Liberdade e o Direito de Expressão

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domingo, 12 de setembro de 2010

Revista de Imprensa

Cavaco Silva recusa comentar carta de Edite Estrela por ser "uma pessoa educada"

O Presidente da República, Cavaco Silva, escusou-se hoje a comentar a carta que Edite Estrela escreveu aos militantes do PS, alegando "ser uma pessoa educada" e "respeitar os outros".
"Não devo fazer comentários. Eu prezo-me de ser uma pessoa educada e de respeitar os outros", referiu Cavaco Silva. Edite Estrela escreveu uma carta aos militantes do PS criticando a presidência de Cavaco Silva e deixando o apelo à mobilização na campanha de Manuel Alegre
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Francisco Lopes: Cavaco Silva é "responsável" pela crise do país

Mesmo sem estar no terreno, o actual Presidente da República é "o principal adversário" da candidatura do PCP. No dia da apresentação formal da candidatura apoiada pelo Partido Comunista ontem à tarde, em Lisboa, Francisco Lopes quis deixar claro que Cavaco Silva é responsável pela crise do país. De acordo com o candidato presidencial - que proclama ser o único com uma candidatura "não comprometida" - "a prática negativa" das suas acções [de Cavaco Silva] fazem com que tenha "responsabilidades na situação que o país vive."
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Alegre abre campanha já "confortado" pelo PS oficial

Manuel Alegre promove hoje em Lisboa a primeira grande iniciativa de campanha eleitoral, já com o conforto de uma acção indiscutível de apoio proveniente do PS oficial. Uma carta enviada aos militantes socialistas pela secretária nacional do PS, Edite Estrela, foi a primeira grande acção de campanha da direcção do PS em defesa do candidato - dias depois de Sócrates, em Matosinhos, ter elogiado a "candidatura progressista" e de António Costa ter admitido a possibilidade de uma crise política a seguir às presidenciais caso Cavaco Silva fosse reeleito.
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Portas envia mail a militantes com argumentos para defenderem submarinos

No mesmo dia em que foi realizada a entrega oficial do submarino Tridente, os militantes do CDS-PP receberam nas suas caixas de correio electrónico um mail assinado pelo presidente do partido, Paulo Portas, e pelo secretário-geral dos centristas, Lino Ramos, instigando a uma defesa pública da compra dos dois submarinos pelo Estado português. Em anexo seguiu um documento preparado pelo grupo de defesa do CDS, onde se liam pormenores das razões económicas, políticas e militares da compra.
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Casa Pia. Administração da RTP critica Direcção de Informação

Não é habitual o conselho de administração da RTP manifestar-se sobre questões editoriais, mas o destaque dado ao longo da semana a Carlos Cruz, antigo apresentador do canal, justificou uma iniciativa invulgar. O i apurou que José Alberto Carvalho foi chamado quinta- -feira ao conselho de administração devido ao excesso de presença de Cruz no ecrã, mas, ainda assim, decidiu manter a entrevista conduzida por Judite de Sousa. A demissão do director de informação nunca esteve em causa.
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Esqueça tudo o que sabe sobre bons hábitos de estudo

Chega Setembro e milhões de pais tentam uma espécie de feitiço psicológico: transformar campistas veraneantes em estudantes outonais, viciados em jogos de vídeo em ratos de biblioteca. Os conselhos são baratos e demasiado familiares: prepare um espaço de trabalho sossegado, faça cumprir o horário dos trabalhos de casa, defina objectivos, estabeleça limites.
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Telepata. O cérebro pode transmitir pensamentos

Uma equipa de cientistas conseguiu traduzir sinais cerebrais em palavras. O método, testado com sucesso na Universidade de Utah, consiste na ligação de uma grelha de microeléctrodos à superfície cerebral de um voluntário, utilizando um software especial para traduzir os sinais emitidos pelo cérebro em palavras.
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Hotéis em Coimbra com capacidade esgotada devido a concertos dos U2 em Outubro

