Liberdade e o Direito de Expressão

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Recorte de Imprensa

A mentira e a força política de Passos
                                                                                                        
por PEDRO TADEU
                                                                                                 
Uma das razões que explicam a conquista do poder por Passos Coelho foi, no período de campanha eleitoral, o tipo de discurso feito ao eleitorado que enaltecia o valor da honestidade das suas palavras, suportadas numa mensagem política segundo a qual os anos seguintes seriam de inevitável austeridade, pois, dados os erros do Governo precedente, nada a poderia evitar. Deu frutos.
O pressuposto do contrato que Passos assinou com os portugueses era não mentir, era falar verdade mesmo quando tivesse de tomar medidas difíceis. Acredito que o contraste desta promessa eleitoral face à prática dos Governos de Sócrates tenha sido fundamental para decidir o voto de muitos eleitores que ainda acreditam só existirem duas opções úteis nas urnas eleitorais: o PS ou o PSD.
Esse contrato parecia estar a ser cumprido. Passos Coelho e Vítor Gaspar começaram por dar, à vez, a cara pelas medidas mais violentas que a receita da troika impunha sobre os rendimentos da chamada classe média, explicando o seu alcance e garantindo a universalidade dos sacrifícios.
Mesmo nos momentos confusos, com uma evidente falta de explicação séria para a aceitação de uma lista cada vez maior de exceções a cortes, reduções ou outros sacrifícios, tem prevalecido, eficaz, esse tom do "nós falamos verdade aos portugueses", "não vale a pena enganarmo-nos com ilusões" ou "só estamos a fazer o estritamente necessário para vencer a crise".
Dois incidentes deram um rombo neste couraçado de aparente sinceridade: uma decisão "secreta" que proíbe as reformas antecipadas e o "lapso" sobre o ano em que os subsídios de férias e de Natal voltam aos salários da função pública. Quer Passos Coelho quer Vítor Gaspar perceberam que os portugueses se sentem enganados.
Houve um momento em que sobre José Sócrates a opinião pública dava tanta importância às suas políticas como aos seus supostos problemas de carácter. Passos Coelho, apanhado nas redes da falsidade do seu discurso, violou o contrato que celebrou com o eleitorado e está, pela primeira vez, a ser julgado pelo seu carácter.
É natural que desta vez os portugueses lhe perdoem, aceitando as circunstâncias políticas que determinaram estes episódios. No entanto, cansados de todos os dias acordarem ao som de mais uma má notícia, mais um corte de rendimentos, mais um aumento de preços, mais uma subida de impostos, outra redução no apoio social do Estado ou de alguém que, sem explicação, escapa aos sacrifícios, é natural que a próxima mentira de Passos Coelho seja o início do seu ocaso político.
                                                                                          
Ler em: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2423720&seccao=Pedro%20Tadeu&tag=Opini%C3%A3o%20-%20Em%20Foco
                                                                                                     
                                                                                                             
                                                                                                   

quinta-feira, 22 de março de 2012

O VELHO CATA-VENTO...

PORQUE CHOROU CATROGA, QUANDO FALOU DO GOVERNO?
A RESPOSTA ESTA AQUI...
                                                                                                                                          

O exemplo que vem do frio...

Islândia: A vitória da Sociedade Civil contra as oligarquias
                                                                                                           
Paisagem da Islândia, país próximo ao Círculo Polar Ártico e a Groelândia
"A Islândia conseguiu acabar com um governo corrupto e parasita. Prendeu os responsáveis pela crise financeira, mandando-os para a prisão. Começou a redigir uma nova Constituição feita por eles e para eles. E hoje, graças à mobilização popular, será o país mais próspero de um ocidente submetido a uma tenaz crise de dívida.
É a cidadania islandesa, cuja revolta em 2008 foi silenciada na Europa por temor a que muitos percebessem. Mas conseguiram, graças à força de toda uma nação, o que começou por ser crise converteu-se em oportunidade. Uma oportunidade que os movimentos altermundistas observaram com atenção e elegeram como modelo realista a seguir.
Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores noticias dos tempos atuais. Sobretudo depois de se saber que, segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do norte atlântico, fechará 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. A tendência de crescimento aumentará inclusive em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%. Os analistas asseveram que a economia islandesa continua exibindo sintomas de desequilíbrio. E que a incerteza persiste nos mercados. Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável.
Este pequeno país do periférico ártico recusou resgatar os bancos. Deixou-os cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado descalabros e desmandes financeiros. Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de ter transcendido parte dos resultados que todo o movimento social almejava, pouco foi relatado do esforço que este povo realizou. Da situação limite a que chegaram com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por ser resolvidas.
Porém, o que é digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever seu próprio futuro, sem ficar a mercê do que se decida em despachos distantes da realidade cidadã. Embora continuem existindo buracos para preencher e escuros por iluminar.
A revolta islandesa não causou outras vítimas que não fossem os políticos e os homens de finanças. Não derramou nenhuma gota de sangue. Não houve a tão famosa "Primavera Árabe". Nem sequer teve rastro mediático, pois os media passaram por cima dos acontecimentos em ponta dos pés. Mesmo assim, conseguiram seus objetivos de forma limpa e exemplar.
Hoje, o caso da Islândia bem poderá ser ilustrativo do caminho a seguir pelos indignados espanhóis, pelo movimento Occupy Wall Street e por aqueles que exigirem justiça social e justiça económica em todo o mundo. "
                                                            
Maria João Carvalho, Jornalista do Euronews
                                                              
http://oourico.blogs.sapo.pt/177142.html 

                                                                                
                                                                                   
                                                                                                                                               

Vale a pena ler....

BATISTA BASTOS FALA DE CAVACO
                                                                                                         
*A pátria, estarrecida, assistiu, nos últimos dias, à declaração de pobreza
do dr. Cavaco, e aos ecos dessa amarga e pungente confissão. O gáudio e o
apoucamento, a crítica e a repulsa foram as tónicas dominantes das emoções.
                               
