Liberdade e o Direito de Expressão

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Verão 2010

Mais de metade das praias em risco de derrocada

173 praias foram este ano sinalizadas pelo perigo de derrocadas nas falésias. Lisboa e Algarve são as regiões consideradas mais perigosas.

O primeiro fim-de-semana de Agosto é quase um ritual. Praias apinhadas, engarrafamentos, banhos de mar e descanso de barriga para o ar. Mas antes de mergulhar de cabeça nas férias de Verão lembre-se que, este ano, estender a toalha na areia não é mais um acto de liberdade e quem desrespeitar as novas regras arrisca-se a levar para casa uma multa que pode chegar aos 750 euros. Cerca de 400 placas a avisar para o perigo de derrocada de arribas foram este ano colocadas em mais de metade das praias portuguesas, mas só em oito estâncias balneares, o incumprimento da lei dá origem a multas que no caso dos concessionários atinge os 2 mil euros.
As penalizações são dirigidas sobretudo para quem atravessar ou permanecer nas zonas interditas e, em 173 praias sinalizadas com risco de derrocada, isso só acontece em sete estâncias do distrito de Lisboa e numa da Região Centro (ver infografia). A nova legislação não prevê coimas para quem estiver por baixo de um sinal que indique risco de derrocada, penalizando só os que roubarem ou vandalizarem a sinalização, ou os que invadirem os espaços que foram proibidos aos banhistas.
São Pedro de Moel, no concelho da Marinha Grande, Consolação (Peniche) Areia Branca (Lourinhã) ou a Maceda, em Ovar, são algumas das zonas balneares com áreas restritas. Aguda, em Sintra, é a única praia que continua interdita pela terceira época balnear consecutiva. A proibição mantém-se desde 2008 devido à instabilidade das arribas.
Nas restantes praias a livre escolha continua a reinar e apesar das placas a indicar as zonas de perigo de derrocada, nada - a não ser o bom senso - impede os banhistas de procurarem sombra junto das falésias. O último Inverno chuvoso contribuiu para aumentar a instabilidade das arribas e, este ano, 173 das 338 praias portuguesas foram consideradas perigosas. Lisboa e Vale do Tejo é a recordista entre todas as regiões, com 70 praias sinalizadas. Torres Vedras, Mafra e Sintra são os concelhos com mais estâncias balneares assinaladas.
Mas engana-se quem pensa que fugir até ao Algarve é a solução para umas férias mais tranquilas. Apesar das mais de 200 intervenções feitas nas arribas após o acidente na praia Maria Luísa que provocou cinco mortos em Agosto do ano passado, cautela é o que se recomenda aos que escolhem as zonas balneares algarvias. Albufeira é o concelho mais crítico com todas as 19 praias assinaladas, Lagoa está logo atrás, com 16 estâncias e Portimão com oito praias consideradas perigosas.
Para quem procura sossego há sempre a Região Norte onde existe uma única placa de perigo colocada na praia do Mindelo (Vila do Conde), mas que nada tem a ver com a erosão das falésias. A estância só é considerada perigosa por causa das marés vivas que puseram em risco a protecção dos taludes. Nas restantes praias do Centro e do Sul do país, o melhor é jogar pelo seguro e ficar longe das placas que alertam para perigo de derrocada das arribas.

Ler mais em: http://www.ionline.pt/conteudo/72841-verao-2010-mais-metade-das-praias-em-risco-derrocada

terça-feira, 1 de junho de 2010

Derrocadas de falésias continuam

Várias praias com situações de risco

Depois de Albufeira, é nos concelhos de Portimão e Silves que mais praias foram a identificadas como zonas de risco e onde a ARH vai intervir.

