Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !
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domingo, 29 de abril de 2012

Crónica do KL@NDESTINO


O último Rey da Ibéria
                                                                                                                                
Quando a Goldman Sachs falir, na forma incarnada do seu banco, o Mundo acaba.Ora, nada disto teria qualquer relevância, se não fosse já para junho, e se nós pudéssemos continuar a assobiar para o ar, com os infortúnios do Fábio Coentrão, que o Real Madrid quer recambiar para a barraca, de onde nunca deveria ter saído.O Goldman Sachs, enquanto banco, é uma instituição criminosa, que transformou o Dinheiro num holograma onanista, e que está para os Estados Unidos como o BPN está para Portugal, com algumas pequenas ressalvas, que passo a enumerar: aparentemente, tinham o vício de ir buscar os melhores, enquanto o BPN, à portuguesa, se contentava com os piores; os diplomas de ouro tinham sempre nele assento, enquanto as quartas classes da chico espertalhonice profileravam na Sociedade Lusa de Negócios, com exceção de Rui Machete, que já era mau antes de o ser. O outro  "je ne sais pas quoi" é que o BPN era uma saloice à escala dos presépios da Cavaca Velha, enquanto o Goldman Sachs opera à escala global, pelo que, através de uma regra de três simples, mais ou menos manhosa, se o BPN, do Cavaco e do Dias Loureiro foi suficiente para afundar Portugal, a falência, de aqui a dois meses, do Goldman Sachs arrastará o Mundo para a Bancarrota.Até aqui, nada de mal, dirão as Portuguesas, dos programas da tarde, das generalistas, com os seus célebres, "é assim, temos que nos acostumar...", ou o "eles é que sabem, eles é que mandam, a gente só tem de cumprir".Todavia, desta vez não vai ser assim, porque, ao colapsar o Sistema Financeiro, a nível mundial, a Globalização, que consistiu no ir explorar chinesinhas e vietnamitas, para vender coisas no Ocidente a preços ligeiramente mais baixos, e com margens de lucro, de intermediários, infinitamente astronómicas, destruindo empregos e toda a estrutura do Estado Social, a Globalização, dizia eu, vai para o caralho, e como tudo isto está colado com cuspo, países como o nosso, que se tornou residual, importador bruto, e bandeira de conveniência de drogas, e outras coisas que não servem para a alimentação, um belo dia vai acordar, e, ao contrário do que se pensa, o problema não vai estar em meter o multibanco na ranhura, e não haver notas, mas em ir à prateleira das sucursais da Jerónimo Martins, e nada haver para comer.É certo que o canibalismo resta, como solução, mas com o conselho -- avisado, diga-se de passagem --, dos sicários de Passos Coelho, para "emigrarmos", o que sucederá será que não vamos poder comer sequer, frango, mas só galinha velha, daquela que se arrasta para Fátima, para ver o solzinho dançar, e eu odeio alimentação fora de prazo, pelo que não me apetece acabar os meus dias a ratar uma artrose de uma crente da Beata Lúcia.Afora o humor, esta merda está-se a desintegrar, por algumas razões que são evidentes, posto que algumas medidas previstas pela "Troika", dado o poder de não previsão de quem assinou aquele compromisso, tinham, como efeitos colaterais, a prisão de meia classe política, e ir mexer nos vespeiros que movem, na sombra, a nossa bandeira de conveniência.Era evidente que não se ia mexer nos salários mais elevados dos gestores, porque isso era ir mexer nos salários dos gajos que tinham ido para esses lugares de gestão, depois de terem fielmente cumprido o papel político de desintegradores da Coisa Pública. Também não se podia mexer nas parcerias público privadas, porque a própria designação é aberrante: uma coisa ou é pública, ou privada, exceto os eventos sexuais de quem nos governa, e, à Portuguesa, resolvemos bem a questão: era tudo pago pelo Estado, só que umas tinham o nome de "Estado" e as outras não tinham. Também não se podia desmantelar o cancro das autarquias, porque as metástases eram famílias