Liberdade e o Direito de Expressão

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Cerco a Portugal

Grécia e Portugal são “casos perdidos”, diz economista
                                                                                                                      
Nouriel Roubini diz que não será grave se os dois saírem do Euro, grave será se a crise chegar a Itália e Espanha. Cavaco Silva volta a pedir “acção rápida” aos líderes europeus.
                                                 
O economista norte-americano Nouriel Roubini olha para Portugal como um “caso perdido” comparável à Grécia. Nouriel Roubini, que previu a crise financeira de 2008, diz ser muito provável a saída da Grécia do Euro e acrescenta que Portugal poderá seguir o mesmo caminho. Em entrevista à Reuters, Roubini sustenta que a prioridade para garantir a sobrevivência da moeda única é assegurar a estabilidade económica e financeira em Espanha e Itália. “Nos próximos 12 ou 18 meses é muito provável a saída da Grécia da Zona Euro. Julgo que Portugal, que agora não está no centro das preocupações, é também um caso perdido como a Grécia. O mais importante não é Portugal ou Grécia – são suficientemente pequenos para poderem sair do Euro de forma minimamente ordeira se Espanha e Itália tiverem a devida protecção. Agora, de Itália e Espanha – terceira e quarta maiores economias do Euro – tiverem de sair, então isso significará a ruptura da moeda única”, disse. Os líderes europeus, da Comissão Europeia e do BCE, nomeadamente, têm garantido que os 17 países da zona euro vão continuar juntos e que não vai haver um euro a duas velocidades, mas já se diz que Alemanha e França estão a preparar alternativas.
Mercados não esperam por "discussões labirínticas”, alerta Presidente. O Presidente da República voltou hoje a pedir "acção rápida" aos líderes europeus, sublinhando que os mercados não esperam por "discussões labirínticas e negociações intermináveis" entre os protagonistas. "Este tempo exige, mais do que nunca, convergência, solidariedade e responsabilidade sem falhas da parte dos Estados e das instituições europeias", afirmou Cavaco Silva, numa conferência, na Universidade de Stanford, na Califórnia. Considerando que a União Europeia vive "horas decisivas para o seu futuro", Cavaco Silva retomou o discurso das últimas semanas, insistindo que o que está em causa é defender o maior activo dos povos europeus: a integração europeia, de que o Euro é "uma componente central". Numa intervenção feita em Inglês, o chefe de Estado renovou ainda a garantia de que Portugal honrará "plenamente" os seus compromissos, restabelecerá o equilíbrio das finanças públicas e levará por diante as reformas estruturais indispensáveis ao reforço da competitividade da economia. "Estão a ser exigidos duros sacrifícios ao povo português, que tem respondido com grande sentido patriótico de responsabilidade, mas igualmente com a esperança de que o caminho que estamos a percorrer venha a conduzir a uma economia saudável e competitiva", vincou o chefe de Estado. E, acrescentou, se "esse caminho pode parecer incerto e longínquo", vale a pena recordar que ao longo da sua História, Portugal venceu desafios que muitos julgariam impossíveis de ultrapassar. Na 'palestra' que proferiu na Universidade de Stanford, onde se propôs a apresentar outra visão de Portugal, "diferente daquela que geralmente é apresentada no simplismo efémero dos rodapés dos noticiários das televisões", Cavaco Silva deixou ainda alguns dos exemplos da capacidade de inovação dos portugueses.
                                                                                               
Proposto fim de quatro canais da RTP e fusão da Internacional com a África
                                                                                                       
Grupo de trabalho defende que não deve haver qualquer tipo de publicidade no serviço público de comunicação social. O relatório do grupo de trabalho para a definição do serviço público de comunicação social, que foi divulgado hoje, recomenda o fim da RTP Informação, da RTP Memória, RTP Açores e RTP Madeira, além da fusão da RTP África com a RTP Internacional. Segundo o grupo de trabalho liderado pelo presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão, João Duque, a missão da RTP Informação é garantida "amplamente" pelos canais privados existentes, "pelo que não se justifica a sua manutenção". "Julgamos que se corre o risco de este canal redundar numa plataforma ao serviço de interesses que extravasam o domínio do serviço público", escrevem os autores. Por outro lado, o grupo de trabalho não vê "qualquer interesse público num canal como a RTP Memória", sendo que os seus conteúdos deviam passar para a página de Internet da estação. Em relação à RTP Internacional e RTP África, os elementos que compunham a equipa encarregue pelo Governo de definir o serviço público no âmbito da comunicação social explicam que "o Estado deve concentrar o serviço internacional num único canal, com o objectivo de manter e desenvolver a presença externa do país projectando a língua portuguesa". Tanto na rádio como na televisão públicas, o grupo de trabalho propõe noticiários curtos, limitados ao essencial.
Missão da RTP Madeira e Açores está "terminada": O grupo de trabalho para a definição do serviço público de comunicação social considera que "a missão histórica" da RTP Açores e RTP Madeira está "terminada", segundo o relatório hoje divulgado. "Sobre a RTP Açores e RTP Madeira, consideramos que a sua missão histórica está terminada", escrevem os autores do relatório, acrescentando que existe nas regiões autónomas, tal como no continente, "a tendência do poder político para tornar cativos os canais". O grupo de trabalho presidido pelo economista João Duque ressalva que a missão "de afirmação das autonomias e de ligação entre si e ao continente" foi cumprida, mas está agora ultrapassada. Relativamente à possibilidade de haver despedimentos no seguimento destas indicações do grupo de trabalho, João Duque ressalva que a proposta de reestruturação feita pela administração da RTP já quantifica o número de pessoas a despedir e que pode ir até às 300.
Serviço público sem publicidade: O grupo de trabalho encarregue de definir o conceito de serviço público de comunicação social defende que não deve haver qualquer tipo de publicidade nestes serviços. "Defendemos o fim da publicidade comercial, em qualquer formato, incluindo a colocação de produtos (product placement) no ou nos canais de serviço público de televisão, tal como em qualquer outro serviço público de comunicação social", lê-se no relatório. O grupo de trabalho salienta ainda que "num qualquer processo de privatização, recomendamos que o Governo acautele os impactos no mercado da comunicação social, cuja independência e pluralidade é um valor em si mesmo". O fim da publicidade no serviço público vai contra a proposta de reestruturação apresentada pela administração da RTP. Em declarações aos jornalistas, João Duque, o coordenador do grupo de trabalho, desvaloriza esta divergência. João Duque lamenta que vários elementos tenham abandonado o grupo de trabalho antes da apresentação das conclusões. "Estou convencido que subscreveriam na generalidade, talvez com uma ou outra declaração de voto, aquilo que foi a consideração final", sublinha. O grupo de trabalho foi criado em Agosto pelo Governo, através de um despacho que estabelecia um prazo de 60 dias para apresentação de um relatório sobre a definição de serviço público de comunicação social. Coordenado pelo economista João Duque, o grupo de trabalho integrou António Ribeiro Cristóvão, Eduardo Cintra Torres, José Manuel Fernandes, Manuel José Damásio, Manuel Villaverde Cabral e Manuela Franco. Fizeram ainda parte deste grupo Francisco Sarsfield Cabral, João do Amaral e Felisbela Lopes, que se demitiram - os dois primeiros em Outubro, a terceira a 9 de Novembro.
                                                                                                                    
