Liberdade e o Direito de Expressão

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Caso Maddie

Livro sobre Maddie já pode ser lido
                                                                                                                                              

Tribunal da Relação anulou finalmente a proibição de venda do livro "Maddie - A Verdade da Mentira", do ex-inspetor da PJ Gonçalo Amaral. Os ingleses McCann têm de encontrar "outras escapatórias...
                                            
A decisão de suspender a comercialização do livro, tomada pelo Tribunal Cível de Lisboa, data de setembro de 2009 e decorreu na sequência de uma providência cautelar interposta pelos pais de Madeleine McCann. Amaral, na altura coordenador do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Portimão, esteve ativamente envolvido nas investigações decorrentes do desaparecimento de Madeleine McCann em maio de 2007. No livro "Maddie - A Verdade da Mentira" Gonçalo Amaral revela informações detalhadas acerca do caso e defende a tese de que Kate e Gerry McCann participaram no desaparecimento da filha Madeleine.
Para Kate e Gerry, o livro do ex-inspetor não só viola direitos, liberdades e garantias fundamentais da família McCann - entre os quais o direito à privacidade e o direito à presunção de inocência -, como viola o segredo de justiça e ainda constitui difamação. Para além da providência cautelar contra a publicação do livro, foram ainda interpostas contra Gonçalo Amaral uma ação por difamação, em que é pedida uma indemnização de 1,2 milhões de euros, e uma outra por violação do segredo de justiça.
Neste momento, tanto o livro e o vídeo com o mesmo título, baseado num documentário exibido na TVI, podem voltar a ser comercializados. Gonçalo Amaral pode ainda conceder entrevistas, quer em Portugal quer no estrangeiro.

domingo, 4 de julho de 2010

Literatura portuguesa

José Saramago

O escritor morreu. É hora de relembrar o homem, e conhecer a sua trajetória de vida, conferindo as suas principais obras.

Controverso, polémico, amado e odiado, o mundo despediu-se de um dos maiores génios da literatura portuguesa. Aos 87 anos, o escritor José Saramago - primeiro Prémio Nobel português, em 1998 - faleceu em sua casa nas Ilhas Canárias, em Espanha. O seu corpo veio para Portugal, e as suas cinzas dispersas por onde o “Homem” deixou disposto. Nascido em 1922, o mínimo que se pode dizer, é que Saramago foi o responsável por tornar a prosa portuguesa reconhecida internacionalmente com o maior número de traduções em língua estrangeira jamais alcansado por outro escritor de língua portuguesa. Ao todo, ele tem 36 livros publicados desde 1947. Em mais de 60 anos de carreira, foram 20 romances, três poemas, quatro crónicas, três contos, um relato de viagem e cinco peças de teatro; incluindo vários best-sellers.
Para além da política onde se envolveu através do Partido Comunista – foi Director do Diário de Notícias em 1975, de onde “saneou” 20 jornalistas por discordarem da sua linha editorial -, o Fascismo e a Igreja Católica foram os seus alvos de batalha. Entre os romances, um dos mais populares é o Ensaio Sobre a Cegueira, de 1995. Traduzido para diversas línguas, foi adaptado para o cinema, em 2008, pelo brasileiro Fernando Meirelles, diretor do filme Cidade de Deus. A obra traz uma intensa e mordaz crítica aos valores da sociedade atual. Já Caim (2009), sua última obra, vendeu aproximadamente 80 mil exemplares em Portugal, só nos primeiros 10 dias. O irónico é que a interpretação bíblica mordaz é um best-seller, num país com cerca de 85% da população católica. A própria Igreja aderiu a uma campanha contrária ao livro, mas não conseguiu afastar os leitores fiéis de Saramago.
A oposição ao catolicismo não era recente. A relação de tensão entre Saramago e a Igreja Católica começou após a publicação do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo, em 1991. A adaptação da obra para o teatro, em 2001, foi alvo de muitas críticas por parte de grupos religiosos contrários à visão do intelectual. Em contrapartida, Saramago nunca temeu em expressar livremente o seu pensamento. Em passagem por Roma, Itália, em outubro de 2009, o escritor chamou o atual Papa, Bento XVI, de "cínico", afirmando que o único modo de combater a "insolência reacionária" da Igreja Católica é utilizando a "insolência da inteligência viva", dos intelectuais.
Saramago acreditava que, tal como o Fascismo, a Igreja não se importa com o destino das almas, mas sim com o controle dos seus corpos. “Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder”, disse numa das suas vastas declarações. Além das polémicas e constantes oposições religiosas, o escritor manteve, durante toda sua carreira, um forte envolvimento com a política internacional e os direitos humanos. Em janeiro deste ano, por exemplo, relançou o livro A Jangada de Pedra, revertendo todo o lucro para as vítimas do terremoto no Haiti.
Apesar de ser constantemente criticado pela sua visão religiosa e política, José Saramago deixou indubitavelmente um legado indiscutível. E essa trajetória, definitivamente, não se resume aos prémios ou denominações que ganhou durante a sua carreira. Escritor, jornalista, dramaturgo, contista, romancista, argumentista, poeta, não importa. Saramago já se fez eterno através da sua obra.

Confira alguns dos mais recentes e controversos livros do autor, que não deve deixar de ler:


Caim (2009)

Saramago reconta episódios bíblicos do Velho Testamento sob o ponto de vista de Caim, que, depois de assassinar o seu irmão Abel, trava um incomum acordo com Deus e parte numa jornada que o levará do jardim do Éden aos mais recônditos confins da criação. Conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e involuntária, entre o criador e a sua criatura, Saramago percorre cidades decadentes, estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha. No trajeto, a narrativa passa por episódios bíblicos conhecidos, mas sob uma perspectiva inteiramente diferente. Saramago recria também os seus principais protagonistas, dando-lhes uma roupagem complexa e irónica. A volta aos temas religiosos serve, também, para destacar o que há de moderno e surpreendente na prosa do autor. Aqui, a capacidade de tornar nova uma história que conhecemos desde sempre, revelando com mordacidade o que se esconde nas frestas das antigas lendas.


Ensaio Sobre a Cegueira (1995)

O livro é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago dá-nos, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milénio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago obriga-nos a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: "uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".







O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991)

"O filho de José e de Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo de sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou, como todas as crianças, porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo." Todos conhecem a história do filho de José e Maria, mas nesta narrativa ela ganha tanta beleza e tanta pungência que é como se estivesse a ser contada pela primeira vez. Nas palavras de José Paulo Paes: "Interessado menos na onipotência do divino que na frágil mas tenaz resistência do humano, a arte magistral de Saramago é excele no dar corpo às preliminares e à culminância do drama da Paixão".





