Gangues portugueses imitam máfias italianas e chinesas
As zonas de tráfico estão pré-definidas pelos diversos gangues espalhados pelo Algarve. «Cada um sabe onde pode trabalhar»,
Há mais gangues em Portugal, estão mais violentos e utilizam métodos semelhantes aos das máfias chinesa e italiana.
A realidade é denunciada por José Manuel Anes, presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), ao comentar os violentos casos ocorridos no Algarve e que envolveram um inglês torturado, violado e amputado e o recente espancamento brutal de Liberto Mealha, empresário da noite algarvia – que foi surpreendido na semana passada ao chegar a casa por quatro encapuzados, tendo sofrido fortes golpes no rosto e nos olhos.
Anes adianta que «a violência extrema é uma característica da nova criminalidade». Segundo o especialista, a violência está ser usada para «manietar e dominar as vítimas», mas também para ‘dar recados’ aos próprios grupos, imitando o que sucede nas máfias em Itália e na China. «Funciona como um sistema de aviso aos outros membros do gangue».
O presidente do OSCOT nota que foi com grupos vindos do Leste da Europa que começou o aumento da violência com as vítimas. Isto apesar de, também já haver portugueses a utilizar estes métodos mais violentos.
Segundo apurou o SOL junto de fontes policiais, muitos dos gangues violentos que operam no Algarve são mesmo da Europa de Leste e envolvem tráfico de droga, armas e prostituição. E muitos já agem com rituais semelhantes aos das máfias, como corte de dedos e outras torturas.
O gangue é como «uma família»
«Ao torturarmos uma pessoa estamos também a mostrar aos outros o que lhes acontece se forem desleais», explicou ao SOL o elemento de um gangue que opera no Algarve e que admite fazer torturas para «sacar informação» aos traidores.
João Paulo (nome fictício) chegou a Portugal há mais ou menos cinco anos, instalou-se perto de Faro e entrou para um uma organização terrorista que trafica droga, armas e mulheres. Admite que já matou e torturou algumas pessoas: «Nem sempre matamos a pessoa. Muitas vezes é para dar uma lição», explica.
Para ele, o gangue é como «uma família»: «Aquilo que sentimos uns pelos outros é idêntico ao sentimento que temos pela família. E temos de confiar mais no nosso parceiro do que na nossa mulher».
João Paulo revela que na «família» não existe um código de tortura. Cada um tem o seu método: «Pode cortar-se uma orelha, uns dedos dos pés ou das mãos, queimar com cigarros, partir os pés, dar um tiro nas pernas. Eu pessoalmente prefiro sempre coisas que não metam muito sangue. Mas a informação tem de sair cá para fora».
Depois da tortura segue-se o julgamento. É o chefe quem decide os passos a dar e preside ao «julgamento». «Damos as informações da tortura. E depois ele diz o que fazemos», refere. «Se for para mandar embora, manda-se. Se for para fazer outra coisa, faz-se», sublinha, enquanto ajeita a camisa de xadrez e o colete quispo azul-escuro da marca Duffy.
João conta que o gangue a que pertence se dedica ao tráfico de droga e armas e está ligado também ao ramo da prostituição. «Não temos meninas escravas, não pensem», avisa, acrescentando que as armas e a droga vêm de «todo o lado». Até de Portugal, «numas plantações boas ali na zona de Monchique».
As zonas de tráfico estão pré-definidas pelos diversos gangues espalhados pelo Algarve. «Cada um sabe onde pode trabalhar», afirma. O moldavo diz ainda que os portugueses são cada vez mais uma minoria na criminalidade praticada no Sul do país. Casado e pai de filhos, João confessa que a mulher «não faz ideia» da sua profissão. «A comida chega a casa, temos dinheiro para coisas que no nosso país não tínhamos. A minha função é sustentar a minha família».
(in Sol)
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
sábado, 30 de outubro de 2010
Algarve
A saga do lince ibérico
Monchique sem condições para o lince ibérico... Para sobreviver em liberdade, o carnívoro mais ameaçado da Europa deve estar longe de estradas e pessoas. E da barragem de Odelouca, em construção.
A vista oferece quilómetros de montes pelados e cinzentos, preenchidos com estevas e arbustos pouco desenvolvidos. Ao fundo, a barragem em construção da ribeira do Odelouca, uma cavidade que está a ser preenchida com milhares de toneladas de betão e que vai abastecer municípios do Barlavento Algarvio (o investimento ronda os 76 milhões de euros). Estamos em plena Serra de Monchique, não muito longe do local escolhido para instalar o primeiro Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CRNRLI), inaugurado à pressa na semana passada pelo ministro do Ambiente, Nunes Correia. O complexo custou cerca de seis milhões de euros - a União Europeia pagou 75%, a Águas do Algarve os restantes 25% - e nesta fase ainda está vazio, desprovido de zonas verdes e rodeado de casas, estradas de terra e uma manta de retalhos feita de eucaliptos, e azinheiras e sobreiros. "Aqui o lince nunca poderia viver. Não tem nada para comer e esta zona está hiperdegradada, não resta nada do ecossistema original", explica a espanhola Astrid Vargas, directora do programa ex-situ (em cativeiro) do felino mais ameaçado do planeta. Astrid é a pessoa que melhor conhece os esforços realizados pelo país vizinho para recuperar este felino (Lynx pardinus) e supervisionou a construção do centro recém-inaugurado em Silves, "muito bem construído, mas sobretudo gerido por uma equipa excelente".
Com as instalações operacionais, albergaram dois veterinários, uma bióloga, quatro tratadores e um administrativo. Muitos deles, incluindo o director, Rodrigo Serra, trabalharam antes nos dois centros de cria que existem em Espanha: La Olivilla e El Acebuche, ambos na Andaluzia (há outro, em Jerez, mas não exclusivo para linces-ibéricos, e está a ser construído mais um, na Extremadura). Em Silves, "faltam pequenos detalhes, como o enriquecimento natural dos cercados, para os animais se sentirem em casa", reconhece Rodrigo Serra. A obra portuguesa é uma evolução das espanholas, e beneficiou dos ensinamentos acumulados desde 2004. É a maior e a mais moderna da Península Ibérica e dispõe de áreas diferenciadas para campeio, cria e quarentena, além de um circuito de video-vigilância com 73 câmaras móveis e fixas.
