Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Portugal visto de fora

A propósito da dívida angolana

"Maioria das empresas portuguesas é conivente com a corrupção em Angola", diz o jornalista Rafael Marques, referindo esquemas divulgados em relatório.

A atuação da maioria das empresas portuguesas que operam em Angola vai no sentido de garantir o status quo, "esse esquema de corrupção e libertinagem à volta dos bens públicos angolanos", denunciou o jornalista angolano e ativista cívico Rafael Marques. Em entrevista à agência Lusa a propósito do seu relatório "Presidência da República: O Epicentro de Corrupção em Angola", disponível online a partir de hoje na página da Iniciativa Anti-Corrupção Maka Angola, Marques criticou que as empresas internacionais que operam no país "continuem a contribuir para que a corrupção seja a principal instituição de Governo".
Segundo Marques, "quase todas as empresas portuguesas, para se estabelecerem no mercado angolano, arranjam sempre como sócio um ministro, a família presidencial ou um general, o que configura situações de tráfico de influências, de corrupção ativa de dirigentes e outros atos ilícitos". Estes negócios "só beneficiam uns poucos que concentram as riquezas de Angola e que, para garantirem o seu poder, criam uma clientela internacional bastante volumosa e dispendiosa para garantir a legitimidade dos seus atos", frisou.
"Isto não contribui para o desenvolvimento, é uma forma anormal de reforçar o poder político e económico de uma elite predadora, em detrimento de todo um povo", denuncia no documento, ao qual a Lusa teve acesso. Marques considera que a atuação das empresas portuguesas "não pode dar bons resultados" e que "é uma questão de mais 10 ou 20 anos", porque "não há um investimento a longo prazo, um investimento político", precisou.
Para o jornalista, é preciso "uma mudança, também para o benefício" de Portugal. "Hoje pode roubar-se muito em Angola, pilhar o Estado angolano por mais uns anos. Mas este período de saque pode ter o mesmo efeito que os 500 anos de colonização", dos quais Portugal também "acabou por não usufruir".
A este ritmo, "é o grande risco que se corre", asseverou, lembrando que muitos investimentos portugueses em Angola estão reféns da "vontade política de quem está no poder num regime déspota. Não se salvará a situação económica de Portugal passando por cima da miséria dos angolanos, atropelando a sua dignidade e fomentando a corrupção no país. É certamente um caminho que acabará num beco sem saída", vincou.
Marques lamentou que a visita de Cavaco Silva a Angola tenha sido apenas "uma visita de cobrança de dívidas", e que não se tenha abordado os "danos que a própria atuação das empresas portuguesas causa à estabilidade política e ao desenvolvimento de Angola, nem em que circunstâncias acontece". As dívidas "astronómicas" de que se fala precisam de mais explicações: "É preciso descriminar essa dívida, a sua origem, e [explicar] como em tão pouco tempo Angola está outra vez endividada até ao pescoço. Teria sido um exercício bastante saudável se as próprias empresas portuguesas, de forma pública, declarassem quanto têm a cobrar", vincou.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cavaco Silva defende a Lusofonia

CPLP tem que ter «imagem de coesão»

Presidente da República enaltece «família de povos que se espraia por quatro continentes e que se reconhece numa identidade». E afirma: "É preciso ir mais longe" na construção de uma cidadania comum.

O Presidente da República afirmou na abertura da cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa que "é preciso ir mais longe" em dossiers como a cidadania lusófona ou o envolvimento da sociedade civil na construção da Comunidade. "É necessário ir mais longe na resposta às expetativas dos nossos cidadãos. Nesse sentido, quero assinalar os progressos registados nas negociações sobre uma convenção quadro relativa ao estatuto do cidadão da CPLP, esperando que seja possível conclui-la em breve", disse Aníbal Cavaco Silva.
O chefe de Estado disse ainda esperar que "seja possível confirmar a realização, se possível ainda no decurso do corrente ano, do I Fórum da Sociedade Civil da CPLP", na sequência do trabalho que foi feito nos últimos anos. "A nossa comunidade tem de ser cada vez mais um projeto de cidadania, que integre e mobilize o contributo dos nossos cidadãos. A criação da Assembleia Parlamentar e da Confederação Empresarial da CPLP foram passos da maior relevância nesse sentido, que quero saudar calorosamente", disse.
Cavaco Silva realçou ainda da ação levada a cabo "peças múltiplas estruturas e fóruns em que se afirma a vida" da CPLP. A VIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP está a decorrer hoje em Luanda, com as ausências dos Presidentes do Brasil e de Timor-Leste, Luiz Inácio Lula da Silva e José Ramos-Horta, respetivamente. Nesta cimeira, Portugal passa a presidência da organização para Angola.

