Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !
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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Terrorismo na Noruega

Terrorista de Oslo visava Portugal
                                                                                                                                        
Anders Behring Breivik foi ouvido hoje em tribunal. Quiz que a sessão em que vai explicar os seus actos seja aberta à comunicação social. Em tribunal, Breivik terá dito que agiu para defender a Europa do islamismo. Até agora, morreram 93 pessoas.
                                                                                                        
Portugal era um dos alvos apontados por Anders Behring Breivik, o autor dos atentados na Noruega. No manifesto que publicou na Internet no dia dos ataques (sexta-feira, 22), apontava ainda Durão Barroso como uma das figuras que podia ser vítima de um ataque. O presidente da Comissão Europeia surge como exemplo de figuras que podiam ser alvo de ameaças ou até de acções terroristas. Em território português, o reactor de investigação do Instituto Tecnológico e Nuclear na Bobadela era um dos alvos a atacar. O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), José Manuel Anes, considera que há que ter cuidados redobrados. "É preciso manter vigilância sobre infra-estruturas críticas", diz José Manuel Anes. “É fundamental, por um lado, não tomar à letra aquele documento de 1.500 páginas que ele publicou e onde diz que é preciso matar na Europa 400 mil pessoas e em Portugal 10 mil e atacar um conjunto de infra-estruturas críticas que temos cá. Mas é preciso, sobretudo, continuar a vigilância sobre essas infra-estruturas críticas, porque pode haver alguma tentação de imitação, de algum religionário ou simpatizante das ideias”, refere.
A audiência do autor confesso dos atentados na Noruega está marcada para o meio-dia. Entretanto, o juiz vai decidir se a sessão será à porta fechada ou aberta aos jornalistas – como, aliás, pretende o acusado. Anders Behring Breivik, de 32 anos, diz que vai explicar as razões dos seus actos: os atentados em Oslo e numa ilha a 40 quilómetros da capital norueguesa que mataram, pelo menos, 93 pessoas. Desta manhã, surge a notícia de que a polícia norueguesa vai pedir que o tempo de prisão preventiva seja excepcionalmente duplicado para oito semanas e que a sessão decorra à porta fechada. “Corri e escondi-me numa cabana”.
Polícia chocada. "É muito difícil, mas vamos gerindo a situação", admite polícia norueguesa. Entretanto, surgem os relatos de sobreviventes em Utoeya: “Quando ouvi os primeiros tiros, estava no acampamento, por isso, não consegui ver o atirador. Mas, pouco depois, tornou-se óbvio que isto se estava a tornar sério. Eu vi os meus amigos correrem na minha direcção, a fugirem, depois ouvi tiros e pessoas a caírem no chão. De seguida, vi-o a andar na direcção dessas pessoas e a dar-lhes tiros na cabeça enquanto eles estavam deitados no chão. Foi nessa altura que eu obviamente me apercebi que era tão grave, que simplesmente corri e escondi-me numa zona arborizada, numa cabana, até a polícia chegar”, relata Vegard Groslie-Wennesland à BBC. Da parte das autoridades policiais, admite-se que é difícil lidar com uma tragédia desta dimensão. "É muito difícil, mas vamos gerindo a situação", admite polícia norueguesa.
“A polícia é treinada para lidar com situações deste tipo, mas isto teve uma dimensão de tal ordem, foram tantos jovens que foram mortos, que é muito difícil. Mas vamos gerindo esta situação”, afirma um agente. Quarenta quilómetros a Norte de Oslo, na ilha de Utoeya, prosseguem as buscas para tentar encontrar jovens que continuam desaparecidos. “Ao que tudo indica, há quatro ou cinco pessoas desaparecidas na ilha de Utoeya, por isso, prosseguimos as buscas”, afirma uma responsável da Cruz Vermelha, que ontem “teve no local 32 barcos, quase um centena de voluntários a participar nas buscas”. Cruz Vermelha garante que irá trabalhar em Utoeya "enquanto for preciso". “Agora, com a luz do dia, vamos continuar a procurar. Como já disse a polícia, iremos continuar a trabalhar enquanto for preciso”, acrescenta. Entretanto, as autoridades norueguesas e suecas pediram aos cidadãos do seu país para fazerem um minuto de silêncio em nome das vítimas.
                                                                                            
Autor dos atentados na Noruega fica detido oito semanas
                                                                                                           
A justiça norueguesa decretou oito semanas de prisão preventiva para o assumido autor do atentado e tiroteio de sexta-feira. Anders Behring Breivik fica também proibido de ter contactos com o exterior. Quatro das semanas de detenção serão em regime de total isolamento, sem direito a visitas, jornais ou qualquer tipo de correspondência. O tribunal considera que há risco de destruição das provas. O arguido está formalmente acusado de actos de terrorismo. Esta medida de coação, segundo o pedido da acusação, vai permitir investigar o caso contra Anders Behring Breivik, de 32 anos, que assumiu a responsabilidade dos ataques de sexta-feira. O norueguês, autor confesso do atentado à bomba e do massacre que matou mais de 90 pessoas nas imediações de Oslo, segundo a Reuters, disse em tribunal que tinha mais dois grupos de colaboradores. A audição decorreu, como previsto, à porta fechada, mas segundo o juiz , Anders Breivik confessou a autoria do atentado à bomba em Oslo e também os disparos na ilha de Utoya, com o objectivo de fazer o maior número possível de vítimas. Ainda assim, Breivik não admitiu culpa criminal. Confessou a autoria dos ataques, mas não reconhece que estivesse a cometer um crime. O objectivo, terá dito o arguido, era evitar novas filiações no partido trabalhista, partido que considera “traidor à pátria” por “colaborar na estratégia de colonização da Europa por muçulmanos”. Em tribunal, Breivik terá dito que agiu para defender a Europa do islamismo.
                                                                            
