Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !
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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Terrorismo na Noruega

Terrorista de Oslo visava Portugal
                                                                                                                                        
Anders Behring Breivik foi ouvido hoje em tribunal. Quiz que a sessão em que vai explicar os seus actos seja aberta à comunicação social. Em tribunal, Breivik terá dito que agiu para defender a Europa do islamismo. Até agora, morreram 93 pessoas.
                                                                                                        
Portugal era um dos alvos apontados por Anders Behring Breivik, o autor dos atentados na Noruega. No manifesto que publicou na Internet no dia dos ataques (sexta-feira, 22), apontava ainda Durão Barroso como uma das figuras que podia ser vítima de um ataque. O presidente da Comissão Europeia surge como exemplo de figuras que podiam ser alvo de ameaças ou até de acções terroristas. Em território português, o reactor de investigação do Instituto Tecnológico e Nuclear na Bobadela era um dos alvos a atacar. O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), José Manuel Anes, considera que há que ter cuidados redobrados. "É preciso manter vigilância sobre infra-estruturas críticas", diz José Manuel Anes. “É fundamental, por um lado, não tomar à letra aquele documento de 1.500 páginas que ele publicou e onde diz que é preciso matar na Europa 400 mil pessoas e em Portugal 10 mil e atacar um conjunto de infra-estruturas críticas que temos cá. Mas é preciso, sobretudo, continuar a vigilância sobre essas infra-estruturas críticas, porque pode haver alguma tentação de imitação, de algum religionário ou simpatizante das ideias”, refere.
A audiência do autor confesso dos atentados na Noruega está marcada para o meio-dia. Entretanto, o juiz vai decidir se a sessão será à porta fechada ou aberta aos jornalistas – como, aliás, pretende o acusado. Anders Behring Breivik, de 32 anos, diz que vai explicar as razões dos seus actos: os atentados em Oslo e numa ilha a 40 quilómetros da capital norueguesa que mataram, pelo menos, 93 pessoas. Desta manhã, surge a notícia de que a polícia norueguesa vai pedir que o tempo de prisão preventiva seja excepcionalmente duplicado para oito semanas e que a sessão decorra à porta fechada. “Corri e escondi-me numa cabana”.
Polícia chocada. "É muito difícil, mas vamos gerindo a situação", admite polícia norueguesa. Entretanto, surgem os relatos de sobreviventes em Utoeya: “Quando ouvi os primeiros tiros, estava no acampamento, por isso, não consegui ver o atirador. Mas, pouco depois, tornou-se óbvio que isto se estava a tornar sério. Eu vi os meus amigos correrem na minha direcção, a fugirem, depois ouvi tiros e pessoas a caírem no chão. De seguida, vi-o a andar na direcção dessas pessoas e a dar-lhes tiros na cabeça enquanto eles estavam deitados no chão. Foi nessa altura que eu obviamente me apercebi que era tão grave, que simplesmente corri e escondi-me numa zona arborizada, numa cabana, até a polícia chegar”, relata Vegard Groslie-Wennesland à BBC. Da parte das autoridades policiais, admite-se que é difícil lidar com uma tragédia desta dimensão. "É muito difícil, mas vamos gerindo a situação", admite polícia norueguesa.
“A polícia é treinada para lidar com situações deste tipo, mas isto teve uma dimensão de tal ordem, foram tantos jovens que foram mortos, que é muito difícil. Mas vamos gerindo esta situação”, afirma um agente. Quarenta quilómetros a Norte de Oslo, na ilha de Utoeya, prosseguem as buscas para tentar encontrar jovens que continuam desaparecidos. “Ao que tudo indica, há quatro ou cinco pessoas desaparecidas na ilha de Utoeya, por isso, prosseguimos as buscas”, afirma uma responsável da Cruz Vermelha, que ontem “teve no local 32 barcos, quase um centena de voluntários a participar nas buscas”. Cruz Vermelha garante que irá trabalhar em Utoeya "enquanto for preciso". “Agora, com a luz do dia, vamos continuar a procurar. Como já disse a polícia, iremos continuar a trabalhar enquanto for preciso”, acrescenta. Entretanto, as autoridades norueguesas e suecas pediram aos cidadãos do seu país para fazerem um minuto de silêncio em nome das vítimas.
                                                                                            
Autor dos atentados na Noruega fica detido oito semanas
                                                                                                           
A justiça norueguesa decretou oito semanas de prisão preventiva para o assumido autor do atentado e tiroteio de sexta-feira. Anders Behring Breivik fica também proibido de ter contactos com o exterior. Quatro das semanas de detenção serão em regime de total isolamento, sem direito a visitas, jornais ou qualquer tipo de correspondência. O tribunal considera que há risco de destruição das provas. O arguido está formalmente acusado de actos de terrorismo. Esta medida de coação, segundo o pedido da acusação, vai permitir investigar o caso contra Anders Behring Breivik, de 32 anos, que assumiu a responsabilidade dos ataques de sexta-feira. O norueguês, autor confesso do atentado à bomba e do massacre que matou mais de 90 pessoas nas imediações de Oslo, segundo a Reuters, disse em tribunal que tinha mais dois grupos de colaboradores. A audição decorreu, como previsto, à porta fechada, mas segundo o juiz , Anders Breivik confessou a autoria do atentado à bomba em Oslo e também os disparos na ilha de Utoya, com o objectivo de fazer o maior número possível de vítimas. Ainda assim, Breivik não admitiu culpa criminal. Confessou a autoria dos ataques, mas não reconhece que estivesse a cometer um crime. O objectivo, terá dito o arguido, era evitar novas filiações no partido trabalhista, partido que considera “traidor à pátria” por “colaborar na estratégia de colonização da Europa por muçulmanos”. Em tribunal, Breivik terá dito que agiu para defender a Europa do islamismo.
                                                                            
