Liberdade e o Direito de Expressão

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Incendios florestais

“Em tempo de guerra não se limpam armas”

Ministro da Administração Interna diz que “o dispositivo atuou para proteger pessoas e bens.

O ministro da Administração Interna disse, hoje, em Braga que o combate aos fogos no Parque Nacional da Peneda-Gerês teve como primeira missão a de "proteger pessoas e bens. O dispositivo reagiu protegendo sempre o essencial, pessoas e bens", realçou em declarações aos jornalistas.
O governante, que sobrevoou de helicóptero o Parque Nacional da Peneda-Gerês para observar a extensão da área ardida nos últimos dias, disse ter ficado a "compreender que o combate às chamas foi extraordinariamente difícil pela orografia e caraterísticas do terreno e porque em muitas zonas há pequenos povoados, com duas três casas, positivamente incrustadas na floresta, e de muito difícil acesso". O ministro enalteceu o que chamou de trabalho "cheio de bravura e de estoicismo", frisando que "felizmente o trabalho teve êxito já que não houve perdas de vidas humanas e de bens pessoais".
O governante havia-se reunido no Governo Civil de Braga com os governadores civis de Braga e de Viana do Castelo, com os autarcas de ambos os distritos, com responsáveis do Parque Nacional, da Proteção Civil, da GNR e da Autoridade Florestal. Questionado sobre as críticas surgidas nos últimos dias à alegada falta de meios no Parque Nacional, Rui Pereira reafirmou o que tem dito: "em tempo de guerra não se limpam armas nem se criam polémicas", declarou. "Fazemos um apelo à coesão e à solidariedade de todos e todos são aqueles que trabalham no dispositivo, os bombeiros, os membros das forças segurança, em especial os da GNR, os sapadores florestais, os autarcas, e a população" que - sublinhou - "tem ajudado a combater os incêndios".
Considerou que o combate aos fogos tem sido feito "com competência e com bravura para salvar pessoas e bens", acentuando que os incêndios vão servir para "posicionar melhor os meios no terreno para preparar para os dias que se avizinham. As forças no terreno têm-me transmitido uma grande determinação", disse, lembrando que infelizmente já houve três bombeiros mortos. O Ministro recordou que aquando dos funerais dos «soldados da paz» encontrou uma forte determinação em todos os bombeiros: "todos me dizem: não vamos esmorecer neste combate", relatou.
Questionado sobre o facto de a PJ já ter detido 22 suspeitos de atear incêndios, Rui Pereira saudou a PJ e as forças de segurança, (GNR e PS) reafirmando que a área ardida é inferior à que foi consumida em anos anteriores onde também se registaram temperaturas elevadas. "Enfrentámos mais dificuldades do que nos três anos anteriores, com condições mais adversas e um conjunto vasto de incêndios, uma média de 300 diários, mas com muitos dias acima dos 400, tendo mesmo chegado aos 500 nalguns dias", frisou.

Proteção Civil: 15 fogos ativos às 20:30h de ontem

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) registava 15 incêndios ativos às 20:30 de hoje, destacando, no entanto, apenas dois e ambos dominados. Segundo a página da Internet da ANPC, permanecem em Cabril, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, 19 bombeiros e quatro veículos, em trabalho de "vigilância", sendo que o fogo foi dado como dominado ao início da tarde de hoje.
No concelho de Paredes de Coura, também no distrito de Viana do Castelo, combateram as chamas 21 bombeiros, apoiados por seis veículos. O incêndio tinha deflagrado perto das 18:00 de hoje. Desde as 00:00, a Proteção Civil registou 199 incêndios, enquanto na terça feira foram 363.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Fogos florestais

Fogos em 2010 já equivale à soma dos três últimos anos

22 fogos activos, reacendimentos no Gerês mobiliza 51 viaturas e dois aviões bombardeiros pesados franceses, da reserva táctica da União Europeia.

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) registou desde o início do ano 14 601 ocorrências de incêndios florestais, valor aproximado à soma dos últimos três anos, das quais mais de metade desde 23 de julho. Em conferência de imprensa na sede da ANPC, o comandante operacional nacional, Gil Martins, revelou ainda que desde 15 de maio registaram-se 13 145 ocorrências e desde 23 de julho 8791. "Há um pico a partir de 23 de julho que nunca mais parou. Estamos com uma média de incêndios florestais de cerca de 400 novas ocorrências por dia. O valor acumulado de ocorrências de 2010 é já muito aproximado à soma de 2007, 2008 e 2009", afirmou.
Às 23 horas de ontem, domingo, a Protecção Civil registava 401 incêncios, menos do que o balanço de ontem, 448, e uma situação que se foi agravando com o decorrer da noite. Segundo o site da Autoridade Nacional de Protecção Civil estavam então 22 fogos em curso, sendo a zona mais preocupante o Gerês. Perto das 20h00, um reacendimento no Fafião (Montalegre), Parque Nacional Peneda Gerês, aumentou para quatro as frentes activas na zona protegida. Na zona do Suajo, onde continuam a esta hora 222 homens, o fogo lavra há cinco dias, apesar de as televisões no local darem conta de uma situação mais calma e perto de ser controlada.
Ao final da tarde o fogo reacendeu também em Baião, concelho fustigado nas úlimas semanas. Em Arões, um incêndio com uma frente que deflagrou esta tarde continua a mobilizar 142 homens. O fogo no Gerês mobiliza 51 viaturas e dois aviões bombardeiros pesados franceses, da reserva táctica da União Europeia. Segundo a última actualização do site da Autoridade Nacional de Protecção Civil, o incêndio lavra com duas frentes activas.
Os incêndios que na última semana têm afectado o parque do Gerês continuam a suscitar críticas. Hoje o governador civil de Braga, Fernando Moniz, citado pela Lusa, considerou as observações do presidente da Câmara dos Arcos de Valdevez, Francisco Araújo, e do director do Parque Nacional da Peneda-Gerês, Lagido Domingues, "injustas e extemporâneas. São críticas que revelam algum provincianismo serôdio", acentuou.
Para o governador, a crítica feita pelo Presidente arcuense de que "há falta de meios" é uma evidência, mas desde que se reconheça que se está a viver uma situação climática excepcional que propicia os acendimentos. "A verdade é que faltam meios mas nos últimos anos a situação melhorou muito", sustenta. Dois outros incêndios que esta manhã ainda estavam activos no Parque Nacional da Peneda-Gerês passaram esta tarde à fase de rescaldo. Fernando Moniz adiantou à Lusa que ele próprio já percorreu a pé a área queimada: "mantém-se uma força significativa de bombeiros no local para trabalhos de rescaldo e consolidação", afirmou.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Fogos Florestais

Fogos trazem Cavaco e Sócrates a Lisboa

Presidente e primeiro ministro interrompem férias para acompanhar situação dos incêndios. Governo diz que está a "fazer tudo" para o combate aos Incêndios e anuncia mais dois meios aéreos para reforçar o dispositivo.

