Liberdade e o Direito de Expressão

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Tertúlias

Aliança Cultural

Um espaço para "concentrar e expandir a cultura do Sul'.

Recolher, aprofundar e divulgar o lado criativo dos artistas e dos criadores do Sul é um dos objectivos do «Aliança Cultural», um espaço para produzir "cultura e identidade".
A partir das 18 horas, de segunda a sexta-feira, a zona do «salão de chá» e a espla­nada das traseiras do Café Aliança, em Faro, funcionam desde Julho como um espaço de dinamização e divulgação cultural. A ideia, por um la­do, é recuperar o significado histórico do Aliança enquanto café, mas o projecto também passa por criar um espaço de encontro entre artistas, inte­lectuais, criadores diversos e o público em geral.
"O Aliança pode ser um ponto de encontro e um pólo de dinamização cultural, co­mo foi no passado um ponto de encontro dos comerciantes e produtores agrícolas. Havia aqui uma «bolsa» da alfar­roba, agora poderemos ter, por exemplo, uma «bolsa»dos produtos biológicos, ou da nova agricultura natural, além de um pólo de dinami­zação e apoio à criatividade local", refere José Bívar, o principal impulsionador desta iniciativa.
O objectivo passa por tra­zer de volta ao Aliança uma determinada "elite cultural e intelectual", mas não só. "Como dizia Balzac, os cafés são o Senado do povo: é importante a troca de infor­mação entre as pessoas, para se reconhecer muitos valores escondidos, de quem escreve ou pinta e não teve oportuni­dade de se manifestar - toda essa cultura, na sua maioria urbana, têm de ser levantada. O meu trabalho aqui é o de recolher e aprofundar o lado criativo dos artistas, dos cria­dores do Sul", diz José Bívar. De acordo com o responsável, "o Aliança é o sítio indicado, porque faz a interface entre os vários nichos da popula­ção, entre pessoas motivadas de formas muito diferentes. Gosto de trabalhar com toda a gente, no sentido de não particularizar, de não traba­lhar apenas para um público de intelectuais".
Os operários e as clas­ses com menos meios para se exprimirem são, muitas vezes, segundo José Bívar, "quem tem mais interesse em dizer coisas. A recolha dessa cultura é importante para a renovação social e cultural e deve ser apoiada de uma for­ma autónoma e independente - um café promove isso. É um ponto de encontro, um local liberal, não selectivo, onde toda a gente entra: recebe todos os pontos de vista, fá-los interagir e dessa discussão pode nascer uma qualquer luz e estímulo", sustenta.
Para José Bívar, "a alma de Faro somos nós, os farenses, quem cá está, quem produz cultura e identidade. E não temos de o fazer apenas nos teatros municipais ou nas bi­bliotecas". "Em ponte", conforme foi referido, no espaço do «Aliança Cultural», o nome pelo qual é designada esta iniciativa, também pode­rão ser promovidas acções de divulgação de um determina­do tipo de agricultura, de uma arte ou tradição, mas para já têm-se realizado debates e tertúlias, serões de poesia e apresentações de livros. Re­centemente, foi lançada no Aliança a «Sulscrito», uma revista dos novos poetas de Faro. A publicação reúne os poetas do Círculo Literário do Algarve, "porventura, o grupo mais forte e coeso desde a «Poesia 61», onde já estão, praticamente, todos os poe­tas da região com um certo conceito de actualidade e modernidade", considera José Bívar.
Na área das artes plásti­cas, acrescenta, "podemos facultar às pessoas documen­tação, ou pô-las em contacto com filmes sobre eventos con­temporâneos. Antigamente, para estar em contacto com essas realidades era preciso ir lá, agora podemos trazer isso às pessoas com um simples computador e um projector". Foi o caso da inauguração da «Documenta» de Kassel, uma das maiores exposições de arte contemporânea da Europa, transmitida em vídeo pela "enviada do «Aliança Cultural» na Alemanha", uma artista estrangeira radicada no Algarve.
"Todos os dias acontecem aqui coisas, no mínimo são passagens de documentários, ou filmes, ligados às diferentes temáticas de cada dia - litera­tura, artes plásticas, filosofia, onde se inclui a problemática do ambiente e do urbanismo, entre outras questões civilizacionais", acrescenta. Às terças-feiras o Aliança dá lugar ao «Café Memória» e às sextas-feiras o espaço fun­ciona como ponto de encon­tro de todos os artistas, num ambiente de café-concerto, com espectáculos musicais e de teatro, saraus de poesia, entre outras manifestações artísticas.
De acordo com José Bivar, o «Aliança Cultural» está "em ponte com a Brasileira, em Lisboa, e o Magestic, no Porto, por isso este projecto poderá ter uma projecção, não só regional, mas tam­bém nacional: existem três capitais importantes no País: Faro, Lisboa e Porto. Faro representa o Sul, tem essa responsabilidade - a de fazer, concentrar e expandir a cul­tura do Sul", conclui.

