Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"New York Times" sabe mais que nós!

"PORTUGAL LITERALMENTE JÁ NÃO TEM NADA A PERDER"
                                                                                                                                       
Portugal perdeu tudo o que havia para perder, está no fundo; resta-nos agora a agonia de uma economia moribunda... Só ficam a elite de um lado com todos os poderes e do outro uma população global de pobres escravizados... Grécia, o berço de civilização na Antiguidade está a ser atacada pelos neonazis europeus!
                                                         
O New York Times descreve as expectativas dos investidores para a evolução da crise da dívida soberana em Portugal... Os mercados financeiros estão "preocupados com Portugal", e os investidores acreditam que a dívida portuguesa será reestruturada como a da Grécia, escreve o New York Times. O artigo, escrito pelo correspondente do diário nova-iorquino para a Península Ibérica, descreve as expetativas dos investidores para a evolução da crise da dívida soberana em Portugal. Segundo o Times, quando a Grécia concluir um acordo para a reestruturação da sua dívida, é provável que Portugal "venha a seguir". O Governo grego está atualmente a negociar com os credores a dimensão e formato do 'haircut' (redução) da dívida. O economista Edward Hugh, citado pelo Times, afirma que "o mais provável é que Portugal diga que também quer um acordo desses", até porque "literalmente já não tem nada a perder". O artigo nota que o Governo português tem reiterado a sua intenção de cumprir o acordo de assistência financeira assinado com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e que até agora não contemplou a hipótese de reestruturação. O Times cita ainda Albert Jaeger, chefe da delegação do FMI em Lisboa, segundo o qual "a vantagem mais importante que Portugal tem [sobre a Grécia] é provavelmente o seu consenso político e social interno".
                                                                                                                                  
ELÍSIO ESTANQUE: A CLASSE MÉDIA EM EXTINÇÃO RÁPIDA
                                                                                                                        
Só ficam a elite de um lado com todos os poderes e do outro uma população global de pobres escravizados... O sociólogo Elísio Estanque concluiu que a classe média portuguesa corre sérios riscos de desaparecer como consequência da grave crise económica que o país atravessa. Esta é uma das conclusões a que o sociólogo chegou e um dos temas abordados num livro que vai lançar esta semana. Segundo a obra, a classe média «está em risco de um empobrecimento muito rápido» que pode levar a um «descontentamento mais amplo na sociedade portuguesa». Os resultados desta condição podem levar ao «enfraquecimento do sistema socioeconómico» e fragilização do sistema democrático, defende o autor. No livro «Classe Média: Ascensão e Declínio», o sociólogo defende que muitos jovens que têm formação superior e pertencem à classe média experienciam uma «condição de precariedade e insatisfação relativamente às instituições e à classe política», sendo mesmo esta faixa da sociedade que «alimenta os movimentos de protesto». 
                                                                                                                               
GRÉCIA RECUSA CEDER SOBERANIA ORÇAMENTAL À UE
                                                                                                                                  
Grécia, o berço de civilização na Antiguidade está a ser atacada pelos neonazis europeus... Atenas teria de abdicar da sua soberania orçamental, aceitando a colocação permanente das finanças gregas sob o controlo de um comissário e ainda de tornar lei a prioridade do pagamento da sua dívida aos credores. Sem estas condições, a entrega de 130 mil milhões de euros previstos na segunda tranche de ajuda à Grécia, poderá estar em risco. Mas Atenas já recusou discuti-las. "Está fora de causa que nós aceitemos, essas são competências que pertencem à soberania nacional", reagiram fontes governamentais gregas. "Há efetivamente uma nota informal que foi apresentada ao Eurogrupo” para colocar sob controlo europeu o orçamento grego, "mas a Grécia não discute uma tal eventualidade", sublinhou a mesma fonte, confirmando a notícia, avançada pelo Financial Times. Segundo a proposta, alegadamente colocada pela Alemanha, as finanças gregas ficariam subordinadas ao parecer de um comissário, designado pelos ministros das Finanças da zona euro. Este comissário do Orçamento teria o poder de vetar as decisões orçamentais decididas pelo governo grego.
A segunda condição, avançada igualmente no documento, seria a aceitação de que os rendimentos do estado grego dariam total prioridade ao pagamento futuro da dívida contraída por Atenas junto da Comissão Europeia, do FMI e do Banco Central Europeu (troika) e de investidores privados. O objetivo seria impedir ameaças políticas de incumprimento por parte do próprio governo grego e ainda a "eliminação de facto da possibilidade de incumprimento". "Só o remanescente poderá ser usado para financiar os gastos primários", considera a proposta. Esta segunda medida terá ainda de se tornar lei, "de preferência através de uma emenda constitucional", conclui a nota que sublinha ainda cumprimento "dececionante até agora" da Grécia, que a obriga a aceitar a "transferência da soberania orçamental para um nível europeu, por um certo tempo." O documento conclui pela necessidade de colocar "a consolidação orçamental sob orientação e sistema de controlo rigorosos". No documento, ambas as condições são consideradas essenciais para o Eurogrupo aprovar um Memorando de Entendimento que desbloqueie o segundo pacote de resgate à Grécia. A Grécia arrisca entrar em bancarrota se não receber uma nova tranche de 130 mil milhões de euros. As condições para o desbloqueamento da verba têm estado a ser negociadas há duas semanas, incluindo um perdão da dívida grega por parte dos bancos credores.
                                                                                                                      
                                                                                                                       
                                                                                               

quarta-feira, 23 de março de 2011

Desta vez... cumpriu!