Os blogues, aos milhares, encheram-se de inauditos gozos, e a Imprensa,
grave e incomodada, não deixou de zurzir no pobre homem. Programas de
entretenimento matinal, nas têvês, transformaram o coitado num lázaro
irremissível. Até houve um peditório, para atenuar as suas preocupações de
subsistência, com donativos entregues no Palácio de Belém. Porém, se nos
detivermos, por pouco que seja, no dr. Cavaco e na sua circunstância
notaremos que ele sempre assim foi: um portuguesinho no Portugalinho.
Lembremo-nos desse cartaz hilariante, apostou em tudo o que era muro ou
parede, e no qual ele aparecia, junto de um grupo de enérgicos colaboradores
sob o extraordinário estribilho: "Deixem-nos trabalhar!" (CAVACO SILVA-DIAS
LOUREIRO-OLIVEIRA e COSTA)
Cavaco governava pela primeira vez e os publicitários colocaram-no e aos
outros em mangas de camisa arregaçadas. Os humoristas de serviço rilharam os
dentes, de gozo, mas a época não era propícia à ironia. O País tornou-se
numa espécie de imagem devolvida do primeiro-ministro: hirto, um espeque
rígido, liso, um carreirinho de gente cabisbaixa.
O respeitinho é muito lindo: essa marca d'água do salazarismo regressava
para um país que perdera a noção do riso, se é que alguma vez o tivera.
Cavaco resulta desse anacronismo que fede a mofo e a servidão. É um sujeito
de meia-tijela, inculto, ignorante das coisas mais rudimentares, iletrado e,
como todos os iletrados, arrojado nas afirmações momentâneas. As suas
gaffes" fazem história no anedotário nacional. É um Américo Tomás tão
despropositado, mas tão perigoso como o original.
Manhoso, soube aproveitar o momento vazio, no rescaldo de uma revolução que
também acabou no vazio. Os rios de dinheiro provindos de Bruxelas, e
perdulariamente gastos, durante os infaustos anos dos seus mandatos,
garantiram-lhe um lugar de aplauso nas consciências desprotegidas dos
portugueses. Este apagamento da verdade está inscrito, infelizmente, numa
Imprensa servida por estipendiados, cuja virtude era terem o cartão do
partido. Ainda hoje essa endemia não foi extirpada. Repare-se que, fora
alguns escassos casos isolados, ainda não foi feita a crítica aos anos de
Cavaco e das suas trágicas consequências políticas, ideológicas, morais e
sociais. Há uma falta de coragem quase generalizada, creio que explicada
pela teia reticular de cumplicidades, envolvendo poderes claros e ocultos.
A mediocridade da personagem é cada vez mais evidente. E se, no desempenho
das funções de primeiro-ministro, foi sustentado pela falsa aparência de el
dourado, devido aos dinheiros da Europa, generosamente distribuídos por
amigos e prosélitos, como Presidente da República é uma calamidade afrontosa.
Tornou o lugar desacreditante e desacreditado.
Logo no primeiro dia da sua entrada no palácio de Belém, o ridículo até teve
música. Um país espavorido assistiu, pelas televisões, sempre zelosas e
apressuradas, àquela cena do dr. Cavaco, mãos dadas com toda a família, a
subir a rampa que conduz ao Pátio dos Bichos, e ao interior do edifício. Um
palácio que não merecia recolher tal inquilino. Mas ele é mesmo assim: um
portuguesinho no Portugalinho, um inesperadamente afortunado algarvio, sem
história nem grandeza, impelido para o seu peculiar paraíso. A imagem da
subida da ladeira possui algo de ascensão ao Olimpo, com aquelas figuras
muito felizes, impantes, formais, intermináveis. Mas há nisto um
panteísmo marcadamente ingénuo e tolo, muito colado a certa maneira de ser
portuguesinho e pobrezinho: tudo em inho, pequenininho, redondinho.
Cavaco nunca deixou de ser o que era. Até no sotaque que não perdeu e o leva
a falar num idioma desajeitado; no inábil que é; no piroso corte de cabelo à
Cary Grant; no embaraço que sente quando colocado junto de multidões ou de
pessoas que ele entende serem-lhe "superiores". Repito: ele não dispõe de um
estofo de estadista, e muito menos da condição exigida a um Presidente da
República.
O discurso da sua pobreza resulta de todas essas anomalias de espírito. Ele
tem sido um malefício para o País. É ressentido, rancoroso, vingativo,
possidónio e brunido de mente. Mas não posso deixar de sentir, por este
pobre homem, uma profunda compaixão e uma excruciante piedade.*
                                                                   
Um belo texto, com análise certíssima e um português escrito para um
superior deleite, de quem lê...
                                                                                     
                                                                                                       
                                                                                             

domingo, 18 de março de 2012

Opinião

DEMITA-SE, SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO
                                                                                                                                                    
Nicolau Santos
(colonista do semanário Expresso)
Senhor Primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes. Também eu, senhor Primeiro-ministro. Só me apetece rugir!...
                                 
O que o Senhor fez, foi um Roubo! Um Roubo descarado à classe média, no alto da sua impunidade política! Por isso, um duplo roubo: pelo crime em si e pela indecorosa impunidade de que se revestiu. E, ainda pior: Vossa Excelência matou o País!
Invoca Sua Sumidade, que as medidas são suas, mas o déficite é do Sócrates! Só os tolos caem na esparrela desse argumento.
O déficite já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos 80, a mando dos donos da Europa, decidiu, a troco de 700 milhões de contos anuais, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria. Farisaicamente, Bruxelas pagava então, aos pescadores para não pescarem e aos agricultores para não cultivarem. O resultado, foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão. Bens não transaccionáveis, que significaram o êxodo rural para o litoral, corrupção larvar e uma classe de novos muitíssimo-ricos. Toda esta tragédia, que mergulhou um País numa espiral deficitária, acabou, fragorosamente, com Sócrates. O déficite é de toda esta gente, que hoje vive gozando as delícias das suas malfeitorias.
E você é o herdeiro e o filho predilecto de todos estes que você, agora, hipocritamente, quer pôr no banco dos réus?
Mas o Senhor também é responsável por esta crise. Tem as suas asas crivadas pelo chumbo da sua própria espingarda. Porque deitou abaixo o PEC4, de má memória, dando asas aos abutres financeiros para inflacionarem a dívida para valores insuportáveis e porque invocou como motivo para tal chumbo, o carácter excessivo dessas medidas. Prometeu, entretanto, não subir os impostos. Depois, já no poder, anunciou como excepcional, o corte no subsídio de Natal. Agora, isto! Ou seja, de mentira em mentira, até a este colossal embuste, que é o Orçamento Geral do Estado.
Diz Vossa Eminência que não tinha outra saída. Ou seja, todas as soluções passam pelo ataque ao Trabalho e pela defesa do Capital Financeiro. Outro embuste. Já se sabia no que resultaram estas mesmas medidas na Grécia: no desemprego, na recessão e num déficite ainda maior. Pois o senhor, incauto e ignorante, não se importou de importar tão assassina cartilha. Sem Economia, não há Finanças, deveria saber o Senhor. Com ainda menos Economia (a recessão atingirá valores perto do 5% em 2012), com muito mais falências e com o desemprego a atingir o colossal valor de 20%, onde vai Sua Sabedoria buscar receitas para corrigir o déficite? Com a banca descapitalizada (para onde foram os biliões do BPN?), como traçará linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 90% do desemprego?O Senhor burlou-nos e espoliou-nos. Teve a admirável coragem de sacar aos indefesos dos trabalhadores, com a esfarrapada desculpa de não ter outra hipótese. E há tantas! Dou-lhe um exemplo: o Metro do Porto.
Tem um prejuízo de 3.500 milhões de euros, é todo à superfície e tem uma oferta 400 vezes (!!!) superior à procura. Tudo alinhavado à medida de uns tantos autarcas, embandeirados por Valentim Loureiro.
Outro exemplo: as parcerias público-privadas, grande sugadouro das finanças públicas.
Outro exemplo: Dizem os estudos que, se V. Ex.ª cortasse na mesma percentagem, os rendimentos das 10 maiores fortunas de Portugal, ficaríamos aliviadinhos de todo, desta canga deficitária. Até porque foram elas, as grandes beneficiárias desta orgia grega que nos tramou. Estaria horas, a desfiar exemplos e Você não gastou um minuto em pensar em deslocar-se a Bruxelas, para dilatar no tempo, as gravosas medidas que anunciou, para Salvar Portugal!
Diz Boaventura de Sousa Santos que o Senhor Primeiro-ministro é um homem sem experiência, sem ideias e sem substrato académico para tais andanças. Concordo! Como não sabe, pretende ser um bom aluno dos mandantes da Europa, esperando deles, compreensão e consideração. Genuína ingenuidade! Com tudo isto, passou de bom aluno, para lacaio da senhora Merkel e do senhor Sarkhozy, quando precisávamos, não de um bom aluno, mas de um Mestre, de um Líder, com uma Ideia e um Projecto para Portugal. O Senhor, ao desistir da Economia, desistiu de Portugal! Foi o coveiro da nossa independência. Hoje, é, apenas, o Gauleiter de Berlim.
                                                                                                                   