inteiras, caciquismo partidário generalizado, a provocar rombos fabulosos nas contas públicas, de maneira que só havia duas saídas: ou se deixava tudo na mesma, como aconteceu, e se preferiu ir para umas medidas cosméticas, para intimidarem os cafres, como roubar nas reformas, e pôr as velhinhas de oitenta anos a calcetar as ruas, ou se tentava meter parceiros duvidosos no baralho, como países onde a prática democrática deixa muito a desejar, como Venezuela, Angola e a China.Quanto a Angola, é certo que tínhamos, e temos, porque ainda não foi pelos ares, com uma bomba de um anarquista, o célebre Miguel Relvas, que, depois de beijar o cu ao bode, na sua Loja Maçónica, também foi lamber o cu à Isabel dos Santos. Ora quem lambe o cu a um bode e à Isabel dos Santos, depois disso, lambe qualquer cu, em qualquer circunstância e a qualquer preço.Acontece que o procedimento de Miguel Relvas, por alegoria, se poderia entender como a postura de todo o bando de marginais, que enturmou, com Passos Coelho, sob a designação de "Governo".Na realidade, não há Governo, há só um grupo de pessoas, aterrorizado, a tentar, de três em três meses, com a chico espertice típica deste povo desolado e desolador, tentar enganar a "Troika", que vem ver, se de facto, estamos a cumprir. É já mais do que claro que não estamos, exceto nos tais pormenores que não custam nada e que mantiveram a população em estado catalético, durante os escassos meses que esta tortura tem durado.Subitamente, as coisas começaram a parecer estar a mudar, porque, para esta gente, que não reage a nada, começaram a tocar nos árbitros, nas maternidades e na escolinha das suas crias, ou seja, no património intra uterino, que se conjuga entre a homofilia dos estádios e a ditadura das mulheres de bigode.Para Stephen Hawking, Portugal terá entrado numa singularidade espácio temporal, e, numa terra habituada a queimar gatos e a deitar azeite a ferver nas crianças, deu-se um evento inusitado, que foi a tentativa de um "desperado" se imolar pelo fogo, frente à Câmara Municipal do Porto, onde reside um dos maiores mafiosos de Portugal.Ora, a onda de choque disto é imprevisível, e vamos ver para que lado encosta, se para os cravos de abril, se para os cravas de maio, ou se para mais uma gigantesca procissão do adeus, em Fátima. Pessoalmente, inclino-me mais para esta última, mas isso faz parte do solipsismo nacional já que, na realidade, por mais horas que passem a fazer grandes planos, televisivos, do focinho da santa com cara de saloia, o que está em cena é uma enorme ampulheta, que já está a escorrer para o lado oposto, sobretudo  em España, onde o último dos Bourbons já está num estado de degenerescência neurológica só comparável com a de Cavaco Silva, já que, todos nós aprendemos, desde pequeninos, que ninguém mata elefantes por equívocos, embora, por equívocos desses, possam cair Monarquias, como já caíram com os brioches da Joana Josefa de Lorena, arquiduquesa de Áustria, e rainha de França, e em outras tantas circunstâncias. Quando a Monarquia cair, a España transforma-se nos Balcãs peninsulares, com a Cataluña e os Bascos centrífugos, e, enfim, malhas que o Império tece, a Galiza a querer "ajuntar-se" ao Norte, para que Lisboa deixe de ser a capital do Porto, e seja finalmente substituída, nessa função, por Vigo.Já nessa altura terá falido o Goldman Sachs, não haverá comida, e o escarumba que os "soixant- huitardes" tanto aplaudiram, sem perceber que era a mais espantosa ratoeira que a América neo fascista lhes tinha aprontado, não só terá conseguido dar cabo do Euro como terá destruído o Dólar.Eu sei que tudo isto é uma chatice, mas como é inevitável, aconselho-vos a entreterem-se, nesta trégua de dois meses, antes do Apocalipse, com as vitórias do Sporting, ou como eu, que, metido numa interminável forma de sufoco e tédio, dei hoje comigo, estupefacto, a olhar para as mamas da Joana Amaral Dias.
                                                                                                     Fonte: http://kldt.blogspot.pt/