Portugal reforçou segurança devido às ameaças do atirador norueguês
                                                                                                       
O atirador da Noruega coloca Portugal na lista de países como alvos a abater. Anders Behring Breivik é ouvido hoje em tribunal, numa sessão à porta fechada. O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, garante que a segurança já foi reforçada nos chamados ponto-chave de todo o país, face às ameaças deixadas pelo atirador da Noruega no manifesto que divulgou na Internet. “Estou a dizer que se fez tudo o que está previsto fazer numa situação destas, que é tomar as medidas, adoptar os dispositivos que estão previstos que ocorram quando pode acontecer alguma situação que perturbe a paz e a tranquilidade pública”, afirmou Miguel Macedo aos jornalistas, sem adiantar pormenores. O Instituto Tecnológico e Nuclear da Bobadela é um dos alvos mencionados por Anders Behring Breivik, que se assume como cruzado de uma cruzada anti-islâmica e anti-multiculturalismo. Durão Barroso é descrito como perigoso marxista. Breivik, que na sexta-feira (dia 22) conduziu dois atentados na Noruega, é hoje presente a juiz. Os olhos do mundo estão a esta hora na sala de audiências número 8, num tribunal de Oslo, mas as portas estão fechadas, ao contrário do que o atirador gostaria.
Ao que tudo indica, as autoridades vão pedir o tempo máximo de detenção possível nesta fase do processo: oito semanas em solitária. “Só vão ser permitidos os contactos com o advogado. Ele pretendia ter uma audiência em porta aberta. Queria utilizar a audiência como palco para transmitir os seus pontos de vista. Precisava de fazer isso para iniciar uma revolução na Noruega contra o Governo, mas não vai ter essa possibilidade”, conta Jan Espen Kruse, jornalista da rádio nacional norueguesa NRK. Anders Behring Breivik, de 32 anos, vai ser acusado da morte de 93 pessoas. Há ainda 96 feridas, mas os números podem mudar, uma vez que há ainda pessoas desaparecidas. O norueguês auto-intitula-se "um libertador da Europa". Colocou uma bomba no centro de Oslo e abriu fogo durante mais de uma hora num acampamento de jovens numa ilha nos arredores da capital. Às 11h00, a Noruega calou-se em homenagem às vítimas, um silêncio que se estendeu à vizinha Suécia.
                                                                                                                  
Suspeito norueguês publicou manifesto extremista no dia dos ataques
                                                                                                                              
O documento mostra que a acção já estava a ser planeada há algum tempo e descreve principalmente a ideologia extremista por trás dos ataques de Anders Behring Breivik. O documento mostra que a acção já estava a ser planeada há algum tempo e descreve principalmente a ideologia extremista por trás dos ataques de Breivik. Apresentando-se como um “cavaleiro” das cruzadas da era moderna, Breivik defende uma revolução para “libertar a Europa da invasão multiculturalista”. Foi publicado no dia dos trágicos eventos em Oslo e na ilha de Utoeya, como confirma o chefe da polícia norueguesa. O texto tem também uma série de instruções que indicam modos de pesquisar métodos de fabrico de bombas na Internet sem lançar alertas às autoridades, e destaca "o uso do terrorismo como um meio de despertar as massas". Assinado "Andrew Berwick", que as autoridades admitem ser uma versão anglicizada do nome do suspeito, o próprio refere que será lembrado como "o maior monstro nazi desde a II Guerra Mundial". Breivik fala extensamente nos “males” do Islão e do que chama o “marxismo cultural” que invadiu a Europa.
No final, há fotografias do noruguês vestido com roupas militares e a segurar uma grande arma. Escrito em inglês, o texto tem o título "A European Declaration of Independence - 2083" - Uma Declaração de Independência Europeia – 2083. Também no Youtube foi publicado um vídeo, no dia dos ataques, expressando o mesmo tipo de ideias fundamentalistas. O único suspeito dos ataques na Noruega que fez 93 mortos e dezenas de feridos será apresentado amanhã a um juiz para decidir sobre a prisão preventiva. De acordo com a legislação norueguesa, o juiz pode decidir a prisão preventiva por um máximo de quatro semanas, que pode ser renovada numa nova audiência no final desse período.
                                                                                                        
Deco alerta para novas estratégias que enganam os consumidores
                                                                                                                              
As empresas de toques, imagens ou jogos de telemóvel estão com vendas mais agressivas. A estratégia foi aperfeiçoada e faz cair nas suas malhas muitos consumidores desprevenidos e bem intencionados, diz a Associação de Defesa do Consumidor. Estão a proliferar concursos na Internet que oferecem “vouchers” de compras em lojas de marcas conhecidas, mas que servem apenas para que o consumidor, distraído, subscreva, sem o saber, um serviço de valor acrescentado no telefone. O alerta parte da Deco. “Há um conjunto de anúncios que apelam à participação do consumidor em concursos [e pedem para] fornecer alguns dos seus dados, no sentido de poder obter um ‘voucher’ de um valor elevado em compras de marcas idóneas - hipermercados, electrodomésticos, que nada fazem desconfiar o consumidor. Ao inserir esses dados, nomeadamente o nome e o telemóvel, acabam por subscrever um contrato que não desejam”, relata o jurista da Deco Luís Pisco. A lei prevê que os consumidores que não estejam interessados em receber serviços de valor acrescentado possam inscrever-se na lista de exclusão criada pela Direcção-Geral do Consumidor. O que acaba por acontecer é que “não participam em concurso nenhum, em promoção nenhuma, a marca desconhece totalmente o que está a acontecer” e os consumidores passam a ter “um débito, que pode ser diário ou por semana, de valores elevados, que podem ir de um a quatro euros por mensagem”, adianta o responsável. A mudança de estratégia das empresas de venda de toques, imagens ou jogos para telemóvel está apanhar os consumidores desprevenidos e por isso a Deco volta a pedir o barramento por defeito dos serviços de valor acrescentado. Só no primeiro semestre deste ano, a Deco e a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) receberam mais de mil reclamações de consumidores que se dizem enganados. “As reclamações que estão neste bolo do primeiro semestre seguiram para fiscalização, para se verificar exactamente o que está a acontecer”, garante à Renascença Ilda Matos, da Anacom. A Autoridade Nacional de Comunicações fechou 10 processos de contra-ordenação. Seis empresas recorreram e quatro acataram.
                                                                                                  
Santana estranha ausência de nomes católicos no novo mapa de freguesias
                                                                                                                     
O ex-presidente da Câmara de Lisboa considera que as assembleias de freguesia deviam ter sido ouvidas no processo. O número de freguesias de Lisboa vai ser reduzido para metade e desaparecem a maior parte dos nomes de inspiração cristã. É o que está previsto na reforma administrativa da capital que está em fase de aprovação. Santana Lopes estranha desaparecimento de nomes de inspiração cristã. O antigo dirigente do PSD e presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, percebe as razões económicas que levam a reduzir numericamente as freguesias, mas estranha que do novo mapa desapareçam praticamente todos os nomes de inspiração cristã. “São Miguel, Santo Estevão, São Nicolau, Mártires; muitos nomes de inspiração religiosa desaparecem, é algo de estranho que é como que uma aversão aos nomes de inspiração religiosa nestas designações propostas. Foi uma deliberação da Câmara e agora vai ser da assembleia municipal, mas quem tem competência para decidir isto é a Assembleia da República. A lei manda que tenham que ser ouvidas as assembleias de freguesia e não foram neste processo”, sublinha Santana Lopes. O ex-autarca falou esta noite em declarações à TVI.
                                                                                                                                 