O Presidente Cavaco Silva e o primeiro ministro José Sócrates vão interromper as suas férias para acompanhar, na sexta feira de manhã, um briefing operacional no Comando Nacional de Operações de Socorro, na Autoridade Nacional de Protecção Civil, em Lisboa. A informação da visita do Presidente da República à Protecção Civil chegou às redações a meio da tarde. Umas horas depois os serviços de assessoria de São Bento enviavam uma nota a confirmar a presença do primeiro ministro no mesmo encontro. O briefing operacional terá sido solicitado pelo Presidente da República, que, estando sempre a par das informações sobre os incêndios no país, quis ser informado com mais pormenor, tendo ocorrido, para tal, contactos com o Governo. O Presidente da República deverá regressar ao Algarve, onde se encontra de férias, ainda durante o dia de sexta feira.
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, garantiu hoje que o Governo "está a fazer tudo" o que é possível para combater os incêndios florestais e anunciou a contratação de mais dois meios aéreos para reforçar o dispositivo. Num balanço da operação de combate aos incêndios, no final da reunião do Conselho de Ministros, Rui Pereira anunciou que "dentro de dias" estarão ao serviço do combate a incêndios dois meios aéreos que pertencem a particulares, um helicóptero Kamov e um outro helicóptero pesado. Rui Pereira disse ainda registar a "grande unidade e solidariedade" entre todas as entidades, como autarcas, governos civis e órgãos de polícia, nos teatros de operações.
O ministro remeteu para a Autoridade Nacional de Proteção Civil mais pormenores sobre a aquisição daqueles dois meios, os "únicos que ainda havia no mercado", acrescentando: "Queria fazer um apelo para que temos que remar todos no mesmo sentido", afirmou Rui Pereira, depois de ser questionado sobre as críticas feitas por alguns autarcas relativamente à falta de meios ou descoordenação. "Neste momento, nós temos, para além dos bombeiros voluntários, que são essenciais, bombeiros profissionais, a força especial de bombeiros que já conta com mais de 250 elementos, temos as equipas de intervenção permanente, mais 120 em concelhos de maior perigosidade", sublinhou. "Na parte que se refere ao dispositivo, à capacidade de resposta, nós temos feito tudo, na parte que respeita às condições climatéricas, naturalmente elas são incontroláveis e é a esse propósito que eu falo de um ano particularmente adverso", acrescentou.
Autarca de Ponte da Barca: "População de Germil enfrenta incêndio há dois dias sem apoio de um só bombeiro"

A população da freguesia de Germil, Ponte da Barca, combate há dois dias um grande incêndio que lavra no Parque Nacional da Peneda-Gerês sem qualquer apoio dos bombeiros ou da Proteção Civil, disse o presidente da junta de freguesia. João Pereira descreveu à agência Lusa que as chamas, que chegaram a atingir 1,5 quilómetros de frente e a estenderem-se por três quilómetros, foram enfrentadas, de dia e de noite, nas últimas 48 horas, com vassourras, pás, enxadas, mangueiras, baldes de água e outros utensílios agrícolas.
"Não tivemos nem um bombeiro ao nosso lado", frisou o autarca de Germil, sublinhando que, apesar dos pedidos insistentes feitos ao comando da Proteção Civil, apenas houve cinco descargas de água de um helicóptero, mas deitadas num local "longe das chamas que ameaçam a povoação". João Pereira diz que a ausência de bombeiros ou de outros meios humanos e materiais "é inadmissível" e acusa as autoridades do Parque Nacional da Peneda-Gerês de "terem muitas teorias sobre a preservação do ambiente, prejudicando as populações, mas deixando arder tudo o que há no seu interior". O autarca sublinha que as populações - espalhadas por uma zona de quase dois quilómetros - têm procurado salvar não só as casas da aldeia, mas também uma mata de carvalhos e castanheiros ali existente. "Se aquilo começa a arder, então é que ninguém para o fogo", assinalou.

Incêndio dominado em Gouveia, mas Guarda continua com quatro incêndios em curso

O incêndio que lavrava há dois dias no Alto da Ponte Nova, em Gouveia, distrito da Guarda, foi dominado pelas 20:00h de ontem, estando atualmente em curso 22 em todo o país, segundo a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC). De acordo com informação disponível no portal da ANPC, a Guarda é esta manhã o distrito mais atingido pelas chamas, com quatro incêndios em curso, três dos quais no concelho de Seia. Em Carvalhal da Loiça as chamas são combatidas por 61 homens e 19 veículos, enquanto na Aldeia da Serra, numa área do Parque Natural da Serra da Estrela, estão envolvidos no combate às chamas 101 operacionais, 28 veículos e um meio aéreo e em Sandomil 149 operacionais e 38 veículos. Ainda neste distrito, no concelho de Pinhel, as chamas em Quinta da Chinchela são combatidas por 31 operacionais e sete veículos.
No Parque Natural da Peneda-Gerês prosseguem cinco incêndios, com as chamas a consumir mato em Calcedónia e Vilarinho das Furnas (Braga), em Mezio/Travanca e Soajo (Viana do Castelo) e em Lapela (Vila Real). O combate às chamas nestes cinco locais concentra 240 operacionais e 60 veículos.
No incêndio de Soajo estão três frentes ativas, no de Vilarinho duas, sendo que foi ativado o Plano Municipal de Emergência de Terras do Bouro, em Lapela os bombeiros combatem três frentes de fogo, em Calcedónia, uma, e em Mezio/Travanca, uma. No distrito de Viseu estão em curso três incêndios, em Aguaneiras (S. Pedro do Sul), Quinta dos Caetanos (Moimenta da Beira) e Vila Boa, no concelho de Castro Daire, que são combatidos por 131 operacionais, apoiados por 34 veículos. A ANPC destaca ainda no seu portal o distrito de Vila Real, em Sirarelhos, concelho de Vila Real, onde uma frente ativa é combatida por 193 operacionais e 26 veículos, e Cerquido, Ponte de Lima, (distrito de Viana do Castelo), onde um incêndio com uma frente ativa é combatida por sete homens e três veículos.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fogos florestais

Exército no combate aos incêndios

Combate aos incêndios tem sido "competente e heróico". Ministro recusa ideia de que houve falta de coordenação de meios, nomeadamente no combate ao incêndio de São Pedro do Sul que só ontem - 4 dias depois de ter deflagrado - foi dado como dominado.

