Liberdade e o Direito de Expressão

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domingo, 21 de novembro de 2010

Cimeira NATO – 2º. Dia

Terminou a Cimeira da NATO
                                                                                                                           
A Rússia não rejeita adesão à NATO no futuro: Dmitri Medvedev, não coloca completamente de parte uma futura adesão à NATO, mas invoca a necessidade de mudanças na Aliança Atlântica. Porém, "um período difícil de tensão está ultrapassado", diz presidente russo. Cimeira terminou em sucesso.
                                     
"É um tópico aberto para debate se houver boa vontade e desejo" da parte dos membros da NATO, afirmou hoje Medvedev, numa conferência de imprensa após uma reunião do Conselho NATO-Rússia associada à cimeira da Aliança Atlântica que se realizou em Lisboa. O chefe de Estado russo afirmou que o futuro é "muito indefinido", mas também que não vislumbra, para já, "circunstâncias em que a Rússia aderiria à NATO". Apesar de ter saudado os avanços feitos na relação entre a Aliança Atlântica e a Rússia nesta cimeira, Medvedev acrescentou estar convicto de que "as possibilidades de cooperação não foram esgotadas".
O presidente russo confirmou que Moscovo vai trabalhar com a NATO num escudo antimíssil para a Europa. Medvedev afirmou que o seu país tem um projecto ambicioso de cooperação com a Aliança Atlântica e que o período de tensão entre as duas partes está ultrapassado. "Um período difícil de tensão está passado", declarou o Presidente russo, congratulando-se com o "clima muito construtivo da cimeira" NATO-Rússia. Esta reunião foi a primeira entre as duas partes após um período de relações conturbadas devido ao conflito entre a Rússia e a Geórgia, em Agosto de 2008.
                                                                                                                                   
NATO e Rússia vão cooperar na defesa antimíssil
                                                                                                                                       
Cimeira de Lisboa foi “grande, grande sucesso” e marca um “ponto de viragem”. O secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, diz que ficou escrito que a Aliança Atlântica e a Rússia não constituem uma ameaça entre si. Os dois blocos vão cooperar contra as ameaças de mísseis, proposta que foi aceite por Dimitri Medvedev, presidente da Rússia. Rasmussen, na declaração final da cimeira de Lisboa, repetiu os pontos de acordo que já eram conhecidos: o novo conceito estratégico, o novo sistema de mísseis, uma parceria de longo prazo com o Afeganistão e um novo acordo de cooperação com a Rússia.
Por outro lado, Anders Fogh Rasmussen falou sobre a reforma interna da organização: “Vai reduzir a dimensão, reduzir a estrutura de comando, reduzir e reestruturar a estrutura da NAT,O para depois reinvestir em capacidades que temos de ter”. As apostas da NATO são o combate ao terrorismo, mas também o combate à proliferação de armas nucleares e à pirataria, não só no mar, mas também do ciberterrorismo, além do combate à droga. O secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, diz que a cimeira de Lisboa marca um “ponto de viragem” na organização e foi um “grande, grande sucesso”, “uma das mais substanciais cimeiras”. “Vamos reunir-nos novamente em 2012, nos Estados Unidos”, disse Rasmussen.
                                                                                                                        
Obama destaca parceria com o "amigo Medvedev"
                                                                                                                               
Presidente norte-americano elogiou a organização e a hospitalidade portuguesa na cimeira da NATO. O Presidente dos Estados Unidos referiu-se hoje ao seu homólogo russo como o "meu amigo Medvedev", no final da Cimeira da NATO, em Lisboa, da qual resultou uma nova parceria da Aliança Atlântica com a Federação Russa. A NATO revelou que vai trabalhar com a Rússia no sistema de defesa antimíssil.
“Fizemos um «reset» das relações entre os Estados Unidos e a Rússia e estamos a fazer agora um «reset» das relações entre a NATO e a Rússia”, declarou Barack Obama, na conferência de imprensa de encerramento da reunião da Aliança Atlântica.
O Presidente norte-americano fez um balanço muito positivo da cimeira de Lisboa e manifestou confiança no sucesso do processo de transição no Afeganistão. O calendário definido na reunião de Lisboa prevê que a fase de transição de responsabilidade para as forças afegãs arranque no próximo ano e termine em 2014. Barack Obama espera que o objectivo seja alcançado nos próximos anos, permitindo a retirada das tropas de combate. Obama defende um "diálogo constante" entre os EUA e o Afeganistão em que ambos "sejam sensíveis" às preocupações da outra parte.
Durante o processo de transição (...) temos de manter uma boa comunicação para que, quando as questões surgirem, possamos ser sensíveis a elas, ao
mesmo tempo que (o Presidente afegão, Hamid) Karzai é sensível às nossas questões", disse o Presidente norte-americano. "Vai ser um diálogo constante, para permitir tratar os problemas de forma sistemática", acrescentou. Sobre o acordo START de desarmamento nuclear, Obama reafirmou a importância do entendimento alcançado com a Rússia apelou à ratificação do documento pelo congresso norte-americano. O Presidente norte-americano aproveitou para elogiar a organização da cimeira e a hospitalidade portuguesa. Os Estados Unidos vão organizar o próximo encontro da NATO, em 2012.
                                                                                                                                              
