Liberdade e o Direito de Expressão

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O diabo entrou no Vaticano...

CONSPIRAÇÃO PARA MATAR O PAPA NESTE APOCALÍPTICO 2012
                                                                                                                                   
Ratzinger fazendo a saudação nazi enquanto jovem, durante uma missa 


Já há quem chame Vatileaks ao novo desaire do Vaticano. Nas últimas semanas têm chegado à imprensa italiana supostos documentos confidenciais da cúria romana que dão conta da existência de conspirações nos corredores da Santa Sé. Um deles aponta mesmo para um estranho complô com o objectivo de assassinar o Papa Bento XVI e o próprio jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, já escreveu que o Papa, prestes a completar 85 anos, se transformou num “pastor cercado por lobos”. O primeiro golpe – como lhe chama o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi – chegou através do jornal “Il Fatto Quotidiano”, que divulgou uma carta do cardeal colombiano Darío Hoyos endereçada ao Papa. Na missiva, escrita em alemão e enviada para o Vaticano a 31 de Dezembro com o selo de “estritamente confidencial”, o cardeal avisa Bento XVI de que uma conspiração estaria a ganhar forma dentro da cúria. Darío conta que, durante uma viagem à China, em Novembro do ano passado, o arcebispo siciliano de Palermo, Paolo Romeo, terá garantido que o Papa morreria “nos próximos 12 meses”. A intriga estender-se-ia também ao número dois da Santa Sé, o secretário de Estado Tarcisio Bertone.
Na carta, o colombiano alerta para “o grave perigo que corre o santo padre” e conta que o objectivo da conspiração será fazer chegar o actual arcebispo de Milão, o cardeal Angelo Scola, ao topo da Igreja. A carta está dividida em três partes. Na primeira, intitulada “Viagem a Pequim”, Darío fala no à-vontade com que o arcebispo terá contado detalhes da suposta conspiração. A segunda, com o título “O secretário de Estado Tarcisio Bertone”, faz alusão aos confrontos frequentes entre o Papa e o seu número dois – que, garante a imprensa italiana, tem arranjado diversos inimigos nos últimos seis anos. Na última parte, “A sucessão do Papa Bento XVI”, Darío revela que Scola deverá ser o novo líder da Igreja. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, já veio a público desvalorizar o assunto, afirmando que se “trata de divagações que não devem, de modo algum, ser levadas a sério”. Certo é que o arcebispo de Palermo já tem antecedentes: em 2006 tentou a nomeação para presidente da Conferência Episcopal Italiana, promovendo mesmo uma consulta junto de todos os bispos para ser eleito. Mas no final acabaria por ser desautorizado publicamente por Bento XVI.
Dias antes da polémica carta, o canal de televisão italiano “La 7” divulgava uma outra, alegadamente escrita pelo arcebispo Carlo Viganó, actual núncio apostólico dos Estados Unidos. No documento, igualmente endereçado ao Papa, Viganó, que é também o responsável pelo Governatore da Santa Sé, denunciava casos de alegada “corrupção” dentro do Vaticano e chegava a pedir a demissão do cargo. Tanto quanto se sabe, Bento XVI não lhe terá respondido. O Vaticano já reagiu à divulgação dos documentos para dizer que existe um caso Vatileaks, com o intuito de descredibilizar a Igreja. Num comunicado lido na Rádio Vaticano, Lombardi, porta-voz da Santa Sé, pediu “calma e sangue frio”. “O governo americano teve o Wikileaks e o Vaticano tem agora a sua Vatileaks, as suas fugas de documentos, que pretendem gerar confusão e dar uma má imagem do Vaticano e do governo da Igreja”, acrescentou. Lombardi aproveitou o tempo de antena para avisar “aqueles que acreditam conseguir abalar a Igreja com intrigas” de que estão “muito enganados” e lembrou ainda que é “muito natural” que existam “posições diferentes e diversificadas” dentro do governo da Igreja. os Lobos de púrpura Depois do consistório deste fim-de-semana, em que foram proclamados 22 novos cardeais, o Vaticano tem a pesada tarefa de limpar as consequências de um novo escândalo junto da opinião pública.
O alegado complô para assassinar Bento XVI vem pôr a descoberto as lutas de poder dentro da cúria romana – onde muitos parecem ansiosos pelo fim do papado de Bento XVI, debilitado e prestes a fazer 85 anos. As motivações dos “lobos vestidos de púrpura” para fazer cair o Papa são as mais diversas: desde 1978 que o maior lugar da Igreja não é ocupado por um italiano e alguns cardeais entendem que chegou a hora de isso acontecer; outros consideram que Ratzinger foi longe de mais ao tentar promover a transparência dos dinheiros da Igreja (ver texto ao lado) e cortar na permissividade em relação aos abusos sexuais de menores entre o clero. Demasiadas ambições para um octogenário introvertido, doente e cada vez mais sozinho, tendo em conta os confrontos com o seu número dois. A jogar contra o actual Papa está ainda ser muito diferente do seu antecessor, João Paulo II, o Papa polaco que durante 26 anos foi muito hábil em matéria de diplomacia e relações públicas dentro da Igreja. Conta-se que o anterior Papa, João Paulo II, foi uma vez questionado sobre quantas pessoas trabalhavam no Vaticano. “Mais ou menos metade”, respondeu ironicamente. Já Ratzinger tem sido visto como uma figura introvertida e obstinada.
Há dois anos, Bento XVI dizia, numa entrevista ao seu jornalista favorito, o alemão Peter Seewald, que quando um Papa “tem a clara consciência de que não está bem física e espiritualmente para levar adiante a função que lhe foi confiada, tem o direito e, em algumas circunstâncias, o dever de se demitir”. Por isso também já há quem especule, em Roma, que Bento XVI pensa demitir-se em Abril – mês em que completa 85 anos de vida e sete de pontificado. Por enquanto, a secretaria de Estado do Vaticano está empenhada em descobrir os autores das alegadas fugas de informação. Mas para alguns jornalistas vaticanistas é certo que os responsáveis fazem parte de uma ala obscura do Vaticano que não estará particularmente interessada em que se faça uma limpeza às contas do banco da Santa Sé – algo em que o Papa Bento XVI parece estar fortemente empenhado nos últimos tempos. As fugas de informação referentes a este caso referem ainda as ligações do banco do Vaticano, o Instituto de Obras Religiosas (IOR), ao fecho do Banco Ambrosiano, há cerca de 30 anos. O IOR já garantiu que se vai adaptar às regras da União Europeia sobre transparência financeira até Junho. (in, Jornal i)
                                                                                                       