Memorial do Convento (1982)

"(...) A pretexto de escrever um livro sobre a história da construção do convento de Mafra, construído com o dinheiro vindo do Brasil no século XVIII, Saramago inventou uma outra história, na qual entram outras famílias inesquecíveis a dos Sete-Sóis e a da Sete-Luas, o padre Bartolomeu de Gusmão com sua passarola, e o compositor Scarlatti com seu órgão e a sua música. E mais reis e rainhas e princesas, e mais uma pedra descomunal que precisa de ser transportada por longa distância, e o que acontece durante o transporte. Que pretende - e que consegue - José Saramago com os seus livros poderosos? Para mim, isto: fazer o que fez Homero antes dele, isto é, escrever histórias aparentemente reais mas inventadas com tanta competência que depois de lidas passam a ser reais e a fazer parte da longa e sofrida experiência humana. A minha sugestão é: descubram José Saramago e façam dele uma possessão ultramarina particular de cada um e aproveitem." - José J. Veiga (crítico literário)

Moura & Castro

sábado, 19 de junho de 2010

Fim de Semana

Morreu o "escritor acidental"

Saramago foi o ideólogo do PCP no Diário de Notícias no Verão Quente. Saneou jornalistas sérios, o que fez ser a mancha negra da sua vida. Depois, foi despedido e ficou desempregado, porque Cunhal não o quis à frente de "O Diário". Sem trabalho, tornou-se escritor...

José Saramago morreu hoje aos 87 anos na sua residência na localidade de Tías, em Lanzarote, nas Canárias, às 12h30, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma doença prolongada. O escritor morreu ao lado da sua mulher, a espanhola Pilar del Río, depois de ter tomado o pequeno-almoço.
O vencedor do Prémio Nobel da Literatura nasceu a 16 de Novembro de 1922 na aldeia de Azinhaga, no Ribatejo, a 100 km de Lisboa. Filho e neto de agricultores pobres, Saramago tinha três anos quando a sua família foi viver para Lisboa. Antes de ser um escritor de êxito, foi serralheiro, tradutor, jornalista, director-adjunto do Diário de Notícias e um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura.
Em 1947, o autoditacta publicou o seu primeiro romance, "Terra do Pecado", aos 25 anos, no mesmo ano em que nasceu a sua filha Violante, fruto do primeiro casamento. Entre o final dos anos 60 e o início dos anos 70, época em que se tornou militante activo do Partido Comunista, publicou vários livros de poesia (como "Provavelmente Alegria", em 1970, e "O Ano de 1993", em 1975). Mas só viria a alcançar o sucesso com a sua obra "Memorial do Convento", publicada em 1982.
"O Evangelho Segundo Jesus Cristo", com primeira edição datada de 1991, foi o seu livro mais polémico, que veio provocar profundas cisões entre o escritor e a sua pátria, quando Sousa Lara, secretário de Estado da Cultura no governo de Cavaco Silva, impediu que o livro fosse candidato ao Prémio Literário Europeu (o primeiro-ministro, actual Presidente da República, apoiou Lara na decisão). Em 1988, viria a casar-se com a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río, 28 anos mais nova que o escritor, com quem viveu em Lanzarote, nas Canárias, até hoje.
Saramago recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1998 e soube da notícia através de uma hospedeira, depois de ter sido chamado nos altifalantes do aeroporto de Frankfurt. O seu livro "Ensaio Sobre a Cegueira", publicado em 1995, ano em que ganhou o Prémio Camões -o galardão literário mais importante da língua portuguesa - foi adaptado ao cinema em 2008 pelo realizador brasileiro Fernando Meirelles. Em 2009, Saramago publicou "Caim", um livro que fez renascer das cinzas a polémica levantada com "Evangelho Segundo Jesus Cristo", desmistificando a parábola bíblica dos irmãos Caim e Abel. Na altura, o escritor disse já estar a preparar uma nova obra sobre a corrupção dos valores das sociedades actuais, que nunca chegou a ser publicada.

O comunista que Cunhal recusou para director de "O Diário"

Tinha sido o homem do PCP na redacção do Diário de Notícias. Foi o director-adjunto no Verão Quente de 1975, o "ideólogo" responsável pelo "saneamento" de duas dezenas de jornalistas que exigiam pluralismo na linha editorial. A decisão foi tomada por um plenário de trabalhadores, e o voto foi de braço-no-ar. Luís de Barros era o director, mas ninguém associa o seu nome à purga interna. O ónus foi todo para Saramago.
José Jorge Letria, na altura jornalista da secção de política, estava numa visita oficial quando ocorreu o plenário, mas explica porque é que foi o Saramago jornalista a ficar associado à linha editorial do Verão Quente. "Luís de Barros era mais jornalista, José Saramago era mais político. Luís de Barros sempre foi um homem de consensos, de diálogo, e sofreu muito com a ruptura. Era estruturalmente um jornalista, com uma visão muito aberta. Não era radicalizado nem sectário. José Saramago era o ideólogo, tinha uma visão política muito estruturada e uma visão muito clara do papel que lhe tinha sido atribuído para produzir ideologia num momento de revolução", afirma o escritor e jornalista José Jorge Letria.
Letria recorda a "discrição" do escritor, que já conhecia do "Diário de Lisboa" de antes do 25 de Abril, onde Saramago escrevia uma coluna diária, uma espécie de editorial informal do jornal. A reserva do autor de "As Pequenas Memórias" estava associada, segundo Letria, "à timidez". "Era muito discreto, mas era fácil conversar com ele. Ia muitas vezes almoçar connosco, mas era um homem muito tímido". Quando se reencontram no Diário de Notícias, em 1975, a discrição de Saramago acentua-se. "Não era frequente estar na redacção, não tinha um contacto regular connosco".
As instalações do Diário de Notícias - um prédio de cinco andares na Avenida da Liberdade - contrastava com a pequena redacção do "Lisboa", que na época ocupava um andar na Rua Castilho. José Saramago "estava muito presente na definição da linha política", recorda José Jorge Letria: "Era militante do PCP desde 1969". O saneamento das duas dezenas de jornalistas, lembra Letria, "foi um processo doloroso em termos políticos e de relacionamento dentro da redacção". Foi "um momento de grande fractura ideológica entre o PCP e alguma extrema-esquerda e a sua direita, incluindo o PS". Houve "intervenção muito directa dos sectores operários do DN" e o despedimento foi decidido em plenário de trabalhadores.
A seguir ao 25 de Novembro, é a vez de Saramago e um grupo de jornalistas - onde está José Jorge Letria - receberem uma nota de culpa. A maioria deste grupo vai fundar "o diário", mas Samarago ficou de fora. "Foi uma opção clara de Álvaro Cunhal, que recusou a hipótese que lhe foi colocada informalmente de José Saramago ser o director, e escolheu Miguel Urbano Rodrigues", conta José Jorge Letria. Saramago dirá mais tarde a Letria, com ironia, que "ainda bem que [a hipótese de ser director de "o diário"] não se tinha concretizado".
Jornalista desempregado, Saramago vive de traduções e dá então finalmente um impulso à sua carreira literária. Durante cinco anos, até ao sucesso do "Levantado do Chão", em 1980, está "apagado" e leva uma vida "modesta". José Jorge Letria entrevista-o para "o diário" em 1980 e aí Saramago anuncia que está já a preparar um livro que se passará no reinado de D. João V (será o "Memorial do Convento) e outro sobre um heterónimo de Fernando Pessoa ("O Ano da Morte de Ricardo Reis").
Foram precisos mais de 20 anos e a consagração do Nobel para José Saramago voltar a entrar no Diário de Notícias. Mário Bettencourt Resendes, então director, que era um jovem jornalista em 1975, empenhou-se em reconciliar o escritor com a "casa". O então presidente do conselho de administração, Luís Silva, encomendou um quadro ao pintor Luís Pinto-Coelho, que hoje está na sala nobre do DN. E foi só nessa altura que o escritor consagrado suavizou a imagem do director-adjunto. José Saramago percorreu a redacção inteira e "foi acolhido muito bem, havia jornalistas comovidos", lembra António Ribeiro Ferreira, na altura director-adjunto do DN. Nesse dia, Saramago disse-lhe: "Cuidado com o lugar de director-adjunto. É muito perigoso!".

