PS lembrou que fazer chamadas falsas de emergência pode ser considerado um crime. Para Vítor Almeida, da Associação Portuguesa de Medicina de Emergência, havia outras formas de aferir os tempos de espera. E o "escândalo" das secretas?...Para testar os dados avançados pelo presidente do INEM sobre os tempos de atendimento nas centrais do serviço - 5 segundos em 62% das chamadas -, o PSD resolveu fazer a prova ligando para o “112”. “O grupo parlamentar do PSD fez, já durante esta audição, uma chamada para o serviço 112. Desde o primeiro toque até serem atendidos, decorreram 14 segundos. Evidentemente que este é um exemplo, mas nove segundos de diferença entre os 5 segundos e os 14 segundos desde o primeiro toque até ao atendimento efectivo podem, de facto, fazer a diferença na vida ou na morte de um cidadão que contacte o INEM”, diz Joana Barata Lopes, deputada do PSD. A bancada socialista lembrou que fazer chamadas falsas para o INEM é crime e o próprio presidente do instituto não deixou de o frisar também: "Foi aqui dito – quem sou eu para julgar – que chamadas falsas para o 112 constituem eventualmente um ilícito e eventualmente um crime”, disse Miguel Soares de Oliveira, presidente do INEM, que esteve hoje no Parlamento. A deputada social-democrata Joana Barata Lopes lembrou ainda que a auditoria do Tribunal de Contas apontava para um tempo médio de espera no atendimento entre 12 e 13 segundos.
Miguel Soares de Oliveira aproveitou para esclarecer "um erro habitual": ligar para o 112 não é o mesmo que ligar para o INEM. “Só depois de triada a chamada, [feita] muito rapidamente pela central 112 da PSP, é que a chamada é transferida para o INEM e é a partir daí que começa a nossa quota-parte de responsabilidade – que é grande e que estamos a melhorar. Agora, não podemos confundir o 112 com o INEM - é um erro clássico, habitual, enraizado na cultura do povo e que temos de alterar. O 112 não é o INEM”. O PSD insistiu numa interpelação: “No documento que acabaram de distribuir, o tempo começa desde que ligamos para o 112. Qual é o tempo de espera efectivo?”. “O INEM não recebe, não tutela as chamadas do 112. As chamadas 112 entram na central da PSP”, respondeu Miguel Soares de Oliveira
Chamada do PSD para o 112 "não foi a metodologia correcta"
O presidente da Associação Portuguesa de Medicina de Emergência (APME), Vítor Almeida, considera que a chamada feita por deputados do PSD para o 112 "não foi a metodologia correcta" para aferir os tempos de espera. Havia, no entender de Vítor Almeida, outras formas de proceder: "Os deputados podiam criar uma comissão de inquérito, podiam visitar as centrais de emergência, estar presentes um dia inteiro, verificando as dificuldades que os profissionais sentem na pele". Sobre a iniciativa da chamada para o 112, Vítor Almeida prefere não "crucificar" a deputada do PSD, Joana Barata Lopes, que deu nota da existência do telefonema. "Não se pode exigir a um deputado jovem, que nem é especialista na matéria, que tenha conhecimento pormenorizado dos factos". "É indiscutível que a deputada avançou para esta forma de confirmar ou clarificar o tempo de espera do INEM por boa fé, não tenho dúvidas disso", afirma o técnico de emergência médica. O presidente da APME reafirma, ainda assim, que "fazer uma chamada não foi a metodologia correcta". No fundo, explica, a chamada "não tem qualquer validade científica". "Para aferir a realidade teria de fazer centenas de chamadas".