As derrocadas controladas das arribas vão continuar nas dezenas de praias do litoral centro, Alentejo e Algarve, onde foram identificadas e sinalizadas pelas administrações das regiões hidrográficas possíveis riscos de desabamentos. Fonte da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve disse à Lusa que na região há 22 praias identificadas como zonas de risco, tendo sido já realizadas cerca de 200 intervenções controladas para aumentar a segurança na época balnear, que arranca na terça feira.Belharucas, Olhos de Água, Maria Luísa, Oura, S. Rafael, Inatel, Forte de S. João e Santa Eulália são as oito praias do concelho de Albufeira que a ARH identificou em perigo de derrocada e por isso procedeu a intervenções controladas.
Depois de Albufeira, é no concelho de Portimão que mais praias foram a identificadas como zonas de risco e onde a ARH interveio. As praias são a de Três Castelos, Careanos, Barranco das Canas, Três Irmãos e Prainha. Armação de Pêra, no concelho de Silves, Vale Olival, Pintadinho, Caneiros, Beijinhos no concelho de Lagoa e D. Ana, em Lagos, são outras praias do sotavento algarvio identificadas como zonas de risco.
A praia do Burgau e Tonel, em Vila do Bispo, e a praia de Portinho do Forno, em Aljezur, somam as 22 praias algarvias alvo de cerca de 200 intervenções controladas antes da época balnear de 2010, indicou a ARH. As últimas intervenções controladas no Algarve decorreram na semana passada na praia de S. Rafael, Albufeira, uma ação que teve o objetivo de prevenir o risco de queda em época balnear e criar condições de segurança atrativas, disse a ministra do Ambiente, que se deslocou à região algarvia para assistir aos trabalhos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Na Praia do Vau

Recomeçaram as derrocadas em falésias

Criança sofre escoriações em derrocada na praia do Vau, mas não há mais vítimas. A placa de sinalização que existia na praia foi removida pelo mar este inverno.

Uma criança de quatro anos sofreu ontem escoriações numa perna na sequência da derrocada de parte de uma arriba na praia do Vau, em Portimão, sem provocar mais vítimas, disse fonte da Autoridade Marítima.
Segundo a mesma fonte, a derrocada deu-se ao início da tarde em três fases, num período de cerca de meia hora, o que permitiu que as pessoas se afastassem e comprovassem que não estavam pessoas debaixo da arriba. De acordo com o comandante do Porto de Portimão, o volume de terra arenosa que se soltou da arriba, com 20 metros de altura, ocuparia cerca de 4 metros cúbicos, o suficiente para encher um camião. A primeira fase da derrocada, que ocorreu na zona poente da praia, provocou "ligeiras escoriações" na perna de uma criança, que foi assistida no local por uma ambulância e transportada para o hospital por precaução.
Considerando que os ferimentos foram quase "insignificantes", Cruz Martins assegura que as derrocadas isoladas - que se deram em três momentos distintos -, não seriam suficientes para soterrar uma pessoa. "Interrogámos várias testemunhas e todas nos asseguraram que não estava lá ninguém", disse, acrescentando que as testemunhas até mostraram fotografias às autoridades que o comprovavam. A Autoridade Marítima isolou o local com fita policial, sendo agora da responsabilidade da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve proceder às intervenções necessárias na arriba.
Segundo explicou à Lusa fonte da ARH/Algarve, a derrocada ocorreu numa extensão de seis metros fora da zona balnear e a área estava "assinalada como zona de risco. Contudo, diz a mesma fonte, a placa de sinalização que existia na praia foi removida pelo mar este inverno, mas previa-se que fosse recolocada antes do início oficial da época balnear, a 01 de junho. A zona onde hoje ocorreu a derrocada não foi identificada pelos técnicos da ARH/Algarve como tendo "necessidade de ser alvo de uma derrocada controlada", acrescentou Anabela Dores.
Segundo a mesma responsável, a influência da derrocada foi "dentro da faixa de risco", estando neste momento a ser avaliada a possibilidade de proceder a uma derrocada controlada.
Na semana passada, a ministra do Ambiente, deslocou-se ao Algarve para assistir a várias derrocadas controladas na praia de S. Rafael, Albufeira, com o objetivo de prevenir o risco de queda em época balnear e para criar condições de segurança atrativas para o turismo. Desde a derrocada de uma arriba na praia Maria Luísa, Albufeira, em agosto do ano passado, que matou cinco pessoas, que 19 praias algarvias foram alvo de 200 intervenções, uma manutenção da erosão costeira que custou ao Estado cerca de 50 mil euros.

sábado, 3 de outubro de 2009

Nova derrocada em falésia de Albufeira

Santa Eulália anda distraída

Agora, foi o acesso à praia de Santa Eulália, cuja passadeira de madeira ficou obstruída por um bloco de algumas toneladas. A sorte chamou-se “madrugada”...