União zoófila lança apelo contra abandono de animais
                                                                                                                                                    
O número de animais abandonados aumenta especialmente nos períodos em que os donos se ausentam para férias. Numa altura em que muitos portugueses partem para férias, a União Zoófila lança uma campanha contra o abandono de animais. A campanha vai juntar várias personalidades que vão percorrer o país com mensagens que condenam estes abandonos. Mafalda Ferreira, colaboradora da União Zoófila, explica que “o objectivo principal desta campanha é alertar para o problema do abandono”, que aumenta principalmente na época de férias. Associada a esta campanha, a União Zoófila lança ainda o apelo “não compre, adopte”, pretendendo dar um novo lar aos animais abandonados. “Espero que estes cartazes despertem a consciência das pessoas, porque é uma falta de sensibilidade e sentido ético que existe em muita gente. Um animal quando se adopta é para fazer parte da família, a mudança de mentalidades sabemos que é uma coisa lenta, mas se não formos lutando por isso nunca vamos conseguir”, defende Mafalda Ferreira.







segunda-feira, 27 de junho de 2011

Em causa a Segurança do Turismo

Autarcas do Algarve pedem reforço policial
                                                                                                                                     
Este ano, aconteceram já diversos casos de assaltos a turistas. Um inglês, de 50 anos, acabou mesmo por falecer. Os Governos não se "comovem" e o turísmo como uma das principais fontes de receita vai sofrer.
                                 
Para este País, como para outro qualquer, as pessoas só viajam para onde se sentem seguras. O exemplo nos mercados turísticos é disso o maior exemplo. Mas o Governo português não enxerga, nem se comove. Por isso, os autarcas do Algarve pedem reforço do efectivo policial, pois nesta altura do ano a região é procurada por muitos turistas nacionais e estrangeiros. Macário Correia, presidente da comunidade inter-municipal do Algarve e presidente da Câmara de Faro, sublinha que o recente reforço de 100 agentes da GNR ajuda, mas não chega. “O reforço que foi anunciado é inferior ao que nós precisamos. Espero em que o Governo possa analisar o assunto com mais detalhe e que o reforço venha a ter outra expressão e dimensão”, disse em jeito de recado dirigido ao novo ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. O autarca Macário Correia assume que têm havido “alguns focos com alguma criminalidade” e lembra que o Algarve é um “palco do mundo, com uma visibilidade mediática grande”. Por isso, uma ocorrência que noutros locais será menos divulgada, nesta zona é conhecida no mundo inteiro. “O que tem havido de cuidado das forças de segurança e o que está anunciado como de medidas de prevenção” é registado com agrado, acrescenta. A 31 de Maio, o Ministério da Administração Interna dava orientações à GNR e à PSP para reforçarem a actividade operacional no Algarve para aumentar o nível de segurança e intensificar a prevenção da criminalidade na região.
                                                                                     
Cavaco recebe Passos para primeira reunião semanal
                                                                                                                          
No encontro, o primeiro-ministro deve dar a conhecer ao Presidente da República os nomes dos seus secretários de Estado. O Presidente da República e o primeiro-ministro têm hoje a primeira reunião semanal e Pedro Passos Coelho pode levar já fechada a equipa do seu Executivo. A cerimónia de tomada de posse dos secretários de Estado está agendada para amanhã. Daniel Campelo (CDS-PP) será, ao que apurou a Renascença, um dos elementos da equipa e estará sob a tutela de Assunção Cristas (Agricultura). Outros nomes que têm vindo a público são Bernardo Bairrão, actual administrador da TVI/Media Capital (secretário de Estado do Ministério da Administração Interna), e Morais Leitão, para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, dirigido por Paulo Portas. Paulo Núncio vai para os Assuntos Fiscais e o social-democrata Almeida Henriques para secretário de Estado adjunto da Economia. Pedro Martins deve ocupar a Secretaria de Estado do Emprego. O encontro entre Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho está marcado para as 11h00 e ocorre menos de uma semana depois de o novo primeiro-ministro ter tomado posse e três dias depois da cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, em Bruxelas, que o primeiro-ministro reconheceu que não podia ter corrido melhor a Portugal. O primeiro-ministro também já prometeu que esta semana o Governo anunciará um novo pacote de medidas essenciais no quadro do programa de reformas.
                                                             
Marcelo “ligeiramente preocupado” com os secretários de Estado escolhidos
                                                                                                                     
Comentador da TVI critica escolhas na Economia e a não separação clara entre Governo e PSD. Marcelo Rebelo de Sousa critica a escolha dos secretários de Estado para a área da Economia. São já conhecidos dois nomes do Ministério de Álvaro Santos Pereira: o social-democrata Almeida Henriques, que ficará como secretário de Estado adjunto e da Economia, e o independente Pedro Martins, responsável pelo Emprego.
Marcelo Rebelo de Sousa "ligeiramente preocupado" com secretários de estado: Estas são escolhas preocupantes, disse o professor Marcelo no seu habitual comentário na TVI. “Na Economia fico ligeiramente preocupado e fico ligeiramente preocupado porque o nível geral dos secretários de Estado é pouca coisa para um ministro que vem de fora”, disse. Também a escolha de Marco António Costa para a Secretaria de Estado da Segurança Social é contestada por Marcelo Rebelo de Sousa. O ex-líder do PSD esperava que Passos Coelho separasse as águas entre o partido e o Governo, mas não o fez quando escolheu Miguel Relvas para ministro dos Assuntos Parlamentares e voltou a repetir o erro ao escolher um vice-presidente do partido para as funções de secretário de Estado.
Marcelo Rebelo de Sousa contra partidarização do Governo: “Repito o que já disse sobre a ida de Miguel Relvas: é a ida de Marco António Costa para secretário de Estado da Segurança Social. Tinha ficado na minha cabeça a ideia de que Pedro Passos Coelho iria separar claramente a máquina do partido do Governo”, acrescenta. Marcelo Rebelo de Sousa acabou também por deixar uma notícia no seu comentário semanal: Bernardo Bairrão, administrador da TVI, vai ser secretário de Estado da Administração Interna. A posse dos secretários de Estado está marcada para terça-feira.
                                                                                                                  
