Passos Coelho inicia longa jornada em Bruxelas
Passos Coelho tem garantidas reuniões com a Comissão, e garante em Bruxelas que Governo vai tomar muitas decisões nos próximos meses.
O novo primeiro-ministro português encontra-se já reunido com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, na sede do executivo comunitário, primeira etapa de uma longa jornada em Bruxelas que assinala a estreia de Pedro Passos Coelho em cimeiras europeias. O primeiro-ministro, que viajou hoje de manhã de Lisboa para Bruxelas, chegou ao "quartel-general" da Comissão perto das 12:15 locais (11:15 de Lisboa), sendo recebido à entrada por Durão Barroso, tendo ambos subido de imediato para o 13.º andar, o piso do presidente do executivo comunitário, onde decorrerá a reunião. O encontro, o primeiro entre ambos desde que Passos Coelho tomou posse, na última terça-feira, deverá durar cerca de uma hora. Depois da reunião, Pedro Passos Coelho e José Manuel Durão Barroso prestarão declarações aos jornalistas, após o que o chefe de Governo viajará alguns quarteirões, até ao local na capital belga onde terá lugar a mini-cimeira do Partido Popular Europeu (PPE), a família política que o PSD integra (assim como o CDS-PP). Desde a sua eleição para líder dos sociais-democratas que Passos Coelho é presença habitual nestas cimeiras do PPE que tradicionalmente antecedem os Conselhos Europeus, mas hoje é a primeira vez que participa no encontro como um dos muitos chefes de Governo europeus desta família política, e não líder da oposição. Atualmente fazem parte do PPE 17 dos 27 membros do Conselho Europeu, e no encontro deverão estar, entre outros, Nicolas Sarkozy (presidente da França), Angela Merkel (chanceler da Alemanha), Silvio Berlusconi (chefe do Governo da Itália) e José Manuel Durão Barroso (presidente da Comissão Europeia).
Ao final da tarde, Passos Coelho rumará então para a sede do Conselho, para o "momento alto" da sua estreia europeia, a sua primeira cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia. Num encontro que deverá ser dominado pela situação grega, o primeiro-ministro português será apresentado aos seus homólogos europeus, aos quais se dirigirá para reafirmar a determinação do novo Governo em cumprir o programa de assistência financeiro negociado pelo anterior executivo. Essa intervenção deverá ser feita durante o jantar de trabalho que os 27 têm previsto a partir das 20:00 (19:00 de Lisboa), e em que um dos temas a tratar é precisamente os défices da Grécia, Irlanda e Portugal. De acordo com a mesma fonte, no início da reunião, às 19:30 (18:30), durante um encontro com o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, deverá fazer a apresentação dos dois novos chefes de governo presentes: Passos Coelho e o novo primeiro-ministro da Finlândia, Jyrki Katainen. O Conselho Europeu, que marca os últimos dias da presidência da Hungria da UE que a partir de 01 de julho é substituída pela Polónia nessa tarefa, prosseguirá até ao final de sexta-feira.
Muitas decisões vão ser tomadas nos próximos meses
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garantiu hoje em Bruxelas que o novo Governo não terá férias, de modo a tomar nos próximos meses "o essencial das decisões" para a efetiva implementação do programa de ajuda a Portugal. "Começámos já a trabalhar com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional no sentido de criar nos próximos dois meses o maior número de decisões praticas, concretas, que permitam traduzir as intenções, os objetivos que estavam fixados, em politicas concretas que vão ser aplicadas rapidamente a Portugal", disse. Passos Coelho, que falava após uma reunião com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, vincou que "o parlamento português durante este período não gozará de férias e o Governo não gozará de férias", de modo a não se perder tempo na execução do programa negociado pelo anterior executivo com a chamada "troika".
