Dominique Strauss-Kahn diz ser urgente que Portugal regresse a um quadro de crescimento económico. Técnicos e conselheiros da UE dizem que o pedido de resgate de Portugal "chegou tarde demais".O director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) assume que Portugal vai sofrer cortes orçamentais "dolorosos" e durante muito tempo. ominique Strauss-Khan diz, em entrevista à TVI, ser preferível actuar pela via orçamental, sublinhando tratar-se de um processo longo mas realista. responsável do Fundo Monetário Internacional acrescenta que nenhum país pode gastar acima das suas possibilidades durante muito tempo, tal como fez Portugal. “Preferimos seguir pela via do ajustamento orçamental. É um processo mais longo e mais realista, por isso, não vamos exigir velocidade máxima. Não é possível a um país gastar acima das suas possibilidades durante muito tempo, foi o que aconteceu em Portugal, não me compete apontar o dedo, mas foi o que aconteceu e agora vocês têm que entrar nos eixos de qualquer forma.” trauss-Kahn diz ainda ser urgente regressar a um quadro de crescimento económico: “Muitos países da Zona Euro foram capazes de aumentar a competitividade nos últimos anos, não apenas a Alemanha que é sempre o exemplo apontado, mas outros também o fizeram, por isso, não há razão para que Portugal não o possa fazer. Muitos discutem sobre as medidas que deveriam ter sido assumidas mais cedo, o que é verdade, mas agora não vale a pena discutir sobre isso e neste momento a questão é olhar para a frente e saber o que deve ser feito”, sublinha o director-geral do FMI.
Jorge Miranda admite risco para os direitos sociais
Constitucionalista receia que, por pressão dos países nórdicos, possa estar em causa a "própria dignidade nacional". O constitucionalista Jorge Miranda alertou hoje que a Europa está "em grave crise" e que será difícil encontrar "uma solução adequada aos interesses nacionais", admitindo que direitos sociais possam estar em risco. orge Miranda falava aos jornalistas no final da cerimónia de homenagem de que foi hoje alvo na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, por ocasião da sua jubilação, evento que teve a presença, entre outros, dos constitucionalistas Marcelo Rebelo de Sousa e Gomes Canotilho, do reitor da Universidade da Lisboa, Sampaio da Nóvoa, e do presidente do Tribunal Constitucional, Moura Ramos. Numa altura em que Portugal enfrenta uma grave crise financeira, Jorge Miranda disse recear que, por pressão dos países nórdicos, possa estar em causa a "própria dignidade nacional".
A este propósito, o professor da Faculdade de Direito de Lisboa manifestou-se "chocado" com o facto de o presidente do Eurogrupo, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, ter dito recentemente aos partidos políticos portugueses que se entendam. "É algo que me choca um estrangeiro estar a dizer aos partidos políticos (portugueses) que se entendam", comentou Jorge Miranda. estionado sobre se a Constituição da República Portuguesa está em risco com a imposição de medidas de austeridade de entidades externas como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o constitucionalista disse que "não" em termos de direitos, liberdades e garantias, mas admitiu que alguns direitos sociais possam ser afectados. Relativamente a esses direitos sociais, disse esperar que seja apenas uma "suspensão" e não uma perda definitiva de direitos. Confrontado com as preocupações do FMI relativamente à necessidade de haver uma reforma estrutural da Justiça portuguesa, Jorge Miranda observou que "há muitos anos que se fala" nessa reforma, mas que tem havido "incapacidade" para o fazer.
Leis mal feitas, excesso de garantias em alguns casos, sindicalismo judiciário e mediatismo de alguns operadores judiciários foram alguns dos problemas apontados pelo constitucionalista, que concordou que um bom funcionamento da Justiça é fundamental para garantir o desenvolvimento económico. Acerca da actual Constituição, disse que a mesma serve os interesses e os propósitos nacionais e que a única alteração a fazer seria em matéria de Justiça. Durante a cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa classificou Jorge Miranda como uma pessoa "verdadeiramente singular", tendo os restantes oradores sublinhado a paixão e a dedicação do professor ao ensino do Direito Constitucional durante quatro décadas e a sua marca indelével na formação de antigos e actuais alunos.
