"Festa de despedida" do Comando da NATO em Portugal
Hamid Karzai e Ban Ki-Moon esperados em Lisboa para reunião sobre Afeganistão. Equipamento de segurança para PSP já começou a ser entregue, garantiu o secretário de Estado.
O presidente do Afeganistão, o secretário geral das Nações Unidas e o presidente do Banco Mundial deverão marcar presença em Lisboa para a reunião da Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF) no Afeganistão, no quadro da cimeira da NATO. Segundo um alto responsável da Aliança Atlântica, para o encontro sobre a missão da ISAF no Afeganistão são esperados altos representantes de todos os organismos e nações envolvidos no conflito, à semelhança do que aconteceu nas duas reuniões que tiveram lugar este ano, promovidas pelas Nações Unidas (que naquele país lidera a missão UNAMA). Para a cimeira de Lisboa estão também convidados diversos países não membros da NATO que participam atualmente na missão do Afeganistão, como a Austrália, a Malásia ou a Mongólia.
O mesmo responsável notou que, tal como aconteceu na conferência internacional sobre o Afeganistão realizada em Londres, em janeiro deste ano, como na que se realizou em Cabul, em julho, deverão estar presentes em Lisboa o presidente afegão, Hamid Karzai, o secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick. Esperado para esta mini-cimeira sobre a estratégia para o Afeganistão é também o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.
Este encontro sobre o Afeganistão terá lugar no segundo dia da cimeira da Aliança Atlântica em Lisboa, ao início da tarde, prevendo-se que no final seja publicado um comunicado, possivelmente com novas deliberações sobre a estratégia da ISAF para o futuro e os cenários de retirada do país asiático. Para além do encontro sobre o Afeganistão, a cimeira, que começa na tarde de 19 de novembro, terá duas reuniões do Conselho do Atlântico Norte (NAC, em inglês), uma na sexta feira e outra no sábado, e ainda um encontro do Conselho NATO-Rússia.
O secretário de Estado adjunto e da Administração Interna disse ontem que o equipamento comprado para a PSP por causa da cimeira da NATO, no valor de cinco milhões de euros, já começou a ser entregue e que a segurança do encontro está garantida. "As condições que estão a ser preparadas permitirão garantir a segurança da cimeira, sendo uma responsabilidade grande para Portugal, mas também um evento que dignifica o país", disse Conde Rodrigues à agência Lusa, acrescentando que acredita que "nada será posto em causa e se vai fazer tudo para ter uma cimeira segura e ao mesmo tempo um país seguro".
Sobre o investimento de cinco milhões de euros em equipamentos para a PSP, Conde Rodrigues explicou que o Governo procurou responder "à responsabilidade internacional de organizar uma cimeira", lembrando que as verbas só foram libertadas em setembro. "Estamos a adquirir vários equipamentos para PSP de proteção (botas e coletes), para a área de comunicações e instrumentos, para a manutenção da ordem pública, entre os quais 45 viaturas de transporte das Equipas de Intervenção Rápida e carros blindados", disse. Os cinco blindados, "representam uma pequena parte dos cinco milhões de euros do investimento total", afirmou, garantindo que "não há desperdício nem investimento exagerado".
O secretário de Estado não garantiu inequivocamente que as viaturas blindadas chegarão a tempo de poderem ser utilizadas na cimeira, que decorrerá de 19 a 20 deste mês, mas disse que os outros equipamentos, "que são a maioria, estão a ser entregues às forças de segurança. O cenário sobre o qual a PSP está a trabalhar é que vai ter à sua disposição os equipamentos necessários para a segurança da cimeira. Estamos a contar com os prazos de entrega", sustentou. Questionado sobre a hipótese de os polícias fazerem greve de zelo durante a cimeira da NATO, que trará a Portugal 60 chefes de Estado e de Governo, Conde Rodrigues apelou ao "bom senso, espírito de missão e sentido de responsabilidade e segurança", não admitindo a possibilidade de a segurança do evento ser posta em causa por estes profissionais.
