Liberdade e o Direito de Expressão

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sábado, 10 de dezembro de 2011

Revista da Semana

DE GREVE EM GREVE ATÉ O COLAPSO FATAL
                                                                                                                      
Depois dos pilotos da TAP, trabalhadores da CP convocam greve para Natal e Ano Novo. A administração da CP ameaça com o não pagamento dos salários dos trabalhadores que fizerem greve... Todas as elites portuguesas sonham com o tempo de Salazar; voltaremos ao fascismo totalitário?... Inglaterra está contra intenções abusivas de Merkel... Novo tratado trará a divisão da Europa... E se o Euro acabar?... Já há quem se prepare para uma III Guerra Mundial.
                                              
Os maquinistas da CP vão fazer greve nos dias 23, 24 e 25 deste mês, no dia 1 de janeiro e nas horas extraordinárias até final do próximo mês, alegando que a administração está realizar processos disciplinares ilegais. Sindicato de Maquinistas declarou greve para os dias 23, 24, aos dias de feriado e ao trabalho extraordinário até 31 de janeiro, disse hoje o presidente António Medeiros em declarações à agência Lusa. O sindicato decidiu marcar esta greve porque a administração da CP "ao arrepio do acordo assinado, em que sanava todo o conflito e criava as condições para a paz social na empresa, desencadeou de forma absurda, sem justificação e de forma ilegal procedimentos disciplinares", disse hoje à Lusa o presidente do sindicato, António Medeiros. Estes processos disciplinares, que António Medeiros classificou como uma "ofensa e um confronto declarado aos maquinistas e ao sindicato nunca antes vistos", "ascendem a 620 dias". Os maquinistas estão a ser "perseguidos e alvo de processos disciplinares inventados e forjados", reforçou o responsável. O sindicato decidiu que a greve é a única forma de a empresa cumprir o que assinou em abril e em julho e "trazer de volta a paz social na empresa", acrescentou. A Lusa tentou contactar com a responsável pela comunicação da CP, mas até agora não foi possível resposta.
                                                                                                                      
PIDE REGRESSA A LISBOA: CÂMARA VASCULHA LIXO PARA MULTAR MUNÍCIPES
                                                                                                                
Todas as elites portuguesas sonham com o tempo de Salazar; voltaremos ao fascismo totalitário? A Câmara de Lisboa anda a vasculhar lixo colocado fora dos contentores para descobrir o proprietário e multá-lo, uma medida que especialistas dizem poder ser ilegal por não fazer prova da infração e violar a esfera privada. Em menos de um ano foram instaurados em Lisboa 112 processos de contraordenação por colocação de lixo na via pública. Alguns dos multados pagam sem questionar, embora se sintam indignados e duvidem do método utilizado pela autarquia, mas há também quem conteste a decisão. No total, a autarquia já recebeu pelo menos 921,5 euros de multas que poderão ser ilegais.
                                                                                                                                 
A MÁFIA BILDERBERG EM PORTUGAL
                                                                                                                              
A Sociedade Bilderberg, é um grupo americano que existe há longos anos, pouco ou nada se tem falado desta 'sociedade secreta', e muitos desconhecem a sua existência ou os seus objectivos. Este grupo sionista leva a cabo uma conspiração antidemocrática, um plano oculto de dominação mundial. Este grupo conta nas suas fileiras, Presidentes, Famílias Reais, ministros, industriais e executivos de sucesso, jornalistas, directores de estações de TV, jornais etc.  Alguns Portugueses da Bilderberg  A primeira conferência da Bilderberg realizou-se em Maio de 1954, desde então esta organização secreta realiza todos os anos em diversas cidades europeias e norte americanas, conferências. A Bilderberg todos os anos preocupa-se em convidar as figuras mais poderosas ou futuros aliados, na execução da estratégia de dominação, para as suas conferências. No início de Junho de 1999, realizou-se na Penha Longa, Sintra, uma conferência da Bilderberg. Entre os participantes desta 47ª conferência estavam dez portugueses, sendo Francisco Pinto Balsemão, Jorge Sampaio, Artur Santos Silva, Ricardo Salgado, Nicolau Santos, Murteira Nabo, Vasco de Melo, Marçal Grilo, João Cravinho e Joaquim Ferreira do Amaral. De acordo com algumas fontes, a Bilderberg pagou milhões de dólares ao governo Português para este disponibilizar forças militares, policiais e helicópteros para localizar intrusos, de modo a “protegerem o seu secretismo”, pois a segurança nos encontros da Bilderberg é algo que nunca falta. De acordo com o Jornal de Notícias havia ordens para abater qualquer “intruso” que fosse apanhado ou oferecesse resistência. A Bilderberg também exigiu que o hotel no qual se ia realizar a conferência fosse fechado 48 horas antes desta começar. De acordo com um jornalista do The News, que se encontrava nas imediações do hotel, foi-lhe dito que teria de abandonar o local, mas alguns minutos depois foi detido por dois polícias e esteve sob custódia durante 8 horas sendo tratado como um criminoso, o seu crime terá sido andar na via pública. António Guterres, que participou na conferência de 1994, na Finlândia, foi, curiosamente, eleito primeiro-ministro em 95. Guterres não constou na lista de convidados da 47ª Conferência e em nenhuma outra depois da de 94.
Veja todo o artigo em: 
http://revoltatotalglobal.blogspot.com/2011/05/mafia-bilderberg-portugal-governo.html.
                                                                                                                             
