Capacidade científica em Portugal cresceu 10 por cento entre 2008 e 2009. Os dados indicam que o crescimento da despesa em I&D verifica-se quer no sector público quer no sector empresarial.
A despesa em investigação e desenvolvimento (I&D) em Portugal ultrapassou 2791 milhões de euros em 2009, mais 10 por cento que em 2008, revela um estudo que foi ontem divulgado na presença do primeiro ministro e do ministro da Ciência. Segundo dados do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN) de 2009, fornecidos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), entre 2008 e 2009 a despesa total em investigação passou de 1,55 para 1,71 por cento do PIB e o número de investigadores cresceu de 7,2 para 8,2 investigadores por mil ativos. O crescimento da despesa total em I&D para 1,7 por cento do PIB aproxima Portugal dos atuais níveis médios de intensidade da despesa em I&D na União Europeia (1,9 por cento do PIB). Em 2008 a despesa em I&D nacional tinha representado 1,55% do PIB, a comparar com 0,81% do PIB em 2005. "O investimento total em investigação e desenvolvimento mais do que duplicou entre 2005 e 2009", refere uma nota do MCTES.
Os dados indicam que o crescimento da despesa em I&D verifica-se quer no sector público quer no sector empresarial, evidenciam o reforço da capacidade científica do ensino superior e de instituições privadas de investigação" e refletem a criação de novas instituições científicas, públicas e privadas, e o alargamento da base de empresas, hospitais e outras instituições com actividade de investigação. O número de empresas com actividades de I&D cresceu também, atingindo 1989 em todos os sectores de actividade económica em 2009, enquanto era cerca de 930 em 2005 e 1833 em 2008. A despesa em I&D das empresas atinge agora cerca de 0,80 por cento do PIB (era 0,78 por cento do PIB em 2008 e 0,31 por cento do PIB em 2005).O sector das Instituições Privadas sem fins lucrativos atinge cerca de 295 milhões de euros em 2009 (era 210 milhões de euros em 2008), crescendo para 11 por cento da despesa total em I&D. "A despesa em I&D da totalidade do sector privado (empresas e instituições privadas sem fins lucrativos) continua a representar, em 2009, tal como em 2008, cerca de 58 por cento do total da despesa em I&D", adianta o MCTES. Os dados mostram que as instituições de ensino superior assumem crescentemente um papel indutor de todo o crescimento da I&D, uma vez que, entre 2008 e 2009, a despesa em I&D no ensino superior aumentou cerca 11 por cento, representando hoje este sector cerca de 35 por cento da despesa nacional total em I&D.
No sector do Estado, assume particular relevância em 2009 a construção e instalação do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, INL, em Braga, tendo a despesa global nesse sector crescido 10 por cento entre 2008 e 2009. O reforço da formação e qualificação de novos recursos humanos, e a sua inserção institucional, a par da captação e fixação, em Portugal, de investigadores do resto do mundo, é para o MCTES outro traço resultante do inquérito. Em 2009, foram registados 45 909 investigadores, para um pessoal total de 52 313 (incluindo aqui pessoal técnico).
O Ensino Superior continua a representar a maior fração de investigadores, aumentando para cerca de 61 por do total (28 086 investigadores). As Instituições Privadas sem fins lucrativos incluem 3618 investigadores, representando 8 por cento do total nacional. O sector Estado contribui com 3364 investigadores, ou seja, 7 por cento do total. O número de investigadores nas empresas aumenta 5 por cento entre 2008 e 2009, e o seu conjunto representa já cerca de 24 por cento do total de investigadores em Portugal, tendo triplicado entre 2005 e 2009, atingindo agora 10 841 (ETI). Os dados indicam que o total das exportações das 100 empresas que mais investiram em I&D em 2008 representou mais de 25 por cento das exportações nacionais.
Projeto antiterrorista com cunho português mostra "confiança" entre a Aliança e Rússia
A NATO e a Rússia estão a desenvolver um sistema de deteção de bombistas suicidas em transportes públicos, um projeto de engenharia com "cunho" português que, segundo os seus responsáveis, mostra a crescente "confiança mútua" entre as duas partes. Em entrevista à Agência Lusa, em Bruxelas, o cientista português Carvalho Rodrigues e o cientista russo Enver Akhmedov, que desenvolvem em conjunto o sistema, explicaram os seus contornos, sem entrar em detalhes por se tratar de informação confidencial, a razão pela qual também apenas deverá ser "mencionado", e não apresentado, na Cimeira da NATO em Lisboa. "É muito cedo (para a apresentação) e os detalhes não são algo para o público, porque entre o público pode encontrar-se todo o género de pessoas. O que o público pode saber é que estamos a trabalhar juntos numa questão tão crucial quanto esta", apontou Akhmedov.
Também o embaixador da Federação Russa junto da NATO, Dmitri Rogozin, foi cauteloso ao abordar a questão, assinalando também que se for divulgada muita informação, esta não estará disponível "apenas para gente decente", e terroristas tentarão encontrar formas de contornar o sistema. "Temos de estar orgulhosos com projetos como este, mas temos que falar pouco sobre eles. A nossa abordagem deve ser eficiente, profissional e confidencial", disse. Carvalho Rodrigues, conhecido como o "pai do satélite português" (POSAT), e que integra o programa científico da NATO, explicou que se trata de "um programa de engenharia que engloba vários laboratórios espalhados pelos Estados da NATO e Rússia, que vai detetar explosivos em ambientes de transportes de massa". Trata-se de um "sistema inteligente de gestão", através de sensores, que irá "detetar, reconhecer e identificar" explosivos transportados por pessoas em transportes públicos.
O sistema será testado em simultâneo em Paris e São Petersburgo, e os responsáveis dizem esperar "obter os primeiros resultados em finais de 2012, meados de 2013". Akhmedov apontou que se trata do "maior projeto" alguma vez desenvolvido em conjunto pela NATO e Rússia, e não só em termos orçamentais: na sua opinião é também o mais significativo "em termos de confiança, é um bom sinal de confiança mútua. O projeto mostra que a Rússia e a NATO podem combinar os seus melhores esforços e juntar a sua melhor ciência e tecnologia para enfrentar uma ameaça comum, de bombistas suicidas. (Mostra que) cientistas e especialistas em segurança pública (das duas partes) podem trabalhar juntos e de forma muito frutuosa. No final do projeto podemos esperar grandes resultados para a nossa segurança mútua", disse.

















