A campanha terminou, as eleições ditaram o vencedor e agora é tempo de se cumprir o memorando assinado por Portugal com o FMI, a União Europeia e o Banco Central Europeu. O calendário é apertado e exige sacrifícios. Quais as medidas mais urgentes? O que se exige à classe política e o que se exige a cada um de nós? Perguntas que têem fr ter respostas a muito curto prazo.
Executivo reúne-se em Conselho de Ministros extraordinário. Desde a tomada de posse do XIX Governo Constitucional, liderado por Pedro Passos Coelho, esta será a terceira reunião. Está marcada, para esta manhã, a reunião de Conselho de Ministros extraordinária. É a terceira reunião do Governo PSD/CDS, desde a tomada de posse e a primeira após a discussão do programa de Governo no Parlamento. Em cima da mesa vai estar a discussão da lei orgânica. O jornal “i” acrescenta que o Executivo vai avançar a extinção e fusão de direcções-gerais da administração pública e dos respectivos cargos dirigentes.
Cavaco diz que situação social não deverá melhorar "nos próximos tempos"
O Presidente da República alerta para o facto de alguns portugueses estarem a passar fome, pessoas que, até há pouco tempo, não previam passar por esta situação dramática. O Presidente da República, Cavaco Silva, avisa que a crise veio para ficar e que a situação social não deverá melhorar nos próximos tempos. “Não podemos esperar que, nos tempos mais próximos, ocorra uma melhoria significativa da situação social da nossa população”, declarou Cavaco Silva. O Presidente da República alerta para o facto de alguns portugueses estarem a passar fome, pessoas que, até há pouco tempo, não previam passar por esta situação dramática. “São cada vez em maior número aqueles portugueses que atravessam momentos particularmente graves em resultado do desemprego, da quebra dos laços familiares, do endividamento excessivo. Alguns desses portugueses atravessam mesmo situações de carência alimentar, situações que há uns anos, não muitos, nunca imaginaram um dia vir a encontrar-se”, sublinhou. Cavaco Silva falava hoje na entrega dos prémios a 27 instituições de solidariedade social, por parte da fundação EDP.
Nobre: O médico que só queria ser presidente
Sem uma carta dirigida à bancada parlamentar, Fernando Nobre deixa o Parlamento. O Deputado indepentente não conseguiu ser eleito para presidente da Assembleia da República e apresentou a demissão na sexta-feira. O deputado Fernando Nobre, cabeça de lista do PSD por Lisboa, deixou a Assembleia da República. A informação foi confirmada por fonte parlamentar. Fernando Nobre foi o primeiro candidato dos sociais-democratas ao lugar de presidente da Assembleia da República, mas o seu nome não foi aprovado (por duas vezes) pela maioria dos deputados, que acabaram por preferir uma jovem "quase" desconhecida do grande público, mas com "provas" dadas: Assunção Esteves. Depois desse episódio, o presidente da AMI disse que permaneceria no Parlamento enquanto fosse “do interesse do país”, mas acabou por faltar à discussão do programa do Governo, alegando doença. O pedido de renúncia ao mandato foi entregue na passada sexta-feira na sede pardidária, cobrindo-se de rídículo o ambicioso médico da AMI.
Mário Soares avisa que medidas adicionais podem não chegar
Antigo Presidente da República ficou surpreendido com renúncia de Fernando Nobre ao cargo de deputado. Mário Soares tem dúvidas de que as medidas de austeridade adicionais apresentadas pelo Governo sejam suficientes para resolver a crise da dívida. “As medidas são feitas para podermos ter um pouco mais de folga, mas eu não sei se isso vai ser suficiente e se isso vai poder resolver o problema. É uma dúvida metódica”, afirma o antigo Presidente da República. Mário Soares lembra que quando foi primeiro-ministro e recebeu o FMI pela primeira vez em Portugal e considera que a decisão de suprimir o 13º mês foi a mais acertada. Já quanto à possível contestação social que as medidas de austeridade possam provocar, o antigo chefe de Estado não exclui a hipótese de Portugal vir a enfrentar uma situação social como a que se vive na Grécia. “Não é impensável. Eu espero que não aconteça e bater-me-ei para que tudo se faça para que não aconteça, mas é uma hipótese que está expressa no livro que eu agora apresento”, sublinha. Mário Soares falava à margem do lançamento do seu novo livro "Portugal tem Saída", escrito em co-autoria com a jornalista Teresa de Sousa, onde alertou para a possibilidade de desagregação europeia, se as agências de rating e os mercados não forem postos na ordem. O antigo Presidente da República reagiu com “surpresa” à anunciada renúncia de Fernando Nobre ao lugar de deputado na Assembleia da República.