                                                                                   
                                                                                                                       

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Religião e Tolerância

Portugal é dos países mais receptivos ao Islão
                                                                                                                                        
Estudo revela que a maioria dos portugueses não conhece nenhum muçulmano, mas diz não ter razões para os temer. Casos de violência anti-cristã na Europa estão em evidência.
                                                   
Portugal é dos países que mais bem recebe os muçulmanos na Europa e cujos habitantes têm uma visão mais positiva dos praticantes do Islão, revela um estudo levado a cabo pela Universidade de Munique. Em praticamente todas as áreas de análise, Portugal é o país que fica mais bem visto em termos de integração e ausência de preconceitos. Por exemplo, os portugueses são os que mais consideram que o Islão tem lugar no mundo ocidental - 36% respondem favoravelmente, bem acima dos 20% de alemães de leste que consideram o mesmo.
Os portugueses são também os que têm menor imagem negativa dos muçulmanos de todos os países sondados, abaixo dos 34%. Tanto a Alemanha ocidental como oriental registam valores acima dos 50%. Vinte por centos dos portugueses têm uma imagem negativa dos judeus e cerca de 16% em relação a hindus e budistas. No que diz respeito ao apoio à construção de mesquitas e de minaretes, um assunto que tem estado na ordem do dia a nível internacional, os portugueses são também os mais abertos. Mais de 73% vêem com bons olhos a construção de mesquitas. Para os minaretes, os números descem para os 53,4%, mas ainda assim são os mais altos dos países inquiridos.
Curiosamente, os portugueses são também os que revelam conhecer menos muçulmanos. Mais de 74% afirmam que não conhecem nenhum, com menos de 15% a afirmar que conhecem muitos ou poucos. No plano mais geral, e embora pareça contraditório, 52% dos portugueses inquiridos considera que o pluralismo religioso constitui uma ameaça, mas mais de 81% considera que constitui também uma fonte de enriquecimento cultural. O estudo analisou as atitudes de habitantes de cinco países: Portugal, França, Dinamarca, Holanda e Alemanha (dividida entre leste e ocidente).
                                                                                         