Demita-se, senhor primeiro-ministro, antes que seja o Povo a demiti-lo.
                                                                                                
Terça-feira, 6 de Março de 2012 
                                                                                                  
                                                                                                  
                                                                                                                               

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Recorte de Imprensa

A grande farra
Por Tomás Vasques
                                                                                                   
Num país massacrado por violentas medidas de austeridade é servido, a uma casta que gravita à volta do poder político e económico, um despudorado banquete
                                                                                                                 
Há mais de um século que, em momentos como o que vivemos, citamos Eça de Queiroz, quando em Os Maias, referindo-se a Portugal, escreveu: «Isto é uma choldra torpe. Nunca houve uma choldra assim no universo!» Os portugueses têm cada vez mais razões para citar, com propriedade, o nosso grande escritor do século XIX. A trapalhada do ministro das Finanças à volta dos encargos com as pensões da Banca no Orçamento de 2012, o que vai exigir novos sacrifícios ainda este ano, não apagou o que se passou a semana passada com as escolhas – uma lista de agradecimentos ao primeiro-ministro - para o Conselho de Supervisão da EDP ou para a Administração das Águas de Portugal e, sobretudo, com o conhecimento das remunerações a atribuir a cada um dos contemplados. É verdadeiramente pornográfico – comentou, com razão, Marques Mendes, ex-presidente do PSD, num assomo de distanciamento.
                                                                                                                   
Num país massacrado por violentas medidas de austeridade, assumidamente destinadas a empobrecer milhões de portugueses, em que não escapam as famílias de menores recursos, desempregados e reformados, é servido em bandejas de prata, a uma casta que gravita à volta do poder político e económico, um despudorado banquete – uma verdadeira orgia, a lembrar a Grande Farra, de Marco Ferreri. E pago com dinheiro de quem, em muitos casos, não tem dinheiro para comer. E não adianta o governo e o seu primeiro-ministro, Passos Coelho, lavar as mãos como Pilatos e «explicar» que a EDP é uma empresa privada e que não interferiu nas escolhas anunciadas; ou que o Partido Comunistas Chinês escolheu «caras conhecidas e que estiveram em Macau», na versão de Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, um dos maiores beneficiados do descomunal regabofe das privatizações. As facturas da electricidade, que atingem todos os portugueses, empresas e famílias, mas sobretudo os que ganham salários de miséria, com um aumento de 4%, mais o aumento do IVA de 6% para 23%, trazem a marca dos milhões de euros de remunerações anuais atribuídas a esta gente impúdica e voraz.
                                                                                                                                        
Esta casta (quase todos responsáveis pelo estado em que os portugueses estão, e pelos sacrifícios que lhes exigem), para quem 45 000 euros por mês são uma ninharia, armam-se em paladinos das virtudes da economia de mercado, ao mesmo tempo que, sempre que podem, utilizam com despudor as instituições públicas por onde passam para se servirem delas. Braga de Macedo, também ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, colaborador do primeiro-ministro no redesenho da diplomacia económica do actual governo e um dos escolhidos para o Conselho de Supervisão da EDP, enquanto presidente do Instituto de Investigação Científica Tropical, apoiou diversas exposições da artista plástica Ana Macedo, sua filha, em Maputo e em Lisboa e reservou-lhe um espaço no Instituto para «residência artística». É esta a noção de serviço público que nos oferece o ex-ministro do PSD. Está tudo dito sobre a choldra torpe a que Portugal chegou.
Enquanto tudo isto se passa, o governo, numa tentativa de desviar as atenções da pobreza para que arrasta os portugueses, vai produzir legislação espartana contra os fumadores, na linha do mais retrogrado fundamentalismo. Voltando a citar Eça de Queiroz: Temos ouvido cantar a democracia, berrá-la, soluçá-la: é tempo de a vermos demonstrar.
                                                                                                                         
PS – O regime está podre. Está na hora do Partido Socialista, partido também responsável pelo estado a que isto chegou, abandonar a sua postura «conformista» e de falinhas mansas e passar à oposição. Dizem que Luís Amado, ex- -ministro dos Negócios Estrangeiros, fazia parte da lista de convidados para a EDP e não aceitou. Se assim foi, é um bom sinal. Esperar que este governo caia de maduro para o substituir neste rotativismo apodrecido significa cavar a sepultura deste regime.
                                                                  
Jurista, escreve à segunda-feira
                                                                                
Publicado em 16 Jan 2012 no Jornal i - http://www.ionline.pt/opiniao/grande-farra
                                                                                                            
                                                                                                            
                                                  

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Turismo "Jóia"...