Europa aceita manter programa que apoia 400 mil carenciados em Portugal
                                                                                                               
Ministra da Agricultura satisfeita com manutenção do programa. Cerca de 18 milhões de europeus beneficiam do apoio. A actual situação de crise terá sido determinante para uma mudança de posições, já que os apoios estavam em risco de cessar. Os ministros da Agricultura da União Europeia deverão hoje chegar a acordo para a manutenção do programa alimentar de apoio aos mais desfavorecidos. O programa, que apoia 400 mil portugueses, deve ficar em vigor pelo menos durante mais dois anos. O programa apoia anualmente 18 milhões de europeus, mas a sua existência estava em risco devido à oposição de um pequeno grupo de países liderado pela Alemanha. A actual situação de crise terá sido determinante para uma mudança de posições, ainda que temporária. A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, congratulou-se com esta evolução, mas alertou para a necessidade de preparar a discussão para o futuro. “Com um número de pobres tão elevado, com pessoas a sofrerem tantas dificuldades, era difícil sustentar que não se mantivesse esta política pelo menos pelos dois anos que estava inicialmente prevista”, explicou a ministra da Agricultura. Para o futuro, diz Assunção Cristas, “com certeza que haverá matéria para discutir, mas, para já, com este enquadramento, com este orçamento, mantém-se o que estava previsto, que é muito positivo”. Durante os próximos dois anos, o programa continuará a ser totalmente financiado por dinheiros europeus, contando com cerca de 500 milhões de euros do orçamento da Política Agrícola Comum. Dentro de dois anos, a sua existência ou a modificação da respectiva fonte de financiamento estará novamente em discussão. Os alimentos comprados com estas verbas são uma parte essencial dos bens distribuídos por entidades como o Banco Alimentar, cuja intervenção social tem assumido uma relevância crescente na actual situação de crise.
                                                                                                       
Banco Alimentar aplaude manutenção de programa que apoia 400 mil portugueses
                                                                                                                                   
Isabel Jonet considera relevante o facto de a Alemanha ter desistido do braço de ferro que, juntamente com um pequeno grupo de países, se opunha a esta iniciativa. A presidente do Banco Alimentar contra a Fome recebe com grande satisfação a notícia de que foi aprovado o programa comunitário de apoio alimentar, que se vai manter pelo menos até 2013. Esta ajuda, no valor de 20 milhões de euros, vai socorrer 400 mil pessoas carenciadas só em Portugal. “Vem uma dotação orçamental, mas não há nenhum dinheiro envolvido. São produtos que são entregues ao Ministério da Solidariedade Social, que faz a distribuição e os entrega a vários associações de solidariedade, algumas das quais são bancos alimentares”, explica Isabel Jonet, que considera relevante o facto de a Alemanha ter desistido do braço de ferro que, juntamente com um pequeno grupo de países, se opunha a esta iniciativa. “Há cada vez mais pobres na Europa que dependem destes apoios até para sobreviver. Eu acho que é revelador que a Europa ainda está junta e que consegue sobrepor-se a braços ferros políticos, pensando nas pessoas mais pobres que precisam de ajuda”, sublinha Isabel Jonet.
                                                                                               