Presidente da República falha funeral de Saramago

O Presidente da República não vai estar presente no funeral de Saramago que se realiza este Domingo pelas 12h00, no Cemitério do Alto de São João em Lisboa. Cavaco Silva está numas mini-férias nos Açores de onde só vai regressar no Domingo. A ausência do Presidente da República tem sido comentada, uma vez que são conhecidos os problemas entre Cavaco Silva e Saramago. Foi durante o governo do actual Presidente da República que o sub-secretário da cultura, Sousa Lara, decidiu não indicar o livro de José Saramago "Evangelho segundo Jesus Cristo" para o Prémio Europeu da Literatura.
Apesar disso, o Presidente da República deixou na sexta-feira uma mensagem de condolências à família de Saramago, dizendo que o vencedor do prémio Nobel da Literatura "será sempre uma figura de referência da nossa cultura." O conselheiro de Estado Marcelo Rebelo de Sousa desvalorizou hoje a ausência do Presidente da República, Cavaco Silva, nas cerimónias fúnebres do escritor José Saramago, considerando que é mais importante a sua presença espiritual do que física.
Em declarações aos jornalistas, à saída dos Paços do Concelho de Lisboa, onde o corpo de José Saramago está em câmara ardente, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que "o Presidente associou-se, através de uma mensagem, ao sentido nacional desta homenagem, e está presente no luto nacional destes dois dias. Ele não está presente fisicamente, mas está presente espiritualmente, representando os portugueses. Eu penso que a mensagem do Presidente é mais importante do que a sua presença", acrescentou o ex-presidente do PSD.
Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que "o Presidente, desde que se soube da morte, definiu a sua posição, e fez bem em definir, porque definiu uma posição em nome do povo português". "E o povo português, a nação portuguesa, homenageia, toda ela, José Saramago. Não é a homenagem de um partido, não é a homenagem de uma ideologia, é a homenagem de uma nação, independentemente das ideologias – e o Presidente disse isso mesmo, que era uma figura essencial da cultura portuguesa. Eu acho que é mais importante essa presença espiritual do que a presença física", concluiu Marcelo.
José Saramago morreu aos 87 anos na sexta feira, às 12:30, na casa onde residia em Lanzarote, Espanha. O corpo foi transportado num avião da Força Aérea Portuguesa para Lisboa e está em câmara ardente nos Paços do Concelho. O funeral sairá no domingo, às 12:00, para o cemitério do Alto de S. João, onde será feita a cremação.

Esqueça a crise por alguns momentos...

Fale no Mundial de Futebol: A Selecção Nacional gostava de estar nos oitavos-de-final. Portugal tem fé nesta questão. Devotos de Nossa Senhora de Fátima, terços do Sagrado Coração de Jesus ou orações, há lá de tudo. A selecção continua crente... É tudo uma questão de fé.

O apuramento para os oitavos-de-final das maiores potências mundiais é mais do que uma questão de fé. Mas esta também pode dar uma ajuda, como no caso de Diego Maradona, o agora seleccionador argentino que agora vai para o banco de fato e com um terço bem entrelaçado nos dedos da mão. E fé, em ambos os sentidos, é coisa que parece não faltar à selecção para copiar o exemplo da Argentina e passar a fase de grupos.
Depois da Nossa Senhora do Caravaggio, na era Scolari em Portugal, chegou uma nova fase com a Nossa Senhora de Fátima - Carlos Queiroz recebeu de alguns amigos de infância moçambicanos uma estátua da santa esculpida em madeira preta (das mais raras no mundo) após a mesma ter sido benzida na igreja onde o seleccionador nacional foi baptizado, em Nampula. A pequena oferta veio para a África do Sul abençoar o treinador.
Entre os jogadores, a religião também tem um redobrado peso. Meireles tem uma cruz tatuada na mão (entre os desenhos marcantes que fez com o passar dos anos) mas Hugo Almeida é o mais religioso de todos: as tatuagens relacionadas com valores e Deus já não se conseguem contar pelos dedos de uma só mão. Além disso, o dianteiro anda sempre acompanhado por uma imagem de Nossa Senhora de Fátima junto da fotografia da mulher e das duas filhas.
De baliza a baliza, os três guarda-redes nacionais têm igualmente grandes convicções religiosas. Eduardo, por exemplo, até trouxe um novo amuleto para a África do Sul (e, verdade seja dita, tem sido um abençoado porque tudo lhe tem corrido da melhor forma); Beto tem tatuada nas costas uma cruz em homenagem ao pai, já falecido; Daniel Fernandes, dos elementos mais desconhecido entre os 23 convocados, costuma andar fora dos relvados com um pequeno terço no pulso, tal como o luso-venezuelano Danny.
Para abrir o jogo, os defesas dão uma ajuda nas alas: Paulo Ferreira costuma sempre beijar três vezes o crucifixo que a mãe lhe ofereceu antes de entrar em campo, ao passo que Coentrão, que se casou entre o título no Benfica e o ingresso no estágio na selecção, é também um devoto de Nossa Senhora de Fátima. Por fim, há Ronaldo, a maior estrela da constelação, que não só costuma andar com um terço branco ao pescoço, com a imagem do Sagrado Coração de Jesus de um lado e a Nossa Senhora do Carmo no outro, como também encomendou cinco mil réplicas parecidas a uma fábrica perto de Fátima (Sobral) para vender.
No Valley Lodge, o hotel onde Portugal está hospedado e que tem uma capela, há fé num bom resultado com a Coreia do Norte. Agora é passá-la para dentro de campo, o local para onde quase todos os jogadores entram a benzer-se. De Magaliesburgo para toda a África do Sul, o Mundial está a ser bem aproveitado pela Igreja para passar a palavra. Além da oração aprovada para abençoar a realização do evento, há uma outra reza criada pelo arcebispo da Cidade do Cabo - "Benze, meu Deus, o Mundial, aqueles que competem e aqueles que apoiam, os anfitriões e os visitantes e ajuda todos os que amam este precioso jogo a crescer no amor que nos deste" - e um campeonato de futebol, promovido pela Church on the Ball, da Igreja Católica (70% da população aqui é católica) nos subúrbios de Pretoria (Atteridgville), com adeptos de 18 países, entre os quais portugueses, e uma equipa chamada... Benfica FC.