Comissão admite reprogramar fundos estruturais para Portugal, diz Durão Barroso
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse hoje em Bruxelas que o executivo comunitário está "aberto" à reprogramação de alguns dos fundos estruturais para Portugal, caso o Governo português assim o solicite. "Se o Governo português quiser propor a reprogramação de alguns dos fundos estruturais, nós, na Comissão Europeia, estamos abertos a essa reprogramação, de forma a complementar os esforços que estão a ser feitos de um ponto de vista macroeconómico", declarou, após um encontro com o novo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. José Manuel Durão Barroso acrescentou que, de resto, o assunto já foi discutido na reunião hoje mantida em Bruxelas com Passos Coelho. "Se pudermos, através dos fundos estruturais, dar alguma ajuda para o relançar do crescimento, com certeza que o faremos. E se o Governo português também quiser algum apoio de assistência técnica em termos de destacamento de alguns dos nossos peritos nalgumas áreas, com certeza que poderemos encarar essa hipótese, e eu posso dizer até que já estamos a discutir em concreto algumas dessas possibilidades", disse.
Uma em cada cinco empresas está em incumprimento junto da banca, garante Banco de Portugal
Uma em cada cinco empresas portuguesas está a falhar os pagamentos devidos pelos créditos recebidos da banca, num montante global que se aproxima dos 6 mil milhões de euros, de acordo com o Boletim Estatístico do Banco de Portugal. Os números hoje divulgados revelam que o crédito malparado continua a aumentar em Portugal, sendo que no final do primeiro trimestre do ano 22 por cento das empresas que recorreram a financiamento tinham empréstimos em incumprimento junto da banca, face aos 20,7 por cento registados em dezembro de 2010. Do total de 119.444 milhões de euros emprestados pelos bancos às sociedades não financeiras, o rácio de crédito vencido ascende a 5 por cento, isto é, 5,9 mil milhões de euros. No caso das pequenas e médias empresas (PME), que compõem a grande fatia do tecido empresarial português, e que na definição do Banco de Portugal se caracterizam por terem menos de 250 funcionários e um volume de negócios até 50 milhões de euros, a percentagem de incumprimento é de 22 por cento, ao passo que nas grandes empresas (mais de 250 colaboradores e volume de negócios superior a 50 milhões de euros) a taxa de devedores com crédito vencido chega aos 14 por cento. No que toca às famílias com créditos bancários, 14,2 por cento estão em incumprimento (5,5 por cento no crédito à habitação e 15,7 por cento no crédito ao consumo e outros fins), quando no final do ano passado a taxa era de 13,8 por cento. O rácio de crédito vencido nos particulares atinge 3,3 por cento do total de 155.940 milhões de euros, ou seja, as famílias portuguesas devem mais de 5 mil milhões de euros aos bancos.
FEEF lança três mil milhões de euros em títulos para financiar ajuda a Portugal
O Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) voltou hoje ao mercado, lançando três mil milhões de euros em títulos com maturidade a cinco anos para financiar a ajuda a Portugal, anunciou a instituição. O montante vai ser disponibilizado a Portugal no próximo dia 29 e corresponde a um pedido de empréstimo de cerca de 2,2 mil milhões de euros, indicou o FEEF, em comunicado. O interesse nestes títulos, sublinhou o fundo, foi "muito forte", atingindo um tamanho final para lá dos sete mil milhões, provenientes de quase 70 investidores, diversificados a nível global. "Como antecipado e, de acordo com transações prévias, a procura foi particularmente forte a partir da Ásia, com uns notáveis 550 milhões de euros do Ministério das Finanças japonês", referiu o comunicado. Segundo o administrador financeiro do FEEF, Christophe Frankel, citado no comunicado, "apesar das condições voláteis do mercado, a resposta da base de investidores ao anúncio da transação (...) confirma o apoio continuado ao FEEF entre a base global de investidores". Esta é a terceira emissão por parte do FEEF, depois de, em junho, ter colocado no mercado títulos a 10 anos no valor de cinco mil milhões de euros para o apoio a Portugal. Já a 25 de janeiro, na primeira operação do fundo, foram lançados títulos com o objetivo de apoiar a Irlanda no valor de cinco mil milhões a cinco anos.