Campanha "Direito à Alimentação" de pratos vazios
                                                                                                         
Restaurantes não aderiram à campanha que pretendia dar comida aos mais necessitados. Não correspondeu às expectativas a campanha “Direito à alimentação”, patrocinada pelo Presidente da República e que tinha como objectivo dar as refeições que sobravam nos restaurantes às pessoas mais carenciadas. O sector não aderiu. “Havia alguma expectativa, da minha parte e de todos quantos assinaram. Estou à espera de resposta. O projecto era interessante e tinha tudo para dar certo”, afirma à Renascença António Costa Pereira, da comissão de honra da campanha e pioneiro na mobilização da sociedade contra o desperdício alimentar. A campanha foi lançada no dia 10 de Dezembro de 2010. Passado quase um ano, a expectativa caiu por terra. A Associação de Hotelaria e Restauração (AHRESP), que lançou o projecto, recusa-se a fazer um balanço, apesar dos pedidos que a Renascença tem feito desde Julho. Depois de meses de insistência, com marcações de entrevista e sucessivos adiamentos, a AHRESP acabou por dizer que o momento não é oportuno para falar sobre a campanha. Garante apenas que está a decorrer em 91 municípios.
Mas, com a lista na mão, bastam uns telefonemas para concluir que em grande parte das autarquias nada foi feito. É o caso de Loures e Sintra, na Grande Lisboa, bem como de outros como Viseu, onde nenhum restaurante se inscreveu na iniciativa. A Lusa contactou também com algumas autarquias e percebeu que muitas delas abandonaram o projecto, apesar de o seu nome constar da lista da AHRESP. Da comissão de honra do “Direito à Alimentação” fazem parte 15 entidades, entre bancos, empresas, a Associação Nacional de Municípios e a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, a quem, diz António Costa Pereira, a AHRESP devia apresentar resultados. “Tenho a expectativa de que o irão fazer. Perante a expectativa que foi criada, perante tanta gente envolvida, tantas instituições que assinaram e o próprio Presidente da República, obviamente que vão ter de dar resposta, não se podem refugiar”, considera.
Ir além das sobras: Mas houve municípios que conseguiram mobilizar os restaurantes. É o caso do Entroncamento, onde o compromisso passa por confeccionar refeições para quem precisa. Para garantir que haja sempre comida disponível para quem precisa, não se fala em aproveitar sobras, que é a base da campanha “Direito à Alimentação”. “Não se trata propriamente daquilo que inicialmente se tinha pensado nesta campanha – oferecer o que sobra. Os restaurantes contam com ‘x’ número de pessoas para aquele dia e confeccionam para os seus clientes e para as pessoas que estão inseridas na campanha. Tenho receio de que hoje para amanhã não se consiga garantir a prestação deste serviço”, refere a vice-presidente da Câmara do Entroncamento, Paula Pereira. A autarquia identificou as famílias necessitadas e fez a ponte com os restaurantes, que assumiram o compromisso diário de fornecer as refeições. Oito famílias locais conseguem assim, pelo menos, uma refeição diária. O projecto arrancou com quatro restaurantes, um deles desistiu.
                                                                                                   
Não há ainda dados sobre reestruturação dos transportes
                                                                                                                   
O ministro Álvaro Santos Pereira diz que precisa de mais tempo até dar respostas. Os resultados do grupo de trabalho que analisa o sector serão conhecidos nas próximas semanas. Álvaro Santos Pereira, que hoje passou o dia no Parlamento a discutir o Orçamento que tem para as várias áreas que tutela, falou há pouco da prometida reestruturação das empresas de transportes públicos para dizer que ainda não sabe quantos postos de trabalho estão em causa. O ministro da Economia diz que precisa de mais algumas semanas para ter essa resposta. “Depois do grupo de trabalho nos ter dado as respostas e depois de termos ouvido as autarquias, consultadas as partes e as empresas, poderei dar uma resposta concreta. Neste momento, sinceramente, não a tenho”, disse Álvaro Santos Pereira. “Os resultados do grupo de trabalho serão dados a conhecer nas próximas semanas, portanto o Governo irá avaliar todas as propostas. Muitas das propostas serão acatadas, outras certamente as autarquias e o próprio Governo poderão não concordar, mas teremos uma resposta técnica aos problemas actuais e que é absolutamente essencial para levarmos a cabo uma boa reestruturação do sector”, sublinhou.
                                                                                                    
Autarquias devem 90 milhões às empresas privadas
                                                                                                                
Segundo a ANTROP, grande parte do valor em dívida é referente ao transporte escolar. A dívida das Câmaras Municipais às empresas privadas de transporte rodoviário de passageiros ascende a 90 milhões de euros, disse à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários Pesados de Passageiros (ANTROP). "As Câmaras devem 90 milhões de euros às associadas da ANTROP", avançou Luís Cabaço Martins, escudando-se a especificar os montantes em falta por autarquia. Segundo o presidente da ANTROP, que representa 120 operadores privados de transporte rodoviário de passageiros, grande parte do valor em dívida é referente ao transporte escolar, mas inclui também "alugueres e outros serviços" prestado pelas transportadoras rodoviárias privadas às Câmaras Municipais.
                                                                                                                               
                                                                                                       
                                                                                                                                              

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Crise entra no auge

"Empresas caem como castelos de cartas"
                                                                                                   
O patrão da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, diz que o seu grupo perdeu 19 fornecedores importantes no primeiro trimestre e instiga os portugueses a pedirem responsabilidades aos governantes.
                                          