Governo está a estudar revisão da Segurança Social
O ministro da Segurança Social quer ainda implementar o programa de emergência social até ao final do ano. O ministro da Segurança Social Pedro Mota Soares diz que está a ser alvo de estudo a possibilidade de vir a ser criado um tecto máximo de 2,5 mil euros para as pensões. “O Governo está a estudar e a avaliar uma revisão da Segurança Social. Nesse sentido iríamos avançar para um sistema que já está previsto na actual lei de bases, que é a introdução de limites contributivos”, disse. O ministro da Segurança Social quer ainda implementar o programa de emergência social até ao final do ano. Por exemplo, alguns equipamentos sociais do Estado podem ser entregues para serem geridos pelas Misericórdias. Pedro Mota Soares, ministro da Segurança Social, que fez as contas diz que a não nomeação de directores-gerais-adjuntos da Segurança Social vai permitir poupar um milhão e 100 mil euros. O ministro fez estas declarações à margem da sessão de aniversário da Casa Pia de Lisboa.
Juízes juntam-se a advogados na crítica à venda de património
“Foi uma barbaridade o que se fez nos últimos seis anos nesta matéria”, defende o presidente da Associação Sindical de Juízes. Juízes e advogados criticam a venda de património da Justiça e o consequente funcionamento de tribunais em edifícios privados, o que implica o pagamento de rendas elevadas. António Martins fala em "negócios ruinosos para o Estado", e diz que “Foi uma barbaridade o que se fez nos últimos seis anos nesta matéria. A teoria das parcerias público-privadas, o recorrer a arrendamentos por preços exorbitantes e em negócios ruinosos para o Estado levou a que as finanças do Ministério das Justiça tivessem ficado completamente depauperadas”, critica o presidente da Associação Sindical de Juízes, António Martins. “Aquilo que consideramos é que é necessário instalar os tribunais em edifícios públicos e não continuar nesse sistema de arrendamentos privados com preços loucos”, acrescenta, em declarações à Renascença.
Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, partilha a opinião de António Martins e questiona os negócios à volta da venda de património na justiça. “O Ministério da Justiça está atolado em dívidas, pagam dezenas de milhões de euros por ano em arrendamentos e temos instalações de tribunais subaproveitadas”, afirmou ontem, no final de uma reunião com Paula Teixeira da Cruz. É uma reacção que surge depois da decisão da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, de rever o processo relativo ao contrato de arrendamento para a instalação do Tribunal da Maia numa zona industrial.
Governo anterior agiu "à revelia de todos", diz autarca da Maia. Entretanto, o presidente da Câmara da Maia vai apresentar uma queixa pelo facto de o Governo de José Sócrates ter assinado, no último dia, um contrato que muda o tribunal, actualmente instalado no centro da cidade, para a periferia. Na opinião de Bragança Fernandes, foi um acto de má fé. O autarca acredita agora no bom senso da nova ministra e quer apurar responsabilidades e saber porque foi assinado o contrato, que até prejudica o Estado. Santa Maria da Feira: Tribunal velho, tribunal novo. Reportagem de André Rodrigues. O tribunal de Santa Maria da Feira está instalado num edifício novo ao lado das velhas instalações. As condições do antigo tribunal punham em causa a segurança de funcionários e utentes. Agora, no novo Campus de Justiça, construído de raiz, o Estado paga 52 mil euros de renda mensal, num contrato válido por dez anos. O antigo continua de pé, mas não existe, para já, qualquer plano de recuperação previsto.