Os principais hotéis da área de Coimbra têm na sua maioria a capacidade esgotada no primeiro fim de semana de outubro, devido aos dois concertos dos U2 no Estádio Cidade de Coimbra no dias 02 e 03. O Vila Galé Coimbra, que abriu este ano na Baixa da cidade, com 229 quartos, 18 dos quais são suites, já não tem qualquer vaga de alojamento para aquele período.
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Padres belgas acusados de violar 507 crianças

A comissão independente encarregada de averiguar se a igreja católica é ou não culpada de ter camuflado os escândalos de pedofilia na Bélgica chegou hoje a uma conclusão. Peter Adriaenssens, autor de um documento divulgado pelos investigadores, garante “que não se trata de simples acusações sexuais… foram provados casos de abuso sexual”.
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Viagem no Paquete Funchal termina numa confusão de emoções

Júlio Couto foi o primeiro ferido a sair pela porta principal. Eram 17h57. Não quis prestar declarações aos jornalistas, que o abafaram assim que tiveram oportunidade. Minutos mais tarde, e já no autocarro com destino ao Porto, falou ao i e contou tudo o que se passou. "O piso estava molhado e escorregadio, o autocarro deslizou, fez três ''esses'' e fomos acertar num terreno com uma saída de águas de esgoto", conta o senhor de 75 anos. Perante a situação, Júlio arregaçou as mangas e fez o que podia. "Ajudei a pôr na relva quatro mulheres que morreram", recorda.
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Pais proíbem filhos de terem educação sexual

Através de uma carta enviada à direcção das escolas, já há pais a proibir os filhos de assistirem às aulas de educação sexual. No documento fica expresso que não é autorizada "qualquer aula, acção ou aconselhamento relativo a educação sexual", sem o "acordo por escrito, atempadamente solicitado pela escola".
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Hugo Almeida considera que saída de Queiroz é “sensata”

O avançado Hugo Almeida entende que a saída de Carlos Queiroz da selecção foi a decisão “mais sensata” para a Federação e para o seleccionador.
“A partir do momento em que entraram em guerra uns com os outros infelizmente penso que foi a solução mais sensata de todas”, afirmou Hugo Almeida à TSF.
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Ler em:
http://www.ionline.pt/conteudos/portugal.html

sábado, 21 de agosto de 2010

Revista da Imprensa

Deixar arder

Fernando Madrinha (www.expresso.pt)
0:00 Sexta feira, 20 de Agosto de 2010

Os dois procuradores do caso Freeport e a diretora do DCIAP, Cândida Almeida, declaram-se vítimas de uma campanha contra a sua honorabilidade e profissionalismo, negando que tenha havido divisões na equipa. Queixam-se das críticas, mas, infelizmente, nada esclarecem sobre o seu fundamento ou a falta dele. O desmentido de que tenha havido divisões era desnecessário, por redundante. Se a diretora do DCIAP deu o seu aval ao documento, tanto basta para a tornar responsável, quer tenha ou não discordado e eventualmente 'negociado' a inclusão das tais perguntas que, por alegada falta de tempo, ficaram por fazer a José Sócrates e Pedro Silva Pereira. A nota dos três procuradores demonstra apenas que há solidariedade entre eles. Nada acrescenta sobre as razões de um despacho tão original que ninguém viu nada semelhante até hoje, desde o procurador-geral da República a qualquer dos inúmeros juristas de todos os quadrantes e especialidades que já se pronunciaram sobre ele.

Como dizia Proença de Carvalho no domingo, numa entrevista notável a Ana Lourenço, na SIC-Notícias (Proença é advogado de Sócrates, mas isso não lhe reduz a lucidez), ninguém imagina que os magistrados em causa não tivessem noção das consequências que a inclusão das perguntas a fazer, conjugada com a queixa de falta de tempo, viria a ter para a imagem dos visados. E para um Ministério Público que, afinal, transmite a mensagem pérfida de que não hesita em prolongar as suspeitas sobre cidadãos no próprio ato em que reconhece a sua incapacidade de os acusar e, consequentemente, os iliba. De duas, uma: ou os magistrados em questão, dois dos quais já se tinham queixado de pressões de um dos seus pares, Lopes da Mota, entendem que o seu trabalho foi sabotado por pressões ilegítimas e devem denunciá-las com provas, chamando todos os bois pelos nomes, ou escusam de alimentar uma polémica que só os diminui ainda mais.