O presidente da Jerónimo Martins garante que as empresas portuguesas estão a cair "como castelos de cartas" por falta de crédito bancário. Num encontro promovido ontem pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), em Faro, um dos empresários mais bem-sucedidos do país pediu à sociedade civil que exigisse responsabilidades aos governantes. "Somos nós que lhes pagamos o ordenado", lembra Soares dos Santos
“O país tem que ser o resultado da nossa vontade. É isso que temos que dizer aos nossos governantes, porque eles estão lá para nos governar. Somos nós que lhes pagamos o ordenado. Eles têm que compreender isso - não têm o poder de destruir as nossas contribuições. É isto que a sociedade civil em Portugal tem que fazer”, defendeu Alexandre Soares Santos. E, entre confidências empresariais, o empresário revelou que o seu grupo está a financiar alguns produtores de vinhos, porque a banca cortou os empréstimos. “E como a banca cortou os empréstimos, as empresas estão a cair como castelos de cartas”, alertou. "As empresas estão a cair como castelos de cartas", alerta patrão da Jerónimo Martins. “Em fornecedores, no primeiro trimestre, o Pingo Doce perdeu 19 importantíssimos, todos por falta de fundo de maneio. E há produtores de vinho neste país a quem estamos a financiar as vindimas, porque não têm dinheiro”, sublinhou ainda, acrescentando que uma das situações que mais o ofende é ver e ouvir dizer que uma empresa fechou portas. A palestra organizada pela ACEGE decorreu ontem à noite e foi subordinada ao tema “Portugal tem futuro”.
                                                                                                  
Produtores de leite fecham portas devido à concorrência estrangeira
                                                                                                           
Nos últimos anos, encerraram mil explorações leiteiras. 90% do leite vendido pelas marcas brancas é importado. Está a aumentar o encerramento de explorações leiteiras no país. O alerta parte da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (FENELAC), cujo secretário-geral, Fernando Cardoso, explica que o problema é que “a grande distribuição enveredou por uma estratégia, nos últimos anos, de importação de produtos lácteos”, que chegam ao mercado português “a preços muito, muito baixos”. “Há pouco tempo, tivemos leite vendido nas grandes superfícies a 39 cêntimos por litro. Se o consumidor opta por essas importações, é evidente que há uma parte da produção nacional que não é comercializada ou é comercializada a um preço muito baixo”, acrescenta Fernando Cardoso. A produção nacional é suficiente para as necessidades do consumo interno, garante o secretário-geral da FENELAC. "O problema está nas importações, essencialmente promovidas pela grande distribuição para as suas marcas próprias e a preços muito baixos”. O futuro do sector está hoje em debate num seminário internacional em Santa Maria da Feira.
                                                                        
Presidente da CGD vai reunir com equipa da Moody’s
                                                                                                       
Apesar de criticar o recente comportamento das agências de “rating”, o banqueiro defende que a solução não passa por diabolizar estas empresas mas sim pela criação de uma agência de “rating” europeia. O presidente da Caixa Geral de Depósitos, Faria de Oliveira, vai reunir-se nos próximos dias com uma equipa da Moody’s, a agência de notação financeira que cortou esta semana o “rating” de Portugal para “lixo”. Faria de Oliveira diz que o encontro já estava agendado e adianta que sobre a mesa vai estar uma eventual descida do “rating” da banca portuguesa mas também os resultados dos testes de stress. O banqueiro considera que “não devemos entrar numa diabolização das agências de ‘rating’. Neste momento há de facto muitas interrogações que se colocam, mas as respostas devem ser dadas de uma maneira construtiva e pela positiva. A criação de uma agência de ‘rating’ europeia independente é uma excelente resposta às dúvidas que possa haver”. “A eventual utilização doutras agências de ‘rating’ de outras paragens e que são aceites em exigentes mercados financeiros” também pode ser uma solução, defende Faria de Oliveira. O presidente da CGD falava esta manhã à margem da apresentação de um estudo sobre a competitividade das cidades europeias. Já o comissário europeu para os assuntos económicos e monetários, Olli Rhen, veio dizer esta manhã que Bruxelas está efectivamente a trabalhar na criação de uma agência de “rating” europeia, uma tarefa que deverá estar concluída no Outono.
                                                                                                            
Presidente do BCE elogia medidas de austeridade em Portugal
                                                                                                     
“Também notei que 80 % do Parlamento aprovou os ajustes ao programa e isso é algo que considero ser importante”, acrescentou ainda Trichet. O presidente do Banco Central Europeu elogiou hoje as medidas tomadas pelo Governo português que vão além do acordado com a troika. “No caso do Governo português, constatei muito positivamente que algumas das decisões foram tomadas além daquilo que estava no programa [de ajuda externa]”, disse Jean Claude Trichet, que elogiou a extensão da lista de privatizações e o novo imposto extraordinário. “Também notei que 80 % do Parlamento aprovou os ajustes ao programa e isso é algo que considero ser importante”, acrescentou ainda Trichet. No final da reunião do conselho de governadores de hoje, em Frankfurt, o BCE decidiu subir a taxa de juro de referência em 25 pontos base para 1,5%. O BCE anunciou também hoje que decidiu abdicar da opinião das agências de “rating” sobre a dívida portuguesa e que vai continuar a aceitar dívida portuguesa como garantia nas operações de financiamento.
                                                                    
