Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Tributo ao Fado

Silêncio, que vem aí Poesia

Luís Monteiro Pereira apresenta livro que é um tributo ao Fado no Castelo de Loulé.

“Fado dos Meus Silêncios” é o mais recente livro de poesia de Luís Monteiro Pereira, que vai ser apresentado no próximo dia 17 de Outubro, pelas 16h30, na Alcaidaria do Castelo de Loulé. Este momento vai contar com acompanhamento musical.
O autor encontra na poesia o seu “refúgio” e escreve o que lhe vai na alma e na imaginação. Esta obra poética nascida da pena criativa e intimista do poeta pretende ser, sobretudo, um “tributo ao Fado” como destino de um povo ou um mundo muito próprio do ser português.
O jornalista Arménio Aleluia Martins diz que “Fado dos Meus Silêncios” “não é somente mais um livro de Luís Monteiro mas um contributo para o Fado que se quer ouvir em silêncio. Neste caso para ser lido também em silêncio ou tendo como companheiros a guitarra e a viola” pelo que alguns dos poemas podem ser musicados.
O autor, que vai registando sentimentos e emoções, diz que escreve porque gosta e que todo o português tem um pouco do Fado dentro de si. Este livro é editado pela Edigarbe - Sociedade Editora do Algarve, Lda.
Luís Alberto Monteiro Pereira nasceu em Boliqueime (Loulé), no dia 6 de Fevereiro de 1958. Poeta e escritor, publicou algumas obras de poesia e prosa, como "Crónicas do Tempo Morto", "Lágrimas e Fel", "(In)quietações" e “Vagueando nas Vagas do Tempo”, entre outras, e muitos artigos de opinião. Colaborador da imprensa nacional e regional, tem escrito com regularidade nos jornais "A Avezinha" e "A Voz de Loulé", onde se iniciou no jornalismo como autodidacta, sobre os mais diversos temas da actualidade, desde a política à cultura.
Profissionalmente exerce a actividade de técnico de animação cultural na Câmara Municipal de Loulé, desde 1993.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Retratos do Algarve

Ciclo Viajantes, Escritores e Poetas

Poesia de António Ramos Rosa em debate no Pátio de Letras.

Gastão Cruz, poeta e crítico literário distinguido recentemente com o prémio Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa 2009, vai falar sobre a obra de António Ramos Rosa no dia 22 de Maio, no Pátio de Letras, em Faro.
Segundo o orador, “pretende-se traçar o percurso poético de António Ramos Rosa, no quadro da poesia portuguesa contemporânea, e definir o seu papel proeminente, quer como poeta, quer como ensaísta e crítico, na instauração de um novo conceito de poesia e de liberdade poética”. Privilegiando o papel da palavra como elemento estruturante do discurso, a poesia de António Ramos Rosa assume-se como uma “voz inicial”, em “diálogo com o universo”.
Poeta e crítico literário, Gastão Cruz nasceu em Faro em 1941. Licenciado em Filologia Germânica pela Universidade de Lisboa, foi professor do ensino secundário e leitor de português no King’s College, em Londres. Como poeta, começou por se destacar com a sua participação na Poesia 61, no início da década de 60, sendo autor de uma obra vasta e em contínuo crescimento.
Gastão Cruz colaborou com vários jornais e revistas como crítico literário, tendo traduzido autores como William Blake, Strindberg e Shakespeare. Foi ainda um dos fundadores do grupo Teatro Hoje, onde encenou várias peças.
A obra de Gastão Cruz foi distinguida com inúmeros prémios, entre os quais se contam o Prémio PEN Clube de Poesia, em 1985, e o Prémio D. Dinis, atribuído pela Fundação Casa de Mateus, atribuído ao livro Crateras (2000). Em 2002, o seu livro de poesia Rua de Portugal foi distinguido com o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, e em 2005, com Repercussão, ganhou o Grande Prémio de Literatura dst. O seu livro A Moeda do Tempo (2006) conquistou o prémio literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa 2009.
Inserido nas comemorações dos 30 anos da UAlg, o ciclo de conferências Viajantes, Escritores e Poetas – Retratos do Algarve é organizado pelo Centro de Estudos Linguísticos e Literários (CELL) da UAlg e pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António/Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, e decorre no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António e na Livraria Pátio de Letras, em Faro, nos meses de Março, Abril, Maio, Junho e Julho.
Mais informações: jccarva@ualg.pt; ciipcacela@gmail.com

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Retratos do Algarve

Ciclo Viajantes, Escritores e Poetas

O Algarve na poesia de Teresa Rita Lopes em debate no Pátio de Letras.