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Opinião

“Ich liebe mich, liegen”
                                                                                                                                    
O que nos preocupa é o processo pelo qual se conseguiu boicotar uma governação e interromper uma legislatura. Quem o fez voltará a fazê-lo, até porque desta vez correu na perfeição. Assim, perceber, entender e compreender este período da nossa história recentíssima para além da versão dominante e manipuladora é do nosso maior interesse.
                                                                                                      
Para agradar ao seu eleitorado, mas também por convicção diocesana muito alemã, Angela Merkel envia mensagens aos países do Sul para que sejam austeros e competitivos, como eles, e para que reduzam a dívida a todo o custo. Eu só gostava de saber o seguinte:
1) Sendo a Irlanda considerada, há uns anos, um país altamente competitivo, apelidado até de «o tigre celta» e estando agora em sérios e intermináveis apuros devido à crise bancária, que a austeridade não resolve;
2) Sendo a Espanha um país competitivo e economicamente agressivo até há pouco tempo, com uma dívida bastante reduzida, inferior até à da Alemanha, tendo sido vítima da crise na América Latina há uns anos e de uma enorme bolha imobiliária subsequente, que rebentou após a crise do subprime nos Estados Unidos, nada tendo a dita austeridade resolvido, muito pelo contrário, os juros aumentam na proporção das machadadas na economia;
3) Sendo a Grécia, em termos turísticos, um dos países mais competitivos do mundo, com bons setores de mercado como o do azeite ou da construção naval, mas tendo cometido o grave delito de aldrabar as contas para entrar no euro, com a compreensão e a cumplicidade de altos funcionários da UE e de políticos importantes, estando a sua morte económica à vista;
4) Sendo a Itália um país com fabulosos trunfos em termos de oferta artística e cultural, indústria da moda, indústria automóvel, produtos alimentares, turismo, ciência, etc., onde a austeridade não está a convencer mercado nenhum, muito pelo contrário;
5) Sendo Portugal um país relativamente pouco produtivo, característica que a adesão à UE só agravou, mas que estava a fazer um esforço nos últimos anos por formar a sua população, relançar a sua indústria e tecido produtivo noutros moldes, vá lá, mais competitivos, apostando na investigação e inovação, em produtos de qualidade, nichos de mercado e internacionalização das suas empresas, sabendo que nunca, por mais que nos escravizem em termos salariais, poderemos concorrer com a China ou a Índia;
que história é esta da austeridade com vista à “competitividade” destas economias como solução para a crise da Zona Euro? Nada tendo contra a introdução de reformas e melhorias na vida económica e laboral de uma nação, porque o mundo não pára, não vejo por que razão tem de ser como os alemães querem e sem qualquer protesto. O resultado é que está tudo de orelha murcha a definhar. Como se resolve a crise da Europa assim? Os alemães tomam-nos a todos por parvos. E o pior é que há parvos que assumem o papel de alemães.
                                                                                                                  
