Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Opinião

As últimas de um País em Carnaval!
                                                                                                                                       
Cavaco fez meia volta quando já estava quase a chegar à escola António Arroio - a alegria que demonstrou no ano passado por ver estudantes a protestar na rua desapareceu. O ministro português das Finanças curvou-se ao lado do ministro das Finanças alemão - nem o facto de Schauble andar numa cadeira de rodas retira à imagem dos homens a sussurrar qualquer coisa de emblemático. O Governo mandou imprimir a 120 euros por exemplar um livro com o programa de Governo - o conteúdo pode não ser grande coisa mas o papel é do melhor. Passos Coelho foi apupado entre populares, e fez orelhas moucas... Marcelo continua na "sua saga" a caminho da Presidência... As suas intervenções na TV são sempre mais um momento de campanha. São só isso.
                                                                 

Há sempre uma aura triste no fim de um Carnaval. Por mais fingida ou plástica a alegria que tenha presidido aos dias de festejo do Rei Momo. As aparências todas estão reluzentes, mas por de trás dos nossos tímidos passos e sorrisos há uma angustia de preocupação com o futuro próximo. Os dias de festa são anestésicos da realidade. Desvios prazeirosos com fim à vista. Boas doses de felicidades concretas ou artificiais, que terminam. Existe um sentimento de negação do fim. Mas, (in)felizmente todo o Carnaval tem o seu. E como é duro e difícil encarar tudo o que (de bom) acabou... O que quer tenha sido. Encarar a quarta-feira de cinzas. O pior dia do ano. O mais depressivo e solitário. Há um contraste de comportamento, porque continuamos no caminho do calvário. Somos obrigados a pensar, a seguir em frente, sem saber bem para onde. A dar um jeito nas acções e na coragem para enfrenta-las.
Mas ao mesmo tempo o Carnaval serve para sorrirmos e gozar com o engraçado, o divertido das coisas, ainda que sub-entendidas nas entrelinhas... Contemplar a felicidade na cara das crianças. A celebração dos momentos, das companhias com conversas cheias. Serve para não pensar durante minutos, horas, se possível. E sim, aproveitar a vida com o que resta de alegria. A ocupação numa bebida, as gargalhadas, da audição dos sambas que mais não são que alegres fados, embora os verdadeiros sejam cheios de ilusões perdidas. O samba de raiz; entenda-se Noel, Cartola, Nelson Cavaquinho, entre tantos outros, podiam ser Amália, Marceneiro ou Hermínia Silva, porque são a manifestação dos sentimentos sinceros, das agruras e das satisfações vividas.
Portanto, deparamos-nos com a tristeza. Não há como fugir dela. Ela também é essencial, tanto quanto a alegria. Então, há de se prestar atenção estritamente ao que nos acontece em redor, para facilmente chegar-mos à conclusão que desde sempre vivemos num país  carnavalesco em cada dia que passa.

- Quanto é que ganha um caluniador de serviço? O CM continua a ser um jornal de "pérolas" jornalísticas, ao serviço do Curral das Freiras. Comento dois excertos de duas entrevistas que me vieram parar às mãos, enquanto sentado numa sala de atendimento público. Na 1ª. entrevista, li: CVM – O João Miguel Tavares decreta “um adeus sem saudades a Pinto Monteiro”, o Procurador-Geral da República…
JMT – Porque ele deu uma entrevista quase de despedida, de final de mandato, à Judite de Sousa. Eu não gostei nada da entrevista, mas ao mesmo tempo tinha aquele saborzinho bom de “oh, pá… acho que é a última vez que o vou estar a ouvir…”. E portanto eu gostei muito disso. Ele disse: “quero ser relembrado como um beirão de coragem”. Ele como beirão acho que vai ser relembrado, como de coragem é que duvido.
João Miguel Tavares é um caluniador profissional: alguém que é remunerado por órgãos de comunicação social para, entre outros serviços menores, caluniar. Deve a Sócrates a melhoria do seu nível de vida, tendo sido contratado pelo Correio da Manhã como vedeta antisocrática na sequência das calúnias que lançou contra um cidadão e contra um primeiro-ministro. Calúnias sem alcance legal, como se descobriu desde o arquivamento pelo Ministério Público do processo movido por Sócrates até ao acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, passando pelo Tribunal de Instrução Criminal. Mas calúnias com alcance moral, fazendo parte das campanhas de assassinato de carácter que invadiram a comunicação social a partir do episódio OPA da PT e imediata alteração da linha editorial do Público, iniciando-se uma vingança em registo de caça ao homem que iria ocupar a enorme maioria dos publicistas até às eleições de 2011.
Nesta passagem, atacando Pinto Monteiro continua Sócrates a ser o seu alvo obsessivo. O caluniador declara que o Procurador-Geral da República não foi corajoso ao longo do tempo em que exerceu as suas funções. As razões de tal opinião não foram sequer enunciadas, mas, com uma probabilidade que ultrapassa os 200%, o caluniador estará a falar dos casos que envolveram Sócrates. A ideia que deixa implícita é a de que algo terá ficado por fazer, precisamente aquilo que a aludida coragem levaria a ter sido feito. E era o quê? Levar Sócrates a tribunal, claro, usando os abundantes pretextos que foram recolhidos por tanta gente, onde se incluem o casal Moniz, os magistrados de Aveiro e o Pacheco Pereira.
O caluniador tem direito a conceber o Estado de direito como aquela coisa que mete na cadeia aqueles que o caluniador odiar, haja ou não provas. Podemos até considerar que o caluniador tem direito a fazer disto a sua vida, fazendo-se cobrar pelo veneno que liberta das vísceras no espaço público. O que lamento, ou o que me falta perceber, é que não haja a oportunidade do caluniador levar até ao fim a sua valentia. Por exemplo, chamar cobarde a Pinto Monteiro cara a cara. Ou usar a sua coluna no Correio da Manhã, juntamente com a sua carteira de jornalista, para demonstrar que Pinto Monteiro é corrupto. Porque é isso, e nada menos do que isso, que o caluniador está a dizer no embrulho de um programa radiofónico supostamente humorístico.
Não existe a figura da coragem quando se trata de cumprir a Lei na presidência da Procuradoria-Geral da República – mesmo que se trate desse tipo especialíssimo de coragem ao gosto do caluniador oficial, a qual consiste em arrastar na lama certas pessoas até à destruição completa do seu bom nome e credibilidade política. O que existe é a responsabilidade de Pinto Monteiro, a sua palavra, a sua honra, aqui achincalhadas por mais um dos infelizes que utilizam a sua projecção mediática para envilecer a democracia.
Quanto ganha por mês este caluniador de serviço?
- Na 2ª. entrevista, esta com António Capucho - fundador do PSD e ex-Conselheiro de Estado, li... vá-se lá saber porquê, ele a dizer que Passos é obrigado a ser liberal... “Criticou duramente o anterior Governo por estar a destruir o Estado Social. Este Governo não está a seguir o mesmo caminho?
AC - Em defesa deste Governo, tenho de dizer que está a fazer aquilo a que o anterior Governo se comprometeu, que o País e o Estado se comprometeram. De facto, as prestações sociais baixaram em todos os sentidos, estamos numa situação muito difícil. Mas o Governo, quando abriu o armário, aquilo estava cheio de esqueletos.
- O PSD ainda é um partido social-democrata neste momento? As políticas que estão a ser aplicadas são sociais-democratas?
AC - Não, são perfeitamente liberais, como é óbvio. Nem podiam ser outra coisa. Ninguém que assuma o poder e queira cumprir o acordo com a troika pode assumir a social-democracia.
- Identifica-se com o partido?
AC - Não é o partido que está em causa no momento, é um Governo obrigado a pôr em prática um conjunto de medidas de feição manifestamente liberal.” (Entrevista ao Correio da Manhã)
Nós sabemos que "não é o partido"... E não há um que escape (mas eu pasmo sempre): o gosto da mentira e da rasteirice está-lhes na massa do sangue. Desta feita, trata-se de António Capucho, um homem do "aparelho" do PSD, "sá-carneirista", mas que está em todas, e dura... dura... dura... O ex-presidente da Câmara de Cascais, que (se demitiu) pensava ser escolhido para presidente da AR e possivelmente ainda pensa candidatar-se a PR... E até já foi deputado pelo Algarve durante algumas legislaturas sem que nesta Região alguém o conheça. Como pode António Capucho insistir na conversa dos esqueletos, insinuando serem dívidas escondidas pelo governo anterior, mesmo depois de tudo o que é instituição oficial, do INE à UTAO, passando pelo próprio ministério das Finanças e pela troika, o terem desmentido e estar mais do que confirmado terem os encargos com o BPN, a dívida oculta da Madeira, a quebra das receitas e os novos juros sido os responsáveis pelo agravamento do défice no ano passado?
Como pode defender o actual governo alegando que está obrigado a executar o que o anterior assinou (e eles não assinaram?), quando todos nós já ouvimos o próprio Passos dizer que o programa da troika é o seu programa (melhor, que fica aquém do dele) e que não o executa de modo algum contrariado? (atenção: havia jornalista nesta entrevista?)
Por último, como se atreve a deixar a ideia de que Passos e companhia possivelmente até queriam “assumir a social-democracia”, mas não podem deixar de ser liberais porque a troika não lhes dá outra hipótese? Isto é demagogia, cegueira, disparate puro ou poeira, supondo que está a dirigir-se a burros?
Dr. Capucho, defenda lá o seu partido e os seus correligionários, seja lá com que propósito for, mas com um mínimo de objectividade e decência (o senhor que, às vezes, até parece querer elevar-se acima da jovialidade/irresponsabilidade e mediocridade deste governo, como no caso de Fernando Nobre e no caso recente do Carnaval), de preferência com frases claras (nem sempre proferidas nesta entrevista), coerência e sem fazer dos outros parvos (nós, que nos conhecemos tão bem). Acredite que é um favor que fará - primeiro, a si próprio, e depois aos outros.
Carlos Ferreira
                                                                                                                       
