Manuel Maria Carrilho confirma que foi "demitido" da UNESCO. A causa poderá estar na publicação de um livro do qual é autor, e onde analisa a situação económica, social e política portuguesa e avança com diversas propostas.O embaixador de Portugal na UNESCO, Manuel Maria Carrilho, confirmou hoje à Agência Lusa em Paris que foi "demitido" do cargo, recusando comentar uma decisão de que tomou conhecimento "pela notícia da agência". "Soube da demissão pela notícia da Lusa", declarou o atual embaixador português na agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, com sede em Paris.
Questionado sobre se a demissão resultou da entrevista de fundo publicada no sábado pelo semanário Expresso, Manuel Maria Carrilho afirmou que "as evidências não precisam de resposta". Manuel Maria Carrilho é autor de um novo livro de análise da situação de Portugal, que a editora Sextante colocou hoje nas livrarias portuguesas.
Um comunicado da Sextante distribuído hoje anunciava que "Manuel Maria Carrilho acaba de ser demitido das suas funções como embaixador de Portugal na UNESCO, devido à publicação do livro E AGORA? Por uma nova República". "Neste livro, o autor analisa a situação económica, social e política portuguesa e avança com diversas propostas, defendendo uma visão do país e do seu futuro centrada na urgente qualificação do território, das instituições e das pessoas que lance as bases de uma Nova República", acrescentava o comunicado da Sextante.
Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse hoje à Lusa que a saída de Manuel Maria Carrilho da UNESCO se enquadra numa rotação de diplomatas em diversas capitais. O ex-ministro da Cultura foi nomeado embaixador junto da UNESCO em abril de 2008 e será agora substituído por Luís Filipe Castro Mendes, até agora a chefiar a embaixada portuguesa em Nova Deli.
Luis Amado "desmente" carrilho
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, afirmou hoje que informou pessoalmente o ex-embaixador na UNESCO, Manuel Maria Carrilho, de que seria substituído, em abril, e que este acatou a decisão. À margem da Cimeira dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), a decorrer na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Luís Amado garantiu que não houve motivações políticas para a substituição de Carrilho, tendo a decisão resultado apenas da avaliação do trabalho.
Porém, o chefe da diplomacia portuguesa escusou-se a fazer uma apreciação pública do desempenho de Carrilho em Paris. "Não faço publicamente a avaliação do desempenho dos chefes de missão", adiantou. "A decisão da sua substituição foi assumida por mim, aceite por ele, definido o calendário para a sua substituição com ele e, cumprido esse calendário, essa substituição foi anunciada", disse Luís Amado.