Hotel premiado construiu uma suite clandestina e um jacuzzi sobre a falésia
                                                                                                                                            
Autarca diz que a empresa prometeu repor a legalidade (Foto: Melanie Maps) 
Uma vizinha austríaca queixou-se, a Câmara de Albufeira mandou embargar as obras e os promotores arriscam-se a ter que demolir o que construíram de forma ilegal.
                                                                         

 
A Câmara de Albufeira mandou embargar as obras clandestinas de ampliação do Hotel Vila Joya, na praia da Galé. Um jacuzzi exterior, com uma área de 11 metros quadrados, construído sobre a falésia, e uma suite de 50 metros quadrados, poderão vir a ser demolidos.
O vice-presidente da Câmara de Albufeira, José Carlos Rolo, mandou ontem a fiscalização municipal para ver a "evolução dos trabalhos" que tinham sido mandados embargar a 20 de Dezembro, na sequência de uma reclamação apresentada pela proprietária da vivenda ao lado. "A legalidade tem de ser reposta", diz o autarca, acrescentando que o cônsul da Áustria, Eduardo Henrique Vieira, foi um dos intervenientes no processo, "chamando a atenção para o que se estava a passar".
Quem se sentiu lesada foi Dagmar Möller, viúva do ex-presidente da Câmara de Viena de Áustria, Helmut Zik, por sentir a sua privacidade atingida com a construção, ilegal, da suite número sete do empreendimento. A construção do jacuzzi, do ponto de vista ambiental, foi o que mais deu nas vistas. Porém, a fiscalização municipal, ontem, já encontrou a intervenção disfarçada. A escavação foi coberta com um tapete relvado. "Uma vez que se trata de obras clandestinas, terão que ser demolidas e reposta a situação inicial", sustenta o vice-presidente do município.
Os promotores, entretanto, solicitaram à câmara o "levantamento parcial" do embargo, para dar continuidade às obras de conservação. "Só na próxima semana é que assunto será analisado, depois do parecer técnico dos serviços e do parecer jurídico", acrescentou o autarca, "lamentando" que este assunto tenha coincidido com a realização no hotel do VI Festival Tribute to Claudia - um evento que este ano conta com a presença da cantora Sheryl Crow, os actores Michael Imperioli (Os Sopranos) e Mathew Modine (Too Big To Fail).
O autarca não esconde o incómodo da situação - uma vez que a própria câmara, pela relevância do acontecimento internacional, associou-se à iniciativa -, mas mostra-se intransigente no cumprimento da legislação: "Tenho a promessa dos promotores de que será demolido aquilo que foi ilegalmente construído."
A 30 de Dezembro, entretanto, deu entrada na câmara um requerimento a garantir que iria ser "reposta a legalidade", mas as obras de ampliação do empreendimento, testemunhou o PÚBLICO, prosseguiam anteontem - embora estivesse a ser erguido um muro, no lado poente, para garantir a privacidade à vivenda Dusika, pertencente a Dagmar Möller.
No que diz respeito à construção do jacuzzi, José Carlos Rolo entende que a obra, por se encontrar na área de intervenção do Plano de Ordenamento da Orla Costeira, "obriga ao parecer, vinculativo, da Administração da Região Hidrográfica". Para saber da evolução do processo o PÚBLICO contactou o director-geral da Vila Joya, que remeteu o assunto para o escritório do advogado que representa a empresa, em Lisboa, mas onde não foi possível obter um comentário. 
                                                                                   
in PÚBLICO - 12.01.2012 - 19:58 Por Idálio Revez
                                                                                                                     
                                                                                                           
                                                                                 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Reacções instantâneas às novas medidas do Governo...

EMPRESÁRIOS "EMIGRAM" PARA O ESTRANGEIRO
                                                         
OFFSHORES RECEBEM REMESSAS DE 500 MILHÕES DE EUROS DE PORTUGAL...
                                       
                                      

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Recorte de Imprensa

E você, acredita?
                                                                                                     
Só os pobres escapam ao raide de uma política fiscal que castiga quem trabalha como ninguém na Europa.
                                                                                            
Não me lembro de ter chegado ao fim de um ano tão mau e, mesmo assim, desejar que o novo não comece. As perspectivas são negras e nem mesmo as promessas de Passos de "democratizar a economia" suavizam o horizonte. Os seis meses de Governo mostram que entre as intenções e a prática há um enorme vazio.
A austeridade tem como alvo a classe média, da alta à baixa. Só os pobres escapam ao raide de uma política fiscal que castiga quem trabalha como ninguém na Europa, e deixa de fora quem vive de mais-valias e dividendos. E os que têm "acesso privilegiado ao poder" continuam a ser os poderes reais do País. Os interesses corporativos que se alimentam do Estado não acabaram, o que se alterou foi um faz-de-conta. As nomeações para cargos dirigentes da Administração Pública serão por concurso público mas o ministro terá a última palavra, anulando a escolha por concurso.
A reforma do Poder Local acaba apenas com freguesias deixando as 308 autarquias do século XIX desfasadas das necessidades actuais. Os interesses partidários sobrepuseram-se e os caciques locais ganharam. Continuam as mais de 2ooo empresas municipais, quase todas endividadas e a albergar familiares e amigos de autarcas. Antes de ser Governo, o PSD prometia acabar com todas as que não tivessem "50% de receita privada". Também iam acabar com Fundações, Institutos, "o Estado gordo"... a dieta foi tão ligeira que até vai haver o novo Instituto Português da Moda (procuram um palacete). Em contrapartida, corta-se em coisas tão essenciais como medicamentos, médicos, enfermeiros ou nos 3 helicópteros do INEM à noite. Não estavam a ser rentabilizados. Custam 1,8 milhões de euros por ano e só às vezes é que há gente quase a morrer que precisa deles! Já a RTP custa mais de 100 milhões e vai deixar de ter publicidade para depender só do OE e do Governo que cedeu à pressão das privadas. Tal como tem cedido ao peso de quem intervém nas negociatas da PPP (60 mil milhões), grandes empresas, construtoras, banca e advogados.
Os sinais já são muitos e fortes de falta de vontade política do Governo para acreditar outra vez em promessas de "democratização da economia". Mas espero mesmo estar enganada – É o meu desejo para 2012!
Manuela Moura Guedes
in Correio da Manhã
                                            
                                             
                                                                              

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Seguro: "Um primeiro-ministro que aconselha a emigração não acredita no seu país" | iOnline

Seguro: "Um primeiro-ministro que aconselha a emigração não acredita no seu país" | iOnline


Comentário:
                                                                                            
Os componentes dos desgovernos PS/PSD de há 20 anos para cá que lançaram o País nesta via desgraçada sem retorno; ; os boys e girls que sugam o etário público; os maus gestores das parcerias PP que auferem vencimentos obscenos; os banqueiros que lançaram o credito fácil sobre uma população sem cultura, sem educação; os políticos que detêm privilégios escandalosos e que se revelam cada vez mais rapaces dos dinheiros do erário público; os ex-presidentes da república que com os seus privilégios, vencimentos, pensões contribuem para a falência económica do país; os deputados que, ao fim de 12 anos de assembleia da república, auferem reformas por inteiro; os políticos que saltitam do governo para empresas privadas relacionadas com as pastas que detiveram enquanto governantes; os políticos, os gestores, os detentores de cargos públicos que recebem indemnizações escandalosas quando se demitem (sim, quando se demitem!); os boys e girls quando, devido à dança das cadeiras são demitidos quase no fim do tempo levando uma boa fatia dos dinheiros dos nossos impostos;... todos os referidos acima que EMIGREM eles. Pode ser que, então, depois de saneada a população portuguesa de todos esses parasitas, esses corruptos, possamos encontrar homens bons que ponham o nosso velho, depauperado País no caminho difícil do ressurgimento nacional.
Por favor, senhores acima referenciados, tenham um gesto com um resquício de dignidade: EMIGREM POR FAVOR, ou então, obviamente, o povo português num sobressalto de dignidade, terá de os obrigar a EMIGRAR! 
Será em breve???
                                                                   
C.F.
                                                   
                            

sábado, 15 de outubro de 2011

Esta não vinha no memorando da troika...