Sócrates demitiu-se
                                                                                                          
Primeiro-ministro apresentou demissão a Cavaco Silva em Belém. O primeiro-ministro deixou, no entanto, um esclarecimento: "o país não ficou sem Governo. Os portugueses podem contar com um governo de gestão com a determinação de sempre".O primeiro-ministro confirma que apresentou a demissão ao Presidente da República depois do PEC 4 ter sido chumbado no Parlamento. “Hoje os partidos da oposição retiraram todas as condições para o Governo continuar a governar. Acabei de apresentar a minha demissão ao senhor Presidente da República.” José Sócrates diz que sempre tentou evitar que fosse preciso recorrer à ajuda externa para que Portugal não ficasse como a Grécia ou a Irlanda e tivesse que sofrer um programa de ajuda externa com consequências muito negativas "para as pessoas, para as famílias e também para as empresas". "Esta crise era evitável, desnecessária e inoportuna em vésperas de uma cimeira europeia", disse. "Hoje, o país perdeu, não ganhou. A irresponsabilidade triunfou sobre o sentido de Estado", acrescentou Sócrates que lembra que "ao longo destes dias fiz inúmeros apelos à responsabilidade e pedi a todos que pensassem no que iam fazer. Lamento que tenha sido o único a fazer esse apelo e lamento ainda mais que nenhuma outra força política tenha respondido a esse apelo". "A crise política só pode ser resolvida pelos portugueses". O primeiro-ministro deixou, no entanto, um esclarecimento: "o país não ficou sem Governo. Os portugueses podem contar com um governo de gestão com a determinação de sempre".
                                                                            
Cavaco ouve partidos na sexta-feira
                                                                                               
Demissão de José Sócrates deve levar à antecipação de eleições. As audiências com os partidos que o Presidente da República promove sexta-feira marcarão a primeiro etapa da crise política desencadeada pela demissão do primeiro-ministro e que deverá levar à realização de eleições antecipadas antes do Verão. Apesar do calendário imposto pelos prazos legais que é preciso observar ser “apertado” é possível que as mais do que previsíveis eleições legislativas antecipadas se realizem no final de Maio ou início de Junho. De acordo com a Lei Eleitoral para a Assembleia da República, a marcação de eleições antecipadas devido à dissolução da Assembleia da República terá que marcar o ato eleitoral com uma "antecedência mínima de 55 dias".
Ou seja, para as eleições se realizarem no último fim-de-semana de Maio (dia 29), as eleições teriam que ser marcadas até dia 4 de Abril. Se as eleições forem marcadas até 11 de Abril ainda será possível o acto eleitoral realizar-se a 5 de Junho, antes da sucessão de feriados que levará muitos portugueses a marcar férias para essa altura. Contudo, até à assinatura do decreto de marcação das eleições, ainda será necessário cumprir outros “passos” impostos pela Constituição. Já na sexta-feira, Cavaco Silva irá ouvir os partidos para tentar encontrar outra solução de Governo dentro do actual quadro parlamentar. Se não for possível a actual Assembleia da República gerar um novo Governo, como é previsível, o Presidente da República deverá então aceitar formalmente o pedido de demissão de José Sócrates e dar início ao processo de dissolução do Parlamento, ouvindo novamente os partidos e o Conselho de Estado.

Euro cai após demissão de Sócrates e 'chumbo' do PEC

O euro caiu hoje face às outras principais divisas na sequência da demissão do Governo e do 'chumbo' do parlamento português às alterações ao Programa de Estabilidade e Crescimento. A moeda europeia caiu pelo segundo dia consecutivo após a votação no parlamento português que levou à demissão do primeiro-ministro José Sócrates, alimentado especulações nos mercados de que Portugal terá mesmo de recorrer a uma ajuda externa. "Estamos a interpretar isto como uma euro-negativa", disse Michael Woolfolk, analista sénior de divisas no Bank of New York Mellon Corp, sobre a votação em Portugal. "Muitos estavam à espera, se bem que o mercado em geral tenha ficado surpreendido"

É preciso "levar a sério" os protestos sociais
                                                                                                           
"O sujeito da crise e o sujeito da resolução da crise é Portugal, somos todos nós, não apenas os políticos", diz o Bispo do Porto. D. Manuel Clemente defende ser preciso "levar a sério" as manifestações de quem luta por um futuro melhor e pede maior capacidade mobilizadora a quem tem responsabilidades políticas. Referindo-se às concentrações da "Geração à Rasca" e à manifestação do sector laboral, realizadas recentemente, o prelado afirmou que "são, antes de mais, para respeitar muito" e "levar a sério", disse em entrevista à agência Lusa. Para o Bispo do Porto, não se pode "relativizar" o que fizeram os jovens, "que vêem o seu futuro com uma grande interrogação", e as posições de "muita e muita gente que pôs problemas que são reais". Considerou ainda que "o sujeito da crise e o sujeito da resolução da crise é Portugal, somos todos nós, não apenas os políticos" e preconizou que os responsáveis políticos "devem ter muito presente" essa perspectiva. "Ou nós sentimos que isto é com todos e cada um faz o que lhe compete, e os políticos fazem também aquilo que nós lhes incumbimos que façam, ou então ficamos à espera que venha alguma salvação do grupo A, do grupo B, do político A, do político B, sem nunca resolveremos o problema", observou.
                                                                                                 