Alemanha não tem Islão a mais, mas Cristianismo a menos
                                                                                                
Cristãos Democratas preparam-se para passar resolução que consagra as raízes judaico-cristãs da Alemanha. A Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, recebeu um estrondoso aplauso do Congresso do seu partido, a União Democrata Cristã, ao anunciar que o problema da Alemanha não passa por um excesso de Islão, mas sim de uma escassez de Cristianismo. O comentário de Merkel surge no contexto de um debate alargado sobre a identidade alemã, o lugar dos cerca de 4 milhões de muçulmanos na sociedade e o multiculturalismo, um projecto que a Chanceler considera ter falhado. “Não temos demasiado Islão, temos pouco Cristianismo. Temos poucas discussões sobre a visão cristã da humanidade”, afirmou a política, que em diversas ocasiões já manifestou publicamente a sua fé cristã.
A Alemanha precisa de mais debate sobre “os valores que nos guiam e a nossa tradição judaico-cristã. Temos que realçar isto com confiança, então conseguiremos chegar à coesão na nossa sociedade”. As palavras de Merkel surgem numa altura em que foi tornado público que o seu partido quer passar uma resolução a consagrar a identidade judaico-cristã da Alemanha. Uma medida que não significa a exclusão dos muçulmanos, insiste a chanceler. “Esperamos que aqueles que venham para cá a respeitem [a tradição judaico-cristã], mantendo todavia a sua identidade pessoal”. A liberdade religiosa não está em causa, adianta Merkel, que aproveitou para deixar uma mensagem sobre as minorias cristãs em países de maioria islâmica, ao dizer: “Claro que somos pela liberdade de cada um praticar a sua fé. Mas a liberdade cristã não pode parar nas nossas fronteiras. Isto aplica-se também a cristãos noutros países do mundo”.
                                                                                   
Relatório denuncia casos de violência anti-cristã na Europa
                                                                                                                                   
Portugal referido por causa da edição da Playboy com imagens de Jesus na capa. Vários incidentes, incluindo discriminação no local de trabalho, leis prejudiciais aos cristãos e ataques violentos, vitimaram cristãos ao longo dos últimos cinco anos na Europa. As conclusões encontram-se no relatório do Observatório de Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa, relativo ao período 2005 - 2010, publicado na passada sexta-feira.
Portugal merece apenas uma referência no relatório, nomeadamente a edição da versão portuguesa da Playboy que, supostamente em homenagem a José Saramago, publicou uma capa com uma imagem de Jesus na companhia de modelos semi-nuas. A publicação da revista resultou no seu encerramento e gerou críticas da empresa principal, sediada nos EUA.
Já Espanha aparece com cinco referências a casos concretos, incluindo a suspensão por 18 meses de um juiz que invocou objecção de consciência num caso de adopção por parte de um casal homossexual, a adopção de um modelo curricular alegadamente anti-cristão que levou 55 mil pais a recusar a inscrição dos seus filhos e uma multa de 100 mil euros imposta a um grupo de comunicação cristão por ter emitido anúncios a promover a família.
No que diz respeito a incidentes violentos, destaque para a agressão a activistas pró-vida em Viena, para o espancamento de um padre católico e outro ortodoxo na Alemanha e de quatro franciscanos em Itália.
                                                                                         

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Religião

Falta de vocações sacerdotais no Algarve
                                                                                                                                           
Oração de quinze dias para "pedir" mais padres para a região, 
terminou ontem. O final da jornada aconteceu na Igreja de S. Pedro, em Faro.
                                
