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domingo, 7 de novembro de 2010

Portugal/China

Após "invasão amarela", Presidente da China vem a Portugal
                                                                                                                                           
O homem mais poderoso do mundo chegou a Lisboa para comprar a "dívida"... Pequim quer elevar as relações com Portugal a "um nível mais alto", e Cavaco Silva diz que "podemos ser muito mais ambiciosos para o futuro".
                                                 
O presidente chinês Hu Jintao, que a revista Forbes considerou como o homem mais poderoso do mundo, iniciou ontem uma visita a Portugal, com a China a indicar que está disposta a comprar dívida soberana portuguesa. O líder que destronou o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, na lista das personalidade mais poderosas do mundo da revista norte americana Forbes vai, nos dois dias de visita a Portugal, reunir-se com o presidente português Cavaco Silva, com o primeiro ministro José Sócrates e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, entre encontros com outras autoridades e com a comunidade chinesa em Portugal.
Hu será o primeiro presidente chinês a visitar Portugal em mais de uma década e um dos grandes temas dos encontros será a possibilidade da compra de dívida soberana portuguesa pela China, que tem as maiores reservas cambiais do mundo - 2,65 biliões de dólares (1,86 biliões de euros). Para além da dívida, Portugal e a China aproveitam também a visita para assinar diversos acordos económicos, que deverão incluir a compra de produtos portugueses como vinho e azeite, para além do reforço da cooperação no sector do turismo. O embaixador da China em Portugal disse à imprensa chinesa que a visita de Hu "dará um grande impulso às relações bilaterais" e adiantou que os presidentes chinês e português vão discutir tópicos como o reforço da cooperação nos sectores da tecnologia e das energias renováveis, o aprofundamento das relações políticas e económicas e a expansão da cooperação nos sectores da cultura e da educação.
Hu Jintao visita Portugal acompanhado de diversos membros do governo chinês e de uma comitiva de 50 empresários, após uma visita de três dias a França, onde presidiu à assinatura de contratos comerciais e industriais de valor superior a 15 mil milhões de euros. Segundo dados chineses, nos primeiros oito meses de 2010, as exportações portuguesas cresceram 66 por cento em relação a igual período do ano passando, somando 483,5 milhões de dólares. As exportações chinesas cresceram 39 por cento no mesmo período, para 1,65 mil milhões de dólares. A visita de Hu Jintao é também motivo de protestos. A secção portuguesa da Amnistia Internacional vai realizar uma manifestação contra "os inúmeros detidos na República Popular da China, por delito de opinião", enquanto o Bloco de Esquerda se recusa a estar presente na sessão parlamentar de receção ao presidente chinês, porque considera o regime de Pequim "uma ditadura com créditos firmados na violação dos Direitos Humanos".
                                                                                                                              
"Podemos ser muito mais ambiciosos para o futuro", diz Cavaco Silva
                                                                                                
O Presidente da República, Cavaco Silva, destacou ontem a amizade e cooperação nas relações entre Portugal e a China, mas afirmou que os dois países podem fazer mais no futuro, em especial no campo do comércio bilateral. "Os resultados conseguidos até agora têm sido muito positivos, mas ficou claro neste encontro que realizámos que podemos ser muito mais ambiciosos para o futuro", disse Cavaco Silva, no final de um encontro de mais de uma hora com o presidente da República Popular da China, Hu Jintao, que hoje iniciou uma visita de Estado de dois dias a Portugal. "No campo das relações económicas, as duas delegações reconheceram as possibilidades de aumentar significativamente as trocas comerciais, com um contributo para reduzir o desequilíbrio que neste momento se verifica entre as exportações e as importações entre os dois países", acrescentou o Presidente português, em declarações no Palácio de Belém, onde os líderes se reuniram.
Cavaco Silva considerou a visita de Hu Jintao como "o sinal claro do empenhamento dos dois países no reforço das relações políticas, económicas e culturais", uma relação bilateral que, para o presidente português, se caracterizam "há muito tempo pela amizade, pela cooperação e pelo respeito mutuo". O presidente português disse ainda ter ficado a saber, "com particular satisfação", que "a China olha com interesse para as possibilidades e oportunidades de investimento" em Portugal. "Os acordos que vão ser assinados amanhã, os acordos entre e empresários portugueses e chineses, são uma boa indicação das possibilidades de reforço das relações comerciais entre os dois países", disse ainda Cavaco Silva. As trocas comerciais entre a China e Portugal subiram este ano 40,70 por cento, entre janeiro e setembro de 2010, segundo dados oficiais chineses. Nos primeiros nove meses deste ano Portugal importou da China bens no valor de 1,85 mil milhões de dólares (1,31 mil milhões de euros) contra compras chinesas de 546,9 milhões de dólares (388 milhões de euros). No mesmo período, as exportações chinesas subiam 35,60 por cento, enquanto as vendas de Portugal aumentaram 61,40 por cento, em comparação com os nove primeiros meses de 2009.
Hu Jintao iniciou hoje uma visita de dois dias de visita a Portugal, sendo o primeiro presidente chinês a visitar Portugal em mais de dez anos. Para além do encontro de hoje com o homólogo português, Hu Jintao vai também manter encontros com o primeiro-ministro, José Sócrates, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, entre encontros com outras autoridades e com a comunidade chinesa em Portugal. Durante a deslocação a Portugal, que se segue a uma visita de três dias à China, Hu deverá assinar acordos de âmbito empresarial nas áreas da energia, alimentação, banca e indústria transformadora.
                                                                                                                    
