Liberdade e o Direito de Expressão

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Egipto - Do inferno à liberdade!

Internacional

Egipto: Geração Revolução
                                                                                                                                          
Uma nova geração explorou a liberdade que se alastra no ecrã de um computador e resolveu-se a enfrentar os perigos lá fora. Sem motivações políticas ou religiosas, saíram à rua armados com telemóveis e com o ideal mais básico que uma revolução pode ter: a transformação. E perderam o medo pela força de serem tantos iguais.
                                                  
Há gerações que nunca viram uma revolução. Não lhe conhecem o arrepio, os cheiros, o sabor. Há homens e mulheres, letrados, que nunca conheceram outra cara no poder. Há gente sem oportunidades, sem perspectivas de futuro, farta da vida ditada por alguém que manda sem oposição, revoltada com as elites que enriquecem sem explicação. No Egipto, uma nova geração explorou a liberdade que se alastra no ecrã de um computador e resolveu-se a enfrentar os perigos lá fora. Sem motivações políticas ou religiosas, saíram à rua armados com telemóveis e com o ideal mais básico que uma revolução pode ter: a transformação. E perderam o medo pela força de serem tantos iguais.
                                                                            
Mubarak abandonou o poder
                                                                                               
Canta-se "Egipto livre" nas ruas do Cairo, com o Alto Conselho das Forças Armadas assumir o poder. Os manifestantes festejam nas ruas. Contrariando as suas anteriores declarações, a última das quais feita ainda ontem, Hosni Mubarak anunciou hoje que renuncia ao cargo de presidente do Egipto. A declaração foi lida em directo na televisão pelo vice-presidente Omar Suleiman, que anunciou ainda que o presidente tinha entregue as rédeas do poder ao Alto Conselho das Forças Armadas. Não foram dados mais detalhes. "O Presidente Hosni Mubarak decidiu renunciar ao cargo de Presidente da República e encarregou o conselho supremo das forças armadas de administrar os assuntos do país", disse Suleiman.
Mal a notícia foi recebida, as ruas do Cairo explodiram com manifestações de alegria. "O Egipto é livre!" foi um dos gritos de ordem mais ouvidos entre os populares, que há 18 dias se manifestam nas ruas pedindo a queda do regime de Mubarak. A notícia de que o exército tomará agora conta da situação política também parece agradar à população, que estará a cantar ainda: "O povo e o exército são um só".
El Baradei disse viver o melhor dia da sua vida. "Este é melhor dia da minha vida, o país foi libertado", já afirmou o opositor egípcio Mohamed El Baradei após o anúncio da demissão do presidente Hosni Mubarak. El Baradei, que falou à agência noticiosa AP, disse esperar uma "bela transição". O Presidente egipcio, no poder há quase 30 anos, tinha viajado horas antes do Cairo para a estância turística egípcia de Sharm el-Sheikh, onde tem uma residência.
                                                                                
Egipto espera "democracia e justa redistribuição da riqueza"
                                                                                                          
Professor egípcio a viver em Portugal diz que regime de Mubarak foi "ditadura profundamente corrupta". Adel Sidarus, um professor egípcio a viver em Portugal, espera que a democracia e a justa redistribuição da riqueza no Egipto sejam as grandes conquistas da demissão de Hosni Mubarak. “Além de uma ditadura, tínhamos uma ditadura profundamente corrupta, onde o presidente e sua família tinham amealhado 70 mil milhões de dólares”, afirma o professor, em declarações feitas aos órgãos de Comunicação Social. Além da família Mubarak, sublinha Adel Sidarus, “toda a gente à volta do regime estaria um bocadinho vergonhosamente enriquecida”. “Espero que, a seguir à democracia, haja uma justa distribuição da riqueza para o desenvolvimento do país”, diz este professor egípcio a viver em Portugal. "É tempo de reconciliação", disse.
O destino de Hosni Mubarak é ainda incerto, mas Ângelo Correia, da Câmara de Comércio Luso-Árabe, gostaria que o novo Egipto não entrasse num processo de vingança, mas sim de reconciliação. “Eu gostaria que o Presidente Hosni Mubarak ficasse no Egipto, morresse no Egipto como ele diz. Mubarak foi um grande presidente do Egipto. Fez erros, mas foi um grande presidente também”, sublinha Ângelo Correia, em declarações à imprensa.
                                                                                                