Crise
Militares avisam Governo que estão com a população contra a austeridade
                                                                      
Rita Paz com foto de Paula Nunes
14/10/11 19:25
                                                                               
Militares admitem endurecer as manifestações de descontentamento e já marcaram um encontro nacional para 22 de Outubro.
                                                                                  
A Associação Nacional de Sargentos (ANS) reagiu hoje às novas medidas de austeridade anunciadas ontem pelo Governo e que vão fazer parte do Orçamento do Estado para 2012.
Ao Económico, O presidente da ANS diz que "já há muito tempo" que os militares estão "a preparar uma série de iniciativas". E "se alguma dúvida existia na mente dos mais crédulos, as afirmações de Passos Coelho deitaram abaixo qualquer dúvida".
António Lima Coelho lembra que "há meses atrás, na oposição, Passos Coelho disse a Sócrates, na altura primeiro-ministro, que cortar nos subsídios era um disparate" e acrescenta: "Nós temos de ter memória, não podemos continuar a ser adormecidos com conversas bem ditas".
Por isso, "no próximo dia 22 vamos realizar um encontro nacional. E este não é um encontro que se encerra em si mesmo, dado que poderão ser encontrados outros caminhos, quer sejam de demonstração de mau estar quer sejam de reiterar a disponibilidade para com quem está no poder de encontrar soluções para todas as partes", sublinha António Lima Coelho.
É que, segundo o responsável, as novas medidas de austeridade anunciadas ontem por Passos Coelho, "põem em causa os direitos constitucionais e inclusive de soberania" do país, sendo que "o corte dos subsídios é um agravamento de uma situação que já era muito difícil".
                                                    
"As revoluções não se anunciam"
                                                                      
António Lima Coelho admite que "para o cidadão comum é muito difícil não conseguir cumprir os seus compromissos, mas para um militar que está obrigado a cumprir com as leis da República é muito mais grave".
Os militares garantem assim que "estão ao serviço do povo português e não de instituições particulares", e avisam: "Que ninguém ouse pensar que as Forças Armadas poderão ser usadas na repressão à convulsão social que estas medidas poderão provocar".
Questionada sobre um possível endurecimento dos protestos por parte dos militares, a Associação avança que "as revoluções não se anunciam, quando chegam, chegam porque têm de chegar, mas espero que a bem do Estado de direito que nunca um cenário desses se venha a pôr", conclui.
Recorde-se que no mês passado Passos Coelho fez questão de frisar, no discurso que escolheu para a sessão de encerramento das Festas do Povo, em Campo Maior, que "em Portugal, há direito de manifestação, há direito à greve. São direitos que estão consagrados na Constituição e que têm merecido consenso alargado em Portugal".
No entanto, avisou na altura o primeiro-ministro, "aqueles que pensam que podem agitar as coisas de modo a transformar o período que estamos a viver numa guerra com o Governo", quando o que existe é "uma guerra contra o atraso, a dívida e o desperdício", esses "saberão que nós sabemos dialogar, mas que também sabemos decidir".
                                                                  
Ler em: http://economico.sapo.pt/noticias/militares-avisam-governo-que-estao-com-a-populacao-contra-a-austeridade_129069.html
                                                                               
                                                                                                             

domingo, 25 de setembro de 2011

Recortes de Imprensa

Crescimento económico e emprego exigem “resposta urgente” global
                                                       
O primeiro-ministro português pediu hoje na Assembleia-Geral da ONU uma “resposta urgente” global para relançamento do crescimento económico e do emprego, evocando os “esforços sem precedentes” a que a crise está a obrigar Portugal.
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Santa Casa "provavelmente" sairá da lista da Administração Central
                                                    
A Santa Casa da Misericórdia “provavelmente” irá sair da lista de entidades cujas verbas a Administração Central poderá passar a gerir, segundo a lei de enquadramento orçamental, referiu o novo provedor, Pedro Santana Lopes.
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Partidos impediram criminalização de falsas declarações de rendimento e património
                                                       
O secretário-geral do PS assinalou hoje que PSD, CDS-PP, PCP e BE impediram a criminalização da falsidade ou inexistência de declarações sobre rendimentos e património dos titulares de altos cargos públicos, proposta pelo grupo parlamentar socialista.
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Casa dos Segredos. Eu sei que tu sabes que todos eles sabem
                                                                           
O que é preciso para estar lá dentro? A partir dos BIs oficiais, traçamos o perfil dos concorrentes do reality show, que no último domingo chegou a atingir uma audiência de dois milhões.
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Ler mais em : http://www.ionline.pt/
                                                                                          
                                                                         
                                           

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Recorte de Imprensa

E SOMOS NÓS QUE TEMOS DE PAGAR OS "LUXOS" E AS FESTAS DO SR. ALBERTO JOÃO JARDIM ??
                                                                                                               

Deixem falir a Madeira

por Pedro Braz Teixeira, Publicado em 14 de Setembro de 2011   
                                                                                            
A dívida da Madeira é insustentável do ponto de vista económico e não é justo que sejam os contribuintes do país a pagar os buracos do governo de Alberto João Jardim

                                                                                                                    
A Região Autónoma da Madeira acumulou uma dívida gigantesca, proporcionalmente maior que a dívida pública nacional. Esta dívida já conheceu um perdão muito significativo durante o governo de Guterres e mesmo assim continua imparável. Além disso, alguma está escondida, como se pode concluir pelo buraco de 500 milhões de euros detectados pela troika, que provavelmente não será o último.
                                                                                         