                                                                                                                                   
                                                                                                                                   

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Casal ingles vive terror em moradia

Casal ingles vive terror em moradia

Um "flop" chamado União Europeia

ALEMANHA: MAIS UM PRESIDENTE NO SEIO DA EUROPA NÃO ELEITO PELO POVO
                                                                                                                                
Joachim Gauck, o candidato consensual (sem eleições) para se tornar o próximo presidente da Alemanha
Apesar do seu mérito, este novo Presidente é mais um ex-comunista arrependido, "não-eleito por voto" no seio da Nova Europa de Merkel... Chega a censura à União Europeia: revelar as verdades foi fatal para os jornalistas que fazem bem o trabalho de informar a opinião pública.
                                                                                                                
A chanceler Angela Merkel disse à sua coalizão e à oposição que concordou neste domingo com a nomeação do ex-ativista da Alemanha Oriental, Joachim Gauck, o candidato consensual para se tornar o próximo presidente da Alemanha. A decisão foi tomada depois da renúncia de Christian Wulff do cargo na sexta-feira por causa de um caso de corrupção e após membros do próprio partido conservador de Merkel derrubarem suas objeções a Gauck, de 72 anos. Merkel, que cresceu na comunista Alemanha Oriental, RDA, e que, como Gauck, é protestante, chamou o popular pastor de um "verdadeiro professor de democracia" que ajudou o país a se integrar depois da reunificação em 1990. "Este homem pode oferecer um importante impulso para os desafios de nosso tempo e do futuro," disse ela depois de um encontro com representantes de seu governo de centro-direita e da oposição no centro de Berlim neste domingo à noite. Gauck era candidato da oposição social-democrata e dos Verdes em junho de 2010 contra Wulff, um ex-primeiro-ministro de estado cristão-democrata, escolhido a dedo por Merkel como uma espécie de árbitro moral para o país.
Apesar do forte apoio de Merkel, Wulff só foi eleito na terceira rodada de votações - um conturbado começo de uma Presidência arruinada. A oposição apoiou Gauck nessa ocasião, assim como após a decisão de Wulff de renunciar. Apenas o partido de extrema esquerda Die Linke, que inclui muitos comunistas da antiga Alemanha Oriental, disse que suspenderia o apoio quando o presidente for eleito em março. Os conservadores estavam a princípio relutantes em apoiá-lo por verem nisso uma perda de identidade e um presente político para a oposição, mas seu desejo de pôr fim a um capítulo danoso prevaleceu no final. A vitória de Gauck está agora assegurada com uma clara maioria de apoio na assembleia dos deputados e lideranças que escolhe o presidente. Um Gauck visivelmente emocionado, que a maioria dos alemães considera que pode recuperar a credibilidade do posto depois da série de escândalos de Wulff, disse que está profundamente honrado por ter sido nomeado. "Este é um dia muito especial para mim, mesmo em uma vida na qual tive várias," disse a jornalistas. Ele ressaltou o fato de alguém nascido durante a II Guerra Mundial e que viveu 50 anos sob uma ditadura ter chegado à chefia do Estado.
Gauck, que não é filiado a um partido, disse que quer ajudar os alemães a recuperar a "fé em sua própria força" frente à crise da Eurozona. Gauck nasceu em janeiro de 1940 em Rostock (noroeste) e optou por seguir a vida de pastor da Igreja Luterana, sendo testemunha de detenções arbitrárias em sua paróquia. Em uma RDA onde as igrejas desfrutavam de certa tranquilidade, Gauck utilizou sua posição para defender os direitos humanos. Durante as primeiras manifestações contra o regime comunista em 1989, que terminaram com a queda do Muro de Berlim em novembro desse ano, Gauck tornou-se porta-voz da formação opositora Novo Fórum de Rostock. No dia 3 de outubro de 1990 foi escolhido para dirigir o centro encarregado de conservar e explorar os arquivos da Stasi, a polícia secreta da RDA. Ocupou o posto durante 10 anos e foi elogiado pela maneira como tentou unir justiça, verdade e reconciliação. Os partidos cristãos (CDU/CSU) de Merkel e seu aliado liberal (FDP), o Partido Social Democrata (SPD) e os Verdes contam com uma cômoda maioria para que Gauck seja eleito. Gauck será oficialmente eleito por uma assembleia federal composta por deputados da Bundestag e por delegados do mundo político e da sociedade civil escolhidos pelos parlamentos regionais, uma eleição que se deve ser realizada antes de 18 de março.
                                                                                                      