Guardas prisionais querem analisar com ministra da Justiça défice de pessoal e sobrelotação nas cadeias
O Sindicato do Corpo da Guarda Prisional (SNCP) vai solicitar uma audiência com a ministra da Justiça para analisar matérias ligadas à falta de efetivos, sobrelotação em várias cadeias, regulamentação da carreira dos guardas e horas extraordinárias não pagas. Em declarações à Agência Lusa acerca do Dia Nacional da Guarda Prisional, que se comemora segunda-feira, o presidente do SNCP, Jorge Alves, alertou que só nos últimos 15 dias deram entrada nas prisões mais 80 pessoas, elevando para cerca de 12.150 a cifra da população prisional. O sindicalista referiu que no último ano e meio as prisões receberam mais 1.200 reclusos, havendo cadeias regionais que já atingem uma sobrelotação de quase 200 por cento. Com excepção das cadeias especiais - Hospital Prisional (Caxias), cadeias femininas e prisão de alta segurança de Monsanto - várias cadeias regionais, incluindo Viana do Castelo, e estabelecimentos prisionais (EP) centrais estão com problemas de sobrelotação, designadamente Linhó e Alcoentre, onde decorrem atualmente obras de reabilitação que limitam a sua capacidade de albergar reclusos.
Jorge Alves adiantou que dos cerca de 12.150 reclusos atualmente existentes, cerca de 20 por cento são estrangeiros, havendo um crescimento do número de detidos de nacionalidade brasileira, muito embora os reclusos cabo-verdianos continuam a ser a comunidade estrangeira com maior peso na população prisional. Com o número de reclusos a crescer, o presidente do SNCP mostrou-se preocupado com o défice de quase mil guardas prisionais, pois os estatutos de 2001 previam um corpo de 5.200 elementos e neste momento ronda os 4.200. A falta de guardas, relatou, agravou-se com o surgimento desde 2001 de cadeias de maior dimensão como o EP de Vale do Sousa, EP especial de Monsanto e EP da Carregueira (Sintra), que tendo maior lotação para reclusos exige, em contrapartida, mais pessoal da guarda prisional. Segundo disse, desde 01 de Janeiro de 2002 até à data mais de 600 elementos da guarda prisional aposentaram-se, incluindo 60 que o fizeram já durante o ano de 2011.
Jorge Alves nota que, em virtude da falta de pessoal, o número de horas de trabalho aumentou, mas que mais de metade das horas extraordinárias não tem sido remuneradas, sendo esta uma das questões que pretende expor à ministra Paula Teixeira da Cruz, a par do atraso (de Maio para Setembro de 2011) no arranque do curso para guardas prisionais. O sindicalista realça que a guarda prisional precisa de reforços como "de pão para a boca". Elogiou a entrada em vigor do novo regulamento das prisões que veio uniformizar e concentrar legislação que existia de forma avulsa, mas que era aplicada de forma desigual pelos diretores das cadeias. A falta de meios e de viaturas (há cinco anos que não recebem viaturas novas) para transporte de reclusos e outras tarefas é outra das questões que pretendem analisar com a ministra. Devido à crise financeira, o Dia Nacional da Guarda Prisional será assinalada com uma cerimónia discreta na Direção-Geral dos Serviços Prisional no Torel, Lisboa, com jogos despetivos e um almoço em Monsanto.
"Situação portuguesa é diferente da de qualquer outro país", afirma Paulo Portas
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, definiu hoje a situação económica portuguesa como "diferente da de qualquer outro país", no final de um dia de reuniões com vista ao Conselho Europeu de quinta e sexta-feira. "A situação portuguesa é diferente da de qualquer outro país. Mais do que dizê-lo, é preciso demonstrá-lo", considerou o ministro, sublinhando a necessidade de Portugal ser um "caso que corra bem" na União Europeia na resolução do problema da dívida soberana. "A nossa atitude é de falar pouco e fazer muito", disse Paulo Portas, no final depois de ao longo do dia ter recebido representantes dos partidos políticos e dos parceiros sociais, no âmbito da preparação do próximo Conselho Europeu. "Portugal tem de ser visto como um país que cumpre, como um caso que corre bem", disse o governante. Questionado sobre uma eventual abertura à aplicação de medidas que vão contra as aplicadas no memorando da troica, o ministro recordou que uma "grande maioria" dos portugueses votou nos três partidos que firmaram o acordo com as entidades internacionais. Nesta fase, é preciso "honrar os compromissos", realçou, mesmo manifestando abertura do Executivo para ouvir propostas da sociedade civil.