O Exército Português mobilizou hoje mais 10 pelotões de militares para operações de combate aos fogos florestais, perfazendo cerca de 250 homens. Este auxílio surge no contexto dos planos Lira e Vulcano, acordados entre o Exército e a Autoridade Nacional de Protecção Civil. Os planos prevêm que o Exército tenha uma ação de vigilância, combate, primeira intervenção, apoio e rescaldos em fogos nas matas nacionais e incêndios em geral.
Neste reforço estão presentes os Regimentos de Infantaria 14 (Viseu), 10 (Aveiro), 15 (Tomar), 13 (Vila Real) e 19 (Chaves), o Centro de Tropas de Operações Especiais (Lamego), Regimento de Artilharia 5 (Porto), a Escola Prática de Serviços (Póvoa do Varzim) e o Regimento de Cavalaria 6 (Braga), distribuidos pelas zonas de Arcos de Valdevez, São Pedro do Sul e Terras de Bouro.
O Ministro da Administração Interna elogiou ontem o trabalho de coordenação da Protecção Civil e o empenho de todos os que no terreno têm estado envolvidos no combate aos incêndios. Rui Pereira esteve hoje reunido com o Comando Nacional de Operações de Socorro da Autoridade Nacional de Protecção Civil e no final sublinhou que "foi preciso um trabalho heróico para evitar que habitações ou pessoas fossem postos em causa pelos incêndios dos últimos dias".
O Ministro recusa a ideia de que houve falta de coordenação de meios nomeadamente no combate ao incêndio de São Pedro do Sul que só esta terça-feira - 4 dias depois de ter deflagrado - foi dado como dominado. "Temos um sistema de protecção civil mais eficaz e competente que há uns anos atrás", disse Rui Pereira fazendo a comparação com o Verão de há 7 anos. "Com as mesmas condições de 2003 temos um décimo da área ardida", declarou.
O Ministro aproveitou o momento para apelar aos portugueses "para que não adoptem comportamentos de risco". Lembrando a previsão de temperaturas elevadas para o próximo fim-de-semana, tempo de festa e romaria em várias localidades do país, pediu especificamente para que os portugueses "não lancem foguetes" e tenham "comportamentos verdadeiramente responsáveis".

Governo admite "equacionar" situação laboral de técnicos especialistas em combate a incêndios, BE exige integração

O Governo admitiu "equacionar" a situação laboral do grupo de técnicos do Grupo de Análise e Uso de Fogo, que trabalham a recibos verdes, numa resposta a um requerimento do Bloco de Esquerda, hoje divulgada. "Face ao Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, a missão do Grupo de Análise e Uso do Fogo (GAUF)insere-se na esfera do combate aos incêndios florestais e, como tal, é da competência da Autoridade Nacional de Proteção Civil, pelo que será equacionada a alteração funcional que se impõe para que este corpo de especialistas disponha do devido enquadramento funcional", refere o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
O Bloco de Esquerda tinha questionado o Governo, a 17 de junho, sobre a precariedade laboral dos especialistas que integram o GAUF, criado em 2006, exigindo a integração dos 24 trabalhadores nos quadros do ministério. Na resposta, endereçada segunda feira ao BE e hoje divulgada, o ministério não precisou que tipo de "alteração funcional" tenciona adotar. "Esta resposta é manifestamente insuficiente, ainda mais numa altura como a atual, de deflagração de vários incêndios, em que se tem revelado alguma insuficiência de meios", considerou o Bloco de Esquerda.
O partido anunciou a entrega, no Parlamento, de um segundo requerimento sobre a mesma matéria, exigindo ao Ministério da Agricultura que "atue com urgência no sentido da integração" daqueles técnicos. No documento enviado ao BE, o ministério tutelado por António Serrano, salienta que o GAUF é constituído por técnicos especialistas em análise de incêndios florestais e na utilização de fogo de supressão, coordenados pela Autoridade Nacional de Proteção Civil.

S. Pedro do Sul: Potencial turístico da serra em causa com perda da biodiversidade

O vice-presidente da câmara de S. Pedro do Sul, Adriano Azevedo, estima que tenham ardido entre três a quatro mil hectares da Rede Natura 2000, colocando em causa o potencial turístico da serra em termos de biodiversidade. Adriano Azevedo disse à agência Lusa que na área serrana da Freita, Gralheira e Arada "a biodiversidade era muito significativa, daí a classificação para a Rede Natura, não só em termos de flora, fauna, mas fundamentalmente de paisagem. É evidente que o incêndio veio colocar em causa esse potencial, que embora continuando a existir, vai-nos obrigar a um esforço redobrado para, juntamente com as autoridades nacionais, procurarmos uma solução mais sustentável relativamente ao futuro da serra", considerou.
Lembrou que a paisagem "era deslumbrante" e que acabava por beneficiar as "muitas aldeias encravadas na serra" devido ao turismo que proporcionava. "Este incêndio veio de alguma forma dificultar a atração turística dos muitos visitantes que se dirigiam à serra", lamentou, contando que os turistas faziam habitualmente "um vaivém entre as termas e a serra. Ir à Fraguinha, a Candal, a Póvoa das Leiras, ao Fujaco, era hoje trivial para os turistas", exemplificou. Adriano Azevedo explicou que o incêndio que teve início na sexta feira e foi hoje dado como dominado pela Autoridade Nacional de Protecção Civil consumiu precisamente "a zona que é visualmente mais apetecível", a "encosta voltada a sul. Toda a encosta ardeu e isso vem prejudicar essa paisagem magnífica que existia", frisou.
No entanto, "não ardeu tudo, ainda há muita paisagem, muita verdura", esperando o autarca que a perda da biodiversidade seja minimizada "através de uma ação relativamente rápida, obedecendo aos critérios de candidaturas, para que a paisagem e a reflorestação aconteça de uma forma ordenada, com as espécies mais aconselháveis. Estamos esperançados que esta catástrofe poder-se-á minimizar se formos audazes e tivermos os apoios necessários do Governo no sentido de arranjarmos soluções e encontrarmos uma forma de melhor resolver o problema da serra" e protege-la contra os incêndios, acrescentou.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Portugal arder

Algo correu mal em S. Pedro do Sul

É uma triste sina esta de nunca conseguirmos apagar os nossos fogos mais fortes. Estes como outros... Este, foi um fim de semana negro: O incêndio que lavra desde sexta-feira em São Pedro do Sul é considerado o maior do país.