Conferência de líderes agenda discussão do programa do Governo
                                                                                                 
O novo Execitivo, de maioria PSD/CDS-PP, tomou posse na terça-feira, dia 21 de Junho, e vai iniciar hoje a discussão do programa do Governo, sendo hoje agendada na primeira conferência de líderes da XII Legislatura. A sessão é presidida pela nova presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves. Além do agendamento das sessões plenárias para apreciação do programa do XIX Governo Constitucional, a conferência de líderes irá ainda definir o número, competências e composição das comissões parlamentares permanentes da nova Legislatura. A conferência vai ainda fixar também as grelhas de tempo de intervenção para a XII Legislatura e marcará a eleição para os cargos externos à Assembleia da República. De acordo com o número 1 do artigo 192 da Constituição "o programa do Governo é submetido à apreciação da Assembleia da República, através de uma declaração do primeiro-ministro, no prazo máximo de dez dias após a sua nomeação".
                                                                                             
FMI prevê recessão profunda já este ano e forte quebra no poder de compra
                                                                                                           
Documento data de 17 de Maio e traça um cenário macroeconómico gravoso para Portugal. O FMI revê em baixa o cenário macroeconómico para Portugal. A recessão será mais profunda já este ano e o poder de compra dos portugueses vai sofrer uma forte quebra nos próximos anos. A inflação vai atingir, este ano, e segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional, os 3,5% - ou seja, mais do dobro do valor registado no ano passado. Em 2012, ainda deve ultrapassar os 2%. Com salários e pensões congeladas, prevê-se assim uma forte quebra do poder de compra dos portugueses nos próximos anos. O produto (PIB) deve reduzir-se 2,2%, contra os previstos 1,5% no relatório de Abril do próprio FMI. A queda de actividade será, no próximo ano, de 1,8%, mais do triplo da anterior previsão. Em relação à dívida pública, espera-se também um forte agravamento. Depois de um salto de 93% para 106% ainda em 2011, o indicador irá agravar-se até 2013, ultrapassando então os 115,3%, para só começar a descer a partir de 2015. Quanto à taxa de desemprego, ultrapassará, já este ano, os 12% e deve atingir os 13,4% em 2012 (um ponto acima da última previsão), mantendo-se quase ao mesmo nível em 2013. Os dados constam do relatório do FMI datado de 17 de Maio e anexado ao memorando de entendimento estabelecido para a ajuda externa a Portugal.
Consenso político permanente é essencial: No texto que faz o diagnóstico da situação económica em Portugal e acompanha o programa de ajuda financeira admitem-se vários riscos que podem vir a comprometer a eficácia do resgate. Desde logo, a possibilidade de o programa acordado não ser suficiente para pôr fim à crise da dívida soberana, com “impacto desfavorável sobre as perspectivas de financiamento do Governo”. Alerta-se ainda para o risco de um menor crescimento económico em relação ao previsto poder tornar as projecções de aumento da dívida ainda piores. Para o FMI, sem o necessário suporte social e o consenso político permanente, poderá ainda estar em risco o próprio objectivo de consolidação das contas públicas.
O problema do aumento do rácio da dívida público: Na opinião de Graça Franco, directora de informação da Renascença e especialista em assuntos económicos, o dado mais preocupante é o aumento do rácio da dívida para valores muitíssimo elevados. Sublinhando que “este relatório corresponde ao cenário macroeconómico subjacente à ajuda” (“faz o enquadramento e previsões que decorrem da aplicação deste programa”), a jornalista lamenta o facto do país estar a conhecer “o programa às fatias”. Uma das soluções para a crise da dívida é, na opinião de Miguel Cadilhe a criação de um imposto extraordinário, aplicado uma só vez, sobre a riqueza líquida. “A medida que Cadilhe propõe iria ao encontro da necessidade de fazer face a este rácio da dívida pública, mas tem custos políticos muito altos. Não está previsto no programa e duvido que venha a estar sobre a mesa”, considera Graça Franco.
                                                                                           
Comprar português não é fácil e sai mais caro
                                                                                                                  
Numa lista de compras básica, comprar exclusivamente produtos nacionais sai 33% mais caro ao bolso dos consumidores quando comparado com o cabaz equivalente mais barato. Em tempo de crise e de escassez financeira, não é fácil cumprir a vontade de comprar português. Saindo determinado em direcção a um hipermercado (o ponto de venda em causa faz parte do grupo Sonae) com uma lista de compras, que foi distribuída por dois carrinhos: um exclusivamente com produtos portugueses, outro com os produtos mais baratos que se encontram nas prateleiras.
Primeira conclusão: comprar português sai mais caro. A factura do carrinho nacional foi de 80,04 euros, ao passo que o carrinho mais barato ficou-se pelos 60,84 euros. A grande diferença é que a maioria dos produtos que ficou no carrinho mais em conta é de marca branca. No rótulo destes produtos lê-se “Fabricado na União Europeia”, o que, em bom rigor, até pode significar que é fabricado em Portugal. Tentou-se obter esclarecimentos junto da Sonae sobre a origem destes produtos, mas até agora essa informação não foi disponibilizada. Segunda conclusão: mesmo com muito esforço, é difícil saber se o consumidor está ou não a comprar produtos nacionais. Não são muitos os produtos que ostentam o selo “Compre o que é Nosso” ou aqueles que explicitamente referem que é “made in” Portugal. Na maioria dos casos, dá-se a volta às embalagens, encontram-se moradas portuguesas dos distribuidores, mas não se sabe se a origem do produto é nacional. A excepção é composta pelos legumes e pelas frutas- nestes casos, a origem dos produtos está bem explícita. E aqui as notícias são boas: a maior parte dos legumes e frutas mais baratos são portugueses. Apenas as cebolas e as bananas nacionais são ultrapassadas pelas estrangeiras. Nota ainda para os alhos, feijão verde, pimento e ananás. Nestes produtos, o cliente não tinha escolha: ou levava alhos espanhóis, feijão verde marroquino, pimentos espanhóis e ananases equatorianos ou ficava de mãos a abanar.
                                                                                            
Marcas brancas vão poder usar selo "Compro o que é Nosso"
                                                                                                               