Standard and Poor’s mantém “rating” de Portugal
                                                                                            
A maior agência de “rating” mundial diverge da sua parceira Moody’s, que decidiu colocar Portugal no “lixo”. As críticas não têm parado e está já marcada uma concentração para amanhã, em Lisboa. A agência de notação Standard and Poor’s decidiu manter o “rating” da dívida portuguesa. No entender da maior agência mundial do sector, Portugal deve conseguir baixar o défice público até 3% do PIB em 2013. A Standard and Poor’s acredita que o país sairá da recessão com um crescimento de 1%, um cenário assumido em Maio. Portugal está, assim, fora do "lixo", mas a agência avisa que os perigos e as dificuldades mantêm-se: os salários devem cair e as famílias e empresas podem enfrentar graves problemas. A percepção da Standard and Poor’s sobre a evolução do país contraria e leitura da Moody's, que colocou Portugal na categoria “lixo”. As críticas não têm parado e, ontem, o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, foi claro: "Esses senhores não entram mais aqui!". Para amanhã, está marcada uma concentração de protesto em Lisboa.
                                                                         
Instituto de Gestão da Tesouraria acusa Moody's de "arrogância"
                                                                                 
A posição foi manifestada através de um e-mail enviado a todos os colocadores de dívida pública portuguesa, nomeadamente, internacionais. O Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) acusa a agência de notação financeira Moody’s de “arrogância” e de ter desvalorizado trabalho da “troika”. A posição foi manifestada através de um e-mail enviado a todos os colocadores de dívida pública portuguesa, nomeadamente, internacionais. De acordo com o “Jornal de Negócios”, o IGCP considera que "a análise da Moody’s é superficial baseada mais em opiniões do que em provas concretas, e mostra alguma arrogância em ignorar algumas das conclusões tiradas pela troika depois de um trabalho intensivo e contactos muito mais vastos". O Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público adianta que os responsáveis da agência de notação “nem sequer se encontram com qualquer membro do novo Governo antes de avaliar os riscos relativos à execução orçamental". "A Moody’s não deu o benefício da dúvida a um novo Governo eleito com um mandato claro de implementar um ajustamento orçamental ainda mais duro do que o acordado com a troika", sublinha o instituto liderado por Alberto Soares.
                                                                                
Câmara de Lisboa apela a concertação contra a Moody's
                                                                                             
Depois de ter ontem cortado o 'rating' a três dos principais bancos portufgueses, a agência de notação americana Moody's continua na sua "senda destruidora" contra Portugal, e anunciou hoje que baixou o 'rating' das cidades de Lisboa e Sintra, bem como das regiões autónomas dos Açores e Madeira, para "lixo". A Câmara de Lisboa considerou hoje "incompreensível" o corte do "rating" da cidade para "lixo", decidido pela agência de notação norte-americana Moody's. A autarquia apela a uma "actuação concertada" com os restantes visados pelo corte: Sintra, Açores e Madeira. "É incompreensível a actuação da Moody's pelo 'downgrading' [quebra na notação] atribuído à Câmara de Lisboa. E estranho o momento", disse a vereadora das finanças da Câmara de Lisboa, Maria João Mendes (PS). A vereadora lamentou ainda que "a Europa não saiba defender-se a si própria" e apelou a "uma actuação concertada de todos os visados". Já o presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara (PSD), disse à Lusa que considera a classificação "natural", dado que "segue as regras da Moody's na sequência da desclassificação da República portuguesa". Fernando Seara recusou prestar mais comentários. A agência justificou a quebra na notação dos quatro locais pela descida dos 'ratings' atribuídos a Portugal na terça-feira, o que teve "implicações para os 'ratings' dos governos locais e regionais dentro do país, dadas as suas estreitas ligações financeiras com o governo central". A agência de notação Moody's anunciou hoje que baixou o 'rating' das cidades de Lisboa e Sintra, bem como das regiões autónomas dos Açores e Madeira, para "lixo". A Moody's cortou o nível de Lisboa e Sintra em quatro degraus, de Baa1 para Ba2, com 'outlook' negativo, enquanto os Açores passaram de Baa2 para Ba3 e a Madeira de Baa3 para B1.
                                                                                                     
É oficial. Ponte 25 de Abril vai ter portagens em Agosto
                                                                                                               
A isenção de portagens em Agosto durou 15 anos e foi acordada no âmbito da renegociação do contrato de concessão entre o Estado e a Lusoponte. Este ano, as regras mudam. O Ministério da Economia confirma que, em Agosto, a ponte 25 de Abril vai ter portagens a pagamento. Num comunicado, o Ministério de Álvaro Santos Pereira justifica a decisão com as dificuldades financeiras que o país atravessa e os compromissos de redução de despesa pública assumidos pelo Estado Português. O Governo decidiu assim manter a medida já inscrita no orçamento para este ano e que vai permitir um ganho de 4,4 milhões de euros em 2011. Até 2019, a poupança será na ordem dos 48 milhões de euros.
                                                                                                          
Maior “jackpot” de sempre, hoje no Euromilhões
                                                                                                      
Sorteio de hoje vai ter um primeiro prémio no valor de 185 milhões de euros. Nenhum apostador voltou hoje a acertar na semana passada, pela sétima semana consecutiva, na chave completa do Euromilhões, pelo que haverá um “jackpot” de 185 milhões de euros, o maior de sempre, na sexta-feira, anunciou a Santa Casa Misericórdia de Lisboa. O segundo prémio, de 330.571,23 euros, foi atribuído a nove jogadores, um dos quais com aposta registada em Portugal. Já o terceiro prémio, no valor de 70.836,69 euros, coube a 14 apostadores, todos fora de Portugal, de acordo com os resultados do escrutínio divulgados pelo departamento de jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. A última vez que houve um totalista no Euromilhões foi a 20 de Maio. O primeiro prémio valia 27,6 milhões de euros. Superados os 185 milhões de euros, valor máximo do primeiro prémio, o remanescente de receitas associadas passa para o segundo prémio, o que poderá acontecer a partir de sexta-feira caso não volte a haver totalista. Em Fevereiro, um 'jackpot' de 183 milhões de euros, o maior até à data e acumulado durante quase três meses, foi distribuído por três apostadores, um dos quais português.
                                                                                     
