Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Comemoração

A República que temos
                                                      
Para onde vai o nosso dinheiro? Festas, Festas e mais Festas! A última foi o «Centenário da República».
                                                         
Sabemos mais hoje sobre a Primeira República? Não, dizem 73 por cento dos leitores que responderam a um inquérito online do Público. Celebrações originam comparação com a actualidade e a crise ensombra discurso de Cavaco.
                                                                  
Impostos: «Dizer que é o último sacrifício é mentira»
Catroga diz ao JN que «Governo se deixou encurralar, tomando medidas cegas, de má qualidade». Antigo ministro das Finanças acusa Executivo de não ter «falado a verdade».
                                                               
É preciso "mudar de vida" - Artur Santos Silva (PS)
O presidente da comissão para as comemorações do Centenário da República, Artur Santos Silva, defendeu hoje que é preciso "mudar de vida" e "promover as reformas indispensáveis" para o "equilíbrio económico e financeiro".
                                                          
Polícia municipal afasta manifestantes que gritam "viva a República das bananas"
                                                                     
A polícia municipal de Lisboa foi hoje obrigada a afastar meia dúzia de elementos, interromperam o discurso do presidente da Câmara de Lisboa com estridentes "Viva a República das bananas". Munidos de seis bandeiras de Portugal e várias bananas, os elementos vestidos com adereços alusivos a várias profissões, irromperam pela Praça dos Município quando António Costa proferia o seu discurso oficial na varanda do edifício. Dado o barulho que faziam com tambores e violas, os elementos dos Homens da Luta, que fazem um programa de televisão, foram prontamente afastados pela polícia municipal que os impediram de passar para a Praça.
                                                                           
Cavaco Silva apela à “cultura da responsabilidade” e “coesão nacional”.
                                                                                          
O Presidente da República, Cavaco Silva, apelou hoje a uma “cultura da responsabilidade” e à “coesão nacional”. Num discurso pautado pela palavra “responsabilidade”, Cavaco Silva quis destacar um dos “ensinamentos” da I República e que encaixa na situação que se vive actualmente: “Da República centenária poderemos extrair vários ensinamentos. Entre eles, destaca-se um: não é da crispação que nascem as soluções para os problemas.” Uma frase alusiva ao momento político que se vive quando PSD e governo extremam posições sobre a aprovação do Orçamento do Estado.
“É dos titulares de cargos públicos que mais se exige quanto a uma ética de responsabilidade”, afirmou Cavaco Silva. Às vozes que se têm levantado sobre uma maior intervenção de Cavaco Silva neste momento de crise iminente, Cavaco referiu que “um Presidente da República não pode alimentar divisões.” E acrescentou: “Tudo farei para que prevaleça uma cultura de diálogo e de responsabilidade que permita alcançar os entendimentos necessários à resolução dos problemas do país.”
                                                                                                  
Marcelo: “Chumbar o Orçamento é contribuir para o colapso financeiro”
                                                                                                   
Marcelo Rebelo de Sousa voltou este Domingo a insistir, na TVI, que Pedro Passos Coelho “só tem uma solução” relativamente ao Orçamento do Estado – a abstenção. Para o ex-líder do PSD, “chumbar o Orçamento é péssimo para o país” e “é contribuir para o colapso financeiro”. O voto contra o Orçamento do Estado, que é defendido pela maioria da direcção, é, segundo Marcelo, “um erro para o PSD”, porque “não há eleições antes de nove meses” e “não é líquido que [Pedro Passos Coelho] saia bem no retrato depois de ter provocado a crise”.
O ex-líder afirmou que “tudo o que for dar a entender que tem ziguezagues” sobre o orçamento será prejudicial para a actual direcção. “Se o PSD chumba o orçamento, a notícia passa a ser ‘o PSD é que criou a crise’”, diz Marcelo, que defende que “o mais inteligente é o PSD apresentar a sua proposta alternativa” mas deixar claro que “pensando no país” não derrubará o governo. O facto de Sócrates “começar a transferir a responsabilidade” para o PSD – “nisso ele é um artista” – é um dos argumentos avançados por Marcelo Rebelo de Sousa, conjugado com o facto de mesmo depois da apresentação do pacote de austeridade, o PSD não ter disparado nas sondagens. “Há um problema de comunicação do PSD. Devia estar na maioria absoluta na semana em que os portugueses apanham com isto na cabeça”, afirma
                                                                                      
