Centro comercial encerra sem avisar lojistas
Comerciantes dizem que não foram avisados. Em acção contra o fecho sem aviso do centro comercial, os lojistas de Faro dizem que vão "barricar-se", e pretendem apresentar uma providência cautelar contra a administração.
Quatro lojistas, que têm sobrevivido à crise no centro comercial Atrium, em Faro, não puderam entrar nas lojas esta terça-feira. A administração do espaço decidiu encerrar as portas, mas os comerciantes dizem que não foram avisados. «Isto não se percebe. Quando cá cheguei, o segurança tinha fechado as portas», afirmou Nuno Ferreirinha, proprietário de uma joalharia no interior do centro comercial. Após terem sido impedidos de entrar no centro comercial por um segurança, os comerciantes decidiram entrar por uma porta das traseiras de forma a ocupar as lojas. «Não faz sentido esta situação. Fecharem as portas sem sequer avisarem», revela Vítor Pedro, dono de um quiosque naquele centro comercial.
O centro comercial Atrium funciona há dezenas de anos no centro de Faro, tendo sido remodelado há cerca de dois anos. No entanto, apenas três lojas funcionavam - uma joalharia, um quiosque e um café - e as relações entre lojistas e administração tem-se degradado nos últimos tempos.
«Como é que se percebe que isto tenha reaberto há dois anos e esteja assim fechado?» - questionou outra comerciante. A PSP já esteve no local e levantou um auto do caso mas os lojistas ponderam agora avançar com uma acção judicial.
Ana Pedro, advogada que tem acompanhado o caso, refere que o objectivo da administração é forçar «algum tipo de negócio» antes da penhora para tentar «reaver algum dinheiro». Élio Bolas, administrador do centro comercial, em declarações à Lusa, referiu apenas que «quando se acaba o dinheiro a uma empresa ela tem que fechar».
Lojistas do Atrium admitem barricar-se Esta segunda-feira a administração reuniu-se com a Câmara de Faro para tentar encontrar uma solução que viabilize o espaço. No entanto, segundo o empresário, o encontro foi inconclusivo. «Têm havido muitas reuniões mas não há nada de concreto», afirmou, recusando tecer qualquer outro comentário sobre este caso.
Depois do centro comercial Atrium de Faro encerrar as portas aos lojistas, esta terça-feira, os proprietários dos estabelecimentos admitem barricar-se à noite, junto às lojas, e adiantam ainda que vão apresentar uma providência cautelar contra a administração do espaço comercial.
A proprietária do Quiosque-Café, Susana Reis, lamentou, em declarações à agência Lusa, não ter sido avisada do encerramento do Atrium, admitindo barricar-se dentro do estabelecimento comercial até voltar a ver reaberto o seu negócio.
Os prejuízos começam a ser uma preocupação, «além das três pessoas que tenho a trabalhar no café, perco a receita do dia e tive de mandar embora os fornecedores», explicou Susana Reis, que paga uma renda mensal de 1.200 euros.
No início do Verão a administração já tinha mandado encerrar o ar condicionado do centro comercial e tinha desligado algumas escadas rolantes interiores e exteriores, segundo a lojista. Susana Reis admitiu que nos últimos tempos já fazia algum esforço para manter o café aberto e pagar a renda mensal, especialmente porque se veio a verificar uma falta de cuidado com as casas de banho, no que toca a limpeza e falta de sabonete.
Apolinário, quer “salvar”
A ideia de se barricar é partilhada por outros lojistas. É o caso do proprietário da tabacaria, Vítor Pedro. «Esta noite vou ficar cá dentro. Não saio daqui», acrescentando que o prejuízo que está a ter na tabacaria, esta terça-feira, é enorme.
«Quando uma tabacaria fecha, o prejuízo é sempre grande, pois é grão a grão...e se os clientes vão embora aborrecidos não voltam amanhã, porque não sabem se a loja vai estar aberta ou fechada», justifica o lojista, acusando a administração de má gestão na venda das lojas, nomeadamente pelos «preços elevadíssimos das rendas».
Por solidariedade e falta de explicações, Deolinda Ferreirinha, responsável pela ourivesaria do Atrium, admite igualmente barricar-se, e acusa a administração de «má gestão do espaço». Até amanhã, a advogada dos lojistas, Ana Pedro, pretende apresentar uma providência cautelar contra a administração.
Com o objectivo de salvar o projecto comercial, o autarca de Faro, José Apolinário, apresenta esta terça-feira, às 16:30, na Baixa de Faro, as propostas do município para o centro comercial Atrium. A Câmara de Faro anunciou que pretende adquirir o «Atrium Faro» através de uma parceria público-privada e adaptar o espaço com uma área cultural e outra comercial.
Inaugurado há mais de dois anos, o Atrium Faro situa-se na principal artéria da baixa de Faro, sobre o antigo Cine-Teatro Santo António. O espaço tem 30 lojas, mas apenas três estão ocupadas, tendo as salas de cinema encerrado há cerca de mês e meio.