Uma falésia ruiu esta madrugada em Albufeira. O acesso à praia de Santa Eulália ficou bloqueado, com um bloco de cerca de dez metros. Fonte da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve disse que «não há vítimas». O assessor da presidente da ARH do Algarve, explicou que o incidente «ocorreu durante a noite e foi identificado antes das 8:00». «Desde essa hora, os técnicos estão no local», apontou.
«A praia estava assinalada como de risco potencial e tinha a sinalética de risco de derrocada. Não tinha um risco iminente, mas tinha risco potencial», acrescentou, não avançando para já as causas para a derrocada. A zona onde ocorreu este incidente fica localizada no lado oposto (poente) da praia Maria Luísa, onde morreram cinco pessoas, este Verão. Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve diz que praia tem faixa de alto risco, mas nada fazia prever o desmoronamento. De acordo com Valentina Calixto, presidente da ARH, a situação «era conhecida» e aquela área já tinha sido vistoriada pelas autoridades após o acidente na Praia Maria Luísa, contígua à de Santa Eulália e onde morreram cinco pessoas em Agosto.

Caso mais preocupante era noutro local

«Aquele ponto não estava identificado para se fazer balizamento ou antecipação de derrocada», disse a presidente da ARH/Algarve, acrescentando que a situação «mais preocupante» era noutro ponto, nas proximidades. Esse outro ponto de risco integra a lista de 13 locais no Algarve anunciados pelo Ministério do Ambiente como áreas onde as autoridades devem proceder, fora da época balnear, à retirada antecipada de blocos.
De acordo com Valentina Calixto, a Praia de Santa Eulália apresenta um nível de risco quatro, numa escala que vai de um a 10, mas, tal como no acidente da Praia Maria Luísa, disse, a derrocada era «imprevisível». Segundo a mesma responsável, a derrocada desta sexta-feira de madrugada poderá dever-se ao «desgaste normal da arriba», já que o mar não chegava com muita frequência à zona da derrocada, situada à entrada da praia.
A 21 de Agosto morreram cinco pessoas na sequência da derrocada de parte de uma falésia na Praia Maria Luísa, também no Concelho de Albufeira. Um parecer científico da Universidade do Algarve indicava que a derrocada da Praia Maria Luísa era «imprevisível», mas que o Estado tinha «algumas responsabilidades» sobre a falta de esclarecimentos adequado à população.
O relatório elaborado pela ARH do Algarve referiu que se tratou de um acidente improvável cujas causas directas são difíceis de apurar, não tendo havido indícios que antecipassem o colapso.

17 arribas vão ser demolidas

De acordo com a inspecção extraordinária efectuada em todo o litoral nacional, as arribas com maior risco de derrocada, são as das regiões do Algarve e Tejo, sobretudo na zona Oeste, onde serão feitas até final do mês 17 derrocadas controladas.
Os dados foram revelados pelo ministro do Ambiente, Nunes Correia, onde sublinhou que não há qualquer zona concessionada em situação de risco. «Por mais intervenção que haja há sempre um risco potencial, porque um terço da costa portuguesa é arriba, mas não há nenhuma zona concessionada em situação de risco», explicou o Ministro.
«Fora das zonas balneares há áreas assinaladas como de risco e as pessoas devem ser responsáveis», acrescentou o ministro, destacando que na semana anterior ao acidente na praia Maria Luísa, ocorrido a 21 de Agosto, «a equipa que lá passou não detectou qualquer agravamento da situação de risco potencial que pudesse transformar-se em risco real, como infelizmente aconteceu».
Nunes Correia destacou ainda a «margem de imprevisibilidade na natureza» para realçar que, apesar do relatório técnico final que apontará as causas do acidente na praia Maria Luísa ainda não estar pronto, os factores que poderão ter contribuído para o acidente podem estar «o sismo ocorrido três dias antes, as marés altas e agressivas e as grandes amplitudes térmicas/dias muito quentes».
O ministro Nunes Correia sublinhou ainda que foram disponibilizadas às autarquias outras 100 placas de sinalização de risco, para substituir as que forem desaparecendo, «muitas delas por puro vandalismo». No Algarve estão também vedados 13 locais de risco em 11 praias e estão sinalizadas 67 praias com um total de 258 placas de risco.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Costa algarvia está em risco

"Desfecho há muito esperado"

O Turismo no Algarve tem de repensar a sua estratégia. O alerta sobre o acidente da Praia Maria Luísa já tinha dois anos.