CHINA E RÚSSIA PREPARAM-SE PARA III GUERRA MUNDIAL CONTRA A NWO
                                                                                                                                  
A China já sabe que a única forma dos EUA arrasarem a economia chinesa será através de uma guerra. Um preocupante despacho do Ministério da Defesa chinês dirigido ao Primeiro-ministro Putin e ao Presidente Medvedev ontem, refere que o Presidente Hu da China considera colocar em curso de forma iminente uma acção directa militar contra a agressão do Ocidente, encabeçada pelos EUA. O líder chinês já terá ordenado as suas forças navais prepararem-se e tomarem posições estratégicas, na defesa do Irão, parceiro militar da China. Também o General russo Nikolai Makarov declarou na passada semana que não descarta a hipótese de alguns conflitos regionais desencadearem uma guerra mundial a grande escala, com recurso inclusivamente a armas nucleares, num resultado absolutamente imprevisível. O aumento das tensões globais cresceu depois do embaixador russo Vladimir Totorenko e dois dos seus secretários terem sido atacados violentamente quando regressavam da Síria. Foram socorridos pela CIA e pelo MI5 que os encaminharam ao Qatar, mas que ao mesmo tempo, tentaram abrir as suas pastas que continham documentos confidenciais. Esta violação da confidencialidade russa parece ter sido o objectivo principal desse ataque pessoal ao embaixador, numa missão secreta da NATO, o que desencadeou suspeitas junto dos Serviços Secretos russos. Nas malas haveria informação secreta sobre o facto dos EUA e da Inglaterra estarem a enviar soldados da Al-Qaeda para a Síria, repetindo assim a estratégia seguida na Líbia. Segundo esses documentos secretos, os EUA podem estar a prreparar uma "solução final" (ao estilo nazi) para acabarem com o conflito na Síria, usando armas biológicas de destruição massiva. Um especialista virulogista holandês Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus da Holanda, que chefia uma equipa de cientistas que descobriram 5 mutações do vírus da gripe das aves naquela zona do Oriente, mais facilmente dispersáveis pelo ar.
Mais informações em: 
http://lahoradedespertar.wordpress.com/2011/12/08/china-se-une-a-rusia-ordena-al-ejercito-prepararse-para-la-tercera-guerra-mundial/
http://www.prisonplanet.com/why-world-war-iii-destroy-the-global-economy-create-a-greater-israel-and-establish-a-global-authoritarian-government.html
                                                                                                         
DIVISÃO DA EUROPA ESTÁ IMINENTE
                                                                                                                                            
O comissário não tem dúvidas: o novo tratado trará a divisão da Europa. O comissário europeu para a energia, Günther Oettinger, afirmou hoje que as decisões tomadas esta madrugada pelo Conselho Europeu, em Bruxelas, "encerram o risco de divisão da Europa", em declarações à emissora pública alemã Deutschlandfunk. "Seria melhor ter havido uma mudança dos tratados europeus com os 27 países, porque a recusa da Grã-Bretanha e de outros três países encerra o risco de os Estados se distanciarem em questões económicas e orçamentais", disse o político alemão. Na opinião de Oettinger, a decisão de avançar com 23 países para uma união orçamental, e celebrar um acordo separado que inclua um travão à dívida e sanções automáticas para quem não respeitar os critérios de estabilidade "foi a segunda melhor solução". Segundo defendeu, a chanceler alemã Angela Merkel falhou um "resultado muito, muito, importante" para a estabilidade da moeda única, com base nas propostas apresentadas por Berlim e Paris na cimeira europeia. Os títulos das edições electrónicas dos jornais alemães desta manhã, porém, falam num relativo fracasso das negociações, após a recusa de Londres em aderir ao novo tratado ou aceitar alterações ao Tratado de Lisboa, invocando os interesses financeiros britânicos. "Cameron Divide A União Europeia", afirma a edição on-line do semanário Focus. "Negociações sobre Tratado Falharam, Eurogrupo Torna-se União Fiscal", titula o Sueddeutsche Zeitung. O Die Welt afirma praticamente o mesmo na sua página da internet: "Mudanças no Tratado com os 27 Falharam", diz o matutino conservador. O Frankfurter Algemeine, por sua vez, titula "Merkel Impôs-se em quase Toda A Linha", e a página electrónica da televisão pública ARD afirma, no rescaldo da cimeira, que haverá "Mais Disciplina Nos Orçamentos sem Londres".
                                                                                                                                         