Em relação ao prejuízo que o telefonema possa ter tido na operacionalidade do sistema, o médico desvaloriza: "Uma chamada que não chegou a ser atendida não tem peso no sistema, não tem consequências para ninguém. Não toma tempo ao operador". Por outro lado, Vítor Almeida refere que a chamada tinha um propósito positivo, porque os deputados do PSD procuravam "demonstrar ao presidente do INEM que tinham alguns motivos de discordância quanto aos factos que apresentou no Parlamento" e admite que há razões para isso. "É indiscutível que continuam a existir graves atrasos no atendimento das chamadas: por um lado, nas centrais da PSP, no 112, e depois no encaminhamento" para o INEM, admite Vítor Almeida, clarificando que "esta chamada de atenção é real é verdadeira e os profissionais continuam a verificá-lo no dia-a-dia". O responsável afirma-se satisfeito por saber que afinal o telefonema feito pelo PSD para o 112, para testar o tempo de espera, não foi uma chamada falsa. Refere que o propósito era "positivo", mas "a forma não foi a mais correcta".
PSD nega chamada falsa: O grupo parlamentar do PSD negou hoje, em comunicado, ter feito uma chamada falsa para o 112, reconhecendo que foi feito um telefonema para testar o tempo de espera, mas que não chegou a ocupar qualquer operador. Na base do comunicado está a polémica de ontem, durante a audição do presidente do INEM na comissão de saúde, no Parlamento. A deputada do PSD Joana Barata Lemos afirmou ter sido testado o tempo de atendimento das chamadas do INEM através de uma chamada para o 112, o que levou a deputada socialista Luísa Salgueiro a condenar o grupo parlamentar do PSD por ter feito um telefonema falso para o 112, salientando que se trata de um ilícito. O número de chamadas para o INEM aumentou 5,2% no primeiro semestre de 2011, comparativamente ao período homólogo de 2010, enquanto as chamadas desligadas antes de serem atendidas baixaram 17,5%, anunciou quarta-feira na comissão parlamentar de Saúde o presidente do INEM, Miguel Soares Oliveira.
Passos Coelho pede "procedimento interno" sobre fugas de informação nas "secretas"
Primeiro-ministro tomou a decisão depois de ter recebido um relatório do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP). O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, pediu hoje ao secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) para "dar seguimento" a um "procedimento interno" na sequência do caso das alegadas fugas dos serviços. Fonte do gabinete de Pedro Passos Coelho afirmou à Agência Lusa que o chefe do Governo recebeu hoje o inquérito que tinha pedido a 23 de Julho ao secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, na sequência das notícias do semanário "Expresso" sobre alegadas fugas de informação do ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), Jorge Silva Carvalho. Esse relatório, segundo a mesma fonte, é classificado e foi enviado ao presidente do Conselho de Fiscalização do SIRP, Marques Júnior, que hoje foi ouvido na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais sobre o caso das alegadas fugas. Maques Júnior confirmou a existência de fugas de informação e uso indevido de meios afectos ao Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED). "O Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa verificou que se registou uma utilização indevida de meios afectos ao SIED e o envio indevido de informação, com desrespeito pessoal de procedimentos de segurança, a qual poderá justificar procedimento interno", revelou Marques Júnior. Apesar das fugas de informação, o presidente do Conselho de Fiscalização dos Serviços Secretos garante que a "segurança interna e a defesa dos interesses nacionais" não foram "postos em causa".
Conselho de Fiscalização confirma fugas de informação nas "secretas"
Marques Júnior, presidente do Conselho de Fiscalização dos Serviços Secretos, foi hoje ouvido na comissão parlamentar de assuntos constitucionais sobre as alegadas fugas de informação no Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED). O presidente do Conselho de Fiscalização dos Serviços Secretos, Marques Júnior, confirma a existência de fugas de informação e uso indevido de meios afectos ao Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED). "O Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa verificou que se registou uma utilização indevida de meios afectos ao SIED e o envio indevido de informação, com desrespeito pessoal de procedimentos de segurança, a qual poderá justificar procedimento interno", revelou Marques Júnior. Apesar das fugas de informação, o presidente do Conselho de Fiscalização dos Serviços Secretos garante que a "segurança interna e a defesa dos interesses nacionais" não foram postos "em causa". Marques Júnior falava hoje aos jornalistas no final da comissão parlamentar de assuntos constitucionais sobre as alegadas fugas de informação nas "secretas". A reunião decorreu à porta fechada e os deputados estão obrigados a "sigilo e confidencialidade". Em causa está o funcionamento dos serviços de informação depois de o semanário "Expresso" ter avançado nas últimas semanas que o ex-diretor do SIED, Silva Carvalho, terá passado informações para a empresa Ongoing, antes de abandonar a chefia dos serviços, em Novembro de 2010. Silva Carvalho afirmou, entretanto, que "não enviou informação do serviço de informações para a Ongoing, nem nunca tal afirmou" e pediu para ser ouvido pelos deputados da comissão.
