Observatório sobre a Produção, Comércio e Proliferação de Armas não entende que se tenha justificado a compra de blindados com a necessidade de intervir nos bairros sociais. A compra de blindados para a PSP intervir nos bairros problemáticos só prova que "falhou a política social do Estado". É esta a leitura que o Observatório sobre a Produção, Comércio e Proliferação de Armas faz da anunciada aquisição de veículos blindados para a polícia usar nos bairros sociais. Fernando Roque de Oliveira, que preside a este organismo da Comissão Nacional Justiça e Paz, lamenta que o Estado queira resolver pela força o que não consegue de outra forma.
“Na compra destes blindados, os motivos invocados evidenciam uma falha na política social porque, para solucionar uma ameaça de violência, através de armas de fogo de calibre de guerra, em vez de se ter ido desmantelando os bairros e colocando as pessoas na malha urbana, mantêm-se os bairros sociais errados e depois, a situações de violência, vai-se respondendo com mais violência”, disse. O Observatório não põe em causa que a polícia precise de novos blindados. Só não entende que se tenha justificado a sua compra com a necessidade de intervir nos bairros sociais.
Bispo da Guarda: "Só defende a independência quem produz"
D. Manuel Felício está preocupado com o impacto da crise na sua região e diz que é preciso incentivar as pessoas a voltarem ao trabalho. Se os portugueses não produzirem e falharem as metas de combate à crise, então não surpreende que tenha que ser o FMI a pôr o país na ordem, alerta o Bispo da Guarda. “Se as coisas não estão a funcionar bem, com certeza que há culpados e esses culpados estão por aí distribuídos. Uma intervenção estrangeira no país, nenhum de nós a deseja, mas já há alguns indícios de que o país está a ser intervencionado”, começa por dizer D. Manuel da Rocha Felício.
“Quando dizem que o nosso Orçamento, este ano ainda não mas se calhar futuramente, tem de ter o «agrément» das super-estruturas da Europa, isso já é, um bocadinho, o exterior a intervir na nossa vida interna. Se não realizamos todo o trabalho, se não temos os resultados que devíamos ter, não nos podemos admirar que alguém de fora venha pôr ordem na casa”, sublinha.
Neste cenário de crise económica, financeira e de dificuldades sociais, o Bispo da Guarda avisa que "só defende a independência quem produz". D. Manuel da Rocha Felício espera que o PS e PSD cumpram o acordo alcançado para viabilizar o Orçamento do Estado para 2011 e que o entendimento tenha melhores resultados que outros celebrados no passado. À margem do encontro dos bispos das dioceses do Centro, o Bispo da Guarda mostra-se preocupado com o impacto da crise na sua região e diz que é preciso incentivar as pessoas a voltarem ao trabalho.