Rodrigo Burnay

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Café Oceano

Tertúlia no Páteo das Letras

No passado “Mar” era pescar. Agora “Mar” é... criar

O Prof. Rui Cabral e Silva, da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente (FCMA) da UAlg, é o orador convidado para a edição de hoje na tertúlia do Café Oceano. O tema deste mês, «No passado “Mar” era pescar… Agora “Mar” é criar», surge na sequência do assunto em foco na edição de Outubro do Café Oceano – “Quanto vale a Ria Formosa?” –, e pretende dar a conhecer uma das várias funções económicas do mar em transformação. O debate terá lugar no Pátio de Letras, na Rua Dr. Cândido Guerreiro, n.º 26-30, a partir das 18h30.
O Café Oceano nasceu de uma ideia original dos alunos de Oceanografia da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente (FCMA) e da Prof.ª Cristina Veiga Pires, também docente naquela faculdade, com o objectivo de debater assuntos relacionados, justamente, com o oceano. Decorre normalmente uma vez por mês, ao fim do dia, num café/bar de Faro.
Para participar não é preciso ser especialista, só é necessária curiosidade e interesse pela matéria em debate. O painel de especialistas que faz a apresentação mensal de cada tema, assim como a moderação da discussão, incentiva à participação de toda a população - todos são bem-vindos e, do ponto de vista da organização, quanto maior a diversidade de perspectivas, melhor. O debate acontece à volta da mesa, no café, em ambiente informal.
A primeira edição do Café Oceano teve lugar no dia 19 de Maio de 2005, no Bar do Álvaro, em Gambelas.

Para mais informação: Prof.ª Cristina Veiga Pires (FCMA) - cvpires@ualg.pt
http://cafeoceano.blogspot.com/

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

“No dia de S. Martinho, vai adega e prova o vinho”

Tertúlia no Mercado Municipal de Loulé

A par da tradição religiosa, é nesta altura que se fazem as primeiras provas de vinho do ano, daí a ligação profunda do S. Martinho - o patrono das produções de vinho - ao "néctar dos deuses", tão enraizada nas tradições portuguesas

"No Dia de São Martinho, comem-se as castanhas e bebe-se o vinho". As tradições do vinho associadas às comemorações populares do Dia de S. Martinho foram vividas no Mercado Municipal de Loulé, durante uma tertúlia que levou muitos louletanos a este espaço comercial da cidade, para um fim de tarde pleno de convívio e das iguarias da época.
"Aromas e Sabores dos Vinhos Algarvios" foi o mote lançado pela Confraria dos Enófilos e Gastronómica do Algarve, que trouxe a esta tertúlia alguns apontamentos sobre o panorama actual dos vinhos algarvios, mas também a apresentação de algumas técnicas no momento de consumir um vinho, nomeadamente o corte do gargalo de uma garrafa e a decantação do vinho (tinto).
O Juiz desta Confraria, Carlos Silva e Sousa referiu a importância do vinho e da vinha nas mais profundas raízes algarvias e a necessidade em promover esta "parte inalienável da cultura regional". "Durante anos, o Algarve andou esquecido das suas tradições, sobretudo em termos da sua gastronomia e do seu vinho pois preocupou-se mais com o desenvolvimento”.

“Mas se inicialmente o turismo algarvio assentou no ‘sol e praia', com a concorrência de outros mercados há uma exigência cada vez maior e, como tal, é bom que saibamos mostrar e valorizar aquilo que somos e a nossa cultura", referiu, reportando-se à promoção da gastronomia e vinhos algarvios, que é, de resto, um dos objectivos desta Confraria.
Por outro lado, este confrade salientou também o contributo das vinhas bem tratadas para a preservação das terras e para a beleza da paisagem algarvia. "É mais bonito ver uma vinha plantada e bem tratada do que amendoeiras abandonadas", afirmou. Carlos Silva e Sousa falou da existência de 22 produtores vinícolas no Algarve, desde a zona de Lagos, até ao Sotavento, na sua maioria investidores no campo financeiro e económico mas também alguns estrangeiros”.
O escanção-mor da Confraria, Emílio Rebelo, levou aos presentes alguns cuidados a ter na abertura de uma garrafa do vinho, como o corte do gargalo que é feito com uma tenaz quente e água fria, e a importância da decantação que passa pela necessidade de elevar um pouco a temperatura do vinho, mas também por retirar algumas das impurezas provocadas pela rolha ou pela fraca filtração.
No final, os presentes puderam provar alguns dos néctares algarvios presentes nesta tertúlia como o "Foral de Albufeira, "Adega do Cantor", "Fuzeta" e "Terras da Luz", acompanhados de castanhas assadas.