Outras questões fracturantes
                                                                                             
Na entrevista, concedida na altura em que completa quatro anos à frente da Diocese do Porto, D. Manuel Clemente referiu-se às questões ditas fracturantes, como o aborto ou os casamentos homossexuais, recordando as posições "claríssimas" do Episcopado sobre essas matérias e recusando que a Igreja portuguesa tenha sido menos contundente do que congénere espanhola. "É possível na forma, na expressão, mas não na intenção, nem nos pronunciamentos", frisou. Salvaguardando que "se não fosse religioso, pensaria da mesma maneira", o Bispo do Porto manifestou "preocupações" face a "legislações que consideram positivamente parte da vida e desconsideram outra parte, concretamente na sua origem". Disse mesmo que começa a ter "alguns receios" quanto à eventual legalização da eutanásia, considerando que se exige "uma solidariedade muito maior em relação à vida no seu todo, uterina, pós-uterina, terminal, e uma outra vinculação aos problemas que possam aparecer nessas fases da vida". Referindo-se ao seu futuro ao serviço da Igreja Católica e à possibilidade de vir a suceder a José Policarpo, disse que "as hipóteses todas se podem pôr, mas não é coisa que eu equacione". Disse esperar "é que o actual Cardeal Patriarca de Lisboa tenha saúde e disponibilidade para se aguentar no cargo dois,três anos, porque nos faz muita falta, pelo seu pensamento, pela sua clarividência".
                                                                                     
Bombeiros combatem 16 incêndios activos pelo país
                                                                                               
Tal como tem acontecidos nos últimos dias, também a tarde de hoje está a ser de algum trabalho para os bombeiros, com incêndios a deflagrar sobretudo no centro do país. Há nesta altura 16 incêndios activos, sobretudo no centro do país. O mais complicado de combater regista-se em Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro, onde há mais de 5 horas, meia centena de bombeiros tenta controlar as chamas numa zona de eucaliptal, pinhal e mato. Os bombeiros estão a ser apoiados por 16 viaturas e um helicóptero pesado Kamov. A esmagadora maioria dos incêndios registados nos últimos dias, 307 só nos últimos 5, têm origem em queimadas agrícolas.
                                                                                
Controlado fogo que consumiu fábrica "Ideal" na baixa de Coimbra
                                                                                                                 
Desde as 15h30 que as chamas estão a consumir o edifício devoluto. Ainda não foram encontradas vítimas. O incêndio que deflagrou na antiga fábrica têxtil “Ideal” no centro de Coimbra já está controlado. Desde as 15h30 que as chamas estão a consumir o edifício devoluto. Ainda não foram encontradas vítimas. As labaredas cresceram rapidamente, semeando o pânico numa zona crítica de Coimbra, onde existem alguns hotéis, a Segurança Social e uma linha de ferro. Segundo Avelino Dantas, comandante dos bombeiros locais, “não há problema para nenhuma habitação”. As causas do incêndio, segundo os bombeiros, são ainda desconhecidas. Embora não tenham sido encontradas vítimas, essa possibilidade não é descartada, uma vez que o edifício da antiga fábrica é muito grande e a zona é frequentada por toxicodependentes e sem abrigo.
                                                                   
Misericórdias estão atentas aos problemas sociais
                                                                                                            
Segundo Manuel Lemos as instituições têm conseguido atender, até agora, todos os pedidos de ajuda mas as necessidades continuam a aumentar. As misericórdias têm conseguido atender, até agora, todos os pedidos de ajuda mas as necessidades continuam a aumentar. É um alerta do presidente da União das Misericórdias Portuguesas, deixado no final de uma audiência com Cavaco Silva. Manuel Lemos afirma que as misericórdias estão atentas à evolução das questões sociais. “As misericórdias estão na primeira linha da protecção às pessoas como o senhor Presidente da República tem dito muitas vezes, se não fossem as misericórdias e as IPSS, a situação portuguesa seria dramática para milhares de pessoas”, alertou Manuel Lemos. O presidente da União das Misericórdias Portuguesas garante que as instituições estão “atentas às questões sociais” e que até hoje nunca deixaram de “dar resposta a ninguém”. Manuel Lemos foi hoje recebido pelo Presidente da República. Cavaco Silva aceitou o convite para participar, em Junho, no Congresso da União das Misericórdias, que vai decorrer em Coimbra.
                                                              
Administradores Hospitalares temem pela qualidade perante cortes orçamentais
                                                                                                                   
Presidente da Associação, Pedro Lopes, estranha que o Governo insista em cortar despesa nos hospitais quando a meta prevista para este ano já não está a ser cumprida. A Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) sustenta que é impossível fazer novos cortes nos hospitais e continuar a tratar quem precisa. Esta posição surge em reacção às medidas previstas no novo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que prevêem novos cortes em 2012 e 2013. Pedro Lopes, presidente da APAH, sublinha que os hospitais já não estão a cumprir as metas de redução da despesa de 15% previstas para este ano e lança um apelo ao Ministério da Saúde, dizendo que "é impossível cortar mais nos hospitais" e garantir qualidade dos serviços. “Acho que o Ministério da Saúde, nestas negociações, não pode perder o espírito e a sensibilidade de tutela que gere a área da saúde para fazer ver ao ministério das Finanças que há limites que não podem ser ultrapassados, sob pena de haver riscos, quer no número de pessoas a poderem ser tratadas, quer na qualidade dos tratamentos que são oferecidos aos portugueses”, explica Pedro Lopes. A APAH considera que os novos cortes vão comprometer os cuidados de saúde à população e agravar ainda mais a situação financeira dos hospitais.
                                                              