CENSURA À TVI NA UE PELA DIVULGAÇÃO DE CONVERSA PARTICULAR ENTRE VÍTOR GASPAR E MINISTRO ALEMÃO
                                                                                                                                     
Revelar as verdades foi fatal para os jornalistas que fazem bem o trabalho de informar a opinião pública... O repórter de imagem da TVI fica proibido de recolher imagens por um período ainda indeterminado, mas que poderá ir além de um mês. Os serviços de imprensa do Conselho Europeu suspenderam o repórter de imagem da TVI, António Galvão, que gravou a polémica conversa informal entre o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e o homólogo alemão sobre a disponibilidade de flexibilização do programa de ajuda financeira a Portugal. O jornalista suspenso fica, assim, proibido de recolher imagens por um período ainda indeterminado, mas que poderá ir além de um mês. Os mesmos serviços, que são responsáveis por estipular os termos do trabalho da comunicação social em Bruxelas, fixaram ainda regras mais apertadas para a gravação de imagens antes das reuniões ministeriais. A decisão surge depois de a estação de Queluz ter divulgado imagens de uma conversa informal entre Vítor Gaspar e Volfganf Schauble antes da reunião do Eurogrupo, no passado dia 9 de Fevereiro. Na ocasião, o ministro das Finanças germânico dava conta da disponibilidade da Alemanha para aprovar um segundo resgate financeiro a Portugal. Posição que, mostravam as imagens, Vítor Gaspar agradecia. O Governo, em reacção às imagens que foram difundidas a nível mundial e perante as críticas da oposição parlamentar, negou a necessidade de um segundo pacote de resgate.
                                                                                               
                                                                                                                  
                                                                                                                                                 

É Carnaval, ninguém leva a mal !

Vivemos o apogeu do cavaquismo
                                                                                                                                   
                                                                                                                                                                
Cavaco teve medo do protesto dos jovens alunos-artistas, e ao contrário de Sócrates, desertou... Depois de Cavaco não sair do seu "palácio" com medo dos estudantes, Passos foi vaiado e sentiu a força do Carnaval do povo... Passos Coelho, que até reforçou a sua segurança pessoal, será vaiado todos os dias até à sua demissão.
                                                                                                                        
Se a degradação moral que atingiu a Presidência da República tivesse como responsável alguém ligado a um outro Partido que não seja o PSD, a gente séria já teria decretado o fim do regime e estaria numa agitação frenética exigindo a cabeça do animal numa travessa. Como é um deles, como o reelegeram, como a hipocrisia é a única regra de ouro que respeitam, estão todos calados.
Extraordinariamente mais acabrunhante tem sido a postura da extrema-esquerda, ou esquerda verdadeira, ou única esquerda, ou a esquerda-caviar, ou esquerda dos que são realmente de esquerda e não admitem misturas com gentios. Estes santos revolucionários têm sido cúmplices passivos de Cavaco Silva, adorando todas as malfeitorias lançadas de Belém contra o inimigo comum. Deliraram com a golpada de Março que derrubou um Governo e o País. Continuam a proteger Cavaco porque ainda lhes poderá ser útil nos próximos 4 anos.
O Presidente da República foi sempre até 2008 uma figura que representava a segurança última para a pacificação da sociedade. Apesar dos diferentes envolvimentos políticos de acordo com os diferentes tempos e conjunturas desde o 25 de Abril, existia um consenso fundo à volta do simbolismo efectivo do lugar e da estima que naturalmente gerava. Agora, vivemos em stress pós-traumático, negando a evidência: o actual Presidente da República é causa de vergonha para qualquer português que se respeite a si próprio.
                                                   
ALUNOS DA ANTÓNIO ARROIO MANIFESTARAM-SE CONTRA CAVACO QUE FUGIU ASSUSTADO
                                                                                                                  
Cavaco teve medo do protesto dos jovens artistas... O Presidente da República era esperado na semana passada na escola António Arroio, junto às Olaias, em Lisboa, mas não compareceu. Cavaco Silva cancelou a visita prevista no estabelecimento de ensino, onde vários jovens estiveram concentrados numa manifestação contra as medidas escolares. A informação do cancelamento da visita foi avançada pelo corpo de segurança do chefe do Estado. No entanto, os alunos não desistiram dos protestos. Na base da contestação estão os cortes nos passes sociais visando os estudantes e as fracas condições escolares, como ausência de refeitórios e falta de material. No entanto, estas serão críticas que Cavaco Silva não receberá presencialmente. PR justifica cancelamento com «impedimento» Entretanto, a Presidência da República revelou que a ausência de Cavaco Silva na escola António Arroio esteve relacionada com um «impedimento» devido às funções do presidente, de acordo com a SIC. A visita estava prevista para as 10.30 horas, mas o atraso do chefe de Estado levantou logo a possibilidade de a mesma não se realizar. Note-se que este cancelamento surge depois de alunos e pais se terem concentrado, de forma inesperada, em frente ao estabelecimento de ensino onde Cavaco Silva era esperado, colocando em risco a segurança pessoal do Presidente. A reportagem em: http://aeiou.visao.pt/cavaco-silva-cancela-visita-a-escola-antonio-arroio-e-tinha-manif-a-espera=f646685.
                                                                                                                   
CARNAVAL DE PASSOS COELHO "ESTRAGADO" DEPOIS DE VAIADO EM GOUVEIA
                                                                                                                                       
Depois de Cavaco não sair do seu "palácio" com medo dos estudantes, Passos foi vaiado e sentiu a força do Carnaval do povo... Passos Coelho garantiu depois que enfrentou "com naturalidade" o grupo de manifestantes que contestou as políticas do Governo, junto ao mercado. Passos Coelho falava aos jornalistas no final de uma visita à feira do queijo da Serra da Estrela e de artesanato, em Gouveia, após ter sido vaiado por sindicalistas, elementos de uma comissão de utentes contra as portagens nas autoestradas da região e alguns populares. O primeiro-ministro, no meio de muito ruído e de assobios, ainda tentou chegar à fala com os manifestantes, mas não conseguiu, embora tenha dialogado com alguns populares que lhe apresentaram criticas à sua governação. "Há muitas ocasiões em que as pessoas expressam a sua insatisfação, muitas vezes apenas o descontentamento, para mostrarem que têm dificuldades e que estão a viver com dificuldades, disse o primeiro-ministro, acrescentando que gosta de se inteirar "dessas situações" e de estar ao pé das pessoas para lhes dizer que sabe bem quais são as dificuldades que todo o país atravessa. Referiu que é "obrigação" do primeiro-ministro "ouvir o que as pessoas têm para dizer, mesmo quando comunicam as suas dificuldades". Questionado sobre a sua atitude ser diferente da assumida pelo Presidente da República, Passos Coelho disse que não respondia a perguntas sobre Cavaco Silva, por quem tem "um grande respeito". Disse também esperar que as pessoas "saibam distinguir a posição do Presidente da República, porque tem sido de uma relevância muito grande para a estabilidade que temos tido em Portugal", lembrando a negociação do Orçamento e o acordo de concertação social. "Eu tenho tido, da parte do senhor Presidente da República um apoio, uma cooperação política como lhe compete, muito relevante para o país", garantiu.
                                                                                              