Confiança na manutenção do comando da NATO em Oeiras
                                                                                                                      
Primeiro-ministro destacou ainda a aprovação do que designou “conceito Lisboa”- uma mudança que vai "marcar a vida da nossa Aliança”. José Sócrates acredita que Portugal vai manter o comando da NATO em Oeiras, apesar da reformulação em perspectiva. As declarações do primeiro-ministro surgem já depois de o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, ter assegurado o mesmo. "Estou absolutamente convencido e tenho motivos para dizer que vamos manter a bandeira NATO, o comando da NATO aqui em Lisboa”, assegurou José Sócrates à entrada para o segundo dia de trabalhos da Cimeira, sublinhando ainda que existirá, no âmbito da reforma das estruturas, “uma grande redução de comandos. Não é uma pequena, é uma grande redução de comandos, de forma a tornar a NATO mais eficiente. Nós somos um país fundador. O nosso comando é um comando muito eficiente, muito preparado”, reforçou José Sócrates, mencionando ainda a participação nacional, de muitos anos, nas actividades da Aliança.
Novo conceito promove “segurança cooperativa”. O primeiro-ministro destacou também a aprovação, na véspera, do que classificou de “conceito Lisboa”, referindo-se ao novo conceito estratégico da Aliança Atlântica, que orientará a acção da NATO nos próximos anos. “A NATO precisava de se reorientar estrategicamente. Precisava de um novo conceito para que possa fazer face às novas ameaças, aos novos desafios de segurança”, afirmou José Sócrates, justificando ainda a necessidade de um novo conceito para promover o que denominou de “segurança cooperativa”. “No fundo, é deixar de lado a ideia de que a NATO, vitoriosa na Guerra Fria, poderia ter um conceito estratégico de polícia mundial ou então de agente ou promovia a segurança global por si própria, para começar a assumir uma posição de parceiro na construção de uma segurança colectiva." Em resumo, para José Sócrates a aprovação do novo conceito estratégico constitui “um avanço". "É uma mudança que vai marcar a vida da nossa Aliança".
                                                                                                                 
Obama e Medvedev encontraram-se a sós em Lisboa
                                                                                                                                
A reunião, não prevista, foi confirmada este domingo pela Casa Branca. Os Presidentes norte-americano, Barack Obama, e russo, Dmitri Medvedev, tiveram um encontro não previsto a sós, à margem da cimeira da NATO, em Lisboa, anunciou hoje um responsável da Casa Branca. Os dois líderes retiraram-se para uma sala e falaram durante 15 e 20 minutos. O encontro “foi informal, não estava previsto”, referiu à imprensa o porta-voz da Presidência norte-americana, Ben Rhodes, a bordo do avião presidencial, “Air Force One”, quando seguia para Washington.
Segundo responsáveis da administração norte-americana, o encontro realizou-se por iniciativa de Obama, que depois o considerou “muito cordial”. O objectivo foi reduzir as “incompreensões que podem conduzir a consequências não desejadas”, comentou o chefe da Casa Branca, citado por um responsável da administração. O novo tratado START, assinado em Abril em Praga e que prevê uma redução de 30% do armamento nuclear detido pelas duas superpotências atómicas e verificações mútuas mais transparentes, foi outro assunto em cima da mesa desta reunião marginal. O START tem ainda de ser ratificado pelo Senado norte-americano.
“Eles tiveram uma conversa muito cordial” sobre este assunto, segundo um responsável norte-americano, segundo o qual Medvedev terá comunicado estar confiante na ratificação do tratado. O Presidente norte-americano também falou com o dirigente russo sobre o encontro que tinha tido com o Presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili. Reunidos na cimeira de Lisboa, os dirigentes da NATO decidiram no sábado retirar as tropas de combate do Afeganistão até daqui a quatro anos e cooperar com a Rússia para instalar um escudo anti-míssil na Europa.
                                                                                                                                        
Sócrates pode sorrir
                                                                                                                             
Sócrates agradeceu “excelente trabalho” da PSP. ACimeira da NATO em Lisboa decorreu sem incidentes graves e o primeiro-ministro já agradeceu trabalho das forças de segurança. O primeiro-ministro, José Sócrates, foi hoje à Direcção Nacional da PSP agradecer àquela força de segurança o "excelente trabalho durante a Cimeira da NATO", que hoje terminou em Lisboa. "Vim felicitá-los pelo trabalho realizado. Vim aqui agradecer o trabalho que fizeram para o prestígio do nosso país. Vim aqui dizer-lhes que sei bem o que isto exige, porque a realização da cimeira da NATO é porventura o evento político que mais exige em termos de segurança", disse José Sócrates.
O governante sublinhou ainda que os agentes envolvidos nas operações de segurança na cimeira estiveram "à altura das suas responsabilidades", fizeram "um magnífico trabalho" e "deram uma boa imagem do país". Referindo que os chefes de Estado que estiveram em Lisboa referiram "o bom trabalho das forças de segurança", José Sócrates afirmou ainda que "uma cimeira como esta é um risco em termos de segurança e nenhum país é autorizado a realizar a cimeira se não tiver mecanismos que assegurem a segurança e que defendam a liberdade das pessoas".
"Quis que soubessem que este profissionalismo não nos escapou e que soubemos reconhecer quanto esse profissionalismo contribuiu para o prestígio do nosso país", rematou. Também o ministro da Administração Interna já elogiou o trabalho dos agentes que estiveram envolvidos na segurança da cimeira. A cimeira da NATO decorreu na sexta-feira e sábado no Parque das Nações sob fortes medidas de segurança que colocaram nas ruas de Lisboa milhares de agentes, embora as autoridades portugueses nunca tenham confirmado num número exacto.
                                                                                                                                     