No próximo sábado, dia 11 de Abril, pelas 17h30, a poetisa algarvia Teresa Rita Lopes vai estar no Pátio de Letras, em Faro, a reflectir sobre o Algarve representado na sua própria criação poética. Teresa Rita Lopes é professora catedrática jubilada da Universidade Nova de Lisboa, sendo uma das maiores especialistas em Fernando Pessoa. O Algarve na poesia de Teresa Rita Lopes é assim o tema da próxima conferência do ciclo Viajantes, Escritores e Poetas: Retratos do Algarve.
Teresa Rita Lopes nasceu em Faro, em 1937. Escreve poesia e contos desde sempre, tendo-se também desde sempre dedicado ao teatro: tem mais de vinte peças escritas, das quais bastantes representadas em Portugal e no estrangeiro. Tem obtido vários prémios, no domínio do conto, da poesia, do teatro e do ensaio. No campo da poesia, foi distinguida com o prémio da Cidade de Lisboa, em 1988, e com o prémio Eça de Queirós, em 1997.
Inserido nas comemorações dos 30 anos da UAlg, o ciclo de conferências Viajantes, Escritores e Poetas – Retratos do Algarve é organizado pelo Centro de Estudos Linguísticos e Literários (CELL) da UAlg e pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António/Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, e decorre no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António e na Livraria Pátio de Letras, em Faro, nos meses de Março, Abril, Maio, Junho e Julho.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Poema para 2009

A poesia de Teresa Rita Lopes

A poetisa, escritora e ensaista Teresa Rita Lopes, enviou ao Algarve Reporter um poema com dedicatória. Nós por aqui, que somos seus admiradores, nem sequer nos fazemos rogados em o divulgar. Com a admiração de sempre.

Teresa Rita Lopes “algarvia militante”, foi galardoada com o Grande Prémio Nacional de Teatro em 2001, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores em colaboração com o Ministério da Cultura.


É natural de Faro, professora universitária, ensaísta e pessoana, faz poesia e teatro desde sempre (tem muitas peças inéditas, algumas publicadas e bastante representadas - em Portugal e no estrangeiro).

Também tem vários caixotes de contos inéditos, mas isso é já outra história...

A CADA UM O SEU NATAL

I

O aloés que vegeta num alcatruz de barro
na varanda
todos os anos dá flor por esta altura.
Por enquanto é só uma esguia pinha ponteaguda
prenhe de esperanças.
É homem mas está
de esperanças o meu cacto.
“Para ti será Natal em breve!
digo-lhe.
Mas só vejo um botão…
queixo-me.
É tudo o que este ano dás à luz?”
Ele ri-se,
doridamente:
“Também o Menino Jesus
é só um!
E desfecha-me:
Não vês que estou
a ficar velho?!”
Consolo-o:
“Também eu, amigo,
deixa lá!”
“Mas tu fazes versos!”
diz-me.
“E tu dás flor!”
respondo.

II

Do presépio da infância lembro sobretudo o cheiro
do musgo que ia apanhar ao campo.
Agora compra-se,
como tudo, no supermercado. Até de plástico.
Depois espalhava por cima bocados de casca de sobreiro
a imitar rochedos
e povoava com casas e ovelhas e pastores
as encostas dos montes.
Nas planícies inventava lagos com bocadinhos
de espelhos
e improvisava pontes que não caíam.
A gruta onde se abrigava a Sagrada Família era feita
com os dois melhores pedaços de cortiça.
Jesus tiritava numa manjedoura feita de espigas a valer
e em frente ajoelhavam os visitantes com suas oferendas.
Então contemplava:
Ei-lo
saído de mim
o meu pequeno mundo!
Sentia-me a Nossa Senhora do presépio depois de dar à luz
mas sem a Sua solene e reverente pose de mãos postas:
pegava-lhe ao colo para o aquecer
e embalava-o
para lhe calar o choro.
Já então sentia e amava o mundo assim
nu e sem berço
a estender-me os braços.

III



Noticiário na televisão:
“ Um soldado de 20 anos foi morto na noite de Natal
no Afeganistão…”
“Um bombista suicida explodiu-se
perto duma escola e fez 20 mortos…”
E viam-se os livros
e os cadernos cheios de sangue.
“Israel prepara-se para atacar
por terra…”
“O Papa apelou…”
Em Belém, o Menino
vira-se de barriga para baixo na manjedoura
e põe as mãos
nos ouvidos para abafar o estrondo das bombas.