Acredita em coincidências? Então Portugal vai vencer o Mundial

Coincidências há muitas e cada uma vale o que vale. Se precisa delas para ter mais fé no desempenho português, tem aí uma à medida.
Lembra-se do Euro-2000? Sim, Portugal foi eliminado no prolongamento pela França nas meias-finais e viu de casa a selecção gaulesa derrotar a Itália. Lembra-se do Mundial-2006? Sim, Portugal foi outra vez eliminado pela França nas meias-finais, mas isso agora não interessa nada. Mantenha o pensamento positivo. É que a final desse Mundial foi novamente a reedição da final do Euro-2000, mas com um vencedor diferente, com a Itália a levar a melhor sobre a França nas grandes penalidades.
E o que tem Portugal a ver com isto? O Euro-2004 foi o Europeu que se seguiu ao de 2000 e este é o primeiro Mundial depois do de 2006. Logo, se a lógica deste milénio se mantiver, vamos assistir à reedição da final do Euro-2004 mas com um vencedor diferente. Logo, assistiremos a uma final entre Portugal e Grécia (que pode acontecer caso as duas equipas vençam os grupos ou fiquem ambas em segundo lugar). Charisteas ainda faz parte da selecção grega, mas desta vez as coincidências estão a nosso favor.
2006 marcou o final da tendência mais assustadora do futebol mundial. O epicentro desta curiosidade está em 1982, quando a Itália foi campeã em Espanha. Os mundiais organizados antes e depois de 1982 foram ganhos pela Argentina (1978 e 1986). Antes e depois destes títulos da Argentina, os mundiais foram ganhos pela Alemanha (1974 e 1990). Antes e depois da Alemanha, foi o Brasil a levantar o caneco (1970 e 1994). A seguir? Foram os países organizadores a conquistar o mundo, com a Inglaterra em 1966 e a França em 1998. E em 2002 e 1962? Novamente o Brasil, isso mesmo.
Em 2006, se a lógica imperasse, teria de ser novamente o Brasil a vencer, graças ao título conquistado em 1958. Mas a Itália deu cabo das expectativas de milhões de brasileiros e amantes de coincidências. Já agora, se é um deles não aposte muitas fichas na possibilidade de a Itália defender o título na final. Desde 1970, quando foram finalistas vencidos, só surgem no jogo decisivo de 12 em 12 anos: venceram em 1982, perderam em 1994 e ganharam em 2006. E há mais destas... basta procurá-las.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Caso Maddie

Os McCann no julgamento sobre livro polémico


Pais de da criança vão estar em Lisboa para o início do julgamento sobre a proibição de venda do livro de Gonçalo Amaral.

Os pais de Madeleine McCann, a criança que desapareceu da Praia da Luz, vão estar presentes, esta sexta-feira, em Lisboa, no início do julgamento da providência cautelar de proibição de venda do livro «Maddie ¿ A Verdade da Mentira», de Gonçalo Amaral. A notícia é avançada pela agência «Lusa», que cita fonte ligada à família inglesa.
Nas sessões de 11, 14 e 16 de Dezembro, na 7ª Vara do Tribunal Cível de Lisboa, no Palácio da Justiça, a defesa de Gonçalo Amaral vai apresentar oposição à argumentação da família McCann.
Kate e Gerry McCann, representados pela advogada Isabel Duarte, alegam que o livro e o vídeo baseado na obra divulgam a tese de Gonçalo Amaral, considerada por eles insustentável, de envolvimento dos pais de Maddie no desaparecimento.
Por isso, pediram ao tribunal a retirada do mercado, embora com carácter provisório, do livro e do vídeo produzido após documentário exibido na TVI.
A este processo, em que além do ex-agente da PJ são visadas a editora «Guerra & Paz», a produtora Valentim de Carvalho e a TVI, por divulgação da tese de Gonçalo Amaral, está anexa a acção principal, em que a família McCann reclama protecção de direitos, liberdades e garantias.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Incentivo à leitura

Bookcrossing chega a Tavira

Na Biblioteca Municipal tem lugar o arranque de um projecto entendido como um Clube de Leitura.

No próximo dia 31 de Julho, pelas 22h00, terá lugar, na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos, em colaboração com o Clube de Leitura, o arranque da iniciativa bookcrossing.
Trata-se de um projecto de incentivo à leitura e à criação de uma comunidade em torno da partilha de livros. O bookcrossing é entendido como um clube de livros global que atravessa o tempo e o espaço. É um grupo de leitura que não conhece limites geográficos. Os seus membros libertam os livros para que possam ser encontrados por outros. O objectivo consiste em transformar o mundo numa biblioteca.
Em Portugal, a comunidade Bookcrosser conta já com mais de oito mil membros, sendo uma das maiores da Europa e a décima em termos mundiais.
Para mais informações deverá ser consultado o site http://www.bookcrossing.com/ que possibilita a identificação e o registo de livros.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Biblioteca Municipal de Faro

Doado o espólio do Prof. Amílcar Quaresma

São cerca de 2 mil títulos disponíveis para consulta e empréstimo público.

O espólio bibliográfico pessoal do Prof. Amílcar Quaresma vai integrar o fundo documental da Biblioteca Municipal de Faro, que vai aceitar a doação dos referidos documentos, de acordo com a vontade expressa pelo próprio em vida e reteirada pela família após a sua morte.
Foi em 2006 que o Prof. Amílcar Quaresma manifestou este interesse em doar um espólio de cerca de 2000 títulos, pretendendo que esta documentação fosse integrada em pleno na colecção da Biblioteca e disponibilizada para consulta e empréstimo do seu público.
O Município de Faro considera de grande interesse e enriquecedor para a colecção da Biblioteca Municipal a integração de parte do espólio, do qual já foi feita uma selecção de acordo com os interesses da família.
Recorde-se que Amílcar Quaresma, natural de Estoi, fundou e dirigiu várias publicações como “Rompeu”, "Bailado", “Alvorada”, “Despertar”, “Açoteia”, “Jogral”, entre outras, muitas delas escolares, em conjunto com os milhares de alunos que ensinou. Foi professor na Escola Secundária Tomás cabreira e Escola Secundária João de Deus (Antigo Liceu de Faro), tendo sido ainda dirigente associativo de várias colectividades.
Retratou a vivência de décadas no Liceu de Faro com uma sátira poética a que deu o nome de «Os Licíadas», uma de entre várias obras do seu currículo literário.

O primeiro livro impresso em Portugal

Foi editado pelo judeu Samuel Gacon

Em 1487 concluiu-se, em Faro, a ediçãp do primeiro livro impresso em Portugal, de nome «Pentateuco».

Completam-se, no próximo dia 30 de Junho, 522 anos, que se concluiu nas oficinas do judeu Samuel Gacon, em plena «Vila a Dentro», paredes meias com o actual edifício do Governo Civil, o que se considera o primeiro livro impresso em Portugal, o «Pentateuco (TORA)», marco assinalado na história literária portuguesa e cujo único exemplar original conhecido se encontra na Biblioteca Boudeliena, na Universidade de Oxford (Grã Bretanha), levado pelo Conde de Essex, na sequência do seu sinistro assalto à então Vila Farense.
Esta data constitui justo motivo de orgulho para a nossa Região que assim e na sequência do desenvolvimento que vinha registando alcançou o merecimento de haver dado um importante contributo à história bibliográfica portuguesa e à divulgação da cultura, através desse instrumento imprescindível que o livro representa.
O «Pentateuco, TORA» é o primeiro livro da Bíblia e narra os acontecimentos, desde a criação do Mundo, na perspectiva judaica (o chamado «relato do Génesis), passando pelos patriarcas hebreus, até à fixação deste povo no Egipto, depois da história de José.
Há alguns anos o Governo Civil de Faro procedeu à edição fac-similada, do original do «Pentateuco, TORA», acrescido de uma tradução do hebraico para a língua portuguesa, numa homenagem ao primeiro livro tipográfico surgido em Portugal e a Samuel Gacon, homenagens que ora se repetem na lembrança deste facto e daquele ilustre judeu farense, membro de um a Comunidade que, durante séculos, tanto contribuiu para o progresso e desenvolvimento do Algarve.