Há um país a arder, como nas tragédias de 2003 e 2005. Este ano sobretudo no Norte (Viana do Castelo, Aveiro, Braga), pelo menos até agora e com uma capacidade de destruição perante a qual não vale a pena, para já, fazer muitas medições. São muitos milhares de hectares destruídos pelas chamas, muitas horas das vidas de pessoas consumidas pelo aproximar do fogo aos seus bens, muitas despesas para as corporações e para o Estado português.
Vemos as imagens de Moscovo e tudo nos parece terrível - como na Austrália noutros anos, como na Grécia, como em Espanha. Mas a 400 fogos por dia, cá na terrinha segundo as últimas contas, para um país tão pequeno, estamos de facto a bater recordes negativos e trágicos.
Temos também alguns bombeiros a ganhar um euro e setenta cêntimos - vai em letras para se perceber bem - à hora, segundo contam os jornais, e esses voluntários são considerados essenciais no início do combate. As corporações não conseguem pagar mais, mas claro que a ganhar tão pouco só mesmo por amor à camisola é possível combater qualquer fogo. E além do combate directo às chamas, os bombeiros têm ainda, muitos deles, trabalho de vigilância, que é fundamental para que as ignições não se tornem fogos desgovernados.
Há um país a arder, há menos bombeiros disponíveis este ano do que em 2009 (mas há mais viaturas) depois de muita chuva que criou mais material combustível. O ministro Rui Pereira esteve ontem em S. Pedro do Sul, onde lavrava um dos incêndios mais inquietantes e pediu um comportamento mais responsável a todos. É que estes fogos também nos interpelam como povo, pelos nossos hábitos diários ou sazonais, pela forma como abandonámos o Interior ou porque não nos associamos para haver capacidade de limpar o mato, de lhe dar uso efectivo e tornar mais difícil que aconteçam todos estes dramas. Com as altas temperaturas que se têm verificado, é impossível erradicar os fogos e mesmo os países mais desenvolvidos, de onde muitas vezes nos chegam grandes sentenças sobre o que fazer e não fazer, não conseguem evitá-los. E há indiscutivelmente negócios à volta dos fogos que convinha serem escrutinados.
Mas para já é claro que em S. Pedro do Sul falhou alguma coisa, faltou coordenação nos meios e muitos homens no terreno nem sempre é sinal de trabalho bem feito. O fogo começou sexta-feira na serra da Gralheira e continuava ao fim da tarde de ontem muito activo em várias frentes, com ordens para evacuar povoações, seguidas de contra- -ordens depois da reavaliação. Há bombeiros a queixarem-se, autarcas a dizer que há corpos de bombeiros que chegam e nem sabem para onde têm de ir apesar da boa vontade que mostram. Será cansaço ou será mais do que isso, mas a verdade é que a Gralheira já está muito calcinada. É uma triste sina esta de nunca conseguirmos apagar os nossos fogos mais fortes. Estes e outros...

Ler mais em: http://www.ionline.pt/conteudo/73020-algo-correu-mal-em-s-pedro-do-sul

Meteorologia

Calor vai continuar

Semana começa com chuviscos, e chuva ajudou os bombeiros na espinhosa tarefa de combater os incêndios, mas o calor vai aumentar e o céu vai continuar limpo.

Este domingo, a chuva deu uma grande ajuda aos bombeiros no combate às chamas. Mas para o início da semana, as previsões são de céu limpo e continuação de temperaturas altas.
Ontem, o país acordou com chuva. Uma pequena partida para quem está de férias, mas uma grande ajuda para quem há dias combate as chamas. Por todo o país, o domingo foi de aguaceiros. E o mesmo se espera para segunda-feira. No entanto, as temperaturas não deverão baixar. Aliás, espera-se mesmo uma subida e muito, muito sol.
Para hoje, segunda-feira, ainda alguma nebulosidade e temperaturas acima dos 30 graus. Évora será a cidade mais quente, com previsão de 40 graus de máxima. Na terça-feira, as nuvens deverão abandonar o território continental e as máximas vão rondar os 30 graus. Apenas as ilhas tem previsão de nebulosidade, possibilidade de aguaceiros, e temperaturas a rondar os 20 graus.
Sábado, 7 de Agosto, foi o dia - até agora, com mais incêndios florestais este ano, ao deflagrarem 477 fogos principalmente nas regiões do Norte e Centro, segundo a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC). Mas neste domingo a contabilidade chegou aos 480. O fim-de-semana acabou por ficar marcado por um incêndio de grandes proporções em S. Pedro do Sul e outro no Gerês.

Incêndios florestais

Menos helicópteros no combate às chamas

Combate aos fogos florestais perderam os dez pilotos do Exército. Governo estuda medidas para "desincentivar e penalizar" abandono das florestas.

Os dez pilotos do Exército ao serviço da empresa estatal de meios aéreos EMA, que opera os helicópteros que combatem os incêndios florestais, já saíram das escalas de voo e vão voltar aquele ramo militar. O Exército confirmou a "saída dos pilotos por motivos operacionais", através de uma resposta escrita à agência Lusa, devido ao início dos "programas de treino para os novos helicópteros NH-90" daquele ramo das Forças Armadas.
Apesar da insistência da agência Lusa, por escrito e telefonicamente nas últimas semanas, a Empresa de Meios Aéreos (EMA) não respondeu se a saída destes 10 pilotos podem colocar em risco a operacionalidade das aeronaves no combate aos incêndios florestais, nem a qualquer pergunta relacionada com pilotos, helicópteros ou com a empresa. A Lusa queria obter pormenores sobre a capacidade operacional, as horas de voo, as qualificações dos pilotos, os meios disponíveis para combate a fogos, as habilitações e formação de novos pilotos.
Os 10 pilotos do Exército, que já não estão a voar nas aeronaves da EMA pelo menos desde julho, estavam há três anos ao serviço daquela empresa através de um protocolo de cooperação, de agosto de 2007, entre o Exército e a empresa que gere os seis Kamov KA-32A11BC e os quatro Ecureuil AS-350B3, adquiridos pelo Estado para serviços de proteção civil e segurança. A Autoridade Nacional de Protecção Civil, entidade responsável pela gestão de situações de emergência, questionada pela Lusa sobre se alguma vez alguma situação de emergência ficou por responder por falta de pilotos para operar os helis também não respondeu em tempo útil.
O único comentário público sobre os pilotos desde a sua dispensa surgiu no Diário da Republica de 29 de Julho, quando o secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, louvou os militares como sendo "dotados de excelentes qualidades", por "voluntarioso espírito de serviço público" e por "comportamento honrado digno de grande reconhecimento". O Estado Maior do Exército clarifica que os pilotos estiveram ao "serviço da EMA no âmbito do planeamento, formação e treino visando o seu emprego na operação dos NH 90", os futuros helicópteros daquele ramo das forças armadas. Os pilotos têm "qualificações em Kamov KA-32A11BC e Ecureuil AS-350B3", aeronaves ao serviço da EMA para o combate a incêndios florestais, tendo sido os "custos suportados, com a formação e requalificação, pelo Exército e pela EMA", de acordo com o mesmo documento.
Os helicópteros Kamov e Ecureuil foram adquiridos pelo concurso público 01/CPI/2005 e "integram o património da EMA". A sua utilização destina-se "exclusivamente a missões de apoio às forças e serviços de segurança, protecção e socorro" podendo nessa medida "ser declaradas Aeronaves do Estado", conforme o documento de constituição da EMA.

