Clínica funcionava nas traseiras de um cabeleireiro. Os inspectores encontraram e apreenderam centenas de embalagens de medicamentos, seringas e agulhas cirúrgicas. "Queremos informar os consumidores de que há opções".A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica encerrou esta semana uma clínica de tratamentos anti-celulite, em Faro, no Algarve. No processo-crime que instaurou, a ASAE fala em corrupção de substâncias médicas e prática de medicina por pessoa não habilitada. Na clínica, que funcionava nas traseiras de um cabeleireiro, os inspectores encontraram e apreenderam centenas de embalagens de medicamentos na sua maioria fora de prazo, diversos produtos homeopáticos sem identificação nem rotulagem e ainda uma quantidade significativa de seringas e agulhas cirúrgicas. O estabelecimento em causa já tinha sido alvo de queixas-crime apresentadas por três pacientes, a quem os tratamentos terão provocado lesões permanentes. Agora está encerrada e o responsável, de nacionalidade portuguesa, é alvo de um processo-crime.
3,5 milhões de material contrafeito apreendido
São números referentes a 2010 e excluem a apreensão de computadores, CDs e DVDs, no valor de 436 milhões de euros e englobados no crime de usurpação de direitos de autor. Três milhões e 405 mil euros é o valor do material contrafeito apreendido pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) em 2010. Vestuário e acessórios representam a grande fatia dos produtos apreendidos. Comparando com 2009, houve o dobro de apreensões. O relatório anual da ASAE dá conta de um aumento de operações de combate à contrafacção, mas também de uma aposta na investigação.
"Aumentámos a eficácia e apostámos na investigação"
“Conseguimos aumentar a nossa actividade e penso que, mais importante que isso, conseguimos aumentar a nossa eficácia em termos de actuação, não só na parte visível, ao nível de colaboração nas feiras, mas também ao nível do serviço de investigação que está a ser feito, [em que] conseguimos óptimos resultados”, refere à Renascença Pedro Pitchioki, director de operações da ASAE. As feiras são um local onde a fiscalização é apertada, mas não só: existem fábricas clandestinas a pôr no mercado artigos contrafeitos, na sua maioria vestuário.
Maior parte das apreensões são peças têxteis
“Os produtos mais apreendidos por nós referem-se à parte têxtil. Depois, vem a outra, em termos de marroquinaria, óculos, sapatos, perfumes. Tem uma expressão menor. Os têxteis são a fatia maior em termos de apreensões”, indica o responsável. Os três milhões e 405 mil euros em material apreendido excluem computadores, CDs e DVDs, que representam 436 milhões de euros e estão englobados no crime de usurpação de direitos de autor. Apesar do aumento das apreensões, a procura não diminuiu. Milhares de portugueses continuam a comprar artigos de imitação. A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica é um dos parceiros do portal anti-contrafacção que hoje é apresentado em Lisboa e que foi criado para combater este tipo de crime.
Nova base de dados permite comparar e poupar nos medicamentos
Num medicamento para a trombose, a poupança chega aos 300 euros por ano. Está disponível na Internet uma base de dados que permite comparar preços de cinco mil medicamentos. A iniciativa é da Deco e tem como objectivo promover uma maior transparência ao nível dos preços. “Queremos informar os consumidores de que há outras opções e ver na nossa base de dados, ou pelo nome comercial ou por princípio activo, qual a opção mais barata”, explica à Renascença Cristina Cabrita, da associação de defesa do consumidor. “Depois de analisar o medicamento mais barato, poderá falar com o seu médico ou na farmácia, caso a receita permita a substituição”, acrescenta.
O consumidor tem, assim, oportunidade de optar por um medicamento mais barato. A poupança, de acordo com estudos feitos pela associação, pode chegar aos 300 euros anuais. Num medicamento para a trombose, a poupança pode chegar aos 300€/ano. “Temos um exemplo de um medicamento para prevenir tromboses, em que uma embalagem de marca é de 29,49 euros – já com o desconto, com a participação – e se o consumidor optar por uma alternativa mais barata fica a quatro euros. No total, no ano, porque isto é um medicamento que se toma cronicamente, o consumidor poupa 300 euros”, revela Cristina Cabrita. A nova ferramenta para ajudar os portugueses em tempo de crise está disponível a partir desta sexta-feira na Internet, aqui, no site da Deco/Proteste.
Antero Luís vai coordenar todas as forças de segurança
O Conselho Superior de Magistratura já autorizou a comissão de serviço que foi pedida pelo Governo. Antero Luís, actual director geral do Serviço de Informações e Segurança (SIS), vai ser o substituto de Mário Mendes e será o próximo secretário-geral do Sistema de Segurança Interna. Como avançou a Renascença avançou há 15 dias. O Conselho Superior de Magistratura já autorizou a comissão de serviço que foi pedida pelo Governo. O pedido do gabinete do primeiro-ministro chegou em mãos no início da semana ao presidente do Conselho Superior da Magistratura. E, como já tinha havido nas duas últimas semanas uma consulta informal aos restantes 17 membros do Conselho, Noronha do Nascimento decidiu responder praticamente de imediato.
Na quarta-feira, concluiu o despacho onde autoriza a comissão de serviço de Antero Luís como secretário-geral do Sistema de Segurança Interna. Uma decisão que já valida o pedido do Governo, permitindo, por exemplo, que se vá tratando da indigitação, da marcação da obrigatória audição parlamentar e até mesmo de uma data para a tomada de posse. No entanto, só ficará totalmente concluída com a ratificação do Conselho, o que só deverá acontecer no próximo plenário, marcado para 15 e 16 de Fevereiro. Esta "luz verde" do órgão que tutela os juízes portugueses era o passo decisivo que faltava para que Antero Luís possa assumir o cargo. Era aliás considerado um obstáculo, tendo em conta que nem todos os conselheiros concordam que este juiz desembargador tenha uma terceira comissão de serviço consecutiva.
Quem é o homem que vai coordenar todas as forças de segurança?
Antero Luís é natural de Vinhais, em Trás-os-Montes, e tem 50 anos, acabados de fazer em Dezembro. Na magistratura está há 25, para onde entrou depois da licenciatura em Direito concluída em 1981, na Universidade de Lisboa. Bragança, Macedo de Cavaleiros, Vila Nova de Gaia, Faro e Porto foram as comarcas por onde passou. Um percurso que fica marcado por quatro outras tarefas. Entre 1996 e 2001, por dois mandatos consecutivos, foi secretário-geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses. Em 2000 e 2001 esteve em Timor Leste, ao serviço das Nações Unidas como juiz formador, tendo participado nalguns colectivos que julgaram líderes de milícias.
Em 2004 e 2005, foi vogal e porta-voz do Conselho Superior da Magistratura, para onde foi eleito pelos juízes. E em Outubro de 2005, foi escolhido por José Sócrates para ser director-geral do Serviço de Informações de Segurança (SIS), cargo onde permaneceu até agora sem alterações. Um pouco mais de cinco anos de mandato que fazem deste juiz desembargador o segundo director do SIS que mais tempo se manteve em funções. Antero Luís vai substituir o juiz conselheiro Mário Mendes que, tendo-se jubilado em Dezembro, optou por cessar as funções públicas que desempenhava. Mário Mendes foi o primeiro secretário-geral do Sistema de Segurança Interna. Iniciou funções em Outubro de 2008. Deixará o gabinete em Fevereiro de 2011.



