Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !
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sábado, 11 de abril de 2009

Um Bolo na Páscoa

O «Pombalino»: Já provou?

Um bolo-delícia algarvio desenterrado dos escombros do terramoto.

Naturalmente, o leitor não pode imaginar que um bolo regional algarvio, por enquanto praticamente desconhecido dos gastrónomos especializados em iguarias que tal, o deixaria de água na boca e dedos saborosos. Escrevemos «por enquanto» por estarmos convencidos pelos argumentos irreversíveis de uma prova esclarecedora, «in loco», mas não ignorando que o produto só agora vai começar a ser comercializado à escala nacional (e internacional, certamente). Se vos adiantarmos que os sabores algarvios da amêndoa, do figo e da alfarroba, com um cheirinho de aguardente de medronho, aí interferem decisivamente, já fornecemos uma pista.
O nome que o ante título anuncia também deixa fantasiar um pouco, mas se relembrarmos que o «fenómeno» acontece em Vila Real de Sto. António, já o termo «pombalino» faz sentido. Pelo menos para os mais eruditos, sabedores de que a cidade onde o Guadiana se despede, antes de entrar no mar, não mais é do que a antiga «Vila Pombalina» obviamente imaginada, nas suas ruas geometricamente traçadas e demais tipicíssimos, pelo modelo da época do Marquês de Pombal, que a erigiu. Portanto, nada de mais coerente que essa iguaria, que se prepara para constituir mais um ex-libris da terra seja devidamente baptizada.
Naturalmente que tudo isto é bastante interessante, mas, já agora, que as palavras são como as cerejas, aqui está um simples e delicioso bolo a desencadear toda uma completa história, já que a cultura pode igualmente constituir iguaria para muitos.
Por exemplo, sabiam que, antes de se chamar Vila Real de Stº António e muito antes de ser considerado cidade, o pequeno aglomerado piscatório de então, tinha simplesmente o nome de Sto. António de Arenilha. Isso porquê? Porque, vista do outro lado do Guadiana, a vilória sobressaía pela sua areia muito branca, em contraste com a terra escura andaluza.
Para a construção imaginada pelo Marquês, eram necessários operários. Eles foram convidados e incentivados em todo o país, incluindo muitos presos de pequenos delitos a quem, em troca da mão-de-obra, era concedida amnistia. Nesse tempo, claro, meados do século XVIII, os transportes estavam longe dos «inter cidades» e quejandos, as distâncias eram de dias de viagem, muitos dos deslocados traziam as famílias, a vila depressa cresceu e se tornou numa espécie de entreposto comercial: trocava-se o peixe pelos produtos da terra, não havia gelo, funcionava o sal como conservante, tudo se permutava. Os frutos, figos, amêndoas, alfarrobas, etc., eram transformados ao sol, depois moídos. Hoje, quando saboreamos os deliciosos bolos, nem nos lembramos de tudo isso…
E foi um «americano» quem descobriu o negócio.
Em Junho de 1989, o comerciante em restauração Luís Camarada, regressado depois de dez anos nos Estados Unidos, tomou um estabelecimento da especialidade, a que daria o nome de «Restaurante Coração da Cidade». Mais tarde, alargando o negócio e embora isso nada tivesse a ver com a profissão, mas sendo um apaixonado pela história e pela cultura, ficou conhecedor da versão do nascimento da actual Vila Real de Sto. António.
Vizinha do edifício ficava uma casa, em muito mau estado de conservação, que lhe despertou o interesse. Dar-lhe-ia, depois de comprada, o nome de “Churrasqueira Arenilha”. Homem decidido, dentro da boa escola americana, Luís Camarada começou a restaurar, sobretudo o soalho, que decidiu substituir por um pavimento designado por «Santa Catarina», espécie de azulejo típico da terra. Foi quando o pedreiro, esburacando o chão, lhe chamou a atenção para uns papéis amarelados e meio destruídos, com escritos algo estranhos, segundo a linguagem da época pós terramoto de 1755. Sempre curioso, Luís Camarada quis decifrar o conteúdo e para isso recorreu aos favores de um cliente do estabelecimento, professor de inglês, homem de cultura acima da média, que interpretou os escritos como os de uma receita tradicional setecentista, talvez da família do «massapan» estrangeiro. Que, de certeza, vai integrar o mercado das guloseimas algarvio.
Singelamente o feliz e imaginoso comerciante explica: «Guardei a receita de 1995 até agora. Recentemente abri uma fábrica de bolos e o «pombalino» vai mesmo ser a vedeta!»


