Uma solução clara de governo passa por recuperar credibilidade externa e interna e reunir uma maioria parlamentar absoluta. Nada disto está garantido.Há meses que é evidente que Portugal tem de ir para eleições legislativas. Agora que elas estão à vista não é nada evidente que delas saia uma solução clara de governo - a única que interessa ao país, tendo em conta o peso do ajustamento orçamental e de política económica que está apenas a começar. Para ser clara, essa solução terá de reunir as forças que José Sócrates perdeu (tornando-se inútil como chefe de governo e como solução futura): ser capaz de mobilizar uma base ampla de apoio parlamentar, ser credível junto das entidades internacionais e ser credível junto dos portugueses. As três forças estão interligadas e são indispensáveis para a saída lenta e dolorosa da crise; a terceira é indispensável para travar o afundamento da democracia portuguesa. Nenhuma está garantida.
Um bom ponto de partida para avaliar esta incerteza está em perceber como se comportam os portugueses quando se trata de votar. Pedro Magalhães, politólogo e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, deu ontem uma ajuda no blogue Margens de Erro. O cenário é fragmentado. Os portugueses avaliam negativamente a actuação do governo (dizem as sondagens) e tendem a traduzir essas avaliações em castigo nas urnas - más notícias para o PS. Contudo, em termos ideológicos, o partido do eleitor mediano português é o PS, com o PSD a aparecer longe do centro político, perto do CDS - más notícias para o PSD. Na avaliação pessoal, mais volátil, Sócrates surge no fundo, mas Passos Coelho também recebe nota negativa - a hostilidade face à política é geral, logo, más notícias para todos. Em resumo: o PSD parte em vantagem nas sondagens, mas, no actual contexto de aperto orçamental e perda de soberania, a incerteza é grande - até porque, como sublinha Pedro Magalhães, ninguém se preocupou em sondar o que pensam os portugueses sobre este PEC IV.
Perante este retrato, um começo para chegar à tal solução clarificadora estaria na recuperação da credibilidade, quer no tom da campanha, quer na explicação das propostas. Mais: estaria desde logo numa auditoria às finanças públicas antes das eleições, como sugeriu António Barreto, para um enquadramento realista das propostas. Mas é pouco provável que isso aconteça. O inacreditável comportamento dos políticos nos últimos meses, liderado pelo primeiro-ministro, é um aviso para a campanha que aí vem: veremos muita atribuição mútua de culpas, muito bate- -boca e muita lama nos jornais.
Há sinais que permitem antever, também, a falta de ideias. No PS de Sócrates será difícil apresentar seja o que for depois do desgaste acumulado e da perda de credibilidade - a linha será a defesa (hipócrita) do "Estado social" e o discurso da autovitimização. Contudo, do outro lado da trincheira sente-se falta de preparação. Sugerir, como o PSD e o CDS têm feito, que existe alternativa à dureza deste PEC IV via "emagrecimento do Estado" é pura demagogia, assassina da credibilidade (75% dos gastos públicos são com despesa social e função pública). Sugerir uma eventual subida do IVA para evitar o corte nas pensões é um erro tremendo, quer do ponto de vista da eficácia e da justiça (o IVA é um imposto regressivo e os pensionistas têm sido relativamente poupados), quer do ponto vista eleitoral (a subida do IVA é a medida que a esmagadora maioria dos eleitores julga mais penosa para o seu bolso, mostra uma sondagem da Católica).
Com o PS imobilizado, a oposição à direita terá de trabalhar muito mais para chegar à solução clara de governo: a tal que consiga uma maioria, que recupere a mobilização interna e reponha a credibilidade externa. Afastar o problema que se tornou José Sócrates (não o PS, sublinhe-se) não é um programa de governo. Não perceber isto pode deixar o país no mesmo impasse de que saiu agora, com meses perdidos e o FMI e a Europa à espera de saberem com quem podem falar.
