173 praias foram este ano sinalizadas pelo perigo de derrocadas nas falésias. Lisboa e Algarve são as regiões consideradas mais perigosas.O primeiro fim-de-semana de Agosto é quase um ritual. Praias apinhadas, engarrafamentos, banhos de mar e descanso de barriga para o ar. Mas antes de mergulhar de cabeça nas férias de Verão lembre-se que, este ano, estender a toalha na areia não é mais um acto de liberdade e quem desrespeitar as novas regras arrisca-se a levar para casa uma multa que pode chegar aos 750 euros. Cerca de 400 placas a avisar para o perigo de derrocada de arribas foram este ano colocadas em mais de metade das praias portuguesas, mas só em oito estâncias balneares, o incumprimento da lei dá origem a multas que no caso dos concessionários atinge os 2 mil euros.
As penalizações são dirigidas sobretudo para quem atravessar ou permanecer nas zonas interditas e, em 173 praias sinalizadas com risco de derrocada, isso só acontece em sete estâncias do distrito de Lisboa e numa da Região Centro (ver infografia). A nova legislação não prevê coimas para quem estiver por baixo de um sinal que indique risco de derrocada, penalizando só os que roubarem ou vandalizarem a sinalização, ou os que invadirem os espaços que foram proibidos aos banhistas.
São Pedro de Moel, no concelho da Marinha Grande, Consolação (Peniche) Areia Branca (Lourinhã) ou a Maceda, em Ovar, são algumas das zonas balneares com áreas restritas. Aguda, em Sintra, é a única praia que continua interdita pela terceira época balnear consecutiva. A proibição mantém-se desde 2008 devido à instabilidade das arribas.
Nas restantes praias a livre escolha continua a reinar e apesar das placas a indicar as zonas de perigo de derrocada, nada - a não ser o bom senso - impede os banhistas de procurarem sombra junto das falésias. O último Inverno chuvoso contribuiu para aumentar a instabilidade das arribas e, este ano, 173 das 338 praias portuguesas foram consideradas perigosas. Lisboa e Vale do Tejo é a recordista entre todas as regiões, com 70 praias sinalizadas. Torres Vedras, Mafra e Sintra são os concelhos com mais estâncias balneares assinaladas.
Mas engana-se quem pensa que fugir até ao Algarve é a solução para umas férias mais tranquilas. Apesar das mais de 200 intervenções feitas nas arribas após o acidente na praia Maria Luísa que provocou cinco mortos em Agosto do ano passado, cautela é o que se recomenda aos que escolhem as zonas balneares algarvias. Albufeira é o concelho mais crítico com todas as 19 praias assinaladas, Lagoa está logo atrás, com 16 estâncias e Portimão com oito praias consideradas perigosas.
Para quem procura sossego há sempre a Região Norte onde existe uma única placa de perigo colocada na praia do Mindelo (Vila do Conde), mas que nada tem a ver com a erosão das falésias. A estância só é considerada perigosa por causa das marés vivas que puseram em risco a protecção dos taludes. Nas restantes praias do Centro e do Sul do país, o melhor é jogar pelo seguro e ficar longe das placas que alertam para perigo de derrocada das arribas.
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