Grécia. Em Atenas prossegue esta tarde a votação, medida a medida, do novo pacote de austeridade para o país, a única solução para que a Grécia receba mais 12 mil milhões de euros no imediato para evitar a bancarrota.
Presidente islandês:"O Euro já não parece uma boa fórmula mágica"
Presidente de um país que caiu na bancarrota, Ólafur Grímsson da Islândia, diz que foi um erro ter confiado nas agências de “rating”. Quase três anos depois do colapso islandês e perante as crises na Irlanda, Grécia e Portugal, a Zona Euro levanta mais dúvidas do que certeas ao presidente da Islândia. "A desvalorização da coroa islandesa ajudou-nos a recuperar a força económica e hoje vemos muitos países do Euro a enfrentar grandes dificuldades, porque não conseguem alterar o valor da moeda”, afirma Ólafur Grímsson, em entrevista. “Além disso, vemos esses países, uns atrás dos outros, com graves crises. Por isso, a perspectiva, como muitos disseram no passado, de que o euro era uma fórmula mágica para ter um futuro seguro já não parece tão boa como parecia há dois anos", sublinha.
Foi um "erro" confiar nas agências de "rating": Em 2008, logo após a falência do banco de investimento Lehman Brothers nos Estados Unidos, a Islândia mergulhou numa grave crise bancária e financeira, que conduziu o país à falência. Segundo o presidente islandês, foi um erro ter confiado nas agências de “rating”. "Olhando para trás, o certo é que as agências de 'rating' estavam erradas. E estes bancos ingleses e americanos que emprestaram imenso dinheiro aos bancos islandeses também estavam errados”. “Agora que as agências de 'rating' estão a dar classificações baixas à Islândia, eu espero que elas também tenham aprendido as suas lições, porque provocou grandes perdas confiar nos triplos 'A' ou dois 'A' atribuídos pelas agências de 'rating'. Nós devíamos ter ouvido mais as vozes contra-corrente durante 2006 e 2007 e não devíamos ter confiado na opinião formada pelo sistema financeiro europeu e americano e pelas famosas agências de rating." Há quase três anos, quando os três grandes bancos do país caíram em desgraça logo após a falência do Lehmann Brothers, percebeu-se que o sector financeiro islandês era um gigante com pés de barro - durante o "boom" do crédito, cresceu e expandiu-se para o estrangeiro, chegando a ser 11 vezes maior do que a economia do país. Desde que a crise rebentou, os islandeses votaram já em dois referendos contra o pagamento do dinheiro que investidores estrangeiros tinham perdido com a falência dos bancos islandeses e essas decisões abalaram e marcaram a diferença no caminho para a saída da crise da pequena ilha.
Banco de Portugal agrava previsões de queda do PIB
A taxa de inflação vai aumentar para 3,4% este ano, indica o boletim de Verão do Banco de Portugal. O Banco de Portugal está um pouco mais optimista do que a troika sobre a evolução da economia nacional. Prevê uma quebra no Produto Interno Bruto (PIB) de 2% este ano e de 1,8% no próximo, revendo em baixa as estimativas de Março, antes de Portugal recorrer à ajuda externa. O Boletim de Verão do Banco de Portugal mantém a receita para o país: redução da despesa pública e privada, aumento da poupança e aumento das exportações. O relatório diz que o aumento das exportações terá de ser “robusto”. As previsões apontam para um aumento à volta de 6% tanto em 2011 como em 2012. Já a taxa de inflação vai aumentar, este ano, para 3,4% e desce para 2,2% em 2012, indica o boletim de Verão do Banco de Portugal. Quanto à procura interna tem uma queda acentuada: menos 6,3% este ano e menos 4,4% no próximo. O investimento, tal como esperado, cai 10,8% em 2011 e 10% em 2012. As importações também caem 4% este ano e 1,2% em 2012. O emprego deve registar uma quebra de 1,1% até final do ano. Previsões BdP: Francisco Sarsfield Cabral diz este é o resultado de anos a fio a viver acima das possibilidades.