Ministério da Agricultura está a estudar medidas para "desincentivar e penalizar" abandono das florestas

O Ministério da Agricultura está a estudar medidas que "desincentivem" e "penalizem" quem deixar abandonadas as suas propriedades florestais, disse hoje o ministro António Serrano. "O abandono das propriedades é negligência" afirmou o responsável pela pasta da Agricultura, que falava à agência Lusa na Figueira da Foz, onde se deslocou para visitar o 'Dons de Portugal', certame de promoção de produtos portugueses de excelência, que decorre até 14 de agosto. "Não é por falta de financiamento que a limpeza das matas e florestas" e outras "ações de prevenção" de incêndios florestais não são feitas, acrescentou o governante.
Tem de haver, por isso, "novos mecanismos de intervenção, não só junto das florestas", mas também de outras áreas "onde o Estado faz investimentos e, depois, a terra não é cultivada, não é utilizada, fica abandonada", sublinhou. "Estamos a estudar medidas que possam criar um enquadramento para garantir que o abandono" da terra seja "penalizado ou desincentivado e para que existam outras formas de intervenção", sobretudo no Norte e Centro de Portugal, onde "a propriedade é muito fragmentada, tanto na dimensão como em relação aos seus proprietários", adiantou António Serrano.
Sem afastar a possibilidade de aumentar as coimas, designadamente para quem não limpa as suas matas e florestas, o ministro não deixou, todavia, de considerar que esta "não é a única via. Há outros instrumentos", como "mecanismos de natureza fiscal", que têm de ser avaliados por diferentes ministérios, acrescentou o titular da pasta da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
Esta é "uma matéria muito sensível" e por isso tem sido "tão difícil fazer uma intervenção de fundo", reconheceu o ministro, lembrando que a floresta "mesmo sendo propriedade privada, não deixa de ser um bem que é de todos, que é público". Mas são diversas as causas dos incêndios, advertiu António Serrano, apelando a todos os cidadãos que protejam a floresta. "Portugal tem feito um esforço imenso, também na prevenção" de fogos, mas "não tem sido suficiente", disse.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Meteorologia - Calor aumenta

Temperatura sobe no Fim de Semana

Risco máximo de incêndio ativo para 14 distritos do norte, centro e sul de Portugal, diz o IM. Distrito de Faro está no “mapa” de riscos de incendios florestais.

O Instituto de Meteorologia (IM) colocou hoje em aviso de risco máximo de incêndio vários concelhos de 14 distritos do norte, centro e sul de Portugal, com as previsões meteorológicas a preverem subida de temperatura no fim de semana. O nível de aviso de risco máximo de incêndio do IM está ativo para concelhos do distrito de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Porto, Aveiro, Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Leiria, Portalegre e Faro.
Pelas 6:30 estavam ativos três incêndios florestais, em Formigueiro, no distrito de Braga, Marzagão, distrito de Bragança e em Espinheiro, no distrito do Porto. O risco de incêndio determinado pelo IM engloba cinco níveis, que variam entre o "reduzido" e o "máximo" e o seu cálculo é feito com base nos valores observados às 13:00, da temperatura do ar, da humidade relativa, da velocidade do vento e da quantidade de precipitação ocorrida nas últimas 24 horas.
Segundo informação disponibilizada pela ANPC no seu portal, na quarta feira registaram-se 395 incêndios florestais, sem indicação de área ou ardida ou tipo de vegetação afetada, que foram combatidos por 5275 bombeiros, apoiados por 1404 veículos e 142 meios aéreos. O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais iniciou a "Fase Charlie", considerada a de maior risco de incêndios, a 01 de julho e deverá terminá-la a 31 de setembro. O IM prevê para hoje uma temperatura máxima de 28 graus Celsius no Porto, 32º em Lisboa, 32º em Faro e 25º em Ponta Delgada e Funchal.

26 fogos em curso em Portugal Continental, dez com mais intensidade

Estão em curso 26 incêndios em Portugal Continental, dez deles com maior intensidade. Os distritos de Braga e de Viana do Castelo são os mais afetados, de acordo com informações disponibilizadas na página online da Proteção Civil, pelas 20:00h de ontem.
Em Braga, estão a decorrer três incêndios, sendo o da localidade de Formigueiros, concelho de Terras de Bouro, o que mobiliza mais meios, com 55 bombeiros e 18 veículos no local. O fogo, que deflagrou às 08:00, está com duas frentes ativas. Em Fundões, concelho de Fafe, lavra um incêndio com uma frente ativa desde as 17:17. No local, estão 37 bombeiros e 12 veículos. Ainda no distrito de Braga, prossegue um incêndio no concelho da Póvoa do Lanhoso, com duas frentes ativas.
No distrito de Viana do Castelo continuam a lavrar três incêndios, sendo que o da localidade de Rio de Moinhos (Arcos de Valdevez) está a ser combatido por 152 homens, apoiados por 25 veículos. Ainda em Viana do Castelo estão a decorrer outros dois incêndios: um na Fonte Coberta (Ponte da Barca), que tem duas frentes ativas, e outro em Vila Franca (concelho de Viana do Castelo), também com duas frentes ativas.
No distrito do Porto lavra um incêndio no concelho de Lousada, que está a mobilizar 22 bombeiros e sete veículos operacionais. De acordo com a página da Proteção Civil, estão ainda a decorrer mais três incêndios, todos com uma frente ativa: em Vilarelho (Vila Pouca de Aguiar, Vila Real), em Marzagão (Carrazeda de Ansiães, Bragança) e em Pendilhe (Vila Nova de Paiva, Viseu).

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Floresta em Risco

ANEFA preocupada com inoperância das autoridades

Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente alerta para três perigos: dos Incêndios, Nemátodo e ProDeR.

Em plena época de incêndios, o fogo não pode estar mais ateado… A nossa Floresta está a ser ignorada por dirigentes e autoridades e a denúncia parte da ANEFA – Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente, que se afirma cansada de alertar para a inoperância relativa ao sector, sem que sejam tomadas as necessárias medidas.
As implicações da carência de investimento, consequência da falta de capacidade financeira dos proprietários para investir na floresta, criando um claro problema de sustentabilidade, onde o volume de abate de árvores se tem mantido, ou mesmo, aumentado, sem que haja novas acções de rearborização, podem levar, num futuro próximo, à condenação do sector florestal em Portugal, garante a Direcção da ANEFA,
No entender da Associação, a existência do Fundo Florestal Permanente (FFP), gerado através de um imposto aplicado aos combustíveis e pago por todos os contribuintes, poderia ajudar a relançar o investimento no sector. No entanto, este não está a ser directamente aplicado na Floresta, nomeadamente, nas questões associadas à sua arborização e manutenção.
A ANEFA adianta, aliás, que, “ao fim de cinco anos de existência do fundo, que gera cerca de 30 milhões de euros por ano, apenas tem sido dado apoio ao planeamento, criação e manutenção de estruturas organizativas ligadas à produção, arranjo de caminhos e estradas e limpeza de faixas adjacentes, por parte dos municípios. Isto é, cerca de 150 milhões de euros, que dariam para arborizar mais de 100 mil hectares ou para limpar cerca de 200 mil hectares de terreno foram gastos no que menos importa para a floresta, não tendo sido até hoje plantada uma árvore com o dinheiro do FFP”.

