Liberdade e o Direito de Expressão

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sábado, 27 de agosto de 2011

Custo de vida sobe, sobe, sobe...

Combustíveis vão voltar a subir
                                                                                                                          
Depois de uma descida entre três e quatro cêntimos na semana passada, os preços vão voltar a subir por causa do furacão.
A gasolina deve ficar mais cara em Portugal a partir da próxima semana reflectindo a subida dos preços do petróleo nos últimos dias.
Os mercados estão preocupados quanto ao impacto do furacão “Irene” sobre as refinarias da costa Oeste dos Estados Unidos.
Fonte da Galp deixou no ar esta possibilidade já que a petrolífera "reflecte a evolução das cotações médias da gasolina e do gasóleo no mercado europeu". 
                                                                                                       
Livro analisa perigos que correm forças de segurança
                                                                           
“Polícia à portuguesa, take 2” analisa também as elevadas taxas de suicídio. Numa altura em que as condições de trabalho nas forças de segurança voltaram a ter destaque mediático, sobretudo por causa dos protestos já agendados para Setembro, chega às bancas mais um livro sobre a vida dos polícias portugueses. Chama-se “Polícia à portuguesa, take 2”, e repete a fórmula de um outro livro lançado em 2008 pelos mesmos autores, ou seja, tem como base entrevistas realizadas a vários profissionais, de várias polícias. Há três anos, no livro “Policia à portuguesa, um retrato dramático”, descrevia-se uma PSP mal preparada, desmotivada e sem condições de trabalho. Agora alarga-se o olhar à GNR e à Polícia Judiciária e incide-se o foco no risco que estes profissionais correm, seja no dia-a-dia nacional, seja nas missões internacionais.
Uma nova abordagem que conduz o leitor para os perigos da profissão mas, igualmente, para o peso significativo que o suicídio tem nas estatísticas das forças de segurança: quase meia centena de suicídios registados na PSP nos últimos 18 anos e quase o dobro na GNR. Fernando Contumélias, um dos autores, diz que essa é, aliás, uma das grandes reflexões propostas por este livro. E mesmo que a relação causa efeito seja meramente estatística, Fernando Contumélias não hesita em aplicá-la nas forças de segurança. De resto, com base uma vez mais no método de recolha de testemunhos aleatórios dentro dos dispositivos, os autores concluem que é impensável cortar ainda mais, num sector que nunca teve o orçamento necessário, que quanto mais cortes forem feitos mais complicada será a vida dentro das polícias mas também que, apesar de tudo, o sentido profissional será sempre mais forte do que a vontade de protestar. O livro de Fernando e Mário Contumélias é lançado pela editora Babel.
                                                                                          
Associação de municípios concorda com extinção de empresas municipais
                                                                                              
O Governo decidiu ontem alterar o regime jurídico das empresas municipais. Eduardo Catroga, coordenador do programa eleitoral do PSD, afirmava que era necessário extinguir todas as que não conseguissem pelos menos 50% de receita própria. A Associação de Municípios Portugueses (AMP) dá um parecer positivo à decisão do Governo de proibir a criação de mais empresas municipais e concorda que as que não cumprirem os objectivos devem ser encerradas. Fernando Ruas diz que não quer criar um campo de batalha com o Governo na questão das empresas municipais, por isso, para o presidente AMP, a resposta à troika pode já ser dada: “a partir de agora, não há possibilidade de criar mais empresas municipais”. Fernando Ruas diz ainda que concorda com a extinção de as empresas que não se justifiquem estarem abertas.
“A associação a que presido estará inteiramente de acordo com todas as empresas municipais que não se justifiquem sejam extintas de imediato. Todas as que não se justifiquem. Queremos também salvaguardar as empresas municipais que são um óptimo auxiliar de gestão, que cumprem muito bem a sua função, e que não se generalize no sentido de as anular todas”, defende Fernando Ruas. O presidente da Associação de Municípios Portugueses a demonstrar apoio ao Governo, mas quanto ao número de empresas a encerrar, prefere aguardar pelas conclusões do estudo sobre as empresas municipais. O Governo decidiu ontem em Conselho de Ministros alterar o regime jurídico das empresas municipais. Eduardo Catroga, coordenador do programa eleitoral do PSD, afirmava que era necessário extinguir todas as que não conseguissem pelos menos 50% de receita própria.
                                                                                                                  
Passos Coelho vai fazer périplo pela Europa
                                                                                                                  
Na próxima semana, o primeiro-ministro português tem encontros marcados com Merkel, Sarkosy e Zapatero. O primeiro-ministro realiza na próxima semana um périplo europeu que inclui encontros com a Chanceler alemã, o chefe do Governo espanhol e o Presidente francês, disse à Lusa fonte do gabinete Pedro Passos Coelho. Na quarta-feira, tem uma reunião em Madrid com o chefe do Governo espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero, com quem deve passar em revista, os últimos desenvolvimentos na Europa e na Zona Euro, bem como o plano de reformas estruturais e de ajustamento económico em Portugal, na sequência do Conselho Europeu de 23 de Junho e da Cimeira da Zona Euro de 21 de Julho. Da agenda do encontro fazem ainda parte as relações bilaterais entre os dois países e outros temas de actualidade internacional. Na quinta-feira, 1 de Setembro, Passos Coelho vai encontrar-se em Berlim com a Chanceler alemã, Ângela Merkel, com uma agenda de trabalho semelhante à de Madrid. No regresso de Berlim, o primeiro-ministro passa ainda por Paris, onde participa numa reunião internacional promovida pelo Presidente francês, Nicholas Sarkozy.
                                                                                                                  
Jardim lança novas obras, e dívida madeirense sobe 11,5%...
                                                                                               