INGLATERRA RECUSA CONDIÇÕES IMPOSTAS PARA NOVO TRATADO EUROPEU
                                                                                                                   
Inglaterra não aceita as condições abusivas de Merkel da perda de soberania dos países incumpridores. O primeiro-ministro britânico disse hoje, em Bruxelas, que a recusa da Grã-Bretanha em participar na revisão do tratado europeu para reforçar a disciplina orçamental da zona euro foi uma "decisão difícil mas boa", justificando-a com os interesses do seu país. "Se não podemos obter garantias no âmbito do tratado, o melhor é ficar de fora", disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron, durante uma conferência de imprensa após o primeiro dia de trabalhos da cimeira em Bruxelas. Cameron reforçou: "O que foi definido não é do interesse da Grã-Bretanha, por isso não aceitei. (...) Eu não podia apresentar este novo tratado perante o nosso Parlamento". O primeiro-ministro indicou que "os interesses britânicos no seio da União Europeia, como a liberdade das trocas e abertura dos mercados deviam ser protegidos".
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, classificou hoje de "inaceitáveis" as condições pedidas pelo Reino Unido para integrar um novo tratado europeu para estancar a crise da dívida soberana. "Teríamos preferido um acordo a 27 [Estados-membros], mas não foi possível dada a posição dos nossos amigos britânicos", disse Sarkozy em Bruxelas, no final de um "jantar de trabalho" que assinalou, na quinta-feira à noite, o arranque do Conselho Europeu, e findou pelas 05:00 de sexta-feira (menos uma hora em Lisboa). Pelo menos 23 países irão fazer parte de um novo tratado intergovernamental para reforçar o euro, anunciou hoje o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy. No final do primeiro dia de trabalhos de uma cimeira considerada decisiva para o futuro do euro, vários líderes europeus deram conta de um acordo, ao cabo de nove horas de negociações, sobre as alterações aos tratados para reforçar a disciplina orçamental, que não colheu a unanimidade, mas abrangerá muito mais que os 17 membros da zona euro. Nicolas Sarkozy precisou que apenas o Reino Unido e Hungria ficarão de fora, enquanto a Suécia e República Checa terão de consultar os seus parlamentos. O novo acordou, indicou ainda o presidente francês, deve estar pronto em março de 2012.
                                                                          
MOODY'S BAIXA RATING DE 3 GRANDES BANCOS FRANCESES
                                                                                                                                    
Um dos alvos da Moody's foi o gigante Societé Générale. A agência americana de notação financeira Moody's baixou hoje a nota do BNP Paribas, Crédit Agricole e Societé Générale. A agência reduziu a nota da dívida a longo prazo do BNP Paribas e Crédit Agricole para o nível "Aa3", e a da Société Générale para "A1". A decisão da Moody's vem na sequência de um processo de revisão iniciado em junho, indicou a agência, que baseou a sua decisão nas condições de financiamento e nos indicadores macroeconómicos, no contexto do deteriorado cenário da zona euro. A Moody's alertou ainda para o risco "muito elevado" de o Estado ter de intervir para apoiar os três bancos, perante uma possível degradação dos activos nas entidades visadas. A redução da nota das três entidades financeiras acontece um dia depois da Associação da Banca Europeia (AEA) ter avançado que estes bancos e o BPCE necessitam de 7.300 milhões de euros adicionais de fundos próprios para satisfazer as novas exigências da União Europeia. Além da Moody's, a agência de notação financeira Standard & Poor's já tinha alertado que o Estado francês poderá ter de 'socorrer' o sector bancário gaulês caso se continuem a acentuar os problemas de financiamento.
                                                                                                                                         