Durão Barroso: Saída de Portugal do euro seria uma tragédia
Presidente da Comissão Europeia confia na capacidade do Governo português para ultrapassar a crise da dívida e considera haver as condições políticas necessárias para atingir esse objectivo. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, considera que uma eventual saída de Portugal do conjunto dos países da moeda única seria dramática para a economia do país. "Isso seria uma tragédia para Portugal, de todos os pontos de vista, nomeadamente do ponto de vista da destruição de riqueza que isso representaria. Quereria dizer que todo o Produto português seria reduzido (...), para além de todas as dificuldades que isso geraria para o sistema bancário, na falta de financiamento para a banca e falta de financiamento para a economia portuguesa. É um cenário que eu acho, sinceramente, que é melhor nem sequer contemplar." Durão Barroso, em declarações à RTP, confia na capacidade do Governo português para ultrapassar a crise da dívida e considera haver as condições políticas necessárias para atingir esse objectivo. "Tenho toda a confiança em Portugal. O Governo e o primeiro-ministro conhecem a situação, acreditam na solução - isso é muito importante -, há condições políticas visto que à uma maioria de Governo e cerca de 85% dos deputados aprovaram o programa negociado entre Portugal, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional, o Presidente da República apoia activamente as soluções." O presidente da Comissão Europeia afirma que o programa de assistência financeira a Portugal é uma oportunidade que, tanto o Governo como os parceiros sociais, devem aproveitar para que o país saia da situação difícil em que se encontra. Já sobre o clima de desconfiança das agências de notação financeira em relação aos países periféricos da moeda única, Durão Barroso confirma que o executivo comunitário vai propor a criação de um quadro legislativo que regule a conduta das agências de “rating”.
Juros da dívida portuguesa ultrapassam os 20%
Juros a dois, cinco e 10 anos atingiram hoje máximos históricos. Os juros da divida pública portuguesa nunca estiveram tão altos desde que Portugal entrou no euro. Os títulos a três anos chegaram a um juro histórico de 20,14%, tendo já descido para 19,8%. A dois anos, os juros chegaram aos 18,2% e a cinco anos, nos 17,2 e as 10 anos nos 13,4%. Os valores registados esta tarde são novos máximo históricos desde, pelo menos, a entrada de Portugal no euro, em 1999. Os ministros das Finanças da zona euro estão reunidos hoje, numa altura em que aumentam os receios de contágio da crise da dívida soberana a outros países, nomeadamente à Itália. A Itália, a terceira maior economia da zona euro e segunda com maior dívida logo a seguir à Grécia, viu hoje os seus juros da dívida atingirem máximos históricos desde o começo da moeda única. Em Espanha, os mercados bolsista e da dívida viveram hoje uma jornada dramática, com o diferencial dos títulos a 10 anos a atingir os 342 pontos base, e a rentabilidade dos títulos a 10 anos a passar os seis por cento. Grécia, Irlanda e Portugal já receberam ajuda externa.
Resultados dos testes de “stress” só saem sexta, lembra Banco de Portugal
Apesar da notícia avançada no Diário Económico de que os bancos portugueses terão passado, as instituições sublinharam hoje que ainda não há resultados oficiais. O Banco de Portugal e a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esclareceram hoje que os testes de “stress” à banca não estão terminados. "O Banco de Portugal informa de novo que o exercício de 'stress test' realizado ao sistema bancário na União Europeia ainda não se encontra finalizado. Os resultados desse exercício serão divulgados apenas no próximo dia 15 de Julho de 2011, a partir das 17h00 portuguesas, conforme comunicado de imprensa da Autoridade Bancária Europeia", refere a nota do banco central à agência Lusa. A CMVM, através destas informações prestadas pelo Banco de Portugal, também esclareceu o mesmo aos investidores. O Diário Económico avançou hoje prognósticos de que os resultados revelam que BCP, BES, BPI e CGD têm rácios de capital acima do exigido para resistir à crise, passando assim no exercício. Com a divulgação dos resultados na sexta-feira, há indicações não oficiais de que nesse dia pode ter lugar uma Cimeira Europeia Extraordinária para debater a ajuda a Grécia.