Bruno Faria Lopes
Grande repórterEscreve à sexta-feira
Ler em: http://www.ionline.pt/conteudo/112924-as-eleicoes-que-podem-deixar-tudo-na-mesma
Presidente da CIP defende governo de iniciativa presidencial
O patrão dos patrões e o líder da UGT voltam a defender que o a Acordo para a Competitividade e Emprego é para cumprir. Helena André não compreende o questionamento que está a ser feito em volta do acordo. António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal considera que o melhor para o futuro de Portugal seria Cavaco Silva optar por uma solução de governo de iniciativa presidencial. O presidente da CIP explica que eventuais eleições antecipadas têm dois tipos de custos económicos: “custos monetários e custos na paragem da administração pública porque os projectos, dossiers e financiamentos, sendo poucos mas são os que temos, vão parar durante um tempo”. Uma paragem do país seria, na opinião de António Saraiva, muito mau para o desenvolvimento da economia nacional. “Hoje, perder uma semana é fatal para a competitividade, logo, perder quase um ano é dramático”.
Em relação ao chumbo do PEC, o patrão dos patrões defende que a oposição deveria ter aprovado as novas medidas de austeridade propostas pelo Governo, para que esta crise política tivesse sido evitada. O porta-voz do patronato falava à margem da Conferência Internacional sobre as “Políticas-chave para ultrapassar a crise”, onde também se encontrava o líder da UGT que considerou “péssimo”o momento para se criar uma crise política. João Proença, tal como António Saraiva, voltou hoje a defender que o Acordo para a Competitividade e Emprego, assinado esta semana entre os parceiros sociais e o Governo é “para cumprir”. Já Helena André não consegue compreender “o questionamento que está a ser feito em torno do acordo”. A ministra do Trabalho garante que tudo o que não precisar de alterações legislativas avançará, já em relação ao resto, fica para o próximo governo cumprir.
Cavaco ouviu partidos para "ultrapassar as dificuldades políticas"
Presidente da República diz que as audições decorreram com normalidade. O Presidente da República explicou hoje que as audições que manteve com os partidos ao longo do dia decorrem de uma imposição constitucional para a resolução das "dificuldades políticas" em que o país se encontra. "Ouvi os partidos conforme a Constituição me impõe tendo em vista a resolução de uma situação politica", afirmou Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas à margem da inauguração de uma exposição. Desta forma, acrescentou, está a cumprir as suas funções, "tendo em vista ultrapassar as dificuldades políticas em que o país se encontra". Questionado se está optimista em relação ao desenlace da crise política provocada pela demissão na quarta-feira do primeiro-ministro, Cavaco Silva disse apenas que as conversas com os partidos decorreram com "normalidade".
"As conversas decorreram com toda a normalidade, portanto, recolhi a informação e a opinião dos partidos em relação à forma como devem ser ultrapassadas as dificuldades em que o país se encontra", disse, durante uma visita à exposição "Ordem de Compra" hoje inaugurada no Palácio Quintelas, no Chiado, em Lisboa. O Presidente da República recebeu ao longo do dia todos os partidos com assento parlamentar, dois dias depois de o primeiro-ministro ter apresentado a demissão do cargo. No final das audiências, todos os partidos da oposição defenderam a realização de eleições antecipadas como a única forma de resolver a crise política aberta com a demissão do primeiro-ministro. A data mais repetida pelos partidos da oposição foi o dia 5 de Junho, defendida pelo PS, BE, PCP e PEV. O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, foi o único a defender a data de 29 de Maio. O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, não avançou com qualquer data, mas defendeu igualmente que as eleições devem realizar-se "tão cedo quanto for possível".
"Como foi possível terem feito isto ao país?"
O primeiro-ministro apresentou-se hoje perante os jornalistas com um discurso dramatizado e algo irritado, no final da cimeira europeia, em Bruxelas. Disse que nunca pensou que a oposição "não tivesse o mínimo de consciência do interesse nacional" e garantiu que "Portugal não precisa de ajuda externa". José Sócrates apresentou-se hoje perante os jornalistas com um discurso dramatizado e algo irritado, no final da cimeira europeia, em Bruxelas. Disse que nunca pensou que a oposição "não tivesse o mínimo de consciência do interesse nacional", garantiu que "Portugal não precisa de ajuda externa" e confessou "ter muita vontade" de voltar para Lisboa para poder comentar o anúncio do aumento do IVA pelo PSD, bem como a revogação do sistema de avaliação de desempenho dos professores. O primeiro-ministro José Sócrates disse em Bruxelas que muitas vezes se pergunta “como foi possível” os partidos da oposição “fazerem isto ao país”, ao reprovarem o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), precipitando a queda do Governo.