Portugal reforçou segurança devido às ameaças do atirador norueguês
                                                                                                       
O atirador da Noruega coloca Portugal na lista de países como alvos a abater. Anders Behring Breivik é ouvido hoje em tribunal, numa sessão à porta fechada. O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, garante que a segurança já foi reforçada nos chamados ponto-chave de todo o país, face às ameaças deixadas pelo atirador da Noruega no manifesto que divulgou na Internet. “Estou a dizer que se fez tudo o que está previsto fazer numa situação destas, que é tomar as medidas, adoptar os dispositivos que estão previstos que ocorram quando pode acontecer alguma situação que perturbe a paz e a tranquilidade pública”, afirmou Miguel Macedo aos jornalistas, sem adiantar pormenores. O Instituto Tecnológico e Nuclear da Bobadela é um dos alvos mencionados por Anders Behring Breivik, que se assume como cruzado de uma cruzada anti-islâmica e anti-multiculturalismo. Durão Barroso é descrito como perigoso marxista. Breivik, que na sexta-feira (dia 22) conduziu dois atentados na Noruega, é hoje presente a juiz. Os olhos do mundo estão a esta hora na sala de audiências número 8, num tribunal de Oslo, mas as portas estão fechadas, ao contrário do que o atirador gostaria.
Ao que tudo indica, as autoridades vão pedir o tempo máximo de detenção possível nesta fase do processo: oito semanas em solitária. “Só vão ser permitidos os contactos com o advogado. Ele pretendia ter uma audiência em porta aberta. Queria utilizar a audiência como palco para transmitir os seus pontos de vista. Precisava de fazer isso para iniciar uma revolução na Noruega contra o Governo, mas não vai ter essa possibilidade”, conta Jan Espen Kruse, jornalista da rádio nacional norueguesa NRK. Anders Behring Breivik, de 32 anos, vai ser acusado da morte de 93 pessoas. Há ainda 96 feridas, mas os números podem mudar, uma vez que há ainda pessoas desaparecidas. O norueguês auto-intitula-se "um libertador da Europa". Colocou uma bomba no centro de Oslo e abriu fogo durante mais de uma hora num acampamento de jovens numa ilha nos arredores da capital. Às 11h00, a Noruega calou-se em homenagem às vítimas, um silêncio que se estendeu à vizinha Suécia.
                                                                                                                  
Suspeito norueguês publicou manifesto extremista no dia dos ataques
                                                                                                                              
O documento mostra que a acção já estava a ser planeada há algum tempo e descreve principalmente a ideologia extremista por trás dos ataques de Anders Behring Breivik. O documento mostra que a acção já estava a ser planeada há algum tempo e descreve principalmente a ideologia extremista por trás dos ataques de Breivik. Apresentando-se como um “cavaleiro” das cruzadas da era moderna, Breivik defende uma revolução para “libertar a Europa da invasão multiculturalista”. Foi publicado no dia dos trágicos eventos em Oslo e na ilha de Utoeya, como confirma o chefe da polícia norueguesa. O texto tem também uma série de instruções que indicam modos de pesquisar métodos de fabrico de bombas na Internet sem lançar alertas às autoridades, e destaca "o uso do terrorismo como um meio de despertar as massas". Assinado "Andrew Berwick", que as autoridades admitem ser uma versão anglicizada do nome do suspeito, o próprio refere que será lembrado como "o maior monstro nazi desde a II Guerra Mundial". Breivik fala extensamente nos “males” do Islão e do que chama o “marxismo cultural” que invadiu a Europa.
No final, há fotografias do noruguês vestido com roupas militares e a segurar uma grande arma. Escrito em inglês, o texto tem o título "A European Declaration of Independence - 2083" - Uma Declaração de Independência Europeia – 2083. Também no Youtube foi publicado um vídeo, no dia dos ataques, expressando o mesmo tipo de ideias fundamentalistas. O único suspeito dos ataques na Noruega que fez 93 mortos e dezenas de feridos será apresentado amanhã a um juiz para decidir sobre a prisão preventiva. De acordo com a legislação norueguesa, o juiz pode decidir a prisão preventiva por um máximo de quatro semanas, que pode ser renovada numa nova audiência no final desse período.
                                                                                                        
Deco alerta para novas estratégias que enganam os consumidores
                                                                                                                              
As empresas de toques, imagens ou jogos de telemóvel estão com vendas mais agressivas. A estratégia foi aperfeiçoada e faz cair nas suas malhas muitos consumidores desprevenidos e bem intencionados, diz a Associação de Defesa do Consumidor. Estão a proliferar concursos na Internet que oferecem “vouchers” de compras em lojas de marcas conhecidas, mas que servem apenas para que o consumidor, distraído, subscreva, sem o saber, um serviço de valor acrescentado no telefone. O alerta parte da Deco. “Há um conjunto de anúncios que apelam à participação do consumidor em concursos [e pedem para] fornecer alguns dos seus dados, no sentido de poder obter um ‘voucher’ de um valor elevado em compras de marcas idóneas - hipermercados, electrodomésticos, que nada fazem desconfiar o consumidor. Ao inserir esses dados, nomeadamente o nome e o telemóvel, acabam por subscrever um contrato que não desejam”, relata o jurista da Deco Luís Pisco. A lei prevê que os consumidores que não estejam interessados em receber serviços de valor acrescentado possam inscrever-se na lista de exclusão criada pela Direcção-Geral do Consumidor. O que acaba por acontecer é que “não participam em concurso nenhum, em promoção nenhuma, a marca desconhece totalmente o que está a acontecer” e os consumidores passam a ter “um débito, que pode ser diário ou por semana, de valores elevados, que podem ir de um a quatro euros por mensagem”, adianta o responsável. A mudança de estratégia das empresas de venda de toques, imagens ou jogos para telemóvel está apanhar os consumidores desprevenidos e por isso a Deco volta a pedir o barramento por defeito dos serviços de valor acrescentado. Só no primeiro semestre deste ano, a Deco e a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) receberam mais de mil reclamações de consumidores que se dizem enganados. “As reclamações que estão neste bolo do primeiro semestre seguiram para fiscalização, para se verificar exactamente o que está a acontecer”, garante à Renascença Ilda Matos, da Anacom. A Autoridade Nacional de Comunicações fechou 10 processos de contra-ordenação. Seis empresas recorreram e quatro acataram.
                                                                                                  