Ex-director do SIED exige urgente conhecimento integral de relatório
Presidente do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República, Marques Júnior, diz que houve "utilização indevida de meios afectos ao SIED" e "envio indevido de informação". O ex-director do Serviço de Informações Estratégicas e Defesa (SIED), Jorge Silva Carvalho, exige o "urgente conhecimento integral" das conclusões do relatório do Conselho de Fiscalização sobre fugas de informação. Numa declaração escrita enviada na quinta-feira à Agência Lusa, o advogado de Jorge Silva Carvalho, Nuno Morais Sarmento, refere que "as declarações hoje [quinta-feira] proferidas à saída da audiência [parlamentar] não clarificam, de forma inequívoca", que o ex-director do SIED "não está envolvido, por qualquer forma, neste processo". Assim sendo, "é necessário e urgente o conhecimento integral das conclusões que foram transmitidas à comissão parlamentar, o que se aguarda aconteça amanhã [hoje, sexta-feira]", adianta a nota. Na quinta-feira, no final de uma reunião, à porta fechada, com a comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, sobre alegadas fugas de informação por parte de Jorge Silva Carvalho, o presidente do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República, Marques Júnior, afirmou que houve "utilização indevida de meios afectos ao SIED" e "envio indevido de informação", o que, contudo, não é susceptível de "colocar em causa a segurança interna e a defesa dos interesses nacionais". O caso foi iniciado pelo semanário “Expresso”, que recentemente noticiou que o ex-director do SIED passou à empresa privada Ongoing, onde trabalha actualmente, informações relacionadas com dois empresários russos e metais estratégicos, antes de abandonar a chefia do organismo, em Novembro de 2010.
PS diz que é prematuro falar em comissão de inquérito às secretas...
O Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações da Assembleia da Republica confirmou hoje a existência de fugas de informação e o uso indevido de meios do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED). O Partido Socialista considera prematuro falar-se numa comissão de inquérito às fugas de informação nas secretas portuguesas. O deputado socialista Ricardo Rodrigues disse que está em curso a fase de recolha de informação e que só mais tarde será possível formular um juízo de valor sobre os acontecimentos. “Nós pedimos mais elementos, achamos que ainda havia outros elementos que eram possíveis de ser esclarecidos e, com base nesses elementos, vamos continuar a saber se existe alguma outra necessidade ou não”, adianta o deputado. “Neste momento, é prematura falar seja em comissão de inquérito seja em qualquer outro grau de fiscalização, porque ainda não temos todas as informações que precisamos para formular um juízo sobre os factos e os acontecimentos”, sublinha Ricardo Rodrigues. O Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações da Assembleia da Republica confirmou hoje a existência de fugas de informação e o uso indevido de meios do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED).