Situação muito difícil
                                                                                                     
“Financeiramente, os hospitais estão numa situação muito difícil. Devem muito dinheiro e a situação agrava-se de mês para mês. Com medidas deste tipo, que não ajudam a melhorar estas situações, o que é que se pode esperar dos hospitais portugueses? Não é coisa boa”, considera. Pedro Lopes estranha que o Governo insista em cortar a despesa nos hospitais, quando a meta prevista para este ano já não está a ser cumprida. “Se os deste ano não puderam ser cumpridos - eu aí não posso deixar de valorizar o bom senso do Ministério da Saúde e até das Finanças, que acabou por aceitar a situação -, é óbvio que não tem sentido que venham a acontecer novos cortes”, sublinha. Pedro Lopes explica que os cortes “não foram possíveis em 2011, porque os hospitais, apesar de partilharem este esforço para a correcção das contas públicas, não puderam fazer mais porque não era possível”. “Portanto, se não era possível, como é que é possível tentar agora procurar em 2012 e 2013 fazer novos cortes?”, interroga o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares. Os hospitais já não estão a cumprir o corte de 15% previsto para este ano, mas o novo PEC estipula novos cortes de mais 5% no ano que vem e outros 4% em 2013. O objectivo do Governo é conseguir uma poupança de mais 180 milhões de euros.
                                                                                                   
Hospitais devem mais de mil milhões à indústria farmacêutica
                                                                                             
PSD confrontou ministra com valores superiores, na ordem dos dois mil milhões. Ana Jorge diz que ainda não tem apurados dados de 2010. A dívida não vencida dos hospitais à indústria farmacêutica é superior a mil milhões de euros, segundo dados hoje apresentados no Parlamento pelo Ministério da Saúde. O PSD confrontou, na comissão parlamentar de Saúde, a equipa da ministra Ana Jorge com o que diz ser uma dívida acumulada de dois milhões de euros por parte do Serviço Nacional de Saúde. Em resposta, a ministra disse desconhecer como se calculou este valor e referiu não ter ainda devidamente apurados os dados relativos a 2010. "Temos os dados ainda pouco consistentes. Mas penso que não chega aos dois mil milhões", declarou aos jornalistas no final da comissão. O secretário de Estado Manuel Pizarro afirmou, por seu lado, que a dívida a 90 dias aos laboratórios e a outros prestadores de bens e serviços é de cerca de 1.100 milhões de euros. "Dentro dos prazos de pagamento contratualizados temos uma dívida de 1.100 milhões", disse. Lembrou ainda que as compras de bens e serviços mensais por parte do Serviço Nacional de Saúde são superiores a 350 milhões de euros.
                                                                                                           
Esclerose múltipla afecta 54 portugueses em cada 100 mil
                                                                                                        
A doença afecta mais mulheres do que homens e ainda é rodeada de muitos mitos. A esclerose múltipla afecta 54 pessoas por cada 100 mil em Portugal, mas a maioria da população desconhece o que é a doença, quais as suas causas e sintomas, revela um estudo hoje divulgado. Cerca de 40% dos inquiridos admitiram não saber ou não ser capaz de explicar o que é a esclerose múltipla, enquanto, apesar da dificuldade em referir sintomas específicos, três quartos dos inquiridos (74%) consideraram que a doença tem um forte impacto na qualidade de vida dos doentes.
Segundo os dados recolhidos entre Julho e Setembro de 2010, estima-se que existam mais de quatro mil pessoas em Portugal com esta patologia inflamatória, crónica e degenerativa, que interfere de modo frequente com a capacidade de controlar funções como a visão, a locomoção e o equilíbrio. A doença "incide mais sobre as mulheres do que os homens, a partir da segunda e terceira décadas", adianta o presidente do Grupo de Estudos de Esclerose Múltipla e coordenador do estudo, Joaquim Pinheiro. Dos doentes identificados, "sabe-se que 3.500 pessoas estão em tratamento", tendo sido possível, através deste trabalho, perceber que a maioria dos cidadãos (80%) ouviu falar da doença através da Internet, da rádio ou da televisão, adianta também o médico do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho. Ainda assim, os mitos associados à esclerose múltipla fazem com que muitas vezes os doentes sejam descriminados no trabalho e na sua vida social, “sem nenhuma razão", adianta o mesmo responsável.
"EMCoDe: Esclerose Múltipla – Conhecer e Desmistificar" é o nome do estudo, que teve como objectivo "saber o número de doentes que temos em Portugal e avaliar os conhecimentos da população acerca da esclerose múltipla e das suas características". Foram realizados 20.057 inquéritos porta a porta em todo o país e encontrados 54 casos por 100 mil habitantes. "São valores que estão de acordo com o que esperávamos e que se têm encontrado na Europa", afirma Joaquim Pinheiro, salientando, contudo, que a grande percentagem de portugueses que desconhece a doença ou não foi capaz de explicar o que é (65%), "demonstra que é preciso falar sobre a doença para a desmistificar".
                                                                            