O livro impresso em Portugal

Em 1487, em Faro, foi editado em caracteres hebraicos o Pentateuco por Samuel Gacon. Existiam outras tipografias hebraicas em Leiria e Lisboa até 1496, data em que os judeus foram expulsos do país.
Em 1494, na cidade de Braga, o impressor alemão João Gherline, imprimiu o Breviarium Bracarense, que ficou conhecido como o mais antigo inconábulo em latim impresso em Portugal.
Em 1495, em Lisboa, os impressores alemães Niculau de Saxónia e Valentim Fernandes de Morávia publicaram a tradução de Vita Christi de Ludolfo de Saxónia.
Em 1497, no Porto, o primeiro impressor português, Rodrigo Álvares, imprimiu na nossa língua as Constituições do Bispado do Porto e os Evangelhos e Epístolas.
A tipografia teve na primeira metade do séc. XVI o seu período áureo, para decair até ao séc. XVIII, integrando uma tendência europeia. No séc. XVIII, graças ao impulso de D. João V, o livro português teve o seu período de maior esplendor como provam as magníficas edições da Real Academia de História.
A partir de 1830, volta um período de decadência, apesar do Romantismo trazer novos aspectos estéticos. Em meados do séc. XX, com as novas técnicas e graças ao exemplar de luxo, de tiragem especial e limitada, o livro renova-se em Portugal e passa mesmo a ser tido como objecto valioso em si mesmo.
Hoje em dia, o livro impresso enfrenta novos desafios, relacionados com as novas tecnologias, que julgo conseguirá novamente ultrapassar, talvez reduzindo-se quantitativamente, mas aumento ainda mais o seu valor como objecto artístico e cultural. O livro impresso é um sobrevivente e julgo que existirá, enquanto o Homem existir.

(Fonte: Com adaptações de textos de Jorge Peixoto, 1961)

sábado, 27 de junho de 2009

Escritora americana em Lagoa e Vila do Bispo

Jean Auel visita sítios arqueológicos

A famosa autora de O Clã dos Ursos das Cavernas esteve no Algarve a pesquisar para o seu próximo romance.

A romancista histórica norte-americana Jean Auel esteve em Portugal para conhecer alguns dos sítios paleolíticos mais importantes do território nacional. A visita começou no Algarve, onde Auel se encontrou com o Prof. Nuno Bicho, director do curso de Arqueologia da UAlg, que a levou aos sítios arqueológicos de Ibn Ammar (Lagoa) e Vale Boi (Vila do Bispo). A informação que recolhida vai ser usada na produção do próximo romance da colecção Os Filhos da Terra, que relata o momento em que O Clã dos Ursos das Cavernas, personagens centrais da colecção, atravessam a Europa e chegam à costa Atlântica, actual território português.
Jean M. Auel nasceu em Chicago e vive actualmente em Oregon, inteiramente dedicada à sua investigação para a colecção Os Filhos da Terra, romances históricos ficcionais que constituem hoje um dos fenómenos literários mais surpreendentes a nível mundial.
A pesquisa que Auel está a fazer para o sétimo livro da colecção incluiu uma estadia de três dias em Portugal, onde no Algarve, com Nuno Bicho, responsável pelo curso de Arqueologia da UAlg, visitou os sítios arqueológicos de Ibn Ammar (Lagoa) e Vale Boi (Vila do Bispo). Depois seguiu em direcção ao Norte onde visitou a Gruta da Figueira-brava, perto de Sesimbra. No dia 26 está em Leiria com Francisco Almeida, para conhecer a estação arqueológica de Lapedo, onde foi encontrada uma sepultura de criança com cerca de 25 mil anos.
A colecção Os Filhos da Terra conta já com cinco volumes. O Clã dos Ursos das Cavernas, publicado em 1980, é o ponto de partida desta viagem épica, onde Auel faz o relato histórico da vida dos nossos antepassados na última fase da Era Glaciar, quando os homens de Neandertal e de Cro-Magnon dividiam a Terra.
Na foto, Lawrence Straus, professor da Universidade do Novo México (EUA), Jean Auel, Nuno Bicho, da UAlg, e Ray Auel, marido da escritora, em Vale Boi (Vila do Bispo).

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Escritor premiado em Silves

“Os novos imaginadores da Palavra”

Clube de leitores adultos da Biblioteca Municipal de Silves iniciam novo ciclo de leituras.

No âmbito do seu clube de leitura de adultos, a Biblioteca Municipal recebe o escritor Gonçalo M. Tavares, no dia 20 de Junho, pelas 21h30, para uma sessão de reflexão e debate à volta da sua produção literária. Esta iniciativa constitui o arranque de mais um ciclo do clube de leitura da Biblioteca, desta vez denominado “Os novos imaginadores da Palavra” e dedicado exclusivamente às novas vozes da literatura portuguesa.
O clube pretende, assim, ler e receber depois, mensalmente, até ao final deste ano, escritores como Walter Hugo Mãe, José Luís Peixoto, Rui Cardoso Martins, Gonçalo Cadilhe, entre outros. Os membros da comunidade de leitores irão revisitar as várias obras destes autores antes da sua vinda à Biblioteca, apelando-se inclusive à troca, entre os membros do clube, dos livros já experimentados, de modo a adquirir uma visão o mais alargada e diversificada possível da obra do autor em causa.
Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Em Dezembro de 2001 publicou a sua primeira obra. Em cinco anos publicou romances, poesia, teatro e pequenas ficções. Recebeu o Prémio José Saramago 2005 e o mais importante prémio para originais em língua portuguesa, com o romance “Jerusalém” (Caminho); o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, com o livro “O Senhor Valéry” (Caminho); o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com Investigações. Novalis (Difel) e o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores “Camilo Castelo Branco” com “água, cão, cavalo, cabeça” (Caminho). Vários dos seus livros deram origem a obras de artistas plásticos, peças de teatro, etc. As suas obras estão a ser objecto de teses de mestrado e doutoramento, estando em curso edições e traduções de quinze dos seus livros em onze países. Para conhecer melhor o universo deste escritor singular, aceda aos seguintes links:
http://www.goncalomtavares.com/site_pt/ (site oficial) e http://goncalomtavares.blogspot.com/ (blog oficial)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Retratos do Algarve


Ciclo Viajantes, Escritores e Poetas

Pátio de Letras recebe conferência sobre o Algarve visto pelo escritor Teixeira Gomes.