Correios reforçaram segurança na correspondência e encomendas- administração
Os CTT-Correios de Portugal reforçaram os sistemas de segurança de verificação de correspondência e embalagens, para prevenção de qualquer eventualidade, disse à Lusa fonte da administração da empresa. Sem precisar quais as medidas de segurança adicionais implementadas, a fonte da administração da empresa afirmou que "foram reforçadas as medidas específicas de segurança em alguns pontos da cadeia operativa". A fonte referiu que a "empresa tem especial atenção ao correio internacional, mas que medidas de segurança existem sempre" no controlo de encomendas e correspondência postal. A agência Lusa questionou a fonte da administração da empresa se foi necessário recorrer a cães especializados em busca e deteção de explosivos da PSP ou da GNR, mas limitou-se a responder que "por razões de segurança não se pode revelar as medidas em concreto".
A fonte foi questionada também sobre se o reforço das medidas de segurança se relaciona com o facto de terem sido detetados embrulhos armadilhados com explosivos na Grécia e se o mesmo pode acontecer em Portugal, ao que apenas respondeu que os "CTT têm sempre medidas de segurança preventivas independentemente de qualquer situação". Solicitado pela Lusa a comentar o reforço de segurança implementado pelos CTT, João Ruxa Pereira, especialista na problemática do terrorismo e da criminalidade organizada, disse que devido a "uma funcionária dos Correios grega ter ficado ferida numa explosão, por uma encomenda armadilhada que se destinava à embaixada mexicana", qualquer medida preventiva "faz todo o sentido". O especialista defendeu ainda que "não se pode descurar qualquer hipótese de atentado", sobretudo quando "Portugal vai acolher uma Cimeira da NATO", em que os líderes do mundo ocidental estarão reunidos em Lisboa, nos dias 19 e 20 de novembro.
Secretário de Estado pede sentido de responsabilidade e bom senso às forças de segurança
O secretário de Estado adjunto e da Administração Interna pediu às forças de segurança "sentido de responsabilidade e espírito de missão" numa resposta à proposta sindical de uma greve de zelo na PSP durante a cimeira da Nato. "O que o Ministério da Administração Interna pede é sentido de responsabilidade, de missão e de exercício do serviço público, porque estar numa força de segurança significa também ter esse empenho e dedicação para mais quando se pedem sacrifícios a todos os portugueses", disse à agência Lusa Conde Rodrigues. O secretário de Estado respondia assim à Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) que colocou a hipótese de ser feita uma greve de zelo entre os dias 19 e 24, abrangendo a realização da cimeira da Nato, que vai decorrer em Lisboa a 19 e 20 deste mês.
Hoje, os profissionais das forças e serviços de segurança vão aprovar uma moção que alerta o Governo para os problemas que as medidas de austeridade podem causar na segurança pública. A moção, que será entregue ao primeiro ministro, vai ser aprovada num encontro nacional de dirigentes e delegados dos profissionais das forças e serviços de segurança a decorrer em Lisboa, numa iniciativa da Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança. O governante pediu uma "especial responsabilidade e bom senso" aos sindicatos das forças de segurança para a realização da cimeira da Nato, que contará com a presença de 60 chefes de Estado e de governo e que o Governo pretende que "dignifique o país". O secretário de Estado espera que o evento "não seja posto em causa" e que "Portugal continue a dar bons exemplos como aconteceu com a visita do papa".
Conde Rodrigues lembrou que "o Governo tem feito um esforço grande num contexto de contenção orçamental, garantindo situações remuneratórias decorrentes dos estatutos". Entretanto, o presidente da ASPP e também da CCP disse que a comissão quer responsabilizar o primeiro ministro, José Sócrates, por "aquilo que será a segurança pública nos próximos tempos caso não haja uma alteração das medidas previstas". Além da moção, que vai conter questões específicas de cada serviço e força de segurança, os profissionais do sector vão também exigir um encontro com José Sócrates antes da Cimeira da NATO, que se realiza a 19 e 20 de novembro, em Lisboa.
Contra o plano de austeridade, a CCP já decidiu participar na manifestação no sábado e assumir uma "postura mais preventiva do que repressiva" a 24 de novembro, dia da greve geral. Fazem parte da CCP a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Associação Sócio-Profissional da Polícia Marítima (ASPPM), Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF), Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) e Associação Sindical dos Funcionários da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASF-ASAE).