A decadência da direita portuguesa levou a que o combate político, de 2007 a 2011, deixasse de ser feito na disputa por modelos económicos e sociais concorrentes, conferindo-se com honestidade intelectual e paixão ideológica as vantagens e desvantagens respectivas, e se deslocasse a atenção do País para campanhas de assassinato de carácter, exploração do populismo e golpadas judicial-mediáticas. Há factores culturais que explicam a facilidade e apetência da direita na adopção dessas soluções ancestrais, incluindo o facto de dominarem a comunicação social, mas o sucesso eleitoral da estratégia muito deve à cumplicidade da extrema-esquerda, a qual acreditou que da destruição do PS viriam ganhos inevitáveis. Por isso vimos BE e PCP a participarem com fervor no ataque a Sócrates e a pouparem Cavaco mesmo quando este atentou contra o seu juramento de posse e conspurcou a Presidência da República e o nome de Portugal. A decadente direita, pois, não teria conquistado o poder absoluto sem o apoio frontal e lateral da esquerda decadente.
O artifício principal usado contra Sócrates consistiu em repetir que era mentiroso. As suas mentiras tanto podiam ter origem na tentativa de apresentar resultados positivos, como na de esconder resultados negativos, como num optimismo enganador ou irrealista, como na sua natureza maligna e criminosa. E se Sócrates mentia, então quem estava com ele igualmente mentia, e mentiam todas as entidades sobre quem estes mentirosos tivessem alguma responsabilidade ou contacto. Por contraposição, PSD e Belém capturavam a “verdade” e reclamavam a sua posse monopolista. A política deixava de ser a arte dos possíveis, essa decisão legítima e livre nascida das diferentes interpretações do real e sua diferente valoração, para se reduzir a um moralismo venenoso e grotesco. A verdade era definida por alguns em nome de todos, a génese de qualquer totalitarismo. Sócrates mentia porque não fazia a vontade nem à oligarquia nem aos revolucionários, deixava-se ler no subtexto da situação. Era uma mensagem simples e eficaz, deu no que deu. Também no PS há cúmplices entusiasmados da direita e da esquerda decadentes. A 12 de Abril de 2012, Carrilho, o director na clandestinidade do Laboratório de Ideias criado por Seguro, escreve o seguinte:
"Como se Passos Coelho começasse a revelar-se encurralado na sua própria lenda da crise e, incapaz de furar o cerco, tivesse optado por reforçar mais o fosso em torno das suas posições e dos seus trunfos. E estes eram fundamentalmente dois: a herança de um país à beira da bancarrota, claro, mas sobretudo o de uma relação tranquila com a verdade, que – apoiada numa natural afabilidade – foi fazendo os portugueses pensar num exercício diferente do poder. A diferença estava [em mostrar?]* sem entorses a realidade, em não embarcar em ilusões, em evitar a mentira. Diferença que resistiu bem aos primeiros embates que a podiam ter abalado, sempre habilmente endossados às surpresas do passivo e aos imprevistos do contexto global."*
O que Carrilho aqui faz só é possível a um fanático. Ele ignora a contradição radical entre as promessas eleitorais de Passos e a sua prática governativa e apresenta-o como um político que, afinal, “fala verdade aos portugueses”, cujo exercício é indubitavelmente o da “política de verdade”. E Carrilho compara-o com o Governo de Sócrates, o qual era precisamente o oposto, garante sem uma hesitação. Ora, não importa entrar pela enésima vez no bestunto deste ser corroído pelo ódio, importa é aproveitar a sua síntese porque ela poderia ser assinada pelos mais sectário dos agentes laranja. Aliás, o que Carrilho diz é exactamente o mesmo que a legião de políticos, comentadores e jornalistas do costume, e dos costumes, insistem em repetir numa implacável perseguição que não dá sinais de abrandar.
O que nos preocupa é o processo pelo qual se conseguiu boicotar uma governação e interromper uma legislatura. Quem o fez voltará a fazê-lo, até porque desta vez correu na perfeição. Assim, perceber, entender e compreender este período da nossa história recentíssima para além da versão dominante e manipuladora é do nosso maior interesse. Especialmente quando aqueles que mais espalharam difamações e calúnias à volta do tema da verdade e da mentira, aqueles que mais chamaram de mentirosos os outros, são aqueles que mais mentem. A quantidade de mentiras de PSD, CDS e Cavaco que podemos listar de cabeça é torrencial. Pior: a opacidade do Executivo e o tratamento senhorial dos cidadãos é algo igualmente nunca visto, como o episódio das reformas revelou para pasmo geral.
Vou, então, pedir aos anti-socráticos ferrenhos que passam por aqui para listarem as mentiras de Sócrates e da sua gatunagem. Venham elas e vamos dissecá-las e comparar com as actuais. Podem recorrer abundantemente ao Correio da Manhã ou a outra sarjeta da vossa preferência. São 6 anos contra 9 meses.
Bute lá ao encontro da verdade da mentira.
Alberto Nogueira
                                                                                        