A oração de quinze dias promovida pela Diocese do Algarve para "pedir" mais padres para a Igreja pode não dar "frutos imediatos" mas deverá suscitar os jovens a um "tempo de interpelação", diz um dos padres envolvidos na iniciativa. A prece de adoração ao Santíssimo Sacramento, que terminou ontem à noite em Faro, após duas semanas sem parar, tem como objetivo suscitar vocações para o sacerdócio numa região onde há carência de padres. "Bastantes jovens têm tido conhecimento da iniciativa, que não foi indiferente para os vários grupos ligado à Igreja, como as cataqueses", disse à Lusa Pedro Manuel, padre da Diocese do Algarve e diretor do secretariado das vocações da região.
O final da jornada aconteceu na Igreja de S. Pedro, em Faro, e o padre Pedro Manuel estima que estejam presentes pessoas das três paróquias da cidade, S. Pedro, Sé e S. Luís, assim como de outras cidades próximas. "Desde a primeira noite em Monchique que tem havido alguma adesão, especialmente no litoral, que não oferece grandes desafios pastorais", resume, acrescentando não conseguir prever ainda quantas dessas pessoas seguirão o sacerdócio.
Segundo Pedro Manuel, este conjunto de ações religiosas podem representar "o pontapé de saída" para um "tempo de interpelação", já que a vocação para o sacerdócio, defende, é "uma opção de felicidade". "Ninguém vai para o seminário por frustração, cansaço ou medo mas sim para se sentir mais feliz", sustenta, ressalvando que esta é uma oportunidade de "lançar o olhar para mais longe e questionar o que vale a pena".
Todos os católicos, desde professores, catequistas e alunos, grupos de cantores de coros e escuteiros estarão envolvidos na iniciativa, tendo até aqui se revezado dia e noite para manter o Lausperene (oração de adoração ao corpo do Senhor) ativo. O Algarve tem 75 sacerdotes e diáconos permanentes para as 80 paróquias da região e atualmente no Seminário de Faro há 15 rapazes, entre os 17 e os 30 anos, a estudarem Teologia e a prepararem-se para o sacerdócio.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Crise na Igreja Católica

Abusos de padres causam abandono maciço da Igreja

A poucos dias da chegada do Papa a Fátima, a igreja católica debate-se com uma das maiores crises de credibilidade da sua existência de dois mil anos. Em Portugal, a comunicação social faz gigantesca campanha para a mobilização de fiéis na visita a Portugal.

O escândalo de abusos de crianças está a levar centenas de fiéis católicos a virar costas à igreja e a deixarem de dar contributos voluntários destinados ao financiamento das comunidades religiosas. Números que foram divulgados este fim-de-semana por jornais europeus, mostram que a situação é muito dramática no Sul da Alemanha, sobretudo no estado da Baviera. Na diocese de Bamberg, onde havia duas a três centenas de desistências por mês, foram registadas 1.400 no mês passado. Na de Würzburg o aumento foi de 400 para um total de 1200.
Em Ratisbona, onde houve casos de maus tratos num coro dirigido pelo irmão do Papa Bento XVI, Georg Ratzinger, o número de baixas multiplicou-se por cinco. Em Augsburgo, onde pediu a demissão o bispo Walter Mixa, o número de fiéis que desistiram de frequentar a igreja desde o início do ano é de 4.300.
A Alemanha é um dos países que têm o chamado imposto da Igreja, ou seja, um empregado pode pedir ao patrão para destinar uma certa percentagem do seu rendimento à comunidade religiosa a que pertence. 8% a 9% são as taxas mais praticadas. Trata-se de um mecanismo já previsto na Constituição da República de Weimar em 1919, que foi adoptado três décadas depois pela actual lei fundamental alemã.
No caso português o que existe é a possibilidade contemplada na Lei da Liberdade Religiosa de destinar uma quota de até 0,5% do imposto sobre o rendimento a uma igreja ou comunidade religiosa radicada em território nacional. Esta tendência na Alemanha vem juntar-se a uma iniciativa que está a ser promovida através da Internet na Irlanda, um dos países com mais casos de abusos físicos e sexuais contra menores de idade por parte de religiosos católicos. O site http://www.countmeout.ie/ recebeu até finais do mês de Janeiro mais de seis mil formulários preenchidos por pessoas que pretendem abandonar a Igreja, com todas as consequências que isso implica. Exclusão de cerimónias religiosas, como casamentos ou funerais, são apenas alguns exemplos.
Mediante estes escândalos, o Papa Bento XVI tudo tem feito para limpar a imagem da sua Igreja, desde aconselhar os padres a quebrar o silêncio e a denunciar os abusos de colegas às autoridades judiciais civis, até aceitar a demissão de bispos que admitiram ter estado eles próprios na origem desses abusos. Vai mais longe quando se deixa fotografar ao lado de slogans de multinacionais para que estas possam promover a sua imagem junto com a marca, como aconteceu recentemente na imagem que ilustra o artigo.
No discurso que ontem fez na Praça de São Pedro, em Roma, Joseph Ratzinger elogiou uma associação de luta contra a pedofilia que foi criada por um padre siciliano há 14 anos. "Envio os meus votos à Associação Meter, que se dedica à luta contra a violência, a exploração e a indiferença", disse, citado pela AFP, mas muitos católicos entendem que o Papa "acordou tarde", dizem.
No mesmo dia, o polémico cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, afirmou, em entrevista ao La Vanguardia, que "não há relação directa entre o celibato e a conduta desviante apresentada por alguns padres. É precisamente a violação do celibato que gera a degradação progressiva da vida de padre". Porém semanas antes, Bertone tinha caído na tentação de afirmar que a pedofilia estava ligada à homossexualidade compulsiva. Tentações do demónio...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Crise na Igreja Católica

