Polícia apanha 2000 kg de haxixe no porto de Lagos
A operação Aleluia não converteu os traficantes. São de várias nacionalidades, e estão nos calabouços em Lisboa acusados de tráfico.
A operação Aleluia não converteu os traficantes. São de várias nacionalidades, e estão nos calabouços em Lisboa acusados de tráfico.Um barco semi-rígido com motores altamente potentes saiu de Marrocos carregado com 75 fardos de haxixe. Chegou a Portugal e ficou ao largo, a cerca de sete milhas da costa portuguesa. Saíram então três embarcações portuguesas que fizeram o transporte da droga para o porto de Lagos.
À espera, além dos traficantes, estavam agentes da Polícia Judiciária (PJ) de Lisboa e da Directoria do Sul, apoiados pela Unidade de Controlo Costeiro da GNR. A operação, apelidada pela PJ de "Aleluia", decorreu na altura do desembarque e nos minutos que se seguiram: parte da droga - 50 fardos - já estava no interior de um veículo que ainda tentou fugir. Um dos responsáveis disse que o condutor da viatura, que já tinha carregado mais de metade do haxixe, tentou escapar, mas foi rapidamente interceptado.
Os restantes 25 fardos foram detectados ainda no interior de uma das embarcações que faziam a travessia entre o barco rápido e o porto. A PJ deteve 14 homens - oito portugueses, um inglês e um brasileiro, todos com morada no Algarve. Foram também presos quatro espanhóis.
A investigação foi conduzida pela Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ, pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e pelo Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), razão pela qual os 14 detidos vieram para Lisboa para serem presentes no TCIC. Segundo um dos responsáveis pela operação, há três meses que a PJ e as autoridades judiciárias estão a investigar uma rede de tráfico de haxixe cujos cabecilhas seriam espanhóis. Ao que tudo indica, utilizavam uma rede de contactos no Algarve para organizarem o desembarque do haxixe no porto de Lagos e, posteriormente, levarem a droga para Espanha.
A PJ contactou a Guardia Civil espanhola antes mesmo de levar a cabo a operação e, mais tarde, foram apoiados pela Marinha de Guerra e Força Aérea portuguesas. Uma colaboração que a Polícia Judiciária considera uma "referência de cooperação internacional e de conjugação de esforços na luta global contra o crime organizado". A PJ fez questão de realçar em comunicado o "papel absolutamente decisivo para o sucesso da operação, a persistente acção dos magistrados do DCIAP e do TCIC de Lisboa titulares do inquérito". Uma acção, que no entender do responsável da PJ, se destaca pela capacidade que houve de superar as burocracias e de actuar com rapidez na operação. Até ao fecho desta edição, os detidos, com idades entre os 21 e 42 anos, ainda estavam a ser ouvidos pelo juiz que deve decretar nas próximas horas as medidas de coacção.

