Galp e Portugal Telecom deverão ser dois dos vários temas de cariz económico a serem debatidos pelos dois governantes. A privatização da TAP também está no horizonte...Portugal na mira de grandes empresas brasileiras
Camargo Correa, Petrobras e TAM são algumas das empresas que estão atentas às oportunidades de negócios em Portugal. Durante muitos anos foram as empresas portuguesas que foram às compras ao Brasil. Agora a tendência mudou e as grandes empresas brasileiras estão a olhar para Portugal como a maneira mais fácil de entrarem na Europa mas também em África. Na verdade as oportunidades são muitas. O Governo português já anunciou a sua intenção em privatizar, por exemplo, a TAP. Por essa razão a TAM – que é uma grande companhia aérea brasileira que se associou à Lan Chile, transformando essa aliança na maior companhia aérea da América do Sul – está atenta à privatização da TAP. Seria a forma mais rápida de entrar na Europa e em África fazendo um “megahub”, uma base de operações, em Lisboa. Outras empresas estão atentas às oportunidades de negócios em Portugal. É o caso da Camargo Correa, que já é o maior accionista da CIMPOR; a Eike Batista, que quer investir na área da mineração e é propriedade do brasileiro que é o oitavo mais rico do mundo; a Petrobras, na área da energia, e a Andrade Gutierrez na área da construção e energia. Segundo fonte da Renascença, estas grande empresas brasileiras querem crescer não só no Brasil, mas também na Europa e em especial em África. O triângulo seria fechado passando por Portugal.
Sócrates vê com bons olhos participação da Petrobras na GALP
Primeiro-ministro português está no Brasil onde assistiu à tomada de posse de Dilma Rousseff como a primeira mulher Presidente do país. O Governo português vai fazer com que o poder que o Estado tem na Galp se mantenha, após o fim da cláusula do acordo parassocial, garantiu hoje o primeiro-ministro José Sócrates. "É assim que orientaremos a nossa acção", acrescentou Sócrates, pouco antes da cerimónia de posse da nova Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, em Brasília. O primeiro-ministro admitiu, entretanto, que vê "com bons olhos e com muito interesse" a parceria entre a Galp e a Petrobras que está em desenvolvimento. "É uma grande oportunidade para a Galp, é uma grande oportunidade para a Petrobras e é assim que se constrói um futuro comum", completou em declarações à Lusa. José Sócrates nomeou como prioridades estreitar as relações políticas e económicas entre os dois países e afirmar o português no mundo.
Sócrates lembrou que a economia do Brasil está num processo de internacionalização e espera que as empresas brasileiras, a exemplo da Embraer, Votorantim e Camargo Correa, vejam Portugal como uma oportunidade para este fenómeno. "As principais empresas brasileiras estão a querer afirmar-se na economia global e nós gostaríamos que elas aproveitassem o facto de Portugal ser um país moderno e europeu para fazerem dali a sua base para a expansão global", afirmou o primeiro-ministro à agência Lusa pouco antes da cerimónia da posse presidencial. O primeiro-ministro tem amanhã uma reunião com Dilma Russef, mas a possibilidade de o Brasil vir a comprar títulos da dívida pública portuguesa não está na agenda do encontro. "Não vou falar com Dilma Rousseff a propósito disso. O Brasil sabe muito bem o que fazer e não precisa de conselhos sobre como investir as suas reservas. Mas é verdade que o Banco do Brasil, no quadro das suas actividades, compra dívidas de Estados soberanos, e a prioridade que atribuirá à divida euro é matéria do Brasil", afirmou Sócrates.