Carlos Figueiredo
Grupo Coração da Cidade
Genuinamente Vila-Realense

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Feira da Serra

O Algarve profundo num só pavilhão

6500 pessoas reviveram tradições algarvias em mais uma edição da Feira da Serra de Loulé

Decorreu mais uma edição da Feira da Serra de Loulé, apresentada no Pavilhão do NERA-ExpoAlgarve, na Zona Industrial de Loulé. Durante um fim-de-semana prolongado foram cerca de 6500 as pessoas que ali foram para reviver algumas das mais genuínas tradições algarvias, encontrar produtos únicos as pessoasar para fazer algumas compras de Natal.
6500 que aqui vieram para reviver algumas, encontrar produtos e também aproveitar para fazer algumas compras de Natal.
Cerca de uma centena de expositores com diverso artesanato e produtos alimentares, várias tasquinhas com pratos típicos da região, a actuação de grupos de música popular portuguesa e a animação infantil foram os principais motivos de interesse do público. Mas este ano, a organização do evento promoveu também uma Exposição dedicada aos “Ofícios e Tradições”, com uma mostra sobre as mais antigas profissões do Algarve, algumas dos quais já caíram em desuso, através de imagens, objectos, demonstrações ao vivo e um pouco da história destas profissões que ao longo de décadas contribuíram para o desenvolvimento sócio-económico da região. Os visitantes puderam também participar em workshops sobre estes ofícios que em tempos foram o sustento do Algarve, numa altura em que o “boom” turístico do litoral estava ainda longe de acontecer.
Em forma de balanço sobre este certame, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, entidade promotora do evento, referiu-se não só à adesão que tem havido por parte do público em geral mas também dos artesãos que aqui vêm partilhar toda a filosofia subjacente à feira e que passa sobretudo pela identidade local. Como tal, o edil salientou mais uma vez a importância da preservação das raízes culturais para afirmação do Concelho. “São iniciativas como esta que nos vão permitir afirmarmo-nos cada vez mais no contexto global, aumentar a nossa auto-estima, ter uma relação interpessoal na comunidade cada vez de maior respeito e consideração uns com os outros porque há laços fortes com o passado e com as raízes”, frisou.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Marrakech visita Silves

Mostra de actividades culturais do Reino de Marrocos

A Câmara de Silves e a Comunidade de Marrakech, em colaboração com a Associação “Al Mouatamid Ibn Abbad” e o Consulado do Reino de Marrocos no Algarve, organizam entre os dias 11 e 18 de Outubro uma semana de actividades culturais

Presentes nas cerimónias de inauguração desta semana cultural designada por “Marrakech visita Silves” estarão, para além da Presidente da Câmara Municipal de Silves, o Presidente da Comunidade urbana de Marrakech, Omar El Jazouli e espera-se a confirmação da presença do Ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, Luís Amado. Estarão, ainda, representados, através dos seus embaixadores em Portugal, diversos países árabes, entre eles, Marrocos, Tunísia, Líbia, Argélia, Egipto, Arábia Saudita, Iraque e Palestina, entre outros.
Este projecto é, em grande medida, resultante do protocolo de cooperação que o Município de Silves tem com a Cidade Imperial Marroquina (que já foi capital do Reino de Marrocos), estabelecido em 2002 e que tem dado frutos ao longo dos últimos anos, nomeadamente com a vinda de diversos artistas, artesãos, investigadores e outras personalidades da vida cultural e intelectual da “cidade rosa” ao Algarve, para promoverem a sua cultura e tradições. Entre os eventos que já se realizaram no âmbito deste protocolo de cooperação encontram-se as exposições “Os pintores calígrafos”, “A Arte da Madeira” e uma mostra da obra do pintor marroquino Mahi Binebine, um dos mais importantes artistas desse país.

Durante esta semana, os silvenses e algarvios poderão apreciar diversas vertentes da cultura marroquina, quer através da arte, quer da música, quer da gastronomia, já que o programa de actividades foi pensado para proporcionar aos participantes uma visão ampla do que Marrakech tem de melhor para oferecer.
Ao longo de toda esta semana a Praça Al Mouatamid será palco de uma exposição-venda das mais nobres expressões do trabalho artesanal de Marrakech, podendo-se encontrar ali, todas as tardes, a partir das 17h30, a presença de alguns artesãos que se têm evidenciado na produção de tapetes, metais, cerâmica, madeira, joalharia, etc.
A arte musical da região de Marrakech também estará presente, sendo possível apreciar diferentes estilos musicais em concertos de etno-música, a que se dará o nome de “Sons da Cidade-Rosa”. Assim, podermos escutar os sons da Música “Gnaoua”, da Música “Dqâa Marrakechia” e da Música de “Ouariets”. Serão feitos dois concertos especiais, com todos os músicos marroquinos, por ocasião da abertura e encerramento desta semana (na Fábrica do Inglês, dias 11 e 18, pelas 21h30) e diariamente poderão ser vistos, na Praça Al Mouatamid, pelas 18h30, estes mesmos músicos.