Pontificado de Bento XVI pode paralisar

A poucas semanas de se deslocar a Portugal, o papa enfrenta uma das piores crises da igreja católica, causada por declarações dos seus colaboradores, e que revelam insensatez.

O escritor e especialista em assuntos do Vaticano, John Allen Jr., disse em recente entrevista que a crise provocada pelos abusos sexuais cometidos por sacerdotes católicos contra menores é a mais grave dos primeiros cinco anos de Bento XVI como líder da Igreja Católica, e que ela corre o risco de paralisar "por meses ou anos" o seu pontificado.
O papa Bento XVI, que fez 83 anos na semana passada, completa nesta segunda-feira cinco anos à frente da Igreja Católica. Apesar disso, na entrevista, o especialista em assuntos do Vaticano defende Bento XVI de algumas críticas e afirma que o pontífice fez, antes e depois de sua eleição, "mais do que qualquer dirigente de seu nível na Igreja para responder bem a esta crise".
"Se o Vaticano não desenvolver uma capacidade mais articulada para comunicar e governar, há um sério perigo que este pontificado fique paralisado por meses ou até anos, em tentativas constantes de responder apenas à crise do momento, invés de prosseguir. Aos olhos do mundo, este pontificado é associado a uma cadeia de crises, isto porque o Vaticano não é capaz de comunicar bem com a realidade. E o problema é a falta de competência dos colaboradores de Bento XVI em comunicar e ajudar o papa", diz.
O escritor acrescenta que, "no caso dos abusos sexuais, os comentários do pregador da Casa Pontifícia, Raniero Cantalamessa (que comparou os ataques ao papa por causa dos abusos à perseguição contra os judeus), e do cardeal Angelo Sodano (que na Missa de Páscoa manifestou solidariedade ao papa criticando o "falatório" sobre os abusos sexuais), ou ainda do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano (que disse existir uma relação entre homossexualismo e pedofilia), todos eles queriam ser úteis. Mas eles não tinham consciência de que iriam enfraquecer a Igreja e o papa, que é seu representante, com as suas declarações insensatas", afirmou.
John Allen Jr. diz ainda que, "do ponto de vista da imagem, sem dúvida que a enfraqueceu, e muito. Todos estes escândalos, crises e controvérsias, de certa forma escondem do mundo os aspectos positivos deste pontificado e do papa, cujo ensinamento é elogiado até por pensadores leigos. Isto demonstra uma crise de governo neste Pontificado, porque o trabalho desenvolvido pelo papa não chega às pessoas", acrescenta o especialista em assuntos do Vaticano.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

"Que se lixem as vítimas..."

Ele quer prender o Papa

Richard Dawkins, escritor inglês diz: "eu vou prender o Papa".

Richard Dawkins, o militante ateu, está a planear uma emboscada legal para que o Papa Bento XVI seja detido por “crimes contra a Humanidade” durante a sua visita ao Reino Unido.
Para o efeito, o autor já consultou uma série de advogados de direitos humanos para que seja aberto um processo contra Ratzinger sobre o alegado encobrimento de centenas de crimes sexuais dentro da Igreja Católica. O escritor acredita que o Papa não poderá invocar imunidade diplomática contra um eventual mandato de detenção, na medida em que ele não é um chefe de estado reconhecido pelas Nações Unidas.
Dawkins, autor de “A Desilusão de Deus”, acusa o Santo Padre de encobrir de forma descarada o abuso sexual de menores dentro da comunidade católica: “Quando os seus sacerdotes são apanhados de calças na mão, o instinto deste homem é encobri-los para evitar escândalos. E depois que se lixem as vítimas”.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

13 de Maio

Mais de 350 mil peregrinos em Fátima

No 13 de Maio, milhares de pessoas chegaram a Fátima para mais uma vigília. Muitos peregrinos vieram a pé, outros vão e voltam de carro na mesma noite.