Pequim quer elevar as relações com Portugal a "um nível mais alto"
                                                                                                                           
O presidente da República Popular da China, Hu Jintao, disse que a China está disposta a elevar o nível das relações bilaterais com Portugal, em declarações feitas à chegada a Lisboa. "A parte chinesa atribui grande importância ao desenvolvimento das relações sino-portuguesas e está disposta a envidar esforços conjuntos com a parte portuguesa para elevar as relações dos dois países a um nível mais alto", disse Hu Jintao, numa declaração escrita distribuída à imprensa antes do encontro que Hu vai manter com o Presidente da República português, Cavaco Silva. O presidente chinês sublinha ainda que "a China e Portugal têm uma longa história de contacto amistoso, os dois povos compartilham uma amizade que remonta aos tempos antigos".
"Desde o estabelecimento da Parceria Estratégica Global sino-portuguesa em 2005, têm-se desenvolvido, de forma profunda, as cooperações entre os dois países em todos os domínios", sublinha. Hu Jintao, chegado a Lisboa vindo de França, onde efetuou uma visita oficial de três dias, acrescenta que "é da vontade comum dos dois povos continuar a defender a Parceria Estratégica Global sino-portuguesa, o que corresponde aos interesses comuns das duas partes", acrescentando, "estou a aguardar os contactos com os dirigentes de Portugal para trocar opiniões sobre as relações bilaterais e as questões importantes internacionais e regionais de interesse comum, visando resumir as experiências do desenvolvimento das nossas relações e discutir sobre os meios de aprofundamento da cooperação de benefício recíproco", disse ainda Hu Jintao.
O líder chinês iniciou hoje uma visita de dois dias de visita a Portugal, sendo o primeiro presidente chinês a visitar Portugal em mais de uma década. Para além do encontro de hoje com o homólogo português, Hu Jintao vai também manter encontros com o primeiro-ministro, José Sócrates, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, entre encontros com outras autoridades e com a comunidade chinesa em Portugal. Durante a deslocação a Portugal, que se segue a uma visita de três dias à China, Hu vai deverá assinar acordos de âmbito empresarial nas áreas da energia, alimentação, banca e indústria transformadora. Ao nível institucional, os dois países preparam-se para assinar uma declaração, no âmbito da Parceria Estratégica luso-chinesa, visando o reforço da cooperação económica entre os dois países e um acordo no domínio do turismo, para além de um programa de cooperação nos domínios da cultura, língua, educação, ensino superior, ciência e tecnologia e desporto.
                                                                                                                               