Actualmente vivem em liberdade cerca de 200 linces ibéricos em três zonas da Andaluzia e Castela. O objectivo final deste esforço conjunto hispano-luso é a reintrodução do animal nas zonas que outrora dominou, em vez de "termos um morto-vivo atrás das grades" - nas palavras de Astrid Vargas. O centro de cria foi uma das mais de 70 medidas de compensação e minimização pelo impacte ambiental da barragem de Odelouca, que contempla também a construção de uma estação ecológica e a implementação de um projecto de gestão florestal. O Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICBN), responsável pela gestão do centro de cria, garante que haverá linces em Monchique: "Vai haver condições aqui como noutros sítios. Não posso é dizer quais porque depende da população de coelhos", admite o director do ICBN, Tito Rosa.
O coelho bravo constitui 80% da alimentação do lince, que sem esta presa não pode sobreviver. "Primeiro há que fazer um estudo de adequabilidade dos habitats, mas estamos a trabalhar já em duas herdades do Sítio Monchique", avança Lurdes Carvalho, do ICBN. "Portugal tem de escolher uma área já", salienta Vargas. Para que o lince sobreviva é preciso um trabalho prévio de pelo menos três anos e 10 mil hectares sem estradas e sem habitantes. "Há poucos assim na Península", diz Vargas. Monchique, para já, não é um deles.
Desempregados em agosto coloca Algarve na pior situação de desemprego no verão
O Algarve registou em agosto deste ano 21.370 desempregados, uma situação que coloca a região no pior registo oficial de sempre de desempregados no mês de agosto, indicou a Comissão Executiva da União dos Sindicatos do Algarve. "São preocupantes os dados disponibilizados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (...) e que indicam que existiam 21.370 desempregados em agosto, o que corresponde ao pior registo oficial de sempre de desempregados no mês de agosto no Algarve", lê-se num comunicado da União de Sindicatos do Algarve.
A União dos Sindicatos do Algarve classifica a situação económica e social algarvia como estando em "degradação acelerada" e avisa que vai pedir reuniões com várias entidades regionais, partidos políticos e com o bispo do Algarve, com o objetivo de procurar "caminhos que permitam obrigar o Governo a uma intervenção urgente".
Em agosto de 2009 existiam 18 199 desempregados registados, mas chegou aos 30 mil no primeiro trimestre de 2010. "É absolutamente plausível a previsão de que no próximo inverno se assista a um agravamento da crise e que o número de desempregados venha a ser ainda superior ao verificado no último inverno. O que poderá significar uma taxa de desemprego bem superior à então registada - a mais elevada do país nesse trimestre - e que foi de 13,6 por cento", referem os sindicalistas.
Algarve é a região mais penalizada no setor da construção
A construção continua a ser afetada pela crise, registando quebras no número de fogos licenciados e no valor das adjudicações dos concursos, sendo a região do Algarve a mais penalizada, segundo dados divulgados hoje por uma associação do setor. "A evolução do setor [da construção] continua a não apresentar sinais animadores" e a "forte e prolongada crise que o setor da construção atravessa tem vindo a afetar todo o país", lê-se na Análise de Conjuntura de agosto da Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços (AECOPS). De acordo com o documento, "os dados disponíveis continuam a demonstrar que as regiões mais a sul são aquelas onde as consequências dessa crise se têm feito sentir com mais acuidade", sendo o Algarve a região "mais penalizada".
"De entre as regiões de influência da AECOPS [Algarve, Alentejo, Lisboa e Centro], o Algarve é a que apresenta a estrutura empresarial mais débil, isto é, do total de entidades autorizadas a exercer actividade de construção, apenas 33 por cento é detentora de alvará", refere a AECOPS. O aumento do número de desempregados do setor da construção "continua a assumir maior expressão na zona do Algarve, apresentando um crescimento de 48 por cento em finais de junho", face a uma subida de 22 por cento em termos nacionais. O número de desempregados da construção aumentou 15,2 por cento no Alentejo, 15,4 por cento em Lisboa e 12,9 por cento no Centro, em termos homólogos, segundo os dados da AECOPS. Em termos nacionais, refere a associação, "a evolução do setor continua a não apresentar sinais animadores, com quebras acentuadas nos indicadores geralmente utilizados para aferir do desempenho dos diversos segmentos de actividade", como o número de fogos licenciados ou o valor das adjudicações de concursos públicos.
De acordo com a AECOPS, o número de fogos licenciados caiu 13 por cento até maio e o valor das adjudicações de concursos públicos recuou 67 por cento até ao final de junho. No Algarve, a quebra do número de fogos licenciados ascendeu a 40,5 por cento, em termos homólogos, no Alentejo a 27,7 por cento e em Lisboa a 1,9 por cento. Na região Centro, o número de novos fogos licenciados aumentou 11,5 por cento em termos homólogos.
No que respeita ao valor das adjudicações de concursos públicos, o Algarve registou uma quebra homóloga de 71,7 por cento, o Alentejo de 67 por cento, Lisboa de 67,6 por cento e o Centro de 38,5 por cento. A associação aponta como "gerador de expetativas mais favoráveis" para a evolução do setor a médio prazo "o crescimento acentuado do valor das obras públicas lançadas a concurso (mais 128 por cento, em termos homólogos, até junho), com especial relevância para o Alentejo". Nesta região a AECOPS destaca as obras a desenvolver "quer no âmbito do projeto do Alqueva, quer ligadas ao Porto de Sines".
Procura de comida mais barata aumenta no Norte e no Algarve
Os consumidores portugueses estão a comprar produtos de alimentação mais baratos. É um efeito já conhecido da crise, mas que não se distribui igualmente em todo o país. O Norte e o Algarve são as regiões onde se está a sentir mais esta mudança no padrão de consumo. Quem o diz é o presidente da Jerónimo Martins. Alexandre Soares dos Santos tira a conclusão a partir dos dados de venda das cadeias Pingo Doce, Feira Nova e Recheio.
"Não sei se os portugueses estão a comer pior. Mas estão a comer diferente, com certeza. E a prova disso é o aumento de vendas de frango, salsichas, ovos e produtos deste género mais baratos." O presidente do Grupo Jerónimo Martins realça que este fenómeno "se está a notar mais no Norte, em particular no Minho, e a começar no Algarve". A mudança de hábitos de consumo é atribuída por Soares dos Santos "As dificuldades económicas e ao desemprego, que é mais alto, nessas áreas". Nas cidades e no centro, a procura por produtos mais baratos não se nota tanto.
