O presidente da CNIS referiu que "os efeitos colaterais da crise, das medidas para resolver o problema do défice, vão aumentando pessoas em situação extremamente precária".O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) considerou hoje "oportuníssimo" o alerta do Presidente da República sobre a necessidade de dar prioridade à emergência social e defendeu mais medidas. "Oportuníssimo, até porque a situação é difícil neste momento", declarou à agência Lusa o padre Lino Maia, dizendo temer um agravamento da situação dos portugueses no último trimestre do ano face às "diminuições de subsídios, de comparticipações" e às responsabilidades dos agregados familiares com a escola. "Eu temo que a situação se agrave bastante agora neste último trimestre no país", afirmou, advertindo para a necessidade de se tomarem medidas para acautelar os problemas sociais "antes que seja tarde".
O Presidente da República, Cavaco Silva, voltou na terça feira a insistir na necessidade de dar uma "prioridade muito elevada" à emergência social, nomeadamente às crianças, que são 'o elo mais fraco da cadeia de exclusão social'. "Tenho insistido para que o poder político, a sociedade portuguesa, atribua uma prioridade muito elevada às situações de emergência social. Pode faltar o dinheiro para muita coisa, mas não pode faltar para apoiar aqueles que de um momento para o outro se veem lançados numa situação de carência material", afirmou o Chefe de Estado na inauguração do novo lar da Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal.
Em Fátima, onde participa na XXVI Semana da Pastoral Social, o presidente da CNIS referiu que "os efeitos colaterais da crise, das medidas para resolver o problema do défice, vão aumentando pessoas em situação extremamente precária". "É importante que haja um despertar para estas situações. São as pessoas desempregadas, são as pessoas com endividamento excessivo, são as pessoas com família desestruturada, são as pessoas que estão a ser vítimas de algum concentracionismo português", sustentou, sublinhando que "as pessoas é que são a razão de ser da comunidade" e "devem procurar-se para elas soluções para que tenham um futuro mais risonho". O padre Lino Maia acrescentou que "é importante que quem tem as responsabilidades e o poder executivo, de facto, intervenha. E eu penso que andamos ainda um pouquito adormecidos", salientou.