Plano de ajuda não pode ser dominado pelo sector financeiro, diz CGTP
Secretário-geral da CGTP vai encontrar-se na próxima semana com responsáveis da Comissão Europeia, BCE e FMI. A CGTP é um dos parceiros sociais que se encontra, na terça-feira, com a troika de negociadores da ajuda externa a Portugal. Carvalho da Silva defende um plano dominado pela política e não pelo sector financeiro e que garanta uma vida digna aos portugueses. O secretário-geral da CGTP vai aproveitar a ida ao Ministério das Finanças para apontar os responsáveis por esta crise, saber qual a verdadeira dimensão da dívida e apresentar alternativas. “Esse plano não pode ser dominado pelo sector financeiro, tem que ser dominado pela política. É preciso responder àquilo que propicie às pessoas o mínimo de vida digna, isso não pode ser abandonado e essa é uma das questões que colocaremos de forma muito frontal nos próximos dias, e voltarmo-nos para a mobilização das nossas capacidades, visando o investimento e o crescimento com criação de emprego”, sublinha
Carvalho da Silva diz que é preciso mobilizar a sociedade portuguesa, o que não será possível com “tacticismos políticos, ausência de rigor, de trapassadas no exercício da política, ausência de clareza”. Quanto à possibilidade de uma greve geral, o líder sindical não se compromete com nada, apenas assume que não exclui nenhuma forma de protesto. A posição foi assumida esta tarde, durante a intervenção num plenário de sindicatos, onde fez um ataque cerrado à possibilidade de uma coligação PS/PSD/CDS saída das próximas eleições. Carvalho da Silva diz que é preciso “combater a inevitabilidade da opção única da governação” e critica o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, por defender entendimentos à direita do PS. ambém o FMI não era uma inevitabilidade, havia alternativas, defende. Agora, o mais certo, diz Carvalho da Silva, é que o grosso do dinheiro que vem aí não vai parar aos cofres do Estado, mas aos credores e à banca. o 1 de Maio, a CGTP promete um redondo não ao PEC 4 e ao que a inter-sindical considera ser a negociata em curso.
Cavaco pede unidade para evitar agravamento das "condições de vida”
Cavaco Silva classifica como "muito positivo" o início das conversações entre Governo e oposição sobre o pedido de ajuda externa. O Presidente da República apela aos partidos que, em tempo de crise, se unam em torno dos interesses nacionais, para evitar o agravamento das condições de vida dos portugueses. Numa mensagem publicada na rede social Facebook, Cavaco Silva classifica como "muito positivo" o início das conversações entre Governo e oposição sobre o processo de negociação da ajuda externa, sublinhando que "é isso que os portugueses esperam das forças políticas". Para o chefe de Estado, "trata-se de responder a uma situação urgente, decorrente da grave crise económica e financeira em que Portugal se encontra, a qual exige de todos um forte sentido de responsabilidade e de unidade em torno dos interesses nacionais".
"É isso que os portugueses esperam das forças políticas e é esse o caminho para evitar que se agravem as condições de vida, já de si difíceis, que tantos sentem no seu dia-a-dia", refere Cavaco Silva. O primeiro-ministro, José Sócrates, reuniu-se quarta-feira com delegações do PSD, CDS-PP, BE, PCP e Verdes. No final, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, que será o interlocutor do Governo no diálogo com a oposição, apelou para que não se faça na "praça pública" a discussão inter-partidária no processo negocial sobre a ajuda externa. De acordo com o ministro da Presidência, nestes encontros, o Governo pediu aos partidos para que lhe indicassem os seus interlocutores nas negociações internas e, apesar de Portugal se preparar para uma campanha eleitoral, pediu também discrição nessas conversações.
PS liderado por Costa, Assis ou Seguro "facilitaria o diálogo"
Miguel Relvas defende que a actual liderança do PS "não consegue falar com ninguém, está esgotada. É uma liderança que é a imagem da crise do país". Miguel Relvas diz que "a liderança do PS é a imagem da crise do país". O secretário-geral do PSD considerou hoje que seria mais fácil o diálogo com o PS se este fosse liderado por António Costa, Francisco Assis ou António José Seguro, em vez de José Sócrates. "Nós dizemos que é mais fácil hoje, e o país já sabe isso, o diálogo e entendimentos com o PS liderado por António Costa, com o PS liderado por Francisco Assis ou com o PS liderado por António José Seguro, por uma razão muito simples, porque são pessoas que ao longo da sua história cumpriram sempre a palavra e têm uma forma e uma seriedade de estar na vida política", disse Miguel Relvas.
Para o social-democrata, a actual liderança do PS "não consegue falar com ninguém, está esgotada: já não consegue falar com o PCP, não fala com o Bloco de Esquerda, não fala com o PSD, não fala com o CDS.É uma liderança que é a imagem da crise do país", enquanto "hoje o PSD fala à sua direita". A declaração foi feita no final de um debate sobre informação e política no Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM), em Lisboa. A jornalista Judite de Sousa, docente no instituto, aproveitou a presença do secretário-geral social-democrata e do deputado socialista António José Seguro, ambos professores no ISCEM, para averiguar a opinião de Miguel Relvas acerca da liderança do PS. De acordo com a agência Lusa, à pergunta se "é legítimo o PSD querer impor uma mudança de liderança no PS", Miguel Relvas respondeu que "quem escolhe os dirigentes do PS é o PS". "Muito bem", foi a observação de António José Seguro. No início da sua intervenção, Relvas referiu-se a Seguro como "um dos políticos mais brilhantes" da sua geração.