“Muitas vezes me pergunto: como é que foi possível fazerem isto ao país? (…) Era óbvio que a nossa situação ficaria enfraquecida”, assinalou, acrescentando que “bastaram 24 horas” para que as agências de notação baixarem a notação da dívida portuguesa. “E só lá vão 24 horas”, sublinhou. Embora destacando que a situação de Portugal “ficou pior” depois da reprovação do PEC pela Assembleia da República, Sócrates insistiu, numa conferência de imprensa particularmente concorrida e seguida pela imprensa internacional, que “Portugal não precisa de aderir a nenhum fundo de resgate” e irá cumprir "os seus compromissos com a Europa". Numa concorrida conferência de imprensa após o Conselho Europeu, a primeira desde que, na passada quarta-feira, a Assembleia da República rejeitou o PEC, Sócrates não poupou críticas aos partidos da oposição, que acusou de não terem respeitado o país, ao recusarem qualquer diálogo. “Nunca pensei, é verdade, que a oposição fosse tão longe e não tivesse um mínimo de consciência do interesse nacional, um mínimo de respeito pelo país, por forma a recusar qualquer negociação, qualquer conversa, qualquer compromisso. Não, isso não me ocorreu", disse, em resposta à imprensa internacional.
Argumentando que “durante duas semanas” não fez outra coisa que não fosse “apelar aos partidos da oposição, para que pensassem duas vezes, para que estivessem ao lado do seu país, pensando nas consequências que teria o chumbo do PEC”, Sócrates lamentou que estes tivessem atirado “para o caixote do lixo uma declaração de apoio do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, absolutamente fundamental para que Portugal possa resolver os seus problemas”. “O que é mais lamentável não é tanto que se chumbe um programa, o que é mais lamentável é que não se apresente um alternativo”, acrescentou. Sustentando que o que Portugal precisa “é de políticos responsáveis, não de populismo”, Sócrates desafiou a oposição a apresentar agora medidas alternativas. “Se os partidos querem contribuir para a melhoria da credibilidade do nosso país, pois então que apresentem as suas propostas, que apresentem essas alternativas, já que não o fizeram antes. Mas façam-nos agora, para que os mercados saibam que, independentemente do que vier a acontecer, nós cumpriremos aquilo que é o nosso dever, que o país não será entregue a nenhum vendaval populista”, concluiu.
As "trocas de Passos" do Coelho...
O líder do PSD já rejeita hipótese de integrar um Governo juntamente com José Sócrates e também já diz que não se pode "diabolizar o FMI". Pedro Passos Coelho pede uma maioria absoluta para o PSD se o Presidente da República decidir convocar eleições antecipadas. O líder social-democrata, em entrevista à SIC, admitiu também formar um Governo com outros partidos ou com personalidades de outros quadrantes políticos. Questionado sobre a possibilidade integrar um Governo juntamente com o primeiro-ministro demissionário José Sócrates, Passos Coelho rejeita liminarmente essa hipótese .
"Parece-me claro que, se não havia condições de confiança politica para manter este Governo, teria algum crédito pedir [ a José Sócrates] para integrar um Governo liderado por mim?", argumenta. Sem medo de ficar ligado a medidas impopulares, Passos Coelho diz que não está em condições de garantir que não vai aumentar impostos, como o IVA, quando chegar ao poder, porque não está na posse de todas as informações. “Prefiro mil vez arranjar dinheiro do lado da despesa de consumo, do que das pensões mais baixas”, asseverou. Em relação a uma eventual intervenção externa em Portugal, o líder do PSD espera que não seja necessária, mas diz que se tem “diabolizado” o Fundo Monetário Internacional (FMI) e salienta que o país não pode continuar a pagar juros tão elevados nos mercados internacionais.