Teresa Rita Lopes

sábado, 27 de dezembro de 2008

Poeta é o povo

Albertina, Senhora Luz da Poesia

“De pensamento, veloz, sentimento profundo e contagiante, inteligência e coração inebriante, Albertina inscreve nas páginas do livro a escrita da vida”

Na Sociedade Filarmónica de Paderne foi apresentado o segundo livro de “Albertina”, poetisa popular nascida naquela localidade, onde sempre viveu toda a sua vida. Na mesa de apresentação estiveram além da poetisa, o jornalista Arménio Aleluia Martins que falou sobre a autora, a ex-vereadora Ana Vidigal que imprimiu uma prosa especial na Abertura da publicação, e ainda Hélder Faustino Raimundo, Professor da Universidade do Algarve que compilou toda a obra, dando-lhe forma.
Na Nota de Abertura pode ler-se, ”Albertina faz a síntese da vida. Do Sol recebe a inspiração e com o sol no coração, canta a Palavra, canta o Verbo, canta o ser, canta o seu Hino. Em Cântico solene, nobre e magnífico, luminoso e cintilante, Albertina encanta, entoa, aquece e alumia... Torna-se Senhora Luz da Poesia”.
Em Setembro de 2005, a Câmara de Albufeira sob a égide da então vereadora da Cultura, Ana Vidigal, deu á estampa o livro “O Sonho á Realidade”, uma obra de poesia de Albertina Coelho Rodrigues. Foi a sua primeira obra, 134 páginas de poemas em quadras, quintilhas e sextilhas e muitas quadras soltas. A concretização deste sonho em livro, plasmou o labor de vários anos da autora a escrever e reescrever poesia nascida das suas vivências no campo, dos seus olhares uma vezes ingénuos, outras vezes crítico sobre o mundo, sobretudo aqueles que nos trais os “medias” a toda a hora e de todo o lado.

No prefácio deste novo livro, “Nasce o Sol a cada dia, e do meu peito a poesia”, o professor Hélder Faustino Raimundo escreve que “na presente obra Albertina Coelho Rodrigues acentua o uso da redondilha maior (verso de sete sílabas), que trabalha até quase á exaustão, e o poema enversado em conjuntos de cinco quadras. Só muito excepcionalmente utiliza seis ou mesmo sete quadras quando a narrativa se justifica no poema. Também a quadra solta, muito ao gosto popular, tem uma função social importante na sua poesia. É nelas que transparece a sua microficção, adivinha ou anedota, conto ou máxima, rápida e certeira e, muitas vezes, mote para novos poemas. Muitos dos poemas são ainda sobre o seu trabalho de poeta. Ela explicita de forma clara como faz e Porquê. Não sendo nós detentores destes segredos, resta-nos ler, ouvir e descobrir. O que é muito mais do que a autora é obrigada”.
Embora considerada uma obra veículo imprescindível da cultura popular de uma poetisa do Concelho de Albufeira, ao contrário do livro anterior, este não teve agora (por motivos que só os Deuses conhecem...) o apoio da Câmara Municipal de Albufeira, tendo a autora custeado a obra exclusivamente a expensas suas. Este é um livro de quadras populares tão ao gosto genuíno do povo, bem ao estilo de António Aleixo, de quem Albertina se pode considerar exímia seguidora.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

NATAL


É quando um homem quiser!

Nesta época de partilha,
de família, de paz e de tolerância,
todos os anos, lembro sempre desta frase.
Mas quero dizer-vos que o autor da mensagem foi
um grande poeta com quem tive a honra de partilhar o “tu”..
Enorme talento tnha o José Carlos Ary dos Santos.
Ao recordá-lo, o que merece, é nosso dever (re)ler a sua poesia.
É um dever cultural que – como muitas outras coisas,
não se pratica em Portugal.


Quando um homem quizer

Tu que dormes a noite na calçada de relento

Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão.
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão.
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser.
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher.
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão.
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei

Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão.
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser

Natal é em Setembro
É quando um homem quiser.
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher.

José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

“Amigos de Lagos”

III Encontro de Poesia

Grupo dos Amigos de Lagos assinala o evento com o lançamento do livro “5 Poetas de Lagos”

Decorreu no passado Domingo, na Biblioteca Municipal Dr. Júlio Dantas, o III Encontro de Poesia do Grupo dos Amigos de Lagos.
Com iniciativa do poeta Vieira Calado, este Encontro ocorreu pelo terceiro ano consecutivo, tendo, na altura, sido lançado o livro “5 Poetas de Lagos”, uma colectânea que conta com poemas seus e de Rita de Santo Aleixo, Maurício Sintra, Guida Vieira e Francisco Castelo.
Vieira Calado falou sobre a poesia através dos tempos, e leu excertos dos seus poemas, assim como os restantes poetas também leram alguns dos seus trabalhos, com agrado de quantos se deslocaram à Biblioteca para mais esta actividade cultural, organizada pelo Grupo dos Amigos de Lagos, com o apoio da Câmara Municipal.