"É urgente" pedir ajuda externa, alerta presidente do BES
"Acredito não haver outra alternativa se não o pedido desse apoio intercalar", afirma Ricardo Salgado. Portugal precisa de ajuda externa imediata que pode chegar aos 15 mil milhões de euros, alerta o presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, em entrevista à TVI. “É uma situação que tem que ser resolvida e, por isso, não posso estar mais de acordo com o meu colega Carlos Santos Ferreira, quando diz que é preciso trazer um empréstimo intercalar para resolver a equação financeira do Estado”, afirma Ricardo Salgado. “É urgente pedi-lo já, é grave se não for feito, porque é preciso neutralizar este efeito da subida rapidíssima das taxas de juro, tranquilizar os mercados e tranquilizar os portugueses”, apela o presidente do BES. Ricardo Salgado diz que “ninguém sabe” o valor exacto de um futuro empréstimo, “o Estado deverá ser melhor que ninguém”, mas admite que pode chegar aos 15 mil milhões de euros.
Nesta entrevista à TVI, o presidente do BES manifestou a esperança de que será possível o pedido de ajuda externa, apesar de o primeiro-ministro José Sócrates e o ministro das Finanças Teixeira dos Santos já terem negado essa pretensão. “O que ouvi nas palavras do Sr. primeiro-ministro é que só em último recurso, agora, acontece que a sucessão dos acontecimentos é de tal forma rápida que, neste momento, acredito não haver outra alternativa se não o pedido desse apoio intercalar da União Europeia para Portugal”, sublinha. Ricardo Salgado, Presidente do BES é o segundo banqueiro num espaço de poucas horas a defender a necessidade de imediata ajuda externa. Ontem, tinha sido o Presidente do BCP, Carlos Santos Ferreira, a alertar para a necessidade de uma ajuda urgente de 10 mil milhões.Francisco Assis admite consenso pré-eleitoral para pedir ajuda externa
"Uma situação de emergência exigirá soluções de emergência", diz o líder parlamentar socialista. O líder parlamentar do Partido Socialista considera, em entrevista ao programa “Terça à Noite” da Renascença, que “estamos numa situação de emergência e situações de emergência exigem soluções de emergência e comportamentos excepcionais dos partidos”. Francisco Assis defende desta forma que, se for necessário, os partidos devem entender-se antes das eleições para encontrar forma de pedir ajuda externa. “Uma situação de emergência exigirá soluções de emergência. A situação é de emergência sob vários pontos de vista porque o quadro político é aquele em que vivemos, com um Governo de gestão, não podemos ignorar essa situação a dois meses da realização de eleições. Se porventura a situação se degradar a ponto de termos que encontrar uma solução de ajuda externa é evidente que o deveremos sempre fazer na base de um consenso”, disse.
Nesta entrevista, Francisco Assis considera que o Bloco Central não é uma carta fora do baralho num cenário pós eleitoral. No entanto, “se a direita tiver maioria, a direita deve governar e o PS deve assumir compromissos no Parlamento, mas não participar numa solução governativa”. O líder da bancada socialista acha ainda que a “aliança entre o PCP e o Bloco de Esquerda é o reconhecimento do falhanço do Bloco” e isso pode beneficiar eleitoralmente o PS. Já quanto à hipótese de o PS ganhar as próximas eleições, Assis concorda que isso cria um “incómodo” ao Presidente da República, mas o PS deve ajudar o Presidente a ultrapassar esse “incómodo” e manter um relacionamento institucional correcto com Cavaco Silva.
"Conselheiros de Estado" dão bronca...
António Capucho diz que Bagão Félix "está a falar a verdade". Bagão Félix acusou o primeiro-ministro de mentir quando negou que o assunto da ajuda externa a Portugal tenha sido abordado no Conselho de Estado de quinta-feira passada. O conselheiro António Capucho diz que Bagão Félix está a “falar verdade”, na polémica sobre se o Conselho de Estado discutiu ou não um pedido imediato de ajuda externa intercalar. O primeiro-ministro disse, em entrevista à RTP, que o assunto não foi discutido no Conselho de Estado, uma indicação desmentida por Bagão Félix que acusou José Sócrates de faltar à verdade.
Em declarações à imprensa, António Capucho confirmou a versão do antigo ministro das Finanças: "Eu já disse publicamente e repito que cubro a parada do Dr. Bagão Félix. Acho que ele está a falar verdade". Os socialistas Almeida Santos e Carlos César respondem que o primeiro-ministro tem razão. Pelo meio, o ex-presidente Mário Soares lembra que o silêncio é regra do Conselho de Estado. António Capucho diz que toda esta "lamentável" situação foi criada pelo primeiro-ministro e acusa José Sócrates e o PS de estarem "de cabeça perdida" e de assumirem "atitudes que não são próprias de homens de Estado". Na opinião do politólogo José Adelino Maltez, esta polémica está a colocar em risco o normal funcionamento das instituições e sugere que se siga o exemplo dos ex-presidentes da República, que têm tido “uma voz superior a estes partidarismos e a este facciosismo”.
“Estamos a pisar as raias do funcionamento regular das instituições e estamos a pisá-las, sobretudo, num órgão que devia dar o exemplo”, lamenta José Adelino Maltez. Citando o socialista Almeida Santos, o politólogo diz que “isto não pode ser um manicómio em auto-gestão”. Ontem, comentando a entrevista do primeiro-ministro na segunda-feira à RTP, Bagão Félix acusou José Sócrates de mentir quando negou que o assunto da ajuda externa a Portugal tenha sido abordado no Conselho de Estado de quinta-feira passada. As declarações de Bagão Félix já motivaram críticas dos conselheiros socialistas Almeida Santos e Carlos César. Tanto o presidente do PS, Almeida Santos, como o presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, contrapuseram que Sócrates falou a verdade quando afirmou que o recurso de Portugal a um empréstimo intercalar não foi discutido no Conselho de Estado.