Dados do Tribunal de Contas revelam que entre 2009 e 2010 a dívida subiu 11,5%, ou seja, 99,4 milhões de euros. O líder da Madeira lança novas obras públicas, mesmo depois de admitir ruptura financeira e ter pedido ajuda a Passos Coelho para sanear as contas. Com as eleições à porta, Alberto João Jardim continua a lançar novos concursos e adjudicar obras públicas, escreve o “Diário Económico”. O conselho do Executivo regional reuniu ontem e das sete resoluções, divulgadas publicamente, cinco são para dar “luz verde” a obras na Madeira. De acordo com fonte oficial do gabinete da presidência do governo regional o problema da dívida da região não foi debatido. Mas em clima de pré-campanha eleitoral (as eleições estão marcadas para 9 de Outubro), Alberto João Jardim deu prioridade à construção de um pavilhão gimnodesportivo, uma piscina e a construção de um centro paroquial entre outras obras. Em apenas cinco anos a dívida da Madeira subiu 101,5%. Em 2005 a dívida estava nos 478 milhões de euros, e em 2010, segundo uma auditoria apresentada pelo Tribunal de Contas, a dívida já chegava a 963 milhões de euros, ou seja, mais que duplicou. Os dados da entidade liderada por Guilherme d' Oliveira Martins revelam que entre 2009 e 2010 a dívida subiu 11,5%, ou seja, 99,4 milhões de euros.
                                                                                                                       
EUA pediram informações sobre comunidade muçulmana em Portugal
                                                                                                                       
A WikiLeaks anunciou na quinta-feira a divulgação de mais de cem mil novos telegramas da diplomacia norte-americana em todo o mundo. Os Estados Unidos pediram à sua diplomacia em Lisboa informações sobre a comunidade muçulmana em Portugal, refere um telegrama de Janeiro de 2010 divulgado pela WikiLeaks. Em resposta ao pedido, a embaixada norte-americana em Lisboa disse que "a comunidade muçulmana em Portugal é de cerca de 50 mil membros (menos de 1% da população), a maioria são descendentes indo-paquistaneses, bem como imigrantes das antigas colónias de Portugal de Moçambique e Guiné-Bissau". No telegrama, de 14 de Janeiro de 2010 e com referência “10LISBON20”, a embaixada norte-americana diz ainda que a mesquita principal é localizada em Lisboa, existindo "muitas salas de oração em todo o país", destacando que "os muçulmanos em Portugal não são politicamente activos enquanto muçulmanos e mantêm um perfil relativamente discreto".
A diplomacia norte-americana reportou, no mesmo telegrama, que "mantém contacto com a comunidade muçulmana" e com vários líderes religiosos, acrescentando que "tem o mesmo envolvimento com a comunidade muçulmana em Portugal que com outras comunidades religiosas em Portugal". A WikiLeaks anunciou na quinta-feira a divulgação de mais de cem mil novos telegramas da diplomacia norte-americana em todo o mundo. A organização começou na quarta-feira a publicar telegramas até agora desconhecidos, incluindo relatórios diplomáticos confidenciais. Além de Portugal, foram divulgados documentos relativos a Angola, Moçambique e Timor-Leste, entre outros.
                                                                                                                    
Instituições de Solidariedade estão com a corda na garganta
                                                                                                                           
Falta dinheiro para cumprir compromissos, por exemplo, pagar obras. Apoios às instituições de solidariedade tem faltado, diz Pe. Lino Maia. Grande parte das Instituições de Solidariedade Social está com dificuldades económicas. A denúncia é feita por António Figueiredo, da União Distrital de Setúbal, que aponta as instituições de Setúbal, Braga e Aveiro como as mais endividadas. O padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), garante que estes são apenas exemplos da realidade nacional. “Por um lado, são as famílias que não podem suportar as suas comparticipações, por causa do endividamento, desemprego, crise. Também não tem havido aumentos de apoios por parte do Estado”, explica. A falta de verbas é visível, assegura o presidente da CNIS. “Algumas [instituições estão] com obras em curso e com dificuldade em pagar”.
                                                                                                                             
                                                                                                                              
                                                                                                                                      

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Actualidades

Custo de vida sobe em flecha em 2011
                                                                                                                                            
Portagens sobem 2,3% a partir de 1 de Janeiro: Lisboa/Porto vai aumentar 25 cêntimos e a ligação Lisboa/Algarve sobe 30 cêntimos. Nos hospitais centrais, por exemplo, as taxas sobem de 4,50 para 4,60 euros.
                                                   
A subida do IVA e a actualização de preços prevista pela Brisa vão resultar num aumento médio de 2,3% das principais portagens do país. A maior auto-estrada, que liga o Porto a Lisboa, vai passar a ter um custo de 19,95 euros a partir do início do próximo ano, mais 25 cêntimos que o preço actual.
Segundo a Brisa, as tarifas de portagem vão registar uma actualização de 0,6%, valor inferior à inflação. Às taxas actualizadas acresce ainda a subida de dois pontos percentuais, relativas ao aumento do IVA para 23%, o que implica uma variação real média na ordem dos 2,3% nas taxas de portagem.
A ligação entre Lisboa e o Algarve, por exemplo, vai passar a custar 18,95 euros. Contas feitas, significa um aumento de 30 cêntimos. Há mais duas portagens que sobem a partir de Janeiro: a ligação entre Braga e o Porto vai custar mais cinco cêntimos (passa a 2,55 euros) e a A9 (CREL) aumenta igualmente cinco cêntimos - sobe para os três euros. Já a A4 e a A5 mantêm-se com os preços actuais.
                                                        
OS NOVOS PREÇOS A PARTIR DE 2011
                                                                         
A1: Lisboa/Porto - €19,95 ( €0,25)
A2: Lisboa/Algarve - €18,95 ( €0,30)
A3: Braga (Sul)/Porto - €2.55 ( €0,05)
A4: Campo/Ermesinde - €0,6 (inalterado)
A5: Carcavelos (PV) - €1,25 (inalterado)
A9: Estádio/Alverca - €3 ( 0,05€)
                                                                         
Maioria das taxas moderadoras sobe a partir de Janeiro
                                                                                           
A maioria das taxas moderadoras dos serviços e exames no Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumenta a partir de 1 de Janeiro. De acordo com a tabela dos novos preços, as taxas moderadoras das consultas nos hospitais centrais sobe de 4,50 para 4,60 euros. Nos hospitais distritais, as consultas custarão aos utentes do SNS 3,10 euros, quando custavam 3,00 euros. As taxas moderadoras das consultas nos centros de saúde sobem de 2,20 para 2,25 euros.
Nas urgências, as taxas moderadoras da urgência polivalente sobem de 9,40 para 9,60 euros. Na urgência básica e urgência médico-cirúrgica, o aumento é de 8,40 para 8,60 euros. A urgência nos centros de saúde sobe de 3,70 para 3,80 euros. Por alguns serviços e exames no SNS, os utentes continuam a pagar o mesmo pelas taxas moderadoras, nomeadamente nas áreas da dermatologia, genética, imuno-alergologia, oftalmologia e patologia química. Segundo a Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACSS), esta revisão teve em consideração "as perspectivas macroeconómicas previstas no Relatório do Orçamento do Estado para o ano de 2011".
                                                       