A Jerónimo Martins apresentou ontem os resultados do primeiro trimestre de 2009, que revelam um crescimento, ainda que moderado, das vendas no mercado nacional. Apesar deste comportamento positivo, que ainda não reflecte a procura da Páscoa, Soares dos Santos recusa a ideia de que a crise é boa para o sector da distribuição e refuta a tese de que as pessoas estarão a comprar mais alimentos nos supermercados em vez de comerem refeições fora de casa. "Isso é mentira", diz. "Os consumidores estão a substituir artigos de maior valor acrescentado por produtos mais baratos e as lojas chegam ao fim do dia com menos dinheiro."
O presidente não executivo do grupo explica o aumento das vendas em Portugal com o crescimento do número de clientes. E realça: "A crise veio infelizmente reduzir o aumento das vendas que se vinha a registar de ano para ano na nossa cadeia. Não conheço nenhuma crise que seja boa." Outra tendência do mercado nacional é a maior procura das chamadas marcas brancas, designação que Soares dos Santos corrige por "marcas próprias" das empresas de distribuição. A marca própria Pingo Doce, também vendida no Feira Nova, já representa cerca de 40% a 42% das vendas do grupo. A percentagem sobe de forma expressiva se se incluírem os produtos frescos (carne, peixe e vegetais).
GNR reforça patrulhamento nas estradas
As ordens são claras e responsabilizam as estruturas de comando: a partir de 1 de Novembro a GNR tem de reforçar o patrulhamento rodoviário, estar mais visível na estrada e reforçar a fiscalização das infracções que mais causam acidentes. As instruções são dadas numa norma interna que constitui um misto de mea culpa e de puxão de orelhas aos militares que estão no terreno. Admitindo que o balanço de vítimas de acidentes está "aquém dos objectivos quantitativos definidos pela Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária (ENSR)", o documento lembra que a guarda tem a seu cargo 90% da rede viária fundamental. Logo, cabe-lhe "um papel fulcral na redução" da sinistralidade. Assinada pelo comandante operacional, tenente-general Meireles Carvalho, a norma a que o i teve acesso aponta objectivos de intensificação da fiscalização, particularmente da condução sob efeito de álcool e do excesso de velocidade. Mas não se fica pela vigilância, lembrando ser essencial um papel "dinâmico e proactivo", com patrulhas caracterizadas e visíveis. Quando estiverem parados, os elementos das patrulhas devem permanecer "obrigatoriamente" no exterior da viatura e "é expressamente proibido" ausentarem-se dos giros previamente definidos.
Além de acentuar a necessidade de libertar pessoal de tarefas administrativas, a norma lembra que as operações stop devem ser acompanhadas pelos comandantes das unidades. Em caso de infracção, os condutores devem ser parados no local, evitando-se o envio de multas pelo correio, "combatendo desta forma o sentimento de impunidade". Há dois anos a lutar contra a desmotivação e a guerra surda causada pela extinção da Brigada de Trânsito, o comando da GNR lança também ordens para reforçar o controlo dos militares do terreno. Para isso deverá ser nomeada "uma ronda por turno de serviço". O papel da ronda tem uma dupla vertente: "O apoio permanente aos militares que constituem as patrulhas, esclarecendo-os e exortando-os ao cumprimento da missão, bem como o controlo operacional das tarefas que superiormente lhes foram determinadas."
Mais uma vez os comandantes são chamados a ter um papel próximo dos meios que dirigem, fazendo directamente esse controlo. Para os comandantes de postos, subdestacamentos e destacamentos define-se que "deverão rondar as patrulhas com uma periodicidade diária", enquanto nos comandos das unidades se prevê uma ronda por semana. Até 21 de Outubro, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária contabiliza 586 mortos, um número que depois será actualizado com as estatísticas a 30 dias. Este valor, que inclui as vítimas que acabam por morrer no hospital, implicou nos primeiros três meses um acréscimo na ordem dos 30%. Para 2011, a meta da ENSR é de 780 vítimas (78 por milhão de habitantes), o que apenas será conseguido com uma melhoria dos resultados.
Sanções mais pesadas para condutores alcoolizados
O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), Carlos Barbosa, considerou ontem que o ensino da condução em Portugal é desastroso, defendendo exames mais rigorosos e sanções mais gravosas para quem conduzir alcoolizado. "Hoje em dia os exames de condução são muito permissivos e os conteúdos estão desadequados do mundo real. As pessoas vão para a escola de condução não para aprender a conduzir, mas para tirar a carta, fazendo depois a sua aprendizagem nas estradas", criticou Carlos Barbosa, defendendo exames mais rigorosos e maior fiscalização às escolas de condução. Carlos Barbosa falava à agência Lusa à margem da conferência "Jovens 18-24 anos e sinistralidade rodoviária", que decorreu durante dois dias, em Lisboa.
Portimão pode vir a ser a Hollywood portuguesa
A Câmara de Portimão e a Algarve Film Commission estão a negociar a construção de um parque de diversões e de um complexo cinematográfico com a Universal Studios e CBS Paramount, cujo investimento ultrapassa o do Autódromo Internacional do Algarve. Os projectos estão a ser dinamizados pela empresa municipal Portimão Turis e pelo actor Joaquim de Almeida, que esteve em Cannes (França) para apresentar aquelas entidades a produtores, realizadores e administradores de companhias norte-americanas e europeias de cinema. Segundo o presidente da Portimão Turis, Luís Carito, os dois equipamentos representam no total um investimento de 750 milhões de euros, 550 milhões para erguer o parque de diversões e 200 milhões para o complexo de produção cinematográfica.
O parque de diversões é assim uma das maiores componentes do projecto, tendo como temática "a história do cinema e o mundo automóvel", acrescentou ainda o vice-presidente da autarquia. Um terreno com cerca de 150 hectares, junto ao Autódromo do Algarve, localizado no Sítio do Escampadinho, vai receber o denominado "Media Park", que, revelou, "está a ser negociado com a companhia norte-americana Universal Studios", que já dispõe de parques temáticos em Hollywood, Orlando e Japão. A CBS Paramount está, por seu lado, interessado nos estúdios de cinema, a tal ponto que a vice-presidente da companhia vai acompanhar a apresentação do projecto, hoje, em Portimão.
Para Luís Carito, o projecto, denominado "Picture Portugal", "pretende criar uma nova visão na produção de cinema em Portugal", não só por criar equipamentos que não existem actualmente no país, como por disponibilizar ferramentas para dinamizar a indústria. Embora o projecto contemple 11 estúdios vão ser construídos apenas dois até 2010. "Estamos a estudar a melhor localização para os estúdios, sabendo que temos duas possibilidades plausíveis em terrenos da autarquia e que ambas permitem o desenvolvimento de novos equipamentos", explicou. A primeira fase de desenvolvimento contempla também a criação de zonas de pós-produção áudio e vídeo, uma área de cenários exteriores e um "watertank", uma piscina do tamanho de um campo de futebol equipada com um ecrã de grandes dimensões para a realização de filmagens aquáticas e subaquáticas.