Santana estranha ausência de nomes católicos no novo mapa de freguesias
                                                                                                                     
O ex-presidente da Câmara de Lisboa considera que as assembleias de freguesia deviam ter sido ouvidas no processo. O número de freguesias de Lisboa vai ser reduzido para metade e desaparecem a maior parte dos nomes de inspiração cristã. É o que está previsto na reforma administrativa da capital que está em fase de aprovação. Santana Lopes estranha desaparecimento de nomes de inspiração cristã. O antigo dirigente do PSD e presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, percebe as razões económicas que levam a reduzir numericamente as freguesias, mas estranha que do novo mapa desapareçam praticamente todos os nomes de inspiração cristã. “São Miguel, Santo Estevão, São Nicolau, Mártires; muitos nomes de inspiração religiosa desaparecem, é algo de estranho que é como que uma aversão aos nomes de inspiração religiosa nestas designações propostas. Foi uma deliberação da Câmara e agora vai ser da assembleia municipal, mas quem tem competência para decidir isto é a Assembleia da República. A lei manda que tenham que ser ouvidas as assembleias de freguesia e não foram neste processo”, sublinha Santana Lopes. O ex-autarca falou esta noite em declarações à TVI.
                                                                                                                                 
União zoófila lança apelo contra abandono de animais
                                                                                                                                                    
O número de animais abandonados aumenta especialmente nos períodos em que os donos se ausentam para férias. Numa altura em que muitos portugueses partem para férias, a União Zoófila lança uma campanha contra o abandono de animais. A campanha vai juntar várias personalidades que vão percorrer o país com mensagens que condenam estes abandonos. Mafalda Ferreira, colaboradora da União Zoófila, explica que “o objectivo principal desta campanha é alertar para o problema do abandono”, que aumenta principalmente na época de férias. Associada a esta campanha, a União Zoófila lança ainda o apelo “não compre, adopte”, pretendendo dar um novo lar aos animais abandonados. “Espero que estes cartazes despertem a consciência das pessoas, porque é uma falta de sensibilidade e sentido ético que existe em muita gente. Um animal quando se adopta é para fazer parte da família, a mudança de mentalidades sabemos que é uma coisa lenta, mas se não formos lutando por isso nunca vamos conseguir”, defende Mafalda Ferreira.







segunda-feira, 7 de março de 2011

Wikileaks

Suspeito da Al-Qaeda vive em Portugal há oito anos
                                                                                                 
Um empresário sírio que vive em Portugal há oito anos e tem nacionalidade portuguesa é suspeito de ter ligações a Ibrahim Buisir, um líder da Al-Qaeda na Europa, classificado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, como um "colaborador próximo" de Bin Laden.
                                                      
O empresário português foi investigado pelas autoridades norte-americanas em 2008 e confessou ao semanário Expresso que acredita ter o seu telefone sobre escuta. Todos os dados pessoais do cidadão português de origem síria constam de um telegrama confidencial enviado para Washington a 14 de Novembro de 2008 pelo então embaixador americano em Lisboa, Thomas Stephenson. As autoridades norte-americanas foram alertadas de que o empresário estaria em contacto permanente com Ibrahim Buisir, um libanês, que vive na Irlanda desde 1982, onde adquiriu a nacionalidade. Buisir é apontado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos como elo de ligação a actividades de financiamento da Al-Qaeda, segundo as descrições do então embaixador americano em Lisboa, que constam no documento. De acordo com informações de Washington, reveladas hoje pelo semanário Expresso, Buisir "dirigiu uma célula europeia da Al-Qaeda que apoia várias operações ao providenciar viagens e condições de alojamento na Europa". A Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária também "está a acompanhar a situação". No entanto, não tem, neste momento, qualquer investigação em curso sobre o suspeito.
O empresário português de origem síria poderá ter sido alvo de escutas telefónicas, que revelaram a sua ligação a Buisir. As escutas não partiram de Portugal, pelo menos de forma lega, porque segundo o "Expresso" a PJ – única entidade que as pode fazer legalmente em Portugal – não interceptou o suspeito. No entanto, o próprio revelou ao "Expresso" que "há muito que desconfia estar sob escuta", porque ouve "barulhos estranhos" e o eco da sua própria voz, enquanto fala ao telefone. As intercepções telefónicas podem ter partido da Irlanda, tendo Buisir como alvo principal e interceptado alguma conversa com o suspeito português. O que justifica o facto da embaixada norte-americana em Portugal ter sido alertada. Há cerca de três anos, o cidadão português de origem síria, conta ter sido abordado por um indivíduo que lhe fez várias perguntas sobre terrorismo e sobre um cidadão de origem árabe na Irlanda. No entanto, o empresário negou conhecer alguém chamado Ibrahim Buisir, admitindo já ter tido um cliente irlandês, "com outro nome". O suspeito que antes de se instalar em Portugal viveu cinco anos na Arábia Saudita nunca tentou entrar nos Estados Unidos. No dia em que consiga aterrar num aeroporto norte-americano, o português, que no telegrama vem citado com um "00 hit" será levado para uma sala para ser inquirido por agentes do FBI.
                                                                                                