No dia 13 de Junho, pelas 17h30, o Pátio de Letras, em Faro, recebe mais uma conferência do ciclo Viajantes, Escritores e Poetas – Retratos do Algarve. Para esta conferência, assegurada pela Prof.ª Ana Alexandra Carvalho, docente da UAlg, e intitulada Teixeira Gomes e o Algarve, convocar-se-ão algumas das passagens que, na obra de Manuel Teixeira Gomes (Portimão, 1860 - Bougie, Argélia, 1941), surgem dedicadas ao Algarve, evocando-o tanto a nível paisagístico como sociológico.
“O educado espírito de esteta do autor leva-o a contemplar a paisagem algarvia e a recriá-la imaginativamente como cenário vivo da antiga e mítica Hélade, revelando-se aquela até superior ao modelo ideal da Antiguidade em harmonia e beleza”, explica Ana Alexandra Carvalho, próxima oradora do ciclo de conferências Viajantes, Escritores e Poetas – Retratos do Algarve.
Contudo, continua a docente de literatura da UAlg, “o fino poder de observação de Teixeira Gomes e a sua ironia mordaz retratam sem clemência os tiques e as taras de algumas figuras caricaturais da sociedade pequeno-burguesa algarvia do último quartel do século XIX, grotescas no seu provincianismo, vícios e costumes ridículos”.
No entanto, “o que verdadeiramente eleva este autor algarvio ao panteão das letras nacionais, e não só, é o facto de a sua escrita se revelar de uma perfeição clássica, impecável no rigor, na lógica e, simultaneamente, na harmoniosa plasticidade que a não deixam envelhecer”, conclui Ana Alexandra Carvalho.
Inserido nas comemorações dos 30 anos da UAlg, o ciclo de conferências Viajantes, Escritores e Poetas – Retratos do Algarve é organizado pelo Centro de Estudos Linguísticos e Literários (CELL) da UAlg e pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António/Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, e decorre no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António e na Livraria Pátio de Letras, em Faro, nos meses de Junho e Julho.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Retratos do Algarve

Ciclo Viajantes, Escritores e Poetas

Conferência sobre o Algarve em “Os Pescadores”, de Raul Brandão.

No dia 05 de Junho, às 18h00, o Arquivo Municipal de Vila Real de Santo António recebe mais uma conferência do ciclo Viajantes, Escritores e Poetas – Retratos do Algarve. Terá a palavra a Prof.ª Carina Infante do Carmo, docente de Literatura da UAlg, que explorará a visão de Raul Brandão sobre a região algarvia, plasmada na obra de 1923 Os Pescadores.
Numa carta dirigida a Albino Forjaz de Sampaio, Raul Brandão dividiu a sua obra em duas metades distintas: uma que evidencia a sua luta com o fantasma, o sofrimento e o grotesco humanos; outra que fixa a luz e a paisagem portuguesas. Segundo Carina Infante do Carmo, “cabem nesta segunda categoria Os Pescadores (1923), espécie de reportagem impressionista, autobiográfica e antropológica da costa portuguesa, de Caminha até Sagres”.
Em desenhos fragmentários desse território humano e natural, o Algarve ocupa os capítulos finais do livro, rematando um itinerário atlântico que começara no lugar saudoso da infância perdida de Brandão, a Foz do Douro.
“A exuberância das gentes e lugares algarvios estimulam-lhe o cromatismo plástico e sinestésico, transfigurando a paisagem contemplada num quadro interior, habitado de lembranças e sensações pessoais”, refere a conferencista. Acrescenta ainda que Raul Brandão “enquadra entre a luz e o mar, a brancura das açoteias de Olhão, a agitação da vida, das dores e da labuta dos pescadores e suas mulheres. Seguem-se o copejo ensanguentado do atum, em Tavira e no arraial da Ponta da Baleeira, e o caminho para Barlavento, rumo ao mágico promontório de S. Vicente”.
Assim recorta Raul Brandão o território algarvio, captado a partir das suas gentes populares de beira-mar. Valendo-lhe um êxito expressivo junto dos leitores, “o autor de Os Pescadores seguia a matriz garrettiana das viagens sentimentais à terra pátria, que determinou um eixo vital de toda a sua obra e da geração republicana e seareira com a qual colaborou activamente”.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Clube de Leitura de Quarteira

Fez visita de "reflexão" a Évora

No passado sábado, 9 de Maio, os membros do Clube de Leitura de Quarteira realizaram uma visita a Évora, integrada no seu programa de actividades.

Assim, os participantes visitaram alguns pontos da cidade que são descritos no livro “Aparição”, de Vergílio Ferreira, nomeadamente o Alto de S. Bento (local onde a personagem principal do livro, onde Alberto viveu), a Universidade (antigo liceu onde Vergílio Ferreira deu aulas), a Livraria Nazareth (local onde o autor comprava os seus livros), o Café da Arcada (local de tertúlia do escritor), entre outros sítios.
Segundo os responsáveis por este Clube, estas visitas aos locais abordados nos livros são também uma forma de gerar o debate em torno das obras, estimulando ao mesmo tempo o gosto pela leitura. Recorde-se que este Clube, em actividade desde Janeiro, destina-se a maiores de 18 anos, e passa por encontros informais em que a temática principal é o Livro.
Realizar leituras partilhadas, despertar o espírito crítico e promover a reflexão, a discussão e a troca de ideias, constituindo como um espaço informal em que o Livro é a ferramenta eleita, são os principais objectivos.
As sessões do Clube de Leitura de Quarteira, coordenadas por Rita Moreira e moderadas por Conceição Bernardes, decorrem quinzenalmente, às terças-feiras, a partir das 21h00, na sala anexa à Junta de Freguesia.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Retratos do Algarve

Ciclo Viajantes, Escritores e Poetas

O Romanceiro do Algarve: seus recolectores e editores.

A sexta conferência do ciclo Viajantes, Escritores e Poetas - Retratos do Algarve, assegurada pelo Prof. João David Pinto Correia, director e coordenador científico do Centro de Tradições Populares Portuguesas (CTPP) "Prof. Manuel Viegas Guerreiro", será dedicada ao romanceiro do Algarve, seus recolectores e editores. O Arquivo Municipal de Vila Real de Santo António (VRSA) recebe esta conferência no dia 8 de Maio, a partir das 18h00.
O Algarve é uma das regiões mais representativas do património cultural intangível, desde cedo tido em linha de conta pelos estudiosos da literatura oral tradicional. “Esta «literatura» tem sido objecto de particular interesse por parte de recolectores e editores, etnógrafos e antropólogos, linguistas e especialistas em literatura, que desde o século XIX até aos nossos dias conseguiram um notável arquivo de todas essas tradições orais, nos seus vários modos e géneros literários”, explica João David Pinto Correia, o próximo orador do ciclo Viajantes, Escritores e Poetas – Retratos do Algarve, que no dia 8 de Maio, às 18h00, assegura a conferência O Romanceiro do Algarve: seus recolectores e editores no Arquivo Municipal de VRSA.
O director do CTPP e actual director da Revista Lusitana - Nova Série vai debruçar-se sobre um dos mais importantes géneros da literatura oral tradicional na região algarvia, o romance tradicional, do modo poético-narrativo, cuja importância salienta:
“O próprio Garrett, se adoptou poucas versões, registou muitas variantes nas composições do seu Romanceiro. Depois dele Veiga, Braga, Oliveira, Reis Dâmaso, Vasconcellos, Guerreiro, Galhoz, Giacometti/ Graça, Custódio, Tengarrinha, Anastácio/ Ferré, Marques/ Cardigos, Carinhas, e muitos mais, continuaram a tarefa de, em colectâneas pequenas ou maiores, locais ou nacionais, em livros, revistas ou jornais, mostrar a variedade e a riqueza do património romancístico algarvio, como nos demonstra a representação das tradições no Índice Temático de Costa Fontes.”