Inflação nacional desacelera em Junho
Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma queda de 0,2% face ao mês anterior. A inflação em Junho desceu para 3,4% homólogos, face a 3,8% em Maio, revelou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE). O índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma queda de 0,2% face ao mês anterior. O relatório do INE refere que, à semelhança dos meses anteriores, o maior contributo para a variação homóloga foi o dos transportes, da habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis. A única contribuição negativa para a variação homóloga do IPC proveio da classe do vestuário e calçado.
Bloco de Esquerda propõe emissão conjunta da dívida europeia
O partido defende a junção da dívida dos vários países europeus de forma “solidária” como combate à especulação dos mercados. O Bloco de Esquerda apresentou hoje um projecto de resolução para atacar a crise da dívida soberana. O deputado bloquista Pedro Filipe Soares propõe a emissão da dívida pública europeia conjunta, de modo a evitar a especulação sobre a dívida de cada Estado membro. O deputado defende “a criação, de forma solidária, da emissão de obrigações públicas de dívida europeia feitas de forma conjunta na zona euro. Os chamados “eurobonds”, estas mutualizações da dívida pública europeia, potenciarão a especulação sobre a dívida soberana de cada um dos Estados, e ao criar o espaço europeu de dívida pública, diminuirá e muito os juros pagos pelos países para se financiarem”. O Bloco de Esquerda pede assim que a Europa se assuma como um todo contra a política de cada país por si. “Cada um por si são as taxas de juro sempre a subir para Portugal, Grécia, Irlanda e agora também Itália e Espanha”, sublinhou Pedro Filipe Soares. O projecto de resolução foi entregue hoje na Assembleia da República.
Governo de Sócrates gastou mais de 236 milhões com estudos e pareceres
As contas resultam de duas auditorias do Tribunal de Contas às despesas de consultadoria da Administração central e de 69 empresas públicas. Só entre 2004 e 2007, algumas empresas públicas e o Governo de José Sócrates (aqui no período 2005/07) gastou mais de 236 milhões de euros com estudos e pareceres, ignorando a maioria das recomendações do Tribunal de Contas para regular as despesas de consultadoria. A notícia é avançada hoje pelo jornal “Público”, segundo o qual apesar de o Estado ter organismos competentes para essas tarefas, foram por sistema utilizados serviços externos. A grande maioria das contratações (86%) foi por ajuste directo, por concurso público apenas 1%. De acordo com o Tribunal de Contas, 1.353 foi o número de estudos e pareceres, auditorias e outros serviços adjudicados só por 13 entidades do sector público administrativo.
Brasileiros são a maior comunidade imigrante em Portugal
O relatório da OCDE apresentado hoje revela que o número de naturalizações no país está a subir significativamente. Os brasileiros constituem o maior grupo de estrangeiros em Portugal, seguidos dos ucranianos e dos cabo-verdianos. De acordo com o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre tendências migratórias apresentado hoje em Bruxelas, em 2009 residiam em Portugal 457 mil estrangeiros, um aumento em relação aos dados registados no ano anterior. Deste total, 26% são brasileiros. Já a comunidade ucraniana representa 11% do total da população estrangeira com autorização de residência válida no nosso país. O estudo da OCDE indica também que o número de naturalizações continua a subir e atingiu um novo pico em 2009, altura em que 25.500 pessoas conseguiram a nacionalidade portuguesa, sete vezes mais do que em 2006. A maior parte das naturalizações, cerca de 40%, tem origem nos PALOP, nomeadamente em Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, e Brasil, cerca de 15%. O documento da OCDE assinala que estas comunidades vivem há mais tempo em Portugal e cumprem automaticamente as exigências de língua portuguesa, estando por isso em melhores condições para satisfazer os seis anos de residência legal. Ainda assim, o peso de outra comunidades, como a moldava, ucraniana e indiana está a aumentar, conclui o relatório.