Autor de "Voos secretos da CIA" defende apreensão de documentos do Governo
                                                                                                     
Rui Costa Pinto diz que o caso deve ser reaberto, tendo em contas as novas revelações do Wikileaks. Afirma ainda que a actuação do Ministério Público no inquérito sobre o caso foi "desgraçada". O jornalista cujo trabalho originou a investigação do Ministério Público aos voos da CIA em 2007 defende a apreensão de documentos sobre o caso, nomeadamente os que estão na posse do Governo. Rui Costa Pinto, que publicou há dois anos o livro “Voos secretos da CIA, nos bastidores da vergonha”, sustenta que o gabinete do primeiro-ministro deve ser um dos visados.
“Num estado de direito, o Procurador-Geral da República já devia ter ordenado uma apreensão de todos os documentos relativos a esta matéria que pudessem estar no gabinete do primeiro-ministro, no Ministério da Defesa, dos Negócios Estrangeiros, dos Transportes e, quiçá, na presidência do conselho de ministros”, afirma. Rui Costa Pinto considera que o caso tem de ser reaberto, à luz dos novos dados que vão sendo divulgados pelo Wikileaks. “O Ministério Público teve uma actuação desgraçada naquilo que foi o inquérito em 2007. Está visível para todos que há elementos que deviam ser reanalisados”, argumenta Rui Costa Pinto.
O jornalista diz que o Procurador-Geral da República tem agora uma boa oportunidade para corrigir os primeiros resultados e defende que o reinício da investigação deve começar precisamente pela apreensão de documentos em vários gabinetes ministeriais. Do ponto de vista político, o jornalista considera que o Governo tem gerido a situação de forma "lamentável", mas recorda que a utilização do espaço aéreo nacional para a passagem dos voos norte-americanos começou muito antes de José Sócrates. Rui Costa Pinto afirma que o caso remonta "a 11 de Janeiro de 2002, apanhando dois Presidentes da República - Jorge Sampaio e Cavaco Silva - e os primeiros-ministros António Guterres, Durão Barroso e Santana Lopes”.
                                                                                        
Amado volta a negar cumplicidade do Governo nos voos da CIA
                                                                                                                                     
"Não autorizei nenhuma operação ou voo”, garante Amado. Luís Amado reafirmou ontem que não recebeu qualquer pedido formal para que voos de repatriamento da CIA com prisioneiros de Guantanamo sobrevoassem Portugal. "Não autorizei nenhuma operação ou voo de passageiros, precisamente porque não houve nenhum pedido formal nesse sentido", afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros em conferência de imprensa, reagindo aos telegramas diplomáticos norte-americanos na posse do WikiLeaks e publicados no “El País”, segundo os quais José Sócrates e Luís Amado teriam autorizados esses voos. "Nada mais há a dizer além daquilo que já disse em sede da Assembleia da República, em sede do inquérito do Parlamento Europeu, em sede do inquérito da Procuradoria-Geral da República (PGR)", sublinhou o ministro Luís Amado no Palácio das Necessidades, em Lisboa.
O governante repetiu as declarações feitas na comissão de Negócios Estrangeiros, no dia 7. “Quanto aos voos da CIA, que permitiram aos EUA transportar detidos para Guantánamo a partir de 2002, não temos mais nada a dizer. Não há nenhum indício, até ao momento, de que houve autorização de qualquer dos governos portugueses”, afirmou, sublinhando que “não há qualquer prova de cumplicidade ou cooperação”. Na sua intervenção, o ministro explicou terem existido diligências norte-americanas, em Setembro de 2006, para que esses voos se realizassem, aos quais o Governo português contrapôs com a exigência de um "conjunto de garantias" - a operação seria tornada pública após a sua realização, o processo seria acompanhado pela Procuradoria-Geral da República e Portugal teria acesso às fichas completas dos passageiros -, que não tiveram seguimento em Washington.
                                                                                          
Ministro pediu informações
                                                                                                              
Luís Amado afirmou ter pedido informações aos EUA sobre a eventualidade de o espaço aéreo e os aeroportos nacionais terem sido utilizados por aviões da CIA que transportavam detidos suspeitos de terrorismo. “Foram-nos dadas garantias sobre essa matéria, garantias possíveis, aceitei-as como boas. Se se vier a provar o contrário, terá de existir um pedido de desculpas dos EUA e haverá um protesto firme por parte do Governo português”, disse, ressalvando, porém, que “as relações entre os Estados obedecem ao princípio da boa-fé”. Na conferência, o ministro dos Negócios Estrangeiros falou de algumas “notícias e juízos descontextualizados” e “pouco rigorosos”, a propósito da nova documentação libertada pela WikiLeaks. "Sócrates aceitou permitir o repatriamento, caso a caso, de combatentes inimigos a partir de Guantánamo, através da base das Lajes", nos Açores, escreve o embaixador Alfred Hoffman num telegrama enviado de Lisboa a 7 de Setembro de 2007 e citado pelo jornal espanhol “El País”.
                                                                                
Sampaio diz que a diplomacia não pode ter segredos que violem leis
                                                                                                         
"A questão que se coloca é saber qual é o equilíbrio que se pode fazer entre o que deve ser ter conhecimento do que se passa e aquilo que, em alguns casos, deviam ser segredos de Estado", refere o ex-Presidente da República. Jorge Sampaio reconhece que o caso Wikileaks é delicado e levanta problemas ao exercício diplomático. O antigo Presidente da República considera ainda que a diplomacia "não pode ter segredos que violem leis e disposições". “Isto coloca problemas à diplomacia do futuro e, sem dúvida, toda a diplomacia tem alguma dose de segredo, mas não pode ter segredos que violem leis e disposições. Aí sim, é bom que se saiba o que acontece”, diz o ex-chefe de Estado.
Jorge Sampaio defende um equilíbrio na gestão da informação. “A questão que se coloca é saber qual é o equilíbrio que se pode fazer entre o que se deve conhecer [publicamente] e aquilo que, em alguns casos, devia ser segredo de Estado. Não gosto do anonimato, gosto que as pessoas conheçam o que está a ser dito." O ex-Presidente da República falava durante a sessão de abertura do Fórum Internacional Integração de Imigrantes, que decorre hoje e sexta-feira em Lisboa, no âmbito do Dia Internacional do Migrante, que se assinala no sábado. O site Wikileaks tem estado a divulgar documentação secreta da diplomacia norte-americana, através de vários jornais internacionais. Alguma dessa informação envolve Portugal, nomeadamente no caso dos voos da CIA ou de eventuais ligações entre o BCP e o Irão.
                                                                                                 