Crise: Tudo somado, há 70% de lares portugueses em risco
                                                                                  
Contam-se 3,3 milhões de lares em Portugal a viver com menos de 1200 euros brutos por mês. São a "linha da frente" do choque económico que já aí está. "O mundo mudou", mas Portugal não: está há vários anos numa crise estrutural da qual teima em não escapar. Basta observar que o crescimento económico é praticamente nulo desde 2000. Sem estes 11 anos de melhorias - às quais grande parte da Europa teve direito -, a crise global apanhou-nos com mais força. As premissas são simples, mas negras. 1. Em Portugal praticam-se salários baixos face aos pares europeus, num fosso que não pára de crescer. Segundo dados da Direcção-Geral dos Impostos, preenchem-se em Portugal 4,7 milhões de declarações de rendimentos por ano. Segundo esta fotografia global de "quem ganha quanto", os desequilíbrios são evidentes: há 3,3 milhões de agregados (70% do total) que declaram um ganho médio mensal bruto igual ou inferior a 1200 euros e, nestes, há 2,7 milhões de famílias com rendimentos brutos mensais inferiores a 800 euros - ver gráfico nas páginas anteriores. Tudo isto atira para um ganho médio bruto anual de 18 mil euros por agregado em Portugal - daí os 1200 euros brutos/mês considerados neste trabalho -, contra os 21,5 mil euros de média em Espanha e os 27 mil euros médios na Europa (segundo estudo da Addeco de 2010). E nestes números não está reflectido o impacto de qualquer medida de austeridade europeia ou portuguesa.
Não fosse esta disparidade salarial um desequilíbrio suficiente, 2. os portugueses têm às costas uma carga fiscal que de ano para ano fica mais pesada e distante da praticada na Europa, tendo ainda 3. de "aturar" custos obrigatórios - luz, por exemplo - acima da média europeia e 4. apoios sociais agora em mínimos históricos. Esta semana duas novas gotas vieram juntar-se à festa portuguesa. 5. Tendo em conta que Portugal é o terceiro país da Europa onde mais casa própria se compra (76% dos portugueses, contra os 60% de média europeia), é fácil perceber o porquê de o impacto da subida da Euribor (ver texto ao lado) ser mais forte no nosso país que em qualquer outro; além disso, 6. Portugal é também dos países onde, devido aos baixos rendimentos, se dedica uma maior percentagem dos salários à alimentação (ver página 18) e à porta temos uma crise alimentar. Tudo somado, e fechando a análise no ordenado bruto de 1200 euros, começa a ser difícil para 3,3 milhões de agregados aguentar a conjuntura actual. É certo que o patamar oficial da pobreza em Portugal foi definido nos 400 euros por mês, mas quase ninguém concorda com esta fasquia.
"É outro elemento adverso para a economia. As famílias vão estar mais apertadas", comentou na edição de ontem do i Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI, a propósito da intenção do Banco Central Europeu de aumentar as taxas de juro a partir de Abril. No imediato, e considerando um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, uma subida de 25 pontos base vai levar mais 20 euros do rendimento mensal disponível. Agora, e conforme o seu caso, junte a estes 20 euros mais uns euros de IRS e/ou de Segurança Social, e/ou mais uns euros em compras graças ao aumento do IVA, acrescente os aumentos dos transportes e/ou da gasolina, e para quem vive nos patamares médios de rendimentos o cenário está no mínimo negro. Note-se ainda que dados oficiais divulgados ontem mostram que, no privado, os dirigentes ganham em média 3123 euros mensais, enquanto os seus assalariados nem aos 820 euros chegam. Mais um dado que explica o aprofundar do fosso - que é notório no gráfico das páginas anteriores. Aliás, num cálculo simples a partir dos dados da Direcção-Geral dos Impostos, vê-se que os 20% que mais rendimentos declaram em Portugal - e que auferem em média 49 mil euros por ano -, encaixam 14,4 vezes os rendimentos dos 20% mais pobres - que em média são de 3,44 mil euros. Na Europa não ultrapassa as quatro ou cinco vezes.
Luz fundida Olhando para os próximos anos, é difícil vislumbrar uma inversão neste cenário. Actualmente, a grande guerra dos patrões passa pelas reduções salariais em Portugal, isto quando os salários já são baixos em comparação com o velho continente. Além disso, o sector público português dentro de dois anos vai estar a gastar o dobro em juros - a partir de 2013 vão ser mais de 10 mil milhões de euros por ano -, e, olhando para o histórico português, este salto nos custos de financiamento do sector público - Estado e empresas - deverão acabar a ser compensados por mais impostos, ou preços de serviços mais altos, o que corrói mais poder de compra e aprofunda a disparidade. Além disso, a médio/longo-prazo, os aumentos das taxas de juro do BCE deverão iniciar uma escalada progressiva, à imagem do que ocorreu em meados da década passada e muitos portugueses seguramente recordarão. Também o petróleo não deverá ajudar nos anos vindouros. "Pessimistas", poderá estar a achar nesta altura. Talvez, mas a melhor forma de encontrar soluções reside em conhecer o problema.
                                                                                       
                                                                                                       

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Vários

Projecto de "Testamento Vital" na AR
                                                                                                                                 
Propostas vão receber contributo de especialistas. Em causa está a alteração da actual legislação que atribui aos familiares as decisões sobre os tratamentos de doentes que perdem a consciência.
                                           
O Testamento Vital esteve, esta manhã, de regresso ao Parlamento. Os deputados sublinharam a importância dos projectos do PS, PSD, CDS e BE contarem com o contributo de especialistas e de se chegar a acordo para os limites da intervenção médica. João Semedo, do Bloco de Esquerda, disse que o projecto do CDS-PP legisla sobre direitos já adquiridos. Isabel Galriça Neto, pelo CDS-PP, deu a resposta, avisando que “temos de ter um produto final que, com rigor e sem equívocos, reflicta que aquilo que queremos fazer é aumentar a dignidade dos cidadãos não atentando contra essa mesma dignidade”.
Durante a discussão, Fernando Negrão, do PSD, decidiu apresentar números para mostrar a importância do tema. "Estima-se que cerca de 30% dos idosos que estão internados em lares sofrem de demência" e a esperança média de vida de um europeu quase duplicou, assim como o número de idosos. "A demência transformou-se numa realidade", disse o deputado social-democrata, lembrando números "oficiosos" que falam em "cerca de 150 mil pessoas com demência em Portugal, 90 mil das quais com Alzeihmer". Os quatro projectos seguem agora todos para a Comissão de Saúde e Assuntos Constitucionais sem votação na generalidade, estando previstas na generalidade audições com peritos nesta área. O Testamento Vital permite aos portugueses decidir antecipadamente quais os tratamentos médicos que desejam receber caso percam a consciência
                                                                         
Testamento vital deve contemplar demência
                                                                                           
O Neurocirurgião Lobo Antunes defende esta permissa, e comentou os projectos-lei na Comissão Parlamentar de Saúde. No futuro pode-se esperar que 30% das pessoas com mais de 85 anos sofram de demência, alerta o neurocirurgião João Lobo Antunes, pelo que os projectos-lei sobre o testamento vital deveriam contemplar esta realidade. O médico considera que não será difícil harmonizar os vários projectos apresentados, mas pede atenção relativamente à questão da demência. “A omissão mais séria deste documento é que esquece aquilo que vai ser o problema maior nesta área, que é a demência. Porque este testamento vital está orientado para a inconsciência permanente. De facto, se aceitarmos que, no futuro, 30% das pessoas com mais de 85 anos vão sofrer de demência - esta é a grande ameaça demográfica -, eu acho que o legislador devia alargar o conceito”.
O neurocirurgião foi ouvido esta manhã pelos deputados da Comissão Parlamentar de Saúde, numa altura em que vários partidos apresentaram projectos de lei sobre estas matérias. João Lobo Antunes defende ainda que o consentimento informado e o testamento vital não devem estar juntos numa única lei. “Penso que não faz grande sentido juntar, como no projecto do PS, o consentimento informado e o testamento vital. E mais, penso que a ordenação jurídica actual, no artigo 157, já cobre as necessidades nessa matéria”, explicou. João Lobo Antunes é uma das muitas personalidades que a Comissão Parlamentar de Saúde está a ouvir no contexto do processo legislativo sobre o consentimento informado e o testamento vital.
                                                                                           