A dívida dos Açores é muitíssimo inferior à da Madeira, apenas cerca de dois quintos desta, ponderada pela população. Olhando para o nível de rendimento alcançado nos dois territórios, poder--se-ia dizer que a dívida madeirense teria sido bem sucedida, já que este território ultrapassou a média nacional. Mas também não é possível ignorar que a Madeira fica mais perto do Continente e é composta apenas por duas ilhas, enquanto os Açores têm custos de transporte muito elevados entre ilhas. Além disso, a Madeira é sede do único off-shore português, que, por razões práticas, tem de continuar a ser único, que é uma importante fonte de receitas da região.
                                                                           
Se porventura a dívida madeirense é a chave do seu sucesso económico, temos que concluir que este sucesso é muito limitado, porque se baseia numa estratégia insustentável. Mesmo as múltiplas benesses que a região recebe sob o pretexto da insularidade começam a ser altamente questionáveis para regiões muito mais pobres do país, como Trás--os-Montes e o Alentejo.
                                                                     
Além das dívidas das regiões autónomas, temos ainda as dívidas das autarquias, de perfil muito mais variado pelo seu número alargado. Mais de duas dezenas estão a ser permanentemente vigiadas pela troika, devido aos montantes muito elevados atingidos, em comparação com as receitas geradas.
                                                                                                             
Estes elevados endividamentos resultam de dois tipos de factores. Por um lado, há a tentação política de pedir emprestado para fazer obra que dá dividendos políticos imediatos, deixando a factura para ser paga num futuro mais ou menos distante. No caso da Madeira, com o perdão da dívida, Alberto João Jardim conseguiu mesmo que não fossem os madeirenses a pagar a factura, mas sim os contribuintes do Continente. Por outro lado, este endividamento resulta também da facilidade com que credores e fornecedores cederam dinheiro e bens a estas entidades. Esta facilidade, que lembra os anúncios "damos--lhe já 10 mil euros!", baseia-se na crença de que o Estado paga sempre.
                                                                                                 
Para resolver o problema do endividamento excessivo precisamos assim de medidas em duas frentes. Em relação à tentação política, é necessário criar sanções para os responsáveis máximos das regiões e das autarquias que excedam certos níveis de endividamento. Nos casos mais graves deveria mesmo haver perda de mandato e eleições antecipadas.
                                                                                                             
Em relação ao facilitismo do crédito, tem de haver falências para que os credores percebam que existe risco em emprestar a autarquias e regiões. Era importante que credores e fornecedores, por exemplo, da Região Autónoma da Madeira perdessem parte do capital, para que todos encarassem os novos empréstimos e fornecimentos de uma forma diferente. A partir daí teríamos uma nova fonte de disciplina orçamental, os investidores, que até poderiam dispensar as penalizações previstas acima.
                                                                         
Para quem se assustar com as potenciais consequências internacionais de deixar falir a Madeira, convém recordar, desde logo, que a cidade de Nova Iorque já faliu e reergueu-se. Em segundo lugar, a falência da Madeira deverá libertar as contas públicas nacionais de novos "perdões", melhorando-as, além de criar um instrumento de disciplina orçamental extensível a todas as regiões e autarquias, que só pode ajudar a sustentabilidade dos orçamentos futuros.
                                                                             
Investigador do NECEP da Universidade Católica - (Escreve quinzenalmente à quarta-feira)

                                                                          
Ler em: http://www.ionline.pt/conteudo/149190-deixem-falir-madeira
                                                                              
                                                                        
                            

domingo, 11 de setembro de 2011

Porque hoje é... 11 de Setembro

O mundo nunca mais voltou a ser igual...
Os atentados assinaram o declínio dos EUA?
                                                             
Que o mundo mudou desde o 11 de Setembro de 2001 é praticamente indiscutível. O ataque às Torres Gémeas em Nova Iorque pela Al-Qaeda veio transformar conceitos, opiniões e a década seguinte, que se concluiu este fim-de-semana. Os ataques empurraram os EUA para duas guerras, para uma crise financeira que a potência nunca tinha vivido, e hoje pode arriscar-se a afirmação de que o país já não é hegemónico como até 2001.
                                                                              
"O mundo mudou fundamentalmente porque o que aconteceu foi horrendo e porque esse acontecimento horrendo teve lugar no país mais importante do actual sistema mundial", explica Boaventura de Sousa Santos. O sociólogo é duro nas críticas aos Estados Unidos e à forma como o país lidou com os ataques, usando a desculpa das "armas de destruição em massa para justificar a invasão do Iraque, quando nem sequer era um país com presença da Al-Qaeda". Porquê a desculpa? "Porque, usando a auto-estima e o orgulho feridos, aproveitaram para ter o controlo total do petróleo no Médio Oriente", explica.
                                                                            
Uma década volvida, já nem dessa garantia os Estados Unidos se podem gabar. Com o surgimento da Primavera Árabe, que o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Medeiros Ferreira considera ter sido causada em parte pelos atentados, o petróleo líbio pode ir parar a mãos incertas, mais especificamente às da China. "O que está a acontecer desde os atentados era impensável: a China, o Brasil, a Turquia são países cada vez mais integrados em termos económicos e influentes politicamente", explica Miguel Monjardino, director do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica.
                                                                           
Neste momento os Estados Unidos lidam não só com estas ameaças, como com uma dívida de 1,4 biliões de dólares, que os especialistas concordam ter surgido, em parte pelos gastos militares do país nas guerras do Iraque e do Afeganistão. "George W. Bush reforçou a componente militar [depois dos atentados], houve um acentuar da dimensão militar estratégica hegemónica dos Estados Unidos e o exemplo máximo disso foi a queda do regime iraquiano em três semanas", explica Monjardino. "Mas o preço do Iraque foi brutal, em termos humanos e financeiros." Monjardino é o único a considerar que esta guerra não foi um "erro fatal" para os americanos. "Não o é desde que os Estados Unidos façam os ajustamentos necessários."
                                                                                                     
Os custos financeiros dos dois conflitos foram altos em mais de um sentido. "Antes do 11 de Setembro, os neoconservadores estavam a tentar definir uma estratégia para os EUA continuarem a ser a única grande potência mundial. Com os atentados tiveram um presidente ao seu dispor, que foi George W. Bush, mas não foram acompanhados pela vitalidade económica e neste momento o país está totalmente dependente da China, o seu grande credor", explica Sousa Santos. De volta à China, que parece ter sido quem mais ganhou com isto. E hoje o que há "é uma hegemonia perversa, é um poder sem poder dos EUA".
                                                                                       
A essa hegemonia junta-se a militar, que para o sociólogo continua a ser detida pelo país - mas de uma forma diferente. "A guerra só traz mais guerra. A violência mais violência. A agressão mais agressão. O que realmente mudou é que desapareceu a negociação multilateral. A violência agora já não é só protagonizada por estados. Agora até a NATO actua fora do seu mandato, como se vê na Líbia - tornou-se uma força de agressão obviamente controlada pelos Estados Unidos", defende Sousa Santos. Medeiros Ferreira concorda que o mundo está menos seguro, mas diz que está "mais solidário". Neste ponto Monjardino está sozinho: "A segurança internacional agora é melhor que há dez anos", diz ao i. Com uma ressalva: "Na próxima década, o medo do terrorismo vai ser substituído pelo medo das dificuldades económicas. Esse é o cenário mais preocupante dez anos depois dos atentados."
                                                        
