Liberdade e o Direito de Expressão

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Portugal precisa de um novo 25 de Abril

"Mas que raio de país é este?"

Capitão de Abril faz duras críticas à corrupção e à Justiça. Vasco Lourenço diz que "É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres."

O presidente da associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, defendeu, no sábado, num jantar comemorativo da revolução, em Almada, que Portugal «precisa de um novo 25 de Abril pela justiça social». O capitão de Abril afirmou que «é necessário que em Portugal se acabe com o esquema terrível de compadrio, com a impunidade perante situações de corrupção e com o mau funcionamento da Justiça».
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril», vincou, em declarações à Lusa. Para Vasco Lourenço, «comemorar a Revolução é invocar, acima de tudo, a grande esperança que os portugueses tiveram naquela altura por um país melhor, mais desenvolvido, mais igualitário, mais justo, mais livre, e reafirmar teimosamente a nossa vontade em lutar por esses ideais, por mais difícil que isso possa parecer».
«É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. Mas que raio de país é este, mas que raio de Justiça é esta?», disse perante uma sala com mais de 700 pessoas. O militar esclareceu, contudo, que não se refere a uma «ruptura violenta», antes a um «apelo à pressão sobre os responsáveis políticos para que estas situações se alterem». «É necessário que os eleitos não se esqueçam dos eleitores», defendeu.
A luta, disse, tem que travar-se também nos programas curriculares da história que contamos às gerações que nasceram já depois da liberdade: «Estamos a contar mal a luta antifascista às gerações mais novas. É preciso continuar a lutar pelo esclarecimento, e para evitar o branqueamento do fascismo, para que a memória não se perca.»

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril

A ganância dos nossos gestores

Sócrates está de acordo com as críticas do Presidente da República sobre a vertigem gananciosa de alguns gestores.

O primeiro ministro afirmou hoje acompanhar as críticas do Presidente da República à "vertigem gananciosa" de algumas remunerações auferidas por gestores e frisou que o Estado se opôs e condenou essas práticas. José Sócrates falava aos jornalistas, na Assembleia da República, depois de o Presidente da República ter criticado no seu discurso na sessão solene do 25 de Abril os prémios e bónus recebidos por gestores numa conjuntura económica de crise.
"Eu acompanho essa crítica do Presidente da República. Também eu tenho criticado aquilo que classifiquei como vertigem gananciosa que tem conduzido algumas atuações de empresas um pouco por todo o mundo na remuneração dos seus gestores", respondeu José Sócrates.
Neste ponto, o primeiro ministro salientou que o Governo "decidiu que em 2010 e 2011 o Estado agiria no sentido de não permitir bónus nas empresas públicas e votando contra [a atribuição de prémios] em todas as empresas em que tenha participação".
Interrogado, em concreto, sobre as remunerações auferidas pelo presidente executivo da EDP, António Mexia, em 2010, superiores a três milhões de euros, o primeiro ministro referiu que o Estado, em assembleia geral, votou sempre contra a atribuição de prémios ou bónus este ano.
"O Estado fez aquilo que devia, mas é claro que os privados têm todo o direito em votar como acham que devem votar. Nas assembleias gerais, os privados têm o direito de fazer prevalecer a sua posição se tem uma maioria, mas o Estado sempre votou contra. O Estado não acompanha, critica e condena essas práticas", acrescentou.

"Discurso de Cavaco é inspirador da ação política"

