Candidaturas já mexem: Mulheres ao poder!
Embora nada esteja decidido, nem anunciado pelos partidos nomes de candidatos às Eleições Autárquicas, "os Deuses estão com elas" e algumas há que virtualmente já o são; VRSA, Albufeira e Silves podem ser animados por elasA partir de Janeiro, as próximas eleições autárquicas vão começar agitar as águas algarvias, especialmente na blogosfera, área fértil para o lançamento de “bocas”, ora credíveis ou não, já que é necessário ler nas entre-linhas, e indispensável fazer o cruzamento de informação. Nas autarquias onde os actuais presidentes se recandidatam, são os partidos da oposição que começam a delinear estratégias.
É o caso de
Vila Real de Santo António, onde a deputada Jovita Ladeira deverá ser a eventual cabeça de lista como candidata pelo PS á Cãmara local. A líder socialista do Concelho diz que tem feito o “trabalho de casa” e está atenta às necessidades da população, acusando o PSD, que governara sozinho a autarquia, como o grande responsáveis pela gravidade da situação que o Concelho atravessa, na falta de infraestruturas, pouca formação na área da juventude e em questões não menos importantes como “um despezismo absurdo de futilidades, e a falta de um saneamento básico de raíz” na cidade do Guadiana.
Sobre este último tema, Jovita Ladeira considera “insustentável a manutenção do estado actual em que se encontra a rede de águas pluviais no concelho, repetindo-se, ano após ano, o que se passou com as chuvadas que ocorreram em Setembro. Numa proposta apresentada à votação na reunião semanal da câmara, que foi chumbada pelo executivo PSD, os vereadores do PS pediam que o município de VRSA avance rapidamente com o concurso para a ampliação da rede de águas pluviais e deixe de ser “o município sempre em festa e passe a optar por investir em obras que realmente sejam imprescindíveis para melhorar a qualidade de vida da população do concelho”.
No mesmo texto os edis socialistas exigem ainda que o “actual presidente da câmara de VRSA assuma as suas responsabilidades e resolva de vez os problemas, dado que na sua gestão, já com mais de três anos, pouco ou nada se fez para resolver estes problemas”.
Jovita Ladeira quer também alertar a população do concelho de VRSA para o facto de no actual plano de investimentos da autarquia não estar prevista nenhuma intervenção estruturante para a melhoria e ampliação das infra-estruturas de recolha das águas pluviais, contrariamente àquilo que o executivo camarário do PSD quer fazer trespassar para a opinião pública.
Além de um programa político elaborado e adquado às realidades dos vilarealenses, Jovita Ladeira vai ter ainda que lutar contra os apaniguados e trauliteiros apoiantes de Luis Gomes, que uma vez sentado na cadeira do poder manobra certa Comunicação Social e com isso, tem o caminho facilitado na sua recandidatura. Basta-lhe apenas distribuir “rebuçados às rádios locais” e retocar a equipa com algumas caras igualmente fracas e obedientes. Vila Real de Santo António é hoje a cidade “sempre em festa” com menor índice de investimentos públicos, e com música e foguetes a política contabiliza ainda alguns votos.
Em Albufeira, uma vez mais será candidato o actual presidente Desidério Silva pelo PSD, vitorioso que foi nas últimas eleições com maioria absoluta dada pelo desastre eleitoral “Anastácio” de má memória para o Partido Socialista. Este é outro concelho “sempre em festa” mas as próximas eleições prometem ser das mais animadas dos últimos vinte anos. O PS ainda não avançou com um candidato visível, o que se prevê faça em Janeiro próximo, anunciando o nome do deputado David Martins como cabeça de lista por este Concelho. David Martins, um jovem de 34 anos, proveniente de uma família de Paderne, tem pouca visibilidade no Concelho embora com um currículo político e profissional invejável, aliado a uma capacidade de trabalho acima da média, pelo que o eleitorado de Albufeira terá de ter em conta o seu nome.