Imigrantes são decisivos para a recuperação económica, diz OCDE
A conclusão consta de um estudo da OCDE apresentado hoje. A crise económica mundial teve um efeito negativo na imigração, mas os imigrantes vão ser decisivos para a recuperação económica dos países no futuro, conclui um relatório da OCDE, que foi apresentado em Lisboa, na Fundação Luso-Americana. Pela primeira vez em cinco anos, a imigração legal nos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico registou uma quebra, tendo em conta os últimos dados disponíveis. O número de imigrantes que deram entrada nos países da OCDE registou uma quebra de 6%. Os últimos dados concretos são relativos a 2008, mas a organização admite que a tendência se manteve no ano passado. Apesar disso, os imigrantes já contribuem para 1 terço das novas entradas na população activa destes países. Jean Pierre Garson, responsável pela divisão de migrações internacionais da OCDE , avisa que vão ter um papel decisivo na recuperação económica, “para ter um nível de população activa suficiente que permita o crescimento económico. Se actualmente há países com visões políticas contra os imigrantes, têm que ter em conta que vão precisar de mais imigrantes”. Apesar da crise, o decréscimo registado na população imigrante residente em Portugal foi muito pouco significativo. Um fenómeno que Rosário Farnhouse, Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, explica com as características desta população: “Têm defesas melhores, estão sempre disponíveis a começar de novo e a dar a volta aos obstáculos”. O relatório da OCDE destaca ainda a visão positiva, no geral, da opinião pública portuguesa face aos imigrantes.
Estrangeiros não são mais criminosos do que os portugueses, diz ACIDI
Representante do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Inter-religioso desmistificou a relação entre os estrangeiros e a criminalidade em Portugal. Os estrangeiros não são mais criminosos do que os portugueses e não são condenados a penas mais pesadas, sublinha o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), que considera ser necessário distinguir estrangeiros e imigrantes. "Recorrentemente vemos manchetes nos jornais que [dizem que] os estrangeiros aumentaram a criminalidade em determinados períodos e somos levados a crer que os estrangeiros são mais criminosos do que os portugueses. Nada mais errado", afirmou Catarina Oliveira, coordenadora do Gabinete de Estudos e Relações Internacionais do ACIDI. Em Fátima, onde decorre o VII Encontro Nacional da Pastoral Penitenciária, Catarina Oliveira acrescentou que, por vezes, as pessoas são levadas "a crer que os estrangeiros são mais criminosos porque recebem penas mais pesadas do que os portugueses". "Nada mais errado", garantiu Catarina Oliveira, admitindo que os estrangeiros possam ter uma relação mais duradoura com o sistema prisional por, com receio de fuga, lhe ser aplicada a prisão preventiva. Considerando que se deve "esclarecer a diferença" entre imigrantes e estrangeiros, a técnica sustentou que os primeiros "saíram do seu país e decidiram fazer um projecto de vida em Portugal". "É totalmente diferente de estrangeiros que foram identificados por exemplo nos aeroportos como correios de droga", referiu, sustentando que estes "não tinham qualquer relação com Portugal", mas por esse crime "ficaram retidos" no país. Para Catarina Oliveira, "o imigrante tem uma relação com Portugal ou pretende ter e, no processo de reinserção, tem uma postura diferente, ao contrário do estrangeiro". Segundo a técnica, "estes estereótipos e mitos preocupam o ACIDI", instituto público responsável pela integração dos imigrantes. Catarina Oliveira apontou ainda as medidas incluídas no II Plano para a Integração dos Imigrantes, que vigora até 2013, dirigidas a reclusos. "No actual plano, voltou a preocupação dos reclusos e, nesta vertente, consolidou-se a cooperação entre o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e o Ministério da Justiça na perspectiva de que todos os reclusos estão documentados", referiu, destacando também "uma melhor articulação de equipas de reinserção social". A disponibilidade de informação sobre medidas preventivas da liberdade e penas, em várias línguas, e a agilização ao acesso do Serviço Nacional de Saúde foram também outros dos projectos mencionados pela técnica. O encontro nacional, que termina na terça-feira, contou também esta tarde com o testemunho de três empresários cristãos que apresentaram as suas perspectivas sobre o meio prisional, os reclusos e a inserção no mercado de trabalho. A iniciativa é uma organização do Departamento da Pastoral Penitenciária da Conferência Episcopal Portuguesa e tem como tema "Prisões, um desafio à sociedade".