* Faltam palavras no texto original, em: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2414475&seccao=Manuel%20Maria%20Carrilho&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco&page=-1
                                                                                                                                        
                                                                                                     
                                                                                                         

domingo, 15 de abril de 2012

Perguntar, não ofende!

A revisão constitucional que este país merece: Tendo em conta que nem o Presidente da República, nem a Ministra da Justiça, nem os partidos da gente séria, nem os partidos da esquerda pura e verdadeira (que dizem existir) conhecem a Constituição, que tal juntarem-se todos para a adaptar à ignorância respectiva?
                                                                                                        
Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disto? Claro que as medidas que têm sido anunciadas não são de austeridade. O primeiro-ministro disse recentemente que não via motivos para mais austeridade e viu muito bem. A verdade é que, apesar de sermos brindados com novas medidas quase diariamente, a palavra ‘austeridade’ praticamente desapareceu da comunicação social e não tem aparecido colada às mesmas. Mas, hoje, pela boca do primeiro-ministro, ficámos a perceber melhor porquê: são medidas correctivas! E é óbvio que as medidas correctivas não têm nada a ver com as medidas de austeridade, o Governo nem precisa de explicar. As de austeridade não servem para corrigir nada, destinam-se antes a castigar-nos pelos maus hábitos que adquirimos no passado. Castigo por termos andado a viver acima das nossas possibilidades. E só voltam, se voltarem, quando o Governo avisar. Até lá, felizmente, só teremos medidas correctivas. Que bem pensado. Deve ter sido por isso que a taxa de saúde e segurança alimentar anunciada pela ministra da agricultura, aparentemente, não foi discutida no Conselho de Ministros de ontem, como tinha sido noticiado, e percebe-se, é daquelas medidas que poderia lançar a confusão entre as correctivas e as de austeridade e lá se ia o brilharete do primeiro-ministro no debate quinzenal.
Agora digam lá que nós somos a Grécia. Os gregos não percebem nada disto, só falam de austeridade. Pior ainda, em pacotes de austeridade. Depois admiram-se. Por cá, nem austeridade quanto mais em pacotes. E ainda dizem que este Governo não é criativo.
                                                                                          
                                                                                         
                                                                                                                                      

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Opinião

OBRIGADO, SR. MINISTRO!
                                                                                                                             