A ideia da autarquia é fazer com que cada equipamento do complexo de cinema tenha a sua própria sociedade gestora especializada, estando inclusivamente a ser criado um fundo de financiamento de produções cinematográficas rodadas em Portugal. No topo da hierarquia ficará uma «holding» que, segundo o autarca, já está a ser preparada. "Será uma holding internacional, com parceiros portugueses e estrangeiros que já manifestaram interesse, onde o município irá surgir como sócio minoritário", disse. O projecto já foi candidatado aos apoios da segunda fase do PROVERE (Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos), mas, segundo Luís Carito, "depende essencialmente da iniciativa privada". As intenções, referiu o autarca, existem mas ainda assim "estão a ser negociadas linhas de financiamento e de incentivo fiscal". O objectivo para já, disse ainda Luís Carito, "é captar produtores e realizadores para o Algarve".
Crise não afecta indústria cinematográfica
Um dos principais rostos do complexo de produção cinematográfica "Picture Portugal" sediado no Algarve, o actor Joaquim de Almeida, reconhece que o projecto "é ambicioso", mas fez notar que "a crise não está a afectar os grandes estúdios". Em declarações à Agência Lusa, o mais internacional dos actores portugueses referiu que "o cinema está a fazer mais dinheiro do que em anos anteriores" e que "tem capacidade de investimento". Procura, ainda assim, "produções com menos custos", o que, para Joaquim de Almeida, é um trunfo para Portugal. "Temos uma Lei do Cinema favorável, temos salários competitivos, temos uma variedade de paisagens enorme num país pequeno e um clima excelente, só precisamos de criar as condições", disse.
Pelos contactos que tem feito nos Estados Unidos, o actor disse acreditar que o projecto está em condições de seguir em frente, até porque - defendeu - está provada a apetência dos estúdios pela mudança. "Nos Estados Unidos, as grandes produções têm vindo a sair de Hollywood para os Estados de Louisiana e Oregon, porque encontram aí facilidades. Têm ido também para Espanha, Marrocos e países do Leste Europeu, porque encontram aí condições fiscais atractivas", descreveu, sublinhando que também já há contactos com o governo português para criar esse tipo de incentivo.
Paralelamente, está a ser criado um Fundo de Investimento em Produções Cinematográficas, que, até 2011, vai disponibilizar 250 milhões de dólares (180 milhões de euros) para produções próprias e co-produções cinematográficas rodadas em Portugal. O actor Joaquim de Almeida referiu que se está perante um projecto que "promete revolucionar a indústria do cinema em Portugal". "Temos tudo, falta apenas um estúdio grande e de qualidade, para que o Algarve consiga atrair grandes produções", rematou.
Monchique sem condições para o lince ibérico... Para sobreviver em liberdade, o carnívoro mais ameaçado da Europa deve estar longe de estradas e pessoas. E da barragem de Odelouca, em construção.A vista oferece quilómetros de montes pelados e cinzentos, preenchidos com estevas e arbustos pouco desenvolvidos. Ao fundo, a barragem em construção da ribeira do Odelouca, uma cavidade que está a ser preenchida com milhares de toneladas de betão e que vai abastecer municípios do Barlavento Algarvio (o investimento ronda os 76 milhões de euros). Estamos em plena Serra de Monchique, não muito longe do local escolhido para instalar o primeiro Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CRNRLI), inaugurado à pressa na semana passada pelo ministro do Ambiente, Nunes Correia. O complexo custou cerca de seis milhões de euros - a União Europeia pagou 75%, a Águas do Algarve os restantes 25% - e nesta fase ainda está vazio, desprovido de zonas verdes e rodeado de casas, estradas de terra e uma manta de retalhos feita de eucaliptos, e azinheiras e sobreiros. "Aqui o lince nunca poderia viver. Não tem nada para comer e esta zona está hiperdegradada, não resta nada do ecossistema original", explica a espanhola Astrid Vargas, directora do programa ex-situ (em cativeiro) do felino mais ameaçado do planeta. Astrid é a pessoa que melhor conhece os esforços realizados pelo país vizinho para recuperar este felino (Lynx pardinus) e supervisionou a construção do centro recém-inaugurado em Silves, "muito bem construído, mas sobretudo gerido por uma equipa excelente".
Com as instalações operacionais, albergaram dois veterinários, uma bióloga, quatro tratadores e um administrativo. Muitos deles, incluindo o director, Rodrigo Serra, trabalharam antes nos dois centros de cria que existem em Espanha: La Olivilla e El Acebuche, ambos na Andaluzia (há outro, em Jerez, mas não exclusivo para linces-ibéricos, e está a ser construído mais um, na Extremadura). Em Silves, "faltam pequenos detalhes, como o enriquecimento natural dos cercados, para os animais se sentirem em casa", reconhece Rodrigo Serra. A obra portuguesa é uma evolução das espanholas, e beneficiou dos ensinamentos acumulados desde 2004. É a maior e a mais moderna da Península Ibérica e dispõe de áreas diferenciadas para campeio, cria e quarentena, além de um circuito de video-vigilância com 73 câmaras móveis e fixas.
Actualmente vivem em liberdade cerca de 200 linces ibéricos em três zonas da Andaluzia e Castela. O objectivo final deste esforço conjunto hispano-luso é a reintrodução do animal nas zonas que outrora dominou, em vez de "termos um morto-vivo atrás das grades" - nas palavras de Astrid Vargas. O centro de cria foi uma das mais de 70 medidas de compensação e minimização pelo impacte ambiental da barragem de Odelouca, que contempla também a construção de uma estação ecológica e a implementação de um projecto de gestão florestal. O Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICBN), responsável pela gestão do centro de cria, garante que haverá linces em Monchique: "Vai haver condições aqui como noutros sítios. Não posso é dizer quais porque depende da população de coelhos", admite o director do ICBN, Tito Rosa.
O coelho bravo constitui 80% da alimentação do lince, que sem esta presa não pode sobreviver. "Primeiro há que fazer um estudo de adequabilidade dos habitats, mas estamos a trabalhar já em duas herdades do Sítio Monchique", avança Lurdes Carvalho, do ICBN. "Portugal tem de escolher uma área já", salienta Vargas. Para que o lince sobreviva é preciso um trabalho prévio de pelo menos três anos e 10 mil hectares sem estradas e sem habitantes. "Há poucos assim na Península", diz Vargas. Monchique, para já, não é um deles.