Crise financeira: a culpa também é de Bin Laden?
                                                                                                                 
Tragédia rápida e devastadora. A Bolsa encerrou quatros dias, facto inédito desde a depressão de 1929 na Big Apple. A conta já vai em 100 mil milhões de dólares... Ninguém sabe dizer com rigor qual o custo financeiro dos ataques às Torres Gémeas. Actualmente, a soma já ultrapassa 100 mil milhões de dólares. Se forem incluídos a perda de produção de bens e serviços, a conta aproxima-se dos 2 biliões de dólares. Sem contar com as guerras no Iraque e no Afeganistão.
                                               
Só na limpeza dos destroços gastaram--se 1,3 mil milhões de dólares!
                                                                                       
A Bolsa de Nova Iorque fechou durante quatros dias - o período de encerramento mais longo desde a Grande Depressão, em 1929. Nessa fase inicial, os custos imediatos foram calculados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) em 27,6 mil milhões de dólares.
                                                                                          
Após os ataques, a já frágil economia internacional ficou mais debilitada, nomeadamente nos mercados financeiros, no turismo, nas viagens e no consumo. Os capitais estrangeiros voaram para paraísos fiscais.
                                                                                                     
Os custos directos dos atentados foram calculados pelo Congresso americano em cerca de 34 mil milhões de dólares em perdas garantidas por seguros - 21,6 mil milhões de dólares em perdas de capital em edifícios e infra-estruturas -, mais mil milhões de dólares para a reconstrução do edifício do Pentágono e 7 mil milhões em compensações às vítimas.
                                                                                                           
As ondas de choque continuam a sentir-se na economia mundial dez anos depois. Quando hoje se fala em crise internacional, uma parte da responsabilidade pode ser atribuída a Osama Bin Laden.
                                              
Há também outros custos não quantificáveis mas omnipresentes, ao nível da economia global resultante dos ataques às Torres Gémeas em Nova Iorque. Dois tudo dominam e afectam: o medo e a perda de confiança.
                                                                                                  
Os ataques do 11 de Setembro inscreveram-se numa estratégia claramente definida pela Al-Qaeda e destinada a atingir o coração do sistema financeiro norte- -americano e, por arrastamento, o de outros países do Ocidente. Quando as torres caíram, entre os milhares de vítimas um quarto eram corretores ou profissionais ligados à banca e à finança. Nos escombros jazia uma parte considerável da riqueza mundial movimentada electronicamente.
                                                                             
Bin Laden declarou repetidamente que o seu objectivo era ferir de morte a América e levá-la à bancarrota. Neste aspecto não venceu, mas impôs custos terríveis e duradouros que se fazem sentir na vida de milhões de norte-americanos e europeus. Deve reconhecer-se que essa intenção foi parcialmente conseguida, tendo ajudado a agravar a actual situação económica na generalidade dos países ocidentais.
                                                                                       
Além dos custos brutais em vidas humanas e bens materiais, uma das consequências posteriores aos ataques foi o abrandamento gradual e contínuo do crescimento da economia mundial, com perdas de capital e perturbação dos mercados financeiros.
                                                                                                  
Embora difíceis de quantificar, há outra série de custos indirectos que também se fazem sentir, nomeadamente no aumento do preço de seguros, fretes marítimos e aéreos, no desvio de recursos humanos e materiais de áreas ligadas à produtividade e na quebra brutal na procura no sector de viagens e turismo.
                                                                                                          
O mercado energético e o fornecimento regular de petróleo foi outra área afectada com consequências que perduram na actualidade, com notícias diárias do sobe e desce do preço dos combustíveis.
                                                                                                       
Os ataques conduziram, mais tarde, às invasões e à ocupação militar do Iraque e do Afeganistão, no âmbito da chamada guerra global contra o terrorismo, com o seu próprio cortejo de destruição nestes países e perda de milhares de vidas de civis e entre os soldados das forças ocidentais que ali intervieram e onde ainda permanecem. Já foram gastos 4 biliões de dólares nestes teatros.
                                                                                                                   
A paranóia da segurança afectou a percepção que os ocidentais tinham do gozo dos seus direitos, liberdades e garantias, mas isso também teve efeitos económicos não desprezáveis. Um simples exemplo: o tempo médio que os passageiros demoram a embarcar num avião tem consequências sociais e económicas ao nível da fluidez do tráfego aéreo e de passageiros em todo o planeta. Calculem-se os milhares de milhões de horas de trabalho perdidas. Outro exemplo, o screening obrigatório das cargas de todos os contentores de mercadorias com destino aos EUA provenientes de países ou regiões consideradas não seguras.
                                                                                                               
Dada a dimensão da economia norte- -americana, os EUA são um dos principais mercados para muitas centenas de países que viram as suas exportações caírem a pique face à diminuição da procura doméstica norte-americana. O Canadá, por exemplo, exporta 40% dos seus produtos para o mercado americano. Os EUA têm comércio regular com mais de 180 países. Isto produziu desemprego em massa um pouco por todo o planeta.
                                                                                                                
O 11 de Setembro deixou também sequelas nas moedas nacionais e na sua paridade, tendo aberto a porta à queda do domínio do dólar nas trocas internacionais, com países emergentes a fazerem pagamentos entre si nas suas próprias moedas (casos do Brasil, da Rússia, da China ou do Irão, por exemplo).
                                                                           
A aviação foi o sector onde os efeitos dos ataques foram mais rápidos e visíveis. Três meses depois da catástrofe, George W. Bush assinou a lei da aviação e segurança dos transportes. Nesse âmbito foram criadas diversas agências federais de segurança. Só em 2003, a administração Bush gastou 4,8 mil milhões de dólares para financiar programas da agência.
                                                                                        
Por fim, as guerras no Afeganistão, no Iraque, e no Paquistão vão custar cerca de 4 biliões de dólares, segundo o Institute for the Analysis of Global Security (IAGS).
                                                                                                  
Dominic Streatfeild. "Os Estados Unidos são o país mais odiado do mundo"
                                                                                                                      