As comemorações das aparições de Nossa Senhora em Fátima mobilizarão, tal como em anos anteriores, milhares de fiéis. Apesar de ter um dispositivo preparado para assistir 350 mil pessoas, - mais 100 mil do que em 2008 - a Protecção Civil acredita que o número de peregrinos não chegará a tanto. Mesmo assim, as autoridades não baixam o nível de alerta.
Muitos peregrinos têm chegado ao santuário nos últimos dias, depois de percorrerem dezenas ou centenas de quilómetros a pé e enchendo as estradas que ligam ao recinto. Durante o percurso, os grupos foram dormindo em pavilhões desportivos e quartéis de bombeiros, tudo previamente combinado.
Este ano, o dispositivo da Protecção Civil tem uma novidade: uma resposta a eventuais situações de gripe A. No entanto, "o risco é muito baixo a este nível", assumiu à Lusa o comandante distrital de Operações de Socorro,da Protecção Civil, Joaquim Chambell.
"Estamos em estado de prontidão para dar resposta a essa eventualidade, o INEM está também aqui no posto de comando, todos os hospitais da região (Leiria, Torres Novas, Abrantes, Santarém) irão estar em articulação connosco", disse, sem adiantar pormenores do que está preparado.
O INEM terá no local um posto médico avançado, quatro médicos, quatro enfermeiros, dois técnicos de ambulância de emergência, um técnico de operações de telecomunicações, um técnico de planeamento, duas Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação, uma viatura de logística e duas viaturas para o transporte de elementos das equipas de socorro.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Sida: Igreja divide para reinar

ONU quer evitar milhões de infecções

Nações Unidas apelam a mais investimento e investigação na área da prevenção, enquanto algumas autoridades eclesiásticas aprovam o uso do preservativo.

Cerca de 12 milhões de novas infecções pelo HIV, o vírus da sida, podem ser evitadas até 2015 com uma verdadeira política de prevenção que combine vários métodos, segundo a ONU. Num documento publicado ontem na revista Lancet pelo director da ONUSida, Peter Piot, a dois dias do encerramento da conferência mundial da sida, na capital do México, Piot sublinha que existem possibilidades reais de o número de novas infecções poder ser reduzido para dois terços.
A prevenção combinada, usando vários tipos de métodos, como preservativos, circuncisão, troca de seringas e alteração dos comportamentos sexuais tem sido um dos temas fortes em debate na conferência. "Os governos, as comunidades e os investigadores devem aplicar uma prevenção combinada e a comunidade internacional deve mobilizar-se", sublinha o responsável da ONUSida, adiantando que a cada novo dia, sete mil pessoas são infectadas pelo HIV.
Segundo o artigo, os programas mais importantes, que seriam também os mais eficazes no domínio da prevenção, não obtiveram financiamento suficiente e não visam as populações que mais necessitam. Os responsáveis da ONUSida apelam, assim, aos investigadores e a quem os apoia para reforçarem a investigação sobre a prevenção.

Entretanto, a Igreja mexicana marca também presença nos trabalhos da conferência. Criticada por militantes anti-sida e pelos sectores preocupados com a prevenção da infecção devido à sua posição contra o uso do preservativos, a Igreja Católica decidiu participar sem complexos nos trabalhos que amanhã terminam na capital do México. A Igreja mexicana preparou-se, aliás, o melhor que pôde para este encontro mundial, justamente, para fazer face às críticas que se vão ouvindo entre os participantes.
"Muitos cristãos encaram a sida como uma praga, um um castigo divino contra a imoralidade", diz Richard Eves, um investigador australiano, que é também militante na luta contra a sida, e que estudou o caso na Papua Nova-Guiné. A Igreja, diz este investigador, "inscreve o tema da sida no quadro da moral sem se preocupar com as causas sociais e médicas que favorecem o contágio e reduzem o problema de saúde pública a um simples castigo divino".
O núncio apostólico do México, monsenhor Christophe Pierre, discorda das críticas. "Essa história do castigo divino é uma caricatura da posição da Igreja", disse o religioso à AFP. "A Igreja está muito presente, ao lado dos doentes, e somos favoráveis à prevenção através de uma educação melhor", afirmou ainda.
A questão dos preservativos, distribuídos por estes dias em grandes quantidades na zona da cidade onde se realiza a conferência, continua, aliás, no centro de debate. Sem fazer campanha contra o uso do preservativo, a Igreja não mudou, no entanto, a sua posição. Mas há grupos dentro dela, como os Franciscanos, também presentes no encontro, que aceitam o seu uso, defendendo que esse é "um problema da consciência de cada um".