Segundo o jornal “Correio da Manhã”, desde 2007 que os concessionários da praia Maria Luísa, em Albufeira, alertavam as autoridades para o perigo de desabamento da rocha, de cerca de 15 metros, segundo o ‘Expresso’. 'Há dois anos veio uma máquina para tentar remover a rocha, mas sem sucesso', diz um responsável. Estranhamente, o primeiro-ministro afirmou que 'a situação não tinha sido detectada como perigo iminente'.
A Almargem diz que a derrocada 'constitui um desfecho negro para uma situação que infelizmente há muito se esperava'. Para os ambientalistas 'as arribas areníticas apresentam-se frequentemente muito instáveis face à erosão, mas, igualmente, por acção directa do Homem através da ocupação com construções pesadas'. No caso da praia Maria Luísa, 'as arribas estão ocupadas quase até à zona da crista'.
Registam-se em média doze desmoronamentos nas arribas do Algarve Central por ano, segundo dados da Administração da Região Hidrográfica do Algarve (ARHA). E o excesso de construção junto à costa – no caso em concreto da praia Maria Luísa há moradias com piscinas a escassas dezenas de metros do limite das falésias – aumenta os riscos de derrocadas, diz ao CM João Alveirinho Dias, tido como um dos maiores especialistas portugueses em erosão costeira.
Os doze desmoronamentos anuais verificam-se nos principais concelhos turísticos algarvios, incluindo Albufeira – os dados foram publicados no boletim de Maio/Junho da ARHA. João Alveirinho Dias, investigador da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade do Algarve, diz ao CM que a construção nas proximidades da costa, o tráfego automóvel e o sismo ocorrido dia 18 no Algarve podem ter contribuído para a tragédia na praia Maria Luísa, mas salientou que 'é impossível estabelecer uma relação de causalidade'.
Segundo o especialista, 'todos os litorais de arriba são zonas de risco', embora haja factores que possam acentuar ainda mais esses riscos. A edificação junto à costa é um deles, dado que provoca 'um aumento de carga nas arribas e transmite vibrações ao solo na fase de construção'. Outro factor é 'o aumento de tráfego rodoviário'.
Alveirinho Dias realçou a importância de ser estabelecida uma faixa ‘non edificandis’ (onde não seja permitida a construção) junto às arribas, de forma 'a preservar o património natural'. Mas existem zonas do Algarve que 'estão de tal modo ocupadas que a parte natural perdeu-se'. O investigador confessa não ter ficado muito surpreendido com a derrocada da arriba em Albufeira, porquanto 'as arribas são formas de erosão'.
Mas explicou que os desprendimentos acontecem 'predominantemente no Inverno, devido à água da chuva, vento e temporais'. Não quer dizer 'que não aconteçam no Verão, mas não são tão frequentes'. O comportamento das pessoas é fundamental para evitar acidentes – 'o Algarve está cheio de placas a avisar para perigos. 'E se fosse um tsunami, quantos mortos haveria? As pessoas devem estudar sempre a melhor via de evacuação.'

'Terra de obra ilegal fez peso'
(José Matos e Silva, Engenheiro Civil e Prof. Universitário)

Enquanto conhecedor da zona, onde tem casa, na sua opinião o que pode ter originado o desabamento?
O facto de terem depositado no cimo daquela falésia toda a terra proveniente de uma escavação para a construção de uma cave ilegal numa casa. Além de outros factores, o peso que ali foi colocado pode ter tido a sua influência.
A escavação era ilegal?
Era à revelia da Câmara. Tanto que depois a obra foi embargada – há ano e meio. A casa era de um presidente checo e, quando este vendeu e saiu de Portugal, quem comprou decidiu fazer uma escavação para construir a cave. Até à paragem da obra, a terra retirada foi posta precisamente no cimo da falésia que desabou.