Fundador do Wikileaks foi libertado sob caução
                                                                                                       
Assange vai ter de usar um localizador electrónico e de se apresentar regularmente às autoridades. O fundador do WikiLeaks foi libertado sob caução. O juiz do Tribunal Superior londrino rejeitou o recurso apresentado pelos advogados que defendem os interesses da Suécia, que pediam a extradição de Assange para o julgar num processo de crimes sexuais. Julian Assange terá de pagar uma caução de 200.000 libras, ou seja, 236.227 euros. A partir de agora, deve apresentar-se diariamente às autoridades e tem de utilizar um localizador electrónico.
Numa curta declaração à saída do tribunal, Assange prometeu continuar com o trabalho que tem realizado e lutar para que seja reconhecida a sua inocência. "Espero continuar o meu trabalho e continuar a afirmar a minha inocência àcerca deste caso e a revelar - assim que estiverem na minha posse, o que ainda não aconteceu - as provas desta alegação". Julian Assange aproveitou para deixar uma série de agradecimentos: "A todas as pessoas no mundo que tiveram fé em mim, que apoiaram a minha equipa enquanto estive detido, aos meus advogados que têm vindo a travar uma batalha corajosa e, até ver, com sucesso, às autoridades e às pessoas que forneceram dinheiro, aos jornalistas que não se deixaram enganar e fizeram o seu trabalho da maneira mais profunda possível e, finalmente, ao sistema judicial britânico onde, pelo menos, a justiça ainda não está morta".
Os advogados de Assange denunciam o "timing" do processo, que ganhou força no momento em que o site WikiLeaks divulgou centenas de milhares de documentos confidenciais de embaixadas dos Estados Unidos, e garantem que a acção tem motivações políticas. O fundador do WikiLeaks deverá ficar numa casa de campo com 10 quartos, numa propriedade com 2,4 quilómetros quadrados, perto de Bungay, no oeste de Inglaterra, a cerca de 200 quilómetros de Londres. A habitação foi oferecida por Vaughan Smith, um jornalista e antigo militar, cujo clube de jornalistas em Londres também abrigou o australiano antes da detenção, há nove dias. O australiano Julian Assange, de 39 anos, foi detido a 7 de Dezembro no âmbito de um mandado de captura europeu, emitido pelas autoridades suecas, sob a acusação de um acto de coerção, dois actos de agressão sexual e um de violação, alegadamente cometidos em Agosto.
                                                           
Francisco Assis envia recados ao grupo parlamentar socialista.
                                                                                                             
O líder parlamentar do PS diz que é preciso evitar extremos que venham a pôr em causa a acção do Executivo liderado por José Sócrates. Francisco Assis falou para o grupo parlamentar que lidera. Numa alusão indirecta aos deputados que defendem o fim da disciplina de voto - e que quase levaram à sua demissão - Assis sublinha os valores da coesão e da responsabilidade. “Desiludam-se aqueles que esperariam que, em nome da coesão, nós algum dia puséssemos em causa a nossa própria liberdade. Isso nunca acontecerá. Mas também se desiludam aqueles que nós somos tão irresponsáveis que alguma vez utilizaremos o álibi da liberdade para perdermos a nossa coesão. Nós somos um partido de homens livres e um grupo parlamentar coeso”, afirma.
O líder parlamentar lançou depois um alerta para o discurso a assumir. Há que evitar extremos que venham a pôr em causa a acção do Executivo liderado por José Sócrates. “Nós o que temos que fazer é um discurso de rigor e de verdade. Isso tem que nos levar a evitar dois erros excessivos e igualmente contraproducentes: o optimismo ilusório, de quem acha que tudo está bem e, por isso, mesmo não há nada de substancialmente diferente a fazer. É uma ilusão e os portugueses perceberiam que se trataria de uma ilusão”, argumenta Francisco Assis. O socialista diz que é de evitar pensar o contrário: “que tudo está mal, que tudo o que fizemos está mal e temos que arrepiar caminho. É um discurso perigoso. É o discurso do tanto pior, melhor. É um discurso oportunista e mentiroso e não corresponde à verdade e quem a ele recorre, fá-lo com o único intuito de por em causa e em dificuldades quem neste momento está a governar”.
A deixa foi aproveitada pelo ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão para deixar falar para fora do partido. A crise exige confiança e consensos políticos. “É muitíssimo mais importante que nos ajudem a participar num jogo que seja um jogo positivo, de mobilização de energias e não aquele que é o aparatosamente desejado por alguns espíritos, que me permito classificar de necrófagos, que são aqueles que estão permanentemente à espera de poder identificar onde esteja uma solução à beira da exiguidade para aí poder mostrar a sua virulência”, sublinha Lacão. Nesse sentido, fica um aviso concreto ao PSD para que não ponha em causa a execução do OE 2011 que os próprios sociais-democratas aprovaram. Lacão aponta desde já uma contradição. “Aquilo que ontem teve lugar na Assembleia da República, com uma votação, que vem alterar as regras relativamente a determinação de condições de recurso para a atribuição das prestações sociais a ser aprovado, nos termos em que o foi, compromete, naturalmente, aspectos da receita ligados ao Orçamento do Estado para 2011”, acusa o socialista.
Por isso, sublinha, “não se pode ter duas atitudes. Num momento, viabilizar o Orçamento, no outro momento, enunciar medidas que comprometam as condições concretas de execução desse mesmo Orçamento”. Um argumento reforçado por Francisco Assis que lembra que, no que toca à consolidação orçamental, a história demonstra que há mais resultados nos governos socialistas do que nos liderados pelo PSD. “De uma vez por todas, é bom que fique claro, que quem em Portugal mais avançou com a disciplina orçamental foi a esquerda e não foi a direita. Foi o PS e não foi o PSD”, diz o líder da bancada socialista. Foram notas a marcar o arranque de mais umas jornadas parlamentares do PS, que decorrem até sábado no distrito do Porto. Economia e desenvolvimento são temas de uma agenda que encerra no próximo sábado com a intervenção do secretário-geral José Sócrates.
                                                                                        