Taxa de juro bate recorde, Vieira da Silva desvaloriza
                                                                                                   
Na próxima quarta-feira, Portugal volta ao mercado para vender dívida, desta vez bilhetes do tesouro a 12 meses. A taxa de juros da dívida portuguesa a 10 anos atingiu novo máximo esta tarde: 7,26% no mercado secundário. Este é um valor que não preocupa o ministro da Economia. Vieira da Silva lembra que nos últimos leilões, Portugal pagou abaixo dos 7%. “Não é com essas taxas que o Estado português está a financiar-se quer em situações de leilão quer em operações sindicáveis. Os valores que foram atingidos não são valores dessa natureza. Nós continuamos confiantes no trabalho que estamos a fazer”, disse o ministro. Já na próxima quarta-feira, Portugal volta ao mercado para vender dívida, desta vez bilhetes do tesouro a 12 meses com um montante indicativo entre os 750 milhões e os mil 250 milhões de euros.
                                                                                                           
Greve da CP já se faz sentir em algumas ligações
                                                                                                            
Comboios urbanos de Lisboa deixam de funcionar a partir das 22 horas de ontem. No Porto, desde as 16 horas que havia perturbações em vários troços. Apesar de estar programada apenas para hoje, a greve dos funcionários da CP já está a criar perturbações em algumas ligações ferroviárias. O Sud-Expresso, com destino a Paris e o Lusitânia, que liga Lisboa a Madrid, foram os primeiros comboios a ser afectados pela paralisação e não chegaram a partir a noite passada da Estação de Santa Apolónia. No caso dos comboios urbanos de Lisboa, segundo Ana Portela, directora de comunicação da CP, as últimas ligações vão “realizar-se por volta das 22 horas, a partir daí todos os serviços da noite vão ser suprimidos”.
Já no caso do Porto, desde as 16 horas de hoje que já se fazem sentir perturbações nos serviços urbanos. Hoje, a situação vai piorar e milhares de portugueses vão ter dificuldade para se deslocar uma vez que só estão garantidos serviços mínimos durante as horas de ponta. “Os serviços mínimos estão restringidos aos períodos de hora de ponta, entre as 5:00 e as 9:00 da manhã e as 17:00 e 20:00 da tarde, nestes períodos serão realizados cerca de 25% dos comboios que eventualmente fazem muitos horários, fora destes períodos serão suprimidos a larga maioria das ligações.” alerta Ana Portela.
                                                                                                           
Acordo entre Governo e ensino privado após semanas de contestação
                                                                                                                
Em causa estão 93 estabelecimentos de ensino com os quais o Estado tem contrato de associação e que viram reduzidas as verbas recebidas por turma. (em actualização). O Ministério da Educação e a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo chegaram a acordo. Para esta hora, está prevista uma conferência de imprensa conjunta da ministra da Educação Isabel Alçada e do presidente daquela associação, João Alvarenga, na qual devem ser anunciados os termos desse acordo. Esta conferência de imprensa pode, assim, pôr fim a semanas de contestação devido aos cortes nas verbas transferidas pelo Ministério para as escolas com contratos de associação. Em causa estão 93 estabelecimentos de ensino com os quais o Estado tem contrato de associação e que viram reduzidas as verbas recebidas por turma.
                                                                                                                      
Governo e ensino particular acordam redução gradual de turmas financiadas
                                                                                                                      
Os contratos serão assinados "por cinco anos, até nova avaliação das necessidades da rede pública". O Governo e a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) chegaram hoje a um acordo em relação às regras de financiamento dos contratos de associação e a uma redução gradual do número turmas abrangidas. Em conferência de imprensa no Ministério da Educação, a ministra Isabel Alçada revelou que os contratos serão assinados "por cinco anos, até nova avaliação das necessidades da rede pública". Segundo o acordo hoje assinado, 107 turmas deixarão de ser financiadas ao abrigo destes contratos no início do próximo ano lectivo e outras 107 apenas em 2013/2014.
Um estudo encomendado pelo Ministério da Educação sobre a rede de colégios com financiamento público, divulgado na semana passada, propôs uma redução em 10% do número de turmas financiadas: menos 146 turmas do ensino básico e menos 68 do secundário, num total de 214. “É um acordo que assegura, em primeiro lugar, a aplicação neste próximo ano lectivo de regras de financiamento em vigor, um financiamento justo por turma, equivalente à média do custo por turma no ensino público”, afirma a ministra da Educação. “Em segundo lugar, regula também o quadro temporal para a redução do número de turmas financiadas pelos contratos de associação, em conformidade com o estudo de rede apresentado pela Universidade de Coimbra, estabelecendo-se que essa redução se inicia no próximo ano lectivo e se aplica depois de uma forma gradual nos três anos lectivos seguintes, de forma a garantir aos alunos e às famílias a possibilidade de completarem na mesma escola os ciclos de ensino já iniciados”, sublinha Isabel Alçada.
                                                                                                      
"É o acordo possível"
                                                                                                                      
João Alvarenga, presidente da AEEP, referiu que, depois de "muito esforço" e de uma "longa negociação", foi possível chegar a um entendimento. "É o
acordo possível, mas estamos convictos de que estamos a contribuir para a melhoria do sistema educativo nacional", afirmou. Segundo o responsável, depois de um "cenário de possível extinção de contratos" era importante que estes estabelecimentos de ensino "se mantivessem vivos". Questionado sobre o que é que mudou e por que é que aceitou um acordo que prevê um financiamento anual por turma de 80.080 euros, dez mil euros abaixo do reclamado, Alvarenga respondeu: "Nós sentíamos a instabilidade das escolas e era efectivamente necessário chegar a um entendimento para pacificar as escolas. Tínhamos, naturalmente, um valor sentido nas escolas em termos de financiamento e aqui há uma abertura para que as escolas que têm dificuldades possam recorrer a um reforço", explicou.
                                                                                                               