“Tempo de Viver” propõe melhores condições para doentes oncológicos
                                                                                                                   
O programa da Sociedade Portuguesa de Oncologia quer dar aos doentes “um acompanhamento continuado, proactivo, em relação àquilo que é habitual, que é meramente reactivo”. “Tempo de Viver” é um programa inovador em Portugal, com o objectivo de dar um acompanhamento personalizado aos doentes com cancro e aos seus familiares. Trata-se de uma parceria entre um laboratório farmacêutico e os hospitais com o alto patrocínio da Sociedade Portuguesa de Oncologia. Este acompanhamento permite seguir de perto os doentes, esclarecer duvidas, como refere Ricardo da Luz, Presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, “de maneira a que o doente se sinta muito mais acompanhado e muito mais seguro daquilo que lhe está a ser feito”. Este apoio é dado por enfermeiros, médicos, psicólogos e fisioterapeutas aos doentes com cancro da mama e do cólon, que são os mais frequentes. O programa já está em funcionamento em três hospitais: no IPO em Lisboa, no São Joao no Porto, e no Divino Espírito Santo, nos Açores. Ricardo da Luz afirma que os resultados têm sido muito positivos: “Têm sido fantásticos, podemos dizer. Nota-se a diferença do que é que é um acompanhamento continuado, proactivo, em relação àquilo que é habitual, que é meramente reactivo”. Ainda este ano, o programa “Tempo de Viver” deverá ser alargado a outros hospitais.
                                                                                                                     
IPSS de Saúde querem dialogar com o Estado a “uma só voz”
                                                                                                             
As Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) também andam à procura de estabilidade. Estão registadas 300 na área da saúde, mas no primeiro encontro nacional, que decorreu hoje em Lisboa, compareceram 120. Também aqui os tempos são de dificuldades - muitas optaram por poupar o dinheiro da deslocação. Realizou-se hoje em Lisboa, o primeiro Encontro Nacional das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) de Saúde. As 120 instituições que estiveram no Auditório do Infarmed concentraram-se em debater os “Desafios do presente e do futuro”no sector da saúde. A procura aumenta, escasseiam os financiamentos privados e a relação com o Estado, por lei, nunca pode ir além de programas de quatro anos. Na área da Sida, por exemplo, há dez instituições cujos projectos terminam no final do ano.
                                                                                                       
Associação de Planeamento Familiar quer uma plataforma que dê reconhecimento
                                                                                                       
Eugénia Saraiva, da Liga Portuguesa Contra a Sida, diz que os próprios organismos do Estado concordam que “esta lei tem que ser revista”, e acrescenta que “estão preocupados para que estes serviços não encerrem e mais do que serviços, muitas destas instituições também não fechem por inviabilidade financeira”. A Liga Portuguesa Contra a Sida pretende “um compromisso efectivo por parte deste organismos”, mas Eugénia Saraiva lembra que estamos numa altura de crise: “Falava-se hoje no “estado do Estado” - neste momento, temos que aguardar”. À espera estão também milhares de trabalhadores, voluntários e, sobretudo, utentes destas organizações. Neste encontro aposta-se num passo concreto: constituir uma federação para facilitar o diálogo com as instituições do Estado. Duarte Vilar, da Associação de Planeamento Familiar (APL), disse à Renascença que quer “ter uma plataforma que nos dê mais reconhecimento” e através da qual “sejamos capazes de dialogar com o Estado a uma só voz”. A APL é uma das poucas armas das IPSS do sector da saúde e o trabalho que fazem é reconhecido, mas, também aqui, esperam-se garantias de financiamento para continuar.
                                                                                             
Morreu a actriz Elizabeth Taylor
                                                                                                            
É considerada uma das mais talentosas actrizes de todos os tempos. Participou em filmes como “Cleópatra” e “ Quem tem medo de Virginia Woolf”. Elizabeth Taylor faleceu hoje aos 79 anos. Estava há dois meses internada num hospital de Los Angeles, nos Estados Unidos devido a problemas cardíacos. Considerada uma das mais talentosas actrizes de todos os tempos, participou em filmes como “Cleópatra” e “ Quem Tem Medo de Virginia Woolf”, pelo qual ganhou o seu segundo Óscar de melhor actriz, em 1967. O primeiro havia sido conquistado em 1961, pelo filme “O Número do Amor”.
Jorge Silva Melo, encenador dos Artistas Unidos e realizador de documentários destaca a sua "personalidade fortíssima" e classifica-a como "a grande actriz dos grandes dramas psicológicos dos anos 50 e 60". O realizador João Botelho recorda, sobretudo, o seu olhar: “Teve os olhos mais bonitos do mundo - entrou no cinema e ninguém deixou de olhar para os olhos dela”. “Fez filmes bons, maus, assim assim… era daquelas que chegava ao ecrã e dizia assim: olhem para mim, o olhar é meu, eu é que mando nisto e tomo conta do plano”. Nascida em Londres em 1932, começou a sua carreira, de mais de 50 filmes, com apenas 10 anos, com uma participação na série “Lassie” nos Estados Unidos, onde viveu desde essa altura. Para além dos inúmeros prémios ganhos enquanto actriz, Liz Taylor recebeu em 2001, das mãos do presidente Bill Clinton, a medalha “Presidential Citizen”, pelos seus trabalhos filantrópicos.
                                                                                                        
                                                                                     
                                                                   

                                           

terça-feira, 16 de junho de 2009

O "Clube" Bildergerg

Bilderberg - A sociedade ultra-secreta

A propósito do comentário de um leitor do AR...
A Sociedade Bilderberg, é um grupo de origem americana que existe há longos anos, e pouco ou nada se tem falado desta 'sociedade ultra secreta', com muitos a desconhecerem a sua existência ou os seus objectivos, e que o livro de Daniel Estulin vem dar algumas respostas.