PASSOS COELHO REFORÇOU A SUA SEGURANÇA HÁ UM MÊS
                                                                                                                                             
Passos Coelho será vaiado todos os dias a partir deste Carnaval até à sua demissão... A previsão de maior contestação social às medidas do governo, maiores riscos de tumultos e aumento das ameaças à integridade física de Pedro Passos Coelho levaram a PSP a reforçar, há cerca de um mês, o Corpo de Segurança Pessoal que acompanha o primeiro-ministro. Passos, que antes teria 10 ou 11 seguranças, tem agora mais uma equipa a assegurar a sua protecção. Ao todo, são já 15 os elementos da PSP que seguem os passos do primeiro-ministro, avançou fonte daquela força de segurança ao i. O contexto mudou e o agravamento da crise económica no país tem levado a PSP a uma avaliação diária mais rigorosa dos riscos que correm as principais figuras do Estado e os ministros que anunciam as medidas mais controversas. Episódios como o que ontem levou Passos a ser vaiado e insultado por manifestantes durante uma visita a Gouveia já seriam esperados pela PSP, que há um mês está em alerta máximo no que respeita à segurança do primeiro-ministro. Fonte da PSP explica que actualmente a avaliação dos riscos de membros do governo é diária. Atrás de Pedro Passos Coelho, Álvaro Santos Pereira e Vítor Gaspar são neste momento os membros do governo mais protegidos. Por serem os que anunciam as medidas menos populistas, os ministros da Economia e das Finanças passaram a ter escolta policial reforçada há duas semanas, adiantou o “Diário de Notícias”. Também estes terão sido alvo de ameaças. (in, Jornal i).
                                                                                                              
                                                                                                           
                                                                                                                       

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Depoimento - Portugal redescobre o Brasil

PORTUGAL NA MARCA DO PENALTY
                                                                                                                                                    
Nos últimos 25 anos simplesmente nos recusamos a fazer trabalhos menores... Obrigado, ucranianos, brasileiros, russos, etc. para quem viveu na década de 70 e 80, deve dizer já vi isto em qualquer lado... portugueses imigrados em França a fazer o que mais ninguém queria fazer. lembram-se?), pedantes em Portugal, a viverem constantemente acima das nossas possibilidades, e pior ainda, nesta altura dificílima continuamos a exigir uma solução sem querer dar nada em troca nem trocar as regras do jogo mantendo jogadores viciados e sem ideias nos locais de decisão.
                                                          
Depois dos anos 500 e de Cabral, os portugueses voltaram a descobrir o Brasil na avalanche migratória proporcionada pela ditadura salazarista nos anos 30, 40 e 50. Agora, no início do novo milénio, em plena democracia, eis que os portugueses redescobrem (obrigatoriamente, mais uma vez) o Brasil em força pela terceira vez. No meu caso, aos 50 anos vi-me obrigado a emigrar para não acabar os meus dias recorrendo à esmola.
Depois de deixar o Algarve há um ano (nem esperei que me mandassem emigrar...), hoje - Domingo, resolvi dar notícias ao Magazine do Algarve, onde algumas vezes escrevi verdades que fizeram polémica. Estou em Fortaleza, 32 graus, 10h da manhã de frente para o mar, e lá longe minha mente se concentra num lugar chamado PORTUGAL, para muitos um jardim á beira-mar plantado, terra de grandes feitos, terra do FADO (ah grande MARCENEIRO), mas também, terra de tristeza, maledicência, padrasto e carrasco de sua massa cinzenta, a caminho da sua pobreza franciscana por conta de políticos e políticas incompetentes, hipotecando as gerações futuras correndo assim o risco de se transformar em TERRA DE NINGUEM, e a pergunta que não quer calar, e vale um milhão de euros: DE QUEM É EFETIVAMENTE A CULPA?
Inicialmente tudo aponta para os homens de cinzento e preto (se bem que ultimamente há uns mais “coloridos”) que se cruzam numa assembléia dita casa do povo, se movimentam em carros luxuosos e fazem uma dieta á base de uma boa picanha argentina ou de um bacalhau da Noruega, regado com um bom vinho chileno ou francês com um 12 anos a fazer companhia ao tradicional café, (nada de charutos... a malta está de olho, também era demais!) podendo assim mansamente contemplar a majestosa montanha de bosta que serviram aos portugueses com todo o amor e carinho, mas se olharmos com mais atenção e isenção, teremos que perguntar a bem da verdade qual foi o papel dos portugueses nesta crónica de uma falência anunciada, até porque isto tudo não aconteceu da noite para o dia, no mínimo podemos afirmar com toda a certeza que foram todos cúmplices, ou por omissão, comodismo ou também porque fizeram parte da falcatrua pegada que tomou conta do país desde a entrada no famoso mercado comum (futura União Europeia) por mão de MÁRIO SOARES, tornamo-nos num povo preguiçoso (nos últimos 25 anos simplesmente nos recusamos a fazer trabalhos menores... Obrigado, ucranianos, brasileiros, russos, etc. para quem viveu na década de 70 e 80, deve dizer já vi isto em qualquer lado... portugueses imigrados em França a fazer o que mais ninguém queria fazer. lembram-se?), pedantes em Portugal, a viverem constantemente acima das nossas possibilidades, e pior ainda, nesta altura dificílima continuamos a exigir uma solução sem querer dar nada em troca nem trocar as regras do jogo mantendo jogadores viciados e sem ideias nos locais de decisão.
É necessário elaborar uma lista de prioridades, é altura de botar a mão na massa, arregaçar as mangas e trabalhar arduamente que se faz tarde, temos efetivamente um problema de alucinação e acomodação coletiva, acreditando em HARRY PORTER e suas mágicas, há que fazer uma ruptura na vertical vamos ter que fraturar o sistema e para isso acontecer é necessário, aliás, indispensável formar um MSN- MOVIMENTO DE SALVAÇÃO NACIONAL- a hora é de união, cerrar fileiras, formar um governo de salvação nacional, ir buscar os melhores quadros a todos os partidos e ao setor privado, manter em funcionamento a assembléia da republica, mas suspender qualquer eleição nos próximos dez (10) anos, assim, evita-se perder o foco com disputas eleitorais e promessas demagógicas, privatizar as grandes empresas (EDP, PT, etc.) criar uma comissão fiscalizadora com participação popular para fiscalizar os bancos agregando um aumento nas taxas a cobrar aos mesmos. Ao povo português cabe, poupar em suas despesas e PARAR com o endividamento, trabalhar ao sábado (e porque não em certos domingos?) para aumentar a produção, diminuir os feriados, e agüentar heroicamente e patrioticamente o congelamento de salários, ser solidário, acreditar que o problema de um é de todos e que juntos fazemos acontecer, sem este tipo de atitudes infelizmente não há volta a dar a esta situação.
É ISTO, OU NADA... É PEGAR OU LARGAR (os filhos e netos agradecem)! A bola está na marca de grande penalidade... é só escolher o lado para onde chutar!
...UMA MÃO CHEIA DE VENTO E OUTRA CHEIA DE NADA... mas há algo que todos temos que ter e que é a coisa mais valiosa...VONTADE!
- ÁS ARMAS ÁS ARMAS CONTRA A FALÊNCIA... TRABALHAR, TRABALHAR!
(Leitor identificado)
                                                                                                                