Merkel exige que o Governo e a oposição clarifiquem alternativas ao PEC
A chanceler alemã considera que este esclarecimento é indispensável "para dar tranquilidade aos mercados". A chanceler alemã Angela Merkel afirmou hoje que o Governo e a oposição em Portugal têm de indicar publicamente, e de forma clara, que medidas alternativas ao PEC propõe para atingir as metas orçamentais. Angela Merkel, no final da cimeira da União Europeia, afirmou que depois da rejeição pelo Parlamento da actualização de 2011 do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), tanto o Governo como a oposição “devem tornar claro publicamente, e isto é muito importante, que medidas propõem implementar para que os objectivos sejam atingidos de forma diferente”. “Não será suficiente dizer que partilham a visão da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, mas têm de mostrar claramente em público que tipo de políticas sugerem para tornar estas metas uma realidade”, afirmou. Angela Merkel lembra que “os presidentes do BCE e da Comissão Europeia sublinharam isto, eu disse-o claramente aos nossos colegas e esperamos que isto se materialize, que contribua para os mercados se acalmarem e a confiança ser restaurada”. A chanceler alemã foi peremptória em afirmar que é indispensável esta tomada de posição pública por parte do PS e do PSD. “Não estou optimista, nem pessimista, sinto que foi tornado muito claro que é indispensável fazer isto se quisermos acalmar os mercados e restaurar a confiança", alertou.
Número de fumadores não diminuiu com lei do tabaco
Relatório revela que bingos, salas de jogo e casinos são os locais onde menos se cumpre com a lei. A lei do tabaco entrou em vigor em Portugal há três anos. Desde aí, e segundo um relatório do grupo “Infotabac”, o número de fumadores não registou qualquer alteração, verificando-se apenas uma diminuição da quantidade de fumadores passivos. O grupo técnico que avaliou a aplicação da lei do tabaco afirma que os dados disponíveis não permitem afirmar que o número de fumadores tenha diminuído de uma forma geral. A tendência apenas é observada no consumo de tabaco em meio escolar. Os jovens do 6º e 8º ano fumam menos agora do que em 2006, no entanto, essa diminuição já era mais acentuada entre 2002 e 2006, quando a lei ainda não existia.
A proibição de fumar contribuiu, isso sim, para alterar os hábitos dos fumadores em casa e no local de trabalho, o que, de outra forma, significa uma diminuição do número de fumadores passivos. Portugal é, inclusivamente, o país europeu com maior diminuição da prevalência de fumadores passivos no local de emprego de 2005 para 2010. Já no que diz respeito ao cumprimento da lei, o estudo revela que casinos, bingos e salas de jogo são os locais onde existe uma menor percepção do cumprimento da lei, pelo que o grupo sugere uma melhoria na fiscalização. Um facto provado é que cada vez há mais portugueses a, pelo menos, tentar deixar de fumar. Nos últimos anos, as consultas de cessação tabágica aumentaram mais de 60%. O relatório já foi entregue na Assembleia da República e agora poderá levar a alterações no actual quadro legal.
Medidas anti-tabaco podem apertar para o ano
Restaurantes estão contra alterações à lei que entrou em vigor no início 2008. A Direcção-Geral da Saúde vai entregar ao Governo, em Janeiro, o relatório que avalia o impacto da lei do tabaco na saúde dos portugueses e propõe medidas "mais exigentes" para melhorar a qualidade do ar nos espaços públicos fechados. O diploma, em vigor desde 2008, previa que, ao fim de três anos, fosse realizado um relatório sobre os resultados da aplicação das normas e, se necessário, proceder a alterações. O relatório está a ser elaborado pelo Conselho Técnico Consultivo da Direcção-Geral da Saúde, que se reuniu com associações, sindicatos, organismos do sector da saúde, do turismo, do jogo, da restauração e da hotelaria. As propostas serão apresentadas ao Governo a 26 de Janeiro. De acordo com o “Diário de Notícias”, são muitos os membros daquele conselho que defendem a proibição total do fumo em todos os restaurantes, bares e discotecas. “É a única forma de salvar vidas sem quaisquer custos", refere o vice-presidente do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, José Calheiros, que integra o conselho e é citado pelo “DN”.
"Temos de proteger quem não fuma e ajudar os que o fazem a deixar", defende, por seu lado, Luís Rebelo, presidente da Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo, ao jornal. Francisco George, director-geral da Saúde, ressalva, contudo, que ainda "não há propostas definidas” e que há também opiniões no sentido de não restringir mais o tabaco. A Associação de Restauração e Similares de Portugal (ARESP) é uma das vozes que se levanta nesse sentido. Em seu entender, depois das "confusões" no início da aplicação da legislação em 2008, o balanço da lei do tabaco é "positivo". "A legislação não deve ser mexida uma vez mais. Já causou grande confusão no início e agora que a situação está estabilizada e que alguns empresários tiveram de fazer investimentos não estamos minimamente de acordo que se mexa na lei", afirma Ana Jacinto, secretária-geral da ARESP, em declarações à agência Lusa. Na sua opinião, a criação de mais restrições está a ser suscitada pelo próprio diploma, que prevê a revisão da lei ao fim de três anos, e pela entrada em vigor, a partir de domingo, dalegislação espanhola anti-tabaco, que será mais dura e com mais proibições relativamente aos locais onde se pode fumar.