Corrupção: Detido inspector de serviço de inspecção pública
                                                                                                                   
Detenção ocorreu quando o funcionário recebia dinheiro como contrapartida da omissão de actos inerentes ao cargo. No âmbito de uma investigação que desencadeou junto da Autoridade para as Condições do Trabalho, a Policia Judiciária deteve um inspector daquela entidade por suspeita de corrupção. Foi detido em flagrante delito, quando exigia cerca de 1000 euros a um construtor civil, para ignorar algumas irregularidades detectadas durante uma inspecção. A operação da Judiciária implicou a realização de quase duas dezenas de buscas, não só em residências e empresas, mas também dentro da própria Autoridade para as Condições do Trabalho. Depois de ouvido em Tribunal, o detido, com 56 anos de idade, ficou sujeito ao pagamento de uma caução de 10 mil euros, tendo também visto decretada a suspensão da actividade. Contactada a Direcção da Autoridade confirma a detenção do seu inspector, que aconteceu nas próprias instalações, mas não quer para já fazer qualquer comentário.
                                                                         
                                        

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Governo na "berlinda" do Wikileaks

Sócrates aprovou uso da base das Lajes
                                                                                                                                 
Telegrama secreto, de Setembro de 2007, está a ser avançado pelo jornal El País”, citando o site Wikileaks. O gabinete do primeiro-ministro reafirma que houve contactos com os Estados Unidos, mas de Washington nunca veio um pedido formal.
                                       
O primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, autorizaram o sobrevoo de território nacional por aviões norte-americanos com prisioneiros repatriados da prisão de Guantánamo e a utilização da base das Lajes caso a caso, naquela que é uma decisão nunca tornada pública. A informação está a ser avançada pelo “El País”, citando mais mensagens divulgadas pelo Wikileaks. “Sócrates aceitou permitir o repatriamento de combatentes inimigos de Guantánamo através da base das Lajes”, lê-se no telegrama de 7 de Setembro de 2007 escrito pelo embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Alfred Hoffman.
O documento entregue pelo Wikileaks ao jornal "El País" diz ainda que se trata de uma "decisão difícil devido às críticas constantes dos órgãos de informação portugueses e de elementos da esquerda do seu próprio partido à acção do Governo na polémica dos voos da CIA". O embaixador fala ainda na investigação levada a cabo pelo DCIAP [departamento Central de Investigação e Acção Penal] sobre os voos da CIA. Explica Alfred Hoffman que não sabe se será arquivada, mas cita a opinião de funcionários e de académicos que acreditam que o caso não tem pernas para andar, como se veio a verificar. O gabinete do primeiro-ministro, José Sócrates, que reafirma que houve contactos com Lisboa, mas nunca chegou a existir qualquer pedido formal para a passagem ou aterragem de aviões com prisioneiros de Guantánamo. Esta é mais uma das 251 mil mensagens a que o Wikileaks teve acesso e que estão a ser divulgadas aos poucos.
                                                                                       
Governo desmente pedido para utilização de base das Lajes pela CIA
                                                                                                                     
É a resposta a mais um documento secreto revelado pelo “El País”, citando o site Wikileaks. O gabinete do primeiro-ministro reafirma que houve contactos com os Estados Unidos, mas de Washington nunca veio um pedido formal para a passagem de voos e a utilização das Lajes por aviões que transportavam prisioneiros de Guantánamo. O assessor diplomático de José Sócrates, em 2007, diz ainda, à Renascença, que não sabe nada sobre este assunto, que sempre esteve entregue ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Ex-assessor de Sócrates nega conhecimento de voos ilegais nas Lajes. Jorge Roza Oliveira era o assessor diplomático do primeiro-ministro e, à Renascença, diz não saber de nada sobre voos ilegais. "Não sei, a sério, não estava dentro deste assunto. Nunca tive qualquer envolvimento e não lhe sei responder a essas perguntas. Quem tem sido interveniente neste assunto, desde o princípio, é o ministro dos Negócios Estrangeiros".
O diplomata diz que foi mal citado pelo embaixador e dá o exemplo do caso de Ana Gomes. Jorge Roza Oliveira desmente que tenha dito que a eurodeputada socialista é pior do que um rottweiller solto. "O que costumo dizer de pessoas insistentes e que não largam os assuntos é: «Qual é a diferença entre fulano e um rottweiller, é que o rottweiller larga». Tenho pena que o embaixador tenha posto para a história a minha frase mal citada". Jorge Roza Oliveira é também citado no "El Pais" como o protagonista de um telegrama de Janeiro de 2007, ainda não revelado. Segundo o jornal, o diplomata terá reconhecido a passagem de voos por Portugal, sendo o primeiro representante do Governo português a fazê-lo, porém, Jorge Roza Oliveira desmente.
Esta noite, o jornal “El País” revelou mais um telegrama enviado pela embaixada dos Estados Unidos em Lisboa para a Casa Branca, em Setembro de 2007. Segundo o documento, o primeiro-ministro português autorizou a passagem de voos de repatriamento de prisioneiros de Guantánamo e a utilização da base das Lajes, numa base de caso a caso, uma decisão nunca tornada pública. Do gabinete do ministro português dos Negócios Estrangeiros a resposta a estas questões é que Luís Amado "já explicou tudo o que havia para explicar em sede de comissão parlamentar" sobre os voos de repatriamento de prisioneiros de Guantánamo. Fonte do gabinete do ministro afrimou à Lusa que, nos telegramas divulgados pelo Wikileaks, o que se refere é que "na condição de se verificarem todos os requisitos exigíveis pela lei portuguesa", esses voos poderiam ser autorizados, o que "nunca aconteceu".
                                                                                           