Juízes apresentam propostas ao novo Governo
Os juízes pretendem ver o Presidente da República a acompanhar com maior proximidade a justiça portuguesa. Nesse sentido defendem a presença de Cavaco Silva no novo Conselho Superior Judicial, que é sugerido numa eventual fusão do conselho superior da magistratura e do conselho superior dos tribunais administrativos e fiscais, num único órgão. Neste quadro, a Associação de Juízes defende que a nova estrutura não pode continuar a ser presidida pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça sugerindo que possa ser o Presidente da República a presidir ao organismo, ou que nomeie um juiz conselheiro para o cargo. Esta é uma das muitas sugestões já entregues à nova ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, num documento de 40 páginas onde se apela à responsabilidade, credibilidade e celeridade da justiça. As sugestões passam também pela aplicação de auditorias, regras para dar mais andamento aos processos e poucas mexidas na legislação. O documento sublinha também ser preciso acabar com as nomeações de juízes para comissões de serviço em cargos políticos. A falta de juízes, diz a associação, deve ser resolvida com a contratação de juízes na reforma, jubilados. Este documento é tema para ampliar nesta “Edição da Noite”, onde olhamos ainda para o encontro mundial de “Urban Sketchers”, daqui a três semanas em Lisboa. No habitual debate das segundas-feiras, “Falar Claro”, José Vera Jardim e Nuno Morais Sarmento analisam os temas da actualidade política.
Juízes querem Cavaco nas reuniões do Conselho Superior Judicial
Documento entregue a Paula Teixeira da Cruz tem várias propostas que visam "melhorar a justiça" em Portugal. Os juízes portugueses querem que o Presidente da República acompanhe mais de perto a justiça portuguesa. Para isso defende a sua integração no Conselho Superior Judicial (CSJ). A associação sugere a fusão do conselho superior da magistratura e do conselho superior dos tribunais administrativos e fiscais, num único órgão, denominado Conselho Superior Judicial. E, neste cenário, a associação de juízes diz que a nova estrutura não pode continuar a ser presidida pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Como solução, a associação sindical sugere que possa ser o Presidente da República a presidir ao organismo, ou que nomeie um juiz conselheiro para o cargo. Esta é uma das muitas sugestões já entregues à nova ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, num documento de 40 páginas onde se apela à responsabilidade, credibilidade e celeridade da justiça.
As sugestões passam também pela implementação de auditorias, regras para dar mais andamento aos processos e poucas mexidas na legislação. Defende-se a diminuição da produção legislativa, o silêncio de todos os profissionais da justiça que não devem falar com a comunicação social, salvo autorização prévia do órgão de gestão e disciplina. O documento sublinha também ser preciso acabar com as nomeações de juízes para comissões de serviço em cargos políticos. Pede-se a criação de um manual de boas práticas processuais, a revisão das ferramentas informáticas que tramitam os processos e a instituição de valores indicativos de carga processual por juiz. A falta de juízes, diz a associação, deve ser resolvida com a contratação de juízes na reforma, jubilados. Por fim, o último capítulo - “mais racionalidade financeira” - fala na proibição da instalação de tribunais em edifícios privados e de criar uma lei de programação para a justiça que calendarize compromisso e verbas a curto e longo prazo.
GNR's a limpar quartéis? "Uma afronta à dignidade"...
Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda critica o anterior Governo e considera que a dignidade dos militares está em causa. A Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda (ASFIG) considera "indigno" o facto de os militares da GNR estarem a ser obrigados a limpar os quartéis por não terem sido renovados os contratos com empresas de limpeza. A notícia foi avançada ontem pela Renascença. O presidente da ASFIG responsabiliza o anterior Governo por esta situação. Para José Alho, é um duro golpe na dignidade dos militares, coitados. “Consideramos que é indigno, não pela profissão de limpeza, mas sim pelo facto de um agente de autoridade ter de se dedicar a fazer estas actividades por culpa do Ministério da Administração Interna, do anterior Governo, que não fez os contratos a tempo”. Por seu lado, o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda, José Manageiro, alerta para o risco da operacionalidade das patrulhas ser posta em causa pelo facto dos militares - que têm de estar na rua - estarem no interior da instalações a fazer limpeza. “[Isto é] algo que não se enquadra no que são as funções definidas no estatuto profissional.” Em causa está o fim dos contratos com oito empresas, num total nacional de 741 horários, que já não existem desde a passada sexta-feira, dia 1 de Julho. As consequências sentem-se sobretudo nos centros de formação da Figueira da Foz e de Portalegre, no centro clínico em Lisboa, no próprio comando-geral, no Quartel do Carmo, bem como em todos os comandos territoriais dos 18 distritos. Tentou-se obter actual esclarecimentos junto do comando-geral da GNR e do Ministro da Administração, Miguel Macedo, mas sem sucesso.