WALL STREET EM QUEDA DEVIDO À CIMEIRA DO EURO
                                                                                                                                         
As incertezas do futuro do Euro acabarão por ser muito negativas nas bolsas mundiais. A Bolsa de Nova Iorque fechou em terreno negativo pressionado por mais um dia de notícias negativas que chegam da Europa. Os índices industriais Dow Jones e S&P 500 fecharam a perder 1,63% e 2,11%, respectivamente. Já o Nasdaq caiu 1,99%. As notícias vindas da Europa pressionaram as bolsas nos Estados Unidos, que negociram todo o dia em terreno negativo. Os investidores não gostaram de ouvir o governador do Banco Central Europeu a dizer que não está disponível para reforçar o programa de dívida soberana e a defender que o cenário de recessão na Europa é provável. O dados revelados hoje, pela Autoridade Bancária Europeia, que dão conta de que os bancos europeus precisam de 114,7 mil milhões de euros para responder à crise da dívida soberana na zona euro e a tensão em torno da cimeira europeia que começou esta noite e vai ditar o futuro da moeda única também penalizaram os mercados norte-americanos. Nem mesmo o facto de número de pedidos de desemprego nos EUA ter caído para o valor mais baixo desde Setembro de 2008, foi suficiente para animar os investidores. O Departamento de Trabalho norte-americano revelou hoje que na semana que terminou a 26 de Novembro, o número de pessoas que recebia subsídio caiu em 174 mil, situando-se em 3,58 milhões. Na Europa o dia também foi de perdas. A bolsa que registou mais perdas foi Milão que fechou a recuar 4,29%, seguida de Lisboa e Paris que cairam (2,57%) e Madrid (2,53%).
                                                                                                                 
E SE O EURO ACABAR?
                                                                                                                                           
Para lá caminhamos, numa morte lenta mas inevitável... Imagine este cenário. Após extenuantes horas de discussão numa das 27 capitais europeias a reunião do Conselho Europeu chega, finalmente, ao fim. Os jornalistas que resistiram até à conferência de imprensa são surpreendidos pela entrada na sala dos primeiros ministros português e grego. Seguem-nos os presidentes do Eurogrupo, do BCE e da Comissão. São três da manhã de sexta para sábado, a maioria dos portugueses está a dormir. Quando acordarem, o euro já não será a moeda do seu país. Os levantamentos de dinheiro terão de ser feitos já em “novos-escudos” directamente nos balcões dos bancos. As fronteiras estarão temporariamente fechadas e as entradas e saídas de capital proibidas. É decretado o estado de emergência. Os bancos fechavam as portas, as fronteiras seriam controladas. Este seria o primeiro acto da saída do euro. A moeda desvalorizaria, disparava a inflação e o desemprego. E chegaria mais austeridade. As potenciais vantagens só viriam depois. (in, Jornal de Negócios).
                                                                                                                 
                                                                                                                   
                                                                                                                                                           

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Euro/crise

A crise e a greve geral
                                                                                                                                       
Teixeira dos Santos diz que plano de ajuda "alivia receios" e é "positivo para a estabilidade da zona euro". Greve Geral "é um direito", mas tem impacto económico negativo, diz Vieira da Silva.
                                              