Governo dá "luz verde" ao fundo de apoio aos despedimentos
                                                                                                                     
O Conselho de ministros aprovou 50 medidas nas áreas da competitividade da economia e do mercado de trabalho, exportações, simplificação administrativa e redução dos custos de contexto. O Governo aprovou ontem um conjunto de 50 medidas, entre as quais está um fundo de apoio aos despedimentos criado nas empresas, para ajudar a pagar as indemnizações por cessação dos contractos de trabalho. As medidas foram apresentadas no final do Conselho de Ministros pelos titulares das pastas das Finanças, Teixeira dos Santos, da Economia, Vieira da Silva, do Trabalho, Helena André, e da Presidência, Vieira da Silva. A criação do fundo de apoio aos despedimentos só se aplica a novos contratos e ainda vai ser discutida com os parceiros sociais. As negociações em sede de Concertação Social arrancam na próxima semana e deverão estar concluídas até ao final de Março.
A ministra do Trabalho, Helena André, não se compromete, por agora, com limites às indemnizações, mas a ideia é impor um tecto e que a entrada em vigor aconteça o mais depressa possível. “Nós vamos começar na próxima semana o processo de discussão na Concertação Social dessas matérias. O Governo tem a intenção de poder encerrar as diferentes matérias até ao final do mês de Março, portanto, a entrada ou não em vigor desde novo mecanismo de financiamento dependerá daquilo que será o resultado das discussões em sede de Concertação Social”, disse Helena André. “Estamos muito confiantes que esta proposta interessa também às associações empresariais e trata-se de definir os detalhes em relação a este mecanismo de financiamento e de procurar que ele entre em vigor o mais rapidamente possível”, salientou a ministra.
Helena André garante que estas medidas não implicam alterações à lei dos despedimentos e que está fora de questão uma contribuição pública para as indemnizações a conceder pelas empresas aos trabalhadores despedidos. “O que o Governo aprovou não implica nenhuma alteração à lei dos despedimentos, em segundo lugar, não haverá nenhuma contribuição pública para pagar aquilo que é devido pelas empresas em termos de indemnizações e cessação de contratos por despedimento”, explicou a ministra do Trabalho. As 50 medidas aprovadas pelo Governo abarcam as áreas da competitividade da economia, competitividade do mercado de trabalho, exportações, simplificação administrativa e redução dos custos de contexto.
                                                                                   
Sócrates explica medidas aos parceiros mas não convence CGTP
                                                                                                                
Arménio Carlos é contra o fundo para os despedimentos porque, diz, destina-se a “despedir mais facilmente e, acima de tudo, despedir com indemnizações mais baixas”. Só a CGTP não esteve presente na foto final do encontro entre o primeiro-ministro e os parceiros sociais. A intersindical foi a única a criticar o pacote de 50 medidas para a competitividade e o emprego, aprovada em Conselho de Ministros. Arménio Carlos, da CGTP, diz que se trata de um documento desequilibrado. É "um documento desequilibrado porque aposta nos apoios às empresas mas não responde a nenhum problema dos trabalhadores", afirmou Arménio Carlos.
Quanto ao anunciado fundo para ajudar nas indemnizações pagas pelos despedimentos, a CGTP diz que não ficou esclarecida sobre a forma como o mesmo será constituído, mas recusa que “o dinheiro da segurança social, nem o dinheiro dos contribuintes” possa “ser usado para garantir este fundo e acima de tudo com o objectivo que ele tem”. Segundo Arménio Carlos, este fundo destina-se a “despedir mais facilmente e, acima de tudo, despedir com indemnizações mais baixas”. No final do encontro, José Sócrates disse que o Governo está disponível para “discutir na concertação social para ampliar, se for necessário, o número e a extensão destas medidas”. Também João Proença, da UGT, espera que outras matérias sejam discutidas com os parceiros, nomeadamente o salário mínimo. “Nós dizemos que é essencial discutir outras matérias, nomeadamente, o salário mínimo e esperamos que, nessa matéria, também seja possível avançar de um modo positivo”, frisou João Proença.
Do lado dos patrões, António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, pede a mobilização de todos para enfrentar o futuro. “Todos têm que se mobilizar para vencermos estes enormes desafios que temos pela frente. Aquilo que o Governo hoje apresentou aos parceiros sociais - e estou aqui a falar em nome das confederações patronais - foi uma agenda para a competitividade e emprego”, frisou António Saraiva. O presidente da CIP diz que o importante é “promover o crescimento económico e reduzirmos o desemprego”. O Governo parte amanhã para Bruxelas com a foto quase composta e o pré-acordo da maioria dos parceiros sociais às 50 medidas de estímulo à economia que deverão entrar em vigor no próximo ano.
                                                                                                                  
Medidas apresentadas pelo Governo são “para Bruxelas ver", diz PSD
                                                                                                                           
O líder parlamentar do PSD defendeu a adopção de "verdadeiras reformas” para que Portugal cresça economicamente e não continue "num caminho de empobrecimento". O líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, considerou ontem que o Governo aprovou "medidas para Bruxelas ver" e que, embora algumas pareçam "positivas", não correspondem às reformas necessárias para promover o crescimento económico do país. Em declarações aos jornalistas, no Parlamento, Miguel Macedo começou por referir que "foram adoptadas 50 medidas" pelo Governo, no Conselho de Ministros de hoje, mas que o PSD não conhece "na íntegra o conteúdo dessas medidas".
Miguel Macedo lembrou que o PSD tem defendido a necessidade de "uma agenda para o crescimento e para combater o desemprego". "O que queremos destacar é que o Governo não pára de dar a imagem de vir sempre a reboque dos acontecimentos. Já há muito tempo que estava identificada esta necessidade. O Governo resistiu, pelos vistos, até ao limite, e agora acaba por tomar aqui umas medidas que, com toda a franqueza, não nos parece que correspondam às reformas estruturais de que o país carece", disse, depois. "Parecem mais medidas para Bruxelas ver. Com certeza, apreciaremos estas medidas. Em princípio, algumas das que são conhecidas, resultantes do comunicado do Conselho de Ministros, parecem-nos positivas, vão no bom sentido, mas parece-nos também que não vão ao fundo dos problemas", completou.
O líder parlamentar do PSD defendeu a adopção de "verdadeiras reformas, que marquem uma ruptura com aquilo que se tem passado até agora" para que Portugal cresça economicamente e não continue "num caminho de empobrecimento". Questionado sobre qual é a reforma laboral que o PSD defende, Miguel Macedo respondeu: "Com a reserva de conhecermos aquilo que foi tomado público, que não é certamente tudo, parece-nos também que esse é um exemplo de uma reforma que não vai ao fundo dos problemas".
"O que nós constatamos é que, desde o momento em que o PSD anunciou que era necessário fazer uma reforma a sério neste domínio, toda a polémica política que se gerou em torno desta matéria, passaram-se vários meses e o Governo agora vem com algumas medidas neste domínio, que nos parecem positivas, mas não me parece que configurem uma verdadeira reforma num domínio absolutamente essencial para o país", acrescentou. O Governo aprovou hoje um conjunto de 50 medidas com as quais disse querer melhorar a competitividade e promover o emprego, em torno de cinco eixos: competitividade da economia e apoio às exportações; simplificação administrativa e redução dos custos de contexto para as empresas; competitividade do mercado de trabalho; reabilitação urbana e dinamização do mercado de arrendamento; e combate à informalidade, fraude e evasão fiscal e contributiva.
                                                                                          