O peso que a Comunidade representa na cena internacional

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem que fazer valer a sua «imagem de coesão em torno dos laços, princípios e valores presentes nos seus estatutos», contribuindo para a sua credibilidade, defende Cavaco Silva. Em declarações à Lusa, o Presidente da República exaltou o «crescente interesse» internacional pelas actividades da comunidade, «fruto do reconhecimento do peso que a CPLP já representa na cena internacional e da antevisão quanto ao que poderá representar no futuro».
«Mas deve-se ainda à nossa imagem de coesão em torno dos laços, princípios e valores presentes nos nossos estatutos, que definem a natureza e a personalidade da nossa comunidade e que se revestem da maior importância para preservar a credibilidade e o reconhecimento que conseguimos granjear no decurso destes 14 anos», sublinhou Cavaco. O Presidente fala numa «família de povos que se espraia por quatro continentes e que se reconhece numa identidade que faz com que nenhum de nós possa alguma vez sentir-se estrangeiro em qualquer um dos nossos países».
Este interesse crescente é «bem evidente no número e importância das organizações e países que já seguem ou pretendem passar a seguir» os trabalhos da organização «ou ainda nos pedidos de concessão do estatuto de observador» que têm chegado, como é o caso da Guiné-Equatorial, que tem estatuto de observador. A questão da entrada ou não deste país tem sido central na cimeira da CPLP que decorreu em Luanda. Cavaco tem preferido não pronunciar-se.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Graça Moura critica política para a língua portuguesa

«CPLP é uma espécie organização fantasma que não serve para nada». Segundo o escritor, «o acordo ortográfico é um atentado criminoso contra a língua portuguesa.

O escritor Vasco Graça Moura considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma espécie de organização fantasma, «que não serve para rigorosamente nada», a não ser «ocupar gente desocupada».
«O Instituto Internacional da Língua Portuguesa não está em funcionamento porque nenhum dos países membros da CPLP lhe dá meios para o fazer», disse à Agência Lusa a propósito da VIII Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, na sexta feira, em Luanda. «Isto corresponde a uma coisa chamada CPLP, que é uma espécie de fantasma que não serve para rigorosamente nada, que só serve para empatar e ocupar gente desocupada», acrescentou. Para o escritor, o IILP «é uma entidade fantasma criada dentro de outra entidade fantasma.»
«Não se nota que exista qualquer espécie de política da língua da parte do Governo português e nota-se, da parte da mesma entidade, uma enorme estupidez na forma de tratar a língua, no que diz respeito ao Acordo Ortográfico», disse o escritor, acrescentando: «Os crimes que este Governo está a cometer e está em vias de cometer em relação à língua diz respeito ao Acordo Ortográfico. Portanto, não há política de língua digna deste nome. Há uma série de equívocos em que este Governo está a persistir». Segundo o escritor, «o acordo ortográfico é um atentado criminoso contra a língua portuguesa tal como se fala em Portugal, Angola, Moçambique, na Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.»

terça-feira, 13 de julho de 2010

Comunidade Lusófona pode alargar-se

Mais cinco países interessados em aderir à CPLP

Mais cinco países, Austrália, Indonésia, Luxemburgo, Suazilândia e Ucrânia, manifestaram interesse em aderir à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O secretário executivo da organização, Domingos Simões Pereira disse hoje à Lusa que a Suazilândia e a Ucrânia já formalizaram o pedido de adesão como membros associados, enquanto dos restantes três países, o Luxemburgo solicitou um "convite especial" para estar presente na próxima cimeira da CPLP. A próxima cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP está marcada para o dia 23, em Luanda, onde Portugal passará o testemunho da Presidência da organização para Angola. Para Simões Pereira este interesse por parte de países que aparentemente nada têm a ver com a lusofonia é "positivo".
"A CPLP deve avaliar isso como algo de positivo. É que, muitas vezes, eventualmente nós assumimos uma perspetiva muito intracomunitária e não estamos tão atentos à repercussão disso no espaço extra-comunidade", considerou. "Mas quando nós começamos a receber esta atenção e este nível de interesse por parte de países que 'a priori' não pareceria terem afinidades, interesses tão óbvios, isso deve alertar-nos para aquilo que a CPLP pode significar, para aquilo que pode representar", acrescentou. O interesse indonésio foi expressado por uma delegação parlamentar, enquanto, do lado da Austrália, foi o embaixador deste país em Lisboa que, em várias ocasiões, contactou o Secretariado Executivo da CPLP.
A CPLP integra oito países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, e conta ainda com três países com o estatuto de membro associado: Guiné Equatorial, Senegal Ilhas Maurícias. Entretanto, a Guiné Equatorial já formalizou o pedido de adesão plena, o qual será analisado na cimeira de Luanda.