quinta-feira, 19 de março de 2009

Papa, o peregrino alienado

Críticas severas às declarações de Bento XVI em África

A Igreja Católica continua obstinada e «completamente desenquadrada» da realidade em África, diz o presidente da AMI.

O presidente da AMI classificou, esta quarta-feira, de «inoportunas e muito graves» as declarações do papa Bento XVI sobre a utilização de preservativos, lamentando que a posição da Igreja Católica continue «completamente desenquadrada» da realidade em África, segundo informações da Lusa.
«Lamento que o Papa tenha feito as declarações inoportunas e tão graves como as que fez, e onde as fez, tendo em conta que o síndrome da Sida afecta sobretudo a África Negra, onde se concentram cerca de 90 por cento dos casos de infecção no Mundo e onde há mais de dez milhões de órfãos devido à pandemia», disse o médico Fernando Nobre.
O fundador e presidente da Fundação AMI (Assistência Médica Internacional) foi uma das várias vozes críticas da sociedade civil em Portugal que reprovaram as declarações proferidas, esta terça-feira, pelo Papa sobre o uso de preservativos, antes de chegar aos Camarões, no âmbito da sua primeira visita ao Continente Africano.

«Bento XVI continua a evidenciar uma atitude e posição extremamente conservadora e desenquadrada das exigências e problemas que a sociedade hoje enfrenta, numa altura em que ainda se está longe de encontrar uma solução para o HIV/Sida», criticou.
No entender de Fernando Nobre, trata-se de «declarações deslocadas» porque «muitos missionários católicos no terreno têm diariamente outra abordagem e sabem que os preservativos são uma arma extremamente eficaz e que não pode ser descartada para conseguir limitar minimamente o flagelo da sida».
Opinião partilhada por Luís Mendão, presidente do Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA, que considerou que as declarações «inaceitáveis» do Papa colocam «em risco a vida de milhões de africanos católicos que terão de viver num dilema de seguir as orientações da Igreja e tentar manter-se não infectados».
«Este divórcio absoluto entre a realidade e as posições da Igreja demonstra uma insensibilidade que se aproxima da criminalidade. Esperamos que os católicos que não se revêem nessa posição façam ouvir rapidamente e com força as suas vozes de condenação», frisou Luís Mendão.
Já a presidente da Associação Abraço, Margarida Martins, classificou as declarações de Bento XVI como «angustiantes e intoleráveis nos tempos que correm», sobretudo «quando existem as taxas de infecção no Mundo que existem».

«Não queria acreditar no que estava a ouvir. A abstinência nunca será solução para este flagelo. O Papa tem que repensar a sua posição completamente autista e desajustada da realidade, que vem de 30 ou 40 anos atrás», criticou a responsável.
Fernando Nobre lembrou que os Camarões, tal como o Botswana, o Congo ou Moçambique, têm uma «ordem de infecção no grupo etário dos 15 aos 45 anos que ronda os 15 a 25 por cento», sublinhando que a prevenção do HIV/SIDA deve assentar nos «pilares fundamentais da informação e sensibilização e na distribuição de métodos contraceptivos, como os preservativos».
Quanto a Angola, país de onde é natural e que o Papa visitará sexta-feira, Fernando Nobre disse que os números oficiais de pessoas infectadas estão «muito aquém da realidade», lembrando que o problema se tem «agravado com a vinda de refugiados da Zâmbia ou da República Democrática do Congo».

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Igreja Católica pluralista

«Este Papa é politicamente um desastrado»

Leonardo Boff conceituado teólogo brasileiro classifica ainda Bento XVI como um «pastor medíocre» quando se refere ao Holocausto.