A Associação Empresarial Portugal (AEP) diz que há cada vez mais marcas interessadas em tornar visível a portugalidade dos produtos porque os clientes estão a valorizar o que é nacional. Actualmente, quase três mil marcas fazem parte do projecto "Compro o que é Nosso". O comportamento dos consumidores está a mudar. Cada vez mais, os clientes querem comprar português. Está, por isso, aberto o caminho para que o selo "Compro o que é Nosso" seja cada vez mais visível e em breve vai estar até nos produtos de marca branca que sejam portugueses. São revelações feitas à Renascença por Paulo Nunes de Almeida, vice-presidente da Associação Empresarial de Portugal.
                                                                                                         
Porque é tão difícil para os consumidores ter a certeza que estão a comprar produtos portugueses?
Os consumidores mudaram de mentalidade. Agora saber que é português vende mais. Quando nós iniciámos o "Compro o que é Nosso" há quatro anos, nós tínhamos consciência que este projecto iria implicar uma profunda alteração cultural, porque, se calhar, há quatro anos atrás, o que vendia era o produto ser importado - nós não valorizávamos aquilo que era português. As coisas felizmente alteraram-se e hoje o que sentimos é precisamente o contrário. Acontece que só agora é que grande parte das cadeias de distribuição ou algumas marcas perceberam que esse factor adicional de informação vende, ajuda a vender. Por isso é que neste momento estamos a ver muitas marcas a aderir ao "Compro o que é Nosso", estamos a ver cada vez mais marcas a colocar na sua embalagem o nosso logótipo ou qualquer outra indicação relativamente à portugalidade.
                                                                                                    
As chamadas marcas brancas podem levar o selo "Compro o que é Nosso"?
Sim. No âmbito do "Compro o que é Nosso", nós não só aceitamos como aderentes marcas de empresa portuguesas que geram valor acrescentado em Portugal, como também abrimos a possibilidade de as cadeias de distribuição poderem colocar nos produtos de marca branca o nosso logótipo, desde que esses produtos sejam comprados a fabricantes portugueses. Esse, de facto, parece ser o caminho. Hoje, nós sabemos que, na grande distribuição, o peso das marcas brancas relativamente ao total das marcas vendidas é cada vez maior e, se calhar, ainda vai crescer, tendo em conta o período difícil sob o ponto de vista económico e financeiro que estamos e vamos continuar a atravessar. Foi nesse sentido que concretizamos um protocolo entre a Associação Empresarial de Portugal (AEP) e a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que, por um lado, tenta sensibilizar as grandes cadeias de distribuição a comprarem cada vez mais em Portugal - desde que encontrem em Portugal fornecedores com qualidade para esse produto ou serviço -, mas também que, de alguma forma, dêem visibilidade ao nosso projecto, colocado nas embalagens o logótipo, desde que ele possa ser usado.
                                                                                                          
Quando é que isso poderá acontecer?
Há processos de alteração a nível de rotulagem e de etiquetagem que não se mudam numa semana, nem se mudam num mês. Agora o que eu tenho a certeza é que neste momento existe não só por parte da APED, mas acima de tudo pela grande maioria dos seus associados, uma vontade que isso aconteça. Há aqui uma guerra comercial e as pessoas têm cada vez mais de usar factores discriminativos que ajudem a vender cada vez mais. Não tenho a mínima dúvida que a visibilidade do produto ser português vai ser cada vez maior e os portugueses vão ter cada vez mais uma opção consciente de compra.
                                                                  
Actualmente, há muitos produtos de marca branca a ser produzidos em Portugal?
Eu não tenho essa informação, mas sei, por exemplo, que algumas grandes cadeias de distribuição, e podemos citar o exemplo do Continente, que tem um "Clube de Produtores" com produtores nacionais. Portanto, eu não tenho a mínima dúvida que, hoje, grande parte das marcas brancas é produzida em Portugal. O que falta é assinalar essa origem e acho que neste momento todos temos interesse que isso aconteça.
                                                                                                                          
Hospitais públicos perdem 46 cirurgiões e 20 ortopedistas num só ano
                                                                                                                            
A pediatria, por seu lado, ganhou 26 profissionais em 2009. Os hospitais públicos perderam, num ano, 46 cirurgiões, 20 ortopedistas e 13 otorrinos, as especialidades que mais clínicos viram sair, segundo um relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS), relativo a 2009. O documento mostra que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) tinham, em 2009, quase mais 300 médicos do que no ano anterior, mas muitas especialidades perderam clínicos. É o caso da cirurgia geral (que ficou com menos 46 especialistas), da ortopedia (menos 20), da dermatologia (menos 12 médicos) e da psiquiatria (menos 17). Obstetrícia, gastrenterologia, medicina interna, oftalmologia, otorrino e urologia são as outras especialidades que ficaram com menos clínicos. Para um saldo positivo contribui a pediatria, que ganhou 26 profissionais, e a pneumologia, com mais 17 especialistas. A cardiologia manteve os seus 411 médicos. Segundo o documento da DGS, houve um acréscimo de 47 especialistas, mas em áreas que não são as mais procuradas e que não surgem especificadas no documento. Além disso, para o saldo positivo de médicos por especialidade contam também os médicos do internato. Já os enfermeiros registaram um acréscimo significativo nos hospitais públicos, com mais 1.021 profissionais em 2009, com crescimento em todas as áreas: cirurgia, saúde infantil, obstetrícia e saúde mental e psiquiátrica.
                                                                                                               