Libertados ontem os 42 activistas anti-NATO detidos
                                                                                                                                                 
Os activistas que se manifestaram ontem nas imediações do Parque das Nações, onde decorreu a cimeira da NATO, estiveram detidos pouco mais de 12 horas.
Já estão em liberdade os 42 activistas detidos em Lisboa em acções anti-NATO. Foram libertados durante a última noite, após serem ouvidos pelo Ministério Público e constituídos arguidos por "desobediência à ordem de dispersão de manifestação", revelou o seu advogado de defesa, José Preto. Uma vez libertados, os activistas estrangeiros podem "regressar às suas terras" e os portugueses "às suas casas", mas a investigação prossegue, cabendo à polícia portuguesa entregar as suas provas. Caso haja acusação, a defesa irá pronunciar-se, esclareceu José Preto, em declarações à agência Lusa. O crime de desobediência, de "sanção relativamente leve", admite uma pena de "prisão até um ano".
Pela "versão dos factos" apresentada pela polícia, o advogado entende que nada justificava o "incómodo" causado às pessoas, adiantando que, durante a cimeira da NATO, sempre que contactou a polícia, achou-a "muito tensa" e um "polícia tenso em princípio gera mais problema do que aqueles que resolve". Os activistas detidos foram levados para a zona prisional de Monsanto por terem participado numa acção de protesto perto do Parque das Nações, onde decorreu a cimeira da Aliança Atlântica, com vários deles acorrentados no cruzamento entre a avenida Infante D. Henrique e a avenida de Pádua. Durante o protesto, pintaram-se de vermelho, para simbolizar o sangue derramado na guerra, e tiveram de ser soltos pelos bombeiros que utilizaram material próprio para partir as correntes que unia cada três manifestantes. Além das palavras de ordem anti-NATO, os pacifistas sentaram-se no chão a impedir a circulação rodoviária na zona.
                                                                                                                                      
Fronteiras reabertas às 0 horas
                                                                                                                                          
Passada a cimeira da NATO as fronteiras foram reabertas às zero horas deste domingo. Como balanço final desta mega operação, ficou a saber-se que foram fiscalizadas 187 mil pessoas, 291 foram impedidas de entrar em Portugal e 22 foram mesmo detidas. O acordo de Schengen foi suspenso e as fronteiras repostas às 0 horas de dia 16 de Novembro para ajudar à segurança durante a cimeira da Aliança Atlântica. Já dentro do país, durante a própria cimeira, foram detidas 42 pessoas, incluindo 29 estrangeiros, que desobedeceram às autoridades durante uma manifestação perto do parque das Nações este sábado.

sábado, 20 de novembro de 2010

Cimeira da NATO - 1º. Dia

O mundo passa por Portugal.
                                                                                                                                                               
Para não se perder entre tanta informação, leia o essencial sobre a Cimeira de Lisboa e sobre a Nato.
                              
Lisboa acolhe uma das reuniões internacionais mais importantes do ano. Na cimeira, os líderes dos países membros da Aliança Atlântica vão debater um novo rumo para a Organização a quase todos os níveis. Saiba quem é quem, na Nato, o que está em discussão, conheça o esquema de segurança, leia os argumentos de quem contesta a Aliança, consulte o guia útil para fugir às restrições de trânsito e veja ainda uma reportagem especial sobre uma das novas ameaças à segurança - o ciberterrorismo.
                                                                                                                                                                       
Secretário-geral da NATO diz que é preciso "agilizar a aliança"
                                                                                                                
Anders Fogh Rasmussen deu início ontem aos trabalhos da 24ª cimeira da NATO, que decorre até hoje, em Lisboa. Na cerimónia de abertura da cimeira da NATO, o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen falou nos cortes financeiros necessários na organização, um emagrecimento para rentabilizar o esforço económico dos países contribuintes. “Vamos agilizar a nossa aliança tornando-a mais eficiente, cortando na gordura e criando músculo, de forma a que os nossos contribuintes tenham a máxima rentabilidade do dinheiro que gastaram no sector da defesa”, declarou o antigo primeiro-ministro dinamarquês. No arranque do encontro de Lisboa, Anders Fogh Rasmussen salientou a importância da cimeira, onde será definida "a direcção que a Aliança vai seguir nos próximos dez anos".
Falando perante os chefes de Estado e de Governo dos aliados, na Feira Internacional de Lisboa, Rasmussen reafirmou que a reunião que decorre até amanhãé "uma das mais importantes cimeiras da história da NATO". O secretário-geral dedicou a curta intervenção de abertura, de apenas dois minutos, para apontar novamente as razões do cariz histórico da cimeira de Lisboa: a organização vai definir o que será na próxima década - "uma organização mais eficaz e mais comprometida que nunca com a paz e segurança", com "capacidades modernas de defesa contra ameaças modernas", mas com menos custos - e aprofundará a cooperação com a Rússia, no sentido de uma parceria estratégica.
Rasmussen concluiu a sua curta intervenção com um agradecimento ao "anfitrião", o primeiro-ministro José Sócrates, a quem passou a palavra, e minutos depois os trabalhos começaram "a sério", já com as portas fechadas e sem jornalistas na sala nem difusão pelos canais televisivos internos. A cimeira da NATO decorre hoje na Feira Internacional de Lisboa, com a presença de alguns dos principais líderes mundiais que devem aprovar o novo conceito estratégico da organização. Ao longo de dois dias, os Estados-membros da Aliança vão discutir ainda a nova relação com a Rússia, e anunciar a data de saída dos efectivos que mantêm no Afeganistão.
                                                                                                            
Rasmussen avisa que a União Europeia arrisca-se a ser "um tigre de papel" se não investir em segurança.
                                                                                                                   