Combustíveis: Entrevista de Abel Mateus poderá seguir para Bruxelas
                                                                                                                            
ACP e ANTRAM estão a analisar as afirmações do antigo responsável pela Concorrência em Portugal. O Automóvel Clube de Portugal (ACP) e a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) ponderam enviar para Bruxelas as declarações à Rádio Renascença do ex-presidente da Autoridade da Concorrência. Abel Mateus criticou o Governo por nada fazer para fomentar a concorrência no sector dos combustíveis. O Automóvel Clube de Portugal, que recorreu aos tribunais para obrigar a Autoridade da Concorrência a investigar a alegada concertação de preços entre gasolineiras, vai entregar ao seu gabinete jurídico as afirmações de Abel Mateus.
O presidente do ACP, Carlos Barbosa, diz que, muito provavelmente, as declarações do ex-presidente da Autoridade da Concorrência irão parar a Bruxelas. “Todos os dados que nós tenhamos, obviamente, que vamos remetendo permanentemente para a comissão da concorrência, para Bruxelas, e este vai ser mais um, com certeza, mas isso serão os advogados que terão que fazer essa «démarche»”, diz Carlos Barbosa. Também a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) admite enviar para a comissária europeia da Concorrência a entrevista de Abel Mateus.
António Mouzinho, presidente da ANTRAM, diz que é preciso valorizar as afirmações do antigo responsável pela concorrência em Portugal. “Nós já apresentámos duas queixas na União Europeia e iremos ponderar, vamos ler atentamente a entrevista dada pelo Dr. Abel Mateus, porque o Dr. Abel Mateus não é um cidadão comum, é um cidadão que teve especiais responsabilidades na Autoridade da Concorrência em Portugal”, salienta António Mouzinho. Na sequência da entrevista de Abel Mateus à rádio Renascença, os diferentes grupos parlamentares mostram-se a favor da audição do ex-presidente da Autoridade da Concorrência e o PS disponibilizou-se para rever a Lei da Concorrência.
                                                                                                                      
Mais de duas mil pessoas declararam falência no ano passado
                                                                                                                                       
Em termos gerais, o número de processos de insolvência aumentou 31% em 2010, em comparação com o ano anterior. No total, foram 6.500 pedidos, o que dá quase uma média de 18 falências por dia. Em 2010, deram entrada 2.392 processos de insolvência referentes a pessoas individuais, um aumento de 79% em relação a 2009. Quanto às empresas, o número ascendeu a 4.142 processos, mais 13% do que no ano anterior. Os dados foram compilados pelo Departamento de Gestão de Risco da Crédito y Caución, que acompanha os processos de insolvência publicados em Diário da República. Em termos gerais, o número de processos de insolvência aumentou 31% em 2010, em comparação com o ano anterior. No total, foram 6.500 pedidos, o que dá quase uma média de 18 falências por dia. O último trimestre do ano foi o que registou mais falências, um total de 1.775, uma subida de 3% em relação ao trimestre anterior.
                                                                                           
Serviços são os mais afectados
                                                                                                           
No sector empresarial, os serviços são os mais atingidos por processos de falência, com um terço do total dos processos. Em comparação com o ano anterior, este sector de actividade registou uma das maiores taxas de crescimento (25%), seguido de perto pela construção (24%), madeiras e móveis (23%) e bens de equipamento (23%). O sector que registou a maior taxa de crescimento de insolvências em 2010, com 70% de variação, foi o dos brinquedos. No sentido oposto, o sector dos electrodomésticos registou um decréscimo significativo (23%) de processos de insolvência em 2010. Idêntica tendência verificou-se nas peles e curtumes, electricidade e máquinas/ferramentas, todos com um decréscimo de 8% em relação ao período homólogo.
                                                                                                     
EUA: Ameaça terrorista no grau mais elevado desde o 11 de Setembro
                                                                                                
Para além da Al-Qaeda, os Estados Unidos enfrentam novas ameaças de grupos inspirados nesta rede terrorista, bem como outras organizações que se encontram dentro de fronteiras norte-americanas. A ameaça terrorista nos Estados Unidos está no seu grau mais elevado desde os atentados de 11 de Setembro de 2001. Janet Napolitano, a secretária pela Segurança Nacional , disse no Congresso, em Washington, que, em muitos aspectos, os riscos que o país corre neste momento, são os mais pronunciados dos últimos dez anos. Napolitano afirmou, no Comité de Segurança da Câmara de Representantes, que para além das ameaças da Al-Qaeda, os Estados Unidos enfrentam novas ameaças de grupos inspirados nesta rede terrorista, bem como outras organizações que se encontram dentro de fronteiras norte-americanas.
A responsável deu conta de um aumento do recrutamento de ocidentais por parte de organizações terroristas. Por seu lado, o director do Centro Nacional de Contra-Terrorismo dos EUA, Michael E. Leiter, adiantou que o risco mais significativo que os Estados Unidos enfrentam vem por parte da Al-Qaeda radicada na Península Arábica, liderada por Anwar al-Awlaki, um clérigo muçulmano nascido na América. Anwar al-Awlaki tem sido relacionado com o major médico psiquiatra do Exército norte-americano, Nidal Malik Hasam, o autor do ataque em Fort Hood, no Texas, em Novembro de 2009, em que 13 militares foram abatidos a tiro. Janet Napolitano e Michael E. Leiter falaram durante uma sessão da Câmara dos Representantes destinada a prolongar a Lei Patriótica, do ex-presidente George W. Bush. A votação final foi de 277 votos a favor e 148 contra, sem obter a maioria de dois terços necessária para a revalidação da lei.
                                                                                                   
                                                                                  

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cimeira da NATO

Terrorismo no horizonte?
                                                                                                                                              
Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, adverte: "Portugal com elevado grau de ameaça terrorista durante a cimeira da NATO".
                                      
O ministro da Administração Interna disse ontem que o grau de ameaça terrorista será elevado durante a cimeira da NATO, que se realiza em Lisboa a 19 e 20 deste mês, mas garantiu não existirem motivos para alarme. Rui Pereira falava numa conferência de imprensa a propósito do primeiro exercício com todas as forças e serviços de segurança, forças armadas e serviços de proteção civil e socorro que estarão envolvidos na cimeira da NATO. "Não há motivos para alarme, mas temos de estar atentos a todos os sinais", disse Rui Pereira, a propósito de eventuais ameaças terroristas, dado que estarão concentrados em Lisboa cerca de 60 chefes de Estado e Governo de todo o mundo.
Em maio, durante a visita do papa Bento XVI a Portugal, o grau de ameaça terrorista foi menor do que o definido para a cimeira da NATO, o que se justifica com a concentração de personalidades num reduzido espaço geográfico. O ministro, que na segunda feira esteve reunido com os seus homólogos em Bruxelas, lembrou as recentes encomendas armadilhadas descobertas em vários países, referindo que "é necessário ter cautelas em relação à aviação comercial, que tem sido o meio privilegiado utilizados por grupos terroristas". Rui Pereira disse ainda que Portugal solicitou, mais uma vez, a cooperação espanhola, concretamente para a cimeira da NATO, na prevenção e combate ao terrorismo.
                                                                                                    