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Wikileaks "mexe" com Portugal

Cavaco diz que diplomatas americanos têm muita "imaginação"
                                                                                                                     
Presidente da República reage aos telegramas dos diplomatas norte-americanos divulgados pelo Wikileaks e que o envolvem directamente. A caução reclamada a Assange ascende a cerca de 238 mil euros.
                                               
Cavaco Silva atribui à imaginação dos diplomatas o retrato que é feito de si nos telegramas enviados pela embaixada norte-americana em Lisboa para Washington, recentemente divulgados pelo Wikileaks. O Presidente refuta a ideia de ter ficado ofendido por não ter sido recebido por George W. Bush na Casa Branca. “As imaginações e os juízos dos senhores embaixadores dos Estados Unidos em Portugal só eles podem, de facto, esclarecer, mas penso que praticamente não se referem a mim. Apenas dizem que gostaria de ter ido à Casa Branca. E eu sei que há muitos políticos que gostam de ir à Casa Branca para ficar na fotografia do seu currículo”.
Cavaco Silva lembra que esta é uma “casa”que nenhum português conhece tão bem como ele.“Penso que sou o político português que mais vezes esteve na Casa Branca. Com o Presidente Reagan estive duas vezes, com o Bush «pai» várias vezes, estive lá com o Presidente Clinton e até conheço a residência particular dos presidentes, pois não estive apenas na Sala Oval, estive em todas as salas privadas “. Outra afirmação atribuída ao chefe de Estado é que em Portugal a imprensa é suave. Se o disse, não se lembra, ou então, mais uma vez, são os embaixadores estrangeiros. “Os embaixadores as vezes são bastantes imaginativos e, como disse, às vezes gostam de escrever aquilo que os patrões gostam de ler nas mensagens que mandam para as suas sedes”.
                                                                                                                                    
"Não irei atacar ninguém"
                                                                                                                           
Cavaco Silva atribui ao desespero os mais recentes ataques da candidatura de Manuel Alegre. "Não é a primeira vez que isso acontece. Mas, às vezes as pessoas em estado de desespero não olham a meios", notou, referindo-se às declarações de Manual Alegre no domingo, quando o candidato apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda disse que deu "o nome à PIDE a dizer que tinha bom comportamento", numa alusão a um artigo publicado pela revista "Sábado". O actual Presidente diz que registou a tentativa da candidatura adversária de o “colar” ao antigo regime, mas diz não se lembrar de ter dado o nome à PIDE a dizer que tinha bom comportamento. Se o fez foi porque a formalidade era necessária no contexto do trabalho que desenvolveu em Moçambique para a Fundação Gulbenkian. "Todos os candidatos me merecem o maior respeito, não irei atacar ninguém, mas há um conselho que dou: o desespero não é bom conselheiro", afirmou Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas depois de ter formalizado a sua candidatura às eleições de 23 de Janeiro.
                                                                                     
UE incita Estados-membros a esclarecerem opinião pública
                                                                                                      
O presidente da Comissão Europeia garante que a instituição que dirige fez tudo o que estava ao seu alcance para proporcionar o máximo de informações ao Parlamento e à opinião pública europeia. Durão Barroso diz que a Comissão Europeia fez tudo o que podia para esclarecer a opinião pública sobre os voos da CIA. O presidente da Comissão, que respondia a questões de eurodeputados em Estrasburgo, incitou os Estados-membros a esclarecerem todas as dúvidas, no plano nacional.
“Os Estados-membros devem dar todos os esclarecimentos. Eu tenho a confiança que o farão, como Estados democráticos que são e sei que, em alguns Estados-membros, algumas iniciativas foram tomadas para esclarecer a opinião pública em relação a determinadas operações de que foram acusados”, afirmou Barroso perante os eurodeputados, em Estrasburgo. Em relação à Comissão Europeia, Durão Barroso garante que “fez tudo o que estava ao seu alcance para proporcionar o máximo de informações a este Parlamento e à opinião pública europeia”.
                                                                                                       
Recurso trava libertação do fundador do Wikileaks
                                                                                                       
Julian Assange deverá ficar detido pelo menos mais 48 horas. Entretanto, passa mensagens através... da mãe. O fundador do site Wikileaks vai continuar detido por mais dois dias, depois de o ministério público ter manifestado a intenção de recorrer da decisão de libertar Julian Assange, sob fiança. Assange foi detido na terça-feira em Londres, em resultado da emissão de um mandado de captura internacional, para ser extraditado para a Suécia, onde é suspeito de abusos sexuais contra duas mulheres. Um juiz britânico decidiu hoje que o fundador do Wikileaks poderá sair em liberdade após pagar uma fiança de cerca de 235 mil euros. Momentos depois, as autoridades suecas confirmaram a intenção de apresentar um recurso contra a liberdade condicional concedida ao australiano, de 39 anos. O recurso terá agora, segundo os regulamentos, que ser apreciado no espaço de 48 horas, provavelmente no Tribunal Superior de Londres.
                                                                                                                               
Michael Moore oferece 20 mil euros para ajudar a pagar caução de Assan
                                                                                                                           
Realizador norte-americano está solidário com o fundador do Wikileaks que continua detido em Londres. O realizador de cinema Michael Moore ofereceu 20 mil euros ao fundador do portal Wikileaks, Julian Assange, para o ajudar a pagar a caução reclamada pelas autoridades britânicas. O cineasta anunciou ainda que coloca o seu próprio "site" e o seu servidor à disposição para ajudar o Wikileaks a continuar a difundir informações secretas.
O fundador do WikiLeaks está detido em Londres, onde um tribunal decidirá se atende o pedido de extradição apresentado pela Suécia, onde é acusado de crimes sexuais. No comunicado em que anuncia a sua ajuda a Assange, o cineasta norte-americano refere que os advogados deste já têm um documento para apresentar ao juiz a atestar a entrega de 20 mil euros. “Embarcámos na guerra no Iraque com base em mentiras. Centenas de milhares de pessoas morreram. Imaginem apenas o que teria ocorrido se os homens que planearam este crime de guerra em 2002 tivessem que lidar com o WikiLeaks", escreve Michael Moore. Várias personalidades, incluindo os cineastas britânico Ken Loach e australiano John Pilger, também já propuseram pagar uma parte desta caução.