UGT e CGTP reúnem-se. Avança a greve geral conjunta
                                                                                                              
Estava Carvalho da Silva reunido com a comissão executiva da CGTP quando tocou o telefone. Do outro lado, era João Proença. O líder da UGT tinha estado quinta-feira de manhã com a cúpula da central sindical - mesmo antes da CGTP debater o pacote de austeridade -, e vinha com uma ideia clara. Queria falar de greves (algo invulgar entre os dois líderes). Carvalho da Silva também. Ficaram de encontrar-se formalmente esta semana para acertar os pormenores.
A CGTP é a única das duas centrais sindicais a ter anunciado formalmente a greve geral para 24 de Novembro, esperando que a UGT se junte à paralisação - algo que, a verificar-se, iria acontecer pela segunda vez na história. A primeira e única foi há 22 anos, em 1988. Contudo, o primeiro contacto de aproximação partiu da UGT, o que indicia que haverá uma frente comum de protesto quase certa a juntar duas vontades coincidentes.
Esta é uma semana decisiva. Nos próximos dias estão agendados encontros com os dirigentes dos sindicatos afectos à UGT e também contactos formais com a CGTP para acertar posições entre as duas centrais. Poucos têm dúvidas sobre a convocação da greve. O próprio líder da UGT é um deles. "A greve geral está em cima da mesa. Basta ver a resolução que saiu da reunião da UGT [na quinta-feira] para ver que é possível a greve geral no mesmo dia", afirma ao i João Proença. A avaliação feita pela central sindical, próxima do PS, ao pacote de austeridade é clara. "A situação exige uma resposta adequada dos trabalhadores e dos seus sindicatos. A UGT e os seus sindicatos lutarão contra estas medidas e afirmam-se disponíveis para encetar o diálogo com as restantes organizações sindicais", avisava o comunicado divulgado um dia após as medidas anunciadas pelo executivo de José Sócrates.
Depois do contacto telefónico no final da semana passada entre Carvalho da Silva e João Proença, o calendário formal de encontros deverá ficar definido entre hoje e amanhã, afirma uma fonte da CGTP. Também João Proença admite que "vai haver contactos oficiais [com a CGTP] esta semana com certeza". Para quarta-feira está marcada uma reunião do secretariado executivo e o secretariado nacional terá um encontro na quinta da próxima semana. Tudo encontros oficiais, nada de reuniões clandestinas, como chegou a sugerir Torres Couto. Ao antigo secretário-geral da UGT, Proença responde: "Os tempos são muito diferentes, já não há encontros desses, os contactos vão ser oficiais."
À espera de uma clarificação da intersindical estão os funcionários públicos, que engrossam a primeira linha dos descontentes com os cortes anunciados. Nobre dos Santos, responsável pela Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), diz que a decisão surgirá, "tudo indica, dentro de poucos dias". O responsável do sindicato afecto à UGT refere que estão "a criar-se condições para um protesto". Só falta formalizar quando e qual, com o cenário de 24 de Novembro "em cima da mesa". "Face à brutalidade das medidas anunciadas, os sindicatos da administração pública admitem uma série de formas de luta, e não excluem nenhuma. A disponibilidade é total", refere.
24 não é tarde? Quando os trabalhadores portugueses saírem à rua, já o Orçamento do Estado foi apresentado, divulgado, debatido e aprovado na generalidade na Assembleia da República. Não é demasiado tarde para um protesto? Os dirigentes da CGTP garantem que não. O calendário foi "amplamente debatido" pela Intersindical e acabou por cair já no fim de Novembro. Mas os sindicalistas estão convictos de que que a paralisação ainda vai a tempo da discussão do Orçamento na especialidade e de eventuais alterações. Por ter sido decretado um pré-aviso de greve para todos os sectores, todos os trabalhadores podem participar no protesto, independentemente de fazerem parte de um sindicato aderente.
                                                                                           
Ler em: http://www.ionline.pt/conteudos/home.html

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Comemoração

100 Anos da Repóblica - Machado Santos
                                                                                                                          
O "Herói da Rotunda" foi vítima da "Noite Sangrenta". "Era uma pessoa sonhadora, era uma pessoa revolucionária e isso é o que mais o distingue de outros vultos da República. Os outros vinham das elites e davam-se com as elites e o meu bisavô tinha a preocupação de se aproximar das pessoas mais humildes, mais pobres, explica Alexandre Mimoso.