Partidos têm de abdicar de sentimentos menores
"Sócrates, Passos, Portas e Cavaco devem abdicar de sentimentos menores". António Barreto pediu aos principais políticos do país para se entenderem rapidamente, de forma a que façam "um acordo de emergência". O apelo foi lançado hoje no arranque do ciclo de debates "Portugal - Que futuro?", que decorreu no Auditório da Renascença, em Lisboa. Barreto pede aos protagonistas que "abdiquem de sentimentos menores". “Eu peço que o primeiro-ministro José Sócrates, que os presidentes dos partidos - pelo menos Passos Coelho e Paulo Portas, dado que houve dois partidos que se retiraram da negociação que está a acontecer - e que o Presidente da República, Cavaco Silva, abdiquem, que abdiquem pessoalmente dos seus sentimentos menores", apelou António Barreto. "Que abdiquem das suas paixões menores", continuou o sociólogo, "que abdiquem de questões de preconceito, de procedimento, de procedência, que pensem o destino deste povo e deste país, que vai ser jogado nesta próximas três semanas". "E que façam um acordo de emergência, independentemente do diagnóstico e das causas do diagnóstico", acrescentou António Barreto. O sociólogo disse ainda que teria "agradecido aos deuses que o Presidente da República, nos últimos dois anos, tivesse uma intervenção pública diante do povo português mais profunda, mais permanente, mais empenhada". "Eu gostaria que o Presidente da República português tivesse um poder político mais forte", completou.
A teimosia do pedido de ajuda: A necessidade de conhecer a “verdade” das finanças públicas também foi alvo de análise. De acordo com as contas feitas pelo economista João Duque, que também participou no debate, "a teimosia de não ir pedir esta ajuda que acabámos por pedir" pode "traduzir-se num diferencial de juros a pagar na ordem, no mínimo, dos 3,5 mil milhões de euros". Depois da “teimosia em não pedir ajuda externa” e da “humilhação” que pode advir das reuniões entre as instâncias portuguesas e os técnicos internacionais, João Duque crê que "chegámos a um ponto em que não temos espaço de manobra”. O economista também expressou alguma “dor” com as recentes políticas de trabalho no sector público e com a “oficialização” de algo que, do ponto de vista empresarial, é considerado crime, numa referência às notícias que dão conta da falta de pagamento do IRS pelas forças de segurança.
O futuro desejável: Para o professor universitário Miguel Morgado, que fez igualmente parte do debate, os "problemas são tão graves e tão complexos" que "uma coisa que nós podemos fazer a curto prazo é começar a tratar dos problemas de longo prazo". Para o docente universitário, a própria pergunta que dá mote aos debates - "Portugal - Que futuro?" - traduz a angústia e ansiedade dos portugueses. Miguel Morgado defende que “as conjecturas têm de estar assentes num diagnóstico” e que a pergunta a fazer é antes “Portugal tem um futuro desejável?”. O “factor psicológico”, disse Miguel Morgado, "também tem peso". O “medo do futuro” pode tornar-se “paralisante” para os portugueses, o que “diminui, todos os dias” a “possibilidade de renovação da sociedade”. O “projecto comum” dos portugueses “desapareceu”, afirmou ainda.
E se a Finlândia disser "não" a Portugal?
É o Parlamento finlandês que decide sobre os resgates financeiros a países do euro e os eurocépticos estão a ganhar força na Finlândia. Os finlandeses escolhem um novo Parlamento no dia 17 e, segundo a última sondagem, são já 48% os que se opõem a qualquer ajuda a Portugal ou ao reforço do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. A objecção de um país não trava automaticamente o processo de ajuda externa, mas pode complicá-lo bastante. Na Finlândia, é o Parlamento que aprova, ou não, o resgate financeiro aos países do euro. Os finlandeses escolhem um novo Parlamento no próximo dia 17 e, segundo a última sondagem, são já 48% os que se opõem a qualquer ajuda a Portugal ou ao reforço do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Neste caso, a alternativa seria redistribuir a parte da Finlândia entre os demais países, mas sem poder recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira - à semelhança do que aconteceu com a Grécia -, o que seria bastante delicado. Ou então modificar as regras de funcionamento do próprio fundo, tarefa igualmente complicada, morosa e que necessitaria de novo voto em vários parlamentos.