por JOÃO CÉSAR DAS NEVES
                                                                                    
- Há dias um pobre pediu-me esmola. Depois, encorajado pela minha
generosidade e esperançoso na minha gravata, perguntou se eu fazia o
favor de entregar uma carta ao senhor ministro. Perguntei-lhe qual
ministro e ele, depois de pensar um pouco, acabou por dizer que era ao
ministro que o andava a ajudar. O texto é este:
- "Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa
de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei
toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma.
Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.
- Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma
coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a
marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados como
esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu gostava
tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me que tudo
era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam
devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves
problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe
se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou por
dizer que seguia ordens. 
- Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa
noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas
sanitários e alimentares graves.
- Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e
noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na
rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os
inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos
marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia
Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando
destruíram tudo.
- Estes não eram da Asae. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo
certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social.
Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha
menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a
bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios
laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e
portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema
qualquer com o sabonete, que devia ser líquido.
- Enfureceram-se por existirem quartos com três camas, várias casas de
banho sem bidé e na área destinada ao duche de pavimento (ligeiramente
inferior a 1,5 m x 1,5 m) não estivesse um sistema que permita tanto o
posicionamento como o rebatimento de banco para banho de ajuda (uma
coisa que nem sei o que seja). Em resumo, o lar era uma desgraça e
tinha de fechar.
- Ultimamente pensei pedir aos senhores fiscais para virem à barraca
onde vivo desde então, medir as janelas e ver as instalações
sanitárias (que não há!). Mas tenho medo que ma fechem, e então é
que fico mesmo a dormir na rua.
- Mas há esperança. Fui ontem, depois da missa, visitar o lar novo que
o senhor prior aqui da freguesia está a inaugurar, e onde talvez tenha
lugar. Fiquei espantado com as instalações. Não sei o que é um hotel
de luxo, porque nunca vi nenhum, mas é assim que o imagino. Perguntei
ao padre por que razão era tudo tão grande e tão caro. Afinal, se
fosse um bocadinho mais apertado, podia ajudar mais gente. Ele respondeu
que tinha apenas cumprido as exigências da lei (mais uma vez tem a ver
consigo, senhor ministro). Aliás o prior confessou que não tinha
conseguido fazer mesmo tudo, porque não havia dinheiro, e contava com a
distracção ou benevolência dos inspectores para lhe aprovarem o lar.
Se não, lá ficamos nós mais uns tempos nas barracas.
- Senhor ministro, acredito que tenha excelentes intenções e faça isto
por bem. Como não sabe o que é a pobreza, julga que as exigências
melhoram as coisas. Mas a única coisa que estas leis e fiscalizações
conseguem é criar desigualdades dentro da miséria. Porque não se
preocupam com as casas dos pobres, só com as que ajudam os pobres."
                                                          
- TRISTE PAÍS QUE PROCEDE ASSIM COM OS POBRES....
                                                                                              
                                                                                                       
                                                                                                                              

A Revolta Está Instalada!


  
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Exijo respeito e equidade na distribuição dos sacrifícios! 
  
A REVOLTA ESTÁ INSTALADA


PRIMEIRO, FORAM ESTES: PS's


Prometeram o paraíso, mas deixaram um purgatório.

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Através de uma máquina de propaganda bem oleada (paga com os nossos impostos), iniciaram a campanha de desacreditação e estigmatização dos funcionários públicos, criando a clivagem social que hoje se verifica.


Durante vários anos, com a preciosa ajuda dos media, comentadores e economistas neoliberais, manipularam dados oficiais e bombardearam os trabalhadores do Estado com mentiras e calúnias, reduzindo a escombros a imagem e a autoestima desses trabalhadores.


Em simultâneo, congelaram salários e carreiras, reduziram as comparticipações da ADSE, retiraram direitos constantes dos contratos de trabalho e impuseram um absurdo sistema de avaliação (SIADAP) que impede as progressões durante 10 anos - Atualmente, na função pública, só é possível atingir o topo da carreira após 100 anos de serviço.


Para além disso, aumentaram os descontos para a ADSE e CGA - transformando os trabalhadores do Estado nos cidadãos que mais descontam em Portugal -, e atiraram com muitos deles para a mobilidade especial (um sistema de desemprego encapotado).


Com tanta perseguição, em poucos anos, empobreceram os funcionários públicos e reduziram o poder de compra respetivo (estima-se que, durante a vigência destes governantes, a função pública tenha perdido cerca de 17% do poder de compra).


Terminaram a campanha, cortando os salários
 3,5% a 10% (média 5%), sem se importarem com a falta de equidade, com a injustiça e com a inconstitucionalidade dessa medida.

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Apesar de tantos sacrifícios não resolveram os problemas do país e,
 POR IMPOSIÇÃO DOS BANQUEIROS,acabaram por pedir um empréstimo (resgate) de milhões de euros.

Resultado:
 PORTUGAL LEVOU COM A TROIKA!
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E, no fim, com o país totalmente à deriva, demitiram-se.