Machado Santos "desempenhou um papel central no 5 de Outubro" mas para a família falta ainda esclarecer "A Noite Sangrenta" que levou ao assassinato de republicanos, incluindo do "Herói da Rotunda", em 1921. "Há fatores ainda hoje desconhecidos. Ninguém sabe quem o mandou matar e isso não nos dá a possibilidade de aferir a importância que ele teve nos momentos a seguir ao 5 de Outubro. Há muito para estudar sobre o homem", disse à Lusa João Machado Santos, sobrinho neto do "Herói da Rotunda", e que mantém a fotografia do cadáver do tio avô assassinado na noite de 19 outubro de 1921, e, até agora, longe dos olhares dos historiadores.
A fotografia, na posse da família, mostra Machado Santos morto de olhos abertos, com um fio de sangue na têmpora direita, de uniforme amarrotado e a mão sobre o peito. Sabe-se que o executante do crime foi Abel Olímpio, conhecido como "Dente d'Ouro", mas o "mandante" permanece por identificar. Os acontecimentos de 19 de outubro de 1921 marcaram para sempre a família Machado Santos. "O meu pai nasce em 1915. Eu vivi toda a minha juventude um pouco marcado com esta vivência. O meu pai falava muito do tio e a figura de Machado Santos está muito presente" refere à Lusa o sobrinho neto, João Machado Santos.
Para o bisneto, Alexandre Mimoso, o bisavô era um sonhador que vivia "magoado", sobretudo depois da revolução de 5 de outubro de 1910. "Pelo que me foi transmitido, e tive a sorte de conhecer pessoas que o conheceram pessoalmente, a ideia que eu faço dele era a de um sonhador, revolucionário e magoado. A ideia que eu tenho não é a de uma pessoa depressiva mas de uma pessoa muito magoada", refere o bisneto.
"Era uma pessoa magoada porque, de repente, percebe que as coisas pelas quais se empenhava há muitos anos escorregaram de uma forma um tanto ou quanto incontornável e, sobretudo, pela mão dos seus companheiros, chefes partidários, e que nem sempre terão levado a República pelos caminhos que ele acharia que seriam os corretos", diz Alexandre Mimoso.
"Era uma pessoa sonhadora, era uma pessoa revolucionária e isso é o que mais o distingue de outros vultos da República. Os outros vinham das elites e davam-se com as elites e o meu bisavô tinha a preocupação de se aproximar das pessoas mais humildes, mais pobres, e nesse aspeto era alguém que fugia ao esquema tradicional e acabava por ser incómodo", explica Alexandre Mimoso.
"Ele foi assassinado a 19 de outubro de 1921. Estava em casa com a família e a célebre 'camioneta fantasma' chefiada pelo Abel Olímpio, conhecido como o 'Dente d'Ouro', foi buscá-lo a casa e arrancou-o à família. A ideia que temos, e pode ser um pouco romanceada, é que ele tinha sempre uma postura. Não se ia abaixo. E, por outro lado, simultaneamente, tinha um lado pedagógico para tentar levar as pessoas e convencê-las. Mas a família percebeu e isso foi uma coisa tremenda", explica.
"Isso foi uma coisa que marcou o meu avô. Não era um assunto tabu para ele mas não era um assunto que puxasse normalmente. Não era uma coisa que o pudesse a levar a juntar os netos para falar do pai. De fato, havia uma marca tremenda. Aquele assassinato foi uma coisa que marcou profundamente e nós, os meus irmãos e os meus primos, acabámos por crescer num ambiente em que, falo por mim, havia uma figura mítica, um herói romântico mas simultaneamente um lado de tragédia muito pesado. Muito pesado", conclui Alexandre Mimoso.
Na noite de 19 de outubro de 1921 foram assassinados por um grupo de marinheiros: Machado Santos, o "Herói da Rotunda"; António Granjo, do Partido Republicano Liberal; Carlos da Maia, que chefiou a revolta da Marinha no dia 5 de outubro de 1910. Na Noite Sangrenta são ainda assassinados o comandante Freitas da Silva, secretário do ministro da Marinha, e o coronel Botelho de Vasconcelos, antigo apoiante de Sidónio Pais.