As casas colocadas na falésia também têm proprietários conhecidos. O ex-primeiro-ministro da República Checa, Vaclav Havel, já lá teve uma moradia, tal como Luís Figo – que também tem uma propriedade naquela zona. Finalmente, existe um rumor sobre uma moradia que será propriedade de um ex-piloto de Fórmula 1. Mas o seu nome está envolto em segredo.
Mas Figo não é a única cara conhecida que costuma ser vista pelo areal da María Luísa. O ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, é outra personalidade que gosta da praia e o próprio primeiro-ministro, José Sócrates, admitiu ontem, nas declarações após o acidente, que costuma ir à praia, quando está de férias no Algarve. Continuando pelos famosos que frequentam a Maria Luísa, Karen Matzenbacher e Filipe Gaidão já lá foram vistos este ano, tal como Luís Represas.

Fonte: CM

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A Hora das Falésias

Nove falésias de risco no Algarve

As áreas classificadas como sendo de intervenção prioritária ao abrigo do Plano de Acção para o Litoral situam-se nos concelhos de Aljezur, Lagos, Lagoa e Portimão.

Foi preciso cinco pessoas perderem a vida e alguns feridos, para chegar a hora de dar mais atenção às Falésias. Os concelhos algarvios de Aljezur, Lagos, Lagoa e Portimão são os que apresentam maior necessidade de intervenção: têm nove zonas consideradas de risco em falésias, que estão classificadas como sendo de intervenção prioritária ao abrigo do Plano de Acção para o Litoral 2007-2013.
De acordo com informações do Instituto da Água (Inag), divulgadas pela agência Lusa, a nível nacional, estão identificadas 32 zonas de risco. Sendo que estão previstas intervenções nesses locais, embora isso não signifique que sejam feitas de imediato. O plano de acção do Ministério do Ambiente, disponível online, define as propostas de actuação para o litoral português naquele período, devendo ser revisto de dois em dois anos.
Em Aljezur, as arribas assinaladas no plano elaborado pelo Ministério do Ambiente pertencem às praias de Odeceixe, Carrapateira e Arrifana. Em Lagos, as zonas de risco foram identificadas nas praias Dona Ana e do Castelo. Em Lagoa, é o Promontório da Senhora da Rocha que é identificado como zona de risco. Em Portimão são as arribas existentes nas praias do Amado, Careanos e Três Castelos.
A maioria das áreas identificadas para intervenção prioritária no Algarve estão abrangidas pelo Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Burgau-Vilamoura, à excepção das arribas da Arrifana, cuja localização já se insere na área do POOC Sines-Burgau. A arriba que desmoronou sexta-feira na Praia Maria Luísa, em Albufeira, e que provocou 5 mortos e 3 feridos, não estava assinalada como estando em perigo iminente.

O desastre da praia Maria Luisa

O Peneco já foi abaixo

Parte do rochedo que sobrou da derrocada foi deitado abaixo, na presença de muitos curiosos e de alguns técnicos (sem capacete...), e ainda do Ministro do Ambiente que esteve no local.

Ontem às zero horas começaram as obras de demolição na praia Maria Luísa, em Albufeira, onde na passada sexta-feira uma derrocada matou cinco pessoas. Foram utilizadas três máquinas distintas, a primeira com um braço muito grande para iniciar desbaste do leixão do topo para a base, garantindo a segurança do maquinista, explicou no local Valentina Calixto, presidente da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve que se encontrava a acompanhar os trabalhos dessa noite.
Depois foram utilizadas mais duas máquinas até ser atingido o objectivo da operação, quando o leixão passou a ter uma altura que não provoque risco para os utentes da praia. Os materiais soltos foram depois aglomerados junto à base da arriba principal para evitar a erosão da arriba provocada pela água do mar.
No local estiveram vários técnicos, por sinal sem o devido uso de capacete (ver foto), e igualmente o ministro do Ambiente, Nunes Correia, que quando questionado pelos repórteres da TVI sobre a posição do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que defende a abertura de um inquérito crime, Nunes Correia disse que não tem conhecimento de nenhum inquérito aberto, mas, caso venha a existir, terá todo o apoio do Governo.