Paulo Portas disse ainda que durante as reuniões hoje tidas no Ministério dos Negócios Estrangeiros foram abordados temas como a governação económica e a gestão de fluxos migratórios, parte da agenda do Conselho Europeu dos próximos dias. Pedro Passos Coelho participa pela primeira vez num Conselho Europeu, depois de ter tomado posse na terça-feira. Entre os temas a abordar nesta reunião, que se realiza quinta e sexta-feira em Bruxelas, vão estar os "desenvolvimentos mais recentes" na Zona Euro e uma discussão "aprofundada" sobre temas económicos, que terá a presença do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet. Os líderes europeus irão ainda "confirmar o acordo" sobre a nomeação do italiano Mario Draghi como próximo presidente do BCE e aprovar o pacote de governação económica dos 27. Na sexta-feira, os líderes europeus irão passar em revista temas como as migrações, a gestão das fronteiras externas dos 27, as parcerias com países do norte de África e ainda passar em revista a situação na Líbia, Síria e o processo de paz no Médio Oriente.
CGTP propõe renegociação da dívida em "todas as suas dimensões"
A CGTP defendeu hoje junto do Governo a renegociação da dívida portuguesa em "todas as suas dimensões", nomeadamente a nível de prazos e juros. Não esclarecendo vincadamente se a renegociação implicaria mudanças no montante da dívida, Graciete Cruz, da comissão executiva da CGTP, sublinhou contudo que a central sindical é contra o não pagamento da dívida soberana de Portugal. A representante da CGTP falava aos jornalistas no final de uma reunião com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, sobre a cimeira europeia de quinta e sexta-feira. A CGTP defendeu junto de Paulo Portas as "propostas alternativas" para o caminho traçado para Portugal pela 'troika' internacional e "ao caminho que tem sido apresentado", colocando em cima da mesa a hipótese de novas greves e manifestações "contra os problemos" com que Portugal enfrenta. "É preciso emprego de qualidade, é preciso valorizar os salários e as pensões", declarou Graciete Cruz, sublinhando que "não é apenas pelo aumento das exportações" que o problema da economia portuguesa se resolverá. Sobre o relacionamento com o novo Governo, a sindicalista diz que "o tempo dirá" qual o sentido dessa relação, mas a central sindical diz ser necessária uma "abertura política para a agenda sindical". "Não podemos ter um diálogo de surdos", alertou, realçando o objetivo de aumentar o salário mínimo nacional este ano para os 500 euros, "como acordado em 2006". A CGTP foi a segunda central sindical a ser recebida de tarde pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, depois da UGT. Paulo Portas recebe ainda hoje as confederações patronais (CCP, CIP, CAP e CTP).
PCP exige suspensão de despedimentos e plano de reestruturação dos estaleiros de Viana do Castelo
O deputado comunista Honório Novo exigiu hoje a suspensão dos despedimentos e do plano de reestruturação dos estaleiros de Viana do Castelo, argumentando que as decisões foram tomadas de forma "ilegítima" por um Governo de gestão. O PCP entregou hoje no Parlamento duas perguntas aos atuais ministros da Defesa, Aguiar Branco, e das Finanças, Vítor Gaspar, "no sentido de reverem e suspenderem aquelas decisões, porque foram tomadas de uma forma politicamente ilegítima". "É verdadeiramente inaceitável, consideramos que estas decisões são ilegítimas, tomadas num momento em que o Governo se encontra sem capacidade para tomar essas medidas, em gestão", argumentou Honório Novo aos jornalistas, no Parlamento. As decisões em causa implicam "de imediato o despedimento de 380 dos 720 trabalhadores" de uma "empresa pública única no país na construção naval", sublinhou. "Simultaneamente, apresentamos um projeto de resolução para que a Assembleia da República, se os ministros não o fizerem de moto próprio, recomende ao Governo a suspensão do plano de viabilização dos estaleiros navais, a suspensão dos despedimentos e uma imediata reanalise da viabilização e defesa de uma empresa pública com capacidade própria e única", afirmou.
