Liberdade e o Direito de Expressão

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ETA em Portugal

Dois presumíveis membros da ETA foram detidos

Autoridades tiveram de perseguir suspeitos e de fazer disparos para os intimidar. Detidos passaram a noite no posto da GNR sem proferirem qualquer palavra.

Dois presumíveis terroristas espanhóis que fugiram para Portugal estão detidos em Torre de Moncorvo depois de uma perseguição policial em que as autoridades tiveram de fazer disparos para intimidar os fugitivos, disse à Lusa fonte da GNR. Segundo fontes citadas pelo El País, a carrinha na qual ia um dos alegados etarras vinha para Portugal mas o material explosivo não estava preparado para ser utilizado num atentado de forma imediata.
De acordo com a fonte da GNR, os dois elementos, interceptados este sábado em Espanha, junto à fronteira, numa carrinha carregada de explosivos, vão ser entregues à Polícia Judiciária, que tomará conta deles até estar concluído o processo judicial que se segue. Os suspeitos, um homem e uma mulher, entraram em Portugal na fronteira de Bemposta, e a fuga prolongou-se por várias dezenas de quilómetros até Torre de Moncorvo, no sul do distrito de Bragança.
A fonte da GNR disse que estiveram envolvidas «quatro a cinco viaturas» e que «foi necessário recorrer ao fogo (armas) para intimidar os fugitivos». O homem foi o primeiro a ser detido e a mulher depois. As autoridades estão ainda a «recolher informações e a clarificar a situação», sendo que os dois elementos deverão permanecer detidos em Portugal «pelo menos alguns dias».
Segundo disse, os presumíveis terroristas vão ser presentes a um tribunal português, depois Espanha deverá pedir a sua extradição, que será também analisada judicialmente e só ai serão entregues às autoridades espanholas.
O processo não deverá ser longo, já que os dois suspeitos não cometeram crimes em território português, embora um deles se faça acompanhar de documentos falsos, o que é crime. A operação ocorreu entre as 22h00 e as 24h00 de sábado, depois de a Guardia Civil espanhola ter localizado uma carrinha carregada com explosivos em Bermillo de Sayago, Zamora, próximo da fronteira com o Nordeste Transmontano.
De acordo com o jornal El Mundo, por volta das 22h00 (21h00 em Lisboa), dois agentes da Guardia Civil, num controlo de rotina, decidiram mandar parar a carrinha, que levantou suspeitas por ter matrícula francesa. O condutor do veículo, presumível membro da ETA, conseguiu escapar aos polícias roubando-lhes o carro patrulha com o qual concretizou a fuga e entrou em território português. A mulher seguia à frente da carrinha, num outro carro, também com matrícula francesa.

Detidos não resistiram nem tinham armas

Os dois espanhóis detidos em Moncorvo suspeitos de pertencerem à ETA não ofereceram resistência e já não possuíam qualquer arma na altura das suas detenções, noticia a Lusa. Segundo disse à agência noticiosa uma fonte que esteve envolvida na operação que montou um cerco na zona da Torre de Moncorvo, o homem que seguia no jipe da Guarda Civil, entretanto furtado em território espanhol, foi interceptado já na vila de Moncorvo, depois de ser visto passar no entroncamento de Larinho.
Equipas da Guarda civil espanhola, mantiveram-se no encalço dos suspeitos ainda em território português. Em plena Torre de Moncorvo, a GNR terá obrigado a parar o referido jipe com fogo intimidatório, pelo que o suspeito em fuga não mostrou qualquer resistência nem possuía nenhuma arma, segundo a mesma fonte.
Já a etarra Iratxe Yáñez Ortiz de Barron foi detida na estrada que liga Torre de Moncorvo ao Pocinho (Vila Nova de Foz Côa), tendo sido levada igualmente para o posto da GNR, disse a mesma fonte militar. Os dois suspeitos passaram a noite no posto, foram tratados como os demais, refere a mesma fonte, e não proferiram qualquer palavra. Em comunicado, o Ministério do Interior espanhol explicou que esta operação teve início na noite de sábado, quando as autoridades espanholas detiveram uma carrinha com explosivos junto à fronteira com Portugal.
O Governo afirma que a carrinha - que era conduzida por Garcia Arrieta, estava carregada com explosivos e levantara suspeitas por ter matrícula francesa - foi interceptada em Bermillo de Sayago (Zamora), num ponto de controlo da Guarda Civil. Enquanto os agentes inspeccionavam a carrinha, o condutor entrou no carro de patrulha policial e fugiu em direcção a Portugal. Neste automóvel, que tinha matrícula francesa e vária documentação falsa (passaportes e bilhetes de identidade), seguia Iratxe Yáñez Ortiz de Barron, com antecedentes por ter reunido informações sobre eventuais alvos políticos, militares ou policiais da ETA.
Na carrinha interceptada em Espanha foram encontrados cerca de 10 quilos de explosivos, bidões e material para fabrico de engenhos explosivos, três armas de vários calibres, documentação variada e matrículas francesas.
Agentes da Guarda Civil Espanhola realizaram este domingo buscas domiciliárias em dois locais, em Aretxabaleta (Guipuzcoa) e Vitoria, ambas no País Basco, na sequência da detenção em Portugal de dois alegados membros da ETA. Fontes policiais confirmaram que a primeira rusga efectuou-se a meio da tarde e a segunda iniciou-se pouco depois das 22h00, envolvendo agentes de várias unidades das forças de segurança espanholas. As duas operações relacionam-se com as detenções em Portugal de Garikoitz García Arrieta e Iratxe Yañez Ortíz de Barrón, esta última incluída na lista de suspeitos de envolvimento nas acções da ETA levadas a cabo em Burgos e Mallorca, em Julho do ano passado.