O ministro das Finanças considerou ontem que o "significativo" plano de ajuda para a consolidação financeira da Irlanda "alivia receios, reduz a incerteza e reforça a confiança dos mercados", sendo "positivo para a estabilidade da zona euro". "É, sem dúvida, um facto positivo para a estabilidade da zona euro. Mais uma vez se constata que a zona euro dispõe de mecanismos adequados para promover e assegurar a sua estabilidade financeira", refere Teixeira dos Santos numa declaração hoje divulgada por escrito.
O ministro português lembra que a Irlanda tem vindo a desenvolver um esforço considerável para a consolidação das suas contas públicas e o fortalecimento do seu sistema financeiro e que este é também "o momento apropriado" para Portugal expressar o "apoio e solidariedade para com os irlandeses e o seu governo". Teixeira dos Santos aproveita para recordar que Portugal dispõe de "um sistema bancário moderno, sofisticado, bem regulado e supervisionado, resiliente e bem capitalizado" e tem também uma "estratégia clara, e adequada, de consolidação orçamental e de reformas estruturais" visando o reforço da sua competitividade e do seu crescimento potencial.
"Reformas que qualificam o capital humano do país e reforçam o seu potencial científico e tecnológico. Reformas que reduzem custos de contexto e melhoram o ambiente de negócios. Reformas que promovem mais concorrência e flexibilidade nos mercados. Reformas que apostam na autonomia e eficiência energética reduzindo o défice externo e reforçando a sustentabilidade ambiental", sintetiza o ministro. O governante aponta ainda reformas que asseguram um quadro de maior rigor e transparência do processo orçamental, melhorando a qualidade das finanças públicas e lembra que Portugal cumpre este ano o objetivo de uma redução do défice orçamental em 2 pontos percentuais do PIB.
"Na base de um importante acordo político, o orçamento para 2011 será aprovado esta semana. Um orçamento que, na base deste acordo e com o referido reforço do quadro orçamental, assegura um défice de 4,6 por cento do PIB no próximo ano, operando para tal uma redução do défice estrutural em 4,1 pontos percentuais do PIB", diz Teixeira dos Santos. A concluir, enfatiza que estes são objetivos que Portugal não pode "falhar" e que "por isso, tudo o Governo fará para assegurar que serão alcançados".
O primeiro ministro da Irlanda, Brian Cowen, afirmou hoje que obteve um acordo de princípio com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um apoio financeiro entre 80 a 90 mil milhões de euros. Cowen anunciou que a dimensão do sistema bancário irlandês vai ser reduzida significativamente, no âmbito do plano de reestruturação previsto para o fundo de apoio da UE e do FMI.
Especialistas da UE e do FMI chegaram à capital da Irlanda há três dias para analisar os números do governo, do tesouro e dos bancos, e estabelecer a dimensão do pacote de ajuda de que o país necessitaria para salvar os bancos. A Irlanda solicitou formalmente a ajuda hoje. Cowen afirmou que os líderes dos outros 15 países da zona euro e o FMI planeiam criar uma linha de crédito para os bancos irlandeses suportados pelo Estado. Os ministros das finanças da União Europeia dizem que a UE e o Banco Central Europeu concedem o apoio "para salvaguardar a estabilidade financeira na UE e na zona euro".
                                                                                                
Greve Geral "é um direito", mas terá impacto económico negativo - Vieira da Silva
                                                                                                                          
O ministro da Economia, Vieira da Silva, disse hoje que a greve é um "direito" da democracia, mas defendeu que tem "obviamente" um impacto económico negativo e que Portugal "não precisa" de impactos negativos no atual momento. O ministro da Economia, Inovação e Desenvolvimento frisou que respeita as organizações que vão aderir à greve de 24 de novembro, mas adiantou que tem "obviamente" um impacto económico negativo, que neste momento ainda não é possível contabilizar. "A greve é um direito que faz parte da vida colectiva e da nossa democracia. Obviamente que quando se paralisa a economia neste setor ou noutro tem sempre um impacto negativo e nós não precisamos agora de impactos negativos na economia", sublinhou Vieira da Silva, à margem do 20º Congresso das Comunicações, consagrado ao tema 'Restart'.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Barroso sofre contestação na UE

Durão Barroso censurado em Bruxelas

Daniel Cohn-Bendit disse em Estrasburgo, que quer lançar uma moção de censura à Comissão Europeia liderada por José Manuel Durão Barroso

Segundo adianta o Diário de Notícias pela sua correspondente em Bruxelas Alexandra Carreira, o deputado que foi o mítico líder do Maio 68, diz que o actual Executivo comunitário não esteve à altura da resposta à crise financeira. Cohn-Bendit acusa, em comunicado de imprensa divulgado durante a sessão plenária, a Comissão de não explicar "porque é que diz hoje o contrário de há um ano" sobre a regulação dos mercados financeiros e das políticas de relançamento da economia.O Parlamento Europeu está reunido em plenário até amanhã, mas Os Verdes - família política co-presidida por Cohn-Bendit - ainda não tomaram nenhuma decisão formal sobre se irão mesmo avançar com o voto de censura ao Executivo comunitário. "A Comissão Europeia não pode continuar com um presidente que muda de opinião conforme o vento", argumentou Cohn-Bendit, cujo grupo político promete uma campanha anti-Barroso para a recondução do português à presidência do Executivo.As críticas de Os Verdes surgiram no mesmo dia em que Martin Schultz, líder do Partido Socialista Europeu, família política da qual os socialistas portugueses fazem parte, admitiu a hipótese de apoiar Durão Barroso para um segundo mandato na Comissão Europeia, caso fiquem asseguradas algumas garantias. Schultz apontou ontem à Lusa, à margem da sessão plenária, que o Executivo deve sempre fazer uma avaliação do impacto das iniciativas comunitárias sobre o sistema de segurança social nos países. Apesar de o voto de confiança do Parlamento Europeu naquele que for apontado como o novo presidente da Comissão Europeia só acontecer com a nova formação política, depois das europeias de Junho de 2009, Schultz diz que Barroso reúne uma "maioria" favorável à recondução. Depois de um início de mandato turbulento, em 2004, o líder dos socialistas europeus considera que Barroso alcançou uma presidência "estável e forte".

