O ainda Primeiro Ministro centrou o debate nas contradições do líder do PSD. Passos Coelho contrariou posisões tomadas pelo chefe do Governo em exercício, e afirmou que estamos no "fim do ciclo socrático".
Os debates televisivos em torno das eleições legislativas antecipadas terminam hoje com o aguardado confronto entre o líder do PS, José Sócrates, e do PSD, Pedro Passos Coelho, a dois dias do arranque oficial da campanha. Desde 06 de maio, os líderes das cinco forças partidárias com assento parlamentar já protagonizaram um total de nove debates nas três estações televisivas generalistas (RTP, SIC e TVI), à semelhança do modelo adotado em 2009. O frente-a-frente de hoje terá uma duração de 60 minutos, ao contrário dos restantes, que se realizaram durante 45 minutos. No final do debate, os candidatos fazem uma intervenção de fecho, com o máximo de um minuto. Até ao momento, o debate entre José Sócrates e o líder do CDS-PP, Paulo Portas, a 09 de maio, foi o mais visto, por cerca de 1,5 milhões de pessoas. Segundo politólogos contactados pela agência Lusa o primeiro debate entre Sócrates e Passos Coelho assume maior relevância que outros no passado, envolvendo "expetativas relativamente altas", dado o número de indecisos e os empates técnicos revelados nas sondagens. As eleições legislativas antecipadas realizam-se a 05 de junho e a campanha eleitoral decorre entre 22 de maio a 03 de junho.
Sócrates centra debate nas posições de Passos, líder do PSD responde com herança do primeiro-ministro
José Sócrates confrontou ontem Passos Coelho com posições que defendeu sobre a economia portuguesa em 2009 e sobre a saúde, enquanto o líder do PSD exigiu que o secretário-geral do PS discutisse as suas responsabilidades enquanto primeiro-ministro. A primeira metade do debate entre os líderes do PS e do PSD, na RTP, foi caracterizado por uma autêntico braço de ferro em torno de quem comandava os temas a colocar à discussão. Sócrates começou por apresentar um relatório assinado por Passos Coelho enquanto administrador da Fomentinvest (de 2010, em relação à situação económica de 2009) em que este último assumiu a dimensão internacional da crise financeira portuguesa e, mais à frente, citou diversas posições do presidente do PSD sobre saúde, acusando-o de pretender "destruir" o Serviço Nacional de Saúde.
Passos Coelho, pelo contrário, procurou colocar a questão central do debate nos seis anos de Governo de José Sócrates, acusando o secretário-geral do PS de querer discutir as ideias do PSD para encobrir "a vacuidade" do programa do PS, de pretender fugir às suas responsabilidades enquanto primeiro-ministro, depois de deixar o país à beira "da bancarrota", com 700 mil desempregados, de ter cortado salários e prestações sociais. "O senhor vai a votos como primeiro-ministro", mas é espantoso a dificuldade que tem em discutir as suas responsabilidades", disse Passos Coelho, ouvindo a seguinte resposta de Sócrates: "Sou responsável por todas as medidas difíceis, nunca virei a cara às dificuldades, mas o senhor é responsável pela abertura de uma crise política, que levou Portugal a pedir ajuda externa".
Passos Coelho sentencia "fim de ciclo" de Sócrates como primeiro-ministro
O presidente do PSD, Passos Coelho, sentenciou o "fim de ciclo" do primeiro-ministro socialista José Sócrates, após o debate televisivo que os opôs, o último de uma série de 10 sobre as Legislativas de 05 de junho. "O debate foi bastante vivo. Os portugueses tiveram oportunidade de confrontar alguém que está a chegar ao fim de um ciclo. Há uma nova liderança em Portugal", afirmou o líder social-democrata à saída das instalações da RTP. Para Passos Coelho, "Sócrates está a chegar ao fim do seu tempo como primeiro-ministro, sem conseguir apresentar propostas para o futuro". Sublinhou que o secretário-geral socialista se limitou a tentar criticar o programa de Governo do PSD.
"Eu esforcei-me para que essa imagem de confiança chegasse aos portugueses. Escolhi o caminho mais difícil que foi dizer o que vou fazer, ao invés de dizer o que não vou fazer", continuou. Sobre os resultados das eleições e futura formação de governo, Passos Coelho reiterou a posição de apenas aceitar o cargo de chefe do Executivo em caso de vitória. "A minha posição é transparente e clara. Os portugueses compreenderiam que se eu não ganhasse as eleições ia formar eu o Governo?", questionou, acrescentando que o PSD, sob a sua liderança, demonstrou responsabilidade, com a viabilização do orçamento de Estado e várias medidas de exceção apresentadas por Sócrates. Sobre a constituição do próximo Executivo, Passos Coelho limitou-se a dizer que "o Governo não pode ser uma salada russa".
