“Não sou candidata pelo CDS/PP, e pugnarei por uma mudança”.
Na sequência dos boatos que circulam pelos meandros de Albufeira, com pequenas notícias que davam como certa a candidatura da ex-vereadora Ana Vidigal, à presidência da Câmara de Albufeira nas próximas eleições autárquicas, a actual presidente da FRAPAL desmente que “não encabeço qualquer projecto político neste momento, muito menos do CDS/PP com quem nunca tive qualquer contacto nem a nível regional nem nacional”, diz peremptoriamente.
A ex-vereadora na Câmara de Albufeira no mandato de 2002/2005 que teve a seu cargo os pelouros da Cultura, Acção Social, Juventude e Família, entre outros (num total de 13...), tem de momento “uma visão política exclusivamente e só como mera cidadã”, já que se desfiliou do PSD desde 2008. Contudo, Ana Vidigal não enjeita responsabilidades pela sua actividade no passado.
“É verdade que tenho sido abordada por muitas pessoas no sentido de me candidatar e ser mais interveniente, mas não é esse o meu objectivo prioritário".
E a ex-vereadora afirma que a sua "acção cívica não se esgota na política, contudo, estou disponível para fazer parte de grupos de reflexão que possam constituir uma mais valia para o Concelho, porque Albufeira não é só a cidade. Sei que tenho a confiança das pessoas e das instituições, reconhecida no trabalho realizado, mas em política é preciso muito mais. Respeito pelo próximo, lealdade e solidariedade, defesa da justiça, da dignidade e da igualdade de oportunidades, como foram as que nortearam as minhas acções, em função da comunidade que me elegeu. Confirmei o quanto é importante dar voz aos outros, a todos, respeitando as diferenças e as várias diversidades”.
Com o aproximar do acto eleitoral, e pelo facto do seu mediatismo junto da população ser um facto inquestionável, tem-se esboçado por Albufeira movimentos centrados no associativismo, no sentido de convencer a ex-vereadora a estar presente na disputa das próximas Eleições Autárquicas encabeçando uma lista como independente. Mas Ana Vidigal desmente essa possibilidade. “É um facto que eu tenho alguns apoios e algumas ideias para o futuro de Albufeira, numa perspectiva inovadora e de mudança, mas não devo avançar com isso já. Acho mesmo que é indispensável elaborar um Plano de Desenvolvimento Estratégico, eventualmente com recurso também à Universidade do Algarve, com visão profunda, ideais, objectivos e estratégias de Desenvolvimento a curto, médio e longo prazo, tendo em conta o aproveitamento da versatilidade e centralidade de Albufeira, do mar, do barrocal, da história, da luz, do clima, do sol. Uma Cidade ao Sul, uma cidade turística, entreposto de culturas, de saberes e de oportunidades, com estratégias definidas de desenvolvimento que assentassem em vários vectores: Identidade, Cidade Turística e Cultural; Mar e Barrocal; Albufeira no País e Internacional. Com melhor gestão do território e garantia de sustentabilidade ambiental, maior dinamização da economia criando emprego, melhor Ensino, melhor e mais Saúde com mobilidade de qualidade e garantia de sustentabilidade económica e social. Prevejo mesmo uma ‘Albufeira dos 5 A’s’, tal como as pontas da sua emblemática Estrela do Mar: Acolhedora, Ancestral, Altiva, Animada e Activa. Esta imagem deverá cada vez mais ser vincada no espírito de todos os munícipes como uma verdade sentida e vivida, e por isso seria conseguida a sua identificação e projecção”.