Recolectores e editores de origem algarvia em foco

Atendendo à temática geral deste conjunto de conferências, João David Pinto Correia optou por evidenciar os recolectores e editores de naturalidade algarvia, considerando a importância dessa tarefa no conjunto da sua actividade de investigação. “Eles são muitos, mas iremos focar a atenção naqueles que, pela pertinência da sua iniciativa ou pela quantidade e qualidade, tornam hoje os seus contributos imprescindíveis na apreciação e mesmo na avaliação desta vertente fundamental do património cultural algarvio.”
No Algarve, o género romancístico teve os seus grandes obreiros nos nomes das pessoas nascidas na região como Estácio da Veiga, Reis Dâmaso, José Joaquim Nunes, Ataíde de Oliveira, Manuel Viegas Guerreiro, Maria Aliete Galhoz, Idália Farinho Custódio, Margarida Tengarrinha (na foto) e Ana Cristina Carinhas. “Consideraremos, pois, como cada um deles desempenhou a sua meritória tarefa, de um modo sintético aproximar-nos-emos da originalidade e das características dos respectivos contributos”, esclarece o orador.
João David Pinto Correia, nascido em S. Gonçalo, no Funchal, licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, fez o D.E.A. (Diplôme d' Études Approfondies) em "Semiótica e Ciências da Comunicação" na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, e doutorou-se em Letras (Literatura Portuguesa) na Universidade de Lisboa.Foi professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Departamento de Literaturas Românicas) até Março de 2009, data em que se aposentou. É director e coordenador científico do Centro de Tradições Populares Portuguesas (CTPP) "Prof. Manuel Viegas Guerreiro", da Fundação para a Ciência e Tecnologia e da Universidade de Lisboa, e director da Revista Lusitana - Nova Série.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Livro denúncia

O drama da violência sexual na guerra

O livro da jornalista Helen Benedict descreve a experiência das mulheres militares norte americanas que são violentadas pelos próprios companheiros na frente de batalha. Cerca de 30% são violadas durante o serviço militar.

A ocupação americana no Iraque chegou a ter, no seu auge de guerra, mais de 150 mil soldados. Desde 2003, quando George W. Bush ordenou a invasão, o carroussel de tropas levou 206 mil mulheres para aquele país. Dessas, apenas 600 foram feridas e 104, mortas, mas muitas outras sofreram com um outro tipo de violência, quase imperceptível para o grande público, mas demasiado traumática para quem a sofre - a violência sexual.
O drama de ir para a guerra e ser violentada pelos próprios colegas e superiores nas Forças Armadas está detalhado no livro The Lonely Soldier: The Private War of Women Serving in Iraq (tradução:"A soldado solitária: a luta particular das mulheres que serviram no Iraque"), de Helen Benedict, professora de jornalismo na Universidade Columbia, dos Estados Unidos.
No livro, Helen conta que, das 40 mulheres que ela entrevistou, 28 foram assediadas, atacadas de alguma forma sexual ou simplesmente violadas por colegas. Os números reflectem também estudos oficiais realizados nos Estados Unidos, os quais mostram que 90% das mulheres militares sofrem assédio sexual nalgum momento da sua carreira militar, e 30% são violadas.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

I Encontro de Clubes de Leitura do Algarve

Loulé e Quarteira participaram no encontro

No passado sábado, os Clubes de Leitura de Loulé e de Quarteira participaram no I Encontro de Clubes de Leitura do Algarve, que decorreu em Portimão, organizado pela autarquia local.

Numa iniciativa que reuniu mais de 300 pessoas, o Município de Loulé fez-se representar com 11 membros do Clube de Leitura de Loulé, 9 do Clube de Quarteira, as moderadoras dos dois clubes, Adriana Nogueira e Conceição Bernardes, respectivamente, e ainda Rita Moreira, bibliotecária da Biblioteca Municipal de Loulé.
Refira-se que, para além de Loulé e Quarteira, estiveram presentes nesta iniciativa os Clubes de Leitura de Lagoa, Portimão, S.Brás de Alportel, Faro e Silves. Os convidados especiais foram os espanhóis dos Clubes de Leitura de Huelva e Los Hermanas.
Rita Moreira e Adriana Nogueira apresentaram publicamente o Clube de Leitura de Loulé. Os Clubes de Leitura de Lagoa e de Silves foram também apresentados pelos seus bibliotecários e moderadores, num momento que serviu igualmente como troca e partilha de experiências. Depois, foi a vez dos clubes do outro lado da fronteira trazerem a público também o seu contributo a este Encontro, falando do contexto espanhol nesta matéria.
Na segunda parte do evento, teve lugar uma conferência subordinada ao tema “Fernando Pessoa e a Música”, proferida pelo Professor Doutor Arnaldo Saraiva, e o concerto de piano e canto de música portuguesa sobre a poesia de Fernando Pessoa, com Teresa Brandão (piano) e José Oliveira Lopes (canto).

quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Presos Políticos Algarvios"

Museu de Portimão lança “Memória Futura”

Livro evoca presos em Angra do Heroísmo e no Tarrafal.

Integrado nas comemorações do 35º aniversário da Revolução dos Cravos, será lançado às 18h00 de 24 de Abril, no Auditório do Museu de Portimão, o livro “Presos Políticos Algarvios em Angra do Heroísmo e no Tarrafal”, da autoria de Maria João Raminhos Duarte, numa edição conjunta das Edições Colibri e da Câmara Municipal de Portimão.
A obra inaugura a colecção "Memória Futura", a desenvolver pelo Museu de Portimão no âmbito das suas actividades de divulgação do património imaterial centrada nas temáticas, estudos e trabalhos relacionados com Portimão e o Algarve.
Neste trabalho, a autora foca o contexto histórico de um capítulo menos feliz da evolução social e política de Portugal, centrando a sua pesquisa num conjunto de algarvios que ousaram divergir e pensar livremente num tempo e num lugar adversos à coragem dessas atitudes e que pagaram um preço alto de privação da sua liberdade, com o desterro, a prisão e a própria vida, nos Açores e em Cabo Verde.
Nascida em Moçambique, Maria João Raminhos Duarte é licenciada em História, tendo feito o mestrado em História Contemporânea de Portugal. Coordenadora do Departamento de Ciências Sociais e Humanas na Escola E.B. 2,3 Eng. Nuno Mergulhão, onde lecciona, é também docente no Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, ambos os estabelecimentos de ensino localizados em Portimão.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Retratos do Algarve

Ciclo Viajantes, Escritores e Poetas

O Algarve na poesia de Teresa Rita Lopes em debate no Pátio de Letras.