Passos diz que redução da despesa está a ser feita pela metade, Sócrates acusa-o de maledicência
O presidente do PSD criticou a execução do Orçamento para 2011 dizendo que a redução da despesa está a ser feita pela metade, o que levou o primeiro-ministro e secretário-geral do PS a acusá-lo de maledicência. "A execução orçamental que foi hoje divulgada e que, pelos vistos, gera a satisfação ao senhor engenheiro Sócrates, gera a maior preocupação para quem pode vir a ser Governo a partir de junho", porque a despesa primária "está a descer pela metade", disse o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, num debate com o secretário-geral do PS, na RTP. Segundo Passos Coelho, "os objetivos fixados para este ano de 5,9 por cento para o défice já não são atingíveis se o resultado da execução orçamental que foi hoje divulgada for projetado para o resto do ano", o que significa que "o engenheiro Sócrates não conseguiu deixar arrefecer o que assinou com a União Europeia e já não está a cumprir". José Sócrates reagiu acusando Passos Coelho de "dizer mal de tudo, até das boas notícias", quando o Governo conseguiu reduzir "75 por cento o défice relativamente ao ano passado", e considerou que é tempo "de parar com a maledicência"
"Derby" entre claques "laranja" e "rosa" à porta da RTP
Mais de uma centena de apoiantes socialistas e social-democratas concentrou-se em frente à RTP, cerca de hora e meia antes do início debate Sócrates-Passos Coelho, disputando uma espécie de "derby" de palavras de ordem. Quando o primeiro-ministro demissionário chegou à RTP encontrou apenas intenções de votos à direita. É que os militantes estavam separados pela estrada de acesso à RTP e os elementos da JSD escolheram o lado esquerdo para saudar Passos Coelho. Uns chegaram em carros particulares, outros em autocarro, quase todos vestidos a rigor, com t-shirts com os seus "líderes", empunhando bandeiras de todos os tamanhos e com a ajuda de megafones, mais de 100 pessoas fizeram uma festa de aquecimento, durante mais de uma hora, sob vigilância de uma dezena de polícias. Mas houve quem tenha passado despercebido aos olhares da PSP. Um pouco mais longe do portão, dois candidatos por Lisboa e o cabeça de lista por Santarém do Partido Nova Democracia assistiram ao espetáculo. "Ali em cima estão as claques de futebol", ironizou o candidato do PND Sérgio Pina, junto da sua carrinha mortuária decorada.
Entre as bandeiras socialistas, sobressaía o turbante roxo de Harbhajansingh, operário de construção civil indiano, de 50 anos, há 20 a viver em Portugal, ladeado do comerciante paquistanês Ashraf Sahi, de 55 anos. As dificuldades com o Português não impediram o operário indiano de dar a sua opinião, recorrendo à língua inglesa: "Com Sócrates muito bom. No problem!". "O meu coração é PS e gosta muito de Portugal", acrescentava o paquistanês Sahi, que chegou a Lisboa há 18 anos. Do outro lado da estrada, os megafones social-democratas tentavam abafar a festa socialista: "Assim se canta, assim se vê é a força do PSD", gritavam os jovens, que às 20:30 começaram a abandonar o "estádio", já com os dois protagonistas do último da série de dez debates televisivos nos "balneários" a ultimar a maquilhagem. "Espero que se discutam ideias, que é algo que tem faltado", disse à Lusa Rui Castelhano, um jovem elemento da junta de freguesia de Agualva, Sintra. O autarca social-democrata considerou Passos Coelho a "pessoa certa, no momento certo para o país ultrapassar a situação difícil".
Ministro da Justiça assegura que sistema prisional "não está em situação de rutura"
O ministro da Justiça, Alberto Martins, garantiu ontem que o sistema prisional português "não está em situação de rutura", mas admitiu que se trata de uma "preocupação". "O sistema prisional não está em rutura, é uma preocupação que está a ser respondida", afirmou Alberto Martins, em declarações aos jornalistas à margem da inauguração do novo Tribunal de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, nos Açores. O ministro salientou que a situação do sistema prisional "está próxima da lotação" máxima, mas frisou que estão a ser tomadas medidas para inverter este quadro. Nesse sentido, recordou as obras em Alcoentre e no Linhó para "alargamento do espaço prisional", que poderá albergar mais três centenas de reclusos. A "gestão não condicionada" de reclusos nas cadeias portuguesas e a construção de novos estabelecimentos prisionais já "decidida" também vão contribuir para melhorar a situação do sistema prisional. Por outro lado, Alberto Martins recordou que a contabilização dos reclusos "não valoriza os que estão em regime aberto, livre, de saída", cuja existência "descongestiona" o serviço prisional.
