"Nenhuma questão, nem social, nem económica, deve servir de desculpa para não fazermos aquilo que temos de fazer". Sócrates homenageou associações cívicas que lutaram pelo casamento homossexual.O primeiro ministro afirmou hoje que a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo torna a sociedade "melhor", defendendo que "nenhuma questão, nem social, nem económica, deve servir de desculpa" para não avançar "no campo dos direitos humanos".
Falando aos jornalistas antes de um almoço no Palácio de São Bento com várias associações defensoras dos direitos homossexuais e LGBT, José Sócrates sublinhou que "esta não é uma lei que visa distinguir este ou aquele grupo na sociedade, é uma lei que reduz as desigualdades, a discriminação no nosso país. É uma lei humanista", resumiu.
O secretário geral do PS, José Sócrates, prestou assim homenagem aos membros das associações cívicas que ao longo das últimas décadas, em circunstâncias extremamente difíceis, lutaram contra as discriminações sociais e pelos direitos dos cidadãos homossexuais. José Sócrates falava no Museu do Oriente, em Lisboa, durante a sessão de apresentação de uma coletânea de textos sobre as posições do PS em defesa da lei do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, intitulada "Uma lei a favor de todos". Na sessão, que também assinalou a publicação hoje em Diário da República da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, José Sócrates referiu-se a todos os ativistas dos direitos dos cidadãos homossexuais.
José Sócrates começou por sustentar que o casamento gay, durante muito anos, "foi encarado como uma questão menor, até mesmo imprópria para que a política se ocupasse dela". "Mas, durante muitos anos, muitas pessoas lutaram por isto, sem serem compreendidas, sem serem sequer ouvidas. Esses que lutaram por isto merecem neste momento que homenageie a sua tenacidade, porque devem ser recordados como pessoas com coragem", salientou José Sócrates. Segundo o líder dos socialistas, ao longo do processo para a concretização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o PS, "como partido progressista que é, limitou-se a dar voz e expressão política a essas pessoas que, durante décadas, lutaram, mas que não foram consideradas e tantas vezes foram mesmo ostracizadas".
"Ao longo da minha vida, assisti a vários atos de discriminação contra homossexuais, mas esta lei estende a mão a todos e pretende reparar essas injustiças. Esta lei traz um pouco mais de felicidade a muita gente. E, quando algumas pessoas ficam mais felizes em Portugal, todos nós, portugueses, ficamos igualmente felizes", disse, recebendo uma salva de palmas da plateia. Em termos políticos, o secretário geral do PS defendeu que a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo teve um processo legislativo que cumpriu "escrupulosamente" as regras democráticas e "honrou a Constituição da República". Para o efeito, José Sócrates reiterou que a lei do casamento gay foi inscrita primeiro na moção da sua candidatura à liderança do PS (no início de 2009) e depois considerada no programa eleitoral dos socialistas e, finalmente, no programa do Governo. "Não escondemos esta lei do momento eleitoral que enfrentámos. Esta lei entra em vigor cumprindo com escrúpulo todos os procedimentos democráticos", frisou o secretário geral do PS.