                                                                                                 
                                                                                          
Os portugueses mais uma vez “descobrem o Brasil”.
                                                                                                                    
A crise econômica que afeta Portugal desde 2008 está levando portugueses a emigrar em busca de melhores condições de vida. Um dos principais destinos desta nova onda é o Brasil, por causa do crescimento da economia brasileira. Ao contrário do que acontecia no século passado, quando portugueses com destino ao Brasil não tinham formação acadêmica – muitos eram semianalfabetos ou analfabetos –, a maior parte dos lusitanos que formam a onda atual têm curso superior. “São pessoas cada vez mais especializadas. Constitui uma de fuga de cérebros, mas desta vez o destino é o Brasil. Não é uma migração dos países menos desenvolvidos para os países ricos, como se dizia nos anos 60″, afirma o cônsul do Brasil em Lisboa, Renan Paes Barreto.
Segundo o serviço consular da representação, o número de pessoas que têm o Brasil como destino vem aumentando. “No ano passado foram cerca de 1,5 mil vistos de trabalho, praticamente o mesmo número de 2009. Este ano, nos primeiros três meses foram 500″, conta o funcionário do consulado responsável pela seção de vistos, José Luiz Neves. Segundo Neves, o número do consulado não é o definitivo. Além da representação de Lisboa, há também a do Porto. E há outras formas de obter o visto de trabalho, através de casamento, por exemplo. “As pessoas normalmente não começam o processo aqui. Aqui é concluído. Começa no Ministério do Trabalho e do Emprego, com o pedido por parte da empresa.” Sobre o perfil do português que busca o visto para trabalhar no Brasil, Neves relata que “são predominantemente engenheiros e técnicos de plataformas de petróleo. Mas há outras profissões, como arquitectos”.
O oficial de náutica Bruno Pereira, de 26 anos, é um dos que fizeram fila no consulado para receber o visto de trabalho. Ele trabalha em navios que fornecem a logística para plataformas de petróleo. “Lá (no Brasil) o negócio do petróleo está muito forte. Em Portugal, não teria chance de conseguir trabalho nessa área”, conta. Pereira, que trabalha para uma empresa alemã, afirma que os salários estão aquecidos no Brasil. “Eu recebo salário europeu. Nas empresas brasileiras, os oficiais de náutica recebem perto de R$ 10 mil por mês, mais previdência privada e seguro de saúde. Nas empresas europeias recebemos um pouco menos do que isso e sem seguro de saúde nem previdência privada”.
Para o arquiteto Pedro Ribeiro, de 40 anos, o Brasil vai ser o caminho para fugir da crise. Especializado em remodelação de interiores, com mais de 15 anos de profissão, ele escolheu o Recife como destino por conta dos contatos profissionais que tem na cidade, muitos dos quais trabalharam em Portugal. O governo propõe investimentos que só uma engenharia de qualidade pode suportar. A engenharia que o Brasil precisa é muito voltada par a construção civil, para a indústria do petróleo e para a energia. Na fila do consulado, ele explicou sua decisão por três razões. “Primeiro, porque é um país que tem forte crescimento econômico; segundo, pela familiaridade da língua; (terceiro) por questões familiares, porque eu sou casado com uma brasileira.” Ribeiro comparou a situação portuguesa atual com a de 2007, de antes da crise internacional. “Estamos agora com metade da quantidade de trabalho e metade das margens de lucro”.
Apesar da alta demanda por engenheiros no Brasil, o presidente da Ordem dos Engenheiros de Portugal, Carlos Matias Ramos, diz que é difícil ter dados exatos sobre o número de profissionais lusos que atravessaram o Atlântico. A única forma de conhecer esse número é através dos pedidos de inscrição no sistema Confea/CREA, os conselhos de engenharia e arquitetura brasileiros. No final do ano passado havia pelo menos 1,2 mil engenheiros portugueses praticando engenharia no Brasil, diz Matias Ramos. O chefe da Ordem acredita que o número de engenheiros portugueses no Brasil vai aumentar. “O PAC 2 propõe investimentos que só uma engenharia de qualidade pode suportar.” Por outro lado, ele diz que muitos engenheiros portugueses enfrentam problemas para ter seus títulos reconhecidos no Brasil e que, em alguns casos, se forem cumpridas todas as exigências, “o reconhecimento do título de engenheiro pode levar 24 meses”.
Em outros casos, como o da mestranda Graça Rodrigues, que está se especializando em museologia, os planos de quem deixa Portugal “não têm a ver com a falta de emprego”, e isso com a oportunidade de ampliar os horizontes. Com uma bolsa de estudos para estudar três meses na Bahia, ela diz quer ver como está o mercado profissional brasileiro em sua área, a de produtora de exposições. “Isso não tem a ver com falta de emprego. Eu trabalho numa galeria de arte em Lisboa”, afirma. A escolha da Bahia se deve à sua formação em História da Arte com especialização no barroco. “O Brasil tem um trabalho muito forte sobre o barroco. Gostaria de estabelecer uma relação entre as universidades de lá com equipes portuguesas de universidades portuguesas para trabalharem em conjunto.”
                                                                                                            
Fonte - BBC / Brasil
                                                                                 
                                                                              
                                                                                               

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Crónica de Domingo

Desemprego - uma nova forma de crime?
                                                                                                                                      
O Desemprego já é um problema de saúde pública, responsável por suicídios, consumo e abuso de substâncias e de alcóol, depressões, baixa-autostima além de ser socialmente responsável por divórcios, separações, isolamento social...
Resta perguntar: Quando é que este povo acorda e sente o abismo para onde o estão a conduzir?
                                                                                        