Sabia que maioria dos vencedores perde tudo em dois anos?
                                                                                            
Um especialista em finanças pessoais deixa-lhe alguns conselhos para que tal não aconteça, no caso de ser um dos felizardos desta sexta-feira. Cinco números e duas estrelas podem mudar a vida a muita gente. Mas essa mudança pode não durar para sempre. Estudos desenvolvidos por economistas e neuro-economistas revelam que as pessoas que ganham elevados montantes de dinheiro de repente gastam tudo em dois anos.
Não embarque em investimentos ou negócios oferecidos, aconselha Susana Albuquerque. Uma maneira de evitar que tal aconteça é não emprestar dinheiro “para investimentos que nos são oferecidos”, refere Susana Albuquerque, especialista em finanças pessoais, alertando para as várias “propostas de negócios e investimentos” que surgem quando alguém é premiado. “O meu conselho é que sejam o mais conservadores possível, se querem garantir a manutenção da sua riqueza”, refere Susana Albuquerque, em declarações à imprensa. A especialista em finanças pessoais considera que a melhor maneira de manter - e também aumentar - a fortuna é investir uma larga fatia do prémio num dos produtos mais conservadores que existe: depósitos a prazo. Os depósitos a prazo são local seguro para guardar o seu dinheiro. “Primeiro, colocar a maior fatia, 90%, do dinheiro, em investimento seguro, de depósitos a prazo. Depois, os outros 10%, é ter bom aconselhamento profissional e compreender esse aconselhamento, pedindo que mostrem os resultados do seu trabalho nos últimos dois, três anos, ou seja, quanto dinheiro já deram a ganhar a outras pessoas”, aconselha Susana Albuquerque.
Hoje, há jackpot do Euromilhões. Os apostadores concorrem ao maior prémio de sempre deste concurso: estão em jogo 185 milhões de euros. É normal, por isso, que por estes dias os apostadores façam contas e sonhem com o que podiam fazer com tanto dinheiro. Antes do jogo desta sexta-feira, o maior valor – de 183 milhões de euros – foi sorteado em Fevereiro, com três apostadores portugueses a arrecadarem o prémio. Se o concurso de hoje voltar a não ter qualquer vencedor, os 185 milhões de euros vão manter-se como primeiro prémio, passando o remanescente para o segundo. O último sorteio em que o primeiro prémio foi atribuído já ocorreu há mais de um mês, a 20 de Maio, dia em que a chave vencedora rendeu 27,6 milhões de euros. Desde então, o primeiro prémio tem crescido todas as semanas.
                                                                                                            
Aí está mais uma rede social. E esta leva mesmo "mais" no nome
                                                                                                                                   
Para quem está insatisfeito (e não só) com a rede social mais popular do mundo - o Facebook -, a Google acaba de lançar uma alternativa. A Google não desiste das redes sociais e avança agora com o Google +. "Será um Facebook mais simples", com "potencialidades para poder ser uma alternativa interessante a quem não estiver satisfeito" com os serviços do Facebook e do Twitter, descreve Carlos Martins, autor do blogue "Aberto até de Madrugada". Depois dos fracassos do Orkut e do Buzz, "parece que finalmente a Google tem uma ferramenta que tem um potencial bastante interessante", salienta ainda Carlos Martins, em entrevista à Renascença. Além de ser de "compreensão mais simples", "mais versátil" e ter "uma interface mais bem pensada", Carlos Martins salienta que a maior vantagem desta nova rede social é mesmo o facto de estar integrada com os restantes serviços da Google. A nova rede social já é vista como uma ameaça "mais para o Facebook do que para o Twitter", na opinião de Pedro Anastácio, do blogue "Revolução Digital". "Se o serviço começar a pegar, a expansão poderá ser muito rápida", observa Pedro Anastácio. Ainda assim, o autor do "Revolução Digital" faz um alerta: "Uma rede social pode ser muito bem desenhada, mas não funciona se não tiver pessoas. Se não funcionar, a Google fica em maus lençóis, porque já é a terceira tentativa e a empresa poderá não ter muita margem de manobra para depois voltar a tentar", salienta Pedro Anastácio.
Mais uma ferramenta ao dispor dos media: - Uma nova rede social significa também mais um instrumento ao dispor dos órgãos de comunicação social. Pedro Anastácio considera que será uma mais-valia, sobretudo "se ganhar a dimensão que o Facebook tem". Por sua vez, Paulo Frias, docente e investigador de ciências da comunicação na Universidade do Porto, considera que ainda é cedo para prever o comportamento dos "media" nesta nova rede social. Relembra, aliás, que "o próprio Facebook começou por ser inicialmente uma rede de carácter muito conversacional" e hoje já apresenta uma forte componente informativa.
O que difere do Facebook: - Carlos Martins, do "Aberto até de Madrugada", já experimentou o Google +. Destaca os "google circles", que permitem agregar as pessoas por círculos de conhecimento. Por exemplo, o utilizador pode ter um círculo só de amigos e outro de colegas de trabalho - uma vez estabelecidos os "círculos", pode partilhar conteúdos exclusivamente com essas pessoas ou com todas ao mesmo tempo. Carlos Martins distingue também a função "stream", que permitir partilhar fotografias automaticamente, e a opção "hangouts", que possibilita fazer videoconferências entre um grupo de amigos. Considera, aliás, que esta é uma funcionalidade "muito interessante", dado que "podem estar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo, cada uma em sua casa, mas estão todos juntos no computador a verem-se uns aos outros". Outra das novidades consiste num motor de recomendações, denominado "Sparks", que organiza conteúdos de acordo com interesses do utilizador, obtendo informação através do motor de busca da Google. Para já, o Google + ainda funciona a meio gás, sendo apenas possível aderir através de convite, o que, na opinião de Pedro Anastácio, acarreta alguns riscos. Se, por um lado, "pode levar a que as pessoas tenham vontade de experimentar e haver aquela noção de fruto proibido", por outro lado "também pode levar a que as pessoas possam olhar para aquilo e pensar 'não me posso registar' e depois não voltam lá", diz.
Redes sociais a mais? - "A Internet está repleta de redes sociais", constata Carlos Martins. "Entretanto, não sabemos bem onde é que havemos de publicar o quê", acrescenta Pedro Anastácio. Para ambos, a questão é saber qual das redes sociais será a mais aglutinadora dos milhões de pessoas, agregando todas as funcionalidades num só serviço. Já Paulo Frias discorda dos dois "bloggers". Para o investigador, o que acontece é que as redes se vão sucedendo umas às outras, num ciclo de vida muito peculiar. "Em determinados momentos, há determinadas formas de comunicar que perdem espaço, porque há outras propostas diferentes e que atraem mais pessoas", argumenta Paulo Frias. "Não podemos ver isto como um somatório de redes gigantescas, porque isso nunca vai acontecer", conclui.
                                                                                  
