Liberdade e o Direito de Expressão

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Algarve

Rios algarvios poluidos e contaminados
                                                                                                                                             
Investigadores descobrem vestígios de medicamentos nas águas dos rios Arade e Guadiana.
                                    
Investigadores da Universidade do Algarve (UAlg) descobriram vestígios de medicamentos na água dos rios Arade e Guadiana, um problema que, afirmam, está relacionado com a ausência de tecnologia aplicada aos tratamentos de águas residuais. Através de sensores colocados na água, a equipa detetou a presença de vestígios de anti-inflamatórios, anti-depressivos, analgésicos e alcalóides como a cafeína, revelou à Lusa Maria João Bebianno, do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA). O impacto na saúde pública não é ainda conhecido mas os primeiros resultados deverão estar disponíveis no início do próximo ano, acrescenta a investigadora, sublinhando que as últimas amostras serão recolhidas neste fim de semana.
A descoberta foi feita ao abrigo de um projeto que envolve também a Universidade de Bordéus, em França, que cedeu os sensores que possuem no seu interior membranas que absorvem os compostos. Segundo Maria João Bebianno, o problema existe um pouco por todo o mundo e deve-se ao facto de as Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) não disporem ainda de tecnologia que permita tratar estes componentes. Os fármacos ingeridos pela população e eliminados através da urina e das fezes são encaminhados como esgotos para as ETAR e escoados para os mares ou rios depois de tratados, mas aqueles compostos químicos nunca chegam a desaparecer.
A descoberta tornou-se ainda mais surpreendente quando a equipa detetou o mesmo problema no Rio Guadiana, zona onde se percebe que a população é mais idosa, pelo tipo de medicamentos consumidos, acrescenta a investigadora. Por outro lado, segundo Maria João Bebianno, também os fármacos administrados por veterinários a animais podem contribuir para o aumento da concentração destes contaminantes na água. O estudo entrou agora numa segunda fase que consiste na análise das amostras recolhidas na época alta para perceber se a concentração destes vestígios aumenta proporcionalmente ao aumento da população resultante do turismo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Poluição no top

Algarve é região que mais polui por habitante

Hotelaria e restauração, onde a produção de lixo é maior do que numa habitação familiar, são factores predominantes.

Com uma produção de lixo superior a 800 quilos por habitante, o Algarve é a região portuguesa onde se regista a maior quantidade de resíduos sólidos urbanos por morador, enquanto os três valores mais baixos pertencem ao Norte.
Segundo os dados mais atualizados da Sociedade Ponto Verde (SPV), os 16 concelhos que compõem a região mais a sul do país produziram 355 352 toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) em 2008, quando a sua população total era de 421 528 habitantes, o que equivale a 843 quilos por pessoa.
A empresa intermunicipal que gere os resíduos de todo o Algarve justifica a capitação com o fato de o turismo, sobretudo a hotelaria e a restauração, ser a principal actividade económica e lembra que o cálculo está condicionado pela flutuação de população durante todo o ano, embora mais expressiva no verão. Os turistas contribuem "fortemente" para a produção de resíduos, mas não são contabilizados na população residente.
"Só por este fato e se considerarmos que, embora não existam dados oficiais concretos, se estima que a população média presente (flutuante mais residente) é de 843 551 habitantes e que a produção de RSU foi de 423 284 em 2008 [valor superior ao da SPV], verificamos que a capitação é de 502 quilos por habitante", aponta a Algar. A uma semana de disponibilizar gratuitamente os seus serviços para receber resíduos da iniciativa "Limpar Portugal", a empresa sublinha que na hotelaria e na restauração a produção de lixo é maior do que numa habitação familiar: "Basta pensar no que existe à disposição num buffet de um hotel e no que é realmente consumido".
Os três valores mais baixos de produção de RSU por habitante em 2008 (303, 338 e 346 quilos) registaram-se na região Norte, em três grupos de concelhos, o primeiro dos quais composto por Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Amarante, Marco de Canaveses, Mondim de Basto e Baião.
Os dados de 2009, ainda não apurados, poderão manter estes municípios e os dos outros dois grupos na primeira posição, já que as empresas que geriam cada um se fundiram no final do ano passado. Apesar de ter o valor mais baixo, o Norte engloba quantidades muito variáveis que vão até aos 534 quilos por morador, no caso do sistema intermunicipal que engloba a cidade do Porto. Na Madeira o número de quilos por residente é de 551 e nos Açores varia entre 352 e 565.
No Alentejo a diferença entre os vários valores é menor, mas dos quatro sistemas de gestão de resíduos três são superiores a 500 quilos e um deles apresenta a segunda maior quantidade do país (594 quilos por habitante, no litoral). As regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo reúnem grande parte dos valores intermédios: na primeira o lixo por habitante está entre os 356 e 526 quilos e na segunda vai de 437 a 492 quilos.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Refinaria espanhola prejudica águas portuguesas

Rio Guadiana e Alqueva nunca mais serão iguais

Impactos negativos na estrutura de Badajoz justificam parecer negativo dos ambientalistas.