O primeiro ministro afirmou-se hoje de acordo com o discurso do Presidente da República na sessão comemorativa do 25 de Abril, considerando-o portador de atitude de confiança e com linhas "inspiradoras" para a ação política. As palavras de José Sócrates foram proferidas no final da sessão comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República.
"Acho que os senhores jornalistas têm uma grande tendência para interpretar qualquer palavra do senhor Presidente da República como sendo sempre uma palavra que se destina a fazer críticas ou a dar recados, mas não foi isso que vi neste discurso. Pelo contrário, o senhor Presidente da República teve palavras para valorizar a atitude que é necessária de confiança no país", contrapôs o líder do executivo. Para José Sócrates, o discurso feito pelo Presidente da República, durante a sessão comemorativa do 25 de Abril, "foi muito apropriado" face à atual conjuntura política, económica e financeira mundial.
"O Presidente da República referiu-se à questão da confiança, à necessidade de se desenvolverem respostas à crise económica que todo o mundo vive, porque não é apenas Portugal que está a enfrentar momentos difíceis, mas sim todos os países desenvolvidos. Portanto, nessa circunstância, é necessária uma atuação política com resposta para a recuperação económica, mas também que se projete para o futuro", disse. Nas declarações que fez aos jornalistas, José Sócrates destacou especificamente duas áreas abordadas por Cavaco Silva na sua intervenção, classificando-as como "inspiradoras para a ação política".
"O mar, com o desenvolvimento das actividades portuárias e da investigação científica aplicada a esta área, tudo isso são políticas que temos vindo a desenvolver. Nós desenvolvemos muito recentemente um 'cluster' que visa justamente potenciar a oportunidade da energia das ondas. Ainda na sexta feira fui a Leixões justamente para assinalar um investimento que tem a maior importância não apenas para desenvolver o turismo de cruzeiro, mas também a modernização dos portos", sustentou. Neste contexto, José Sócrates disse ter encarado o discurso do Presidente da República como portador das palavras que são "necessárias ao país".
"Vi nas palavras do senhor Presidente da República aquilo que é necessário ao país, confiança, mas também palavras inspiradoras no que respeita à matéria relacionada com o mar, quer no que respeita às indústrias" deste setor, reforçou Sócrates.O primeiro ministro disse depois que, ao longo do discurso de Cavaco Silva, foi possível perceber "que há uma grande concordância com a ideia de que o país deve lutar pela recuperação económica, mas, ao mesmo tempo, deve investir na ciência".

Milhares pedem "Abril de volta"

Vários milhares de pessoas marcaram este domingo presença no habitual desfile comemorativo do 25 de Abril, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, um evento que representou a «consciência popular» de um país que «continua a querer Abril de volta», noticia a Lusa.
Debaixo de um sol mais próprio de Agosto do que de um dia de Abril, milhares de pessoas, vindas de vários pontos do país, concentraram-se na rotunda do Marquês de Pombal para desfilar pela Avenida da Liberdade abaixo e, entre canções de intervenção que marcaram o dia 25 de Abril de 1974, lembrar os valores que a revolta dos Cravos deixou ao país. «Desde o primeiro dia até hoje, foi a melhor coisa na vida que me podia ter acontecido porque vivíamos oprimidos, com fome, com tudo que há na vida do pior», disse à Lusa Pombalina Correia, 76 anos. «É importante trazermos todos para não se esquecer que se se deixar de ser livre, será certamente uma vida pior», defendeu por seu lado, Rui Pedro, com a filha às cavalitas. Vai explicando à filha o que foi o 25 de Abril porque «a liberdade também é uma coisa que se constrói todos os dias e a própria memória também deve ser revista e analisada para se poder projectar para a frente».
Margarida tem apenas 12 anos, mas também desfila de cravo na mão. «Havia uma ditadura e nós conseguimos acabar com ela», explicou à Lusa. Para Margarida, que conhece o 25 de Abril pelos livros de história e pelo que ouve dos pais, isso foi um facto muito importante. «É importante porque voltámos a ter a nossa liberdade e isso é uma coisa boa», explicou.
Presente no desfile, o líder do Bloco de Esquerda, com centenas de milhar de pessoas nas suas costas, vê naquela multidão a representação da «consciência popular. Representa também uma reacção, uma resposta, uma dignidade das pessoas num país em que se dá dez milhões de euros a um Paulo Teixeira Pinto, três milhões de euros ao António Mexia, oito milhões a um João Rendeiro, 108 milhões àquela gente do BCP. Então não aceitamos que haja esta pobreza», defendeu Francisco Louçã.
Já para Jerónimo de Sousa, secretário geral do Partido Comunista Português (PCP), este é um desfile que «não tem nada de saudosismo», mas é antes uma «acção viva». «Ao fim de 36 anos, qual a razão funda que leva tanta gente a manifestar-se aqui, em massa, para além das milhares de iniciativas por todo o país? Eu creio que tem a ver com um povo que apesar de um Abril mutilado, com conquistas e direitos destruídos, continua a querer este Abril de volta», defendeu. «As pessoas continuam com os valores de Abril bem presentes e sentem que, nomeadamente em momentos de crise como os que vivemos, é à volta dos valores de Abril que se pode construir um Portugal melhor», apontou, por seu lado, o capitão de Abril, Vasco Lourenço.
Francisco Assis, líder parlamentar do Partido Socialista, salientou como no desfile iam lado a lado vários líderes partidários que normalmente pensam de maneira diferente e discutem na sua vida politica, mas que reconhecem os valores de Abril. «Não tenho a mais pequena dúvida [de que os valores de Abril não foram esquecidos] porque o valor fundamental é a liberdade e é esse que eu estou aqui a comemorar porque é um valor presente na nossa vida e no nosso dia a dia e é um valor pelo qual os portugueses estão sempre dispostos a lutar», defendeu.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ainda o dia dos cravos