Para o PCP, além de uma "empresa estratégica quer ao nível da economia regional quer ao nível da economia nacional", a suspensão daquelas decisões dará "prosseguimento àquilo que é, no contexto nacional, um aparente consenso político, o da defesa da produção nacional". Honório Novo referiu que a empresa "tem uma série de encomendas de âmbito militar, que têm que ser concretizadas nos próximos anos e que precisa de uma gestão ativa para aumentar e diversificar a carteira de encomendas". Por outro lado, a estratégia, argumentou, não deverá passar "exclusivamente por reduzir o número de trabalhadores e em preparar a empresa para privatizar, entregando uma empresa limpa de encargos aos capitais privados". Confrontado com a dívida de 40 milhões dos estaleiros, o deputado comunista afirmou que se deve, entre outras decisões, a "um adiamento sistemático de planos de reestruturação e de viabilização que eram defendidas pelos trabalhadores e pelas diversas pessoas que passaram por aquela empresa ao longo dos anos".
BE quer renegociar prazos e juros e criar comissão parlamentar para auditoria da dívida pública
O Bloco de Esquerda apresentou hoje projetos de resolução para a renegociação dos juros e dos prazos de pagamento da ajuda externa e para a criação de uma comissão parlamentar para a auditoria da dívida pública. "A nossa proposta visa que os prazos, os juros, que o acordo que existiu entre Portugal e as instituições, não seja mais gravoso para Portugal que para outros países em iguais circunstâncias", afirmou o deputado Pedro Filipe Soares no Parlamento. O objetivo do Bloco é "fazer a renegociação dos juros e dos prazos de pagamento de forma a que o investimento público seja capaz de ser criador de emprego" e que "não seja colocado em causa com taxas de juro e prazos de pagamento que tornam impossíveis o cumprimento destas obrigações por parte de Portugal". O deputado bloquista considerou, em conferência de imprensa, que este é aliás "um bom tema para na próxima sexta-feira, na reunião do Eurogrupo, começar a ser discutido com os parceiros europeus". Simultaneamente, o BE avança com um projeto de resolução recomendando a criação de uma comissão eventual para auditoria da dívida pública. "Quando temos uma dívida para pagar devemos saber o que pagamos, como pagamos, quais os compromissos que assumimos", justificou. Para o Bloco, a comissão parlamentar deverá realizar uma "clarificação democrática da crise da dívida soberana" portuguesa.
Conferência de líderes reúne-se na segunda-feira e deverá marcar data da discussão do programa do Governo
A conferência de líderes parlamentares da Assembleia da República foi hoje marcada pela presidente, Assunção Esteves, para segunda-feira, devendo ser definido o agendamento da discussão do programa de Governo, disse à Lusa o secretário da Mesa. A conferência de líderes foi marcada para as 16:00 de segunda-feira, especificou o secretário da Mesa da Assembleia Duarte Pacheco. Questionado sobre a discussão do programa de Governo, o deputado social-democrata disse que "só nesse dia é que será definida" uma data. "Poderá ser marcado para o final da semana, vamos ver", acrescentou.
Seguro promete debate para reformar o partido e criação de um laboratório de ideias
António José Seguro, candidato à liderança dos socialistas, promete adotar um programa de modernização e reorganização do PS até ao primeiro trimestre de 2012 e criar internamente um "laboratório de ideias", substituindo o atual gabinete de estudos. Estas são duas das principais ideias presentes na moção de estratégia da candidatura de António José Seguro - documento que foi hoje entregue na sede nacional do PS pelo seu diretor de campanha, António Galamba. Intitulada "Novo ciclo para cumprir Portugal", a moção de António José Seguro, de acordo com a direção desta candidatura, recebeu ao longo das últimas semanas contributos de cerca de 400 cidadãos, depois de o próprio Seguro ter aberto um endereço eletrónico para recolher sugestões e ideias. A moção apresenta quatro capítulos principais: Nova forma de fazer política em Portugal e no PS; novo olhar sobre a Europa; cumprir Portugal (matérias de política nacional); e ideias de abertura à participação. Em termos políticos, o documento dá especial destaque às questões de reforma interna do PS e do sistema político em Portugal.