Com uma ocupação de 38% do território nacional, a floresta gera, no seu conjunto, aproximadamente, 3% do valor acrescentado bruto, abrangendo mais de 400 mil proprietários e 250 mil trabalhadores, nos diversos agentes da fileira.
“Muito embora seja de conhecimento público a sua enorme importância ambiental, económica e social, a floresta portuguesa não tem sido considerada como prioridade nacional e esta é uma preocupação acrescida por parte das empresas prestadoras de serviços ao sector, a de alertar para a questão da sustentabilidade florestal do país”, acrescenta a ANEFA.
Esta instabilidade, aliada à inoperância do ProDeR – Programa de Desenvolvimento Rural, têm, segundo a Associação, contribuído para uma desmotivação geral que poderá, a curto prazo, condenar a evolução do sector em Portugal. E acrescenta: “Desde 2005 que não é implementado um único projecto florestal financiado, pois o ProDeR ainda não está operacional. Este Governo tem primado pela criação de estratégias e planos que não saem do papel, como é o caso do ProDeR, do FFP, ou mesmo, do plano de acção para o Nemátodo da Madeira do Pinheiro… Nada funciona! Enquanto contribuintes, sentimo-nos, hoje, claramente defraudados, pois, pertencendo ao meio florestal, chegamos à triste conclusão de que a floresta, até hoje, em nada beneficiou com essa situação”.

Como base de análise, deverá considerar-se que a aplicação de 150 milhões de euros para arborização representaria a criação de mais de 10 mil postos de trabalho permanentes (numa altura em que é urgente fixar as populações nas zonas rurais e em que é inevitável falar da falência de inúmeras empresas, com o consequente aumento do desemprego local), ou a plantação de, aproximadamente, 120 milhões de plantas, a florestação de 100 mil hectares e ao nível das receitas para o Estado, cerca de 37 milhões de euros de contribuição para a Segurança Social.
Não conformada com esta situação, a ANEFA adianta que é urgente apurar responsabilidades e apela para a alteração das estratégias avançadas. E conclui: “O Fundo Florestal Permanente tem de servir a floresta. Na nossa opinião e numa altura em que custa a todos a carga fiscal que é aplicada sobre os combustíveis, importa redefinir as prioridades da aplicação deste Fundo. Seria importante fazer o balanço de todo o dinheiro gasto em planeamento e apoio a estruturas organizativas, nos últimos anos, e observar o que a nossa floresta ganhou com isso. Para tal, bastará atravessar o nosso país, ao longo de vias como o antigo IP5, o IC8 e outras, para ver o que resta do nosso património florestal... Afinal, quem se responsabiliza pelo dinheiro gasto dessa forma, quantos hectares teríamos plantado ou cuidado devidamente com esse dinheiro?”

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Protecção Civil: Floresta incendida

UE envia aviões para combater incêndios florestais

Mecanismo Comunitário activado para fazer face aos fogos florestais em Portugal.


A Comissão Europeia activou o Mecanismo Comunitário de Protecção Civil (MIC), para ajudar Portugal a enfrentar os principais fogos florestais. Dois aviões bombardeiros para combate aos incêndios florestais, provenientes de Itália, chegaram a Portugal esta tarde.
Na segunda feira, (31 de Agosto), Portugal solicitou imediatamente assistência através do Mecanismo Europeu de Protecção Civil depois de vários fogos florestais no Norte e Centro do país e das previsões meteorológicas indicarem altas temperaturas e baixas humidades na maior parte do país para 3ª feira.
Em menos de uma hora após a activação do Mecanismo, a Grécia e a Itália ofereceram aviões bombardeiros. Portugal aceitou a oferta de Itália. Os dois Canadairs do tipo CL-415 deixaram a sua base esta manhã e chegarão a Portugal ao princípio da tarde de hoje. A Espanha já se encontra a prestar auxílio a Portugal desde ontem (31 de Agosto) através do Acordo Bilateral existente entre os dois países.
Os dois Canadairs CL-215 da Força de Reserva Táctica Europeia (EUFFTR) permanecem em alerta e estão disponíveis para intervir, caso a situação se deteriore.
Durante as emergências o MIC desempenha 3 papéis: como centro para a comunicação e troca de pedidos e ofertas; fornecendo informação sobre a preparação e resposta dos Estados, bem como a de outros actores interessados e apoiando a coordenação da assistência dada pela Europa. Em 2008, o Parlamento Europeu adjudicou 3,5 milhões de euros para a implementação da Força de Reserva Táctica Europeia enquanto projecto-piloto. Consequentemente, 2 aviões bombardeiros para combate aos incêndios florestais Canadairs CL-215 estão disponíveis para os Estados Membros neste Verão.

sábado, 8 de agosto de 2009

Fogo em S. Brás de Alportel

Mais de 300 homens combatem incêndio

O fogo começou a lavrar em zona de mato dos concelhos de S. Brás de Alportel e Tavira, e já queimou «barracões e anexos» de casas.

Um incêndio começou a lavrar desde as 15:10h de ontem, numa zona de mato em Cabeça do Velho, concelho de São Brás de Alportel, distrito de Faro, e alastrou ao concelho de Tavira, onde as chamas chegaram a ameaçar casas e queimaram «barracões e anexos», de acordo com o presidente da autarquia.
Macário Correia explicou à Lusa que se trata de uma frente «que se estende por alguns quilómetros» e que tem «bastantes focos».
De acordo com a agência Lusa, que cita uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, as casas que chegaram a ser ameaçadas situam-se em Acaria Fria.
O combate ao fogo está a ser complicado pelos acessos difíceis e mobiliza um total de 314 elementos. No terreno estão ainda 51 veículos de combate às chamas, quatro aviões e três helicópteros. Dois aviões Canadair de Espanha foram accionados para ajudar combater o incêndio.
Pelas 21 horas de ontem, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) montou um Posto Médico Avançado junto ao Polidesportivo de Stª Catarina, numa altura em que as chamas ainda não estavam circunscritas.
«A situação está bastante complicada e estamos a mobilizar todos os meios», disse a fonte do CDOS adiantando que foram pedidos reforços aos distritos de Beja, Évora e Santarém. O incêndio que destruiu mais de mil hectares de terreno, em São Brás de Alportel foi circunscrito às 03h40 de hoje, com a intervenção de 294 elementos e três pelotões militares.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Proteger a Floresta

GNR vai exercer acção fiscalizadora

Autoridades vão estar atentas aos infractores, contribuindo para prevenir e minimizar o impacto dos incêndios florestais.