Ou seja, os sacrifícios não serviram para nada!


DEPOIS, VIERAM ESTES: PSD's & CDS-PP's


Derrubaram os anteriores, prometeram mundos e fundos e, em poucos meses, transformaram a função pública num inferno.

imagesCARAE9DB.jpgpaulo-portas-c267.jpgGaspar.jpg

Durante a campanha eleitoral, prometeram que 
não cortariam os salários dos funcionários públicos, e Passos Coelho declarou mesmo, de forma perentória, que a ideia de cortar os subsídios de férias ou de Natal era um DISPARATE.

passos%20coelho%20port.jpg  Lembram-se?

Porém, assim que tomaram posse, anunciaram o corte de metade do subsídio de Natal (14.º mês) de todos os trabalhadores portugueses, provocando, por arrasto, mais uma redução nos vencimentos da função pública.


Passado pouco tempo, comeram mais queijo e decidiram manter o corte médio de
 5% nos salários, acrescentado o tal DISPARATE aos sacrifícios já impostos. Ou seja, para além dos cortes nos salários...

DECIDIRAM
 ROUBAR OS SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL (13.º e 14.º MESES) AOS TRABALHADORES DO ESTADO E AOS PENSIONISTAS.

Resultado: devido à crescente perda do poder de compra, aos congelamentos, ao aumento dos descontos e à redução dos salários, 
os funcionários públicos, em dois anos, perderam cerca de 30% dos seus rendimentos, e agora vão perder mais dois salários (mais14%).

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Também estes, inebriados pelas suas ideias neoliberais e sempre apoiados por grupos oligarcas, não se importaram com a injustiça, com a falta de equidade e com a inconstitucionalidade das suas medidas.


Até se esqueceram que 
"os subsídios de Natal e de férias são inaliáveis e impenhoráveis" (redação do art.º 17.º do Decreto-Lei n.º 496/80, de 20 de Outubro, aprovado e publicado pelo Governo de Francisco Sá Carneiro).

Para se justificar, Passos Coelho veio mesmo afirmar que os funcionários públicos ganham mais do que os privados, o que, como provam estudos e dados oficiais, 
é mais uma mentira ostensiva e um insulto aos trabalhadores do Estado (estudos credíveis e bem fundamentados concluem precisamente o contrário).

relvas.jpg  Mais...

Miguel Relvas declarou publicamente que os 13.º e 14.º meses dos trabalhadores das câmaras municipais vão servir para pagar as dívidas das autarquias, como se agora os trabalhadores fossem obrigados a pagar do seu bolso os gastos dos municípios.


Ou seja, para este, os funcionários das autarquias vão ter de pagar, por exemplo, a construção e manutenção de escolas, a construção de vias, passeios e demais infraestruturas, os serviços de abastecimento de água ou a recolha do lixo que os outros fazem
. GENIAL!

ATÉ CUSTA A ACREDITAR, MAS É VERDADE!


E ainda gozam com a nossa cara! Aprovaram recentemente o Orçamento do Estado às gargalhadas!


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Em suma, tal como os anteriores, estes também decidiram alimentar a clivagem social e esmagar os funcionários públicos, mostrando sem rodeios e com total descaramento, 
que os direitos descritos na Constituição Portuguesa (a lei fundamental do país) só são válidos para os portugueses que trabalham no setor privado.

E não ficarão por aqui!... Brevemente vão alegar mais buracos e derrapagens para reduzir novamente os salários e eliminar quaisquer subsídios que ainda subsistam. Só vão descansar quando os funcionários públicos estiverem a viver no osso e nos limites da sobrevivência.


NO MEIO, APARECEM ESTES: Iluminados e sabichões, que dão para os "2 lados"


Têm receitas e soluções para tudo, mas não resolvem nada.