Anders Fogh Rasmussen acredita que a presença do presidente da Rússia em Lisboa assinala um novo começo nas relações entre a Aliança Atlântica e o país liderado por Dmitri Medvedev. O secretário-geral da NATO perspectiva vantagens para a cooperação no Afeganistão e antevê a possibilidade de se avançar na defesa antimíssil. Rasmussen espera que cimeira assinale novo começo com a Rússia: “Acho que Lisboa será o local desse reinício, que irá olhar para a cooperação no Afeganistão, para a partilha de informação das ameaças à segurança e, espero, para o avanço na cooperação na defesa antimíssil”, afirmou o dinamarquês. Rasmussen clarificou que não se podem esperar respostas imediatas quanto a este assunto: "O que faremos na reunião com a Rússia é dar início a uma análise conjunta sobre como implementar uma cooperação prática em defesa antimíssil. Não teremos todas as respostas na cimeira, mas isso não surpreende, porque a NATO vai decidir na cimeira iniciar um sistema de antimíssil territorial, e não podemos esperar uma resposta da Rússia poucas horas depois."
                                                                         
Defesa antimíssil será assunto a debater com a Rússia
                                                                                                                                           
A confirmar-se alguma colaboração, contudo, a NATO não espera mais do que a eventual troca de informações: "Para ser claro, o que espero são dois sistemas separados da NATO e da Rússia, que cooperação, e um elemento dessa cooperação é a troca de dados e informações, e assim conseguir uma melhor eficiência e cobertura." “Estou muito contente que o presidente Medvedev venha participar na reunião entre a NATO e a Rússia, porque chegou o momento de um novo começo nas relações entre as nações da NATO e a Rússia”, completou. “Pelo que será alcançado aqui em Lisboa, eu acredito que será uma das cimeiras mais importantes da história da NATO”, acrescenta Anders Fogh Rasmussen.
Pelo seu papel histórico nas relações transatlânticas, "Lisboa é o local perfeito" para um encontro desta importância, afirma o secretário-geral a Aliança Atlântica. “Acho que o simbolismo de o fazermos aqui em Portugal também é importante, porque este país sempre foi ponte sobre o Atlântico. Acredito que essa ponte continua a ser vital para a segurança de hoje”, diz. Anders Fogh Rasmussen, de origem dinamarquesa, lançou ainda algumas críticas à União Europeia e aos planos que têm sido abordados no sentido de criar uma força de segurança. “Falando de uma forma honesta, se a União Europeia quer desenvolver uma forte defesa e segurança europeia, se quer que seja real, então deve fazer investimentos significativos na defesa. Caso contrário, a defesa comum europeia e a política de segurança será um tigre de papel”, avisa Rasmussen.
                                                                                                                      
Obama anuncia acordo sobre sistema antimíssil
                                                                                                                                                       
Presidente Barack Obama salientou que o acordo "garante a segurança a todos" os aliados. A NATO chegou a acordo sobre o sistema de defesa antimíssil, anunciou em Lisboa o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. "Satisfaz-me poder anunciar, pela primeira vez, um acordo para o desenvolvimento da capacidade de defesa antimísseis para a cobertura de todo o território e populações da Europa e dos Estados Unidos", disse Obama após o final do primeiro dia da cimeira de Lisboa, num encontro com jornalistas norte-americanos. Obama salientou que o acordo "garante a segurança a todos" os aliados. "Demonstra a nossa determinação na protecção dos nossos cidadãos", frisou. Obama insistiu que o artigo 5.º continua a ser "central" nos princípios da NATO, com "um ataque a um membro a ser um ataque a todos". Salientou também que se registaram "progressos substanciais em Lisboa" e que a NATO está "totalmente unida".
                                                                                                                                    
Hillary Clinton pede manutenção de Portugal no Afeganistão
                                                                                                                                         
A Secretária de Estado dos Estados Unidos encontrou-se esta manhã com o seu homólogo português, Luís Amado. A situação no Afeganistão foi um dos temas da conversa. Decorreu durante a manhã o primeiro encontro à margem da cimeira da NATO em Lisboa. A Secretária de Estado norte-americana reuniu-se com ministro dos Negócios Estrangeiros português e defendeu a presença portuguesa no Afeganistão até 2014, e onde Hillary Clinton agradeceu compromisso português no Afeganistão. “Deixem-me agradecer mais uma vez o empenho português nas missões no Afeganistão. É vital”, começou por afirma Hillary Clinton, acrescentando que “o trabalho a treinar as forças afegãs junto com outro apoio logístico e operacional é profundamente apreciado. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos têm a noção dos desafios económicos que Portugal enfrenta e estamos sensíveis às difíceis escolhas que o Governo e o povo português têm que fazer. No entanto, entendemos que, para os aliados da NATO, a missão no Afeganistão é vital para a segurança e interesses dos nossos povos”, sustentou.
Por seu lado, Luís Amado transmitiu “à Secretária de Estado Clinton a firme disponibilidade do Governo português de trabalhar de perto com o Governo americano”. Luís Amado prometeu cooperação com os EUA nas "principais questões, já que, sendo Portugal membro não permanente do Conselho de Segurança para o biénio 2011-2012, é importante que a coordenação como aliados das nossas posições sobre as principais questões internacionais seja uma constante da nossa cooperação e do nosso diálogo político”, afirmou ainda. Os dois chefes de diplomacia falavam na conferência de imprensa conjunta que se seguiu ao encontro que mantiveram de manhã.
                                                                                                                                      