Portugueses esperam quase um ano por uma consulta no hospital
                                                                                                              
Em termos globais, é o Hospital do Barlavento Algarvio que mostra pior desempenho. O relatório da Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde destaca dados de 2010, mas vira-se também para o futuro e alerta: é importante que cada um seja mais responsável pela sua saúde e pela maneira como usa o sistema público. Por especialidade médica, o relatório aponta casos extremos de espera: 1.321 dias para uma consulta de ginecologia no hospital de Santarém e 1.200 dias para uma consulta de cardiologia no hospital de S. João, no Porto.
Só 45% dos portugueses que esperavam por uma consulta de especialidade em 2010 é que acabaram por consegui-la. O relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, que hoje vai ser apresentado, revela como é difícil aceder a consultas hospitalares dentro dos prazos que a lei prevê. A demora média ronda os 361 dias – praticamente um ano. Em termos globais, foi, no entanto, o Hospital do Barlavento Algarvio que mostrou pior desempenho, com tempos máximos de resposta a rondar os três anos para consultas de psiquiatria, cardiologia e otorrino-laringologia. O ano de 2011 começou com quase um milhão e meio de portugueses inscritos para uma consulta de especialidade hospitalar. Quase um milhão entrou para a lista em 2010 e mais de 400 mil já lá estavam em 2009 - isto porque no ano anterior só 627 mil utentes conseguiram ser atendidos. O lado bom é que a maioria destas consultas (69%) respeitou os prazos máximos previstos por lei. Considera-se que uma situação normal pode esperar cinco meses por uma consulta de especialidade. Já os casos muito prioritários devem ser consultados no espaço máximo de um mês. Curiosamente, diz o relatório, é aqui que, em todas as regiões do país, há mais demoras: até final do ano passado, no Algarve, os doentes considerados muito prioritários esperavam em média 636 dias, enquanto os de Lisboa tinham pela frente um ano de espera.
Crise e responsabilidade na saúde: Estas conclusões constam do relatório da Primavera do Observatório dos Sistemas de Saúde, que aponta os riscos implícitos nas medidas da “troika” e sublinha que o envolvimento dos cidadãos de forma activa e informada será determinante. O documento refere que é preciso discutir e fundamentar as medidas a tomar – e é preciso fazê-lo com transparência. É também crucial, defende o texto, que cada um seja mais responsável pela sua saúde e pela maneira como usa – ou abusa, por vezes – do sistema público. Novos cortes num sector que já este ano perde 13% do seu orçamento torna todo e qualquer passo particularmente sensível para não deixar pelo caminho os mais vulneráveis. Um exemplo: usar as taxas moderadoras para aplicar na prática co-pagamentos dos serviços de saúde consoante os rendimentos é considerado um passo arriscado, sugerido pela “troika”, mas não obrigatório.
Aliás, diz o relatório, já se segue nesse sentido, por exemplo, com o corte no transporte dos doentes, que ameaça interromper tratamentos e afastar muitos utentes dos serviços, ou no corte do salário aos médicos, que pode agravar a fuga para o sector privado, para a reforma ou para fazerem cirurgias no sector privado e social, onde a sua remuneração não será afectada. O documento revela também um receio muito claro quanto à capacidade do futuro Governo para enfrentar os poderosos grupos de interesses económicos e profissionais que marcam o sector da saúde. Diz-se que pode haver a tentação de substituir algumas medidas por outras aparentemente mais fáceis, mas, no final, mais caras para as pessoas – não só porque tornarão mais difícil o acesso universal a cuidados, como aumentarão a carga fiscal dos contribuintes. O relatório sublinha, por outro lado, o que o memorando da “troika” não refere, mas considera essencial - a necessidade de proteger de imediato os mais vulneráveis, a manutenção do investimento nos cuidados continuados numa sociedade cada vez mais envelhecida ou a urgência de medidas de prevenção e promoção da saúde, que também podem evitar muitos gastos.
                                                                                                                
Cantor Angélico mantém prognóstico "muito reservado"
                                                                                                                                      
Antigo vocalista dos D'Zrt, de 28 anos, sofreu um acidente de viação na A1, no qual perdeu parte da massa encefálica. Jornais revelam que está em "morte cerebral", e que a mãe "pede um milagre". O cantor e actor Angélico Vieira, que sábado sofreu um grave acidente de viação, continua internado no Hospital Santo António, Porto, com "prognóstico muito reservado". A chefe de equipa do Serviço Urgência do Santo António disse hoje que o antigo vocalista dos D'Zrt, de 28 anos, "continua internado na Unidade de Cuidados Intensivos e o prognóstico é muito reservado, já que o cantor perdeu parte da massa encefálica no aparatoso acidente". Na mesma Unidade de Cuidados Intensivos encontra-se uma rapariga de 17 anos que ficou também gravemente ferida no acidente. O acidente ocorreu cerca das 3h15 de sábado ao quilómetro 258 da auto-estrada A1, no sentido Porto-Lisboa, junto à saída para Estarreja, tendo resultado num morto, dois feridos graves e um ferido ligeiro.
                                                                                                                 
                                                                                                               
                                                                                                                               

quarta-feira, 30 de março de 2011

80 mil milhões de euros para os próximos... 3 anos

Reestruturar a dívida em vez de pedir resgate "protege os contribuintes"
                                                                                                      
Raoul Ruparel, analista britânico do Open Europe, acredita que esta é a melhor opção, porque, desta forma, a factura era repartida também pelos investidores e não só pelos contribuintes europeus.
                                                   
Portugal é apontado como o próximo país europeu a recorrer ao Fundo de Estabilização e ao Fundo Monetário Internacional. O Open Europe, um grupo de trabalho independente que pretende contribuir para o debate sobre o futuro da União Europeia, afirma que o país precisa de uma ajuda entre os 70 e os 80 mil milhões. No entanto, Raoul Ruparel, analista britânico do Open Europe, acredita que é preferível reestruturar a dívida, em vez de Portugal pedir ajuda externa. Em entrevista à Lusa, defende que, desta forma, a factura era repartida também pelos investidores e não só pelos contribuintes europeus. "Nós concordamos que o melhor para Portugal, no longo prazo, seria reestruturar a dívida. Apesar de um resgate permitir cobrir os custos por alguns anos, não resolve os problemas", sustenta Raoul Ruparel.
                                              
Portugal parece ser o próximo país a ser resgatado pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional. De quanto dinheiro precisa o país?
De acordo com a nossa pesquisa, um resgate teria de ser entre os 70 e 80 mil milhões de euros. É uma quantia elevada, mas ajudaria Portugal a cobrir os custos de financiamento para os próximos três anos.
                                                                         
E seria suficiente?             
Em princípio sim. É difícil de dizer. Tudo depende de factores variáveis, como o crescimento económico e quão efectiva será a reforma e cortes nas despesas e o aumento de impostos. Mas, geralmente, olhando para os custos em termos de dívida, os 80 mil milhões seriam suficientes para três anos.
                                                                 
Apesar disso, o Open Europe argumenta que um resgate não iria resolver os problemas de fundo. É melhor para Portugal reestruturar a dívida?
Nós concordamos que o melhor para Portugal, no longo prazo, seria reestruturar a dívida. Apesar de um resgate permitir cobrir os custos por alguns anos, não resolve nenhum dos problemas. O peso da dívida continuará a ser alto e Portugal continuará a ter problemas de competitividade e terá problemas na zona euro, por não ser uma economia tão forte como a alemã. Uma reestruturação permitiria ao Governo mais espaço de manobra para melhorar a economia e fazer reformas centradas no crescimento em vez de corte da despesa.
                                                                             