Louçã prova "rosas", um doce tradicional, durante visita ao Festival Islâmico de Mértola
O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, visitou ontem o Festival Islâmico de Mértola, com a crise como pano de fundo nas conversas com os vendedores, onde houve tempo para provar "rosas", um doce tradicional local. O Festival Islâmico de Mértola, no distrito de Beja que é de tradição comunista, recebeu hoje a visita de Francisco Louçã, num contacto com a população que durou cerca de uma hora. Rua acima, rua abaixo, num ambiente multicultural e diversificado, com inúmeras bancas com vários produtos, Louçã contactou com população e vendedores. Distribuiu jornais, cumprimentou quem passava, perguntou aos vendedores pelo estado do negócio, e houve até alguns que pediram para tirar uma fotografia com o líder do bloco. Uma das paragens mais demoradas de Louçã foi no espaço da Paróquia de Mértola, onde se faz a venda de vários produtos para angariar fundos, e aí, as várias voluntárias que lá estavam, deram pirolitos, rosas e demais doces para o candidato provar. "Não me encham de guloseimas senão não saio daqui", disse, em tom de brincadeira.
Questionado pelos jornalistas sobre o facto de ter comido um doce com o nome do símbolo socialista, Louçã, de novo em registo divertido, respondeu: "é uma rosa muito diferente daquela que está a pensar". "De qualquer forma tudo o que é natural é bastante melhor do que o que é artificial", atirou. Sobre o Festival Islâmico de Mértola, o coordenador do bloco disse levar "o encanto de pessoas, de culturas muito diferentes que gostam de viver no nosso país, que se sentem bem aqui entre os nossos e que são dos nossos". "Isso faz parte da grandeza do país. Ter sido um país de tanta emigração e que recebe tão culturas diferentes porque se respeitam, porque são todos responsáveis e porque são muito importantes para a vida comum", afirmou. Sobre as conversas que teve com os vendedores, Louçã manifestou preocupação por um grupo de apicultores que lhe disse que a associação ia fechar "porque lhes tinha sido prometida uma ajuda técnica que foi recusada esta semana". A viagem em pré-campanha por terras alentejanas da comitiva do Bloco de Esquerda segue agora para Elvas, para o comício da noite.
Jerónimo de Sousa exige que Governo diga quem pagou resultados da execução orçamental
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, exigiu ontem que o Governo explique os resultados conseguidos na execução orçamental, afirmando que por trás dos números estão "sacrifícios" pedidos "a quem menos tem e menos pode". Instado a comentar os números da execução orçamental hoje divulgados, à margem de uma ação de pré-campanha eleitoral no distrito de Braga, Jerónimo de Sousa afirmou que o Governo é "perito em estatísticas", mas "o que é importante saber é à custa de quem" se conseguiu a redução do défice. "É fácil apresentar estas contas, mas à custa de uma maior exploração, da degradação das condições de vida, particularmente de quem trabalha e quem vive da sua reforma ou da sua pensão", disse. Jerónimo de Sousa afirmou que "foram esses que pagaram, provocando consequências sociais dramáticas e aleijões sociais de difícil recuperação". "Podem até resolver o problema do défice", admitiu, referindo-se também à ajuda externa a Portugal.
Mas para Jerónimo de Sousa, "dois mais dois são quatro": reduzem-se "salários e pensões, aumentam-se os impostos e reduzem-se apoios sociais", mas em contrapartida "os grandes lucros e o grande capital" passam "incólumes". E quanto ao Banco de Portugal, "limita-se a trautear a canção da 'troika', que no seu programa já prevê a recessão, o aumento do desemprego e uma severa austeridade". "A questão é saber onde é que isto vai parar", apontou. O défice do subsetor Estado nos quatro primeiros meses do ano foi de 2539 milhões de euros, uma redução de 45,3 por cento quando comparado com igual período do ano passado, segundo a execução orçamental. De acordo com os dados hoje divulgados pela direção Geral do Orçamento, as contas públicas beneficiaram ainda de uma melhoria de 181 milhões de euros no saldo dos Serviços e Fundos Autónomos, incluindo o Serviço Nacional de Saúde, apresentando um saldo positivo de 991 milhões de euros.