Sócrates e Rasmussen sublinham importância de Cimeira de Lisboa
                                                                                                                                          
Primeiro Ministro português e o Secretário-geral da NATO encontraram-se em São Bento. José Sócrates e Anders Fogh Rasmussen defenderam em Lisboa, a importância das decisões que sairão da cimeira da NATO, em Lisboa, tendo destacado as relativas à permanência das forças no Afeganistão. O primeiro-ministro português foi o primeiro a falar, tendo iniciado o seu discurso com algumas palavras em inglês. Depois, em português, salientou o novo conceito estratégico que sairá da cimeira da NATO. “Trará a NATO para o novo século”, afirmou, sublinhando de seguida a importância das parcerias neste novo conceito estratégico: “O espírito de cooperação e diálogo transformará a NATO”. O novo conceito estratégico será, pois, no entender de José Sócrates, “o resultado mais importante da cimeira e sucederá ao Conceito de Washington”. O primeiro-ministro destacou depois a cimeira NATO-Rússia, que também decorrerá em Lisboa, e que “significa um novo começo destas relações, indispensável para melhorar a condições de segurança globais”.
O Afeganistão é o outro tema central da reunião de chefes de Estado e de Governo. “A prioridade é a capacitação do país para responder aos desafios de soberania e a capacitação da polícia afegã. Isso exige empenho e treino e, por isso, as decisões que vamos tomar serão importantes para que esta fase de transição” seja bem sucedida, afirmou José Sócrates, acrescentando ter garantido ao Secretário-geral da NATO todo empenho português nesta matéria. De seguida falou Anders Fogh Rasmussen, que começou por agradecer as boas-vindas de Portugal e do primeiro-ministro, a si e à cimeira, reforçando de seguida que esta “será das cimeiras mais importantes na história dos aliados. Vamos relançar a nova NATO. Uma Aliança adaptada aos desafios do século XXI”, disse, enunciando os três temas em destaque na reunião de Lisboa. A organização “deve adoptar um novo conceito estratégico, que dará uma Aliança mais eficiente, investir em capacidades chave, desenvolver parcerias com entidades importantes na cena internacional e fazer uma utilização mais eficiente do dinheiro dos contribuintes”, resumiu.
O Secretário-geral da NATO focou depois a “nova fase” das relações com a Rússia, que espera começar “pela cooperação no sistema de mísseis. Seria uma decisão de futuro, que iria dar uma melhoria do ambiente de segurança na Europa e no mundo atlântico. Vamos também lançar uma nova fase da nossa missão no Afeganistão, vamos anunciar que a transição vai começar em 2011 e esperamos que esteja terminada em 2014”, afirmou ainda Anders Fogh Rasmussen. Por tudo isto, concluiu, “vai ser uma cimeira muito importante e Lisboa será mais uma vez o palco de um importante acontecimento político, onde importantes decisões políticas serão tomadas”. O encontro entre o primeiro-ministro português e o Secretário-geral da NATO antecedeu o início da cimeira da Aliança Atlântica, previsto para hoje à tarde. Também antes da reunião, José Sócrates tem encontro marcado com o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
                                                                                                                                      
NATO admite intervenção no Médio Oriente se houver acordo de paz
                                                                                                                                   
O processo de paz entre israelitas e palestinianos está outra vez parado, após algumas reuniões patrocinadas pelos Estados Unidos. O secretário-geral da NATO diz que a Aliança Atlântica só pode ter uma missão no Médio Oriente depois de um acordo de paz. “Primeiro, tem de haver um acordo de paz. Segundo, as partes envolvidas têm de pedir a nossa ajuda. Terceiro, tudo isto tem de ter um mandato da ONU”, esclarece Anders Fogh Rasmussen. O secretário-geral acrescenta que “se estas três condições estiverem reunidas, então os Aliados podem pelo menos considerar a hipótese". "Mas nós não temos qualquer decisão. Julgo que as partes envolvidas no processo de paz têm de fazer a primeira parte, que é alcançar um processo de paz.” O processo de paz entre israelitas e palestinianos está outra vez parado, após algumas reuniões patrocinadas pelos Estados Unidos. O processo voltou a fazer marcha atrás depois do fim da moratória de construção dos colonatos. Já quanto à entrada da Geórgia e da Ucrânia na NATO, Anders Fogh Rasmussen reafirmou o que já está decidido desde a cimeira de Bucareste, em 2008. “Nessa cimeira, decidimos que a Geórgia e a Ucrânia vão tornar-se membros da NATO, desde que seja essa a sua vontade e que preencham os critérios necessários.”
                                                                                                                                             