E como é que isso se faz?
Obviamente que reestruturação precisa da cooperação do sector financeiro. A União Europeia e o Fundo Monetário Internacional precisavam de apresentar um plano com o que precisa de ser reestruturado. Muitas das reestruturações situam-se entre os 25% e os 35% da dívida a ser reestruturada. Nós pensamos que seria um valor nesse intervalo. Depois disso, as verdadeiras reformas virão daquilo que o Governo ou o novo Governo entenderem ser a melhor forma de promover o crescimento em Portugal.
                                                                                 
Quais são as vantagens de um resgate?
Um resgate vai afastar o receio que existe nos mercados, porque não está a transferir perdas para os investidores e detentores da dívida. Outro dos benefícios é dar alívio para os próximos anos, de forma a cobrir os custos de financiamento. Mas isso também é verdade para a reestruturação da dívida.
                                                                                 
E quais são então as vantagens da reestruturação?
A maior vantagem parece ser que os custos exigidos aos contribuintes passam para os investidores, ao passo que um resgate será financiado pela União Europeia, que é, por sua vez, financiada pelos contribuintes europeus. Os contribuintes europeus estão basicamente a resgatar Portugal, o que não é o ideal. E, num tempo em que os contribuintes estão a sofrer cortes e medidas de austeridade, parece um pouco injusto pedir-lhes que façam isso. Ao invés disso, e com a reestruturação da dívida, os custos seriam impostos aos investidores, que assumiram o risco ao comprar a Portugal e a outros países nesta situação. Ajudará também a resolver problemas a longo prazo, reduzindo a factura da dívida e permitindo ao Governo concentrar-se no crescimento e não nos cortes da despesa.
                                                                                              
Quando poderá Portugal recorrer ao resgate?
A grande questão é saber que poder e legitimidade é que tem Governo de gestão, antes das eleições acontecerem. Mas há outras opções. O Banco Central Europeu pode dar um empréstimo de curto prazo até haver novo Governo. De outra perspectiva, parece que, em Junho, Portugal deve pedir um resgate, porque não consegue financiar-se. É o limite até onde consegue esperar, mas quanto mais cedo, melhor, porque os custos estão sempre a subir.
                                                                                    
A situação espanhola é muito diferente da portuguesa?
Acreditamos que a situação espanhola é muito diferente. Embora os dois países estejam muito relacionados como parceiros de negócios, os sectores financeiros estão muito expostos um ao outro - os bancos espanhóis têm grande presença em Portugal. Mas a Espanha tem uma economia enorme e diversa. O problema de solvabilidade e os problemas na construção e no sistema financeiro não são tão grandes como em Portugal. A Espanha está a tomar as medidas certas e está a ir na direcção certa para evitar recorrer a um resgate. É uma situação um pouco melhor que em Portugal.
                                                             
Presidente do PS admite governo de salvação nacional em "último recurso"
                                                                                                    
Almeida Santos não tem "boas recordações de uma solução dessas", mas admite-a se não houver maioria parlamentar. O presidente do PS, Almeida Santos, admite que poderá ter de se formar um governo de salvação nacional, na eventualidade de as próximas eleições não garantirem uma maioria parlamentar ou um governo de coligação. "Se não houver uma maioria parlamentar... se houver, não se justifica", disse o histórico socialista aos jornalistas, no final da cerimónia de doutoramento "honoris causa" que a Universidade de Coimbra atribuiu hoje ao ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente do PS ressalvou ainda que, num cenário de não haver maioria parlamentar - e antes de se passar para um governo de salvação nacional -, terá de se ver as possibilidades de se formar um governo de coligação. O socialista recordou que "sempre que um país passa por dificuldades políticas, vem à ideia um governo de salvação nacional" e confessou que não tem "grande memória de um governo de salvação nacional".
                                                                                      
Portugal "está em condições" de pagar dívida que vence em 2011
                                                                                                            
Secretário de Estado avisa que pedir ajuda externa implica que o país ficará fora dos mercados durante cinco anos, piorando as condições para o sector privado, empresas e famílias. Portugal "está em condições" de pagar a dívida que vence este ano. A garantia é avançada pelo secretário de Estado do Tesouro, Costa Pina, numa resposta escrita à agência Bloomberg. O país conseguirá cumprir “os reembolsos de dívida previstos para 2011, especialmente os agendados para Abril e Junho”, garantiu. Costa Pina avisa, contudo, que se o país pedir ajuda externa, ficará fora dos mercados durante cinco anos, piorando as condições financeiras para o sector privado, empresas e famílias. O secretário de Estado repete ainda que Portugal terá que fazer tudo o que for possível para evitar um pedido de ajuda externa. “É incompreensível que todos estejam contra tudo, sem apresentarem medidas alternativas”, criticou Costa Pina, nas declarações que fez à Bloomberg.
                                                                   
António Barreto defende auditoria às contas antes das eleições
                                                                                                            
O sociólogo sublinha que, em vésperas de eleições, fugir à transparência é, além de tudo, uma deslealdade para com os cidadãos. O sociólogo António Barreto continua a insistir na necessidade de se fazer uma auditoria às contas públicas antes das eleições. Esta tarde, em declarações à Renascença, António Barreto lamentou que diversos responsáveis políticos rejeitem a auditoria com o argumento de "dar mau sinal" aos mercados. Para o presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, esse não é um argumento nem moral, nem político. “O único argumento que ouvi repetidas vezes, para meu desgosto, é que, em caso de auditoria, ia-se descobrir coisas ainda piores do que as que estão. Não é um argumento nem moral, nem político. Com este argumento já se está a dar a indicação de que há coisas piores que estão escondidas”, afirma o sociólogo. Muito contundente, António Barreto lembra que não auditar as contas públicas ainda pode dar pior sinal aos mercados financeiros sobre a situação do país.
Não auditar as contas públicas ainda pode dar pior sinal aos mercados. “Damos um mau sinal ao mercado, porque aquilo que dizemos é que temos algo a esconder e o mercado desconfia. Se nós descobríssemos um défice ainda pior do que temos, escondê-lo, e saber-se lá fora que está a ser escondido, é pior sinal ainda, porque a desconfiança ainda é mais grave”, alerta. À margem do lançamento do livro de Vítor Bento, “Economia, Moral e Política”, António Barreto sublinhou que os princípios da acção democrática são válidos em tempos de paz ou de guerra e de prosperidade ou de crise. Em vésperas de eleições, o sociólogo fez um apelo à lealdade. “Se nós estamos em crise, é indispensável reforçar ainda mais os critérios de transparência e informação. Em vésperas de eleições, a todos estes critérios, que são critérios teóricos e universais, acrescenta-se um, que é a lealdade para com o povo”, explica. António Barreto considera que “se este princípio [o da lealdade] não for satisfeito, se não haver nenhuma tentativa de dar mais informação aos cidadãos, eu estou convencido que a abstenção continua e que esta espécie de irritação ou de cólera que há relativamente ao sistema político e democrático" vai aumentar.
                                                                              