Uns, dizem que este grupo é de origem sionista, e que pretende levar a cabo uma conspiração anti-democrática, um plano oculto de dominação mundial.
Outros afirmam que este grupo, conta nas suas fileiras, Presidentes, Famílias Reais, ministros, industriais e executivos de sucesso, jornalistas, directores de estações de TV, jornais etc....
A primeira conferência da Bilderberg realizou-se em Maio de 1954. Desde então esta organização secreta realiza todos os anos em diversas cidades europeias e norte americanas, reuniões e conferências.
Escreve-se que a Bilderberg "group" todos os anos se preocupa em convidar as figuras mais poderosas ou futuros aliados, na execução da estratégia de dominação, para as suas conferências.
Nestas, são discutidos diversos assuntos desde politica a economia, entre muitos outros.
Após se analisar os participantes destes encontros, chega-se facilmente à conclusão que nós, povo, não passamos de pequenas peças, simples marionetas facilmente manipuladas por estes 'grandes senhores'.
Considerando como exemplo, a ultima 'luta', durante as Eleições Europeias, entre PS e PSD, que serviu, e serve, para ridicularizar o povo português. Imagine-se o que se passa nos bastidores, as sonoras gargalhadas que não se dão nessas reuniões à 'nossa' custa . Vivemos portanto numa ditadura 'invisível', onde as nossas escolhas são limitadas a uma só 'força/poder' com dois ou três nomes diferentes, de modo a nos iludir.
Podemos tomar como exemplo um magnata que controla empresas de publicidade e de jornais, além de uma estação de TV. Pinto Balsemão, fundador do Jornal Expresso/Sojornal em 1972 é convidado assíduo da Bilderber, pelo menos desde 1988. Assim, podemos fazer uma pequena ideia de como a 'nossa opinião' é controlada através desta força oculta. Quem não vê TV para saber as ultimas notícias nacionais e internacionais? Quem não compra o seu jornal de manhã para saber o que se passa ao seu redor? A maioria das pessoas não tem a mínima noção que a informação que lhes chega todos os dias através da comunicação social, e que jamais é posta em causa a sua veracidade, é um excerto dos factos reais, um QB de ficção.

A Conferência Bilderberg em Portugal, 1999

No inicio de Junho de 1999 , realizou-se na Quinta da Penha Longa, Sintra, uma conferência da Bilderberg. Entre os participantes desta 47º conferência, estavam dez portugueses: Francisco Pinto Balsemão, Jorge Sampaio, Artur Santos Silva, Ricardo Salgado, Nicolau Santos, Murteira Nabo, Vasco de Melo, Marçal Grilo, João Cravinho e Joaquim Ferreira do Amaral.
De acordo com algumas fontes, a Bilderberg pagou milhões de dólares ao governo Português para este disponibilizar forças militares, policiais e helicópteros para localizar intrusos, de modo a 'protegerem o seu secretismo', pois a segurança nos encontros da Bilderberg é algo que nunca falta.
De acordo com o Jornal de Notícias - na data - havia ordens para abater qualquer "intruso" que fosse apanhado ou oferece-se resistência. A Bilderberg também exigiu que o hotel no qual se ia realizar a conferencia fosse fechado 48 horas antes desta começar.
De acordo com um jornalista do The News, que se encontrava nas imediações do hotel, foi-lhe dito que teria de abandonar o local , mas alguns minutos depois foi detido por dois policias e esteve sob custódia durante 8 horas sendo tratado como um criminoso: o seu crime terá sido andar na via publica.

Meras coincidências?

Curiosamente António Guterres, que participou na conferência de 1994, na Finlândia, foi, curiosamente, eleito primeiro ministro em 95. Guterres não constou na lista de convidados da 47º conferencia e em nenhuma outra depois da de 94. Mas existem outras coincidências iguais a estas no historial da Bilderberg.
Bill Clinton que participa no encontro Bildeberg na Alemanha em 91 foi nomeado presidente dos Estados Unidos da América em Agosto de 1992.
Tony Blair que participa no encontro bildeberg na Grécia em 93 torna-se líder do partido em Julho de 94, e torna-se primeiro ministro em Maio de 97.
Jack Santer o anterior chefe de estado (demitido por corrupção) participou no encontro bildberg na Alemanha em 91 e torna-se presidente da UE em Janeiro 95.
Romano Prodi participou no encontro bildberg em Portugal em Junho de 99, e toma posse como presidente da UE em Setembro de 99.
George Robertson participa no encontro bildberg na Escócia em 98, e toma posse como secretario geral da Nato em 99. Outra grande coincidência, é que desde 71 todos os lideres da Nato, pertenciam a bildberg.


O grupo, um dos principais impulsionadores da Nova (Des)Ordem Mundial, o Bilderberg, esteve em 2008 reunido de 6 a 8 de Junho, na Virginia no Westfields Marriott Hotel, Chantilly, VA.
Presentes estiveram também os - então - dois candidatos do partido Democrata, Obama e Hillary, é só mais uma prova que não existe distinção alguma entre candidatos, ambos estão lá para se servirem do povo e não para o servir.
Que estariam estes senhores e senhoras todos a planear... A próxima guerra, as próximas súbidas do preço de bens alimentares e do petróleo? As medidas que levarão a mais milhares de crianças mortas por dia, em guerras e sub-nutrição por falta de comida e água potável?
A lista desse ano teve diversas personagens, para além das já mencionadas acima, reparem que mais uma vez lá está o administrador da SIC e agora também António Costa da câmara de Lisboa e Rui Rio da câmara do Porto. Como podemos nós confiar nos políticos?