Chanceler alemã destaca cooperação com a Rússia
                                                                                                                                     
Angela Merkel afirma que diáologo com Moscovo sobre o escudo antimíssil mostra que a guerra fria é um capítulo encerrado. A chanceler alemã, Angela Merkel, destacou hoje em Lisboa que o diálogo franco da NATO com a Rússia, que inclui o escudo antimíssil, é uma "prova de que a guerra fria de facto já acabou. O facto de estarmos a dialogar com a Rússia sobre a avaliação de risco e também sobre a possibilidade de vir a trabalhar em conjunto no sistema antimíssil é um passo essencial que vem demonstrar que a guerra fria de facto já acabou", afirmou Angela Merkel em Lisboa.
Numa declaração aos jornalistas alemães presentes na cimeira, à qual a agência Lusa teve acesso, a chanceler da Alemanha lembrou que a NATO é uma "aliança baseada em valores comuns", mas que também "está disposta a colaborar com a UE e com a Rússia. Temos de encontrar respostas em conjunto contra os novos desafios, e isso traduz-se no sistema antimíssil, porque há uma avaliação conjunta de que o nosso território se encontra ameaçado", sustentou. Ter a Rússia incluída nas discussões relativas à instalação de um sistema de defesa antimíssil na Europa é, destacou Merkel, um "passo essencial" para suster essas ameaças externas.
"Se hoje existe esta possibilidade de termos este diálogo com a Rússia, isto deve-se em muito aos esforços desenvolvidos pelo Presidente Barack Obama, que negociou o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START) com Moscovo", lembrou a chanceler alemã. É por isso que "desejamos muito que esse tratado seja ratificado no congresso norte-americano", um passo que será "essencial para podermos avançar em conjunto nas tarefas futuras", acrescentou Merkel. No entender de Angela Merkel, o novo Conceito Estratégico da NATO aprovado na cimeira de Lisboa é "claro, directo" e demonstra que todos os parceiros da Aliança trabalham "sobre o mesmo fundamento".
De acordo com a chanceler alemã, este novo conceito, válido para os próximos 10 anos, vai permitir à Aliança "dar o passo rumo ao século XXI", uma vez que nele "podem ser encontradas todas as respostas para os desafios que a NATO enfrenta. Estamos de acordo com o novo conceito e com as formulações necessárias para o comunicado final, ou seja, não há qualquer diferendo entre a França e Alemanha", garantiu. Para Merkel, "não há qualquer contradição entre o sistema antimíssil e a questão do desarmamento", que são "duas coisas que devem ser feitas. Temos o escudo, que para nós significa uma resposta contra novas ameaças, mas naturalmente também queremos dar continuidade à ideia do desarmamento, que deve ser baseado na reciprocidade", concluiu.
                                                                                                                            
Novo conceito estratégico da NATO destaca parceria com a UE
                                                                                                                          
"A União Europeia contribui para a segurança global da área euroatlântica", lê-se no documento. O novo conceito estratégico da NATO define a União Europeia como "um parceiro único e fundamental" e consagra o reforço da cooperação entre as duas organizações. "A União Europeia contribui para a segurança global da área euroatlântica, pelo que é um parceiro único e essencial da NATO", lê-se no documento, aprovado na primeira sessão de trabalho dos chefes de Estado e de governo na Cimeira de Lisboa.
A Aliança afirma "reconhecer a importância de uma mais forte e mais capaz defesa europeia" e saúda "a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que criou o enquadramento para o fortalecimento da capacidade europeia para enfrentar os desafios de segurança comuns". O conceito manifesta o empenho dos aliados em criar condições para um "reforço completo" dessa relação, pelo "fortalecimento da cooperação prática em operações em todo o leque de crises, desde o planeamento coordenado ao apoio mútuo no terreno", pelo "alargamento das consultas políticas a todos os assuntos de interesse comum" e por uma "cooperação mais completa no desenvolvimento de capacidades".
                                                                                                                            
Portugal mantém comando da NATO em Oeiras, mas desce na hierarquia
                                                                                                                             
Portugal vai manter o comando da NATO em Oeiras, mas perde importância na estrutura da Aliança Atlântica. O comando português desce na hierarquia e vai passar, a partir de Junho do próximo ano, a ser apenas um comando naval. A estrutura vai ser mais pequena e exigir menos pessoal, avançam fontes militares e políticas. Apesar de ter descido na hierarquia, Portugal consegue manter o comando da NATO em Oeiras, o que chegou a estar em risco. Esta vitória diplomática portuguesa vai acalmar as autoridades portuguesas que não queriam perder o comando, muito menos durante a cimeira da organização em Portugal.
A nova estrutura militar da NATO e o comando de Oeiras foram assuntos abordados na conversa de ontem entre o Presidente Cavaco Silva e o seu homólogo norte-americano Barack Obama. Segundo o comunicado, o tema mereceu uma referência de Cavaco Silva no encontro que os dois líderes mantiveram no Palácio de Belém, no dia em que arrancou a cimeira da Aliança Atlântica. Nos 15 minutos de conversa, o Presidente português abordou os assuntos mais sensíveis na defesa dos interesses de Portugal. O encontro teve um balanço “muito positivo”, segundo informações de Belém.
Nas curtas declarações finais dos dois chefes de Estado, o assunto não foi sequer referido, mas foi falado na conversa a sós entre os dois Presidentes. O comando da NATO em Oeiras é considerado um assunto sensível, foi tema de conversa e a posição de Portugal é clara: a manutenção do comando de Oeiras é de interesse nacional e essa posição de vontade de política forte de preservar uma estrutura da NATO em solo português terá sido reafirmada pelo Presidente Cavaco Silva ao seu homólogo Barack Obama. Portugal vai manter o comando da NATO em Oeiras, mas perde importância na estrutura da Aliança Atlântica. O comando português desce na hierarquia e vai passar, a partir de Junho do próximo ano, a ser apenas um comando naval.
O Presidente norte-americano agradeceu a amizade do povo português, manifestando-se confiante que, unidos pelos "interesses e valores comuns", os dois países podem trabalhar em conjunto para promover a segurança e a prosperidade. "Em nome do povo americano, agradeço ao povo português pela sua amizade e pela sua parceria", escreveu o chefe de Estado norte-americano no livro de honra da Presidência da República. Na mensagem que deixou, Barack Obama referiu ainda o trabalho que Portugal e os Estados Unidos podem fazer para promover a segurança e a prosperidade.
"Enquanto aliados unidos por interesses e valores comuns, estou confiante que poderemos trabalhar em conjunto para promover a segurança e a prosperidade para os nossos países e para o mundo", escreveu ainda o chefe de Estado norte-americano. Barack Obama chegou ao final da manhã a Portugal para participar na Cimeira da NATO, que decorre até sábado em Lisboa. Antes de se deslocar para o local da Cimeira, o presidente norte-americano realizou uma visita de trabalho, que incluiu encontros com o Presidente da República, Cavaco Silva, e com o primeiro-ministro, José Sócrates.
                                                                                                                                                 