GNR deixa expirar contratos de limpeza e militares deitam mãos à obra
Situação só será regularizada, na melhor das hipóteses, em Agosto. As principais instalações da Guarda Nacional Republicana estão sem serviços de limpeza. Os contratos com as oito empresas que trabalham para a GNR expiraram na passada sexta-feira e, até que haja novos contratos, terão que ser os militares a tratar das limpezas. O problema até nem é a falta de dinheiro, porque a limpeza das instalações estava orçamentada para todo o ano, mas sim o facto de o Ministério da Administração Interna ter dado duas ordens diferentes, apurou a Renascença. Primeiro avisou a GNR que no segundo semestre de 2011 os contratos passariam a ser feitos pela unidade de compras do próprio Ministério mas, depois, mudou de ideias e deu ordem para que tudo continue na mesma, ou seja, que os contratos sejam celebrados pela GNR. Pelo meio, o prazo dos contratos do primeiro semestre expirou, sem que tivesse sido possível lançar novos concursos públicos. Agora, por mais rápido que o processo seja conduzido, só talvez em Agosto – na melhor da hipóteses – é que haverá novos contratos - e com eles limpeza assegurada. Até lá terá que ser o comandante de cada uma das unidades afectadas a decidir quem irá fazer as limpezas, a começar pelos militares ali colocados. Em causa está o fim dos contratos com oito empresas, num total nacional de 741 horários, que já não existem desde a passada sexta-feira, dia 1 de Julho. Os efeitos fazem sentir-se sobretudo nos centros de Formação da Figueira da Foz e de Portalegre, no Centro Clínico em Lisboa, no próprio Comando Geral no Quartel do Carmo, bem como em todos os comandos territoriais dos 18 distritos. Esta situação originou hoje – primeiro dia útil sem as habituais limpezas – alguns protestos à porta de algumas destas instalações da GNR. Algumas dezenas de trabalhadores dessas empresas manifestaram o seu desagrado, por exemplo, à porta do Comando Geral, no Largo do Carmo, em Lisboa.
Obras Públicas só se ajudarem a baixar custo das exportações
A garantia é de Álvaro Santos Pereira que não quer que a factura das obras passe para a próxima geração. O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, confirma que as obras públicas que eventualmente venham a ser feitas nesta legislatura só avançarão se ajudarem a baixar o custo das exportações. "Garanto-vos que as obras públicas daqui em diante só serão feitas baseadas em critérios de competitividade. Ou seja, se as houver serão feitas com realismo e com equidade para com os nossos filhos", disse Álvaro Santos Pereira no decorrer da sessão de apresentação pública do colectivo empresarial LIDE Portugal. "Não vamos inaugurar obras chutando o preço para os nossos filhos. Recusamos isso. As obras públicas que eventualmente serão feitas serão feitas seguindo um princípio: só poderemos fazer obras públicas que nos ajudarem a baixar o custo das exportações", disse o ministro. Também neste espaço, Álvaro Santos Pereira considerou que a actual taxa de desemprego é “inaceitável e insustentável” e defendeu que todos têm que trabalhar em conjunto para ajudar a “transformar Portugal”. Já na passada sexta-feira o Presidente da República defendeu que a nova geração não deve pagar as dívidas da geração anterior. Álvaro Santos Pereira diz que todos têm que trabalhar em conjunto para ajudar a “transformar Portugal” e não quer um “frangueiro” na “baliza”.