Desempregados em agosto coloca Algarve na pior situação de desemprego no verão
O Algarve registou em agosto deste ano 21.370 desempregados, uma situação que coloca a região no pior registo oficial de sempre de desempregados no mês de agosto, indicou a Comissão Executiva da União dos Sindicatos do Algarve. "São preocupantes os dados disponibilizados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (...) e que indicam que existiam 21.370 desempregados em agosto, o que corresponde ao pior registo oficial de sempre de desempregados no mês de agosto no Algarve", lê-se num comunicado da União de Sindicatos do Algarve.
A União dos Sindicatos do Algarve classifica a situação económica e social algarvia como estando em "degradação acelerada" e avisa que vai pedir reuniões com várias entidades regionais, partidos políticos e com o bispo do Algarve, com o objetivo de procurar "caminhos que permitam obrigar o Governo a uma intervenção urgente".
Em agosto de 2009 existiam 18 199 desempregados registados, mas chegou aos 30 mil no primeiro trimestre de 2010. "É absolutamente plausível a previsão de que no próximo inverno se assista a um agravamento da crise e que o número de desempregados venha a ser ainda superior ao verificado no último inverno. O que poderá significar uma taxa de desemprego bem superior à então registada - a mais elevada do país nesse trimestre - e que foi de 13,6 por cento", referem os sindicalistas.
Algarve é a região mais penalizada no setor da construção
A construção continua a ser afetada pela crise, registando quebras no número de fogos licenciados e no valor das adjudicações dos concursos, sendo a região do Algarve a mais penalizada, segundo dados divulgados hoje por uma associação do setor. "A evolução do setor [da construção] continua a não apresentar sinais animadores" e a "forte e prolongada crise que o setor da construção atravessa tem vindo a afetar todo o país", lê-se na Análise de Conjuntura de agosto da Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços (AECOPS). De acordo com o documento, "os dados disponíveis continuam a demonstrar que as regiões mais a sul são aquelas onde as consequências dessa crise se têm feito sentir com mais acuidade", sendo o Algarve a região "mais penalizada".
"De entre as regiões de influência da AECOPS [Algarve, Alentejo, Lisboa e Centro], o Algarve é a que apresenta a estrutura empresarial mais débil, isto é, do total de entidades autorizadas a exercer actividade de construção, apenas 33 por cento é detentora de alvará", refere a AECOPS. O aumento do número de desempregados do setor da construção "continua a assumir maior expressão na zona do Algarve, apresentando um crescimento de 48 por cento em finais de junho", face a uma subida de 22 por cento em termos nacionais. O número de desempregados da construção aumentou 15,2 por cento no Alentejo, 15,4 por cento em Lisboa e 12,9 por cento no Centro, em termos homólogos, segundo os dados da AECOPS. Em termos nacionais, refere a associação, "a evolução do setor continua a não apresentar sinais animadores, com quebras acentuadas nos indicadores geralmente utilizados para aferir do desempenho dos diversos segmentos de actividade", como o número de fogos licenciados ou o valor das adjudicações de concursos públicos.
De acordo com a AECOPS, o número de fogos licenciados caiu 13 por cento até maio e o valor das adjudicações de concursos públicos recuou 67 por cento até ao final de junho. No Algarve, a quebra do número de fogos licenciados ascendeu a 40,5 por cento, em termos homólogos, no Alentejo a 27,7 por cento e em Lisboa a 1,9 por cento. Na região Centro, o número de novos fogos licenciados aumentou 11,5 por cento em termos homólogos.
No que respeita ao valor das adjudicações de concursos públicos, o Algarve registou uma quebra homóloga de 71,7 por cento, o Alentejo de 67 por cento, Lisboa de 67,6 por cento e o Centro de 38,5 por cento. A associação aponta como "gerador de expetativas mais favoráveis" para a evolução do setor a médio prazo "o crescimento acentuado do valor das obras públicas lançadas a concurso (mais 128 por cento, em termos homólogos, até junho), com especial relevância para o Alentejo". Nesta região a AECOPS destaca as obras a desenvolver "quer no âmbito do projeto do Alqueva, quer ligadas ao Porto de Sines".
Procura de comida mais barata aumenta no Norte e no Algarve
Os consumidores portugueses estão a comprar produtos de alimentação mais baratos. É um efeito já conhecido da crise, mas que não se distribui igualmente em todo o país. O Norte e o Algarve são as regiões onde se está a sentir mais esta mudança no padrão de consumo. Quem o diz é o presidente da Jerónimo Martins. Alexandre Soares dos Santos tira a conclusão a partir dos dados de venda das cadeias Pingo Doce, Feira Nova e Recheio.
"Não sei se os portugueses estão a comer pior. Mas estão a comer diferente, com certeza. E a prova disso é o aumento de vendas de frango, salsichas, ovos e produtos deste género mais baratos." O presidente do Grupo Jerónimo Martins realça que este fenómeno "se está a notar mais no Norte, em particular no Minho, e a começar no Algarve". A mudança de hábitos de consumo é atribuída por Soares dos Santos "As dificuldades económicas e ao desemprego, que é mais alto, nessas áreas". Nas cidades e no centro, a procura por produtos mais baratos não se nota tanto.
A Jerónimo Martins apresentou ontem os resultados do primeiro trimestre de 2009, que revelam um crescimento, ainda que moderado, das vendas no mercado nacional. Apesar deste comportamento positivo, que ainda não reflecte a procura da Páscoa, Soares dos Santos recusa a ideia de que a crise é boa para o sector da distribuição e refuta a tese de que as pessoas estarão a comprar mais alimentos nos supermercados em vez de comerem refeições fora de casa. "Isso é mentira", diz. "Os consumidores estão a substituir artigos de maior valor acrescentado por produtos mais baratos e as lojas chegam ao fim do dia com menos dinheiro."
O presidente não executivo do grupo explica o aumento das vendas em Portugal com o crescimento do número de clientes. E realça: "A crise veio infelizmente reduzir o aumento das vendas que se vinha a registar de ano para ano na nossa cadeia. Não conheço nenhuma crise que seja boa." Outra tendência do mercado nacional é a maior procura das chamadas marcas brancas, designação que Soares dos Santos corrige por "marcas próprias" das empresas de distribuição. A marca própria Pingo Doce, também vendida no Feira Nova, já representa cerca de 40% a 42% das vendas do grupo. A percentagem sobe de forma expressiva se se incluírem os produtos frescos (carne, peixe e vegetais).