As organizações ambientalistas portuguesas que emitiram um parecer contra a instalação de uma refinaria na Extremadura espanhola alertam para os impactos do projecto na quantidade e qualidade da água do rio Guadiana e da albufeira de Alqueva, refere a Lusa. «Há claramente impactos que afectam a manutenção de um caudal ecológico e/ou os caudais garantidos», além de que «a qualidade da água no rio Guadiana e na albufeira de Alqueva, já de si deficientes, serão agravadas», destacam.
Estas questões são abordadas no parecer da Quercus, Associação Nacional de Conservação da Natureza, Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens (FAPAS) e Grupo de Estudos e Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA). As quatro organizações ambientalistas enviaram terça-feira o parecer para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), no último dia da consulta pública do processo de Avaliação de Impacto Ambiental do projecto em Portugal.
Francisco Ferreira, da Quercus, revelou existirem «razões mais do que suficientes para o Governo recusar a instalação» da refinaria Balboa, perto da fronteira e na bacia hidrográfica do Guadiana, a «escassos 50 quilómetros da albufeira de Alqueva». A afectação do Guadiana e de Alqueva é um dos impactos transfronteiriços mencionados no parecer pelos ambientalistas, que lembram as regras da Convenção sobre a Cooperação para a Protecção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas.
«Os regimes e caudais do rio Guadiana são cada vez menores», devido às alterações climáticas, realçam os ambientalistas, explicando que o volume de água necessário ao funcionamento da refinaria «é muito significativo», o que faz antever «conflitos de uso de água ainda maiores no futuro».

A qualidade das águas do Guadiana e de Alqueva também «estarão sempre ameaçadas por riscos de deficiente tratamento dos efluentes e de eventuais derrames» da refinaria. «Este risco é ainda mais grave no que diz respeito ao aumento da concentração de sais nos sistemas reservatório de Alqueva e todas as albufeiras integradas no seu sistema de rega», afiançam, prevendo serem «desastrosas» essas consequências, com a salinização e sodização dos solos e a morte de culturas agrícolas.
Outro dos impactos aludidos pelas associações ambientalistas incide na qualidade do ar, com a previsão do «agravamento da poluição por ozono no Verão», já que a instalação de uma refinaria «tem impactes a mais de 100 quilómetros».
«Um dos aspectos críticos prende-se com as condições meteorológicas de elevada temperatura e radiação solar associadas a ventos de leste, onde é certo um agravamento dos níveis de ozono na zona do Alentejo, afectando assim culturas agrícolas e a saúde pública», afirmam, referindo que «o promotor nem efectuou sequer simulações» de outros poluentes.
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da refinaria ignorou ainda, segundo os ambientalistas, a maior proximidade geográfica de territórios portugueses do que de outras zonas da Extremadura, não tendo analisado a afectação de espécies e habitats protegidos no Alentejo.
Quanto aos impactos previstos nas zonas costeiras, incluindo o estuário do Guadiana - o projecto integra a construção de um oleoduto de 200 quilómetros de extensão até ao Porto de Huelva (Andaluzia) -, os ambientalistas criticam a ausência de estudos técnicos que avaliem os riscos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Estudo sobre poluição automóvel

O automóvel não poluente: que futuro?

Europeus são mais poupados e menos ecológicos. À excepção de Portugal todos os países dão mais importância à questão económica do que à ambiental.

A consciência ambiental e a questão económica são dois factores que influenciam a escolha de automóveis ecologicamente sustentáveis. No entanto, em todos os países, os inquiridos declaram que o consumo do automóvel será tido em consideração no momento de escolher o seu próximo automóvel.
Segundo um estudo divulgado a nível da União Europeia sobre o automóvel do futuro, a importância atribuída ao consumo de combustível deverá aumentar significativamente no processo de escolha dos automóveis nos próximos anos. Em todos os países, os inquiridos declaram que o consumo constitui um factor de selecção no momento de adquirir um automóvel, sendo os franceses e os italianos os que mais importância atribuem à questão económica.
A preocupação ambiental deverá igualmente desempenhar um papel importante na escolha do próximo veículo. À excepção de Portugal todos os países dão mais importância à questão económica do que à ambiental. Comparativamente, o critério ecológico é um critério também muito importante para os italianos e são os britânicos quem lhe atribui menor importância.
O consumo de combustível e o nível de emissões poluentes tem vindo a ter um papel significativo na escolha do veículo actual e deverá progressivamente tornar-se determinante no futuro, em todos os países europeus abrangidos pelo estudo.

Se os motores eléctricos, os motores a hidrogénio e os biocombustíveis são consideradas as soluções menos poluentes pelos consumidores, a sua posição respectiva difere muito de um país para o outro. O motor eléctrico vence claramente em França e em Espanha e, de forma um pouco menos categórica, no Reino Unido e em Portugal. Em Itália esta alternativa surge ligeiramente atrás do hidrogénio, sendo este último uma solução privilegiada na Alemanha. Relativamente aos motores híbridos e os movidos a biocombustível (isolados ou misturados com os combustíveis resultantes do petróleo), em Portugal e Espanha estas alternativas são equacionadas em primeiro lugar. Note-se que o hidrogénio (provavelmente por razoes históricas) é muito mais citado pelos italianos e o gás pelos alemães como alternativa. Esta falta de visibilidade, esta incerteza, manifesta-se também no tipo de solução técnica susceptível de emergir. Nenhuma parece claramente susceptível de se impor.
O estudo foi desenvolvido a partir de análises económicas, técnicas e previsões, realizadas entre Julho e Setembro de 2008 em colaboração com o instituto de estudos e consultadoria BIPE (www.bipe.com) que se baseia na sua longa experiência no domínio automóvel, designadamente através dos seus Clubes Automóveis de conjuntura e missões de marketing e de prospecção que efectua à escala internacional a pedido dos construtores, fornecedores de equipamentos e agentes do comércio automóvel. Quanto aos inquéritos a consumidores e às entrevistas com especialistas profissionais do universo automóvel foram realizadas pela Anacom (www.anacom.fr), sociedade de estudos qualitativos e quantitativos.