Os Núcleos de Protecção Ambiental (NPA) da Guarda Nacional Republicana de Faro têm desenvolvido nos últimos meses, por todo o Algarve, diversas acções de sensibilização/fiscalização no âmbito da gestão de combustível (limpeza de pasto seco e outros combustíveis) de terrenos inseridos em espaços rurais ou florestais.
Com o início no dia 01 de Julho do período mais crítico em termos de incêndios florestais, torna-se primordial desencadear acções de policiamento nesta matéria, promovendo o contacto com as populações locais de forma a informar das medidas a tomar para evitar incêndios.
No decorrer destas acções de vigilância, detecção e fiscalização, foram elaborados desde o início do ano, pelos NPA da GNR, três dezenas de autos de contra-ordenação, relativos à deficiente gestão de combustível e a incumprimentos das normas de segurança a ter em espaço florestal.
No período de 01 de Julho a 15 de Outubro, a lei não permite a realização de fogueiras, queimas e queimadas em espaço florestal; fumar ou fazer lume, acções de fumigação ou desinfestação em apiários, assim como implementa a obrigatoriedade de limpar o pasto seco nos terrenos inseridos em espaços rurais ou florestais, junto a aglomerados populacionais e próximo a edificações, tais como habitações, oficinas, estaleiros ou armazéns.
A GNR estará atenta a estas situações, contribuindo para prevenir e minimizar o impacto dos incêndios florestais.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Combate aos fogos florestais

“Preparados para o pior mas fazer o melhor”

Algarve preparado para vigilância e combate aos incêndios florestais.

Um total de 477 operacionais (integrados em 100 equipas), 124 veículos e três helicópteros vocacionados para o ataque inicial, vão assegurar, de 1 de Julho a 30 de Setembro, as acções de vigilância e combate aos incêndios florestais na região algarvia, no âmbito do Plano Operacional Distrital nº1/2009- Incêndios Florestais (POD) do Comando Distrital de Operações e Socorro (CDOS) de Faro da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), apresentado ontem em cerimónia presidida pela Governadora Civil de Faro.
Durante este período de maior vulnerabilidade para a ocorrência de incêndios florestais, que corresponde à Fase ‘Charlie’, o dispositivo operacional na região algarvia será ainda reforçado com um helicóptero vocacionado para o ataque ampliado, que permanecerá estacionado na base de Beja. Para além do reforço do número de elementos e de meios terrestres e aéreos, durante a Fase ‘Charlie’ será aumentado também, de cinco para 12, o número de postos de vigia na região. Quanto ao dispositivo correspondente à Fase Bravo, que decorre de hoje, dia 15 de Maio, a 30 de Junho, concentra na região algarvia um total de 345 operacionais (agrupados em 61 equipas) e 109 veículos. Durante este período estão activos cinco postos de vigia, que asseguram uma cobertura de toda a área florestal da região.
No âmbito da Fase Delta, que decorre de 1 a 15 de Outubro, verificar-se-á também um reforço do dispositivo comparativamente ao ano passado, com um total de 329 operac! ionais (62 equipas) e 84 veículos e cinco postos de vigia. De acordo com a Governadora Civil de Faro, Isilda Gomes, o reforço que irá ser efectuado durante a Fase Delta corresponde aos reajustamentos do POD, face aos dados estatísticos anuais, que apontam para uma incidência significativa de incêndios florestais durante este período.
Isilda Gomes salientou ainda o reforço de mais cinco equipas de sapadores florestais que irão intervir na área da vigilância e combate aos incêndios florestais durante os meses de Verão, o qual representa uma “mais-valia” que contribuirá para que o Algarve continue a ser uma região segura, economicamente sustentável e com um turismo de excelência, já que este é um sector que não pode ser desassociada da Protecção Civil.
Reconhecendo que este é um ano difícil em matéria de incêndios florestais devido à! s condições meteorológicas registadas durante os meses de Inverno, a Governadora Civil alertou para a necessidade de uma “atenção redobrada” no que diz respeito às medidas de prevenção, tanto por parte dos cidadãos como dos agentes de Protecção Civil e entidades responsáveis pela defesa da floresta, tendo destacado o trabalho desenvolvido pelas autarquias, nomeadamente através das candidaturas ao PRODER, para gestão das faixas primárias e de combustível, nos respectivos municípios.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fogos florestais

Mais zonas protegidas queimadas em 2009

Período Janeiro-Março tem registou muitas ocorrências. As autoridades estão preocupadas com o factor climatérico para o Verão, e apostam na prevenção.

A área ardida nas zonas protegidas no primeiro trimestre deste ano foi superior à área ardida durante todo o ano passado, contrariando a tendência de diminuição dos últimos três anos, afirmou esta quarta-feira o secretário de Estado do Ambiente, refere a Lusa.
«2009 foi particularmente fustigado no período Janeiro-Março, é um período que tem tido muitas ocorrências, com uma incidência particular em áreas protegidas, basta ver que tivemos mais hectares ardidos neste trimestre do que tivemos em todo o 2008 em área protegida», afirmou Humberto Rosa na abertura da Reunião Anual de Coordenação para Defesa da Floresta contra Incêndios em Áreas Protegidas.
Este aumento da área ardida contraria a tendência de diminuição de ocorrências entre 2005 e 2008 indicado pelo secretário de Estado do Ambiente, que afirmou que «em termos de área ardida tem vindo a decrescer».

«Se quisermos abordar em termos de área ardida, nas áreas protegidas de 2005 a 2008, ela tem vindo a decrescer. Em 2005 tivemos cerca de 20 mil hectares, 12.500 em 2006, 4.700 em 2007 e 2500 em 2008», enumerou Humberto Rosa na reunião, que decorreu na Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, em Santiago do Cacém.
«Se olharmos para o número de ocorrências, o número de fogos, este tem oscilado: 700 em 2005, 537 em 2006, 684 em 2007, quando a área ardida foi só 4.700 hectares, e 472 em 2008», afirmou em jeito de balanço dos últimos três anos.
«Destes números eu refiro que conseguimos algum desacopolamento entre o número de fogos e de área ardida, o que em parte julgo que quererá dizer que a capacidade de resolver os fogos em primeira intervenção porventura aumentou», sublinhou. No entanto, o secretário de Estado do Ambiente não descura os restantes factores que influenciam os incêndios, como o «climático».
«As condições climatéricas são absolutamente determinantes quer no número de ocorrências, quer na área ardida. Mas há também um factor operacional. Quando olhamos para 2005 a 2008 há alguma evidência, que tem havido algum sucesso no campo da primeira intervenção», destacou Humberto Rosa.
«Se olharem para a carta de risco disponibilizada pela Autoridade Florestal, vão ver que aquelas áreas protegidas onde há mais fogos coincide com as áreas de maior risco, logo pode ser tido como um factor», argumentou.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Falta de limpeza nas matas

É preciso castigar os infractores

Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas apela a autarcas para punirem infractores.

O Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas apelou hoje aos presidentes das câmaras municipais para aplicarem as coimas relacionadas às más condutas na floresta, de forma a potenciar a fiscalização e prevenção dos incêndios florestais nestes territórios. Ascenso Simões falava durante a cerimónia de tomada de posse da nova Comissão Distrital de Defesa da Floresta (CDDF), estrutura presidida pela Governadora Civil de Faro.
“Não podemos ter a GNR a fazer a fiscalização e a levantar os respectivos autos, sem que as autarquias locais assumam um atitude pedagógica perante estas circunstâncias”, frisou o Secretário de Estado que, na cerimónia realizada no Governo Civil de Far! o, anunciou a duplicação, nos próximos dois anos, do número de equipas de sapadores florestais para o Algarve.
Reconhecendo que as actuais temperaturas atípicas, associadas à intensidade pluvial registada durante o Inverno, podem aumentar o risco de ignições na floresta portuguesa no próximo Verão, Ascenso Simões garantiu que os dispositivos de prevenção estrutural e de combate estão a preparar-se para esta eventualidade, tendo reiterado os objectivos definidos pelo Plano Nacional de Defesa Contra Incêndios, que preconiza para 2012 uma área ardida inferior a 120 mil hectares em todo o País e uma redução até 30 mil hectares nos seis anos seguintes.
Durante a cerimónia de instalação da CDDF, estrutura que irá permitir a articulação dos diversos agentes com responsabilidade nesta área, o Secretário de Estado sublinhou que as questõe s relacionadas à floresta não se prendem apenas com a problemática dos incêndios, mas também com a sustentabilidade de parte do território e as actividades que lhe estão associadas, tendo referido como exemplos o sector da caça, que representa 340 milhões de euros, bem como o valor das exportações, que ultrapassa a soma de duas das maiores unidades industriais instaladas no nosso País.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Incendios Florestais

Prefila-se um Verão difícil

Comissão Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios vai tomar posse no Governo Civil de Faro.

O Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Ascenso Simões, preside, na próxima quinta-feira, dia 26 de Março, pelas 10h30, no Salão Nobre do Governo Civil de Faro, à cerimónia oficial de instalação da Comissão Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios (CDDFCI).A CDDFCI será a estrutura responsável pela articulação da actuação dos organismos com competências em matéria de defesa da floresta e pela elaboração de um plano distrital de defesa da floresta contra incêndios no Algarve.
A promoção, acompanhamento e divulgação de acções de defesa da floresta a nível distrital, bem como a colaboração nos pro! gramas de sensibilização junto das populações, constituem outras atribuições da nova comissão, cuja criação permite consolidar a articulação institucional e o planeamento estratégico supra-municipal de defesa da floresta contra incêndios. A estrutura, presidida pela Governadora Civil de Faro, integra todas as câmaras municipais do distrito, Autoridade Florestal Nacional, Autoridade Nacional de Protecção Civil, GNR, PSP, Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Forças Armadas, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, Organizações de produtores florestais, conselhos directivos dos baldios e a Liga dos Bombeiros Portugueses.


"Serra de Monchique é um verdadeiro barril de pólvora"
Diz Hélder Águas, da Associação dos Agricultores do Concelho de Monchique

Ler notícia em:
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1180677&seccao=Sul

Denúncia sobre Incêndios florestais

Falta de limpeza em Serras e Parques Naturais

Técnicos da Protecção Civil dizem ainda que há problemas nas acessibilidades

A Associação de Técnicos de Segurança e Protecção Civil apontou esta terça-feira a falta de limpeza das áreas florestais, com destaque para os parques naturais, como uma das causas da vaga de incêndios das últimas semanas, noticia a Lusa.
Ricardo Ribeiro, presidente da Associação de Técnicos de Segurança e Protecção Civil (ASPROCIVIL), referiu à Agência Lusa que, com «algumas abertas» e a chegada do bom tempo, o material vegetal acumulado durante o Inverno acaba por secar, tornando-se num combustível fácil de atear, seja ou não por mão criminosa.
«O grande problema destes incêndios é a falta de limpeza das florestas», disse o presidente da ASPROCIVIL, destacando que a material vegetal acumulado torna-se ainda mais perigoso a partir de Junho quando as noites são menos húmidas e os dias mais quentes. Ricardo Ribeiro sublinhou que, no início do último Inverno, a ASPROCIVIL «denunciou e identificou a razão que na altura tornava previsível toda esta situação» dos incêndios que assolaram as áreas florestais nas últimas semanas, com a chegada do calor.
Quanto aos parques naturais, considerou que «não estão a ser devidamente limpos», pelo que «há material combustível (vegetal) a mais», acumulado durante o de Inverno e que com os dias secos e quentes podem ser ateados «com alguma facilidade» e, depois, dificilmente são controlados. Ricardo Ribeiro observou também que «não estão garantidos em todos os parques naturais a acessibilidade dos meios de socorro e combate aos incêndios», pelo que em determinadas zonas só é possível combater o fogo através de meios aéreos.

Acessibilidades e comportamentos de risco

Relativamente às florestas, a ASPROCIVIL refere, em comunicado, que a responsabilidade de fazer e de obrigar a fazer as limpezas das zonas verdes e florestais é da responsabilidade dos Municípios, bem como dos seus proprietários, que raramente cumprem as suas obrigações.
Face à negligência de proprietários em fazer a limpeza das suas florestas, o responsável da ASPROCIVIL notou que a lei prevê que as autarquias possam elas próprias fazer a limpeza para facilitar as acessibilidades, e debitar a conta ao proprietário.
Observou também que há muitas Câmaras Municipais que nem sequer fazem a limpeza das florestas que lhes pertencem. «Lamentamos que na grande maioria das Municípios onde têm decorrido estes incêndios não estejam ainda nomeados os Comandantes Operacionais Municipais, nos termos da legislação vigente desde Julho do ano passado», diz a ASPROCIVIL, em comunicado.
Em matéria de fiscalização das florestas, há ainda competências atribuídas à Autoridade Florestal Nacional, que depende do Ministério da Agricultura, explicou. A associação de segurança e protecção civil defende também que o cidadão em geral deveria ser mais informado para não ter «comportamentos de risco» como atear fogueiras, fazer queimadas ou até lançar beatas de cigarros de viaturas em andamento, o que é sancionado por lei.
Ricardo Ribeiro defendeu ainda uma campanha informativa maciça junto dos proprietários das florestas e das Câmaras Municipais, convidando a Autoridade Nacional Florestal, a Associação Nacional dos Municípios Portugueses e o Ministério da Agricultura a concretizarem em conjunto tal tarefa. Criticou ainda a comunicação social por só dar atenção à questão dos fogos quando as florestas já estão a arder.