As críticas de Fischer

Ex-MNE alemão diz que Durão é fraco e por isso conseguirá um novo mandato

Joschka Fischer considera que o momento que a União europeia atravessa é sombrio e não acredita que ,desta vez, saia da crise com um novo impulso. “O nosso futuro é a Europa, mas a Europa está em más condições. Perdemos a Constituição (europeia). O tratado de Lisboa está no limbo. Os Estados Unidos votaram para o futuro, sabem reiventar-se nas suas piores crises. A Europa está no caminho contrário”, declarou o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros alemão numa entrevista ontem publicada no El País.
Antigo líder de “Os Verdes” alemães, Fischer critica a falta de unidade na UE, as negociações nos corredores de uma Comissão Europeia fraca. “O que me preocupa é uma Comissão Europeia tão fraca como esta. O seu presidente (Durão Barroso) é o mais fraco. Infelizmente, a sua fraqueza será premiada com outro mandato. È preocupante, porque o mundo está a mudar rapidamente”.
Entre os apoiantes de um segundo mandato, Barroso conta já com os votos a favor da França, Alemanha, Espanha e Luxemburgo, beneficiando ainda da vantagem dos Governos de centro e de direita que são hoje, na UE, maioritários em relação aos socialistas. Portugal disse já em diversas ocasiões que apoiaria Durão Barroso, caso este decida avançar para mais cinco anos no topo da hierarquia comunitária. No próximo sábado, Barroso entra oficialmente no seu último ano de mandato.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Pela paz no Médio Oriente

Deputada algarvia em Gaza, Ramallah e Jerusalém

Jamila Madeira integrou Delegação do PE a para promover a paz e diálogo naquela região

A eurodeputada socialista, Jamila Madeira, integrou uma Delegação do Parlamento Europeu que se deslocou a Gaza, Ramallah e Jerusalém entre 31 de Outubro e 3 de Novembro, com o objectivo de contribuir para promover o diálogo no Médio Oriente e apoiar o processo de paz.
A Delegação do PE para as Relações com o Conselho Legislativo Palestiniano esteve na região no âmbito do 8º encontro interparlamentar Parlamento Europeu/Conselho Legislativo Palestiniano. Os parlamentares da UE mantiveram encontros ao mais alto nível com o Primeiro-ministro e o Ministro dos Negócios Estrangeiros palestinianos, membros do Conselho Legislativo Palestiniano, responsáveis das agências humanitárias a operar na região e organizações não-governamentais.
Os eurodeputados tentaram igualmente visitar prisões israelitas onde se encontram prisioneiros palestinianos para conhecerem in loco a situação, nomeadamente de 40 membros do Conselho Legislativo Palestiniano que se encontram detidos. No entanto, as autoridades israelitas não deram luz verde à Delegação do PE para essas visitas por considerarem não haver violações dos direitos humanos nestas detenções e que, enquanto presos de alta segurança, os detidos palestinianos não podem ser visitados. Ainda assim, os parlamentares mantiveram encontros com famílias de palestinianos detidos em prisões israelitas e com associações de direitos humanos e de apoio aos prisioneiros palestinianos.
A Delegação encontrou-se também com a família do soldado israelita Shalit, raptado há 18 meses em Gaza, e apelou à sua libertação e ao sucesso nas negociações que estão a ser encetadas no sentido de uma troca entre prisioneiros palestinianos em Israel e o soldado.
Jamila Madeira faz um balanço muito positivo da visita considerando que "permitiu uma vez mais o contacto com a realidade no terreno e o confrontar das autoridades ocupantes com as violações dos direitos humanos e do direito internacional que têm prosseguido. Do mesmo modo, também permitiu que fosse dada visibilidade externa aos esforços da normalização da vida económica que têm sido levados a cabo pelo governo de Salam Fayyad, bem como das tentativas de regularização democrática com o diálogo pela unidade nacional que têm sido envidadas. A comunidade internacional deve neste contexto assumir responsabilidade plena sobre o seu papel e empenhar-se na prossecução de soluções".