Uma em cada três crianças portuguesas tem peso a mais
                                                                                                                    
OMS considera que obesidade está a atingir níveis epidémicos: em todo o mundo, 45 milhões são afectadas por esta doença. Portugal apresenta dos piores indicadores na Europa. Um terço das crianças portuguesas tem excesso de peso e Portugal é um dos países da Europa com piores indicadores na obesidade infantil. Os dados são revelados por um estudo da Associação Internacional do Estudo da Obesidade (IASO), que vai ser apresentado esta semana numa conferência internacional, em Oeiras. A análise foi feita em 13 países europeus e Portugal é dos que tem maior prevalência de peso a mais em crianças, com a Itália a surgir em primeiro lugar. "Temos 14% de crianças com obesidade e 32% com excesso de peso", afirma a nutricionista Ana Rito, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, à agência Lusa. Bulgária, Irlanda, Lituânia, Noruega, Portugal, Suécia, Bélgica, Chipre, República Checa, Itália, Malta, Eslovénia e Letónia foram os países considerados. Dentro de dois anos, o sistema de vigilância nutricional infantil da Europa, conduzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conta ter novos dados, já com países como Espanha e Grécia. Apesar do leque de países estudados ainda não ser muito extenso, Ana Rito considera "muito preocupantes" os dados relativos a Portugal. Em Portugal, o estudo envolveu as cinco Administrações Regionais de Saúde e as regiões autónomas da Madeira e Açores – neste arquipélago, verificou-se maior prevalência de excesso de peso e obesidade. O Algarve foi a região que obteve melhores resultados. Os peritos nacionais e internacionais vão debater, em Oeiras, a problemática da obesidade infantil. Trata-se da Conferência Internacional de Obesidade Infantil – CIOI 2011, que conta com o apoio institucional do Instituto Nacional da Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) e decorre no âmbito da Estratégia Internacional de Abordagem de Obesidade Infantil. Em todo o mundo, 45 milhões de crianças são afectadas por esta doença, que a OMS já considerou estar a atingir níveis epidémicos.
                                                                                                      
Crianças portuguesas comem pizzas e batatas fritas 4 vezes por semana
                                                                                                                       
Apenas 0,1% das crianças é que bebem água diariamente, segundo um estudo sobre obesidade infantil divulgado hoje. Mais de 90% das crianças portuguesas comem pizzas ou batatas fritas de pacote e bebem refrigerantes pelo menos quatro vezes por semana. Apenas 0,1% das crianças é que bebem água diariamente. Os resultados são de um inquérito feito a mais de três mil pais de crianças do 1º ciclo, apresentados hoje pela nutricionista Ana Rito, durante a conferência internacional sobre obesidade infantil, que decorre em Oeiras. Outros dados deste estudo, avançado pela agência Lusa, indicam que hambúrgueres e salsichas são consumidos por 93% das crianças pelos menos quatro vezes em cada sete dias. O mesmo acontece com rebuçados, gomas ou chocolates em 88% dos menores. Sabe-se ainda que apenas 2% é que comem fruta fresca diariamente e só 3,5% incluem os legumes nas refeições. O estudo revela que um terço das crianças portuguesas tem excesso de peso, sendo Portugal considerado um dos países da Europa com piores indicadores na obesidade infantil.
                                                                                              
                                                                                             
                                                                          

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Pobreza e Fome, é notícia fora de Portugal