Autarquias já gastaram "mais de 200 milhões" em apoios sociais
Fernando Ruas espera que o plano de emergência social, que vai ser apresentado hoje pelo ministro da Solidariedade, Pedro Mota Soares, corresponda às preocupações sentidas pelas autarquias. O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) revela que os municípios já gastaram mais 200 milhões de euros no apoio aos mais carenciados. “Nós fizemos as contas – tenho o número com alguma incerteza – mas penso que mais de 200 milhões de euros que nós temos gasto com o apoio social”, afirma Fernando Ruas. O responsável explica que “os municípios vão implementando programas no seu âmbito municipal e depois eles passam [para outros municípios]”. “Foram-se generalizando por esta cópia de boas práticas”, sublinha. Fernando Ruas espera que o plano de emergência social, que vai ser apresentado hoje pelo ministro da Solidariedade, Pedro Mota Soares, corresponda às preocupações sentidas pelas autarquias. “Nós achamos que o plano é importante, agora não sei se este plano terá lá as preocupações que nós manifestámos”, refere. O presidente da Associação Nacional de Municípios avisa que “não se pode esperar que se faça mais apoio social com um nível de apoio financeiro mais pequeno”. Fernando Ruas falava esta noite à margem da reunião da Câmara de Viseu, onde enquanto autarca manifestou preocupação perante o número de pedidos de ajuda no
Governo pode vir a taxar entrada de carros nas grandes cidades
Na Europa quase 40 cidades já seguem o "sistema do cordão". O Governo vai analisar a possibilidade de criar uma taxa à entrada de carros nos grandes centros urbanos. A hipótese foi admitida pelo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, seguindo o que já acontece em várias cidades da Europa, como Londres ou Estocolmo, revela o "Diário de Notícias". A medida que afectaria os automobilistas que circulam diariamente entre Lisboa e Porto agrada à Comissão Europeia e àqueles que defendem a redução do trânsito nas grandes cidades. De acordo com a Galp, Lisboa recebe uma média de 450 mil carros por dia (cerca de 630 mil pessoas), enquanto no Porto a média ronda os 300 mil carros (420 mil pessoas).
Novas portagens à vista?
IC19, CRIL e IP podem vir a ser portajadas, mas a última palavra é do Governo. A Estradas de Portugal (EP) quer mais vias a pagar portagens. IC19, CRIL e Itinerários Principais (IP) e Complementares (IC) de todo o país podem vir a ser abrangidos por esta intenção. A decisão final é do Governo. A empresa, segundo a edição de hoje do “Jornal de Negócios”, defende que “todos os troços com características de auto-estrada podem ser portajados”. O objectivo é reforçar o princípio do utilizador-pagador e sustentar o seu modelo de financiamento. Para a empresa, esta solução devia ser adoptada em todo os troços que estejam classificados como auto-estrada e tenham características de auto-estrada, com duas ou mais vias em cada sentido. Neste perfil encaixam vias como o IC19 e a CRIL. No país existem ainda vários IP e IC com perfil de auto-estrada, mas não são portajados. Em declarações , a porta-voz da extinta comissão de utentes do IC19 rejeita qualquer tipo de cobrança nesta via que liga Lisboa a Sintra. Adelina Machado lembra que o IC19 não tem percurso alternativo e espera que a introdução de portagens nesta via não passe de uma "brincadeira". A aplicação de portagens depende de um aval do Governo, que, por agora, não quer fazer comentários à notícia. A EP, contactada pela imprensa, remete esclarecimentos para mais tarde.
Escolas abrem portas entre 8 e 15 de Setembro
Estabelecimentos de ensino fecham para férias a 16 de Dezembro. Já o Carnaval obriga a uma interrupção das actividades lectivas entre 20 e 22 de Fevereiro. O arranque do novo ano lectivo para o ensino pré-escolar, básico e secundário está marcado para a semana de 8 a 15 de Setembro, com excepção dos estabelecimentos particulares de ensino especial, que devem reiniciar as actividades no dia 2. De acordo com o despacho ministerial publicado hoje em Diário da República, o calendário escolar definido para o ano lectivo 2011/2012 marca o arranque do primeiro período para a semana de 8 a 15 de Setembro e com o fim a 16 de Dezembro, para férias de Natal. O segundo período escolar decorre entre 3 de Janeiro e 23 de Março de 2012. O terceiro período ficou definido entre 10 de Abril e 8 de Junho para os 6.º, 9.º, 11.º e 12.º anos, entre 10 de Abril e 15 de Junho para os 1.º, 2.º, 3.º, 4.º, 5.º, 7.º, 8.º e 10.º anos e entre 10 de Abril e 06 de Julho para a educação pré-escolar. “As interrupções das actividades educativas, nos períodos do Natal e da Páscoa, devem corresponder a um período de cinco dias úteis, seguidos ou interpolados, a ocorrer, respectivamente, entre os dias 19 e 30 de Dezembro de 2011 e entre os dias 26 de Março e 9 de Abril de 2012, inclusive”, lê-se no despacho. Já o Carnaval obriga a uma interrupção das actividades lectivas entre 20 e 22 de Fevereiro. Para os estabelecimentos particulares de ensino especial dependentes de cooperativas e associações de pais que tenham acordo com o Ministério da Educação, o calendário é diferente e obriga a que o arranque das aulas seja feito a 2 de Setembro e termine a 15 de Julho. Aqui, o primeiro período vai de 2 de Setembro de 2011 a 6 de Janeiro de 2012 e o segundo período de 11 de Janeiro a 15 de Junho de 2012, com três interrupções previstas para entre 20 e 23 de Dezembro, inclusive; 20 e 22 de Fevereiro de 2012, inclusive; e 5 e 9 de Abril de 2012, inclusive. De acordo com o despacho, a avaliação dos alunos realiza-se em duas fases, primeiro entre 9 e 10 de Janeiro de 2012 e depois entre 18 e 21 de Junho de 2012.