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Uma algarvia no Reino das Arábias

Eurodeputada socialista na Jordânia

Jamila Madeira participou numa reunião da APEM, e num encontro com Rei Abdullah, onde foi abordada a Paz no Médio Oriente e as relações entre os países mediterrânicos

A Deputada Jamila Madeira participou esta semana na reunião da sessão plenária da Assembleia Parlamentar Euro-mediterrânica (APEM). A reunião que decorreu na Jordânia, entre 11 e 13 de Outubro, juntou parlamentares dos países mediterrânicos, dos Parlamentos nacionais da UE e eurodeputados. O processo de paz no Médio Oriente e o futuro da União para o Mediterrâneo foram os assuntos que dominaram os encontros.À margem da reunião da APEM, Jamila Madeira e os eurodeputados Tokia Saifi, Rodi Kratsa-Tsagaropoulou, Simon Busutiil, David Hammerstein e John Attard-Montalto, membros do Grupo de Amigos da Jordânia, foram recebidos pelo Rei Abdullah II da Jordânia.
Jamila Madeira é membro efectivo da Delegação à Assembleia Parlamentar Euro-Mediterrânica, e Vice-Presidente da Comissão Económica, Financeira, dos Assuntos Sociais e da Educação desta Assembleia, membro da Delegação para as Relações com os Países do Maxereque e suplente da Delegação para as Relações com o Conselho Legislativo da Palestina.
A eurodeputada socialista considerou este encontro de "particular relevância num momento em que a Jordânia assume um papel como mediador especial no conflito do Médio Oriente e em que o seu empenhamento é tido como crucial para garantir o sucesso das negociações. Também no âmbito das pontes entre o PE e a Jordânia foram abertas portas que permitem estreitar os laços parlamentares em particular, e institucionais em geral, entre a UE e a Jordânia".

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Cheiro a imperialismo no Leste

Uma guerra que chega já no fim da história

A Geórgia invadiu a Ossétia, que pediu ajuda à Rússia, que invadiu a Geórgia: foi uma guerra à moda do século passado. É assim mesmo no Cáucaso, há eras...

O romancista americano William Faulkner escreveu que o passado nunca está morto. De facto, nem sequer é passado. Ele referia-se a outro lugar e outra situação, mas a definição aplica-se bem ao Cáucaso. Essa cadeia de montanhas nos extremos de dois continentes, a Europa e a Ásia, é o lar de uma variedade de povos que convivem aos empurrões uns com os outros. Alguns dos seus pequenos estados estão entre os mais solitários. A Arménia foi o primeiro país a adoptar o cristianismo como religião oficial, em 314. A Geórgia, que tinha sido súbdita do Império Romano, atingiu o seu esplendor entre os séculos X e XIII. A profundidade das raízes nacionais pode ser aferida pela exclusividade do idioma georgiano, que não pertence a nenhum dos grandes troncos linguísticos, como o indo-europeu, que inclui o português. O isolamento pode ser exemplificado por uma excentricidade: enquanto na maioria das línguas a palavra que designa mãe reflete o "mama" balbuciado pelo bebé, em georgiano é o pai que atende por "mama". Mãe é "deda".
Os ossetas, que falam uma língua aparentada ao persa e nunca formaram um reino poderoso, acreditam que são descendentes directos dos alanos. Em parceria com os vândalos, esses nossos conhecidos nómadas que devastaram a Península Ibérica e o norte da África (daí o adjectivo de "vândalos"). Os alanos que permaneceram no Cáucaso alistaram-se nas hordas de Átila, o Huno. Em homenagem a estes ancestrais, a Ossétia do Norte quer ser chamada de Alânia. Todas essas populações têm em comum a submissão centenária a vizinhos mitómanos e grandalhões. Não é difícil entender por que esses povos ciosos da sua identidade vivem em contínua ebulição nacionalista. A região é um barril de pólvora.