Pobreza

Primeiro dia de recolha do Banco Alimentar supera expectativas
                                                                                                                                              
A campanha de recolha de alimentos vai continuar hoje nas mais de 1.100 superfícies comerciais e conta com cerca de 28 mil voluntários. Na Margem Sul, as Igrejas não têm mãos a medir nas ajudas que dão a quem foi mais duramente afectado pela crise.
                                         
Foram superadas as expectativas. No primeiro dia da campanha de recolha do Banco Alimentar contra a Fome, foram recolhidas mais 100 toneladas do que no ano passado. A instituição teve até que mandar voluntários para casa, dada a forte adesão dos portugueses, sublinha Isabel Jonet, presidente da insitituição. “Foi grande a adesão. Os portugueses foram às compras e foram muito generosos, e contribuíram para os Bancos Alimentares da sua região. Ainda mais importante do que isso é de assinalar a quantidade enorme de voluntários que quiseram participar nesta campanha e que, dando o seu trabalho, vieram colaborara com as campanhas”. A campanha de recolha de alimentos vai continuar hoje nas mais de 1.100 superfícies comerciais e conta com cerca de 28 mil voluntários. Depois deste fim-de-semana, quem ainda quiser contribuir para o Banco Alimentar pode fazê-lo até 5 de Dezembro através da aquisição de um vale correspondente a um ou mais produtos, como óleo, azeite ou atum, na caixa dos supermercados.
                                                                                           
Banco Alimentar já recolheu 667 toneladas de alimentos
                                                                                                                            
Campanha de Novembro deste ano já recolheu mais produtos que no mesmo período do ano passado. A campanha de recolha de alimentos do Banco Alimentar já está a superar a de 2009, disse a presidente instituição, destacando as 667 toneladas recolhidas até às 18h00 de ontem. "No conjunto dos 18 bancos alimentares, temos mais 100 toneladas. Às 18h00 de 2009, tínhamos recolhido 566 toneladas, este ano temos 667 toneladas", refere à Lusa Isabel Jonet, sublinhando a solidariedade dos portugueses num momento de dificuldades económicas. "Num momento de crise as pessoas estão mais sensíveis e solidárias, porque pensam que este ano ainda podem ajudar enquanto para o ano não sabem se poderão ou se não serão elas que necessitam de ajuda. Além disso, há uma grande confiança no trabalho, no nosso trabalho", acrescentou.
Isabel Jonet fez ainda questão de destacar o trabalho dos cerca de 30 mil voluntários envolvidos nesta campanha, sobretudo dos jovens: "Muitos destes jovens como ainda não vão ao supermercado com regularidade sentem-se a participar fazendo voluntariado". Além da recolha nas regiões de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, Beja, Aveiro, Abrantes, Setúbal, Cova da Beira, Leiria-Fátima, Oeste, Algarve, Portalegre, Braga, Santarém, Viseu, Viana do Castelo e São Miguel, este ano associou-se à campanha de Novembro a ilha Terceira, cuja recolha em cinco supermercados já acumulou sete toneladas de produtos. Depois de sábado e domingo, quem ainda quiser contribuir para o Banco Alimentar pode fazê-lo até 5 de Dezembro através da aquisição de um vale correspondente a um ou mais produtos, como óleo, azeite ou atum, na caixa dos supermercados.
                                                                                                                  
Paróquias da Margem Sul apoiam 240 famílias
                                                                                                          
O aumento das dificuldades económicas fez disparar os pedidos de ajuda às igrejas. As paróquias vão tentando dar resposta a todas as solicitações que chegam. Na Margem Sul, a paróquia de Corroios duplicou o número dos pedidos de assistência. Actualmente presta auxílio a cerca de 90 famílias. Alem de servir refeições, distribui também cabazes de alimentos e recolhe comida de restaurantes, é o que diz o pároco da igreja de Nossa Senhora da Graça, o padre Casimiro Henriques.
“Temos um projecto que é o Alimentar um Sorriso, em que damos um cabaz de alimentos uma vez por mês, com todo o tipo de mercearia. Temos também o Servir um Sorriso, em que vamos buscar os excedentes alimentares a restaurantes, pastelarias, padarias, e essa comida é distribuída três vezes por semana”, explica. Também a paróquia da Moita reconhece o aumento dos pedidos de ajuda por parte de quem precisa neste momento dá apoio a mais de 150 famílias. Para poder ajudar todos, a igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem colocou este mês uns cestos onde pode ser colocada toda a ajuda que os paroquianos quiserem dar, uma ideia que está a dar frutos, como dá conta o padre Antonio Couto. “Desde o princípio de Novembro, colocámos na Igreja uns cestos em que as pessoas podem colocar o que querem partilhar uns com os outros. Notamos que os cestos estão cheios, todas as semanas”.
As paróquias da Margem Sul estão ajudar como podem as vítimas da crise. Quem pede ajuda são desde idosos a desempregados o pároco da igreja de Corroios dá exemplos de pessoas que chegaram a ter o seu negócio, estiveram bem na vida e agora precisam de ajuda para não passarem fome. “Temos nos nossos projectos cabeleireiros, donos de lojas, pessoas que até aqui viviam bem, mas que começaram a ter dificuldades nas vendas e recorreram a instituições financeiras de crédito fácil. Hoje como o negócio não melhorou, têm as suas despesas mensais fixas, têm de pagar aquilo que pediram e não chega para tudo, e onde as pessoas cortam é onde ninguém vê, é na barriga.” Se os pedidos continuarem a crescer a este ritmo, o padre Casimiro Henriques admite que os recursos esgotam rapidamente e não é possível responder a todas as solicitações.