A caminho de “Making of” Magis: contagem decrescente para a grande abertura
As Jornadas Mundiais da Juventude realizam-se em Madrid, de 16 a 21 de Agosto. Os preparativos para as Jornadas Mundiais de Juventude (JMJ) avançam a bom ritmo. Até à capital de Espanha, no dia 16, está previsto que chegue mais de um milhão de peregrinos. Entre este milhão, três mil são peregrinos Magis, que vêm de todo o mundo e que vão a Madrid depois de terem vivido uma intensa experiência pela Península Ibérica. Este programa dos jesuítas para as JMJ, que dura os dez dias anteriores a Madrid, tem abertura oficial marcada para esta sexta-feira, dia 5, em Loyola. Hoje, nesta terra de Santo Inácio, refundida num vale perto de San Sebastián, estão já dezenas de jovens do “staff” do Magis a acelerar os últimos preparativos para a grande festa, depois de meses de planeamento nos seus países de origem. Hospedados no Centro de Espiritualidade, em Loyola, estes voluntários vêm em equipas, cada uma com a sua missão. Há o coro, o teatro, os animadores, os encarregados da comunicação, da Feira Magis. Estando cada equipa a trabalhar em paralelo, há ainda algum mistério sobre o que cada um está a preparar para o fim-de-semana. As refeições são escalonadas para a cantina conseguir albergar todos. A servir a comida, um simpático jesuíta americano, de Nova Orleães, um rapaz polaco, um noviço italiano e ainda uma basca chamada Amaya, que orienta o pessoal todo, já dão ideia do cariz internacional do evento. Nos corredores do centro cada vez aparece mais gente e o pequeno-almoço é marcado pela quantidade de tons de pele e línguas faladas diferentes.