sábado, 3 de julho de 2010

O reverso da lusofonia

Líder da RENAMO "ataca" ex-presidente da AR

O moçambicano Afonso Dhlakama diz que Almeida Santos (PS) é um agitador e lambe-botas, uma pessoa que quando pretende atingir um determinado objetivo não se preocupa com os meios.

Afonso Dhlakama, o presidente da RENAMO, maior partido da oposição em Moçambique, diz que Almeida Santos é um agitador e lambe-botas, que não olha a meios para atingir fins. O comentário foi feito ao jornal moçambicano Savana, em resposta a uma entrevista do antigo presidente da Assembleia da República portuguesa Almeida Santos à Lusa, a propósito dos 35 anos de independência de Moçambique.
Na entrevista, Almeida Santos disse que Afonso Dhlakama "está gasto" porque "já perdeu eleições a mais" e elogiou Armando Guebuza, Presidente de Moçambique. "O Afonso Dhlakama já perdeu eleições a mais e quando se perdem tantas eleições como ele perdeu, os adeptos perdem a esperança nele", disse, acrescentando que tem duvidas de que Daviz Simango, líder do MDM, possa ser alternativa à FRELIMO, partido no poder desde a independência.
Afonso Dhlakama escolheu o Savana para reagir, apelidando Almeida Santos de agitador e de ser uma pessoa que quando pretende atingir um determinado objetivo não se preocupa com os meios. "O vosso problema é que não conhecem aquele senhor. Ele queria aparecer a todo o custo no meio daquelas pessoas (que falaram sobre os 35 anos de independência) e disse o que disse", afirmou. Dhlakama disse ao jornal que acredita que um dia vai ganhar as eleições e contou que no passado já foi amigo de Almeida Santos, tendo cortado relações quando percebeu que o português "potenciava intrigas" e que estava ao serviço da FRELIMO. Afonso Dhlakama disse ainda que numa das vezes em que a FRELIMO roubou votos à RENAMO, Almeida Santos o terá aconselhado a voltar ao mato e reiniciar a guerra.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A lusofonia em debate

Acontece no Campus de Gambelas da UAlg

Lugares da Lusofonia é o tema do encontro internacional que terá lugar nos dias 26 e 27 de Janeiro na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, no Campus de Gambelas.

Com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, o encontro é organizado pelo Departamento de Línguas, Comunicação e Artes e o Centro dos Estudos Linguísticos e Literários da Universidade do Algarve, por ocasião dos 25 anos da fundação da Associação Internacional de Lusitanistas.
Participam com comunicações 26 professores e investigadores das seguintes universidades estrangeiras e portuguesas: Santiago de Compostela, São Paulo, Federal do Rio de Janeiro, Federal do Rio Grande do Sul, Budapeste, Varsóvia, Oxford, Köln, Coimbra, Madeira, Nova de Lisboa e Algarve.
As intervenções dos convidados incidirão sobre temas do âmbito das Literaturas e Culturas Lusófonas, como as de Regina Zilberman, Cristina Robalo Cordeiro, Teresa Cristina Cerdeira, Ana Alexandra Carvalho, João Minhoto Marques, Cármen Villarino Pardo, Petar Petrov, José Paulo Pereira, Anna Kalewska, Thomas Earle, Artur Henrique Gonçalves e João Carlos Carvalho; sobre Linguística Portuguesa, da responsabilidade de Teresa Lino, Sebastião Filho, Lucília Chacoto, Helena Rebelo e Raquel Bello Vasquez; sobre Música, Cinema e Artes, teor das comunicações de Claudius Armbruster, Mirian Tavares e António Pinto Ribeiro e sobre aspectos mais gerais relacionados com o mundo lusófono, objecto de atenção de Elias Torres Feijó, Benjamin Abdala Júnior e Maria do Rosário Pimentel.
No fim do encontro, os membros da direcção terão uma reunião com vista à preparação do X Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas, a ter lugar na Universidade do Algarve, em Julho de 2011, cuja organização está a cargo de Petar Petrov, Professor do Departamento de Línguas, Comunicação e Artes.