Minuto de silêncio

Ontem, durante a manhã, os banhistas e funcionários da concessão e apoios da praia Maria Luísa, em Albufeira, cumpriram um minuto de silêncio em homenagem às cinco pessoas que morreram na derrocada.
O início da homenagem, prestada à mesma hora do acidente, pouco antes das 12:00, foi assinalado pelo apito do nadador salvador, altura a partir da qual as pessoas permaneceram imóveis e em silêncio durante um minuto. Três dias depois da tragédia a praia vai retomando a normalidade e a esplanada do restaurante que serviu de posto de comando das operações enche-se de pessoas, algumas aparentemente indiferentes, outras ainda consternadas.
Pouco resta agora do rochedo pertencente à arriba que desmoronou e que foi na madrugada alvo de um processo de demolição parcial e controlada, efectuado pela Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve para dar segurança à estrutura.
A demolição foi feita durante poucas horas por três máquinas, procedendo-se ontem pela manhã à remoção de detritos acumulados no local, trabalho feito por técnicos da autarquia, com a ajuda de alguns banhistas.
Durante a manhã de hoje, peritos da ARH/Algarve estiveram a inspeccionar o local no sentido de ver o resultado dos trabalhos de domingo e os possíveis efeitos da maré-cheia, disse à Lusa fonte do organismo.

Depois de “casa roubada”...

Autarcas preocupados com as falésias

Presidentes das câmaras de Portimão e Lagos deram instruções aos serviços para estarem atentos a situações de risco.

Os presidentes das câmaras de Portimão e Lagos deram instruções aos respectivos serviços para estarem atentos a situações de risco nas arribas dos concelhos e apelam às pessoas para que se afastem destas formações geológicas.
Manuel da Luz, presidente da câmara de Portimão, disse à Agência Lusa que «foram dadas instruções à protecção civil e ao departamento de Ambiente da autarquia para que possam fornecer nos próximos dias uma informação sobre pontos críticos nas falésias».
Um dia depois de um desmoronamento de uma arriba na praia Maria Luísa, em Albufeira, ter provocado cinco mortos e três feridos, o autarca portimonense precisou que as instruções foram dadas sobretudo para "a zona que vai desde a praia da Rocha à praia dos Três Irmãos, nas freguesias de Portimão e Alvor".
Manuel da Luz confirmou também que «é um facto que as placas de aviso de zonas perigosas desaparecem» e considerou que «deviam haver recomendações muito fortes no sentido de as pessoas se afastarem das falésias». «As falésias são formadas por material poroso e são muito sensíveis à chuva, à humidade e a outros factores naturais. E demos indicações aos nossos serviços nesse sentido», explicou.
Manuel da Luz adiantou também que «houve uma intervenção recente, depois de muita insistência junto da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve, entre a praia da Rocha e a praia do Vau, na crista da falésia, que estava fragilizada devido às chuvas e onde havia risco».

Lagos: Autarquia verifica se avisos foram arrancados

Júlio Barroso, presidente da câmara de Lagos, garantiu que a autarquia está «consciente deste problema já há muitos anos e atenta ao que se passa» e considerou que os utentes das praias devem ter o cuidado de não se colocarem em zonas de perigo junto às falésias e arribas.
«Uma tragédia como esta põe os cidadãos de sobreaviso para as consequências do desrespeito dos avisos que estão colocados em zonas de risco. Um acidente deste tipo incomoda-nos, mas é uma matéria que ultrapassa as câmaras e contamos com a responsabilidade dos utentes das praias para evitarem as zonas de perigo», afirmou o autarca lacobrigense. Júlio Barros sublinhou que «a Câmara, a ARH, a Autoridade Marítima fazem avisos e se as pessoas não cumprem não há volta a dar».
«Com toda a infelicidade, que lamentamos, temos de procurar alertar as pessoas para este tipo de situações. Em Lagos temos programas de intervenção nas praias e pedi aos serviços de protecção civil para estarem vigilantes, passarem pelas praias e alertarem as pessoas para se afastarem dos locais de risco e sensibilizarem também os concessionários para estarem mais atentos», adiantou. O autarca deu ainda instruções para os serviços «verem se os sinais de aviso de perigo estão ou não nos locais, porque alguns são arrancados».