25 de Abril assinalado em Lagos

As comemorações do 35.º Aniversário do 25 de Abril, cujo programa se iniciou a 17 de Abril com a Gala do Desporto, tiveram o seu ponto alto no passado Sábado.

Cerimónias solenes, actividades culturais, entrega de Habitação Social, a assinatura de um acordo para a área da formação e a inauguração da primeira unidade hoteleira resultante do Plano de Urbanização da Meia Praia, marcaram as comemorações do 35.º Aniversário do 25 de Abril em Lagos
As cerimónias começaram com o Hastear da Bandeira no Edifício Paços do Concelho, à qual compareceram os representantes e membros dos órgãos autárquicos, as forças de segurança e os clubes e associações locais. Daqui a comitiva rumou em direcção ao Centro Cultural de Lagos, onde teria lugar a Sessão Solene conjunta da Assembleia Municipal, da Câmara e da Assembleia da Juventude, num cortejo liderado pela Banda Filarmónica Lacobrigense 1.º de Maio e seguido por muitos populares que não perderam a oportunidade de se associar às comemorações.
O mesmo espaço acolheu, na parte da tarde, a Cerimónia de Atribuição de Fogos do Empreendimento Habitacional a Custos Controlados de Espiche.
O dia ficaria ainda marcado pela Inauguração do Hotel Vila Galé Lagos, na Meia Praia, a que presidiu o Primeiro-Ministro José Sócrates e outros membros do Governo, bem como pela Cerimónia de Assinatura do Acordo de colaboração que a antecedeu, onde a Câmara de Lagos, a Delegação Regional do IEFP, a Universidade do Algarve, a Escola de Hotelaria e Turismo e as escolas de Lagos com formação profissional, se comprometeram a estabelecer uma parceria no sentido de adaptarem as respostas formativas às necessidades do mercado de trabalho e, assim, garantir uma maior qualificação da mão-de-obra e respectiva empregabilidade.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Rescaldo do 25 de Abril

Os «recados» de Cavaco Silva

«Este não é tempo de promessas fáceis, que depois se deixarão de cumprir», disse o Presidente da República. «è preciso aprender com os erros do passado».

O Presidente da República no discurso de comemoração dos 35 anos do 25 de Abril, instou os políticos portugueses a darem o «exemplo» no ano eleitoral que se avizinha. Cavaco Silva pediu que não se perca tempo com «questões artificiais», que não se «gaste» em demasia, que não se use «linguagem excessiva» e diz ainda que «este não é o tempo de promessas fáceis» e de política de «ilusões».
Os três actos eleitorais de 2009 foram uma das preocupações centrais de Cavaco Silva no discurso deste sábado. O Presidente da República (PR) pediu um combate à abstenção, devido ao perigo de enfrentarmos um «sério problema de legitimação democrática», mas sobretudo enviou «recados» aos partidos sobre a forma como devem decorrer as eleições deste ano. «Aquilo que se promete deverá ter em conta a realidade que vivemos no presente e em que iremos viver no futuro (...). Quem prometer aquilo que objectivamente não poderá cumprir estará a iludir os cidadãos (...). Este não é o tempo de promessas fáceis, que depois se deixarão por cumprir».
As «indicações» de Cavaco têm também como preocupação os problemas de todo o país: «Considero essencial que os próximos actos eleitorais tenham como horizonte Portugal inteiro. As campanhas devem decorrer com serenidade e elevação e os portugueses esperam que, num tempo de dificuldades, os agentes políticos saibam dar exemplo». Um «exemplo» que deve começar no «respeito» entre políticos, «sem linguagem excessiva, nem crispações». Cavaco pede uma campanha em que sejam discutidos «os problemas reais das pessoas e do país. Que não se perca tempo com questões artificiais, que haja sobriedade nas despesas, que não se gaste o dinheiro dos contribuintes em acções de propaganda demasiado dispendiosas para o momento que atravessamos».

