Liberdade e o Direito de Expressão

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Crise económica

O "patriotismo" dos Bancos e a crise

Manuel Alegre exige maior contribuição da banca para resolver a crise, e Sócrates anuncia que estes vão dar uma "contribuição ao Estado" com novo imposto.

O candidato a Presidente da República, Manuel Alegre, defendeu ontem uma maior contribuição da banca para fazer face à crise. Na visita à Planimolde, empresa do presidente da Mesa da Assembleia Municipal da Marinha Grande (PS), Manuel Alegre afirmou que "num plano de equidade e justiça, deveria exigir-se à banca uma maior contribuição para a resolução da crise e dos problemas do país". O candidato, que considera as medidas de austeridade "duras" e difíceis", defendeu ainda que deviam "tornar-se mais evidentes os sinais de contenção dos gastos supérfluos". Além disso, Manuel Alegre disse que se devia "acrescentar a este pacote de austeridade um plano de incentivo ao crescimento e ao emprego".
Explicando que esta situação "reforça" os motivos que o levam a recandidatar-se, o candidato salientou que "no futuro, mais que nunca, é preciso um presidente que garanta a função social do Estado e da estabilidade social como condição da própria estabilidade política". Após a visita à Planimolde, que considerou um "exemplo" para o país, por ser uma empresa "competitiva" e com "tecnologia de ponta", Manuel Alegre seguiu para Alcobaça para visitar a Fundação Armazém das Artes, a convite do escultor José Aurélio.
O Governo anunciou na quarta feira um conjunto de medidas de austeridade com o objetivo de consolidar as contas públicas. Entre essas medidas estão o corte de salários de 5 por cento na massa salarial da Função Pública, o congelamento das pensões em 2011 e o aumento em dois pontos percentuais do IVA, que passará a ser de 23 por cento. As restantes taxas do IVA também vão ser revistas. O Executivo de Sócrates decidiu congelar os investimentos públicos, cortar os benefícios sociais e também os benefícios fiscais das empresas e criar um imposto sobre o setor financeiro. Estas medidas têm de ser aprovadas na Assembleia da República para entrarem em vigor.

Bancos vão dar "contribuição ao Estado" com novo imposto

O primeiro ministro, José Sócrates, afirmou ontem na Assembleia da República, que o setor financeiro vai passar a dar "uma contribuição ao Estado" para melhorar a capacidade de resposta numa crise financeira, com a criação de um imposto sobre o passivo dos bancos. O primeiro ministro intervinha no debate quinzenal no Parlamento, respondendo ao secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que acusou o Governo de ter "coragem para carregar em quem menos tem e menos pode", enquanto "fala baixinho para aqueles que continuam a acumular fortunas e lucros, não tem coragem de exigir a sua participação nesta crise".
José Sócrates afirmou que a criação deste imposto sobre o passivo dos bancos vai ser proposto no próximo Orçamento do Estado e ocorre "nas mesmas circunstâncias em que está a ser criado na Alemanha, França e Inglaterra". "Portugal junta-se assim ao conjunto dos países que vai exigir ao nosso sistema financeiro que deem uma contribuição ao Estado para que o Estado, quando for necessário, como foi necessário em 2009, pudesse acudir para que essa situação financeira não fosse sistémica, não se estendesse aos outros bancos e não prejudicasse os depositantes", referiu o chefe de Governo.
Sócrates recordou outras medidas adotadas pelo seu Executivo, como a instituição de mais valias sobre os ganhos bolsistas e a definição de um novo escalão de IRS de 45 por cento "para aqueles que mais ganham". "A nossa economia, o prestígio e a credibilidade do Estado português seriam postos em causa se não tivéssemos a coragem de tomar estas medidas que no fundo defendem o interesse nacional e o país", acrescentou José Sócrates, referindo-se às medidas de austeridade anunciadas na quarta feira.