Na Justiça, o tempo não está para jogos florais de vitimização. O 'caso Freeport' tem demonstrado, tal como já demonstrara o caso Leonor Beleza há quase 20 anos - Proença de Carvalho escreveu sobre ele em 1996, num livro que vale a pena revisitar agora - que a politização da Justiça, começando pela investigação, é um facto. O autor falava da motivação política dos magistrados, mas a politização existe e funciona tanto de dentro para fora como de fora para dentro. Do mesmo modo que existe nas magistraturas quem oriente o seu trabalho por motivações que não se limitam à procura da verdade, também há poderes que tentam condicionar a Justiça do exterior, quando estão em causa políticos, gente abastada, ou simples 'famosos'. É por isso que existem duas Justiças, como dizia António Barreto, também no domingo e na SIC-Notícias: uma que vai resolvendo discretamente centenas ou milhares de casos todos os dias, outra que nunca funciona, ou que funciona de modo perverso. A primeira é a do cidadão comum, a segunda é a dos notáveis e influentes, políticos ou não.

Para romper este círculo infernal, só uma revolução. E ela não se fará enquanto os partidos e os poderes legítimos que emergem do voto popular não se puserem de acordo sobre as mudanças a introduzir. Mas o que nos mostram a televisão e os jornais? Um pilar do Estado de Direito a desmoronar-se perante os cidadãos estupefactos, enquanto os responsáveis políticos a banhos não têm uma palavra a dizer, uma iniciativa a tomar, uma proposta a apresentar. Comportam-se como os bombeiros impotentes perante certos incêndios florestais em encostas e vales inacessíveis. Olham e deixam arder.

O fogo e o crime

De 23 de julho a 11 de agosto registaram-se 7408 incêndios, segundo a Autoridade Nacional da Proteção Civil. No dia menos mau tivemos 185, no pior de todos, 8 de agosto, 501. A média é de 370 por dia.

Diz o ministro da Administração Interna que mais de 90 por cento (uns 333 por dia) terão causa humana. Não se sabe quantos são ateados com intenção criminosa, embora suceda, como sempre, que muitos deflagram em vários pontos simultaneamente, o que, só por si, indicia crime organizado. Metade que sejam os fogos postos - e basta ouvir os bombeiros para se perceber que esta é uma avaliação por defeito -, teremos 3320 em 20 dias. Agora, repare-se: as autoridades detiveram 10 suspeitos, alguns deles já seus conhecidos. Cinco foram mandados em paz. Serão os outros cinco os autores dos 3320 fogos espalhados por dois terços do território nacional? Claro que não. Falta prender muito criminoso. E falta, sobretudo, descobrir os seus mandantes.

É verdade que o verão vai áspero, e que o inverno passado, chuvoso como poucos nos últimos anos, produziu muito material combustível, o que, aliado aos velhíssimos fatores de desleixo - matas por limpar, prevenção nula, foguetório à discrição nas romarias -, fazia prever o desastre, aliás anunciado por especialistas. Agora que o inferno está aí, matando bombeiros, consumindo riqueza, destruindo o que resta do país abandonado e provocando maior abandono futuro, o que temos é confusão e arremesso de culpas, ou porque o Exército anda por lá a passear as fardas ou por outro motivo qualquer. Já que falha na prevenção - e por isso falhará sempre no combate, por mais milhões que despeje sobre os incêndios -, o Estado podia, ao menos, cumprir o seu papel de polícia. Mas também nisso se mostra incompetente.
Fernando Madrinha
Bolinhas marxistas

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
0:00 Sexta feira, 20 de Agosto de 2010

Flanqueando as tropas da ASAE, corri que nem um desalmado em direção ao senhor da bolacha americana. "Ah, não tenho nada 'amaricano', amigo. Isto é tudo nacional". Enquanto pensava que tinha encontrado o único vendedor de bolinhas filiado no PCP ou no PNR, lá pedi uma bolinha de Berlim. O preço é que era muito pouco católico. "Oiça lá, não acha que é um bocadinho caro?", perguntei. "A culpa não é minha, é da especulação".