Desde o início dos anos 90, a Rússia luta para submeter os tchechenos, um povo muçulmano vizinho à Geórgia. Depois de penar nas mãos dos tártaros, persas e otomanos, a Geórgia foi incorporada no Império Russo no início do século XIX. A Ossétia do Sul foi riscada do mapa como uma região autónoma em território georgiano por decisão de Josef Stalin. Um túnel construído sob uma montanha é a sua única conecxão com a Ossétia do Norte, na Rússia.
São obscuras as razões do ditador para a criação de duas entidades de um mesmo povo em países diferentes. Stalin era georgiano, mas tinha bisavô osseta. O que não caía lá muito bem, pois os russos consideram os georgianos uns bandidos e os georgianos vêem os ossetas como bárbaros semipagãos.
Esta passagem pela história tem por finalidade ajudar na compreensão dos acontecimentos recentes: a invasão russa que esmagou o pequeno exército da Geórgia. A crise estalou com o separatismo dos sul-ossetas, que a Geórgia não aceita. Um cessar-fogo precário existe desde 1992. A soldadesca russa também garante outro buraco separatista, a Abkházia, no sul da Geórgia. O presidente Mikhail Saakashvili elegeu-se prometendo restabelecer a soberania georgiana nessas regiões. Saakashvili, que estudou e morou nos Estados Unidos, quer transformar o país num exemplo de democracia e capitalismo moderno, numa região que nunca viu nada parecido. Também quer entrar para a NATO, a aliança militar no Ocidente. Desta vez, ele perdeu a paciência e mandou o seu minúsculo exército atacar a capital da Ossétia do Sul. A reacção russa foi brutal.
A curta guerra foi facilmente vencida pela Rússia, que ocupou várias cidades no interior da Geórgia. A explicação do presidente russo, Dimitri Medvedev, e do primeiro-ministro Vladimir Putin, que é quem realmente governa, é a obrigação moral de ajudar um povo amigo ameaçado. Não é tão simples assim, evidentemente. Mas o cheiro do imperialismo ainda paira por lá.

Ao defender os seus clientes separatistas, a Rússia mandou basicamente três mensagens ao mundo. A primeira é que o Kremlin, vitaminado pelo lucro da venda de gás natural e de petróleo, tem músculos de ferro e não hesita em usá-los para defender os seus interesses estratégicos. A segunda é que a influência americana e européia nas áreas vizinhas à Rússia é vista como ameaça e pode levar à punição dos países que se aliarem ao Ocidente. A Ucrânia, que também quer entrar para a NATO, que se cuide. A terceira mensagem é que a Europa não se vai livrar com facilidade da dependência energética em relação à Rússia. O único oleoduto entre o Mar Cáspio e o Negro que não passa pela Rússia atravessa a Geórgia.
Que Putin preparou o cenário da guerra e Saakashvili caiu na armadilha está mais que visto e fora de dúvida. Nos últimos meses, a pretexto de manobras militares, a Rússia concentrou tropas na Ossétia do Norte. Nas últimas semanas, as milícias ossetas atacaram aldeias georgianas. Numa tentativa de contornar a crise, Saakashvili telefonou para Putin para lembrá-lo de que o Ocidente garantia a integridade territorial da Geórgia. Adepto da linguagem direta, o russo disse ao georgiano onde deveria enfiar as garantias ocidentais... No final, Saakashvili ficou mesmo sozinho. Quanto ao presidente americano, George W. Bush, o máximo de auxílio que deu à Geórgia, um dos seus raros aliados na Guerra do Iraque, foi mandar alguns aviões de ajuda humanitária.
E chegou.

A indiferença russa em relação ao que pensa a comunidade internacional ficou evidente nos dias que se seguiram ao cessar-fogo cosinhado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. No texto do acordo, Moscovo reconheceu a independência da Geórgia, mas não a unidade do seu território. "Os georgianos bem podem esquecer quaisquer negociações sobre a integridade territorial do país", avisou o chanceler russo, Sergei Lavrov. Foi a primeira vez que a Rússia invadiu um estado soberano desde o colapso da União Soviética. Apesar do que parece, não se trata de um recomeço da Guerra Fria. O conflito entre as duas superpotências era balizado por ideologias opostas. Isso não existe agora, ainda que a nostalgia pelo império soviético domine os corredores do Kremlin.
Na opinião de muitos observadores internacionais, Putin parece ver o conflito no Cáucaso principalmente como uma questão de honra, mas também como uma oportunidade para expurgar o sentimento de humilhação existente em Moscovo. Depois do colapso do império soviético, a Rússia viu-se forçada a engolir o avanço da NATO nos países da Europa Oriental que por décadas foram os seus satélites subordinados. A independência do Kosovo foi a última afronta ao orgulho soviético. O facto de a Geórgia ser apoiada pelos Estados Unidos torna o ataque uma espécie de revanche à atitude ocidental nos Balcãs.
A derradeira mensagem parece ser "se vocês podem, nós também podemos". É a lógica do Cáucaso.
C. Ferreira