China valoriza papel de Portugal nos assuntos internacionais e regionais
                                                                                                                                 
O presidente da República Popular da China, Hu Jintao, afirmou que Pequim quer reforçar a cooperação com Portugal em questões como a recuperação económica mundial ou a reforma das Nações Unidas. "O lado chinês valoriza muito a importante projeção que a parte portuguesa tem desempenhado nos assuntos internacionais e regionais e temos interesse em estreitar a concertação e o intercâmbio entre os nossos dois países, nos fóruns multilaterais, inclusive nas Nações Unidas", afirmou o presidente chinês em declarações à imprensa, sem direito a perguntas, no final do encontro que Hu manteve com o Presidente da República português, Cavaco Silva. "Deste modo podemos consolidar as nossas consultas sobre os temas globais e sobre os temas cadentes internacionais de nosso interesse comum, tais como a recuperação do crescimento económico mundial, a reforma das Nações Unidas [ou] alterações climáticas,", acrescentou Hu Jintao, no final do encontro no Palácio de Belém, que durou mais de uma hora. O Presidente português, Cavaco Silva, afirmou por seu lado que "a eleição de Portugal para membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas abre novas possibilidades de diálogo aprofundado entre os dois países, que [Portugal e a China] se comprometeram a aproveitar".
Cavaco Silva afirmou ainda que Portugal defende o aprofundamento das relações entre a União Europeia e a China e "apoia fortemente a concretização do novo acordo de Parceria Estratégica entre a União Europeia e a China", que tem como objetivo reforçar o diálogo com a China em sectores como os negócios estrangeiros, questões de segurança ou desafios globais como as alterações climáticas ou a recuperação económica mundial. O líder chinês iniciou hoje uma visita de dois dias de visita a Portugal, sendo o primeiro presidente da República Popular da China a visitar Portugal em mais de uma década, desde que o antecessor de Hu, Jiang Zemin, visitou o país em 1999. Para além do encontro de hoje com o homólogo português, Hu Jintao vai também manter encontros com o primeiro-ministro, José Sócrates, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, entre encontros com outras autoridades e com a comunidade chinesa em Portugal.
Durante a deslocação a Portugal, que se segue a uma visita de três dias à China, Hu vai deverá assinar acordos de âmbito empresarial nas áreas da energia, alimentação, banca e indústria transformadora. As trocas comerciais entre a China e Portugal subiram este ano 40,70 por cento, entre janeiro e setembro de 2010, segundo dados oficiais chineses. Nos primeiros nove meses deste ano Portugal importou da China bens no valor de 1,85 mil milhões de dólares (1,31 mil milhões de euros) contra compras chinesas de 546,9 milhões de dólares (388 milhões de euros). No mesmo período, as exportações chinesas subiam 35,60 por cento, enquanto as vendas de Portugal aumentaram 61,40 por cento, em comparação com os nove primeiros meses de 2009.
                                                                                                                                          
Destaque às ligações aos países de expressão portuguesa para atrair investimento chinês
                                                                                                                                         
O Presidente da República, Cavaco Silva, destacou as ligações entre Portugal e os países de expressão portuguesa em África e na América Latina como um fator de atração de investimento chinês para o país. "A nossa situação geográfica e as relações privilegiadas e forte presença das nossas empresas em África e na América Latina, designadamente nos países de expressão portuguesa, são outros fatores que fazem de Portugal um destino atrativo para o investimento chinês", disse Cavaco Silva, no discurso do banquete de Estado em honra do presidente chinês Hu Jintao, que hoje iniciou uma visita a Portugal. Cavaco Silva afirmou ainda que as relações entre Portugal e os países de expressão portuguesa "justificam uma aposta no estabelecimento de parcerias empresariais luso-chinesas".
O Presidente português realçou também que a aposta de Portugal nas áreas da inovação tecnológica "reveste um grande potencial para o desenvolvimento da nossa cooperação com a China". No discurso, o presidente português destacou ainda a próxima reunião do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o Fórum Macau, que se realiza nos próximos dias 13 e 14, em Macau, com a presença, entre outros chefes de Governo, do primeiro ministro português José Sócrates e do primeiro ministro chinês, Wen Jiabao. "Macau desempenha um papel central nas relações entre Portugal e a China, bem como da China com os países de língua oficial portuguesa. É o que atesta o Fórum de Macau, cuja próxima reunião (...) suscita as maiores expetativas", disse o Chefe de Estado português. O presidente chinês, Hu Jintao, sublinhou que em 1999, com a transferência da administração de Macau para a China, "a solução da Questão de Macau virou uma nova página na cooperação amistosa sino-portuguesa"
A cooperação "amistosa sino-portuguesa dispõe de um firme alicerce político e uma ampla perspetiva de desenvolvimento", disse o presidente Hu, que iniciou hoje a visita oficial de dois dias a Portugal, que Lisboa quer aproveitar para reforçar as relações comerciais com a China. As trocas comerciais entre a China e Portugal subiram este ano 40,70 por cento, entre janeiro e setembro de 2010, segundo dados oficiais chineses. Nos primeiros nove meses deste ano, Portugal importou da China bens no valor de 1,85 mil milhões de dólares (1,31 mil milhões de euros) contra compras chinesas de 546,9 milhões de dólares (388 milhões de euros). No mesmo período, as exportações chinesas subiam 35,60 por cento, enquanto as vendas de Portugal aumentaram 61,40 por cento, em comparação com os nove primeiros meses de 2009.
                                                                                                                                         