O jornalista inglês faz um relato fragmentado dos últimos dez anos de guerra contra o terrorismo. "Todos perdemos, ninguém ganhou", conclui... Mark Stroman, ou "o caçador de árabes", foi um americano que levaram uma injecção letal em Julho deste ano, depois de ter assassinado dois imigrantes asiáticos numa bomba de gasolina no Texas. A irmã tinha morrido no ataque às Torres Gémeas, um facto que Mark fez questão de recordar nas últimas palavras no corredor da morte. Este é o primeiro episódio que Dominic Streatfeild escolhe para contar o que se passou com o planeta nos últimos dez anos. "''Uma História do Mundo depois do 11 de Setembro''" (acabado de editar em Portugal), explica o autor, "não é um relato do que aconteceu no 11 de Setembro. É uma narrativa do que aconteceu depois. É mais assustador." Em entrevista ao i por email, o jornalista explica como tomou para si a tarefa inglória de contar a história de uma década em oito episódios. E perguntámos-lhe o que pensa dos últimos meses, que ficaram de fora do seu balanço.
                                                     
Diz que o mundo é mais perigoso hoje do que era há dez anos. Não pode ser só uma questão de percepção ?
                                                                      
É possível, mas duvido. Para mim, o grau de ódio e desconfiança que o Ocidente despertou ao reagir de maneira "quente" aos ataques de 11 de Setembro fez com que hoje todos estejamos menos, e não mais seguros do que estávamos. Ainda não sabemos como vamos reconstruir pontes de confiança. Nem quanto tempo isso vai demorar.
                                                                                 
Não acha que é um pouco cedo para fazer o tipo de trabalho que se propôs? Dez anos são uma distância suficiente para falar sobre este assunto?
                                                            
Outra vez, possivelmente sim. Ainda não sabemos qual a extensão total das nossas reacções ao 11 de Setembro - e só o tempo nos dará a perspectiva necessária para as avaliarmos. Mas qual é o período que é razoável esperar até começar essa avaliação? Não devíamos começar a aprender a lição o mais depressa possível?
                                                                           
Escreve que a reacção dos Estados Unidos ao 11 de Setembro foi a que os terroristas desejavam. Afinal quem ganhou esta guerra?
                                                                                     
Os terroristas tiveram o que queriam e mais. A Al-Qaeda não podia tê-lo planeado melhor. Os EUA invadiram um país e fizeram asneira. Depois invadiram outro e fizeram mais asneira. Mas não se pode pôr a questão nesses termos. Ninguém ganhou esta guerra até agora. Podemos, quando muito, pensar em quem perdeu mais. E não sei quem foi. Todos perdemos. Muitas pessoas morreram de um lado e de outro.
                                                                
Acredita que os EUA são o país mais odiado do mundo, como escreve no livro?
                                                                         
Sim, sem dúvida.
                                                                         
Continuam a ser o mais poderoso?
                                                                                   
Também.
                                                                                         
Como vê a posição europeia no cenário pós-11 de Setembro?
                                                                      
De uma maneira geral, tomámos uma posição de retaguarda enquanto os EUA respondiam. Mas acho que também temos culpa no que se passou. As negações de cumplicidade ou conhecimento do programa de entrega de prisioneiros da CIA parecem-me completamente superficiais.
                                                                          
E os media, qual foi o seu papel?
                                                                                               
Não muito forte, também. Houve alguns exemplos em que a imprensa se impôs e foi ouvida. Mas, especialmente na cobertura da invasão ao Iraque, os jornalistas, eu incluído, falharam ao não levantar questões suficientes. Especialmente em não aprofundar o suficiente o tema da existência de armas de destruição em massa.
                                                                          
Divide a sua análise em oito episódios. Sente que deixou algumas coisas importantes para trás?
                                                                       
Sim. Há muito pouco relato das coisas que correram bem durante a "guerra ao terrorismo". Tenho noção que poderia cair na asneira de Michael Moore, de apenas apregoar o que correu mal, sem indicar pontos específicos do que se poderia ter feito melhor - ou do que podemos fazer melhor da próxima vez. Basicamente, é fácil ser-se crítico, especialmente se tivermos o benefício da retrospectiva. Eu não estava lá a tomar aquelas decisões. E mesmo que estivesse não sei se poderia ter feito melhor.
                                                                                      
Acabou de escrever o livro o ano passado, mas ele só chegou a Portugal agora: 2011 é um ano importante?
                                                                                
Marca o décimo aniversário, e por isso toda a gente está centrada no assunto 11 de Setembro por estes dias. Tirando isso, não o consideraria um ano especialmente importante. Se a Al-Qaeda faz, e vai tentar fazer, alguma coisa para assinalar esse aniversário, é algo que temos que esperar para ver.
                                                                                                      
A morte de Ossama bin Laden podia ser outro capítulo no livro ?
                                                                                                                                 
Podia ter sido, mas não foi. Não é a história certa para este tipo de livro. Além disso, ninguém espera falar dessa operação com o rigor e pormenor necessários para que possa ser contada da maneira como conto as outras histórias do livro. Eu gostaria de saber tudo sobre a operação que levou à morte de Bin Laden antes de começar. E este tipo de coisas não vai sair cá para fora durante muito tempo.
                                                                                                      
E o massacre de Utoya, na Suécia. Também o explicaria numa lógica de ódio pós-11 de Setembro?
                                                                                                                    
Duvido. Não conheço assim tantos pormenores do caso, mas imagino que seja muito mais complicado que a história de um homem que pensou que estava numa guerra contra o islão. E que o 11 de Setembro tenha provocado os primeiros tiros.
                                                                                                 
Como vê a Primavera Árabe? Podemos pensar nesses movimentos como consequência do 11 de Setembro?
                                                                                                  
Não propriamente. Penso que a Primavera Árabe aconteceu apesar, e não por causa, da reacção do Ocidente aos atentados. Falhámos as previsões e não sabemos a que é que estes movimentos vão dar. Os esforços dos antigos neoconservadores, que agora dizem "nós sabíamos que o que todos eles queriam era democracia, fomos apenas um pouco prematuros" soam-me completamente a falso.
                                                                                                     
No livro levanta uma questão sem resposta. Nos manuais escolares do futuro, os ataques de 11 de Setembro serão um capítulo ou uma nota de rodapé?
                                                                                                         
É verdade. Ainda não sei a resposta. Talvez dependa do que vamos fazer a seguir. Penso que será um capitulo, não por causa da gravidade dos ataques em si mesmos, mas porque as nossas reacções a eles vão ter, provavelmente, implicações mais duradouras.
                                                                                    
Onde estava no 11 de Setembro de 2011? Lembra-se?
                                                                                                       
Estava prestes a escrever um livro sobre terrorismo e esperava conseguir uma entrevista com Bin Laden. Na altura era possível chegar a ele, ou pelo menos era o que me diziam. Estava no metro em Londres quando ouvi alguém dizer que um avião tinha chocado contra o World Trade Center. No momento em que alguém disse que outro avião tinha embatido noutra torre eu soube que tinha sido obra de Bin Laden.
                                                                                                                    
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