«Vivemos tempos muito difíceis».
O Presidente da República não deixou de fora do seu discurso os problemas que o país atravessa devido à crise. Cavaco fez referência às «centenas» de trabalhadores que todos os dias vão para o desemprego e às notícias de encerramentos de fábricas e empresas. Portugueses que «até há pouco tempo viviam com algum desafogo e pertencem agora ao grupo dos novos pobres».
O PR afirma que não é possível «ignorar» as previsões económicas divulgadas por organizações nacionais e internacionais. «Não há, assim, a certeza de que este seja um momento meramente transitório de recessão, a que se seguirão melhores dias». O debate eleitoral é, para Cavaco, umas das preocupações e por isso mesmo deixa «recados» sobre a forma como os partidos têm debatido as questões do país. O Presidente pede que não se «perca tempo e energias com recriminações sobre o passado».
«Politicas que foram adoptadas anteriormente podem ter sido correctas na conjuntura em que então se vivia, mas não o serem nos dias de hoje, do mesmo modo que actualmente, haverá porventura que tomar medidas que não seriam adequadas no passado», disse. O Presidente da República, em dia de Liberdade, confessa ainda que não perdeu a «esperança no futuro», que a «crise será vencida» e, «então, seremos dignos daqueles que, há mais de três décadas, tiveram a coragem de se levantar porque acreditaram num país novo e num futuro melhor».

Sócrates reage a avisos de Cavaco

Primeiro-ministro nega que recado de «promessas fáceis» seja para o Governo

Sócrates disse que está de acordo com o discurso de celebração do 25 de Abril do Presidente da República (PR), que considerou que este não é o tempo para promessas fáceis. «Não podia estar mais de acordo com o discurso do senhor Presidente», disse o primeiro-ministro, no final da cerimónia, acrescentado que o PR «convocou os portugueses para votarem e empenharem-se nas escolhas políticas - e é o que vamos fazer este ano».
Questionado se o Governo se sentiu visado quando o Presidente da República avisou que não devem ser apresentadas «promessas fáceis» aos portugueses, José Sócrates negou. «Pelo contrário, o Presidente da República chamou a atenção para as dificuldades e para a necessidade de os políticos terem propostas realistas e concretas em relação aos problemas do país. Penso que todos estamos empenhados numa política de verdade. Pela sua parte, o Governo não está empenhado em outra coisa que não seja justamente nisso», sustentou. O primeiro-ministro considerou ainda que «o Presidente da República chamou a atenção para que os políticos se concentrem nas propostas para resolver os problemas em concreto do país, que são muitos e que derivam de uma crise internacional muito severa e exigente. Essa crise vai convocar naturalmente a energia de todos», frisou o primeiro-ministro.
José Sócrates destacou também o facto de Cavaco ter chamado a atenção para «a necessidade de uma reforma das instituições internacionais». «Muitos abusaram da liberdade do mercado, que é também uma condenação das ideologias que visam no mercado livre a solução para todos os problemas. A regulação internacional é absolutamente essencial», acrescentou. Já em relação às críticas do PSD, o primeiro-ministro afirmou que se há crítica que a fazer às anteriores gerações é que não fizeram o que deviam para que existissem mais oportunidades, prometendo que o Governo fará «política de verdade» mas com «ambição».