Meus amigos, ali estava eu no paraíso, com um pé numa água a 25 graus, com outro numa areia celestial, mas, caramba, ela também estava ali. Ela? Sim, companheiros, ela: a gélida aragem da vulgata marxista. Não é mania da perseguição, meus amigos. É mesmo assim. Vivemos numa terra onde a vulgata marxista é o senso comum. Eu já sabia disso, mas a realidade escusava de me incomodar na praia. Bom, lá comprei a bolinha marxista, porque a fome não vai em bazófias ideológicas.

Quando cheguei a casa, estava um senhor na televisão a falar da - adivinhem - "especulação". Este senhor, excelso representante do sector da panificação, estava a afirmar que o preço do pão vai aumentar por causa da "especulação". Como é óbvio e cristalino, os especuladores, esses bandidos invisíveis, sempre quiseram tramar os panificadores portugueses. Ora, este senhor (uma patusca metáfora de Portugal) não quer entender uma série de coisas: os incêndios na Rússia destruíram searas do tamanho de Portugal, logo, há menos oferta; os chineses, indianos e brasileiros estão a comer mais, logo, há mais procura; os americanos e os europeus estão a produzir combustíveis a partir de cereais, logo, a oferta desce ainda mais.

Com tudo isto, podemos explicar racionalmente a subida do preço do pão sem recorrer à macumba obscura da vulgata marxista. Mas isso não interessa ao senhor do pão (e a Portugal). Porque, assim, o nosso herói das carcaças pode gritar "acudam, especulação, especulação!" para, logo a seguir, esticar a mão ao subsídio estatal. Ao menos, o indivíduo das bolinhas é mais honesto: estorrica-nos a carteira, e pronto.

O herói das carcaças e o senhor das bolinhas de Berlim são uma espécie de cómica personificação de um país onde, de facto, o muro de Berlim ainda não caiu. A vulgata marxista é o nosso senso comum. Esta peçonha mental percorre todo o espaço social, isto é, vai desde o intelectual neo-mega-marxista-que-tem-complexos-por-ter-nascido-num-berço-de-oiro até ao senhor-das-bolinhas-que-não-se-importava-nada-de-ter-nascido-num-berço-de-oiro. Portugal tem este capacete marxista enfiado na cabeça e as pessoas julgam que o dito capacete, enferrujado e amolgado, é o senso comum mais natural e óbvio do mundo.

Em 1975, Portugal esteve na fila para o autocarro marxista. Em 1976, Soares e Sá Carneiro tiraram de lá a paragem que dizia 'Pacto de Varsóvia', mas parece que meio Portugal ficou ali, quieto, à espera de uma fantasmagórica entidade marxista. Resultado: em 2010, Portugal é o único sítio da OCDE onde o marxismo ainda tem validade (ok, se calhar, a Grécia e Paris conseguem superar-nos neste campeonato de retro-marxismo). Aliás, começo a desconfiar que o marxismo acabará em Cuba antes de desaparecer em Portugal.

Meus amigos, eu já não sei como 'desmarxizar' esta malta, mas tenho a dizer que as bolinhas do fala-barato marxista são muito boas. A "especulação" tem inesperados dotes culinários.
Henrique Raposo
O Pontal é um equívoco

Por Batistas Bastos - Diário de Notícias, 18 Agosto 2010

Começou por ser um sítio, onde se reuniam de-sagrados e desagravos e passou a símbolo melancólico e errante, porque de sítio e de expressão foi mudando. Ali, Sá Carneiro, inquieto, exuberante e exaltado, desancou alguns daqueles que lhe não compraziam, por este ou aquele motivo. Não nos esqueçamos de que ele possuía um temperamento autoritário e imponderável. Porém, o Pontal não configura uma doutrina, uma estratégia, um repto. É, apenas, uma metáfora menor, que perdeu o viço e o significado. O PSD promove, a espaços, sob aquele nome, uma reunião festiva. Aproveita a circunstância de os seus baronetes estarem de vilegiatura algarvia e lá vai conseguindo agrupar uns senhores e umas senhoras cansados pela idade e tostados pelo sol. Depois, essas pessoas estimáveis e um pouco pasmadas surgem nas revistas cor-de-rosa a incorporar textos de um barroquismo, direi: ascético. O povo, na sua trivial realidade, aprecia este ataúde destapado.