Num momento em que o desemprego em Portugal sobre para os 13,6%, registando o terceiro valor mais alto (a seguir a Espanha e Irlanda) e o maior agravamento entre os 27 países da União Europeia, a sede dos Precários Inflexíveis será o ponto de encontro de desempregados e desempregadas para pensar, falar e agir sobre a sua condição.
Vivemos numa época em que a União Europeia tem vindo a estabelecer directrizes por forma a erradicar a Exclusão Social nas suas mais variadas formas (Desemprego, Saúde Mental, Pobreza, etc.), estabelece directrizes para promoção do bem-estar psicológico, por forma a dirimir possíveis, reais perturbações psicológicas e mentais, para incluir o diferente.
Enquanto isso, Portugal, ao mesmo tempo que cria projectos para tapar os olhos à União Europeia (PNAIs e afins), não cria as condições necessárias para que tais projectos sejam colocados em prática e realmente resultem, e esforça-se por criar legislação que não contempla as directrizes europeias.
Portugal parece ter tipificado, no seu Código Penal (embora de forma implícita), o Desemprego como crime. As penas são as Apresentações Quinzenais. Mas nos Centros de Emprego, nas Repartições da Segurança Social e nas Juntas de Freguesia, em vez de ser nas Esquadras das Polícias.Vivemos num país em que os Ministros querem mais Licenciados, mais Mestres, mais Doutores, mas nem sequer pensam em criar ou abrir vagas de emprego qualificado para os detentores desses graus académicos.
Vivemos num país onde, nos Centros de Emprego, dizem aos detentores desses graus académicos que os omitam quando vão a entrevistas de emprego não qualificado por forma a serem contratados. Vivemos num país em que, para sermos contratados, temos de mentir.
Mentir acerca das Habilitações Literárias, porque temos qualificações a mais. Mentir acerca da idade, porque acima dos 40/45 anos já se é velho para trabalhar (mas não para a Reforma). E, no entanto, continua-se a lutar por um emprego (abaixo das nossas qualificações, ou não), dia após dia, porque não se tem escolha mesmo que não se tenha a mínima hipótese. É obrigatório, pois, de outro modo, sofrem-se outras sanções.
E assim surgem as entrevistas. É-se humilhado e hostilizado, vexado pelas escolhas de curso que se fizeram. É-se humilhado e hostilizado, vexado pela aparência física, pelo exercício físico que se faz ou não, porque se come demasiado ou talvez não exactamente assim, pela nacionalidade que se tem, pela fluência nos mais variados idiomas (incluindo o Português, caso esse não seja o idioma materno). É-se humilhado e hostilizado, vexado quando se demonstra ter idoneidade e se recusa a difamar a anterior entidade patronal.
Alguém que esteja na situação de Desemprego procura emprego. Não procura ser humilhado.
E o tempo passa, o Subsídio (Social) de Desemprego corre para o fim. E continua-se sem emprego. Continua-se a enviar currículos, a responder a anúncios, a enviar candidaturas espontâneas. E nada. E a realidade pesa, os problemas surgem. As depressões começam a tornar-se cada vez mais evidentes. E o dinheiro escasseia cada vez mais e não há como ir a consultas de Psicologia, não há como atamancar o problema com medicação, não há como parar a "infecção" que alastra e piora sem a terapia, sem o aconselhamento. E os suicídios prosseguem, as matanças desvairadas surgem... E as Leis mantêm-se. Quem as aprovou também não se interessa com os resultados. - Aliás! Nem estudos se fazem! Tal como todas as outras formas de Exclusão Social, a sociedade prefere imitar a avestruz e esconder a cabeça na areia. Negando-se o problema, pode ser que este deixe de existir.
As taxas de desemprego não tem parado de subir, têm sido significativas para nos fazer compreender o abismo que se aproxima. De acordo com o INE, a taxa de desemprego do 2º trimestre de 2008 foi de 7,3%, enquanto que no 1.º foi de 7,6%. Já no Ano de 2007 no 1.º trimestre foi de 8,4%, no 2.º e 3.º trimestres foi de 7,9% e no 4.º foi de 7,8%. Comparem agora com aquele que está acontecer em 2012! É absolutamente inacreditável que não tenhamos governantes com capacidade e sabedoria suficientes para estancarem esta "sangria" social. Este caos que se abateu sobre esta terra, fruto de duas mãos cheias de políticos incompetentes, que num país civilizado seriam chamados à barra de um tribunal, e julgados, pelo crime de lesa-Pátria a milhões de portugueses..
É imperativo atentar para este problema. O Desemprego não é apenas um problema social. É também um problema económico. É também um problema psicológico. A problemática do Desemprego e toda a sua envolvente não se esgota num simples número. O Desemprego é também humano - são pessoas que sofrem. E esse sofrimento tem consequências, nomeadamente ao nível da saúde. O Desemprego poderá muito bem estar em vias de se tornar um problema de Saúde Pública.
O Desemprego já é um problema de saúde pública, responsável por suicídios, consumo e abuso de substâncias e de alcóol, depressões, baixa-autoestima além de ser socialmente responsável por divórcios, separações,isolamento social...
Resta perguntar: Quando é que este povo acorda e sente o abismo para onde o estão a conduzir?
Carlos Ferreira
                                                                         
                                                         
                                                                                                                             

Desemprego avassalador !

885 NOVOS DESEMPREGADOS A CADA DIA EM PORTUGAL
                                                                                                      
As taxas de desemprego e as políticas cegas e injustas farão cair este Governo nos próximos meses.
                                                   
O desemprego jovem disparou 61% em 2011, quando em todo o período entre 2002 e o final de 2010, cresceu 29%. A troika em Setembro passado avançava com perspectivas pessimistas: Portugal atingirá uma taxa de desemprego oficial de 13,5% ao longo de 2013, valor que seria o pico deste flagelo no país. O governo, na mesma altura, dizia que não. Vítor Gaspar não admitia um cenário tão grave, antecipando “só” um pico no desemprego de 13,3% e ao longo deste ano, depois tudo melhoraria ao longo do ano seguinte. Ambos estavam completamente enganados. No final de 2011, o desemprego oficial bateu os recordes e chegou a 14%, fruto de um salto trimestral nunca antes visto: mais 1,6 pontos. E a tendência, como se antecipa nas previsões do governo e da troika, é piorar. Mas mais do que números, falemos de pessoas. O que quer dizer um salto de 1,6 pontos percentuais no desemprego entre Outubro e Dezembro de 2011? Este valor significa que em três meses mais de 81 mil residentes em Portugal ficaram sem emprego, qualquer coisa como 885 pessoas por dia em todos os 92 dias de Outubro a Dezembro, úteis ou não. No final de Dezembro, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) havia 771 mil desempregados em Portugal. Em Outubro eram 689,6 mil. Enquanto isso, a Alemanha bateu o recorde de pessoas empregadas desde a reunificação do país, com 41,6 milhões de trabalhadores em finais de 2011, mais 560 mil. Dados também ontem divulgados.
                                                                                     
                                                                                
                                                                                                                       
Plenário de Desempregados
                                                                                                                                      
                                                                                                                              
Participa! Contra o Desemprego e a Precariedade
                                                                                                   
(Link: https://www.facebook.com/events/349869798364580/?ref=ts)
                                                                           
                                                                      
                                                                                            

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Manifesto de Mikis Theodorakis

"Se os povos da Europa não se levantarem, os bancos trarão o fascismo de volta."
por Mikis Theodorakis
                                                                                                                                      
No momento em que a Grécia é colocada sob a tutela da Troika, que o Estado reprime as manifestações para tranquilizar os mercados e que a Europa prossegue nos salvamentos financeiros, o compositor Mikis Theodorakis apela aos gregos a combater e alerta os povos da Europa para que, ao ritmo a que as coisas vão, os bancos voltarão a implantar o fascismo no continente.
                                     
Entrevistado durante um programa político popular na Grécia, Theodorakis advertiu que, se a Grécia se submeter às exigências dos chamados ".parceiros europeus" será ".o nosso fim quer como povo quer como nação". Acusou o governo de ser apenas uma "formiga" diante desses "parceiros", enquanto o povo o considera "brutal e ofensivo". Se esta política continuar, "não poderemos sobreviver … a única solução é levantarmo-nos e combatermos".
                                     