Paulo Portas insiste em avaliação de professores baseada no modelo dos privados
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, insistiu ontem num modelo de avaliação dos professores baseado no sistema do ensino particular e apontou a autoridade dos docentes como essencial no setor da Educação. "[O sistema vigente no ensino particular e cooperativo] funciona, está a correr bem e foi subscrito por professores e empregadores", declarou Paulo Portas, depois de uma visita à feira quinzenal de Arouca e de outra à Vicaima, uma empresa em Vale de Cambra. Entre os aspetos positivos que identifica no modelo atualmente em vigor no ensino particular, Paulo Portas sublinhou que o relatório é entregue a 30 de junho, quando as aulas já acabaram, que a avaliação é feita pelo diretor pedagógico, ou seja, o avaliador não concorre com o avaliado para o mesmo lugar, que a avaliação termina antes do novo ano letivo começar e que em caso de divergência existe um sistema de arbitragem para a dirimir. Para o líder dos centristas, a avaliação deve ser "exigente", mas "nem injusta nem burocrática", e deve também incidir sobre alunos, manuais, currículos, programas e escolas.
"Comprometo-me com um modelo de avaliação de professores que é exigente, mas justo. Não é burocrático nem discriminatório", assegurou. Em relação à autoridade dos docentes, o cabeça de lista por Aveiro e candidato a primeiro-ministro admite que "em casa manda a família", mas argumenta que "a autoridade na escola tem que ser o professor". Depois, no que se refere à avaliação dos alunos, Paulo Portas disse apoiar um sistema "que implica exames no final de ciclo", o que habitua os jovens "à superação de dificuldades", já que quando concluírem a escolaridade é isso que vão encontrar "na vida laboral". Autoridade ao professor, avaliação de alunos e avaliação de docentes foram assim "os três princípios" que o líder do CDS-PP aponta como "essenciais" no domínio da Educação e aos quais reconhece a capacidade de, "com adaptações, inspirarem uma solução no ensino público".
Presidente da CIP diz que "tem faltado bom senso na campanha" eleitoral
O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, disse ontem, na Mealhada, durante um debate com empresários, que "tem faltado bom senso na campanha eleitoral", embora os portugueses estejam "obrigados" a entenderem-se. "Tem faltado bom senso nesta campanha" eleitoral, criticou o dirigente da CIP, advertindo que, no entanto, "o próximo governo deverá ter uma ampla base de apoio", ou seja, "deverá ser de coligação". António Saraiva falava hoje à tarde numa unidade hoteleira da Mealhada (Aveiro), num debate sobre "as opções político-partidárias para a fileira da madeira e do mobiliário", com representantes dos cinco maiores partidos com assento na Assembleia da República, promovido pela Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP). "Temos de, em concertação social, chegar a um acordo para o desenvolvimento" do país, sustentou o presidente da CIP, sublinhando que "estamos todos, sem exceção, obrigados a entendermo-nos". Na ocasião, António Saraiva defendeu que "o grande problema das empresas" portuguesas - e não apenas do setor das madeiras e do mobiliário - é o financiamento, seguindo-se "os pagamentos fora de prazo e a falta de funcionamento da justiça". As leis laborais "só surgem em sétimo lugar" na lista das "principais preocupações das empresas", segundo um estudo interno feito pela CIP aos seus associados, salientou aquele responsável.
Além de António Saraiva, participam no debate, Fernando Rolin, presidente da AIMMP, Pedro Filipe Soares, deputado e cabeça de lista do BE pelo círculo de Aveiro, Miguel Viegas, também cabeça de lista por Aveiro, pela CDU, Basílio Horta, primeiro nome da lista do PS por Leiria, Salvador Malheiro, líder da Comissão Política Concelhia do PSD de Ovar, e António Loureiro, presidente da Comissão Distrital do CDS de Aveiro. Com este debate, a AIMMP pretende contribuir para "o esclarecimento dos empresários sobre os planos delineados e conhecer as propostas político partidárias para a fileira da madeira e do mobiliário" dos cinco maiores partidos, disse, na abertura da sessão, o presidente desta associação. As indústrias da madeira e mobiliário "contabilizam 2,1 mil milhões de euros de volume de vendas e exportam 1,5 mil milhões de euros", sublinhou, na mesma altura, Fernando Rolin. A transformação florestal é responsável, em Portugal, por 14 por cento do PIB [Produto Interno Bruto] industrial, por nove por cento do emprego industrial e 12 por cento das exportações nacionais", acrescentou. "Estamos em vias de sermos um sector de desperdício zero e isso orgulha-nos muito", sublinhou o presidente da AIMMP, mas, alertou, "precisamos do apoio dos nossos futuros parceiros políticos".