Alemanha considera importante definição em Lisboa do conceito de ataque a país membro
                                                                                                                                               
A Alemanha considera importante que o novo conceito estratégico da NATO, a aprovar na cimeira da próxima semana, inclua o aperfeiçoamento da cláusula sobre o apoio militar a um país membro sob ataque, disse ontem o ministro da Defesa alemão. Berlim espera que em Lisboa, onde se realiza a cimeira, seja feita uma diferenciação entre armas agressivas e armas defensivas, sejam debatidos os perigos da chamada «cyberwar» (guerra cibernética) e a criação de um escudo europeu antimísseis, afirmou Karl-Theodor zu Guttenberg. Quanto ao artigo quinto do Tratado de Washington, pedra fundamental dos estatutos da NATO, o político alemão afirmou que "ainda não existe nenhuma definição do que é um ataque". Por isso, acrescentou, "os perigos só podem ser afastados através do diálogo internacional", acrescentou Guttenberg, lembrando que a NATO "passou de uma aliança de defesa a uma aliança de segurança que age a nível global, e continua a ser um sustentáculo decisivo da arquitetura de segurança europeia".
Na que se refere ao escudo antimíssil, "seria desejável a participção da Rússia, embora esta ainda esteja em aberto", acrescentou o ministro alemão, na abertura da nona Conferência de Segurança de Berlim. O Presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, já garantiu a presença em Lisboa, para participar no Conselho NATO-Rússia, mas tanto Moscoco como altos responsáveis da NATO têm afirmado que a hipótese de uma cooperação para construir o escudo antimíssil na Europa ainda está numa fase inicial do diálogo. Guttenberg afirmou, no seu discurso, que a salvaguarda das vias comerciais e das matérias primas "deve ser considerada globalmente estratégica, do ponto de vista militar também". Uma afirmação semelhante do anterior Presidente da Alemanha Horst Koehler, proferida em maio, gerou grande polémica na Alemanha, e alguns políticos da oposição chegaram a acusar o chefe de Estado de estar a defender uma "política de canhonheira".
Koehler demitiu-se pouco depois, cumprido apenas um ano do seu segundo mandato, sem explicar as razões da sua decisão. Guttenberg manidfestou-se "admirado" com as críticas de que Koehler foi alvo e sublinhou que "o abastecimento de energia, por exemplo, é, sem dúvida, uma componente essencial das mudanças na correlação de forças a nível internacional", em defesa da sua tese. O ministro da Defesa alemão referiu a importância do acesso a minérios valiosos para a indústria da eletrónica. Recentemente, a imprensa alemã noticiou que a China, país rico em jazidas de minérios valiosos, estava a limitar as respetivas exportações para países industrializados, incluindo a Alemanha.
                                                                                                                               
"Cimeira da NATO em Lisboa vai implicar a utilização de novos tipos de armamento"
                                                                                                                        
A opção da NATO na cimeira de Lisboa vai implicar maior eficácia operacional e a utilização de novos e mais perigosos tipos de armamentos, considerou em entrevista à Lusa Walter Baier, coordenador da rede europeia "Transform!". "A atual situação é muito perigosa e a escolha que obviamente a NATO fará durante a cimeira de Lisboa será uma orientação para a utilização de armamentos mais perigosos, na perspetiva de maior eficácia operacional", referiu o economista austríaco, 56 anos e responsável em Viena "por uma rede que engloba 22 fundações políticas de esquerda, publicações políticas, todas dedicadas à pesquisa e educação política". Na perspetiva do ativista, o objetivo consiste em "garantir superioridade face aos países que a NATO, e sobretudo o ocidente, consideram como obstáculos para o seu esforço global".
Um projeto que assenta na criação do sistema de defesa antimíssil e dirigido contra uma série de Estados "já identificados", como refere. "Em simultâneo a cimeira vai debater a modernização das armas nucleares. Penso que é a principal questão. Ao contrário de serem iniciadas discussões sobre o desarmamento, como foi anunciado pelo Presidente dos EUA Barack Obama na última cimeira, as decisões agora anunciadas vão numa direção totalmente oposta", sublinha. Numa referência aos países visados pelo novo sistema de defesa aliado, o responsável pela "Transform!" não tem dúvidas em eleger o Irão, apesar de criticar a natureza "teocrática e reacionária" do regime de Teerão e manifestar "apoio total" aos movimentos democráticos iranianos empenhados na mudança política interna.
"Mas em simultâneo devo dizer que a questão da democratização do Irão não pode ser resolvida por meios militares. O isolamento do Irão é um pretexto para impor o sistema de defesa antimíssil, que há alguns anos era motivo de controvérsia na NATO. É um jogo perigoso, e para mais não existe a evidência que o Irão possua capacidade nuclear para ameaçar a Europa ou mesmo os Estados Unidos. É um pretexto para criar o escudo de defesa estratégico, e que também é um grande negócio", sustenta. Ao pronunciar-se sobre a reação da Rússia à eventual aprovação do sistema de defesa antimíssil, também contestado por Moscovo, Baier sugere que, no atual contexto, a NATO "não se atreve de momento a negligenciar ou ignorar as objeções da Rússia" e admite que seja tentado um acordo na cimeira de Lisboa. "Mas não sei se será sustentável e possa impedir a NATO de ameaçar os designados 'Estados-pária' através da superioridade estratégica desse sistema", adverte.
Sobre a situação no Afeganistão, na sequência do anúncio de um "período de transição" a partir de 2011 antes da eventual retirada das forças aliadas da ISAF e norte-americanas, o ativista austríaco prevê, no imediato, "a intensificação do confronto militar, sem qualquer solução no terreno". E especifica: "Apenas se pode esperar pela destabilização do Paquistão e a intensificação dos combates no Afeganistão". Na sua perspetiva, a "única possibilidade" consiste numa "solução negociada" que garanta um mínimo de estabilidade no país. "De momento, penso ser evidente que não existe solução militar para o Afeganistão, o que é entendido por cada vez mais pessoas, incluindo nos Estados Unidos", argumenta. Walter Baier, que participou em outubro em Lisboa numa conferência sobre a NATO, diz que não poderá estar presente nos trabalhos da "contra-cimeira" em preparação, e que vai decorrer em paralelo com a cimeira aliada. Mas deixa uma promessa: "Decerto que estarei presente na manifestação em Lisboa dia 20 de novembro".