No plano da vida interna dos socialistas, a moção de António José Seguro avança com uma proposta de realização de um amplo debate interno para a modernização e reorganização do seu partido. Esse debate, segundo a corrente de Seguro, deverá ser lançado já no próximo congresso (em setembro) e prolongar-se até ao primeiro trimestre de 2012, altura em que serão formuladas propostas concretas de reforma. No texto da moção refere-se que o candidato a líder do PS pretende nesta matéria "tempo para debate, tempo para a formulação de propostas e para a deliberação". Ao nível da orgânica interna, António José Seguro quer manter o sistema de eleições diretas para a escolha do secretário-geral e dos presidentes das federações. Ao nível das eleições nacionais, Seguro defende uma revisão do sistema eleitoral para a Assembleia da República, aproximando eleitos e eleitores, e a formação de executivos homogéneos nas autarquias, com reforço do papel das assembleias municipais.
Outro dos principais projetos da equipa de Seguro passa pela criação de um "laboratório de ideias" no PS, em substituição do atual gabinete de estudos, que se considera "paralisado desde 2004". Na moção, Seguro promete que, se for secretário-geral do PS, respeitará os compromissos assumidos pelo anterior Governo com a troika ao nível da assistência financeira do Estado Português, e defenderá a escola, a saúde a segurança social com forte componente pública. Ainda nesta linha, propõe uma "nova relação de confiança entre os cidadãos e o Estado". Na política europeia - ponto que é muito desenvolvido na moção -, António José Seguro diz que se baterá pela formação de uma política alternativa à escala da União Europeia, juntando os partidos sociais-democratas e socialistas democráticos de toda a Europa. Na apresentação da sua candidatura, Seguro disse a este propósito que, se for eleito secretário-geral, um dos seus primeiros passos será escrever a todos os líderes europeus da sua família política para os convidar a entrar num processo de diálogo, tendo em vista a criação de uma plataforma comum do ponto de vista político.
Assis defende eleições primárias para escolha candidatos do partido já nas autárquicas de 2013
O candidato à liderança do PS Francisco Assis defendeu hoje a realização de eleições primárias abertas à sociedade para a escolha dos candidatos do partido já nas próximas autárquicas de 2013. "Há uma certa relação de desconfiança dos cidadãos nos partidos e os partidos de facto vivem um pouco afastados da sociedade. É preciso vencer esse muro", afirmou Francisco Assis, em declarações aos jornalistas na sede do PS, onde entregou esta tarde a sua moção de estratégia às eleições internas do partido, intitulada "A Força das Ideias". Defendendo que é preciso dar já um passo imediato no sentido de superar esse "fosso", Francisco Assis propõe a realização das primeiras primárias já daqui a dois anos, para a escolha dos candidatos às presidências das câmaras municipais. "Temos de assumir compromissos concretos e o compromisso concreto que eu proponho é para daqui a dois anos", declarou, lembrando que nas próximas autárquicas terá que haver uma grande renovação dos candidatos em virtude da aplicação da limitação do número de mandatos. Por isso, acrescentou, esse processo de escolha através de "eleições primárias com a participação de cidadãos não militantes do PS que queiram registar-se e participar" funcionaria como "um primeiro grande teste à capacidade de aplicação do modelo na vida política portuguesa". "Isso significa uma grande abertura à sociedade, significa um passo em concreto, não é apenas uma proclamação retórica, é um passo em concreto no sentido de abrir os partidos à sociedade", insistiu.
Questionado se não teme que esta proposta seja mal recebida dentro do PS, Francisco Assis disse acreditar no "poder dos bons argumentos". "A política não pode ser uma gestão de silêncios, a política tem que ser a afirmação de projetos claros. Não sei se isto me vai dar votos ou tirar votos, mas julgo que isto é importante para revalorizar o PS e a abrir o PS à sociedade portuguesa", referiu. Ainda em relação à moção de estratégia que apresenta às eleições internas, que se realizam a 22 e 23 de julho, Francisco Assis disse tratar-se de um "texto de reflexão da vida política, económica e social do país", onde são apontados "caminhos fundamentais" para a relação do PS com a sociedade portuguesa. "Assumimos o nosso património histórico, mas compreendemos que estamos numa nova fase da nossa vida nacional e o PS tem de ter políticas claras", defendeu, elegendo como uma das principais tarefas a reconquista da confiança das classes médias. Além disso, continuou, o PS precisa também de ter propostas próprias de "um partido de esquerda democrática", nomeadamente no sentido de "uma correta articulação entre a valorização do mercado e a valorização de políticas públicas inovadoras que garantam uma participação ativa do Estado ao serviço do crescimento da economia". "Temos mesmo um conceito na moção que é o conceito de democratização das condições de acesso ao mercado, isso é absolutamente essencial para dinamizar o nosso mercado e para o libertar de alguns interesses corporativos ou de outra natureza que o dominam", enfatizou. Francisco Assis defendeu ainda a necessidade de redimensionar o Estado de bem-estar, mas "em fidelidade aos seus princípios fundamentais que constam na Constituição". "Temos toda a abertura para fazer reformas, mas essas reformas têm um limite, que é o limite da manutenção dos aspetos essenciais do nosso Estado social", sublinhou.