Portugal tem muito 'boa' gente representada nesse grupo. Eis alguns dos que aparecem na lista do jornal Semanário, relativamente a 2004:
“O SEMANÁRIO (clicar na foto) publica, em exclusivo, a lista de todos os portugueses que já estiveram em reuniões de Bilderberg, um clube que é considerado uma espécie de governo-sombra a nível mundial. Uma das principais tarefas dos jornalistas que investigam o clube é não só saber quem participa nas reuniões mas, sobretudo, acompanhar o seu percurso nos tempos seguintes. Quase todos, ascendem a altos postos.
Na reunião que teve lugar de 3 a 6 de Junho, em Stresa, em Milão, Santana Lopes e José Sócrates estiveram presentes, juntamente com Pinto Balsemão. Curiosamente, Santana seria primeiro-ministro dois meses depois e nem passaria um ano para José Sócrates chefiar o Governo.
Outros três intervenientes na crise política de 2004, o Presidente da República, Jorge Sampaio, Durão Barroso, então primeiro-ministro, e Ferro Rodrigues, então líder do PS, também estiveram em reuniões de Bilderberg. Sampaio esteve presente em 1999, na reunião de Sintra.
Durão Barroso é um 'velho' conhecido de Bilderberg, tendo estado presente em 1994, 2003 e já este ano, na Alemanha, na qualidade de presidente da Comissão Europeia. Já Ferro esteve presente na reunião de 2003.”

A foto a seguir, mostra o requinte dos poderosos quando sãp 'apanhados' pela imprensa - que mantém distante através dos ofícios policiais, e o respeito que estes senhores têm pelos carneirinhos que os bajulam, e que ainda perdem o precioso tempo a votar neles.


Matéria Pública






quarta-feira, 10 de junho de 2009

Postal internacional

O novo negócio no Irão

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad anunciou notoriamente que não há homossexuais no Irão. Curiosamente, ele tem razão. Agora percebe-se porquê.

No Irão, de acordo com a lei islâmica, a homossexualidade é punível com pena de morte. Ironicamente, as operações de mudança de sexo para além de legais, são aceites por uma sociedade que apenas reconhece homens e mulheres mas nada no intermédio. Há, portanto, uma indústria em explosão no Irão - as cirurgias de mudança de sexo.
O Observatório do Mundo desta semana na TVI revela a opressiva garra da teocracia iraniana e as consequências do que é ter que viver amordaçado. Atraídas por pessoas do mesmo sexo, mas obrigadas a negar o seu verdadeiro íntimo, uma nova geração de homens e mulheres iranianos adopta a única via legalmente permitida - a transexualidade.
Socialmente envergonhados e condicionados por terem de negar a sua sexualidade, jovens homossexuais recorrem, nem sempre de boa vontade, a uma drástica medida: a cirurgia que os transformará no sexo oposto.
Todos os dias no consultório do Dr. Bahram Mir Jalali, a sala de espera enche-se de novos candidatos para a operação. O cirurgião mais conceituado de Teerão realiza mais cirurgias de mudança de sexo num ano do que as que a França realiza em dez.
Observado segundo aqueles que vivem à margem, o documentário é um provocador testemunho sobre aquilo a que as pessoas se submetem e até onde vão para obedecer a regras. O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad anunciou notoriamente que não há homossexuais no Irão. Curiosamente, ele tem razão. Agora percebe-se porquê.
Matéria Pública

quinta-feira, 19 de março de 2009

Papa, o peregrino alienado

Críticas severas às declarações de Bento XVI em África

A Igreja Católica continua obstinada e «completamente desenquadrada» da realidade em África, diz o presidente da AMI.

O presidente da AMI classificou, esta quarta-feira, de «inoportunas e muito graves» as declarações do papa Bento XVI sobre a utilização de preservativos, lamentando que a posição da Igreja Católica continue «completamente desenquadrada» da realidade em África, segundo informações da Lusa.
«Lamento que o Papa tenha feito as declarações inoportunas e tão graves como as que fez, e onde as fez, tendo em conta que o síndrome da Sida afecta sobretudo a África Negra, onde se concentram cerca de 90 por cento dos casos de infecção no Mundo e onde há mais de dez milhões de órfãos devido à pandemia», disse o médico Fernando Nobre.
O fundador e presidente da Fundação AMI (Assistência Médica Internacional) foi uma das várias vozes críticas da sociedade civil em Portugal que reprovaram as declarações proferidas, esta terça-feira, pelo Papa sobre o uso de preservativos, antes de chegar aos Camarões, no âmbito da sua primeira visita ao Continente Africano.

«Bento XVI continua a evidenciar uma atitude e posição extremamente conservadora e desenquadrada das exigências e problemas que a sociedade hoje enfrenta, numa altura em que ainda se está longe de encontrar uma solução para o HIV/Sida», criticou.
No entender de Fernando Nobre, trata-se de «declarações deslocadas» porque «muitos missionários católicos no terreno têm diariamente outra abordagem e sabem que os preservativos são uma arma extremamente eficaz e que não pode ser descartada para conseguir limitar minimamente o flagelo da sida».
Opinião partilhada por Luís Mendão, presidente do Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA, que considerou que as declarações «inaceitáveis» do Papa colocam «em risco a vida de milhões de africanos católicos que terão de viver num dilema de seguir as orientações da Igreja e tentar manter-se não infectados».
«Este divórcio absoluto entre a realidade e as posições da Igreja demonstra uma insensibilidade que se aproxima da criminalidade. Esperamos que os católicos que não se revêem nessa posição façam ouvir rapidamente e com força as suas vozes de condenação», frisou Luís Mendão.
Já a presidente da Associação Abraço, Margarida Martins, classificou as declarações de Bento XVI como «angustiantes e intoleráveis nos tempos que correm», sobretudo «quando existem as taxas de infecção no Mundo que existem».