Resistente desde a primeira hora contra a ocupação nazi e fascista, combatente republicano desde a guerra civil e torturado durante o regime dos coronéis, Theodorakis também enviou uma carta aberta aos povos da Europa , publicada em numerosos jornais… gregos. Excertos:
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.
                                                                         
Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.
                                                                   
Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…)
                                                                 
Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".
Míkis Theodorákis
                                                           
A versão em francês encontra-se em:
 www.centpapiers.com/... e em http://www.silviacattori.net/article2301.html
Tradução de Margarida Ferreira.
                                                                 
Este apelo encontra-se em http://resistir.info/ .
                                                                             
Míkis Theodorákis, em grego Μίκης Θεοδωράκης, (Chios, 29 de julho de 1925) é um compositor e político grego mundialmente conhecido pela banda sonora dos filmes hollywoodescos, como Zorba, o Grego (1964) e Serpico(1973). Em 1980-1982 foi-lhe atribuído o Prémio Lénin da Paz.
Theodorákis é também conhecido pelas suas posições políticas de esquerda, as quais expressa abertamente (incluindo durante o governo da junta militar que comandou a ditadura grega). Militou em diversas campanhas de direitos humanos, como o conflito do Chipre, as tensões entre a Turquia e a Grécia, os ataques da NATO contra a Sérvia, o sequestro de Abdullah Öcalan ou o conflito israelo-palestiniano. Recentemente, as suas declarações contra George W. Bush e Ariel Sharon suscitaram diversas críticas.
                                                                                        
Vídeo histórico
                                                                                                                   

                                                                                     
                                                                                                                                   
Comentário do AR
                                                                            
O rastilho iniciou-se na Grécia e está na nossa mão evitar que aqui, em Portugal, se repita tal situação que só beneficiará a quem interessa o caos para impor uma nova ordem.
Hoje não tens trabalho, amanhã podes não ter que comer e não ter casa para morar.
Deixem-se de guerras mesquinhas, deixem de discutir se é melhor o clube A ou B, não se deixem embalar pelas novelas ou noticias mais ou menos sensacionalistas que só servem para desviar as atenções, deixem de ser enganados de uma vez por todas!.
Exijam o cumprimento do programa de Governo que foi anunciado durante a campanha eleitoral.
Se estes políticos não sabiam em que condições o País e a Europa se encontravam, era porque são incompetentes e foram má oposição!

ACORDEM!

                                                                                       
                                                                                             
                                                             

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Michel Chossudovsky. “Estamos num cenário de terceira guerra mundial. E todos vão perder” | iOnline

Michel Chossudovsky. “Estamos num cenário de terceira guerra mundial. E todos vão perder” | iOnline

Crónica de Domingo

Em Roma sê romano... Na Europa, sê grego!
                                                                                                                                
Sabido que era, que a Europa nem sequer estava preparada para o aumento dos 15 para 27 países membros, o mais curioso e preocupante é nós não sabermos sequer neste momento qual é, do ponto de vista da França e da Alemanha, a saída/solução mais conveniente.
                                                                     
Há uns meses, em mais um impasse sobre a libertação da última fatia do último empréstimo, o primeiro-ministro Papandreou, perante a revolta na rua de Atenas, a contestação dos seus próprios deputados e o boicote e os vitupérios da oposição, quis fazer um referendo ao povo grego. A pergunta não chegou a ser conhecida, mas não andaria muito longe da seguinte: “Aceita as novas medidas de austeridade, sob pena de o país ter de abandonar o euro?” – esta segunda parte da pergunta não figuraria necessariamente, mas estaria pressuposta.
Por forte pressão do Eurogrupo, com Merkel e Sarkozy à cabeça, que temiam um “não, não aceitamos”, Papandreou desistiu do referendo. Foi um erro. Sabendo-se que a maioria da população não desejava abandonar a moeda única, perdeu-se uma grande oportunidade para legitimar decisões e acalmar as hostes na Praça da Constituição e arredores. Este segundo aspecto teria sido importante, já que os manifestantes que criam o caos nas ruas de Atenas não representam necessariamente a opinião da população grega. Sem prejuízo das razões de protesto que assistem aos gregos, há e sempre houve na Grécia grupos anarquistas e marginais especialmente vocacionados para a arruaça. E para a violência. É um erro considerar que traduzem o pensamento da generalidade dos eleitores. Evidentemente que é possível que a Europa não quisesse a consulta popular na altura por, na hipótese de um Não, não estarem ainda preparados os mecanismos necessários para aparar o choque, sobretudo a nível da banca, e para impedir réplicas noutras longitudes.
Mas as coisas vão evoluindo. Na Europa, onde se começa a perceber que o “remédio” não funciona, e na Grécia. A breve trecho, haverá eleições. Se ganhar a Nova Democracia, as medidas tomadas não serão em nada diferentes das atualmente tomadas pelo chefe de governo “tecnocrata” não eleito, que preside à coligação. Sob a tutela da Troika, será esta que continuará a ditar as regras. Se ganhar o conjunto de partidos dispersos mais à esquerda, poderá instalar-se um enorme caos político, nenhum deles tendo uma maioria clara e declarando-se todos contra a Troika. Por outro lado, o prolongamento do mandato de Papademos arrisca-se a provocar a impaciência dos políticos, além de que significaria a aplicação do mesmo programa e as respetivas dificuldades de o fazer passar, ou seja, o prolongar dos dramas a cada libertação de nova fatia. Os mais recentes dados permitem vaticinar que, não tendo a Grécia a mínima possibilidade de pagar as dívidas (as passadas, as presentes e as futuras) com as sucessivas vagas de austeridade, a falência não tardará muito, dependendo apenas de uma decisão europeia.
Agora, vem o Presidente do Bundestag chorar sob leite derramado, dizendo-se contra alargamento da comunidade europeia. O presidente do parlamento alemão (Bundestag) defendeu hoje em Lisboa que a União Europeia (UE) não pode ter maior alargamento para além daquele que já existe, nos próximos anos, a outros estados membros, e deve voltar-se mais para si, para o aprofundamento da comunidade. E acrescentou: “É minha convicção de que, nos próximos anos, não podemos permitir o alargamento da UE a outros estados membros, mas devemos forçar o aprofundamento na comunidade face às mudanças, sobre as quais é cada vez mais difícil chegar a acordo”, afirmou Norbert Lammert numa palestra que proferiu ao fim da tarde na Universidade Católica de Lisboa, sob o título “Europa: a crise e o futuro”. Parecendo menos preocupado com a actual crise do que a sua conterrânea Angela Merkerl, e que se prende com aumento da dívida pública de países como a Grécia, Irlanda e Portugal – “porque crises sempre houve desde a constituição da Comunidade Económica Europeia e a Europa é o produto de experiências de crises”, sustentou - Lammert defendendo um futuro conjunto: “porque só juntos teremos futuro”.
Sabido que era, que a Europa nem sequer estava preparada para o aumento dos 15 para 27 países membros, o mais curioso e preocupante é nós não sabermos sequer neste momento qual é, do ponto de vista da França e da Alemanha, a saída/solução mais conveniente. Parece-me que aligeirar a austeridade está fora de questão. Mas, e se se aligeirar para os portugueses, como já foi, digamos, prometido? Fosse o povo grego interrogado hoje sobre o desejo de permanecer no euro, temeria a Europa mais o Não ou o mais o Sim? Não sabemos, mas não será difícil de imaginar. O desejo de permanência dos gregos poderá tornar-se insuportável. Por mim, e por mais difícil que seja, desejo cá no fundo que encontrem maneira de serem eles próprios a mandar a Europa “bugiar”.
Carlos Ferreira
                                                                                                                 
                                                                                                                     
                                                                                                                         

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Quando o destino trai a luz de uma estrela

Whitney Houston
                                                                                                                      
O gospel que se fez à vida sem guarda-costas... Entre altos e baixos, a Voz mais premiada de sempre foi encontrada sem vida no sábado, véspera da cerimónia dos Grammy.
                                   