“Mubarak escutou a voz do povo”
                                                                                                     
Comunidade internacional saúda a decisão de Hosni Mubarak deixar o poder após 30 anos como presidente do Egipto. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, saudou a demissão de Hosni Mubarak, afirmando que o Presidente egípcio “escutou a voz do povo”. A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa e Segurança afirmou ainda, em comunicado, que a renúncia de Mubarak abre caminho a “reformas mais rápidas e mais profundas”. “É importante que o diálogo possa ser acelerado, conduzindo a um Governo amplamente representativo que respeite as aspirações do povo” egípcio, acrescentou Ashton. “O respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais é essencial. Todos os abusos devem ser investigados”, referiu a chefe da diplomacia europeia.
Também o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, saudou a notícia da resignação do presidente egípcio Hosni Mubarak, afirmando-se convicto de que se trata de “um dia histórico de mudança democrática pacífica e duradoura”. Apontando que apoia plenamente “as aspirações do povo egípcio”, Jerzy Buzek ressalvou que “este é apenas o início de um longo caminho para uma mudança dourada” e disse ser, por isso, “da maior importância estimar e proteger as flores da liberdade obtida”. O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, também saúda a “revolução branca”. Enquanto egípcio, Moussa não adianta se vai ou não candidatar-se à presidência do país.
                                                                                                   
Obama rendido à revolução popular
                                                                                                                        
“Os egípcios inspiram-nos”, disse. “Os egípcios mudaram o seu país e, ao fazê-lo, também mudaram o mundo”, afirmou o presidente dos Estados Unidos. Obama citou ainda o activista dos direitos civis Martin Luther King para resumir as mudanças no Egipto: “Há alguma coisa na alma que grita por liberdade”. A queda do regime no Egipto é um momento histórico e o movimento popular que esteve na origem desta revolução é uma inspiração para o mundo, referiu hoje o presidente norte-americano. “Os egípcios inspiram-nos”, declarou Barack Obama, numa primeira reacção à renúncia do presidente Hosni Mubarak, depois de 30 anos no poder. O líder norte-americano garante que os Estados Unidos vão continuar a ser “parceiros” do Egipto nesta nova fase da vida do país e que os militares devem assegurar uma “transição credível” para a democracia. Proteger os direitos da população, levantar o recolher obrigatório e promover eleições livres são os próximos passos a dar, referiu.
Barack Obama elogiou os jovens do Egipto que saíram para as ruas e ajudaram a derrubar, de forma pacífica, um regime com três décadas. “Vimos uma nova geração a emergir”, destacou. “Os egípcios mudaram o seu país e, ao fazê-lo, também mudaram o mundo”, afirmou o presidente dos Estados Unidos. A revolução no Egipto foi uma vitória da “não violência e da força moral” e não do terrorismo, salientou Obama, que recordou outros momentos da história como a queda do Muro de Berlim ou as acções de Gandhi que resultaram na independência da Índia. No discurso de hoje, Obama citou o activista dos direitos civis Martin Luther King para resumir as mudanças no Egipto: “Há alguma coisa na alma que grita por liberdade”.
                                                                                                    
Novo poder egípcio vai demitir Governo e suspender Parlamento
                                                                                                             
Hosni Mubarak demitiu-se e transferiu o poder para as Forças Armadas. O Alto Conselho das Forças Armadas vai demitir o Governo e suspender ambas as câmaras do Parlamento no Egipto. A informação está a ser avançada pela televisão Al Arabiya, mas não há, para já, mais informações. É esperado, ainda para esta sexta-feira, uma declaração deste Conselho, a quem o presidente Hosni Mubarak passou o poder no Egipto. Mubarak demitiu-se hoje depois de 18 dias de protestos nas ruas do Cairo e após 30 anos no poder. Foi Omar Suleiman, vice-presidente do Egipto, que leu a declaração que confirmou a queda do regime
                                                                                   
“Parabéns ao Egipto. O criminoso saiu do palácio”
                                                                                                            