«Não queria acreditar no que estava a ouvir. A abstinência nunca será solução para este flagelo. O Papa tem que repensar a sua posição completamente autista e desajustada da realidade, que vem de 30 ou 40 anos atrás», criticou a responsável.
Fernando Nobre lembrou que os Camarões, tal como o Botswana, o Congo ou Moçambique, têm uma «ordem de infecção no grupo etário dos 15 aos 45 anos que ronda os 15 a 25 por cento», sublinhando que a prevenção do HIV/SIDA deve assentar nos «pilares fundamentais da informação e sensibilização e na distribuição de métodos contraceptivos, como os preservativos».
Quanto a Angola, país de onde é natural e que o Papa visitará sexta-feira, Fernando Nobre disse que os números oficiais de pessoas infectadas estão «muito aquém da realidade», lembrando que o problema se tem «agravado com a vinda de refugiados da Zâmbia ou da República Democrática do Congo».

terça-feira, 10 de março de 2009

Internacional: A agonia de Jade

Tudo na vida tem um preço

Até a morte: a inglesa Jade Goody, conhecida participante de reallity shows, descobre que tem cancro e vende os direitos de imagem dos seus últimos momentos de vida.

A inglesa Jade Goody, 27 anos, fez carreira no mundo dos reallity shows. Quem já assistiu a um Big Brother sabe por quê: é do tipo de concorrente que nunca ganha o concurso, mas fala pelos cotovelos, tem comportamento inconveniente e não hesita em abrir os seus sentimentos mais íntimos, mesmo não tendo muito que mostrar lá dentro. Em suma, a censura para si não tem limites. Fazendo aquele personagem que o público adora criticar, Jade garantiu o seu lugar no congestionado mundo das celebridades de segunda linha. Assim que ganhou os primeiros dividendos da fama, refêz os seios implantados de silicone e os lábios precocemente inflados, que são quase uma marca registada da categoria. As suas gafes acabaram como parte do património nacional de asneiras. No primeiro Big Brother, em 2002, confundiu o Rio de Janeiro, a cidade, com Rio Ferdinand, um jogador de futebol, e achou que o aperitivo pistache fosse o nome de um pintor. No segundo, em 2007, fez comentários de teor racista sobre uma outra participante indiana e acabou expulsa do programa. A falta de jeito e a exposição sem limites não mudaram, pelo contrário, acentuaram-se em agosto passado, quando Jade descobriu, diante das câmeras, que tinha cancro cervical. Desde então, ela vem protagonizando uma espécie de reality show terminal.

Diante das câmeras, ela iniciou a quimioterapia. Diante das câmeras, perdeu o cabelo. Diante das câmeras, foi informada de que o cancro se espalhou rapidamente e que tem pouco tempo de vida. Um mês, mais ou menos. Diante das câmeras, no último dia 22, casou-se. Diante delas, nos próximos dias, pretende batipzar os filhos Bobby, 5 anos, e Freddie, 4.
Com a mesma naturalidade com que as concorrentes bonitas saem do Big Brother para posar nuas (e os rapazes também, "desde que paguem"), Jade admite que está a fazer tudo por dinheiro. "Quero deixar o dinheiro para a escola dos meus filhos", declarou em entrevista, paga, naturalmente. Com o show do cancro, Jade amealhou até agora cerca de 1 milhão de libras (mais ou menos o mesmo em euros) e a simpatia de famosos e anónimos, que antes se riam dela e agora se condoem. Até o primeiro-ministro Gordon Brown, pouco conhecido pela expressão de emoções, manifestou-lhe solidariedade. Jade ri, chora e diz frases do género "agora já posso ir para o céu".
O drama da ex-assistente de dentista, gordinha e suburbana, começou em agosto de 2008, quando ela já estava de mala pronta para entrar no Big Boss, programa nos moldes do Big Brother passado em Mumbai (Bombaím), na Índia (sim, os tais comentários racistas também renderam dinheiro).

Ela sabia que tinha lesões pré-cancerosas, fez exames, viajou e, duas semanas depois, com tudo arranjado para dramatizar a chegada do resultado, recebeu um telefonema informando que o diagnóstico era mesmo o do cancro.
A Índia, e em seguida a Inglaterra, acompanhou segundo a segundo o seu choro e o seu desespero. Jade já estava sob contrato com uma produtora de TV interessada em produzir uma série de programas sobre a sua vida. Ela voltou para Londres, e a equipe passou a gravar, e mostrar em uma espécie de série, com todos os seus momentos importantes: a cirurgia para extrair útero e ovários, as sessões de quimioterapia, a calvície primeiro escondida e depois exposta na TV.
O namoro dela com um rapaz de 21 anos, Jack Straw, também teve capítulos movimentados, não obstante ele estivesse momentaneamente fora do circuito, a cumprir pena de cadeia por agressão. Há um mês atrás, desabou a notícia dramática de que o cancro havia progredido enormemente, e ela só teria algumas "semanas" de vida. Em liberdade vigiada, Jack fez o pedido de casamento (ela em cadeira de rodas, e um fotógrafo a postos). A festa foi paga por patrocinadores e as fotos, exclusivas, saíram na revista OK!, que pagou o equivalente a 2,3 milhões de euros pelos direitos. "Passei os últimos anos falando da minha vida. A única diferença é que agora falo da minha morte. Tudo bem. Vivi à frente das câmeras. Pode ser que venha a morrer diante delas", disse Jade.
Porque não... porque sim? Já nada espanta, quando a dor não tem limite.
C.F.