Falta de concorrência é "principal problema" de Portugal - Poul Thomsen
O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional para Portugal, Poul Thomsen, identificou ontem a falta de concorrência, além da inflexibilidade laboral, como principais problemas da economia portuguesa.
Sindicatos de polícias espanhóis protestam dia 28 em Portugal contra políticas de "repressão"
Sindicatos de polícias espanhóis anunciaram que vão manifestar-se pela primeira vez em Portugal, dia 28, em solidariedade com os seus congéneres portugueses, que simultaneamente estarão do outro lado da fronteira a protestar contra as políticas de "repressão" do Governo. A ação de protesto dos sindicatos de polícias espanhóis vai decorrer em Vilar Formoso, enquanto que os congéneres portugueses estarão a manifestar-se do lado espanhol, em Fuentes de Oñoro, anunciaram hoje os sindicatos numa conferência de imprensa em Lisboa. "Não é uma manifestação, mas sim duas porque não vai haver misturas", afirmou aos jornalistas o presidente do Sindicato Nacional da Polícia, Armando Ferreira, que adiantou que no protesto estarão presentes também representantes da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia Judiciária.
Por seu turno, o representante da Unión de Guardias Civiles, Manuel Mato, explicou tratar-se de um protesto solidário com os sindicatos portugueses que, no seu entender, estão a ser vítimas de medidas de "repressão" do Governo português. "Portugal tem tido ao longo dos últimos seis anos uma política de repressão contra os seus polícias, sobretudo contra os dirigentes sindicais. São constantemente coagidos e silenciados pelas chefias e pelo poder político só por falar contra o Governo", acusou, chegando mesmo a comparar as políticas de José Sócrates às do salazarismo e franquismo. "Infelizmente em Espanha o Governo, que é gémeo partidário e ideológico do português, também persiste em aprender as coisas erradas com o seu congénere de Portugal", criticou. De acordo com os sindicalistas estarão presentes nos dois protestos cerca de 300 agentes.
"Cidade" dos "indignados" tornou-se em mais um ponto para turista fotografar em Madrid
A 'cidade dos indignados' montada sob toldos azuis no centro da Puerta del Sol, em Madrid, tornou-se um dos pontos de atração para os muitos turistas estrangeiros e espanhóis que estão de visita à cidade. Pequenos e grandes grupos de turistas misturam-se com os manifestantes e visitam as ruas improvisadas sob os toldos, que estão presos com cordas de alpinismo à estátua de Carlos III. Mesmo quem quer registar imagens do próprio monumento do Urso e do Medronho - símbolos da cidade de Madrid - opta por incluir manifestantes ou cartazes de protesto. A coberta espelhada da entrada do Metro ou os andaimes de edifícios circundantes em obras - onde foram coladas centenas de mensagens e palavras de ordem - são outros dos alvos das câmaras dos turistas, muitos dos quais param para conversar com os manifestantes. Interessam-se pelas causas do protesto e depois por entender como está organizada a 'cidade', onde há zonas de armazenamento de comida, zonas para apoio à imprensa, um jardim infantil e, a partir de hoje à tarde, uma zona de estudo. Tudo alimentado desde ontem de manhã por duas placas solares, doadas aos manifestantes, e que se somam assim aos meios de geração de energia de que o acampamento já dispunha.
Com cada vez mais gente na Puerta del Sol e as ações dos manifestantes a ampliarem-se a cada dia que passa, vão circulando pelas redes sociais os pedidos de material mais urgente. Ao início da tarde pedia-se protetor solar, impressoras e tinteiros, discos duros para guardar fotos, vídeos e documentos e até ajuda a criar a versão profissional (paga) de contas de fotos em páginas na Internet. Pede-se água fresca, gasolina para os geradores, areia fina, cadeiras, sacos do lixo, balões e chapéus. Tudo sinais claros de que o acampamento está para permanecer e cada vez mais longe de se retirar até à meia-noite de hoje (menos uma hora em Lisboa), altura em que a Junta Eleitoral Central (JEC) considera que as concentrações passarão a ser ilegais.