GNR reforça patrulhamento nas estradas
As ordens são claras e responsabilizam as estruturas de comando: a partir de 1 de Novembro a GNR tem de reforçar o patrulhamento rodoviário, estar mais visível na estrada e reforçar a fiscalização das infracções que mais causam acidentes. As instruções são dadas numa norma interna que constitui um misto de mea culpa e de puxão de orelhas aos militares que estão no terreno. Admitindo que o balanço de vítimas de acidentes está "aquém dos objectivos quantitativos definidos pela Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária (ENSR)", o documento lembra que a guarda tem a seu cargo 90% da rede viária fundamental. Logo, cabe-lhe "um papel fulcral na redução" da sinistralidade. Assinada pelo comandante operacional, tenente-general Meireles Carvalho, a norma a que o i teve acesso aponta objectivos de intensificação da fiscalização, particularmente da condução sob efeito de álcool e do excesso de velocidade. Mas não se fica pela vigilância, lembrando ser essencial um papel "dinâmico e proactivo", com patrulhas caracterizadas e visíveis. Quando estiverem parados, os elementos das patrulhas devem permanecer "obrigatoriamente" no exterior da viatura e "é expressamente proibido" ausentarem-se dos giros previamente definidos.
Além de acentuar a necessidade de libertar pessoal de tarefas administrativas, a norma lembra que as operações stop devem ser acompanhadas pelos comandantes das unidades. Em caso de infracção, os condutores devem ser parados no local, evitando-se o envio de multas pelo correio, "combatendo desta forma o sentimento de impunidade". Há dois anos a lutar contra a desmotivação e a guerra surda causada pela extinção da Brigada de Trânsito, o comando da GNR lança também ordens para reforçar o controlo dos militares do terreno. Para isso deverá ser nomeada "uma ronda por turno de serviço". O papel da ronda tem uma dupla vertente: "O apoio permanente aos militares que constituem as patrulhas, esclarecendo-os e exortando-os ao cumprimento da missão, bem como o controlo operacional das tarefas que superiormente lhes foram determinadas."
Mais uma vez os comandantes são chamados a ter um papel próximo dos meios que dirigem, fazendo directamente esse controlo. Para os comandantes de postos, subdestacamentos e destacamentos define-se que "deverão rondar as patrulhas com uma periodicidade diária", enquanto nos comandos das unidades se prevê uma ronda por semana. Até 21 de Outubro, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária contabiliza 586 mortos, um número que depois será actualizado com as estatísticas a 30 dias. Este valor, que inclui as vítimas que acabam por morrer no hospital, implicou nos primeiros três meses um acréscimo na ordem dos 30%. Para 2011, a meta da ENSR é de 780 vítimas (78 por milhão de habitantes), o que apenas será conseguido com uma melhoria dos resultados.
Sanções mais pesadas para condutores alcoolizados
O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), Carlos Barbosa, considerou ontem que o ensino da condução em Portugal é desastroso, defendendo exames mais rigorosos e sanções mais gravosas para quem conduzir alcoolizado. "Hoje em dia os exames de condução são muito permissivos e os conteúdos estão desadequados do mundo real. As pessoas vão para a escola de condução não para aprender a conduzir, mas para tirar a carta, fazendo depois a sua aprendizagem nas estradas", criticou Carlos Barbosa, defendendo exames mais rigorosos e maior fiscalização às escolas de condução. Carlos Barbosa falava à agência Lusa à margem da conferência "Jovens 18-24 anos e sinistralidade rodoviária", que decorreu durante dois dias, em Lisboa.
Portimão pode vir a ser a Hollywood portuguesa
A Câmara de Portimão e a Algarve Film Commission estão a negociar a construção de um parque de diversões e de um complexo cinematográfico com a Universal Studios e CBS Paramount, cujo investimento ultrapassa o do Autódromo Internacional do Algarve. Os projectos estão a ser dinamizados pela empresa municipal Portimão Turis e pelo actor Joaquim de Almeida, que esteve em Cannes (França) para apresentar aquelas entidades a produtores, realizadores e administradores de companhias norte-americanas e europeias de cinema. Segundo o presidente da Portimão Turis, Luís Carito, os dois equipamentos representam no total um investimento de 750 milhões de euros, 550 milhões para erguer o parque de diversões e 200 milhões para o complexo de produção cinematográfica.
O parque de diversões é assim uma das maiores componentes do projecto, tendo como temática "a história do cinema e o mundo automóvel", acrescentou ainda o vice-presidente da autarquia. Um terreno com cerca de 150 hectares, junto ao Autódromo do Algarve, localizado no Sítio do Escampadinho, vai receber o denominado "Media Park", que, revelou, "está a ser negociado com a companhia norte-americana Universal Studios", que já dispõe de parques temáticos em Hollywood, Orlando e Japão. A CBS Paramount está, por seu lado, interessado nos estúdios de cinema, a tal ponto que a vice-presidente da companhia vai acompanhar a apresentação do projecto, hoje, em Portimão.
Para Luís Carito, o projecto, denominado "Picture Portugal", "pretende criar uma nova visão na produção de cinema em Portugal", não só por criar equipamentos que não existem actualmente no país, como por disponibilizar ferramentas para dinamizar a indústria. Embora o projecto contemple 11 estúdios vão ser construídos apenas dois até 2010. "Estamos a estudar a melhor localização para os estúdios, sabendo que temos duas possibilidades plausíveis em terrenos da autarquia e que ambas permitem o desenvolvimento de novos equipamentos", explicou. A primeira fase de desenvolvimento contempla também a criação de zonas de pós-produção áudio e vídeo, uma área de cenários exteriores e um "watertank", uma piscina do tamanho de um campo de futebol equipada com um ecrã de grandes dimensões para a realização de filmagens aquáticas e subaquáticas.
A ideia da autarquia é fazer com que cada equipamento do complexo de cinema tenha a sua própria sociedade gestora especializada, estando inclusivamente a ser criado um fundo de financiamento de produções cinematográficas rodadas em Portugal. No topo da hierarquia ficará uma «holding» que, segundo o autarca, já está a ser preparada. "Será uma holding internacional, com parceiros portugueses e estrangeiros que já manifestaram interesse, onde o município irá surgir como sócio minoritário", disse. O projecto já foi candidatado aos apoios da segunda fase do PROVERE (Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos), mas, segundo Luís Carito, "depende essencialmente da iniciativa privada". As intenções, referiu o autarca, existem mas ainda assim "estão a ser negociadas linhas de financiamento e de incentivo fiscal". O objectivo para já, disse ainda Luís Carito, "é captar produtores e realizadores para o Algarve".