Vai de férias? O provedor das agências de viagens tem conselhos para dar
Atenção aos pacotes “tudo incluído” e informe-se bem antes de marcar a reserva, recomenda Vera Jardim. Em tempo de férias, o provedor do cliente das agências de viagens deixa alguns avisos. José Vera Jardim fez hoje um balanço da actividade, de onde é possível concluir que a alteração dos “pacotes tudo incluído” e os casos de “overbooking” são as principais reclamações dos turistas nacionais. O provedor deixa duas recomendações que considera fundamentais: tentar obter sempre o máximo de informação junto das agências antes de marcar uma reserva e recorrer de imediato às mesmas assim se estiver insatisfeito com o serviço. Vera Jardim nota que “é bom que as pessoas se informem junto das agências sobre os pacotes ‘tudo incluído’ e o que verdadeiramente incluem”, para depois não terem desilusões. No caso do “overbooking” (sobrelotação), Vera Jardim explica que “acontece em determinadas épocas do ano, sobretudo nas altas, não por culpa das agências, mas por uma prática que os hotéis têm de aceitar mais reservas do que os quartos que têm, porque já contam com as desistências”. Comparando com o ano passado, houve um grande decréscimo do número de reclamações recebidas, que o provedor atribui ao impacto em 2010 da falência da agência francesa de viagens Marsans. As reclamações vêm maioritariamente fora da Europa, conta Vera Jardim, que preferiu não especificar de que países.
Em tempo de crise, portugueses optam por fazer férias cá dentro
A crise deixa muitos portugueses sem férias. A Associação Portuguesa de Agências de Viagem e Turismo ainda não quantifica, mas já fala numa quebra na venda de pacotes turísticos. Os portugueses estão a preferir passar férias cá dentro. Comparando com o ano passado, os destinos internos estão a ter uma maior procura, nomeadamente o Algarve e a Madeira. São dados da Associação Portuguesa de Agências de Viagem e Turismo (APAVT), que já fala numa quebra na venda de pacotes turísticos. Paulo Brehm reconhece que se tem “estado a registar uma ligeira quebra relativamente aos anos anteriores”, contudo, diz que ainda é cedo para fazer as contas, até porque há uma tendência para as reservas serem feitas cada vez mais tarde. Para quem pode, Caraíbas, Cabo Verde e Brasil continuam nas preferências para passar férias lá fora. Mas, Paulo Brehm refere que os portugueses optam ainda por outros destinos de maior proximidade como, é o caso de Espanha e outros circuitos europeus.
Hotéis portugueses estão a facturar mais
Nos primeiros cinco meses do ano, segundo dados do INE, o sector hoteleiro "alojou cerca de cinco milhões" de pessoas. Há menos clientes portugueses. Apesar da crise, os hotéis portugueses receberam mais gente no último mês de Maio: foram 3,6 milhões de dormidas. Um crescimento de mais de 8% em relação ao mesmo mês do ano passado. Registaram-se 1,3 milhões de hóspedes e 3,6 milhões de dormidas, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE). Este crescimento da procura fica a dever-se aos mercados estrangeiros. Britânicos, brasileiros, franceses e irlandeses foram os turistas que mais contribuíram para os resultados positivos da hotelaria em Maio. Nos primeiros cinco meses do ano, segundo dados do INE, o sector hoteleiro "alojou cerca de cinco milhões" de pessoas, o que representou uma subida em termos homólogos, face a 2010, de 4,4%. Madeira, Algarve e Lisboa destacam-se nas subidas em relação a Maio de 2010, no que toca às dormidas. Depois de nos últimos dois meses ter havido subidas consecutivas de hóspedes residentes, em Maio o sector sofreu uma quebra nesta área de 10,6%, em comparação com o mesmo mês de 2010, enquanto os estrangeiros representaram um crescimento de 17,6%.