Descendentes de Machado Santos revelam passado do "Herói da Rotunda" 
                              
Os descendentes de Machado Santos revelam que o bisavô envolveu-se com a causa na republicana, pelo menos, dez anos antes da revolução de 1910 e lamentam a falta de destaque em relação ao "Herói da Rotunda". António Maria Azevedo Machado Santos (1875-1921), oficial da Marinha de Guerra, liderou os revoltosos em Lisboa com a sublevação, no dia 4 de outubro de 1910, do quartel de Infantaria 16 e, após a morte de Cândido dos Reis, foi o único oficial a assumir o comando das forças na Rotunda, no dia 5 de outubro.
Depois da implantação da República fundou, com o irmão, o jornal "O Intransigente", participou em movimentos insurrecionais e esteve deportado nos Açores, em 1915. Mais tarde, foi membro do Governo de Sidónio Paes com quem acaba por se incompatibilizar. Em 1920 fundou a Federação Nacional Republicana. A 19 de outubro de 1921 foi assassinado na chamada "Noite Sangrenta", em que foram mortos outros companheiros republicanos. A família nunca soube quem o mandou matar apesar do executante, "Dente de d'Ouro", ter sido identificado. Ao contrário das versões que apontam que Machado Santos apenas se envolve na causa republicana dois anos antes da Revolução de 5 de Outubro, os descendentes estão convencidos que a actividade política do bisavô é mais antiga, o que o obrigou inclusivamente a mudar o nome do próprio filho para lhe evitar problemas futuros.
Machado Santos, "em termos políticos nasce basicamente em 1908 e com o facto de entrar diretamente para a Alta Venda Carbonária, para o comité máximo. Logo isso faz supor que não é por acaso que ele entra. A revolução dá-se em 1910 mas ele é pai em 1900. Dez anos antes do 5 de Outubro ele regista o filho sem o seu apelido e disse-o familiarmente. Isso chegou até mim: que não registava o filho com o apelido dele com medo que o filho, que não tinha culpa nenhuma, viesse a sofrer com as atitudes do pai", disse à Agência Lusa Alexandre Mimoso, bisneto do "Herói da Rotunda".
"O filho não se chamava Machado Santos, chamava-se Oliveira Santos. O Machado foi cortado. Em 1900 o meu bisavô tinha 25 anos. Portanto, aos 25 anos ele já tinha uma actividade política e uma perspetiva de que se iria envolver de tal forma que tinha medo que o filho viesse a sofrer disso. E dez anos são dez anos", explica Alexandre Machado Santos que reforça a ideia de que o bisavô lutou pelos ideias republicanos desde finais do século XIX.
"Ele não nasceu revolucionário de repente, de um dia para o outro. Para o melhor ou para o pior foi um sonho dele. Acreditou que a República ia resolver muitos problemas que ele via mal resolvidos na monarquia e que a monarquia não se iria regenerar. Era uma coisa que vinha de muito novo", acrescentou. Para os descendentes, a figura de Machado Santos não tem sido devidamente reconhecida, quer pelo papel político que desempenhou durante os primeiros anos da República mas sobretudo pelos acontecimentos de outubro de 1910. "Ele devia ter o seu lugar na história, pelo menos pelo papel que desempenhou naqueles dias: 3, 4 e 5 de outubro de 1910", disse à Lusa Isabel Cisneiros, bisneta de Machado Santos.
"Eu não me posso pôr na pele do meu bisavô. Não sei o que ele pensaria, não sei se é certo se não é. Mas, eu suponho que se neste momento aqui estivesse, ele recordaria sempre que tinha sido o homem da Rotunda, mas seria o último a comemorar a República. Era capaz de lhe perguntar como está o Ensino. O que vai ser para o ano? E daqui a dez anos? Ele era uma pessoa que pensava para a frente e neste momento há preocupações muito graves. Não é o que está para trás aquilo que o preocuparia e provavelmente iria ser muito crítico das atuais comemorações", refere Alexandre Mimoso.

As espadas, as cartas e a estatueta do "Herói da Rotunda"