Desemprego entre os jovens está acima dos 25% no Norte
                                                                                                                
Presidente da Associação Industrial do Minho diz que esta taxa de desemprego é o resultado de “políticas públicas pouco assertivas” e põe em causa a “sustentabilidade da região” Norte. A taxa de desemprego dos jovens ultrapassou os 25% no Norte do país, indica o relatório de conjuntura da Comissão de Coordenação da Região Norte. Os dados são relativos ao último trimestre de 2010 e confirmam a tendência de aumento dos últimos anos. Em 2002, por exemplo, a taxa era de 7%. A taxa de desemprego dos jovens a nível nacional situa-se, nesta altura, nos 23%. António Marques, presidente da Associação Industrial do Minho, diz que esta taxa de desemprego é o resultado de “políticas públicas pouco assertivas” e põe em causa a “sustentabilidade da região” Norte. “Temos todos de reflectir muito sobre isso e fazer, de imediato, alguma coisa para contrariar isso, porque se o não fizermos a região vai perder muito com isso e, quando a região Norte perde muito com isso, o país perde também muito com isso”, sublinha.
                                                                                                    
Consumidores confiam no futuro da economia. Empresários estão pessimistas
                                                                                                               
Dados do INE, divulgados hoje, ainda não terão em conta os recentes desenvolvimentos no plano político, nomeadamente a demissão do primeiro-ministro. Os empresários e os consumidores portugueses têm diferentes perspectivas sobre a economia nacional. Os homens de negócios não auguram um bom futuro, ao passo que os consumidores se mantêm optimistas, apesar da crise. Os dados foram apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e recolhidos até ao corrente mês, mas ainda não terão em conta os recentes desenvolvimentos no plano político, nomeadamente a demissão do primeiro-ministro. O indicador de clima económico voltou a cair no mês de Março, uma tendência que se mantém desde Julho do ano passado. Por sectores, os indicadores de confiança estão em queda em todas as áreas, desde a indústria transformadora até à construção e obras públicas, passando pelo comércio e serviços. Uma tendência que contrasta com os dados recolhidos junto dos consumidores, cujos níveis de confiança em relação à economia aumentaram nos últimos dois meses, interrompendo o ciclo negativo iniciado em Novembro. Nesta recuperação destaca-se, segundo o INE, o optimismo quanto à descida do desemprego num futuro próximo.
                                                                                                
Oposição trava aumento dos limites de despesa pública
                                                                                                      
Partido Socialista acusa PSD de mudar de posição e de “voltar a dar uma enorme cambalhota”. A oposição travou hoje o decreto-lei que aumentava os limites para a autorização de despesa por parte do Estado, autarquias e empresas públicas. No final de um debate promovido pelos sociais-democratas, foram aprovados em conjunto, com os votos favoráveis de toda a oposição, quatro projectos de resolução do PSD, CDS-PP, Bloco de Esquerda e PCP, que prevêem a cessação da vigência do decreto-lei do Governo. O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, referiu que, com esta votação, ficam em vigor os anteriores limites para a autorização de despesa pública. “O PSD, que vem dizer cobras e lagartos deste decreto-lei, que aqui veio manifestar a sua indignação, o PSD votou a favor destas normas. O PSD hoje é um adversário de si próprio, tal como em outras matérias voltou hoje a dar outra enorme cambalhota”, acusou o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão.
O líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, critica o PS por ter “a lata de apontar o dedo aos partidos da oposição, em particular ao PSD”, “por responsabilidades que manifestamente não temos”. “Quem tem hoje que dar uma explicação ao país é o Partido Socialista e este Governo”, desafiou Miguel Macedo. O ministro Jorge Lacão voltou à carga para garantir que o decreto-lei não é inconstitucional, como alega o PCP, já que a autorização legislativa que o Governo invoca estava caducada à data da aprovação em conselho de ministros. Durante a apreciação parlamentar deste decreto-lei, toda a oposição contestou que se tratasse de uma actualização no valor correspondente à inflação acumulada desde 1999, assinalando que esta corresponde a 34% e que os limites de autorização de despesa foram aumentados em valores superiores. No caso do primeiro-ministro, o limite aumentou 40%, de 7,5 milhões para 11,250 milhões de euros. No caso dos directores-gerais e ministros, foi de 50%. No caso dos presidentes de câmara foi de 100%, apontaram os sociais-democratas. O debate encerrou com a oposição a insistir em conhecer os motivos do Governo para actualizar os limites de despesa nestes valores e com os socialistas a acusarem-na de formar uma "coligação negativa" para revogar aquilo que antes autorizou.
                                                 
Cavaco aplaudido, Sócrates apupado...
                                                                                                       
Na cerimónia “honoris causa” de Lula da Silva, o primeiro-ministro não quis falar sobre uma eventual ajuda do Brasil a Portugal. O Presidente da República e o primeiro-ministro assistiram hoje à cerimónia de doutoramento “honoris causa” do antigo chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva, e tiveram recepções diferentes. O Chefe de Estado foi aplaudido, enquanto o chefe de Governo demissionário foi assobiado por estudantes e populares em Coimbra. Sócrates reagiu com acenos e sorrisos. Aos jornalistas, o primeiro-ministro deixou elogios a Lula da Silva, remetendo para outra altura eventuais comentários sobre a ajuda externa económica em Portugal. “A questão não é ajudar ou deixar de ajudar. Vejamos isto numa perspectiva histórica e saibamos estar à altura dessa história e não estar sempre a falar da conjuntura e daquilo que é o dia de hoje”, disse. O país continua a atravessar uma crise política. O Governo de José Sócrates está demissionário, depois do chumbo do PEC 4 no Parlamento. O Presidente da República ainda não aceitou formalmente a demissão e vai amanhã reunir o Conselho de Estado para analisar a dissolução da Assembleia da República.