O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, considera inaceitável o actual nível de desemprego em Portugal. “Nós temos a pior taxa de desemprego dos últimos 100 anos. É preciso dar a volta a isto. É inaceitável e insustentável que continuemos com esta taxa de desemprego”, disse. Álvaro Santos Pereira deixou a sua indignação à margem do lançamento da associação Lide-Portugal onde se juntam empresários brasileiros que procuram investimentos em Portugal. O ministro reafirmou as suas prioridades do seu Ministério: “a concertação social”. “Nós queremos a paz social, queremos que as empresas e os trabalhadores trabalhem como uma equipa: não interessa termos um grande treinador se tivermos um guarda-redes que deixa entrar frangos – e eu não sou benfiquista -, não interessa termos um grande defesa se não temos atacantes. Temos que trabalhar todos em equipa, é preciso deixarmo-nos de bairrismos, de favoritismos e de lutas antigas para todos nos juntarmos e trabalharmos em conjunto para transformarmos Portugal. Este Governo está aqui para fazer isso”, referiu Santos Pereira.
“Há mais política” para além da “troika”, diz Seguro
O candidato socialista esteve na Invicta a falar com militantes. António José Seguro declarou-se disponível, caso seja eleito líder socialista, para ajudar o Governo a travar o desemprego jovem mas avisou que “há mais política” para além do memorando da troika. “Quero dizer ao primeiro-ministro que o PS está disponível, com propostas concretas, com ideias e com estratégias, para ajudar a minorar o problema dos jovens em Portugal”, disse Seguro, que falava perante 250 militantes socialistas num hotel do Porto. Considerando que “há muita gente que confunde as coisas e pensa que neste momento a única coisa que compete é cumprir o memorando”, Seguro declarou-se indisponível “para suspender a política”. O acordo celebrado para assistência financeira internacional “é importante, mas há mais política para além do memorando da ‘troika’”, afirmou o candidato a secretário-geral do PS, dando uma nova roupagem a uma frase que celebrizou antigo Presidente da República Jorge Sampaio. Num discurso de cerca de meia hora, António José Seguro sublinhou que “há milhares e milhares de portugueses que não acreditam nas palavras da [classe] política”. Considerou, por isso, que a tarefa do PS “é também a de, através da atitude, do comportamento e do exemplo voltar a reconciliar os cidadãos com a política”. António José Seguro concorre com Francisco Assis na corrida à liderança do PS, estando as eleições agendadas para 22 e 23 de Julho
"Elefantes Brancos": Leiria e Aveiro querem livrar-se dos estádios do Euro 2004
Câmaras municipais pretendem libertar-se dos custos. Em Leiria, a autarquia quer levar o estádio a hasta pública. Em Aveiro, os planos passam por entregar o estádio ao Beira-Mar. Sete anos depois, pelo menos duas autarquias fazem contas às despesas com os estádios construídos para o Euro 2004. Leiria e Aveiro não comportam os custos das infra-estruturas. Por isso, estão a tentar encontrar quem fique com eles. Em Leiria, a Assembleia Municipal vota hoje a proposta para levar a hasta pública, pelo valor de 63 milhões de euros, o estádio Magalhães Pessoa. A deliberação esteve agendada para quinta-feira da semana passada, mas não se realizou devido ao adiantado da hora – a sessão foi interrompida já passava da uma da manhã. A discussão é retomada esta noite. A Câmara de Leiria pretende alienar três de quatro fracções do estádio, reservando para a autarquia um espaço de cerca de 2.000 metros quadrados no topo norte (área inacabada do estádio), para reinstalar o centro associativo. As outras fracções são o remanescente do topo norte, o estacionamento, de 450 lugares (estes dois espaços avaliados em 24 milhões de euros), e o campo de futebol e respectivas bancadas. O presidente da autarquia, Raul Castro, justificou a realização da hasta pública com a situação financeira da Câmara e com os custos que o estádio comporta, exemplificando com o pagamento, em 2010, de 5.015 euros por dia em juros e a existência de um serviço da dívida de 5,4 milhões de euros. Na primeira parte da Assembleia Municipal, Raul Castro, independente eleito pelo PS, apontou outro factor que pesa na intenção da Câmara: as despesas de conservação da infra-estrutura, que, “de um momento para o outro, vão ser acentuadas e podem agravar esta situação”.