O que se passa na Grécia poderá vir a acontecer a Portugal - Luís Fazenda (BE)
O líder parlamentar do BE considerou hoje que a União Europeia está fechada em soluções que "são a ruína de vários estados" e que o que se passa na Grécia poderá vir a acontecer a Portugal. "Sobre a Grécia, ainda não há entendimento da parte da União Europeia (UE), da parte daqueles que são responsáveis por um plano de resgate que tem estado a correr mal. Nas costas da Grécia, nós vemos a iminência da circunstância que pode afligir Portugal", declarou Luís Fazenda, no Palácio das Necessidades, em Lisboa. O dirigente e líder parlamentar do BE prestou estas declarações aos jornalistas no final de uma reunião com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, sobre a cimeira europeia de quinta e sexta-feira.
Segundo Luís Fazenda, "exigir-se-ia outro tipo de atitude" por parte da UE, "de solidariedade, de renegociação das dívidas, de baixa das taxas de juro, de estímulo à economia, de criação de emprego", mas "a Europa está em negação" insistindo em soluções que não funcionaram na Grécia, como não vão funcionar na Irlanda e em Portugal. "A Europa vai-se fechando no mesmo tipo de soluções, que são a ruína de vários estados e países. Nem mesmo perante os sinais emergentes e graves da crise que se avizinha em Espanha a UE dá um passo atrás e repondera toda esta circunstância", criticou. De acordo com Luís Fazenda, a contestação social vai aumentar em Portugal quando forem aplicadas as medidas acordadas com a UE e com o Fundo Monetário Internacional. "Há uma contestação social fortíssima na Grécia e adivinhar-se-á em todos os outros países que forem submetidos a políticas prolongadíssimas de austeridade, e é isso que nós temos aqui à nossa frente em Portugal", disse. Além de Luís Fazenda, também a deputada e dirigente do BE Cecília Honório participou nesta reunião com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, que durou cerca de meia hora.
Quatro distritos do Sul do país em alerta amarelo - IM
O Instituto de Meteorologia (IM) colocou hoje em aviso amarelo os distritos de Setúbal, Évora, Beja e Faro devido aos valores elevados das temperaturas máximas. O aviso amarelo é o segundo menos grave de uma escala de quatro. O Instituto de Meteorologia (IM) prevê para hoje céu pouco nublado ou limpo, vento em geral fraco (inferior a 20 km/h) do quadrante norte, soprando moderado (25 a 35 km/h) de noroeste no litoral e temporariamente forte (35 a 50 km/h) com rajadas até 65 km/h entre o cabo Mondego e Sagres em especial durante a tarde. Deverá ocorrer uma pequena subida da temperatura máxima no litoral a norte do cabo Mondego.
Maioria dos portugueses não vai gozar férias este ano - estudo IPDT
A maioria dos portugueses não vai gozar férias este verão, segundo um estudo do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT) que indica ainda que 76 por cento dos que programaram férias não vão para o estrangeiro. A 36 edição do Barómetro Academia do Turismo, do IPDT, revela também que 58,8 por cento dos inquiridos estima que o território nacional vai receber este verão mais turistas estrangeiros do que no mesmo período de 2010. Sete em cada 10 inquiridos acreditam que o volume de proveitos dos mercados internacionais vai ser "melhor", ou pelo menos "igual" ao registado no ano passado. As estimativas dos inquiridos sobre a evolução do turismo interno revelam que 41,2 por cento prevê uma quebra do número de turistas e 62,9 por cento acha que vai haver uma quebra do volume de receitas.