Mas também se tem notado um certo e surdo movimento de cidadãos que, na falta da visibilidade do CDS/PP e do BE locais, pretendem colocar no terreno uma candidatura independente, promovida por alguns destacados empresários do sector da hotelaria a par de movimentos associativos que estão no terreno recolhendo assinaturas. Não é preciso ser adivinho para se calcular quem pretendem que dê corpo a este projecto independentista: Ana Vidigal, a ex-vereadora que apresentou recentemente a sua desfiliação do PSD seria a eleita. A questão está em que a “desejada” não está “disponível para declarações”, nem quer “ouvir falar em política nem Partidos tão depressa”, segundo os seus apoiantes mais próximos. No comunicado que emitiu anunciando a sua decisão de abandonar o PSD, Ana Vidigal transmite de forma inequívoca um real descontentamento com a classe política algarvia do seu ex-Partido quando afirma que “a forma de fazer política e a postura de alguns dirigentes locais e distritais, a desiludiram e fizeram-na perceber que os valores mais altos da democracia, da solidariedade, da justiça, do respeito, da igualdade, as mais das vezes são apregoados, mas na sua essência não são exercidos".
Independentemente desse pretenso movimento que alguns apoiantes de Ana Vidigal pretendem ver colocado no terreno como “vaga de fundo”, também outras correntes políticas de relativa visibilidade “têm piscado o olho” à ex-vereadora. Mesmo que Ana Vidigal não seja sensível aos apelos partidários, resta-lhe o trabalho que desenvolve na área associativa, nomeadamente na Igualdade de Oprtunidades, uma associação de que é presidente e a qual assinou recentemente alguns protocolos que lhe deram inesperado protagonismo nos corredores do governo.
Com PSD e PS tradicionalmente no terreno, e as surpresas que entretanto possam chegar, tudo se conjuga assim para que a campanha eleitoral em Albufeira seja no próximo ano, no mínimo bastante alegre e movimentada. A bem da democracia e de um eleitorado saudávelmente dividido.
Em Silves, o PS, tarda em renascer das cinzas, com o “ciclone” que Isabel Soares fez varrer no Concelho há dois mandatos com algumas polémicas à mistura. A actual presidente eleita pelo PSD, será de novo candidata mostrando obra feita e preparando a sua sucessão. Sabe-se que Partido Socialistas deu “luz verde” ao militante Carneiro Jacinto para avançar no terreno preparando a sua candidatura. O pré-candidato apresentou publicamente em conferência de imprensa a 4 de Dezembro de 2006, a sua vontade e disponibilidade em se candidatar à Presidência da Câmara Municipal de Silves, tendo na altura criado o blog "Servir Silves".
Carnero Jacinto correu um risco ao anunciar a sua disponibilidade com tanta antecedência. Embora militante do Partido Socialista há 30 anos, Carneiro Jacinto entendia que se quisesse derrotar Isabel Soares teria de ser capaz de ir muito mais longe do que simplesmente contar com o eleitorado do PS, abrindo a candidatura a independentes e simpatizantes de todos os quadrantes políticos.
Porém além de Carneiro Jacinto, perfilava-se na sombra como potencial candidata Lisete Romão, que nas últimas eleições defrontou pelo PS a actual presidente da Câmara, disputa da qual saiu derrotada. Inesperadamente, e confrontado com dois candidatos a candidato, Miguel Freitas, Presidente da Federação do PS/Algarve, encomendou uma sondagem para que indicasse, quem estaria em melhor posição para derrotar Isabel Soares, sondagem essa que deu indicadores positivos, pelo que o PS/Algarve decidiu “puxar o tapete” a Carneiro Jacinto e recandidatar Lisete Romão às próximas eleições autárquicas.
O candidato a canditado respeitando a decisão do Partido, diz não querer ser acusado “de ser co-responsável por uma nova vitória eleitoral de Isabel Soares”, o que na prática se poderá facilmente concretizar.