Aproximou-se do microfone vestida de roxo. Esfregou as mãos com um nervosismo de arranque que se dissipou à medida que os vibratos de “Home” conquistavam o público. “Não nos esqueceremos deste nome”. Vaticínio certeiro do anfitrião do “Merv Griffin Show”, que em 1985 se tornaria a rampa televisiva de Whitney, então a alguns anos de distância da popular MTV abrir portas à “primeira namoradinha negra da América”, como a descreveria a revista “US”, depois do primeiro cartão de visita, patrocinado pelo executivo da indústria discográfica Clive Davis. “Se há alguém que vai dar que falar, será Whitney Houston”.
Aos 48 anos, a artista mais premiada de todos os tempos, com dois Emmy, 6 Grammy, 30 troféus Billboard e 22 prémios da Música Americana, entre 415 distinções amealhadas até 2010, não esperou por mais uma cerimónia apresentada pela National Academy of Recording Arts and Sciences, onde iria marcar presença.
Foi encontrada sábado sem vida na banheira de um quarto de hotel em Beverly Hills, véspera da entrega dos mais prestigiados galardões da indústria da música, os Grammy, que se realizou ontem entre homenagens à cantora, assinaladas, entre outros, por Jennifer Hudson e pela veterana Chaka Khan, a voz original de “I’m Every Woman”, mais tarde celebrizada por Whitney. “Whitney teria querido que a música continuasse e a sua família pediu-nos que assim o fizéssemos”, justificou Clive Davis, o presidente da Arista, etiqueta a que se manteria associada ao longo de toda a carreira. As causas da morte eram até ontem desconhecidas.
Nascida em Newark, New Jersey, a 9 de Agosto de 1963, filha de uma cantora de gospel, “Cissy” Houston, prima de Dionne Warwick e afilhada de Aretha Flanklin, estreou-se a cantar em público na igreja baptista New Hope, aos 11 anos, e ocasionalmente acompanhava Cissy em palco. “Sabia que Deus me tinha dado um dom, só não sabia muito bem o que fazer com ele. Queria correr o mundo como back vocal, cantando com a minha mãe”, disse em 93 em entrevista a Barbara Walters.
No final da adolescência, a par da carreira como modelo, colaborou com o letrista Paul Jabara e o experimentalista Bill Laswell , ou Material, que acabariam por marcar decisivamente o seu estilo. Em 1985, Clive Davis supervisionou a gravação do seu primeiro álbum em nome próprio, lançado no dia dos namorados, depois de uma operação de cosmética que a converteu numa elegante diva vestida de branco, como surgia na capa do disco. Venderam-se três milhões de cópias só no primeiro ano, nos EUA.
Enquanto desbravava terreno para outras vozes afro-americanas, como Mary J Blige, ultrapassava os Beatles no número de singles que atingiam o cume das tabelas de uma assentada, sete, e liderava o pódio das artistas negras norte-americanas mais bem pagas. Se o mundo pop de finais de oitenta vibrava com singles como “I Wanna Dance with Somebody (Who Loves Me)”, em 1992, Houston atingia um dos maiores picos de sucesso com a balada “I Will Always Love you”, versão do original de Dolly Parton, extraído do filme “The Bodyguard”, onde contracenou com Kevin Kostner (o respectivo álbum é o 4º mais vendido de sempre e ocupa o primeiro na lista das bandas sonoras). A participação como actriz valeu- -lhe um depreciativo Razie, que nunca a desmotivou a alinhar em produções seguintes, enquanto a banda sonora resultou em 44 milhões de cópias vendidas.
“Adoro ver o público a divertir-se”, partilhou sorridente no DVD “This is My Life”, uma viagem ao mundo da cantora e do enganador showbizz. “Disse à minha mãe que queria ser cantora. Ela perguntou-me: ‘sério? E queres entrar no showbussiness?’ Não é a mesma coisa?, perguntei eu. Não, disse-me ela. Ser cantora é uma coisa, ser uma cantora e estar no showbussiness é outra; pode ser sempre a descer e muito sujo”, recorda na televisão uma jovem Whitney na casa dos vinte, declaração com o seu quê de vidência, a julgar pelo corolário desse ano de 92 em que se casou com o “bad boy” Bobby Brown, pai da sua filha Bobbi Kristina.
A relação tóxica, pautada por maus tratos, precipitou o abuso de drogas. Em 96, o abismo aprofundava-se, com o recurso diário à cocaína. Nem a recepção calorosa do álbum “My Love Is Your Love”, lançado em 98, refreou uma entrada negra no novo milénio. A vertigem chegou aos Óscares, quando em 2000 viu cancelada uma actuação prevista, na sequência de uma série de incumprimentos de agenda. Detida por posse de marijuana, o aspecto esquelético de Houston não passou despercebido no tributo a Michael Jackson em 2001. Ao aceitar participar no reality show “Being Bobby Brown”, escancara por completo a adição.
Em 2006 entrou em reabilitação e um ano depois separou-se. O seu último álbum, “I Look to You”, de 2009, recebeu críticas favoráveis mas as falhas na voz motivavam o desânimo dos fãs. Numa entrevista a Diane Sawyer, da ABC News, em 2002, falara abertamente sobre o crack, uma droga demasiado “reles” para a fortuna pessoal da errática estrela, que voltou a ser internada em Maio de 2011. Apesar de ter vendido mais de 200 milhões de gravações em todo o mundo, de ter voltado à representação no Outono passado, e de um novo disco, “On My Own”, se encontrar em fase de desenvolvimento, rumores de final de Janeiro davam conta de que estaria falida.
De Quincy Jones a Mariah Carey, sucedem-se os comentários nas redes sociais à morte da diva, que conquistou nomes como Celine Dion, Toni Braxton, ou Christina Aguilera, que a têm citado como influência. Houston foi vista publicamente em Hollywood, na passada quinta-feira, numa festa associada aos Grammy, onde terá subido a um palco pela última vez.
                                                        
in : http://www.ionline.pt/boa-vida/whitney-houston-gospel-se-fez-vida-sem-guarda-costas
                                                                            
Por Maria Ramos Silva, publicado em 13 Fev 2012