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Wikileaks e o Caso Maddie

Polícia britânica suspeitou dos país de Madeleine
                                                                                                                            
Telegrama da embaixada dos Estados Unidos, citado pelo “El País”, implica Gerry e Kate McCann. O jornal "El País" refere que este é o único telegrama – do leque de 250 mil obtidos pela organização WikiLeaks – que menciona o caso do desaparecimento de Madeleine da Praia da Luz.
                                                
A polícia britânica tem suspeitas sobre o envolvimento dos pais de Madeleine McCann no desaparecimento da filha, em Maio de 2007. É o que se lê em mais uma mensagem secreta divulgada pelo site Wikileaks, citada pelo “El País”. O embaixador norte-americano em Lisboa, Alfred Hoffman, informa Washington que seu homólogo britânico, Alexander W. Ellis, lhe confidenciou, em Lisboa a 21 de Setembro, que a polícia britânica tinha suspeitas sobre os pais de Madeleine e que estaria a trabalhar em conjunto com as autoridades portuguesas. "Sem aprofundar nos detalhes do caso, Ellis admitiu que a polícia inglesa tinha desenvolvido as provas actuais contra os pais McCann, destacando que as autoridades dos dois países [Portugal e Reino Unido] estavam a cooperar", escreve o embaixador no telegrama de 28 de Setembro, descrito como "confidencial".
O diploma britânico admitiu ainda ao diplomata norte-americano que a atenção da imprensa era esperada e “aceitável” desde que “os oficiais do governo mantivessem os seus comentários à porta fechada”. Perante o interesse mediático no caso, que correu mundo, o embaixador britânico em Lisboa, achou por bem manter o silêncio, segundo diz o telegrama enviado de Lisboa para Washington. O jornal "El País" refere que este é o único telegrama – do leque de 250 mil obtidos pela organização WikiLeaks – que menciona o caso do desaparecimento de Madeleine da Praia da Luz. Contactado ontem para comentar, Alexander W. Ellis não quis comentar este caso.
Entretanto, o porta-voz do casal McCann desvalorizou, à Lusa, a referência feita pelo então embaixador britânico em Portugal de que tinha sido a polícia inglesa a encontrar provas contra os pais de Madeleine, considerando-a uma "nota completamente histórica", desactualizada. "Esta é uma nota completamente histórica que tem mais de três anos" e que deve ser lida tendo em conta o contexto em que ocorreu. Clarence Mitchell lembrou que, desde então, "Kate e Gerry viram o seu estatuto de arguidos levantado, com as autoridades portuguesas a tornar perfeitamente claro que não havia absolutamente qualquer prova que os implicasse no desaparecimento de Madeleine".
"Até hoje, continuam a trabalhar sem parar na procura da filha deles, colaborando quando é apropriado tanto com as autoridades portuguesas como britânicas", concluiu.
                                                          
Wikileaks revela críticas a comunicações da Santa Sé
                                                                                               
Porta-voz do Vaticano critica site que revela e-mails secretos do Departamento de Estado americano. A Santa Sé sofre de um grave problema de comunicação entre os seus diferentes departamentos e a maioria das grandes figuras sofre de “tecnofobia”, consideram os diplomatas americanos na Santa Sé. Os autores dos telegramas revelados lamentam o facto de apenas um dos principais conselheiros do Papa, no caso o porta-voz Federico Lombardi, ter um Blackberry, sendo que a maioria dos restantes nem têm e-mail.
A dificuldade das principais figuras do Vaticano em lidar com as novas tecnologias, e as consequentes falhas de comunicação entre diferentes departamentos, está na raiz dos principais incidentes diplomáticos, afirmam ainda os telegramas. Os diplomatas americanos revelam ainda alguma preocupação em relação ao Cardeal Bertone, de cujo carácter desconfiam, temendo que não haja ninguém próximo do Papa que se encarregue de lhe transmitir visões diferentes da sua. Bertone é descrito como um “yes man”, alguém que concorda sempre com a opinião do seu chefe.
                                                                                          
Vaticano condena fugas do "Wikileaks"
                                                                                                                                    
Em comunicado, a Sala de Imprensa da Santa Sé critica a revelação de material secreto, uma situação que considera ser de "extrema gravidade". “Naturalmente, estes relatórios reflectem as opiniões e as percepções das pessoas que os escreveram e não podem ser consideradas como expressões da própria Santa Sé, nem como citações exactas dos seus responsáveis”, pode ler-se. Nesse sentido, a Santa Sé pede “reserva e grande prudência” na avaliação da credibilidade destes documentos.
Além dos temas acima mencionados, há referências à forma como o Vaticano terá recusado colaborar com as autoridades irlandesas no caso dos abusos sexuais praticados por membros do clero. Segundo um telegrama divulgado, “o Vaticano é da opinião de que o Governo irlandês falhou no respeito e na protecção da sua soberania durante as investigações” e adianta que várias figuras da Santa Sé ficaram “ofendidas” pelos pedidos de colaboração que receberam de Dublin.
Finalmente, um outro telegrama refere a preocupação do embaixador britânico com a visita do Papa ao seu país, que se realizou em Setembro. Francis Campbell lamenta que o Papa tenha decidido criar ordinariatos pessoais para integrar anglicanos que queiram entrar na Igreja Católica e teme que isso torne a visita um fracasso, avisando mesmo para o perigo de episódios de violência anti-católica. Felizmente as previsões dramáticas do diplomata foram totalmente erradas. Não só não se registou qualquer acto de violência, como a visita papal foi considerada um singular sucesso.