A literatura que marroquina, que aborda temas relacionados com Marrocos ou que se centra na História, Arquitectura, Sociologia, Literatura, Património da Água, Antropologia da cidade e das gentes de Marrakech, poderá ser apreciada na Biblioteca Municipal de Silves (de terça a sexta, entre as10h00 e as 19h30 e às segundas e sábados, das 14h30 às 19h30), num espaço que terá o título de “Palavras e Imagens de Marrakech”.
Outro ponto de interesse para quem queira experimentar e conhecer a cultura marroquina é a possibilidade de poder provar a gastronomia local, já que três Chefes de Cozinha de Marrakech – Mouna Jarrad, Kabboura Balloul e Fátima Babanou – virão apresentar os seus sabores em três restaurantes da cidade de Silves (Fábrica do Inglês, Marisqueira Rui, Recanto dos Mouros), promovendo no decurso desta semana menús específicos e destacando diariamente sabores muito particulares, já que cada dia será dedicado a um determinado tipo de iguaria.
Informações sobre a Semana Cultural "Marrakech visita Silves, através do telefone: 282 442 255.
O programa pode ser consultado através do site:

http://www.cm-silves.pt/portal_autarquico/silves/v_pt-PT

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Renovação urbana para Lagos

Câmara apresenta projectos integrados no Polis

É o maior investimento de renovação do espaço público jamais realizado na cidade

A Câmara Municipal de Lagos e a EL – Estacionamento de Lagos, S.A., apresentam na próxima quinta-feira, dia 18 de Setembro, às 11h00, o projecto de renovação urbana da Frente Ribeirinha de Lagos, integrado no Programa POLIS.
O encontro, decorre no Centro Cultural de Lagos e visa revelar todo o conceito arquitectónico e paisagístico da nova frente marítima da cidade, bem como os novos parques de estacionamento subterrâneos que entrarão em fase de construção.
O encontro conta com a presença e intervenções de Júlio Barroso, presidente da Câmara Municipal de Lagos, de Carlos Albuquerque, presidente da EL – Estacionamento de Lagos, S.A., assim como de representantes do gabinete de arquitectura responsável pela autoria dos diferentes projectos.
Na ocasião será revelado o investimento global, os valores das empreitadas, as mais-valias da concretização dos projectos, o seu enquadramento, acessibilidades, actividades e usos, tecido urbano, arqueologia, entre outros aspectos.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A polémica no “rodeo” em Estói

Associação ANIMAL diz que não foi cumprida providência cautelar

“GNR de Faro assistiu ao Rodeio proibido pelo Tribunal de Faro sem o impedir, apesar de ter sido notificada pelo Tribunal para o fazer, permitindo que cometessem o crime de desobediência”

Em Portugal há as touradas, mas agora começam a surgir os rodeios brasileiros, onde homens desafiam bois e cavalos enquanto estes estrebucham, tentando libertar-se do ocupante indesejado do seu dorso. No último sábado realizou-se uma destas festas, na freguesia de Estói, Algarve, e a associação ANIMAL não gostou. Apesar de ter interposto uma providência cautelar para anular o evento, a verdade é que este acabou mesmo por se realizar.
A ANIMAL queixa-se, dizendo que a GNR não fez nada para evitar o espectáculo, mas a própria Guarda defende-se, assegurando que acompanhou de perto todas as incidências e até defendeu os animais de ofensas maiores. «A GNR de Faro assistiu ao Rodeio proibido pelo Tribunal de Faro sem o impedir, apesar de ter sido notificada pelo Tribunal para o fazer, tendo permitido que a Junta de Freguesia de Estói e restantes entidades promotoras do Rodeio cometessem crime de desobediência e realizassem o evento», escreveu a associação de defesa dos animais em comunicado.
Por este facto, a «ANIMAL vai avançar de imediato com procedimentos judiciais para responsabilizar todas as partes envolvidas neste escândalo pelos acontecimentos ilícitos ocorridos na noite de Sábado em Estói», dado que entende que «a GNR de Faro decidiu não fazer cumprir a providência cautelar decretada pelo Tribunal de Faro no dia anterior, e da qual foi notificada, desde logo para a fazer cumprir».