Imposto do Tabaco subiu 23,4% até Novembro
O presidente da Associação Nacional de Discotecas, Francisco Tadeu, sublinha, por seu lado, que "vai contra os princípios da Organização Mundial da Saúde de acabar com os espaços para fumadores". As receitas do Imposto sobre o Tabaco cresceram 23,4% até Novembro, face ao mesmo período de 2009, atingindo 1316 milhões de euros. Na origem deste aumento está, sobretudo, o aumento do consumo legal de cigarros, diz o Ministério das Finanças. Para tal contribuiu uma menor diferença entre os preços praticados em Espanha e em Portugal. Com a aproximação do valor a pagar pelos cigarros nos dois países, registou-se uma quebra do consumo ilegal de tabaco vindo de Espanha. "O aumento pouco significativo da fiscalidade incidente sobre os cigarros permitiu o aumento do consumo legal deste produto em cerca de 0,5%", adianta fonte do Ministério das Finanças. O Ministério das Finanças aponta também como razão para a subida das receitas "o aumento significativo da taxa do imposto incidente sobre o tabaco de corte fino [5,7%], destinado a cigarros de enrolar".
Fumo passivo mata 600 mil pessoas por ano
As crianças são as primeiras vítimas do tabagismo passivo, uma vez que não podem privar-se da principal fonte de exposição, os seus pais que fumam em casa, alertam os autores do estudo. O tabagismo passivo provoca mais de 600 mil mortes por ano em todo o mundo, sendo que 165 mil dessas vítimas são crianças, revela um estudo divulgado pela revista britânica The Lancet. As crianças são as primeiras vítimas do tabagismo passivo, uma vez que não podem privar-se da principal fonte de exposição, os seus pais que fumam em casa, sublinham os autores da investigação. Se a estas 600 mil mortes se somarem as cerca de 5,1 milhões de mortes atribuídas todos os anos ao tabagismo activo, o número de vítimas mortais devido ao tabaco dispara para os 5,7 milhões, por ano. Este é o primeiro estudo que avalia o impacto global do tabagismo passivo. Os seus autores, que pertencem ao Instituto Karolinska (Estocolmo, Suécia) e à Organização Mundial de Saúde, utilizaram dados de 2004, os mais recentes disponíveis, de 192 países. Quarenta por cento das crianças, 35% das mulheres e 33% dos homens não fumadores estiveram expostos ao fumo passivamente, o que se traduz em 379 mil mortes coronárias, 165 mil devido a infecções das veias respiratórias, 36 900 por asma e 21 400 mortes por cancro do pulmão.
Mulheres obrigadas a prostituírem-se no distrito de Setúbal
O esquema pretendia ser discreto e para isso os clientes eram angariados através de anúncios publicados em jornais diários de referência. É um caso que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras classifica como de tráfico de pessoas. Em duas moradias - uma em Sesimbra e outra em Palmela - o SEF encontrou 15 mulheres brasileiras, obrigadas à prática da prostituição. Os clientes eram angariados através de anúncios de jornal. O esquema pode ter já alguns anos. Um casal – ele, um electricista português de 39 anos, e ela, uma brasileira, de 36 – trouxeram dezenas de mulheres do Brasil, sempre atraídas com falsas promessas de trabalho bem pago. Uma ilusão que acaba logo que entram numa das duas casas do casal. Nestas duas moradias as mulheres eram obrigadas a viver e a prostituir-se. Não tinham documentos, nem dinheiro e eram impedidas de sair. O esquema pretendia ser discreto e para isso os clientes eram angariados através de anúncios publicados em jornais diários de referência. No final da operação que levou à detenção do casal e à libertação das 15 mulheres, o SEF acredita ter indícios suficientes para avançar com a acusação de tráfico de pessoas, além de lenocínio e de auxílio à imigração ilegal.
