Liberdade e o Direito de Expressão

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Segurança no mundial de futebol ameaçada

Morte de líder político na África do Sul

Assassínio do líder da extrema-direita Terre'Blanche terá retaliação do AWB. Partido aconselha selecções a não viajar para o país.

O ataque de dois trabalhadores da quinta de Eugène Terre'Blanche, em Ventersdorp (África do Sul), que acabou com a morte do líder do Movimento de Resistência Afrikaner (AWB), foi interpretado como "uma declaração de guerra" dos negros contra os brancos pelo partido extremista. Terre'Blanche foi espancado no sábado por dois jovens de 16 e 21 anos, depois de alegadamente lhes ter sido negado o pagamento de um trabalho.
Numa primeira reacção, o secretário-geral do AWB, Andre Visagie, pediu aos apoiantes que permaneçam calmos e cumpram o luto ao líder. O partido vai reunir-se a 1 de Maio para discutir o que fazer a seguir. "Vamos decidir como vingar a morte do sr. Terre'Blanche", esclareceu Visagie. E deixou desde logo uma recomendação para as selecções que vão participar no Mundial-2010, que começa a 11 de Julho na África do Sul: "Estamos a avisar esses países. Estão a mandar as vossas equipas de futebol para uma terra de assassinos. Não façam isso se não tiverem protecção suficiente para elas.
"Eugène Terre'Blanche tinha 69 anos. Lutou pela manutenção do apartheid no início da década de 90, mas manteve um comportamento mais discreto ao longo dos últimos anos. Terre'Blanche fundou o Movimento de Resistência Afrikaner em 1972, com seis amigos - um partido que visava proteger os direitos dos descendentes dos bóeres (sul-africanos de ascendência holandesa, francesa e alemã). Com o fim do apartheid, os movimentos de extrema-direita foram perdendo força entre a comunidade branca. O AWB, cuja bandeira se assemelha à nazi, seguiu o mesmo caminho, mas começou a ressurgir há dois anos.
Jacob Zuma, presidente sul-africano e líder do Congresso Nacional Africano (ANC), o partido maioritário desde as primeiras eleições livres no país, em 1994, pediu ontem calma aos sul-africanos. "Não permitam que agentes provocadores possam tirar vantagem desta situação para incentivar ou incendiar o ódio racial", avisou.
A morte de Terre'Blanche ocorre pouco depois de a justiça sul-africana ter proibido uma música adoptada pela juventude do ANC cujo refrão clamava "morte aos bóeres". André Thomashausen, professor da Universidade da África do Sul, explica que o assassínio do líder da extrema-direita branca "pode mobilizar as franjas de brancos empobrecidos pela política de afirmação da raça negra do governo que se sentem marginalizados e sob ameaça física, a recorrer a acções que chamem a atenção do mundo durante o Mundial".
Para Thomashausen, o presidente Jacob Zuma falhou ao não proibir Julius Malema, líder da juventude do ANC, de cantar slogans antibóer. "E ainda tentou desculpá-lo, afirmando que até Nelson Mandela, quando era mais jovem, entoou slogans radicais", lamenta o académico.
A pouco mais de dois meses do início do Mundial-2010, o aviso do AWB às selecções que vão marcar presença na prova é um sinal de que a competição pode ser um pretexto para vários atentados. O porta-voz do partido de Zuma considera que o aviso não é correcto, até porque "este é um Mundial para todos, não apenas para os negros do país". A África do Sul recebe o primeiro Mundial realizado no continente africano. Com o assassínio de Terre'Blanche, o governo fica com preocupações de segurança acrescidas.