Mundo precisa de uma NATO “credível”, diz Cavaco
                                                                                                                                 
Presidente da República falava no jantar de trabalho dos chefes de Estado e de Governo da NATO. O mundo precisa de uma Aliança Atlântica credível, mais eficiente e melhor preparada para antecipar e responder aos novos desafios e ameaças, defende o Presidente da República. "Mais que nunca, o mundo necessita, e a segurança dos nossos cidadãos exige, uma Aliança Atlântica credível. Isto implica uma Aliança mais eficiente, melhor preparada para antecipar e responder aos desafios e novas ameaças que enfrentamos", disse Cavaco Silva, numa intervenção no jantar de trabalho dos chefes de Estado e de Governo da NATO.
Além disso, acrescentou Cavaco Silva, a Aliança precisa de estar aberta à cooperação com os seus parceiros e outras organizações internacionais para um "mundo mais estável e seguro". Falando no jantar que marca o encerramento do primeiro dia de trabalhos da Cimeira da NATO, que termina sábado em Lisboa, o Presidente da República recordou ainda que o novo conceito estratégico da Aliança, o sistema antimíssil, a cooperação estratégica com a Rússia, a parceria com o Afeganistão e a cooperação com a União Europeia fazem parte do "processo de modernização" a que todos se comprometeram.
Numa intervenção quase toda feita em inglês e apenas com dois parágrafos em francês, o Presidente da República disse ainda esperar que a Cimeira NATO seja uma reunião produtiva. "Tenho a certeza que Lisboa será recordada como um marco na História de uma Aliança Atlântica melhor e mais forte", salientou. Recorrendo à expressão popular "a minha casa é a tua casa", Cavaco Silva explicou tratar-se de uma frase normalmente dita aos amigos. "E nada poderia ser mais apropriado para dizer hoje entre amigos e aliados", realçou.
                                                                                                                                     
João Cravinho não acredita que durante a Cimeira da NATO, que decorre em Lisboa, não seja abordada a situação económica do país.
                                                                                                                                  
Para o ex-ministro socialista, o tema é certo nos encontros com o Presidente norte-americano, Barack Obama, e com a chanceler alemã, Angela Merkel. “Eu não vejo que seja possível que encontre a Sra. Merkel e não lhe diga: veja lá, tome atenção a isto ou que não se veja o próprio Presidente Obama que se preocupa com o problema, não é de Portugal só, é da Europa e do Euro”, sublinha. Em declarações, à margem de um colóquio no Porto, João Cravinho sublinha a importância da reunião em Portugal. “Neste momento está cá o poder do mundo ocidental e vai propiciar muitos contactos, alguns deles, se calhar, não vão ter nada a ver com a NATO, fora da mesa oficial”, refere o antigo ministro.
                                                                                                                                  
Polícia sem os prometidos blindados para a cimeira da NATO
                                                                                                                               
No primeiro dia da cimeira da NATO, em Lisboa, não houve registo de manifestações e nem de detenções. São necessários mas não são imprescindíveis. É desta forma que a direcção nacional da PSP fala dos cinco blindados que foram comprados por Portugal para fazer a segurança da NATO, mas que ainda não chegaram. Confrontado com a ausência deste dispositivo ao final da tarde de ontem, em conferência de imprensa, o porta-voz e comissário Paulo Flor diz que não cabe à policia dizer quando chegam os blindados a Portugal e se chegam a tempo da cimeira da NATO.
“Os blindados sempre foram importantes desde o início e também desde o início que a PSP sempre referiu, aqui nesta sala, perante o Sr. ministro e o Sr. director nacional, que não eram determinantes, até porque há factores que a Polícia de Segurança Pública não gere”, referiu o comissário Paulo Flor. A PSP fez também o balanço do primeiro dia da cimeira. Uma sexta-feira sem manifestações e sem detenções. O balanço feito pelas autoridades é por isso muito positivo. As forças de segurança enfrentam amanhã a primeira grande manifestação, marcada para as 14h00, na Avenida da Liberdade, onde são esperados muitos manifestantes, segundo a direcção nacional da PSP.
                                                                                                                                                     
Na cimeira, atrás das câmaras e dos microfones
                                                                                                                                 
Fechados numa sala de imprensa gigante na FIL, a maioria dos jornalistas só vê o que se passa pelos ecrãs espalhados no espaço. Cerca de dois mil repórteres de 61 países chegaram ao Parque das Nações percorrendo ruas com "snipers" nos telhados e quilómetros de barreiras policiais. E são poucos os que vão ver de perto os líderes dos 28 países da NATO. Depois de passar dois controlos de segurança, em tudo iguais aos dos aeroportos, chega-se ao "media center" dentro de um dos pavilhões da FIL – uma sala gigante com centenas de secretárias e enormes telas centrais onde é transmitida toda a informação.
Na verdade, a maioria dos jornalistas acompanha a cimeira através dos monitores, onde a organização passa toda a informação. Alguns até comentam com pena que não vão conseguir ver este ou aquele chefe de Estado, mas o mais referido é o Presidente Barack Obama. A parte técnica das televisões e rádios é feita dentro de uns pequenos contentores, instalados dentro da pavilhão. A azáfama começa com as primeiras conferências e a chegada dos líderes dos 28 países. Os primeiros a dar o sinal de que algo se passa são os fotógrafos e os repórteres de imagem - é o tiro de partida. Os momentos mais "lounge" da cimeira acontecem enquanto os líderes estão reunidos à porta fechada. Nestas alturas, o oásis é o ponto de catering que ajuda a retemperar energias, disponibilizando sandes várias, biscoitos, gelatinas, sumos, pudins e café.
                                                                                                                      
