Contrapartidas dos protocolos celebrados com Governo por cumprir integralmente, dizem alguns autacas. Depois de contactado para comentar as queixas, o Ministério acabou por remeter a responsabilidade do cumprimento destes protocolos para as respetivas Administrações Regionais de Saúde (ARS).As contrapartidas previstas nos protocolos celebrados entre câmaras municipais e o Governo no âmbito da reorganização da rede de urgências não estão a ser integralmente cumpridas, de acordo com queixas de algumas autarquias. O presidente da câmara de Paredes de Coura, António Pereira Júnior (PS), explicou à agência Lusa que o protocolo que assinou previa que o Serviço de Atendimento Permanente (SAP) funcionaria no seu concelho durante a noite "com um médico à chamada", o que foi impossível de cumprir, porque apenas um dos oito médicos do centro de saúde vive no concelho, com acessibilidades difíceis. Para que o SAP encerrasse à noite, foi então prometido que "os utentes teriam à disposição um veículo de atendimento rápido", que até hoje não chegou.
Também em Estarreja, o autarca José de Matos (PSD/CDS) referiu que continuam à espera de uma ambulância que deveria "estar ao serviço desde o ano passado. Há mais de dois meses deveria ainda ser anunciado o novo hospital de Estarreja, mas continuamos à espera de uma resolução por parte do ministério", contou o autarca. O presidente da câmara do Fundão, Manuel Frexes (PSD), queixou-se de que as obras de renovação do hospital do município ficaram a meio, "provavelmente por falta de verba".
O protocolo prevê que o hospital do Fundão seja reorientado para a convalescença e cuidados continuados, para servir de apoio ao Centro Hospitalar da Cova da Beira. "As obras iniciaram-se, metade do hospital já foi renovada, mas ainda não abriu, porque lhe faltam equipamentos. A remodelação da outra parte deveria ter começado em janeiro e até hoje nem obtenho respostas", disse Manuel Frexes, salientando já ter pedido reuniões e esclarecimentos à ministra e ao secretário de Estado da Saúde. Dos autarcas que responderam à Lusa, Manuel Alves de Oliveira (PS), de Ovar, foi o único a referir que, no seu caso, o protocolo está a ser integralmente cumprido, enquanto que em Chaves, "até ao momento, mantém-se a urgência médico-cirúrgica, embora com menos médicos do que o protocolado", admitiu o presidente, João Batista (PSD).
O município de Mirandela intentou em junho uma ação executiva ordinária para obrigar o Estado a cumprir o acordo, porque a falta de médicos e de especialidades, nomeadamente de um bloco operatório a funcionar 24 horas, "compromete desde logo a condição de funcionamento como urgência médico-cirúrgica. A explicação é a de que não há recursos humanos, mas quem assina um protocolo assina um contrato e tem de fazer tudo para o cumprir, o que não é o caso", disse o presidente, José Silvano (PSD).
No entanto, segundo Berta Nunes (PS), autarca de Alfândega da Fé, as queixas do congénere de Mirandela são uma exceção num distrito onde o que foi prometido está, no geral, a ser cumprido, inclusive o desenvolvimento de uma rede de cuidados continuados, que "apenas falta concretizar" no seu concelho, em Carrazeda de Ansiães, em Mirandela e em Bragança. "Claro que faltam algumas coisas, mas o essencial está e é um processo que eu acho que andou até bastante rápido porque tudo isto foi feito em três ou quatro anos", disse esta ex-coordenadora da sub-região de saúde de Bragança.
Depois de contactado pela Lusa para comentar estas queixas, o Ministério da Saúde acabou por remeter, na sexta feira à tarde, a responsabilidade do cumprimento destes protocolos para as respetivas Administrações Regionais de Saúde (ARS). Depois de contactadas as ARS do norte e centro, a Lusa aguarda resposta. O Governo celebrou, através das ARS, protocolos para o encerramento de SAP com 14 autarquias e para a reorganização da rede de urgências com outros17 municípios, a maioria do Centro e do Norte do país.