Acertar pormenores: Estes dias são de ensaios, como o afinar de instrumentos que se ouve nos corredores, ou mesmo de montagem de infra-estruturas – como é o caso do grupo de portugueses que chegou ontem de Lisboa depois de uma viagem de 15 horas que atravessou Espanha. Estes portugueses, cerca de 10 jovens acompanhados do mesmo número de noviços jesuítas e ainda um padre, estão encarregues da grande cerimónia de abertura. Os pormenores da cerimónia são para já confidenciais - alguns portugueses conseguiram apenas espreitar uns adereços de guarda-roupa e algumas caixas de fogo-de-artifício na parte de trás de uma carrinha. O grupo está concentrado em tentar levantar uma estrutura alta, composta por cubos, nas traseiras da Basílica de St. Inácio. Helena, de 25 anos, estudante de artes do espectáculo, explica o que a fez aceitar o convite de ser voluntária Magis, dizendo que quer, “através de um espectáculo visual, contagiar os participantes logo no momento de abertura, com a alegria e a convicção de ser cristã”. Para a sua vivência pessoal, espera “recarregar energias ‘espirituais’ e crescer na fé, na medida em que conheço novas formas de viver e ouço testemunhos de outras culturas. A dimensão máxima de comunidade vive-se aqui”, diz. Também neste grupo de portugueses está Vasco, um estudante de filosofia de 19 anos para quem a decisão foi simples -convidaram-no e veio. Mais tarde, vai animar a “caravana” que vai levar jovens dos colégios dos jesuítas de todo o país até Madrid. Quando questionado sobre o que espera encontrar, a reposta sai com algum humor: “O Papa”. Mais a sério, responde que lhe interessa a oportunidade de “ter contacto com uma Igreja enorme, mundial”. “Espero que as JMJ sejam uma forma de mostrar que a Igreja não é uma coisa de ‘velhos’, que já acabou”, diz. Madalena, também de 25 anos, educadora de infância, defende que esta mensagem do Magis pode ser vivida por qualquer pessoa. “Porque Magis é ser 'mais', viver o mais possível e melhor, conseguir a excelência de si próprio”. Madalena espera encontrar quem lhe mostre “formas diferentes de viver a mesma coisa e como ser um jovem católico no dia-a-dia”. Este tipo de experiências, explica Madalena, “acrescenta sempre". Depois, atrai-a a ideia de universalidade e perceber que esta escolha de vida cristã “é vivida no mundo todo - é completamente além-fronteiras”. Helena diz ainda que “isto é como se respondêssemos ao apelo do Papa para festejarmos a fé, mesmo antes de irmos ter com ele”. A motivação dos voluntários parece também passar pela actualidade da proposta dos jesuítas. Helena explica que “a forma de viver que propõem é aberta, criativa e heterogénea”. Na chegada, os participantes do Magis vão receber um guia de bolso, o “Manual do Peregrino”, com algumas informações práticas e também algumas pistas orientadoras para tirarem o melhor partido destes dias. A ideia de “viagem e caminho” domina. João, de 23 anos, inscrito numa “experiência” em Marrocos, confessa que procura “uma aventura” que o ajude a quebrar “a barreira da língua”. Mais não diz. O Manual do Peregrino descreve que esta é uma oportunidade de “começar uma nova aventura pessoal, em que não se estará sem companheiros de outras terras, que chegam também a Loyola com o desejo de procurar este Deus que muda vidas e que pede sempre mais”.
"De que serve ganhares o mundo inteiro se vieres a perder a tua alma?"
Experiência Magis arranca amanhã em Espanha e procura ensinar os jovens a serem peregrinos também para a vida. Viajamos pelas memórias de Santo Inácio, o homem responsável, há mais de 500 anos, pelo lançamento da semente deste encontro. A grande abertura do Magis, uma experiência pastoral que antecede as Jornadas Mundiais da Juventude, foi hoje. Os trabalhos em Loyola, localidade espanhola que vai receber mais de três mil peregrinos do mundo inteiro, aceleram e multiplicam-se. Ouvem-se notícias dos grupos que se aproximam, desde os 18 peregrinos indonésios que aterraram esta tarde em Madrid aos oito argentinos "en route", até aos 99 portugueses que saíram cedo de Coimbra, Lisboa e Algarve. Na noite de ontem, os voluntários e visitantes de Loyola tiveram a oportunidade de assistir a um ensaio ao ar livre da orquestra Magis, frente à Basílica de Santo Inácio. O grupo musical do Magis tem um nome que suscita muitas piadas, especialmente entre os voluntários portugueses e espanhóis. O “Magis Music and Liturgy Organizing Comittee” é o “Mamaloco”, o que entre os portugueses cansados ao final do dia resulta em provocações como: “Estás mamaloco?!”. Brincadeiras à parte, hoje foi dia de ir às origens desta proposta Magis e, estando em Loyola, conhecer um pouco melhor o homem responsável, há mais de 500 anos, pelo lançamento da semente deste encontro.