As espadas de Machado Santos, o militar e carbonário, que conduziu os revoltosos no dia 5 de outubro de 1910 estão em Coimbra na posse da família mas não há certeza sobre qual das duas armas foi utilizada na revolução. "A família tem duas espadas. A espada de gala e uma segunda espada que eventualmente poderá ter sido usada no 5 de Outubro mas não temos a certeza", esclarece Alexandre Mimoso, bisneto de Machado Santos e primo de Isabel Cisneiros, bisneta, proprietária dos dois sabres, um deles de gala.
"Há uma outra espada que terá sido oferecida ao Museu Militar, por um familiar, não muitos anos após a morte dele (1921), mas subsiste a dúvida sobre qual das espadas seria. O uniforme não existe. Eu, em miúdo, ainda o vi mas depois com o tempo veio a perder-se. O que há é a farda de gala", conclui Alexandre Mimoso. Isabel Cisneiros guarda igualmente as cartas que Machado dos Santos escreveu ao filho na altura em que se encontrava no exílio, datadas de 1915. "As cartas que eu tenho foram escritas pelo meu bisavô ao meu avô quando ele esteve no exílio nos Açores, em 1915, e é através dessas cartas que nós temos uma ideia do homem que ele deveria ter sido", explica Isabel Cisneiros.
"São os documentos mais pessoais que nós temos. Ele dava conselhos ao filho de toda a ordem com uma abertura que provavelmente eu nunca tive com os meus filhos. Se calhar, hoje em dia, não é tão necessário mas eu não imaginava que em 1915 um pai pudesse escrever a um filho de 15 anos dando-lhe conselhos sobre a sua postura em casa, na escola, na sua vida sexual, na sua maneira de estar na sociedade. Para mim foi uma revelação e deu-me uma ideia romanceada do Machado Santos mas é a ideia que eu tenho e tenho muito orgulho nisso", afirma Isabel Cisneiras, bisneta do "Herói da Rotunda".
Além das espadas e das cartas, o sobrinho neto, João Machado Santos, mantém um busto da República em gesso, um punhal e a fotografia do corpo de Machado Santos na morgue após ter sido assassinado, em Lisboa, na "Noite Sangrenta" (19 de outubro de 1921). A família tem ainda uma estatueta em bronze que representa Machado Santos a amassar pão e que lhe foi enviada ainda em vida por um anónimo. "A pequena escultura com o meu avô a amassar pão tem a inscrição 'faço tudo por bem' mas tem uma placa que diz: 'homenagem de um amigo anónimo'. Isto tem muito que ver com o meu bisavô, um certo anonimato. Havia um certo desprendimento por parte desse amigo que quase dizia 'eu não existo', o que interessa é a homenagem a esta pessoa", diz Alexandre Mimoso.
Machado Santos "é uma figura pouco estudada pelos historiadores" mas para os descendentes, as memórias de um dos protagonistas do 5 de Outubro passam, em família, através dos anos. "Nos livros de História nunca li nada. Eu vejo por aquilo que li por contemporâneos dele e vejo-o como um homem aventureiro, empreendedor, muito teimoso, convencido das suas convicções, um idealista e pouca flexibilidade para se adaptar às circunstâncias que não o agradavam e, por isso, estava sempre em desacordo com situações com que se foi deparando durante o seu percurso político", explica Isabel Cisneiros.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Efeméride

100 anos da República

Estado condecorou 14 cidades pelo "heroismo, civismo e amor" manifestados ao regime, com atribuição da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.


