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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Ambiente: A ameaça do degelo

Placa glaciar do tamanho do Hawai desprendeu-se

Aumento do nível do mar inevitável. Cientistas dizem que é «consequência do aquecimento global».

Um quarto dos 14 mil quilómetros quadrados da plataforma Wilkins na Península Antárctica, uma superfície maior do que a ilha do Hawai, fragmentou-se e desprendeu-se em «consequência do aquecimento global», escreve a Lusa. A revelação foi feita esta terça-feira pelo Centro Superior de Investigações Científicas de Espanha (CSIC).
Uma equipa de investigadores espanhóis analisa desde domingo, a bordo do navio de investigação oceanográfica Hespérides, o impacto do colapso sobre o ecossistema do Mar de Belinghausen (a oeste da Península Antárctica). O CSIC assinalou «o desprendimento completo da placa que está a ocorrer na actualidade e os investigadores consideram que está iminente».
A equipa científica, que trabalha no âmbito do projecto ATOS (contribuições atmosféricas de carbono orgânico e contaminantes para o oceano polar: taxas, importância e prospectiva), com que a Espanha encerra a sua participação no Ano Polar Internacional, presenciou como a frente de gelo do Mar de Belinghausen retrocedia 550 quilómetros em duas semanas.
Os cientistas disseram que as temperaturas da água são extremamente cálidas nessa zona. Segundo os investigadores, o desprendimento e a fragmentação do enorme sector gelado produzirá o consequente aumento do nível do mar. A plataforma Wilkins é uma grande superfície de gelo que está de forma permanente sobre o mar a Sudoeste da Península Antárctica, a uma distância de cerca de 1.600 quilómetros do continente sul-americano.
Nos últimos cinquenta anos, a Península Antárctica experimentou o maior aumento de temperatura registrado no planeta: 0,5 grados centígrados por década. O coordenador do projecto ATOS, Carlos Duarte, afirmou que «o Ano Polar Internacional que agora termina (de Março de 2007 a Março de 2009), viu lamentavelmente, a maior perda de gelo documentada até ao momento, tanto no Árctico, onde se perdeu una importantíssima quantidade em 2007, como na Antártida, onde se assiste a uma perda dramática de gelo».

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Aquecimento global

Degelo no Árctico já é irreversível

Ainda é pior do que se pensava. Os estudos científicos mais recentes comprovam que o Árctico poderá ter em breve verões com total ausência de gelo. A subida da temperatura do ar na região está a acelerar

Os cientistas descobriram a primeira prova inequívoca de que o Árctico está a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do mundo, pelo menos uma década mais rápida do que o anteriormente previsto.
De acordo com The Independent, os investigadores sobre mudanças climatéricas descobriram que as temperaturas do ar na região estão mais altas do que o valor normal esperado para o Outono, devido ao aumento do degelo durante o Verão árctico, que acumulou calor no oceano. O fenómeno, conhecido como "amplificação árctica", não era esperado, pelo menos, nos próximos 10 a 15 anos, o que poderá querer indicar que o Árctico deverá viver, em breve, verões inteiros com total ausência de gelo.
Esta região do planeta é considerada uma das mais sensíveis em termos de mudanças climáticas e a sua passagem para outro estádio climatérico terá impacto directo noutras regiões do hemisfério norte, assim como alguns efeitos indirectos em todo o mundo.
Apesar dos investigadores terem apontado para uma perda catastrófica de gelo no oceano durante os meses de Verão, nos últimos 20 anos, não tinham detectado até hoje qual a temperatura ligada à emissão de gases que provocam o efeito de estufa.

Contudo, no estudo que ontem foi apresentado no encontro anual do American Geophysical Union, em São Francisco, os cientistas demonstraram (foto à esqª.) que a "amplificação árctica" tem estado relativamente controlada nos últimos cinco anos e que irá intensificar-se no futuro, segundo The Independent.
Programas informáticos relativos ao clima global sugeriram, durante vários anos, que o Árctico aqueceria a um ritmo mais rápido do que o resto do mundo, devido ao fenómeno da "amplificação", mas muitos cientistas acreditavam que este efeito só seria mensurável nas próximas décadas. Um outro estudo de cientistas do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos, no Colorado, conclui, contudo, que este efeito está a resultar num aumento assinalável das temperaturas do ar à superfície na região árctica, durante o Outono, quando o gelo regressa ao oceano, depois do degelo do Verão.
Julienne Stroeve, do Centro de Dados do Colorado, que liderou o estudo juntamente com o seu colega Mark Serreze, refere que as temperaturas do ar do actual Outono têm estado anormalmente altas. O oceano Árctico aqueceu mais do que habitualmente, uma vez que o calor do sol foi absorvido com maior facilidade pelas áreas aquáticas que estão na penumbra, em comparação com a restante superfície gelada e altamente reflectiva desta região.

Fonte: DN / The Independent