Negócio polémico também, para entregar estádio ao Beira-Mar. Em Aveiro, a autarquia já extinguiu a empresa municipal Estádio Municipal de Aveiro, que acumulava prejuízos anuais na ordem do milhão e meio de euros. Agora, o passo seguinte é entregar o recinto ao clube residente, o Beira-Mar. Câmara de Aveiro quer entregar estádio, mas o negócio não reúne consenso entre a maioria PSD/CDS e a oposição PS, porque há contas antigas por acertar entre a autarquia e o clube. O Beira-Mar está a dever à Câmara de Aveiro 1,2 milhões de euros pela compra do complexo das piscinas (que entretanto já foi revendido a uma imobiliária pelo dobro). Quanto à autarquia, deve ao Beira-Mar 1,5 milhões de euros por contrapartidas do estádio.
Ponte 25 Abril sem a habitual borla de Agosto
A medida, pensada pelo Governo de José Sócrates, deve resultar numa poupança para o Estado na ordem dos três milhões de euros. Não vai haver isenção de portagens na Ponte 25 de Abril em Agosto. A medida foi pensada pelo anterior Governo e vai ser mantida pelo actual. A estimativa aponta para uma poupança de três milhões de euros. A medida consta do Orçamento de Estado para 2011, apresentado pelo então ministro das Finanças, Teixeira das Santos, e faz parte de um pacote mais vasto de redução de despesas, escreve o “Correio da Manhã”. A isenção de portagens em Agosto resultou de um acordo em 1996 e foi a consequência da renegociação do contrato de concessão entre o Estado e a Lusoponte, que se seguiu ao bloqueio na ponte, após o chamado "buzinão de 1995", quando Cavaco Silva era primeiro-ministro. O jornal refere que as borlas de Agosto resultam em prejuízos anuais nas contas públicas na ordem dos 3,4 milhões de euros.
Fim de uma “situação perversa”: Em reacção, a Comissão de Utentes da Ponte 25 de Abril refere que a medida põe fim a uma discriminação em relação a quem vivia na margem Sul do Tejo. Para Aristides Teixeira, o sinal até é positivo, mas lembra que a luta do grupo é acabar de vez com as portagens, durante todos os meses do ano. “Sempre entendemos que era uma situação perversa. Ou seja, havia uma discriminação, porque quem atravessa a lazer não pagava, mas quem ia para trabalhar, estudar ou ao médico pagava”, diz Aristides Teixeira. Por outro lado, o mesmo responsável refere que esta decisão do Governo vai beneficiar as praias da linha do Estoril, pois a medida vai afastar turistas da Costa de Caparica. Já o presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica considera ser mais uma “machadada” no desenvolvimento da zona. Pois dos cerca de oito milhões de turistas que visitam a região, durante a época balnear, muitos deles devem agora passara a ir para a Linha do Estoril.
Crianças portuguesas tem peso a mais
OMS considera que obesidade está a atingir níveis epidémicos: em todo o mundo, 45 milhões são afectadas por esta doença. Portugal apresenta dos piores indicadores na Europa. Um terço das crianças portuguesas tem excesso de peso e Portugal é um dos países da Europa com piores indicadores na obesidade infantil. Os dados fazem parte de um estudo que vai ser apresentado esta semana numa conferência internacional, que vai decorrer em Oeiras. A análise foi feita em 13 países europeus e Portugal é dos que tem maior prevalência de peso a mais em crianças, com a Itália a surgir em primeiro lugar. "Temos 14% de crianças com obesidade e 32% com excesso de peso", afirma a nutricionista Ana Rito, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, à agência Lusa. Bulgária, Irlanda, Lituânia, Noruega, Portugal, Suécia, Bélgica, Chipre, República Checa, Itália, Malta, Eslovénia e Letónia foram os países considerados. Dentro de dois anos, o sistema de vigilância nutricional infantil da Europa, conduzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conta ter novos dados, já com países como Espanha e Grécia. Apesar do leque de países estudados não ser ainda tão extenso como o desejável, Ana Rito considera "muito preocupantes" os dados relativos a Portugal. Em Portugal, o estudo envolveu as cinco Administrações Regionais de Saúde e as regiões autónomas da Madeira e Açores – neste arquipélago, verificou-se maior prevalência de excesso de peso e obesidade. O Algarve foi a região que obteve melhores resultados. Entre quarta e sábado, peritos nacionais e internacionais vão debater, em Oeiras, a problemática da obesidade infantil. Em todo o mundo, 45 milhões de crianças são afectadas por esta doença, que a OMS já considerou estar a atingir níveis epidémicos.