A primeira República distinguiu 14 vilas e cidades pelo "heroísmo, civismo e amor que manifestaram em sustentar a integridade das instituições republicanas", quando estas "correram o perigo de ser subvertidas". Alcobaça, Aveiro, Bragança, Caldas da Rainha, Chaves, Coimbra, Covilhã, Elvas, Évora, Lisboa, Mirandela, Ovar, Porto e Santarém (hoje, todas com o estatuto de cidade) são as localidades que, entre 1919 e 1930, foram agraciadas, por aqueles motivos, como sublinham os decretos, para o efeito, então publicados.
A distinção, traduzida na atribuição da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, nos seus diferentes graus, fez com que o galardão passasse a figurar como insígnia destes concelhos, que também possuem o respetivo colar, que exibem apenas nalgumas cerimónias oficiais. As primeiras cidade e vilas a serem reconhecidas pelo então novo regime foram Aveiro e Chaves e Mirandela, com o grau de Oficial daquela Ordem, através do decreto 5:262, de 15 de março de 1919, assinado pelo Presidente da República João Canto e Castro.
A "tenaz resistência" da população daquelas três localidades e a "heroica defesa" das "instituições republicanas" justificam as três condecorações. Menos de dois meses depois, foi a vez de Lisboa ser reconhecida, de idêntico modo, com o decreto 5:663, de 10 de maio de 1919, também sob proposta do Ministério da Guerra e assinado por Canto e Castro. Ao conferir à cidade de Lisboa o grau de Comendador da Ordem da Torre e Espada, o diploma enaltece o "desvelado amor à Pátria e à República, dando as mais sublimes provas de heroísmo nos dias 23 e 24 de janeiro do corrente ano" (1919).
No mesmo dia, o Diário do Governo publicava outro decreto, com o número imediatamente a seguir aquele, atribuindo às "cidades de Porto, Coimbra, Santarém, Évora e Bragança" e às "vilas de Alcobaça e Caldas da Rainha" o grau de Oficial da mesma Ordem, a estas cidades, e de Cavaleiro, às duas vilas. O "heroísmo, civismo e amor" manifestados "em sustentar as instituições republicanas, quando estas correram o perigo de ser subvertidas pela ação proeminente que os monárquicos tinham dentro da República", explicavam a deliberação. Em 03 de junho de 1920, um novo diploma, assinado por António José de Almeida, reforçava o reconhecimento, por "intermédio do grau mais superior da mais alta condecoração nacional" (Grã-Cruz da Ordem de Torre e Espada), do papel de Lisboa na defesa da República.
Ovar estranhava, entretanto, o facto da sua "parte bem saliente na defesa da República" ter sido "esquecida ou ignorada", mas em 25 de junho de 1919 era feita justiça à vila vareira, ao ser agraciada com o grau de Cavaleiro da Ordem de Torre e Espada. Só uma década mais tarde, a defesa da República, então já a viver sob ditadura, voltava a ser condecorada, sendo Elvas e Covilhã os últimos municípios a serem condecorados, em fevereiro e em outubro de 1930. Além de Amarante e Angra do Heroísmo, distinguidos por outros motivos, estes 14 municípios são os únicos do país galardoados com esta insígnia e com o direito, que mantém, de a usar nos respetivos brasões e bandeiras.

Alegre pede aos portugueses para "acreditarem em Portugal" e "lutarem contra a descrença"

O candidato às eleições presidenciais Manuel Alegre apelou aos portugueses para "acreditarem em Portugal e lutarem contra a descrença", referindo-se às reações negativas sobre os números da execução orçamental. "Exorto os portugueses a acreditarem em Portugal e a lutarem contra a descrença, porque parece que há quem esteja interessado em semear a descrença", afirmou aos jornalistas.
"Acredito na capacidade dos portugueses para resolverem os problemas e acho que não precisamos que haja portugueses a apelar à senhora Angela Merkel ou a fazer pedidos ao Fundo Monetário Internacional [FMI]", sublinhou. "Estamos numa situação difícil e infelizmente há pessoas que querem o FMI em Portugal e colocam a ideologia e os interesses acima do interesse nacional", acusou Manuel Alegre. O candidato presidencial, que falava à entrada para um jantar com militantes da Federação Regional do Oeste, referia-se às reações negativas que hoje surgiram dos vários partidos sobre os números da execução orçamental.
O Governo anunciou que a despesa do Estado cresceu 2,7 por cento entre janeiro e agosto de 2010, mas continua a "registar uma desaceleração consistente" desde junho. O comunicado da Direção Geral do Orçamento refere ainda que o crescimento de 2,7 por cento da despesa em termos homólogos está "exatamente em linha com a taxa de crescimento inscrita no Orçamento do Estado para 2010". Pelo lado da receita, até ao final de agosto, o subsector Estado registou um acréscimo de 3,3 por cento relativamente ao período homólogo, "acima do objetivo de 1,2 por cento inscrito no relatório do OE2010", diz a síntese de execução, cifrando-se em mais 635,5 milhões de euros.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Dia Europeu do Mar e Dia Mundial dos Oceanos

Ciências do mar celebram os oceanos

Um convite com actividades lúdicas e cientificas para assinalar a celebração.