Um dos rostos da revolução que fez cair Mubarak saudou, através do Twitter, a mudança de regime no país. O informático egípcio Wael Ghonim, executivo do Google que se tornou num dos rostos do levantamento contra o regime do presidente Hosni Mubarak, saudou efusivamente, na rede social twitter, a renúncia do chefe de Estado egípcio. “Parabéns ao Egipto, o criminoso saiu do palácio”, escreveu o jovem informático na sua conta pessoal do Twitter. O vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, anunciou que Hosni Mubarak abandona o cargo de chefe de Estado, posição que ocupou durante quase 30 anos, e transfere o poder para as Forças Armadas. Ghonim, de 30 anos, esteve detido durante 12 dias pelos serviços de segurança do Estado egípcio, após ter participado nas manifestação anti-governamentais. Quando foi libertado, revelou que era o administrador, até então anónimo, da conta no Facebook “Somos todos Khaled Said”, um jovem que terá sido assassinado pela polícia egípcia em Junho passado em Alexandria, página que congregou milhares de opositores ao regime de Mubarak.
                                                                                                           
Embaixador diz que os egípcios estão a "respirar fundo"
                                                                                                                         
Aristides Vieira Gonçalves diz que estão de novo reunidas as condições para que os portugueses que trabalham no Egipto possam regressar. É num ambiente pacífico e sem qualquer tipo de incidentes que os egípcios continuam a comemorar a demissão de Hosni Mubarak, nas ruas do Cairo. O embaixador português no Egipto, Aristides Vieira Gonçalves, esteve esta noite na principal praça do País, na Praça Tahrir, onde encontrou um ambiente muito calmo. “Não há quaisquer incidentes, as pessoas são extremamente pacíficas, o ambiente é extremamente calmo. Eu estive no meio de milhares de pessoas, não senti o mínimo de perigo, nem nenhuma ameaça. As pessoas estão como se estivessem a respirar fundo, estão descontraídas e calmas”, relata o diplomata português. Nesta declarações à imprensa, Aristides Vieira Gonçalves diz que estão de novo reunidas as condições para que os portugueses que trabalham no Egipto possam regressar. “Que venham porque o país agora tem que trabalhar, o país está estável, há tranquilidade, os portugueses são aqui muito queridos e poderão também ajudar a recomeçar esta nova fase”, sublinha.
                                                                                                            
Egípcios em Portugal celebram "o fim da tirania"
                                                                                                        
Poucos minutos depois da notícia da demissão de Hosni Mubarak, a Renascença falou com Mohammad Abdellatif, estudante egípcio a viver em Portugal e com o qual já tinha conversado antes do derrube do regime, na reportagem "Geração Revolução". Do lado de lá do telefone, é a comoção que atende a chamada. "Este é um dia muito feliz para o Egipto. Já falei com o meu irmão e a minha irmã e estão muito felizes, claro. Toda a gente está muito feliz. Se virem as imagens, as pessoas estão a dançar e a celebrar nas ruas, em todo o lado." Mohammad Abdellatif é um estudante egípcio que vive em Portugal. Sente à distância o pulsar das danças no Cairo, mas vai simulá-las a partir do Porto, onde vive. "Temos a esperança de que este seja o início de uma nova era. O dia de hoje simboliza o fim da tirania que, esperamos, não voltará mais a acontecer."
Para lá do fervor da vitória e da emoção de ver os seus a celebrar, Mohammad Abdellatif já faz contas ao país: espera que, em dois meses, o Egipto seja capaz de mudar a Constituição e de fazer pacificamente a transição do poder. Quanto à possibilidade de o exército assumir transitoriamente o comando do país, não coloca entraves. "Muitas pessoas dentro do exército estavam a apoiar o povo e nunca o atacaram. Se os militares pró-Mubarak tivessem tido mais força, então teriam mobilizado o exército contra o povo, o que nunca aconteceu." Para Mohammad, o "dia D" da revolução egípcia continua a ser 25 de Janeiro, o momento em que os jovens perderam o medo e saíram à rua. Foi o "Dia da Ira", uma manifestação convocada na página do Facebook "We are all Khahled Said" - que já tem quase 70 mil "amigos" - , criada em honra do "blogger" que terá sido assassinado pela polícia em Alexandria.