GNR e veterinários "fiscalizaram"

«A GNR permitiu que a Junta de Freguesia de Estói, o Grupo Amigos do Cavalo de Estói e a Megalqueva / Associação Portuguesa de Rodeo realizassem o Rodeio proibido, cometendo um crime de desobediência qualificada, uma vez que tinham sido notificadas pelo Tribunal de Faro da decisão tomada pelo juiz Joaquim Cruz na passada 6.ª feira, que determinou a estas entidades que se abstivessem de realizar o Rodeio que vieram, afinal, a realizar», frisa a associação. «A actuação da GNR em todo este episódio mancha para sempre a reputação desta força policial, cujo bom nome foi posto em causa pela intervenção da GNR de Faro neste caso», referiu, entretanto, o presidente da ANIMAL.
O entendimento da Guarda Nacional Republicana, porém, é ligeiramente diferente. «Sabíamos da existência da providência cautelar e por isso estivemos no local para notificarmos as entidades organizadoras do evento. Mas, mais do que simplesmente cumprir notificações, procurámos contactar a organização para encontrarmos uma solução tendo em vista a defesa dos animais», assegurou o capitão Manuel Jorge, relações públicas da Brigada Territorial n.º3.
Neste sentido, foi assegurado que não seriam utilizadas esporas ou amarras, mas simplesmente uma corda para controlar os animais. Para além disso, «estiveram no local veterinários municipais, para atestarem que não havia violência gratuita para com os animais».
O entendimento da providência cautelar é, de facto, diferente, mas a fonte da GNR diz que o procedimento adoptado no último sábado surgiu após devida consulta junto do Ministério Público. «Houve consenso em relação à necessidade de evitar consequências gravosas. Limitarmo-nos a autoar não seria suficiente. A GNR acautelou todas as situações e isso mesmo foi relatado ao Tribunal de Faro. A integridade dos animais foi assegurada», referiu o capitão.
Com todas as limitações, e apesar da «inteira colaboração da organização», o espectáculo acabou por não fazer jus ao seu nome de rodeio brasileiro. «Foi uma espécie de rodeio».
Resta saber se este vai ser o comportamento das autoridades quando se realizar o 1º Rodeio no Porto, que está agendado para 18 a 21 deste mês na designada Arena Super Bock, no Parque da Cidade. O evento tem o apoio da Câmara do Porto e do Consulado Geral do Brasil.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

VRSA: 44 noites de folia custou 500 mil €uros

Manta Beach Clube investigado

A sindicância pedida pelos vereadores do PS visa avaliar as irregularidades de funcionamento que foram detectadas na empresa municipal SGU

Os vereadores do PS, na Câmara Municipal de Vila Real de Santo António (VRSA), decidiram pedir, à tutela, uma sindicância a todos os actos de gestão administrativa e financeira das empresas municipais criadas pela autarquia. Esta determinação surge na sequência das notícias vindas a público, relacionadas com as empresas municipais, designadamente a Sociedade de Gestão Urbana (SGU), empresa que, entre outras iniciativas, decidiu investir 500 mil euros na abertura da discoteca «Manta Beach», na Manta Rota, para funcionar apenas 44 dias durante este Verão.
Os vereadores socialistas, lembram que sempre exprimiram as suas reservas quanto à finalidade e propósito deste tipo de empresas municipais, ao verificarem a existência de um gasto desnecessário com a duplicação de serviços, uma vez que as ditas empresas estão a substituir a edilidade nas suas competências e os seus funcionários a fazer o mesmo que os trabalhadores da autarquia.

Por outro lado, os edis do PS consideram desapropriado que a actividade destas empresas municipais, no que se refere a adjudicações, concursos e procedimentos, saia da esfera de controlo da edilidade e dos seus vereadores, enquanto autarcas eleitos pela população para os representar em todos os actos de gestão municipal.
A recente polémica trazida a público pelos jornais, à volta do funcionamento da discoteca «Manta Beach», atinge em pleno a empresa municipal SGU, com reflexos negativos para a imagem do Concelho e da Câmara Municipal de Santo António. Através das notícias publicadas nos jornais nacionais e na Imprensa Regional, ficou a saber-se que numa visita da GNR, Finanças e da ASAE àquele espaço de animação nocturna, foram levantados nove autos por causas diversas. As Finanças levantaram dois autos e fizeram seis notificações e a Inspecção Geral das Actividades Culturais identificou diversas violações aos direitos de autor.
E como se tudo isto não bastasse, a discoteca afectou muito seriamente o justo descanso dos veraneantes e residentes na Manta Rota, pelo ruído produzido diariamente até altas horas da madrugada.