Recuperação económica global é "instável", diz presidente chinês
                                                                                                                                              
O Presidente da República chinês, Hu Jintao, considerou que a recuperação da economia global está a decorrer de forma instável e destacou a importância do reforço das relações bilaterais entre a China e Portugal. "Atualmente, a situação internacional está a sofrer mudanças complexas e profundas, com a recuperação económica mundial ainda instável", afirmou Hu Jintao, num banquete de Estado em sua honra, para marcar a visita oficial do líder chinês a Portugal, que hoje começou. "O facto de promovermos o desenvolvimento das relações sino-portuguesas e de estreitamos a cooperação pragmática bilateral corresponde aos interesses fundamentais dos dois países e dos dois povos", acrescentou o presidente chinês, num banquete oferecido pelo presidente português, Cavaco Silva. O líder chinês considerou ainda que "a cooperação amistosa sino-portuguesa dispõe de um firme alicerce político e uma ampla perspetiva de desenvolvimento" e referiu que, nas conversações entre Hu e Cavaco, anteriores ao banquete, os dois presidentes alcançaram "amplo consenso sobre as relações bilaterais e outras questões de interesse comum".
Por seu lado, o Presidente português elogiou as reformas chinesas e a cada vez maior integração da China no sistema económico global. "As reformas internas, a abertura e a crescente participação da China no sistema económico e financeiro mundial proporcionaram-lhe, nas três últimas décadas, índices notáveis de crescimento económico, com reflexos no nível e na qualidade de vida dos seus cidadãos", realçou Cavaco Silva. O líder chinês iniciou uma visita de dois dias de visita a Portugal, sendo o primeiro presidente chinês a visitar Portugal em mais de uma década. Para além do encontro de hoje com o homólogo português, Hu Jintao vai também ter encontros com o primeiro-ministro, José Sócrates, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, entre outras autoridades e com a comunidade chinesa em Portugal. Durante a deslocação a Portugal, Hu deverá assinar acordos de âmbito empresarial nas áreas da energia, alimentação, banca e indústria transformadora.
                                                                                                                                                 
Duplicar comércio bilateral até 2015 é meta apontada pelo Presidente chinês
                                                                                                                                            
O Presidente chinês, Hu Jintao, exortou Portugal e China a "tentarem duplicar" o comércio bilateral até 2015, noticiou a agência oficial chinesa Xinhua (Nova China). Pelas contas chinesas, nos primeiros nove meses deste ano, o comércio entre a China e Portugal cresceu 40,7 por cento em relação a igual período de 2009, atingindo 2396 milhões de dólares. As exportações portuguesas aumentaram 61,4 por cento, para 549,9 milhões de dólares, mas como acontece com grande parte dos países da União Europeia, o saldo da balança comercial bilateral é largamente favorável à China. Hu Jintao "exortou as duas partes a fortalecer a cooperação económica e a tentar duplicar o comercio bilateral até 2015", disse a agencia Nova China sobre as conversações do presidente chinês com o homologo português, Aníbal Cavaco Silva.
Segundo o relato da agência Nova China, Hu Jintao indicou também que "a China está pronta a explorar com Lisboa formas de elevar a cooperação económica e comercial com outros países de língua portuguesa". A China é já o maior parceiro comercial do Brasil e, devido ao petróleo, Angola é o maior parceiro comercial da China em África. Hu Jintao, que termina hoje uma visita de dois dias a Portugal, foi o primeiro presidente chinês recebido em Lisboa em mais de uma década. As relações políticas luso-chinesas são consideradas excelentes e a transição de Macau para a administração chinesa, em Dezembro de 1999, é vista em Pequim e em Lisboa como uma história de sucesso.