A ajuda que Portugal conta receber vai estar dividida em três partes. Um terço será garantido pelo FMI; uma pequena parte será assegurada pelo Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, que depende do orçamento da União, sendo gerido pela Comissão Europeia e cuja activação é decidida por maioria qualificada. A principal fatia do pacote é facultada através do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, que é alimentado com garantias dadas pelos Estados-membros e cuja activação requer uma decisão por unanimidade. Caso a Finlândia vote contra a ajuda a Portugal, é a principal parte de todo o pacote que fica ameaçada. A decisão de emprestar cerca de 80 mil milhões de euros terá de ser tomada por unanimidade no próximo Ecofin de 16 de Maio. A activação do pacote de ajuda financeira a Portugal tem que ser decidida pelos governos dos 17 países da Zona Euro. Certo é que alguns países têm ainda que ratificar esta decisão nos respectivos parlamentos nacionais. Além disso, e na Alemanha, um grupo de cidadãos recorreu ao Tribunal Constitucional para travar essa ajuda. Na Holanda, a oposição à ajuda externa a Portugal já foi demonstrada pelo partido xenófobo que sustenta o governo nacional.
BPI fecha 47 balcões em todo o país
A maior parte dos funcionários vai ser reintegrada, outros poderão optar pela reforma antecipada e os restantes não vão ver os contratos renovados, disse uma fonte do BPI. O BPI vai encerrar quase meia centena de balcões. O processo de encerramento de agências vai decorrer até ao final deste semestre e abrange todo o país. De acordo com fonte do Banco, vão ser encerrados 47 balcões, estando em causa mais de uma centena de trabalhadores. A mesma fonte esclareceu que a maior parte destes funcionários está no quadro e vão ser reintegrados, outros poderão optar por reforma antecipada e os restantes não vão ver os contratos renovados. O Banco Português de Investimento sublinha ainda que se trata de uma racionalização da oferta comercial, face à evolução do mercado.
Banqueiros rejeitam culpas no pedido de ajuda externa
“É mentira”, diz presidente do BPI. “Assim vamos percebendo como é que o país chegou a esta situação”, acrescenta. Os banqueiros rejeitam a ideia de que tenha sido a banca a empurrar o Governo para um pedido de ajuda a Bruxelas. O presidente do BPI, Fernando Ulrich, acusa o Executivo de mentir. Fernando Ulrich diz ser "mentira" que banca tenha levado à ajuda externa. “Ficaria profundamente decepcionado que, tendo deixado o país chegar a este ponto, o Governo desse ainda mais esse passo de destruição da confiança entre as instituições, entre as pessoas”, afirmou na última noite, numa entrevista na TVI. “Isso é uma justificação que é mentira. Se estão a dizer isso [que a falta de liquidez na banca foi fundamental para o pedido de resgate] então é porque não perceberam nada do que se está a passar e assim vamos percebendo como é que o país chegou a esta situação”, acrescentou.
"Bancos portugueses estão muito bem", garante Ricardo Salgado. Também Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo (BES) rejeita a tese do Governo e de alguns partidos políticos e defende que foram os próprios bancos a suportar a recuperação da crise. “Desde o início da crise, no final de 2007 até hoje, [os bancos] evitaram a crise dos produtos tóxicos, não tiveram problemas de bolha imobiliária em Portugal, conseguiram-se recapitalizar e, portanto, os bancos portugueses estão muito bem e julgo que o Banco de Portugal e o Banco Central Europeu sabem disso”, afirmou à Renascença, ontem à noite, à margem de um jantar da Câmara de Comércio Luso-Alemã, em Lisboa. Bancos cumpriram "missão de apoio ao país", diz Faria de Oliveira. Por sua vez, e na mesma ocasião, Faria de Oliveira, da Caixa Geral de Depósitos (CGD), recordou o esforço que a banca fez para financiar o Estado: “O conjunto das instituições bancárias emprestou ou adquiriu dívida pública à República num montante muito perto daquele que constitui o financiamento junto do BCE, o que é significativo do cumprimento da missão de apoio ao país que os bancos procederam, continuando a cumprir a sua missão de apoiar a economia”. Recorde-se que, na sequência de uma reunião no Banco de Portugal, os principais bancos portugueses decidiram, no dia 4 (segunda-feira à noite), não dar nem mais um cêntimo ao Estado, não regressando aos leilões nos próximos meses, para comprar dívida pública. O anúncio de pedido de ajuda de Portugal foi feito no dia 6, pelo primeiro-ministro.