Governo não revela custos com cimeira da
                                                                                                                
Os únicos números conhecidos foram divulgados pelo Observatório da Segurança e apontam para 10 milhões de euros gastos só nesse sector. É um dos segredos mais bem guardados da cimeira da NATO: afinal quanto vai custar a organização do evento? É certo que são milhões, mas quantos? O Governo rejeita revelar os números. Colocada a questão ao Ministério das Finanças, este nunca chegou a dar qualquer resposta. Tentou depois ao gabinete do primeiro-ministro, que remeteu para os Negócios Estrangeiros. Aqui, fonte oficial do gabinete do ministro Luís Amado acabou por dizer que não vai dar a conhecer publicamente as estimativas de gastos – só no final da cimeira é que serão feitas as contas do encontro.
O ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, falou sobre o assunto no início da semana, no Parlamento: “São os custos definidos pela resolução do Conselho de Ministros. São os custos necessários para que Portugal acolha uma das cimeiras mais importantes da Aliança Atlântica, a que Portugal pertence desde a sua fundação”. A resolução do Conselho de Ministros em causa tem o número 12. Foi publicada a 9 de Fevereiro deste ano e dá conta da criação de uma estrutura de missão para organizar a cimeira. Mas nada acrescenta quanto a verbas a atribuir para o evento. Entre os partidos da oposição, o único que questionou o Governo directamente sobre o assunto foi o Bloco de Esquerda, mas a deputada Helena Pinto não gostou da resposta. “O ministro não respondeu a esta questão, respondeu simplesmente sobre os números que já são conhecidos: foi gastar cinco milhões de euros em blindados”, revela. A estes cinco milhões, juntam-se outros cinco em equipamentos, pagamento de horas extraordinárias, entre outras despesas. No total, só a parte de segurança da cimeira deverá rondar os 10 milhões de euros, de acordo com o Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo.
Da parte do PSD, Fernando Negrão diz que é importante saber quanto é que o Governo pensa gastar com a cimeira, mas assume que “mais importante ainda é a realização da cimeira e que ela corra sem qualquer tipo de percalços”. “Um pedido do PSD sobre esses custos e questionar esses custos será entendido como uma posição política de questionar a própria organização da cimeira. O PSD não quer correr esse risco e, principalmente, não quer pôr em causa a boa realização da cimeira da NATO em Lisboa”, defende. O CSD-PP espera, por seu lado, que o Governo faça uma boa gestão do dinheiro. “Não temos essa estimativa. Consideramos que esta cimeira da NATO pode seria importante para a projecção da imagem do país internacionalmente, agora, como em qualquer caso, esperamos e desejamos que o dinheiro esteja a ser bem gasto, ou seja, gasto no essencial para que a imagem do país não seja minimamente prejudicada”, afirma Nuno Magalhães.
                                                                                                                                             
Autoridades não esperam grande impacto das manifestações anti-NATO
                                                                                                                                   
O nível global de ameaça para toda a cimeira continua a ser de três numa escala de cinco. As autoridades acreditam que as manifestações anti-NATO que se podem tornar violentas não vão ter o impacto, nem a gravidade, que chegou a ser imaginada. É certo que muitos activistas têm sido impedidos de entrar, mas existem igualmente informações que indiciam que os que conseguiram entrar não são em número suficiente para provocar problemas significativos. Para já, e no que à segurança diz respeito, não há nada digno de registo que perturbe minimamente os planos traçados. Na avaliação permanente da ameaça terrorista, por exemplo, continua sem haver indícios que alterem o actual estado de alerta. Os serviços secretos representados na cimeira, sobretudo os norte-americanos, continuam a não ter razões para alarme. E é muito por causa dessa avaliação que o nível global de ameaça para toda a cimeira continua a ser de três numa escala de cinco.
                                                                                                                        
Três dezenas de pessoas impedidas de entrar em Portugal desde a meia-noite de ontem
                                                                                                                        
O primeiro dia de Cimeira está a confirmar a tendência que se tem registado desde terça-feira, dia em que foi accionado o controlo de fronteiras. Das dezenas de pessoas que foram impedidas de entrar, apenas um terço diz respeito a motivos directamente relacionados com a Cimeira da NATO. Cerca de 30 pessoas foram impedidas de entrar em Portugal desde a meia-noite de ontem. Sobe assim para 181 o número de cidadãos proibidos de entrar no país desde o início da operação de controlo de fronteiras, que arrancou terça-feira, dos quais 23 foram interceptados em fronteiras aéreas.
O caso mais significativo registado foi em Marvão, onde foi interceptada uma carrinha com sete homens de várias nacionalidades: espanhóis, italianos e um australiano. Tinham diverso material relacionado com as manifestaçõe anti-Nato, incluindo panfletos e roupas negras com símbolos anti-guerra. De resto, todas as outras intercepções dizem respeito a outras situações: uma por tráfico de droga, outra por tentativa de passagem de um milhão de euros falsos e ainda alguns casos de cidadãos espanhóis procurados pela justiça do país vizinho.