Crise não afecta indústria cinematográfica
Um dos principais rostos do complexo de produção cinematográfica "Picture Portugal" sediado no Algarve, o actor Joaquim de Almeida, reconhece que o projecto "é ambicioso", mas fez notar que "a crise não está a afectar os grandes estúdios". Em declarações à Agência Lusa, o mais internacional dos actores portugueses referiu que "o cinema está a fazer mais dinheiro do que em anos anteriores" e que "tem capacidade de investimento". Procura, ainda assim, "produções com menos custos", o que, para Joaquim de Almeida, é um trunfo para Portugal. "Temos uma Lei do Cinema favorável, temos salários competitivos, temos uma variedade de paisagens enorme num país pequeno e um clima excelente, só precisamos de criar as condições", disse.
Pelos contactos que tem feito nos Estados Unidos, o actor disse acreditar que o projecto está em condições de seguir em frente, até porque - defendeu - está provada a apetência dos estúdios pela mudança. "Nos Estados Unidos, as grandes produções têm vindo a sair de Hollywood para os Estados de Louisiana e Oregon, porque encontram aí facilidades. Têm ido também para Espanha, Marrocos e países do Leste Europeu, porque encontram aí condições fiscais atractivas", descreveu, sublinhando que também já há contactos com o governo português para criar esse tipo de incentivo.
Paralelamente, está a ser criado um Fundo de Investimento em Produções Cinematográficas, que, até 2011, vai disponibilizar 250 milhões de dólares (180 milhões de euros) para produções próprias e co-produções cinematográficas rodadas em Portugal. O actor Joaquim de Almeida referiu que se está perante um projecto que "promete revolucionar a indústria do cinema em Portugal". "Temos tudo, falta apenas um estúdio grande e de qualidade, para que o Algarve consiga atrair grandes produções", rematou.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Reprodução de Linces em cativeiro
Linces voltaram a nascer em Silves
A coordenadora diz que "há um balanço positivo do 1º ano do centro de reprodução, com o nascimento de duas crias de linces ibéricos, em Silves".
O nascimento de duas crias de linces ibéricos logo na primeira época do novo centro nacional de reprodução em cativeiro, aberto há um ano em Silves, dá nota positiva àquela estrutura, disse à Lusa a coordenadora do projeto. "Foi um sucesso haver reprodução de linces ibéricos na primeira época em que o centro abriu, sobretudo de um animal - Azahar - que tinha tido duas tentativas sem sucesso em Espanha", disse Lurdes de Carvalho, coordenadora do plano de ação para a conservação do lince ibérico em Portugal, em entrevista à agência Lusa, a propósito do Dia da Conservação da Natureza, que se assinala na quarta feira.
Lurdes Carvalho explicou que, apesar de as duas crias terem morrido por causa de uma "infeção bacteriana" e de "problemas congénitos", o facto de terem sido concebidas e terem nascido com vida em Silves, no Algarve, só por si já é um fator positivo no primeiro ano de existência do centro nacional de reprodução do lince ibérico, representando as primeiras reproduções comprovadas em Portugal nos últimos 30 anos.
Uma das crias morreu a 11 de abril, tendo resistido com vida sete dias, e a outra no dia 18, resistindo 15 dias com vida. Os resultados das autópsias realizadas no Centro de Análises e Diagnóstico de Málaga, em Espanha - centro que realiza as autópsias dos linces que morrem em cativeiro -, indicam que as crias nasceram com problemas congénitos incompatíveis com a vida, apesar de estarem bem formadas e com as proporções corretas.
Uma das crias apresentava má formação da tiróide, responsável pela hormona do crescimento, e à segunda cria foi diagnosticada uma rutura de intestino, explica o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB). Dez meses depois de Portugal ter começado a receber linces ibéricos, felinos em vias de extinção, Lurdes Carvalho informa que o centro está a "funcionar em pleno" e que o trabalho está "rotinado para a preparação de linces para a reprodução".
"Queremos obter mais indivíduos", declarou a responsável pelo plano de conservação da espécie de felino mais ameaçada do planeta, o Lynx pardinus. O primeiro centro nacional de reprodução em cativeiro do lince ibérico em Portugal foi inaugurado em maio de 2009 na Herdade das Santinhas, em Silves, e em outubro de 2009 começou a receber os primeiros linces, de um total de 16, que hoje habitam em Silves.
A obra nasceu para compensar os impactes ambientais da barragem de Odelouca, uma imposição da União Europeia para finalizar uma obra suspensa durante três anos. No centro de reprodução trabalham dois veterinários, uma bióloga na área do comportamento e cinco tratadores. De uma população de 100 mil animais no início do século XX, o número de linces ibéricos situa-se hoje na ordem das duas centenas em estado selvagem, além daqueles que são mantidos em centros como o de Silves.
A coordenadora diz que "há um balanço positivo do 1º ano do centro de reprodução, com o nascimento de duas crias de linces ibéricos, em Silves".O nascimento de duas crias de linces ibéricos logo na primeira época do novo centro nacional de reprodução em cativeiro, aberto há um ano em Silves, dá nota positiva àquela estrutura, disse à Lusa a coordenadora do projeto. "Foi um sucesso haver reprodução de linces ibéricos na primeira época em que o centro abriu, sobretudo de um animal - Azahar - que tinha tido duas tentativas sem sucesso em Espanha", disse Lurdes de Carvalho, coordenadora do plano de ação para a conservação do lince ibérico em Portugal, em entrevista à agência Lusa, a propósito do Dia da Conservação da Natureza, que se assinala na quarta feira.
Lurdes Carvalho explicou que, apesar de as duas crias terem morrido por causa de uma "infeção bacteriana" e de "problemas congénitos", o facto de terem sido concebidas e terem nascido com vida em Silves, no Algarve, só por si já é um fator positivo no primeiro ano de existência do centro nacional de reprodução do lince ibérico, representando as primeiras reproduções comprovadas em Portugal nos últimos 30 anos.
Uma das crias morreu a 11 de abril, tendo resistido com vida sete dias, e a outra no dia 18, resistindo 15 dias com vida. Os resultados das autópsias realizadas no Centro de Análises e Diagnóstico de Málaga, em Espanha - centro que realiza as autópsias dos linces que morrem em cativeiro -, indicam que as crias nasceram com problemas congénitos incompatíveis com a vida, apesar de estarem bem formadas e com as proporções corretas.