Inácio, o homem e o santo. O dia de hoje em Loyola fica marcado pela história do próprio Santo Inácio. De manhã, num passeio nas redondezas do Centro de Espiritualidade, surgiu um convite para visitar a casa onde nasceu Iñigo Lopez em 1491, uma torre feudal agora envolvida na majestosa basílica. Iñigo era um fidalgo, filho de nobres, que ansiava ganhar honra, glória e fama através das armas e batalhas. Foi o mais novo de 13 irmãos e cresceu a ouvir histórias dos feitos dos irmãos pelo mundo fora. Como guerreiro, apaixonado e bravo, quis conquistar as mais altas honras. No famoso cerco de Pamplona, Iñigo é ferido por um tiro de canhão na perna e é levado de volta a casa, em Loyola, para convalescer. Durante a longa e dolorosa recuperação, aborrecido, tinha apenas um livro da vida de Cristo e outro das vidas dos santos para ler. Da identificação com os santos começa a conversão e os primeiros pensamentos que o levariam a escrever os “Exercícios Espirituais” - nascia assim o desejo de conhecer melhor Deus. Na casa da sua família, a Renascença viu os locais onde Santo Inácio jantava, dormia e convivia, os mapas de Espanha medieval, os livros que leu e até uma primeira edição dos exercícios espirituais – curiosamente, uma edição impressa em Coimbra. Depois da recuperação, Inácio deixou a sua casa e vida de guerreiro e partiu para Jerusalém, procurando nada mais que seguir Jesus e descobrir-se a si próprio pelo caminho. Foram longos anos de busca. Mais tarde, decidiu avançar os seus estudos em Paris, onde conheceu Francisco Xavier e o provocou com a célebre frase: “De que serve ganhares o mundo inteiro se vieres a perder a tua alma?”. Juntos, fundaram a Companhia de Jesus, que rapidamente acumulou membros, numa altura de reformas na Igreja, e que se foi espalhando pelo mundo com a missão de levar Jesus a todos os cantos da terra.
O que procuras? O legado de Inácio de Loyola, para leigos hoje, é definitivamente o guia que deixou com os seus exercícios. Pensados para desafiar e ajudar a avaliar a vida diária, são uma bússola para o conhecimento interior e para o encontro do caminho. René, um alemão de 31 anos, no momento ainda em estudos antes de ser ordenado padre na Companhia de Jesus, salienta que o objectivo de toda esta experiência Magis é aprofundar as ligações com pessoas de outras nações. É aprender a ser peregrino também para a vida. A espiritualidade inaciana também passa por aprender a viver o momento presente, a avaliar o momento presente, a procurar Deus no quotidiano e o programa Magis está pensado também para guiar neste sentido. O local de nascimento de Santo Inácio, para René, como membro da sua Companhia, é importante, mas salienta sobretudo o facto de este ser um primeiro sítio, onde foi dado um primeiro passo depois para o mundo. Aqui em Loyola, o Magis vai tentar aproximar dos jovens que peregrinam até Madrid esta consciência de si próprios e da avaliação do seu caminho, para que as Jornadas Mundiais de Juventude tenham uma existência duradoura e para que abram lugar a mais perguntas, mais conhecimento e ainda mais crescimento.
Investigadores acreditam que Terra já teve duas Luas
Teoria publicada na revista "Nature" defende que as duas Luas chocaram há quatro biliões de anos, muito antes da formação da vida na Terra. A Terra teve duas Luas, antes de uma delas, a mais pequena, ter chocado com a outra, a sua "irmã mais velha", demonstra uma teoria publicada hoje na revista científica "Nature". Em resultado desta colisão, o planeta azul ficou com uma Lua mais volumosa, ligeiramente assimétrica e mais acidentada num dos lados, o mais distante da Terra. Segundo a teoria, desenvolvida por uma equipa de astrónomos norte-americanos, a colisão entre as duas Luas ocorreu há quatro biliões de anos, muito antes da formação da vida na Terra. As duas Luas, jovens, orbitavam a Terra, com a mais pequena a poucos passos da maior e mais rápida. Só que gravidade da Lua maior era tão forte que a mais pequena não resistiu. "Estavam destinadas a colidir. Não havia saída", sustenta Erik Asphaug, co-autor da investigação, citado pela agência noticiosa AP.