Durante os meses de Maio e Junho assinalam-se o Dia Europeu do Mar (20 de Maio) e o Dia Mundial dos Oceanos (8 de Junho). Para assinalar as datas, a direcção de curso de Ciências do Mar, em colaboração com vários docentes da UAlg e outras instituições, preparou um programa de actividades destinadas à celebração do oceano e à promoção do curso de Ciências do Mar da Universidade do Algarve.
O programa apresenta um conjunto de actividades de carácter lúdico e científico, que visam proporcionar, através da observação in loco, a abordagem de vários domínios ligados à temática do mar e dos oceanos.
Do programa faz parte, no dia 27 de Maio (Centro Náutico da Praia de Faro, pelas 09h00), actividade lúdica de canoagem, com uma vertente científica alusiva ao estudo da hidrodinâmica e do transporte de sedimentos no delta de enchente da barra de São Luís, sob a orientação do docente Duarte Duarte.
No dia 3 de Junho, em Lagos, viagem na Caravela Boa Esperança, com actividades científicas de observação e recolha de dados oceanográficos nas vertentes química, geológica, física e biológica.
No dia 8 de Junho, no Largo da Pontinha, em Faro, pelas 09h30, Peddy Paper subordinado ao tema “Conhecer e Sobreviver a um Tsunami”. Actividade destinada aos alunos do 3º ciclo do ensino básico da cidade de Faro, concebida pelos docentes do curso de ciências do mar e realizada em colaboração com o Centro de Ciência Viva do Algarve.
No dia 17 de Junho (Praia de Faro, junto à Estalagem Aeromar, pelas 16h00), passeio na Ria Formosa, alusivo ao estudo de diferentes ambientes intermareais. Durante o passeio pretende-se identificar diferentes ambientes dinâmico-sedimentares e níveis críticos da maré nos sedimentos, bem como diferentes tipos de reacções químicas associadas à oxidação da matéria orgânica, sob a orientação dos docentes Duarte Duarte e Alexandra Cravo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dia da Europa

A importância de nos reconhecer-mos europeus de direito

Comemora-se amanhã, sábado, o Dia da Europa, de cuja importância especial se reveste num ano de eleições para o Parlamento Europeu, onde tudo se decide e nada fica ao acaso.

Foi a 9 de Maio de 1950 que o político francês Robert Schuman fez uma declaração propondo uma associação de vários países europeus para gerirem em comum os sectores do aço e do carvão, histórica declaração que constituiu um marco decisivo na construção da Europa Comunitária. Dela nasceria a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), depois, a CEE (Comunidade Económica Europeia) até à actual UE (União Europeia), da qual Portugal faz parte após alguns anos de espera desde o 25 de Abril, e que constituiu hoje a maior comunidade mundial de países.Este 9 de Maio, com todo o seu simbolismo, alicerçado no pensamento de destacados europeístas, como Robert Schuman ou Jean Monet, ficou marcado como o «Dia da Europa», uma grande aposta dos actuais 27 países, implantando mais e mais um ambiente de partilha colectiva do nobre e rico ambiente cultural e humano europeu.A par da sua vocação atlântica, Portugal com profundas raízes europeias e constituindo uma verdadeira ponte entre este nosso Continente e o resto do Mundo, num sentido global humanista, é hoje um parceiro de pleno direito e assumida responsabilidade na União Europeia.
Daí que se deva considerar da mais relevante importância cívica e política a participação, no próximo dia 7 de Junho, do acto eleitoral para o Parlamento Europeu, cúpula cimeira e maior da União Europeia, num ano difícil para a economia mundial, e numa relevante demonstração e compromisso de todos os portugueses que somos pela Europa, talvez que, como posição mais exigente neste «Dia da Europa» de 2009.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Lagos vai assinalar 25 de Abril

Comemorações duram uma semana

A partir do dia 17, Lagos vai entrar nas comemorações do 35º. Aniversário do 25 de Abril, com um programa de animação que se estende até ao dia 26 de Abril.

Para assinalar o mais importante marco histórico da conquista da liberdade e da democracia em Portugal, a Comissão Municipal responsável pela organização deste evento, preparou diversas actividades, que vão desde a música, desporto, até às cerimónias protocolares.
O programa começa no dia 17, com a tradicional Gala do Desporto, a decorrer no Pavilhão Municipal de Lagos e onde se esperam centenas de pessoas (ver destaque).
O Dia 25 será assinalado pelas habituais cerimónias protocolares, incluindo a Sessão Solene, durante a qual serão entregues às Associações e Colectividades do Concelho de Lagos os Contratos Programa de Atribuição de Subsídios para 2009, e um Almoço Comemorativo, no restaurante Adega da Marina.
À noite, realiza-se o Concerto Comemorativo do 25 de Abril, pela Academia de Música de Lagos, vai ter lugar no Centro Cultural de Lagos. Um concerto que assinala os 35 anos da revolução dos cravos. Procura-se uma revisão e revisita do repertório de intervenção característico do período de 25 de Abril. O conjunto Suest’Arte interpreta arranjos de José Afonso intercalados por momentos de dança pelo Grupo de Dança da AML. A entrada é livre.