O teólogo brasileiro Leonardo Boff, ex-colega de Joseph Ratzinger, classifica Bento XVI como um Papa «politicamente desastrado» e um «pastor medíocre» pela forma como geriu as declarações de bispos católicos sobre o Holocausto.
«Este Papa é politicamente desastrado. Irritou todas as Igrejas saídas da Reforma negando-lhes o título de Igrejas. Entrou em conflito com os muçulmanos, e agora com os judeus e todo o povo alemão, a ponto de a primeira ministra Merkel ter que intervir junto ao Vaticano. Na verdade, ele pode ser um bom professor, mas é um pastor medíocre que não sabe suscitar direcção à Igreja e ânimo nos fiéis», refere Leonord Boff em entrevista à Agência Lusa.
Leonardo Boff coloca em questão a escolha de Ratzinger para Papa: «Até hoje é um mistério, pois é uma figura de desunião, de polémica, quando a função de Papa é manter unido o corpo eclesial e animar a fé e a esperança dos cristãos. Ele faria bem a todos se aplicasse para si as leis canónicas, segundo as quais um bispo ou cardeal que ultrapassou 80 anos solicitasse afastamento voluntário de sua função».
Defensor da causa dos Direitos Humanos, durante 22 anos, Boff leccionou Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudos e universidades no Brasil e no exterior, além de professor-visitante nas universidades de Lisboa, Salamanca, Harvard, Basileia e Heidelberg.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A perda da Fé

Papa diz que nações antes "ricas em fé" estão a perder identidade

Bento XVI afirmou no domingo passado que "nações antes ricas em fé e em vocações, perdem agora a sua própria identidade sob a influência nociva e destrutiva de certa cultura moderna"

O papa fez essa observação durante a homilia da missa que celebrou na Basílica de São Paulo Extramuros, com a qual abriu a 12ª Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que nesta segunda-feira começou os seus trabalhos. A missa foi concelebrada por 52 cardeais, 45 arcebispos, 130 bispos, 85 presbíteros e 14 membros da Igreja Ortodoxa.
Em tom de crítica, Bento XVI disse que na cultura moderna há quem tenha "decidido que 'Deus morreu' e quem se declare 'Deus'". Depois, o papa perguntou se "quando se elimina Deus do próprio horizonte é possível ser feliz", respondendo em seguida que, "no fim, o homem acaba mais sozinho e a sociedade fica mais dividida e confusa". O Pontífice também fez uma ligação entre o seu discurso e o lema central do Sínodo: a "palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".
"A mensagem de consolo que recolhemos dos textos bíblicos é a certeza de que o mal e a morte não têm a última palavra, mas que, no fim, Cristo vence. Sempre! A Igreja não se cansa de proclamar esta boa nova", disse. "Renovaremos de forma significativa este anúncio durante toda a 12ª Assembléia do Sínodo dos Bispos", acrescentou. Mais adiante, Bento XVI pediu "ajuda ao Senhor, durante as próximas semanas de trabalhos sinodais, para tornar sempre mais eficaz o anúncio do Evangelho neste tempo". Após a missa, Joseph Ratzinger aproveitou a tradicional oração do Ângelus dominical para lembrar aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro que a finalidade do Sínodo é "favorecer uma estreita união e colaboração entre o papa e os bispos de todo o mundo".
Segundo o Instrumentum Laboris - documento apresentado em junho e sobre o qual o Sínodo trabalha -, os bispos católicos estão preocupados com o desconhecimento da Bíblia por parte dos fiéis e alertam para o perigo de várias interpretações "fundamentalistas" ou equivocadas do Antigo e do Novo Testamento. Por isso, um dos principais objetivos dos bispos será decidir como se pode corrigir esse desconhecimento entre os fiéis e, assim, superar "a indiferença, a ignorância e a confusão sobre as verdades da fé acerca da Palavra de Deus".
Do Sínodo, participarão 253 religiosos, dos quais 90 são da Europa, 62 da América, 51 da África e nove da Oceania. No entanto, não estarão presentes os bispos da China, pois a Santa Sé e as autoridades de Pequim não chegaram a um acordo para que eles pudessem sair do país.
É muito curiosa esta posição do Papa católico "contra interpretações fundamentalistas da Palavra de Deus"... Enquanto isso, o Vaticano continua a recusar aceitar a presença dos embaixadores nomeados por França, porque um é gay e o outro porque se divorciou e casou pela 2ª vez. Interpretações da fé...