No próximo sábado, dia 11 de Abril, pelas 17h30, a poetisa algarvia Teresa Rita Lopes vai estar no Pátio de Letras, em Faro, a reflectir sobre o Algarve representado na sua própria criação poética. Teresa Rita Lopes é professora catedrática jubilada da Universidade Nova de Lisboa, sendo uma das maiores especialistas em Fernando Pessoa. O Algarve na poesia de Teresa Rita Lopes é assim o tema da próxima conferência do ciclo Viajantes, Escritores e Poetas: Retratos do Algarve.
Teresa Rita Lopes nasceu em Faro, em 1937. Escreve poesia e contos desde sempre, tendo-se também desde sempre dedicado ao teatro: tem mais de vinte peças escritas, das quais bastantes representadas em Portugal e no estrangeiro. Tem obtido vários prémios, no domínio do conto, da poesia, do teatro e do ensaio. No campo da poesia, foi distinguida com o prémio da Cidade de Lisboa, em 1988, e com o prémio Eça de Queirós, em 1997.
Inserido nas comemorações dos 30 anos da UAlg, o ciclo de conferências Viajantes, Escritores e Poetas – Retratos do Algarve é organizado pelo Centro de Estudos Linguísticos e Literários (CELL) da UAlg e pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António/Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, e decorre no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António e na Livraria Pátio de Letras, em Faro, nos meses de Março, Abril, Maio, Junho e Julho.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O ser e sentir algarvio

Pinheiro e Rosa – O Homem e a Obra

Cerimónia elogiou a obra e a vida de uma das mais proeminentes figuras da cultura algarvia

“Para além de um ilustre professor e historiador, o Professor Pinheiro e Rosa foi um cidadão que amou e soube defender o Algarve”, considerou ontem a Governadora Civil de Faro, Isilda Gomes, durante a cerimónia de apresentação do livro “Prof. Pinheiro e Rosa –o Homem e a Obra, um modelar trajecto de vida”, da autoria de Maria Armanda Mesquita.
Durante a sessão, realizada no Salão Nobre, onde estiveram presentes os filhos do homenageado, a Governadora Civil elogiou a publicação do livro que retrata a vida e a obra de uma das mais proeminentes figuras da cultura algarvia, por considerar que a mesma representa um valioso contributo para a história da região.
“O Algarve deve dar o justo valor aos seus homens e mulheres que construíram a riquíssima história desta terra, mas hoje fez-se aqui história”, observou Isilda Gomes, frisando que factos com impacto na vida de uma região acontecem todos os dias e devem ser perpetuados. “Na História de Portugal o Algarve aparece apenas como uma nota de rodapé, por isso talvez seja tempo de pôr mãos à obra e escrever a história desta região, aquela que queremos dar a conhecer e perpetuar, criando espaços de debate e o gosto de se ser algarvio”, considerou a Governadora Civil.
Durante a cerimónia realizada no Salão Nobre, foram lidos poemas de Violinda Pinheiro e Rosa, viúva do historiador, por elementos do grupo de teatro “Tapete Mágico”, da escola de que é patrono o professor e historiador farense. À cerimónia assistiram ainda docentes e uma turma de alunos da referida escola, promotora da publicação da obra de 206, prefaciada pelo Professor Vilhena Mesquita e integrada nas comemorações centenárias do nascimento do Prof. Pinheiro e Rosa.
Natural de Faro, onde nasceu a 5 de Maio de 1908, o Prof. Pinheiro e Rosa foi pioneiro da salvaguarda, estudo e divulgação do património de Faro e do Algarve. Entre outras distinções recebeu a Medalha de Mérito Cultural da Secretaria de Estado da Cultura e foi agraciado, em 1990, pela Câmara Municipal de Faro, com a Medalha de Ouro da Cidade e o título de Cidadão Benemérito da Cidade.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Livros: Autores algarvios

"Uma Noite com o Fogo"

"Em 2003 e 2004, no Verão, grande parte da floresta da minha terra foi destruída pelo fogo. Tanto num ano como no outro as chamas andaram à solta pela serra de Monchique, e até bem para lá dos seus limites. Lembro-me de que na altura alguém me disse que eu poderia escrever sobre esses tempos terríveis. Logo pareceu-me que não, que era tudo ainda muito recente. Mas ao mesmo tempo senti que mais tarde talvez acabasse por fazê-lo. Foi já em 2008 que comecei a escrever, primeiro sem saber bem por que caminhos seguir, depois eu próprio a espantar-me com uma descoberta que fazia, a de que o romance estava a ser escrito dentro da minha cabeça desde uma noite terrível do Verão de 2004."

António Manuel Venda nasceu em Monchique, no Sul de Portugal, em 1968. Publicou nove livros de ficção («Quando o Presidente da República Visitou Monchique por Mera Curiosidade», contos; «Os Abençoados Fiéis do Senhor S. Romão», novela; «Até Acabar com o Diabo», romance; «O Velho que Esperava por D. Sebastião», contos; «Os Sonhos e Outras Perigosas Embirrações», romance; «O Medo Longe de Ti», romance; «O Amor por entre os Dedos», contos; «O que Entra nos Livros», romance; «Uma Noite com o Fogo», romance). Destes, alguns receberam prémios literários de instituições como o Instituto Abel Salazar, o Centro Nacional de Cultura, a Câmara Municipal de Almada, a Secretaria de Estado da Cultura e a Sociedade Portuguesa de Autores. Mantém inéditos dois livros de histórias («O Bilhete do Senhor Scolari» e «Políticos, esses Animais») e uma primeira aventura de um pequeno super-herói chamado Zeca Zângão («Mandriões na Roda Gigante»). Trabalha actualmente em diversos projectos de ficção.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Biblioteca on line


Acessível ao público a partir de hoje

Inaugurada biblioteca multimédia on line da Europa com mais de 2 milhões de obras

A biblioteca multimédia online da Europa, "Europeana", está acessível desde hoje ao público, que através da Internet poderá aceder a mais de dois milhões de obras dos 27 Estados-membros da União Europeia. Esta biblioteca virtual conta com livros, mapas, gravações, fotografias, documentos de arquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da UE, tendo por exemplo de Portugal a Carta plana de parte da Costa do Brasil, um mapa de 1784. Acessível, em todas as línguas da UE, através do endereço (http://www.europeana.eu/), a biblioteca multimédia europeia conta com material fornecido por mais de 1000 organizações culturais de toda a Europa, incluindo Museus, como o Louvre de Paris, que forneceram digitalizações de quadros e objectos das suas colecções.

Segundo a Comissão Europeia, que lançou esta iniciativa em 2005, este é "apenas o começo", pois a ideia é expandir a biblioteca, envolvendo também o sector privado, e o objectivo é que em 2010 a Europeana dê acesso a pelo menos dez milhões de obras "representativas da riqueza da diversidade cultural da Europa e terá zonas interactivas, nomeadamente para comunidades com interesses especiais".
"Com a Europeana, conciliamos a vantagem competitiva da Europa em matéria de tecnologias da comunicação e de redes com a riqueza do nosso património cultural. Os europeus poderão agora aceder com rapidez e facilidade, num único espaço, aos formidáveis recursos das nossas grandes colecções", comentou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
Por seu turno, a comissária europeia para a Sociedade da Informação e os Meios de Comunicação, Viviane Reding, apelou "às instituições culturais, editoras e empresas de tecnologia europeias para que alimentem a Europeana com mais conteúdos em formato digital". Segundo dados da Comissão, desde a "abertura" da biblioteca, hoje de manhã, houve dez milhões de visitas por hora, tendo esta "tempestade de interesse" forçado mesmo a "deitar o sistema abaixo" por algum tempo para duplicar a capacidade do "site".