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Com uma retórica enfadonha, cheia de números e percentagens, passam a vida a defender mais cortes nos salários e mais redução no poder de compra da função pública, como se os cortes já efetuados ou anunciados não fossem suficientes.


PARA ESTES,
 OS TRABALHADORES DO ESTADO SÃO APENAS UMA DESPESA E UM PESO PARA O PAÍS.

Esquecem-se de que estão a falar de cidadãos e trabalhadores portugueses que ganham salários em troca do seu trabalho, que pagam os impostos respetivos (os únicos que, de certeza, não fogem ao fisco), e que, tal como os outros, têm famílias e o direito de viver em Portugal.


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Medina Carreira, para além de comparar os 
direitos constitucionais a uma refeição indigesta, trata os funcionários públicos por "essa gente", mostrando um autentico desprezo por estes cidadãos.

Mira Amaral e Eduardo Catroga, enfim!... Esses não se cansam de pedir mais sacrifícios e todos sabemos como eles se sacrificam.


Ferraz da Costa, um trabalhador incansável, está sempre a insistir que a função pública tem de trabalhar mais, mesmo com cortes nos salários e sem os subsídios de férias e de Natal.


Mas, será que estas criaturas não sabem que a escravatura foi abolida, no Século XVIII, em Portugal e na Europa?


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Há muitos outros que podiam figurar neste grupo, mas estes já são suficientes para justificar a indignação e a revolta que atualmente dominam os funcionários públicos, os pensionistas e as suas famílias.


E AINDA HÁ ESTES: Os "xicos-espertos"


São egoístas, covardes e chicos espertos.


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São cidadãos anónimos que se escondem atrás dos computadores e andam pelos fóruns online dos jornais e redes sociais da internet, emitindo opiniões depreciativas e discriminatórias sobre os funcionários públicos.


Inebriados pelo seu egoísmo e estupidez natural, estão convencidos que irão viver melhor à custa dos sacrifícios dos outros.


Designam os trabalhadores do Estado por "gentalha", "cambada", "escumalha", etc., e aplaudem entusiasticamente todas as medidas dos governantes, desde que, é claro, as medidas não os afetem.


Estes energúmenos egoístas são o fruto da campanha de estigmatização iniciada por José Sócrates e agora fortemente alimentada por Passos Coelho e por muitos comentadores dos media.


Esquecem-se que foram os funcionários públicos que lhes deram assistência quando nasceram, que lhes deram instrução primária, secundária e universitária, que os socorrem, tratam e operam quando adoecem, que zelam pela segurança deles, que lhes asseguram os direitos legais e judiciais, que constroem e mantêm as infraestruturas públicas que lhes dão conforto, que lhes darão de comer se tiverem fome, que recolhem o lixo que fazem e que os protegerão ou socorrerão em caso de sinistro ou catástrofe, com risco da própria vida.


É por causa de tudo isto que estamos fartos...

                                É PRECISO GRITAR 
"BASTA"!

Os funcionários públicos são portugueses como os outros e merecem respeito.

São pessoas e cidadãos. Não são escravos de ninguém, nem estão a mais neste país.


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Estes governantes estão a tirar a qualidade de vida, a dignidade, a honra e o bom nome dos funcionários públicos. Estão a destruir os serviços públicos e atirar com os seus trabalhadores para o desespero, para a fome e para a pobreza.


Por causa destes governantes, os trabalhadores do Estado
 até já DEIXARAM DE TER DIREITOS CONSTITUCIONAIS .

AGORA, A CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA - A LEI FUNDAMENTAL DO PAÍS - SÓ SE APLICA AOS PRIVADOS.


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O ÚNICO GOVERNANTE QUE, ANTES DESTES, CORTOU OS SALÁRIOS DA FUNÇÃO PÚBLICA FOI OLIVEIRA SALAZAR E NÃO CHEGOU A TANTO!


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Exijo respeito, justiça e equidade na distribuição dos sacrifícios! 
                                       
A REVOLTA ESTÁ INSTALADA