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Paz e Terrorismo

Portugal no epicentro das Missões de Páz, sem perder de vista o Terrorismo
                                                                                                                                               
Ministro dos Negócios Estrangeiros assegura que "não há informação específica" da existência de alvos para terrorismo em Portugal. Missões de Paz estão no horizonte.
                                        
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, afirmou hoje em Lisboa que não tem "qualquer informação específica" sobre a existência de alvos de ameaças terroristas em Portugal. Questionado sobre a existência de ameaças de atentados terroristas contra alvos em Portugal, Luís Amado afirmou que "as ameaças são difusas e sabemos que temos que viver com elas durante as próximas décadas".
"O problema dos atentados terroristas na Europa tem de estar sempre na agenda da segurança de todos os Estados pequenos ou grandes", afirmou o ministro, que defendeu que os serviços de segurança têm de cooperar entre si para evitar quaisquer atentados e afirmou que "é isso que estão a fazer".
Luís Amado falava à saída de uma reunião da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, em que debateu com os deputados a cimeira da NATO, que se realiza a 19 e 20 de novembro em Lisboa, e a campanha da candidatura de Portugal a membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, cuja votação acontecerá na terça-feira.
                                                                                                          
Portugal aposta em historial de missões de paz no final de campanha para Conselho de Segurança
                                                                                                     
O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação inaugurou na terça-feira na sede das Nações Unidas uma exposição sobre a presença portuguesa em missões de paz, na reta final da campanha para o Conselho de Segurança. "Quem vier a esta exposição não vai ver um argumento explícito, mas irá perceber que temos aqui mais uma razão sólida para votar em Portugal e estamos a recolher apoios muito substanciais nesse sentido", disse à Lusa o secretário de Estado, João Gomes Cravinho, à margem do evento. A inauguração contou com a presença do secretário-geral-adjunto das Nações Unidas para as missões de paz, Alain Le Roy, e de cerca de duas dezenas de embaixadores de países membros, incluindo de um dos países concorrentes, o Canadá, que juntamente com a Alemanha disputam a eleição para os dois lugares não permanentes, marcada para 12 de outubro.
Montada junto à entrada do edifício da Assembleia-Geral, por onde diariamente circulam os delegados a caminho do plenário da ONU, a exposição é constituída por fotografias e gráficos sobre a presença de polícias ou tropas portugueses em países como Angola, Moçambique, Timor-Leste, Haiti, Líbano, Bósnia ou Kosovo. João Gomes Cravinho sublinha que a Carta da ONU define que os membros eleitos do Conselho de Segurança que "devem ser representativos da generalidade dos estados membros da Assembleia Geral", "dialogando com os diversos grupos regionais", mas também que "contribuam para a missão fundamental da ONU, que é a preservação ou a promoção da paz".
"E Portugal tem-no feito ao longo das décadas. Participamos em 28 missões, com cerca de 10 mil homens, e cada vez mais mulheres. E isto é algo que nos orgulha. Em todos os casos em que houve participação de forças portuguesas - polícia, forças armadas - verificamos uma enorme capacidade de interação com a população", disse Cravinho. "Acima de tudo, é uma homenagem àquilo que tem sido a participação portuguesa em missões de paz ao longo das décadas. E a mensagem que trouxe aqui hoje é que as Nações Unidas sabem que podem continuar a contar com Portugal para o futuro", adiantou. Para conseguir ser eleito para o Conselho de Segurança, pela primeira vez desde 1997-1998, Portugal tem de obter o voto de pelo menos dois terços dos 192 países membros.
A eleição para o biénio 2011-2012 está marcada para 12 de outubro, e segundo o último boletim do Conselho de Segurança, é "improvável" que se concretize logo na primeira ronda de votação, dado que cada um deles "goza de apoio substancial". O facto de o voto ser secreto torna o resultado ainda mais difícil de prever, dado que muitos dos votos prometidos ao longo dos últimos meses, podem não se materializar no dia da eleição. Por muitos governos não darem instruções concretas aos seus diplomatas sobre a orientação do voto, o estreitar de relações com os chefes das missões na ONU é considerado decisivo na reta final da campanha.

sábado, 11 de setembro de 2010

Fim de Semana

Recordar 11 de Setembro da pior maneira

Fundamentalista evangélico quer queimar publicamente o "Al-Corão", mas Obama pede tolerância religiosa e lembra que o inimigo é a Al-Qaida.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu hoje aos norte-americanos tolerância religiosa e lembrou que o inimigo do país é a Al-Qaida e não o Islão. "Devemos evitar ficar uns contra os outros", declarou o Presidente, numa conferência de imprensa na Casa Branca na véspera do nono aniversário dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. "Farei tudo o que for possível enquanto Presidente dos Estados Unidos para lembrar aos americanos que formamos uma nação sob o olhar de Deus e que chamamos Deus por nomes diferentes, mas continuamos a ser uma nação", afirmou. "É de uma importância crucial que a esmagadora maioria dos norte-americanos continue fiel àquilo que há de melhor em nós: a aceitação da tolerância religiosa e uma ideia clara da identidade dos nossos inimigos", afirmou. "Os nossos inimigos são a Al-Qaida e os seus aliados que tentam matar-nos", apontou Obama.
As declarações do Presidente norte-americano são feitas numa semana em que a tensão aumentou na sequência da anunciada intenção de um pastor de um grupo religioso extremista da Flórida de queimar exemplares do Corão a 11 de setembro e no meio de uma polémica sobre a construção de uma mesquita nas imediações do local dos atentados de 2001 em Nova Iorque. Queimar o Al-Corão seria "um gesto destrutivo" e "completamente contrário aos valores da América", afirmara o Presidente na quinta feira.
Na foto, Nelson Mandela assina painel que evoca vítimas de todos os países envolvidos no ataque às torres Gémeas. O Al-Corão é para os islâmicos o mesmo que a Bíblia para os católicos...