Impulsionado por Mendes Bota, poeta e organizador, por igual avaliável, Pedro Passos Coelho, numa auto-imolação comovente, animou, este ano, o jantar. Houve faltosos, o mais exemplar dos quais o prof. Marcelo Rebelo de Sousa, que escapou, esbaforido, sob o subterfúgio intelectual de ter de esclarecer, na TVI, os sombrios mistérios da política. As televisões, atentas e zelosas, fixaram um friso de proeminentes cidadãos, quase todos reformados de luxo, que mais pareciam figuras de um retábulo de alucinados do que responsáveis pelo que nos tem acontecido nas últimas décadas.

Passos Coelho, como lhe competia, falou e disse. Vai sendo hábito afirmar desatinos que deixam os sociais-democratas embevecidos e os socialistas irritados. Segundo o nunca assaz louvado Vitalino Canas, agora com um corte de cabelo à ucraniana, o presidente do PSD quer provocar uma crise política, "de resultados imprevisíveis." Espinoteante tolice. Desta vez, Passos, que gosta de dizer coisas, quis, apenas, chatear o PS e espevitar os seus correligionários. Na SIC, Ricardo Costa, assumptivo e sem pitada de humor, como vai sendo costume, desmontou o discurso do Pontal, cheio de austeridade, veemência e sisudez. Parecia estar a decompor um grave texto de Kant. Com perdão da palavra, não se percebeu nada do comentário do Costa. Tomou a sério o que não passava de puro divertimento.

Nada que faça mal à saúde. A não ser, repito, a visão macabra daquele friso de gente confusa e aleatória, que ali se encontrava para varar uma quente noite de estio.
Não se sabe o que Passos Coelho foi fazer ao Pontal. Expor o dandismo de que faz tanto júbilo ou a pesarosa monotonia que o acompanha?

http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1643394&seccao=Baptista Bastos&tag=Opini%E3o - Em Foco

sábado, 20 de março de 2010

Revista da Imprensa

Alegre arrasa PEC, ataca Cavaco e sugere regionalização

O programa do Governo vai ter "um custo social excessivo". E Cavaco não pode resumir-se a "exercícios de cálculo".

Manuel Alegre juntou-se ontem ao cada vez maior número de políticos filiados no PS que criticam duramente o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) entregue pelo Governo na Assembleia da República (e que a direcção do partido quer levar ali a votos, através de uma resolução).
"Há consolidação a mais e crescimento a menos", disse ontem o histórico socialista, discursando num jantar com apoiantes em Bragança - o primeiro da sua pré--campanha presidencial organizado por militantes do PS.
Embora referindo "medidas positivas", como a taxação das mais--valias e a criação de um novo escalão no IRS, afirmou que outras propostas, como as privatizações da TAP, da REN e dos CTT , ou "medidas de austeridade que vão incidir sobretudo nos salários da função pública, as despesas sociais, o adiamento de grandes investimentos públicos e a diminuição de benefícios fiscais", representarão "um custo social excessivo que vai recair sobre a classe média e média baixa".
Admitiu que estas serão "medidas decorrentes das obrigações definidas no seio da União Europeia". "Mas então - acrescentou - é preciso repensar os critérios monetaristas que estão a contaminar a Europa."
Dito de outra forma: "Há um modelo [económico, na UE] que está esgotado." Pressionada pelas "empresas de rating" e pelo "ministro das Finanças alemão", a União Europeia retomou "o discurso da estabilidade monetária e do controlo de uma inflação que neste momento quase não existe". "Volta-se ao monetarismo puro e duro com efeitos perversos sobre o crescimento económico" e assim "é preciso começar a discutir é um novo modelo estratégico de desenvolvimento".
Alegre deu uma sugestão para "meditar": a experiência norte- -americana do New Deal (levada a cabo de 1933 a 1937 pelo presidente Roosevelt ), que, através da "fiscalidade redistributiva", do "diálogo com os sindicatos" e da "elevação do nível dos salários, prin- cipalmente dos mais baixos", "inaugurou décadas de ouro na economia americana".
A intervenção do candidato presidencial foi ainda marcada por fortes críticas a Cavaco Silva. Dizendo que "o papel de um presidente da República não é o de gerir silêncios nem o de dizer apenas o que lhe convém quando lhe convém", afirmou que a "defesa da estabilidade não é um jogo de sombras, é uma prática de clarificação". "Portugal - afirmou - precisa de uma inspiração mobilizadora e não de exercícios de cálculo" e "perante a situação difícil em que Portugal se encontra, todos são responsáveis. Não só o Governo, não só a Assembleia, mas também o Presidente da República."
Falando em Bragança, referiu, evidentemente, a desertificação do interior. Sugeriu, sem ser explícito, formas regionalizadas de organização do poder, dizendo que o combate à desertificação "precisa de uma verdadeira instituição regional onde os autarcas do interior possam pensar a nível regional e nacional e tornar-se os protagonistas do seu município, da sua região e do seu país".