Uma das crias apresentava má formação da tiróide, responsável pela hormona do crescimento, e à segunda cria foi diagnosticada uma rutura de intestino, explica o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB). Dez meses depois de Portugal ter começado a receber linces ibéricos, felinos em vias de extinção, Lurdes Carvalho informa que o centro está a "funcionar em pleno" e que o trabalho está "rotinado para a preparação de linces para a reprodução".
"Queremos obter mais indivíduos", declarou a responsável pelo plano de conservação da espécie de felino mais ameaçada do planeta, o Lynx pardinus. O primeiro centro nacional de reprodução em cativeiro do lince ibérico em Portugal foi inaugurado em maio de 2009 na Herdade das Santinhas, em Silves, e em outubro de 2009 começou a receber os primeiros linces, de um total de 16, que hoje habitam em Silves.
A obra nasceu para compensar os impactes ambientais da barragem de Odelouca, uma imposição da União Europeia para finalizar uma obra suspensa durante três anos. No centro de reprodução trabalham dois veterinários, uma bióloga na área do comportamento e cinco tratadores. De uma população de 100 mil animais no início do século XX, o número de linces ibéricos situa-se hoje na ordem das duas centenas em estado selvagem, além daqueles que são mantidos em centros como o de Silves.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Guerra na "educação" em Alcoutim
Não dá o Bota com a perdigota...
PSD/Algarve acusa Governo e DREA de partidarizar nomeação presidente do agrupamento, mas DREA refuta.
O PSD/Algarve acusou ontem o Governo e Direcção Regional de Educação do Algarve (DREA) de estarem a partidarizar a nomeação do presidente do agrupamento de escolas de Alcoutim e exige à ministra da Educação uma intervenção. "O Governo do Partido Socialista, através da Direcção Regional de Educação do Algarve, predispôs-se a cometer todo o tipo de atropelos no processo de nomeação do presidente da Comissão Administrativa Provisória (CAP) do Agrupamento de Escolas do município de Alcoutim, sedeado em Martinlongo" acusa o líder do PSD/Algarve, Mendes Bota.
Em comunicado de imprensa enviado hoje à comunicação social, o PSD/Algarve exige a "intervenção da ministra da Educação, para colocar termo à inadmissível manipulação partidária da Direcção Regional de Educação". Segundo Mendes Botas, Alcoutim foi o único município do Algarve onde "não houve nomeação direta da Comissão Administrativa Provisória". Para Alcoutim, o diretor regional entendeu "por bem abrir um concurso para apresentação de candidaturas, com critérios feitos à medida para beneficiar o tal apaniguado do Partido Socialista - o diretor da Escola de Alcoutim", acusa o PSD/Algarve.
Mendes Bota recorda que em todos os outros municípios do Algarve foi escolhido para presidente das respetivas CAP, o diretor ou diretora da Escola Sede do Agrupamento, ou, da maior Escola do Agrupamento, que no caso de Alcoutim, é precisamente a Escola de Martinlongo, todavia, a DREA quer "favorecer diretor da Escola de Alcoutim". O PSD/Algarve classifica a manobra de um "escândalo de manipulação da coisa pública ao serviço dos interesses partidários, utilizando os critérios sem critério". O diretor da DREA, Luís Correia, refutou completamente as acusações do PSD/Algarve e classifica de "muito infeliz esse tipo de acusações. Os critérios de escolha não foram partidarizados, advêm sim da experiência e formação profissional dos candidatos", disse Luís Correia, em declarações à Agência Lusa.
Luís Correia confirma que o agrupamento escolar de Alcoutim foi realmente o único do Algarve, porque foi onde "não houve acordo entre os dois presidentes dos órgãos de gestão para a designação do CAP" e, por esse motivo, "foi aberto um concurso, limitado, onde os critérios foram definidos por uma comissão criada para o efeito". A comissão foi constituída pelo presidente da Escola de Alcoutim, presidente da Escola de Martinlongo e um elemento da DREA.
PSD/Algarve acusa Governo e DREA de partidarizar nomeação presidente do agrupamento, mas DREA refuta.O PSD/Algarve acusou ontem o Governo e Direcção Regional de Educação do Algarve (DREA) de estarem a partidarizar a nomeação do presidente do agrupamento de escolas de Alcoutim e exige à ministra da Educação uma intervenção. "O Governo do Partido Socialista, através da Direcção Regional de Educação do Algarve, predispôs-se a cometer todo o tipo de atropelos no processo de nomeação do presidente da Comissão Administrativa Provisória (CAP) do Agrupamento de Escolas do município de Alcoutim, sedeado em Martinlongo" acusa o líder do PSD/Algarve, Mendes Bota.
Em comunicado de imprensa enviado hoje à comunicação social, o PSD/Algarve exige a "intervenção da ministra da Educação, para colocar termo à inadmissível manipulação partidária da Direcção Regional de Educação". Segundo Mendes Botas, Alcoutim foi o único município do Algarve onde "não houve nomeação direta da Comissão Administrativa Provisória". Para Alcoutim, o diretor regional entendeu "por bem abrir um concurso para apresentação de candidaturas, com critérios feitos à medida para beneficiar o tal apaniguado do Partido Socialista - o diretor da Escola de Alcoutim", acusa o PSD/Algarve.
Mendes Bota recorda que em todos os outros municípios do Algarve foi escolhido para presidente das respetivas CAP, o diretor ou diretora da Escola Sede do Agrupamento, ou, da maior Escola do Agrupamento, que no caso de Alcoutim, é precisamente a Escola de Martinlongo, todavia, a DREA quer "favorecer diretor da Escola de Alcoutim". O PSD/Algarve classifica a manobra de um "escândalo de manipulação da coisa pública ao serviço dos interesses partidários, utilizando os critérios sem critério". O diretor da DREA, Luís Correia, refutou completamente as acusações do PSD/Algarve e classifica de "muito infeliz esse tipo de acusações. Os critérios de escolha não foram partidarizados, advêm sim da experiência e formação profissional dos candidatos", disse Luís Correia, em declarações à Agência Lusa.
Luís Correia confirma que o agrupamento escolar de Alcoutim foi realmente o único do Algarve, porque foi onde "não houve acordo entre os dois presidentes dos órgãos de gestão para a designação do CAP" e, por esse motivo, "foi aberto um concurso, limitado, onde os critérios foram definidos por uma comissão criada para o efeito". A comissão foi constituída pelo presidente da Escola de Alcoutim, presidente da Escola de Martinlongo e um elemento da DREA.
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