A acção da ex-vereadora como autarca deu-lhe um visão global e politizada das questões, mas o seu afastamento permitiu-lhe novas experiências no terreno, onde Ana Vidigal foi confrontada com a realidade fora dos gabinetes. É ela quem diz, “a população sente que a cidade se descaracterizou, na sua parte histórica, na sua Frente de Mar. Existe actualmente um sentimento de perda muito grande que é urgente reparar e recuperar. Há que recuperar a sua identidade, revalorizá-la. Tudo isto se faz com as forças vivas da cidade, o Movimento Associativo e as organizações, instituições e em grande parte com os agentes económicos e com o tecido empresarial e investidores privados, pois todos devem ser envolvidos, cooperando e participando co-responsávelmente, na construção de um Concelho melhor, potenciador também de uma Região Melhor e de um País desenvolvido. Por outro lado a identidade de Albufeira, passa por reconhecer o mérito do movimento associativo e o extraordinário papel desenvolvido pelos voluntários, na sua função de solidariedade, e missão de bem fazer ao próximo, e pela comunidade, sendo também agentes de desenvolvimento. Os políticos não podem nem devem usar o movimento associativo como suas ‘correias de transmissão’. Foi também por proposta minha, que foi realizada a primeira homenagem aos jovens voluntários do Município cujo lema foi “Ser voluntário é ser Maior”, como reconhecimento e orgulho dos pais, Famílias e da Comunidade, e ainda como incentivo a todos os voluntários que trabalham exaustivamente por uma sociedade melhor”.
Para Ana Vidigal uma coisa é certa, “não há executivos ideais, isso faz parte da utopia política. Há sim quem consiga fazer uma gestão integrada e potenciadora das suas virtualidades. E no caso de Albufeira que se reinvente a cidade e estabeleçam efectivas redes com outras, que potenciem o seu desenvolvimento e afirmem definitivamente o papel que tem na Região. Nem sempre estive de acordo com o executivo de que fiz parte, mas entendi que deveria trabalhar em equipe enquanto lá estivesse. Por isso, o projecto do Museu do Turismo foi proposta minha, assim como a ideia de um museu em Paderne se transformar no Museu do Barrocal vem do tempo em que fui vereadora, sem contudo a terem conseguido ainda concretizar. Hoje, Albufeira precisa realmente de mudança, de competitividade, de inovação, de Juventude formada e competente, para puxar por este Concelho e aqui fixar os jovens. A Marca Albufeira, capital do Turismo tem tido pouca atenção, ficando-se por meras acções promocionais em feiras de turismo. São importantes, mas devia de haver maior investimento nesta área dirigido a vários segmentos de mercado, o que não tem sido feito. No entanto é preciso reconhecer o mérito de quem trabalha, os empresários e as Associações ligadas ao sector que têm feito um vasto trabalho. Existe em Albufeira a necessidade urgente de uma escola Superior de Hotelaria e Turismo, uma Escola ou Instituto, um Pólo Universitário, ligado às ciências da terra e do Mar, ao Ambiente, um Pólo de Investigação. Tanta coisa que está por fazer... Uma cidade animada com um pólo superior de conhecimento, gera riqueza e potencia mais desenvolvimento. Albufeira tem todas as condições para ser um pólo turístico de qualidade com acções bem organizadas e estruturadas”.
Apesar dos compromissos da sua vida profissional e familiar, a ex-vereadora tenta corresponder àquilo que dela esperam, e ser interveniente na solidariedade que muitos munícipes lhe exigem. Por isso, Ana Vidigal diz que “está na altura de efectuar algumas mudanças e de se inovar apostando na juventude. Noto Albufeira uma cidade apreensiva, pelas queixas das pessoas. Esmorecida, cansada de viver ‘a Prazo’, com empregos a prazo, precários e sazonais, prazos para pagamentos, prazos para as empresas manterem os empregados, à espera de mais prazo para pagamento de dívidas. Daí que fosse tão importante actualmente o gabinete de Apoio á Família que em tempos propus, e no qual se deram passos firmes na sua concretização mas que nunca mais aparece. Lamento profundamente que a nossa cidade, na sua essência, fosse dissecada na sua identidade e na sua memória, também revelado por tantas queixas das pessoas. Acho que descaracterizar uma cidade é atroz e as gerações perderam o património, uma parte importante da identidade desta terra. Modernizar e requalificar não significa destruir, e o nosso belo cartão de visita, a Praia dos Pescadores, não mais será o mesmo, pela atitude de quem não soube dar ouvidos ao clamor da população e não soube parar, para ver e escutar, quem aqui nasceu e desde sempre viveu”.
Ana Vidigal reafirma que “está disposta, e continuará a dar o seu contributo como cidadã, activa, interessada e livre, a lutar, por uma sociedade, mais justa, mais tolerante, mais humana, onde se nasça com igualdade de oportunidades, onde todos têm lugar e onde todos deverão ser ouvidos e escutados, merecendo respeito pela opinião. Mas... candidata a presidente, não!”.
Entrevista de C. Ferreira