Entrevista de José Sócrates ao JN

"Comissão de inquérito só serve para me atacar"

O primeiro-ministro admite falar à "grande comissão, que é o Parlamento".

A comissão de inquérito ao caso PT/TVI é "um acto de profunda hipocrisia política, que apenas pretende instrumentalizar a Assembleia da República no ataque pessoal e político contra mim", afirma José Sócrates, em entrevista ao Jornal de Notícias, cuja segunda parte será publicada amanhã, domingo. O primeiro-ministro não revela de que forma responderá perante a comissão, caso seja convocado.

Saiu recentemente uma sondagem que lhe é favorável. Aos olhos de muita gente, causa admiração como tem resistido ao fogo que sobre si incide. Não seria mais prudente sair para se defender? Tudo o que tem sido dito não afecta a sua actividade, não teme que fira a imagem que as pessoas têm de si?
"Ao longo destes anos, nunca me faltou apoio do Governo, nem do meu partido, nem dos portugueses. Não encontro outra forma de reagirmos à calúnia, ao insulto e à maledicência que não seja a superioridade e até a indiferença por quem actua dessa forma. Uso a minha inteligência emocional para ignorar tanta coisa que se escreve e se diz. Lamento que alguns façam da nossa vida pública um exercício baseado na mesquinhez do ataque pessoal e que políticos e partidos pareçam ter desistido do país para se entregarem ao golpe baixo e à calúnia. Mas campanhas negras não resultam em Portugal. Quem recorre ao insulto, dispensando-se de provar o que diz, fica para sempre indignificado. Alguns políticos passaram o limite da consideração e respeito que em democracia é devido aos adversários."

Está a referir-se a membros de algum partido, especificamente?
"Estou a referir-me, em particular, ao PSD. Chegam ao ponto de insultar um líder político, acusando-o de ter mentido no Parlamento, sem apresentar uma prova, um documento, um testemunho. Há quem invoque suposições. Mas quem insulta tem de fazer prova. E a prova só pode basear-se em factos, não em impressões ou em suspeitas. Temos vivido nos últimos tempos a política com base na ideia de que é preciso lançar suspeições, sem a mínima razoabilidade, com o único objectivo de atingir pessoalmente adversários."

As queixas são só contra o PSD?
"Não me estou a queixar, estou a afirmar. Muitos dos outros partidos calam-se perante isto. Na Assembleia da República (AR), fui questionado por um deputado sobre se o Governo tinha conhecimento ou se deu alguma instrução para que determinado negócio entre a PT e a TVI se fizesse. Declarei que o Governo nunca foi informado, que nunca deu orientações, fosse a quem fosse, para proceder empresarialmente de um modo ou de outro. Mantenho o que disse. E todos os testemunhos conhecidos confirmam o que afirmei e desmentem em absoluto a intervenção do Governo. Todos. Mesmo assim, os partidos da Oposição insistem na tese de que não estão esclarecidos e na dúvida sobre se terei dito a verdade. É apenas uma ofensa gratuita."

Ler mais em: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1523498